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O número trinta, Danny Duffy, o arremessador de trinta e dois anos dos Royals já está no monte para se prepara para arremessar a bola, dizia a voz do narrador soando em todo o estádio. No telão, do outro lado, mostra o referido jogador, um homem se alongando antes de jogar a bola usando roupas brancas com seu nome e números escritos na blusa, todos em azul escuro, da mesma cor que seu boné com a abreviatura da franquia, “KC" - Kansas City.
Depois, o apanhador dos Rangers aparece no telão, Dean e outras pessoas daquele lado da arquibancada vaiam e dizem palavras sujas por cima dos gritos eufóricos dos torcedores do time adversário. Um pouco de cerveja respinga de alguém na fileira de trás, ele ignora deixa-se cair preguiçosamente no banco novamente e desliza um pouco o corpo para fora do assento, com as pernas abertas e as mãos nos bolsos do casaco. Sam, com certeza, o perturbaria por causa de sua postura se não tivesse negado a ir ver o jogo para ler livros de nerd e fazer outras coisas de nerd - Dean não sabe que coisas são essas porque ele é legal.
Dean desvia o olhar do campo para procurar Cass, ele o vê alguns bancos de distancia, voltando para o lugar com uma mão gigante azul de espuma escrito #1 que acabara de comprar, também usa um boné dos Royals, mas isso foi Dean que o deu no estacionamento antes de chegarem. O anjo parece bem feliz com a grande mão e dá um pequeno sorriso para o Winchester quando se senta ao seu lado.
Eles estavam bem próximos ultimamente.
Desde o incidente com a Castidade e serem expulsos do “antro de iniquidade” tinham saído algumas vezes para apresentar ao anjo coisas divertidas da Terra e Dean descobriu - para sua surpresa - que Cass é bem legal e sua companhia é muito boa. Obviamente, Dean nunca admitiria isso em voz alta.
– Seu time está ganhando ou perdendo? – Cass pergunta sem desviar os olhos do campo, ele fazia uma cara engraçada e confusa. Aparentemente ainda não havia entendido o jogo muito bem.
Acontece que era o primeiro jogo de baseball dele. Foi uma coincidência que houvesse um jogo dos Royals na mesma cidade onde havia - havia, não há mais - um ninho de vampiros. Foi uma oportunidade para o Dean, que é muito fã do time de baseball do Kansas e que queria apresentar um dos melhores esportes para o anjo. Bastou uma rápida pesquisa da parte de Sam e uma conversa com um cara bizarro que usava óculos escuros de noite e tinha os ingressos de última hora.
– Perdendo.
– Ah...
Cass fica em silêncio por alguns segundos acompanhando o jogo, parecendo bastante focado em entender. Não era sua culpa se aquele esporte era muito complexo - e ainda não tinha achado o diamante no campo que disseram que tinha.
Ás vezes repetia os xingamentos feio que Dean gritava e vaiava quando Dean vaiava. Para fazer parte.
As coisas ficam mais confusas quando um jogador do time vermelho correu atrás de um jogador do time azul para encostar a bola nele, todos gritaram na arquibancada. Eram gritos frustrados e raivosos. Cass olhou em volta, com o habitual semblante confuso.
O rebatedor dos Royals é eliminado. O placar continua três a um para os Rangers.
– Eu não entendo – Ele se virando para Dean.
– Olha – Dean diz colocando o braço no encosto do banco de Cass, também se inclina um pouco para o lado dele. Nenhum dos dois se afastou, e na verdade, aquela proximidade era algo rotineiro entre eles. –, se aquele cara com o bastão rebater a bola muito longe, conseguir correr por aqueles três quadrados ali e voltar para onde está agora sem ser eliminado, os Rangers farão ponto.
– E nós não queremos isso... – diz hesitante, soando quase que uma pergunta.
– Não, nós não queremos.
– Certo.
Eles ficam em silêncio novamente, o estádio fica quieto também, de modo que é possível ouvir o barulho do bastão do rebatedor na bola. A multidão acompanhando a bola voar no alto; uns em silêncio porque o time do Kansas ainda tinha chance de empatar, outros, entretanto, porque só faltava mais três innings e o Texas ganhará.
O número três corre até a segunda base. A defesa pega a bola antes de tocar o chão. Duas eliminações seguidas!
– Hey sunshine, o que está achando do jogo? – Dean pergunta, Cass o olha intensamente. Todos seus olhares eram intensos, na verdade.
– Interessante. Acho que estou começando a entender.
– Legal.
– Tenho uma pergunta – As mãos dele se juntam em seu colo, talvez um pouco tímido. Sua postura ereta seria intimidadora e séria se não fosse aquele anjo em especifico, mas com Cass era meio que adorável.
Dean sustenta o olhar, incentivando-o a continuar.
– Baseball não é muito parecido com os esportes que o vejo assistindo, não tem violência. É bastante estratégico, pelo que compreendi. Por que gosta desse esporte?
– Quando eu e Sam éramos mais novos – ele se ajeita no banco. –, não tínhamos muito o que fazer quando nosso pai nos deixava para caçar, quando ficávamos entediados – o arremessador se prepara... – e queríamos fazer algo divertido, não havia muita concordância entre nossas ideias – ele para por alguns segundos olhando para o campo. O rebatedor bate na bola. – Tem canal de esportes na maioria dos hotéis, conhecemos o baseball pela TV, era algo que eu gosto, no caso esportes, e que Sam gostava, coisas de nerd, então nós- Toma essa, seus filhos da puta! – ele interrompe a explicação para gritar, feliz agora. Outras pessoas também faziam isso. Castiel não repetiu suas palavras dessa vez, mas usou sua mão de espuma.
Home Run!
Uma musiquinha engraçada começa a tocar, enquanto no telão anunciava algo chamado câmera do beijo.
– O que é isso?
– As pessoas que aparecem no telão tem que se beijar – explica se sentando no banco novamente. Aqueles eram os melhores lugares, dava para ver o campo inteiro e ver o rebatedor dos Royals correr calmamente pelas bases.
A câmera focou em duas pessoas, provavelmente já eram casados ou só em um relacionamento, eles tinham um filho. O casal se beijou e as pessoas aplaudiam e assobiavam. Depois foi para outras pessoas, Dean não estava prestando atenção no telão.
A multidão começa a fazer barulho novamente, Dean percebe que agora estão olhando para ele e no segundo seguinte percebe que estão falando “beija” repetidas vezes. Cass e Dean estão no telão.
Sabendo o que isso significava, Cass, sem hesitar, se inclina na direção de Dean, colocando seus lábios nos dele e fechando os olhos. Ele permanece ali, porque não sabe ao certo quanto tempo um beijo deve durar e espera que Dean se afaste. Isso não acontece. Na verdade, Dean desliza a destra pelos cabelos castanhos e pressiona ele mais ainda contra si.
O boné de Cass caí e eles quase se esquecem de que centenas de pessoas estão os olhando. Então se afastam e o telão vai para outras pessoas.
Nenhum dos dois toca no assunto até o fim do jogo. Os Royals perderam.
* * *
Vão para o estacionamento e Cass automaticamente vai para o banco de trás do Impala, ele deixa a coisa de esponja ao seu lado e abaixa o olhar para as mãos dele entrelaçadas no colo. O silêncio é meio constrangedor, e Dean olha para o anjo pelo retrovisor, se pergunta se foi para trás por hábito ou para se manter distante.
– Seu boné.
Dean sente seus músculos relaxarem ao ouvir a voz do amigo. Ele se vira para trás e vê uma mão no ar com o boné dos Royals entre os dedos e balança a cabeça.
– É seu. É um presente. – diz e sente seu coração acelerar, descer uma ladeira, capotar e quase morrer, mas se recupera vai para o hospital e tem um ataque cardíaco - sim, ataque cardíaco - quando Cass sorri, parecendo bem satisfeito com a notícia de que algo é dele agora.
– Obrigado, Dean.
Seus olhares se cruzam através do retrovisor e Dean desvia para o volante em sua frente. Dá para ouvir as engrenagens do seu cérebro funcionando enquanto machuca o interior da sua bochecha. Geralmente ele não é tão ansioso, mas o tema sentimentos não é seu preferido.
– Deveríamos conversar sobre... – a frase sai pela metade, mas não é preciso termina-la, ambos sabem bem o que é.
Cass brinca com os dedos tentando ignorar aquela coisa que os humanos sentem quando estão nervosos. Estava assustado, era tudo tão novo e não sabia o que dizer, se deveria dizer, então apenas fica em silêncio e espera. A porta ao seu lado direito é aberta e vê Dean entrando, para se sentar ao seu lado e ele sente algo quente nas bochechas. É possível que esteja doente?
Há um silêncio esquisito antes que o mais alto fale.
– Hm... Foi bom, você sabe... Você sabe, o beijo. Foi muito bom mesmo. Eu gostei.
– Dean, eu também gostei.
– Ótimo – e então o beija. É diferente do outro, é caloroso e gentil e ansioso. Dean desliza seus dedos pelos fios bagunçados de Cass como um carinho e se inclina mais ainda em sua direção.
Realmente parece com aqueles filmes de romance que passa de tarde, quando as pessoas se beijam e tudo em volta some. Não há mais falatório alto de pessoas saindo do estádio, não há buzinas e sons de pneu do estacionamento, não há a música alta de algum idiota que pensa que todos querem ouvir a porcaria da música dele. Há apenas Dean e Cass na bolha antissocial e romântica deles.
Dean segura o anjo como se ele pudesse evaporar por entre seus dedos ou como se quisesse se segurar em um sonho caso estivesse dormindo, aquilo faz Cass pensar que ele queria o beijar talvez há um tempo, o pensamento o faz sorrir nos lábios do loiro.
A bolha estourou e foram trazidos de volta quando o guarda do estacionamento bateu na porta, eles deram um sorriso bagunçado e constrangido para o homem de olhar severo. Dean se sentiu um adolescente idiota de novo.
Ele desviou o olhar para o anjo – sem querer para a boca dele por um momento – e ainda meio perdido naquele infinito azul disse a primeira coisa que veio a mente.
– Oi.
Cass sorriu também e pressionou-se contra Dean mais uma vez.
Foi o primeiro jogo de Baseball de Cass. Não seria o ultimo.
