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Efeito Borboleta

Summary:

A partir da Teoria do Caos, surge o Efeito Borboleta, uma análise de como pequenas alterações nas condições iniciais de grandes sistemas, podem gerar transformações drásticas e significativas. Ou seja, uma pequena atitude pode mudar todo o rumo de uma história. Dessa forma, Tsuchigomori reflete como um erro de Amane mudou a vida dele e das pessoas ao seu redor.

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

Tsuchigomori suspirou, cansado, observando as altas prateleiras da biblioteca, que, após algumas horas, pareciam finalmente organizadas. Levou o cachimbo de ópio de volta aos lábios, mentalmente amaldiçoando os desordeiros alunos da Kamome Academy. Como se não bastassem serem barulhentas, ainda lhe davam mais trabalho. 

Sentou-se em uma das mesas, no canto da biblioteca, iluminada pela luz que transpassava o vidro da janela. Olhando para fora, encontrou sob uma árvore, que anteriormente havia sido a Árvore das Confissões, três figuras : Seu aluno, Minamoto Kou, juntamente de sua amiga Yashiro Nene e… ele, Hanako. Não, Amane.

Observou-os por um tempo, pareciam estar em uma espécie de piquenique durante a hora do lanche, estavam felizes, riam.

Isso trouxe memórias ao quinto mistério, no entanto, era estranho lembrar que aquelas "memórias" jamais haviam acontecido, mas estavam escritas e, por muitos anos, Tsuchigomori esperou por ela.

Infelizmente para o quinto mistério, Amane tinha conseguido o grande feito de mudar o seu futuro. Não... Mudou o futuro dele também.

Efeito Borboleta era como se chamava, uma pequena ação mudara todo o destino da vida do garoto. Um erro o levou à morte.

Se não fosse pelo assassinato de Yugi Tsukasa, as coisas seriam muito diferentes.

Tsuchigomori descobriria que os hematomas de Amane vinham de seus pais, e logo trataria de tirar ele e seu irmão das mãos daqueles que os agrediam. 

Evidentemente, ele não deixaria os irmãos Yugi sem família e, mesmo temeroso em servir de figura paterna para aqueles meninos, que precisavam de carinho e acolhimento mais do que nunca, ele os adotaria. Seria um pai, um bom pai.

E então, o dia mais feliz de sua vida chegaria.

— Pai! — o mais novo chamaria, após o fim da aula, enquanto Tsuchigomori apagava a lousa.

O professor se viraria para ele, curioso, vendo os olhos do filho cheios de lágrimas.

— Está tudo bem? 

Então, Amane correria para ele, abraçando o mais velho e lhe lançando o sorriso mais genuíno que Tsuchigomori veria.

— Eu já sei o que eu quero ser — o Yugi confessaria.

— Um astronauta? — perguntaria, afinal, já haviam falado daquilo antes. Tsuchigomori até mesmo guardara a "pedra da lua" que o menino havia lhe dado.

— Não… quero ser como você.

Em apenas alguns anos, ali estaria Tsuchigomori, vendo seu filho se formar, com Tsukasa ao seu lado, gritando e aplaudindo como um verdadeiro maluco.

Livrando-se daqueles pensamentos, o quinto mistério continuava a olhar para as crianças do lado de fora. Focando sua atenção em Hanako, e, mais uma vez, teve a certeza de que jamais amaria algo ou alguém tanto quanto o amava.

De qualquer maneira, eles jamais teriam o destino tão desejado, pois, tão suavemente como o bater de asas de uma borboleta, um deslize grave havia lhe arrancado tudo.

Notes:

Agradeço imensamente a @Mangold pela betagem e também ao @Aniverse pela oportunidade de me juntar a eles