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A lua já estava alta no céu indicando o auge da noite e a maioria das casas do quarteirão compartilhavam de um quietude agradável, exceto pelo caos que havia invadido a casa de Xiao Xingchen. Song Lan e Xue Yang andavam de um lado para o outro pegando seus pertences e colocando tudo o que podiam em suas malas, totalmente em silêncio; o mais velho deles estava sentado no chão da sala segurando Luo, seu gatinho, como se ele fosse escapar de seus braços.
De novo.
O álcool já havia deixado seu corpo, mas sua cabeça ainda parecia estar girando como um carrossel e toda vez que fechava seus olhos a cena daquela briga com seus dois colegas voltava como uma pancada forte.
Xue Yang ainda segurava o colarinho de Xingchen com toda a força que tinha, nem mesmo os socos que havia acabado de trocar com os outros dois conseguia parar a sua raiva. Não tinham noção de quanto tempo estavam na rua brigando e procurando por Luo, aquele dia turbulento estava se estendendo cada vez mais e o problema ficava cada vez pior.
Já tinham brigado o dia todo, mas o ápice do conflito foi o desaparecimento do gatinho que acabou sendo esquecido acidentalmente no lado de fora da casa por Xingchen.
— Me solta!
— Xiao Xingchen, eu te juro que se algo tiver acontecido com o Luo eu-
Antes que ele terminasse de falar, Song Lan empurrou os dois no chão afastando-os o máximo possível, sua cabeça ficando zonza com todos aqueles gritos.
— Parem com essa porra agora!
Xue Yang nem tentou sair do chão, seu olho roxo doía e agora seus braços também, mas o pior era a dor no peito por causa de toda aquela briga.
Quando Xingchen fez menção de se levantar, algo perto da calçada onde estava chamou a atenção; os três olharam na mesma hora que um gatinho cinza saía do breu de algumas caixas e foi em direção do mais velho.
Era Luo, o gatinho que ganhara de presente de seus colegas mais velhos. Ele procurou algum ferimento em seu corpinho que ronronava feliz por estar nos braços de seu dono e, felizmente, ileso.
Mas Xingchen se sentia cada vez mais machucado.
Olhou para os dois ali, seu corpo já não conseguia mais aguentar toda aquela confusão de sentimentos que nem percebeu quando havia começado a gritar:
— Eu não quero mais olhar pra cara de vocês! Estão me ouvindo? Vão embora!
Então veio o silêncio.
Xue Yang parecia prestes a soluçar quando se levantou e foi correndo de volta para casa, dando as costas para os dois; Song Lan ainda ficou inerte por alguns instantes até que começou a andar a passos lentos — como se carregasse correntes pesadas nas pernas — e deixando Xingchen sozinho.
Mesmo com aquela casa revirada, o gatinho era o único ser entre eles que continuava miando vez ou outra, como se estivesse chamando por seus outros donos, mas eles não respondiam. Xingchen fazia carinho em sua cabeça e olhava para um ponto específico da parede, absorto em seus sentimentos.
Assim que ouviu o barulho da porta sendo fechada se permitiu chorar finalmente, as lágrimas salgadas estavam ardendo enquanto escorriam nos machucados de sua boca.
Mesmo com Luo ao seu lado, naquela madrugada Xingchen se sentiu como se estivesse no lugar mais frio e vazio da terra.
...
5 anos depois.
Nenhum cômodo do apartamento estava com a luz acesa, mas a luminosidade da rua vinda das janelas fazia o lugar estar um pouco menos imerso no breu. Os três se encontravam jogados no chão da sala.
Levar uma surra e correr de quatro homens putos com toda a certeza não fazia parte da programação noturna de nenhum.
Não era a primeira vez em que Xingchen se metia em encrenca, mas a situação agora era diferente. Faziam muitos anos desde a última vez que havia visto os dois rapazes ao seu lado. Ainda se lembrava da briga que tiveram, com atitudes impensadas, ofensas e socos que seriam motivo de arrependimento por muito tempo. Sabia o quanto havia machucado e o quanto havia sido ferido, é algo impossível de se esquecer. Ele não fazia ideia do que haviam feito por todo esse tempo, e tinha certeza de que ambos compartilhavam do mesmo pensamento.
Era uma situação de puro acaso, pois se alguém tivesse escrito antecipadamente, com certeza tinha algo contra os três e queria fodê-los de uma forma cômica.
Xingchen era o tipo que poderia se encaixar no perfil de pessoa decente, mas acabava sempre se metendo em encrenca com quem não devia; viver bastante na noite havia mostrado que sua sorte era péssima.
Mas é claro que até os mais virtuosos uma hora fogem da linha.
Sua ação foi completamente inocente quando estava ajudando uma bela garota que havia aparecido no meio de seu expediente no restaurante que trabalhava, e fazer a gentileza de levá-la até sua casa foi inevitável, porém depois de um beijo roubado imaginou que as intenções dela eram diferentes da sua. Estava tudo bem por ele, mas quando ele ia imaginar que aquela garota na verdade andava com uns caras barra pesada e, para sua sorte, o seu namorado tinha os visto bem naquela bendita hora?
Era até covardia, nem pelo fato de ser um contra quatro homens, mas Xingchen não tinha porte para aguentar nem mesmo um daqueles brutamontes.
Resultado: Xingchen se ferrou bonito.
Estava levando a maior surra, já ia imaginando se aqueles parrudos iriam apenas quebrar a sua cara ou teria que se preocupar em parar no caixão e não poder nunca mais voltar para casa e dar comida ao Luo, seu gatinho.
Em um momento percebeu que algo estava errado pois os gemidos de dor não vinham mais só dele; talvez fosse só alucinação sua, mas ao que tudo indicava tinha mais alguém apanhando.
Xingchen fez um esforço para proteger melhor seu rosto e conseguir se virar para o lado onde viu, com certa dificuldade, mais dois caras entrando na briga.
Então ele achou mesmo que estava alucinando, pois podia ver claramente Song Lan acertando um dos caras com um chute digno de uma criança grandinha e Xue Yang usando sua bolsa que deveria ter alguns livros pesados para atacar os caras.
Em outras circunstâncias aquela cena seria engraçada e até patética.
Não era a ajuda que havia pedido aos céus, mas o ataque havia pegado os homens de surpresa, e depois de Xingchen juntar suas forças — que não eram muitas — para empurrar com os pés pelo menos um em cima de outro marmanjo, os dois rapazes conseguiram um tempo mínimo para levantar Xingchen e sair correndo (obviamente não muito rápido devido o estado deplorável em que o pobre azarado estava).
Sabiam que aqueles caras estavam vindo logo atrás e não tardaria para que os alcançassem, mas Song Lan por um milagre tirou do seu bolso as chaves que deveria ser do seu carro, os conduzindo até um veículo que parecia velho, mas não tão feio. Xingchen fora colocado — lê-se jogado — com pressa no assento de trás, enquanto os outros dois se sentaram nos bancos da frente. Não demorou para dar partida e arrancar com o carro pela rua.
— Que diabos vocês estão fazendo aqui? — disse Xingchen atrás deles, não muito ciente se sua voz saía com clareza devido aos machucados perto da boca, mas também não estava muito preocupado com isso.
— É um prazer te ver de novo também. Eu perdi o último metrô que vai pro meu bairro e resolvi atravessar a cidade andando até um ônibus aparecer — disse Xue Yang, ofegante pela corrida.
Song Lan olhava para a estrada atento, estava andando numa velocidade normal, e não como se estivesse acabado de cair na porrada e fugido. Talvez respeitasse bastante as leis de trânsito, ou não tinha medo da morte.
— Vim a trabalho.
— Zichen, temos companhia. — anunciou Luhan, o espelho lateral do carro alertando a presença de um carro atrás deles e os seguindo — Que merda você fez, Xiao Xingchen?
Ele não respondeu pois estava ocupado tentando tirar seu casaco com cuidado, sentindo seu corpo arder como fogo. Examinou seu tronco por cima da regata preta que usava a procura de alguma fratura grave, mas aparentemente não havia nada sangrando muito. Pelo menos não ia morrer a qualquer momento.
Quer dizer, achava isso até Song Lan acelerar o carro.
Xingchen não estava preparado para viver a realidade dos filmes de Velozes e Furiosos, mas segurou firme no banco e rezou para que o rapaz tivesse andado bastante de carro nesses últimos anos para ter criado juízo na cabeça e saber o que estava fazendo.
— Eles vão nos seguir para qualquer lugar. Alguma ideia? — perguntou Song Lan.
Xue Yang deu tapinhas no rosto de Xingchen quando percebeu que ele estava ficando fora de órbita e conseguiu deixá-lo ao menos um pouco consciente enquanto estavam falando.
— Vamos rodar um pouco. — suspirou Xue Yang — Eles vão nos perder se cruzarmos pelo centro, então nós podemos nos esconder no meu apartamento.
Não fazia nem cinco minutos desde que chegaram no apartamento de Xue Yang e não sabiam se os caras seguiram eles até o prédio, então por via das dúvidas acharam mais seguro deixar apenas um abajur ligado para não chamar atenção no lado de fora ou no corredor do prédio.
— A-Yang, sua casa é tão minúscula… — murmurou Xingchen um tanto grogue, logo em seguida foi largado num colchão que se encontrava no que deveria ser a sala.
— Fique quieto.
O dono do apartamento foi até a cozinha para buscar água na geladeira e uma caixa de primeiros socorros que sempre guardava por precaução.
Uma garrafa com água estava junto dos garotos no chão, e Song Lan bebia como se nunca tivesse tomado nada na vida. Xingchen já havia tomado um analgésico e agora Xue Yang o ajudava com seus ferimentos, usando algodão, álcool e muitos curativos. Ardia muito.
— Você vai precisar ir ao hospital quando amanhecer, eu sou estudante de nutrição, não de “como cuidar de malucos suicidas”.
— Não seja rude, não foi bem assim. Eu nem conhecia a moça direito, como eu ia saber com quem ela andava? — disse Zitao enquanto ria; tossiu rezando para que não saísse nenhum sangue de sua boca.
Ninguém sabia do que ele estava falando, provavelmente por ter batido a cabeça a situação toda parecia bastante cômica para ele, que continuava rindo baixinho.
— Me diz onde você está vendo graça nisso tudo antes que eu meta um soco no seu nariz — rosnou Song Lan.
Seria estranho se o rapaz todo machucado dissesse que ria pois estava feliz em ver os dois naquele momento? Provavelmente seria, então apenas ignorou tal pensamento e se dirigiu ao mais novo que guardava a bagunça de remédios e ataduras na caixinha de primeiros socorros.
— Achei que você tinha ido embora… da cidade, quero dizer.
Xue Yang suspirou, era a primeira vez em anos que encarava os olhos castanhos do mais velho.
— Eu queria ter ido, porém consegui uma oportunidade com a bolsa que eu queria na faculdade. Comprei esse apartamento de um colega veterano e resolvi continuar por aqui, não acho que ia conseguir coisa mais barata em outro lugar. — o mais baixo dos três cortou o contato visual um pouco nervoso. Sempre foi o mais falante entre três, mas agora que os outros dois lhe encaravam enquanto falava, sentia-se um tanto estranho — Mas Zichen foi embora para o Canadá uma semana depois que eu me mudei.
— Como soube? — Song Lan o encarou, curioso.
— Sua irmã me contou. A-Qing manteve um pouco de contato comigo mesmo depois da briga. É uma ótima amiga.
O silêncio tomou conta do ambiente causando um certo desconforto. Era meio estranho os três ali jogados, porém a sensação de que o tempo havia voltado há cinco anos atrás, quando podiam passar horas um ao lado do outro de forma tranquila, pairava ali como um fantasma. Uma sensação bizarra que juravam ter esquecido.
Xingchen encostou no que achava ser um sofá, ele olhava para cima e sentia seu corpo ligeiramente mole por causa do remédio, mas ainda bem dolorido.
— Vocês mudaram tanto durante esse tempo, viveram de verdade… E eu continuei o mesmo de sempre. — as palavras não pareciam sair de sua boca, mas continuava falando — Se vocês não tivessem lá naquele momento… Eu só tenho a agradecer por vocês terem me salvado.
Os outros dois trocaram olhares, decidindo se deveriam constar que o rapaz estava meio grogue ou se deveriam responder alguma coisa, mas Xingchen logo continuou a falar:
— Pensei em vender minha casa e sair pelo mundo adoidado como eu disse que faria na última vez que nos vimos, mas acho que acabei parando no tempo… — soltou um longo suspiro, desconfortável com as dores — Francamente... Eu não queria sair de lá, pois eu sempre acordava e me perguntava se tudo aquilo havia acontecido de verdade, se eu fui babaca o bastante de acabar com as melhores coisas que já tive na vida, e mesmo depois de um tempo já conformado, parte de mim ainda esperava abrir a porta e encontrar vocês. A-Yang, A-Lan, peço que me perdoem por toda essa situação, mas não posso dizer que me arrependo de ter encontrado vocês novamente, pois eu estaria contrariando a minha cabeça levemente bêbada de dor.
Novamente os três permaneceram em silêncio, sentindo coisas demais para serem ditas precipitadamente.
Song Lan poderia socá-los se já não estivessem tão machucados, pois sempre achou que sua amargura por eles iria durar para sempre, mas ao pôr os olhos nas orbes assustadas de Xue Yang antes de entrarem naquela briga e ver o estado de Xingchen pelo retrovisor do carro, percebeu que não abrigava mais aquele sentimento dentro de si. Xue Yang estava confuso, passou muito tempo se ocupando com muitas tarefas para poder esquecer dos seus problemas do passado e quando achou que havia seguido em frente, ali estava junto dos maiores causadores de seus problemas.
E Xingchen, bem, ele estava um tanto embaralhado para raciocinar algo coeso.
— Você não foi o único responsável por aquela briga, não se culpe totalmente — murmurou Song Lan um tanto nervoso.
Xingchen o encarou por alguns instantes, ele não estava se referindo à briga que havia acabado de acontecer.
As coisas não teriam acontecido daquele jeito se ele não tivesse se declarado para os dois naquela época. O problema nunca foi o que sentiam, mas o fato de não terem conseguido lidar com aquele sentimento mútuo.
— Todos aqui temos culpa no cartório, gege. — disse Xue Yang enquanto se levantava para deixar a caixa de primeiros socorros na cozinha, logo voltando a se sentar — Se tudo aquilo aconteceu antes, é porque somos os três um bando de idiotas.
Xingchen sentia sua boca seca, um gosto amargo que não era do remédio invadiu seu paladar, o fazendo fechar os olhos com força.
— Eu sei, mas… Não queria que a gente voltasse a se encontrar desse jeito e eu sinto muito só de pensar... Vocês não deveriam ter me ajudado, eu deveria ter continuado lá e ter apanhado até--
Em um instante Song Lan avançou sobre Xingchen como se fosse socá-lo, mas parou a centímetros de distância segurando a gola de sua regata apenas para conseguir a atenção do mais velho.
— Não fale isso nem brincando, ouviu?! Está me entendendo?!
O ambiente ficou mais pesado, Song Lan encarava-o com intensidade e Xue Yang estava assustado.
Os olhos de Xingchen começaram a lacrimejar, vacilando a postura do maior, então ele se jogou sobre Song Lan quase fazendo-o cair no chão, mas foi rápido o bastante para segurá-lo assim que despencou em lágrimas sobre seu ombro.
A necessidade de chorar por inúmeros motivos era tanta que Xingchen chegou a soluçar e Song Lan no momento não se sentia muito incomodado por ter sua blusa toda molhada, apenas deixou que o outro continuasse enquanto afagava suas costas. Xue Yang olhou para cima tentando segurar as lágrimas; era o mais sensível dos três mas sempre foi teimoso para demonstrar seus sentimentos. Foi se arrastando de joelhos mais para frente até se juntar aos dois enquanto segurava uma das mãos de Xingchen que tremiam muito e deixou a testa encostada na de Song Lan, ali ficando em silêncio.
Como há muito tempo não se sentia, pareciam estar mergulhados em uma onda de conforto que só poderiam sentir com os três ali, juntos.
E aquilo era sem dúvidas a melhor coisa do mundo todo.
— Mas veja pelo lado bom, gege: com certeza aqueles caras devem estar com mais raiva do Zichen e de mim pelo ataque surpresa. As chances da gente apanhar mais que você são maiores. — caçoou Xue Yang, então levou um tapa na orelha de Song Lan.
…
O som irritante da campainha ecoava por toda a casa e Xingchen não poderia estar mais ansioso por aquele momento.
Faziam duas semanas desde o dia que havia reencontrado Xue Yang e Song Lan, que logo depois de levá-lo para o hospital e ir numa delegacia fazer um boletim de ocorrência não se viram mais por causa de suas agendas. Durante sua recuperação, Xingchen fez o possível para conseguir um novo encontro com os rapazes o mais rápido possível, e agora os dois esperavam do lado de fora da sua casa.
Saiu correndo até a porta, seu corpo estava elétrico de um jeito que nunca tinha visto antes. Até parecia um adolescente com os hormônios a flor da pele (o que secretamente achava ser verídico).
— Gege! — Xue Yang literalmente pulou no rapaz assim que abriu a porta, mas se lembrou que o garoto ainda poderia estar dolorido — Ah, eu esqueci que você ainda tá se recuperando, me desculpa.
— Tudo bem, pode me amassar se quiser.
Song Lan empurrou os dois com cuidado para dentro da casa quando percebeu que Xue Yang não iria soltar o mais velho tão rápido e fechou a porta. Não se juntou ao abraço deles, mas deixou um selinho na boca de Xingchen.
— Luo ainda está aqui? — Song Lan arqueou a sobrancelha enquanto olhava em volta.
— Claro que sim, eu sou um ótimo pai! — resmungou — Ele deve estar dormindo no sofá.
Os três então se dirigiram até a sala para conversar, se sentaram no sofá e Xingchen com toda falta de vergonha na cara se deitou em cima dos dois, com a cabeça no colo de Song Lan e com as pernas em cima de Xue Yang. Luo se aproveitou da situação e se acomodou em cima da barriga de seu dono.
Mas era mesmo um gatinho folgado; tal pai tal filho.
— O que aconteceu depois que fizemos o boletim de ocorrência? Pedimos desculpa por não termos te acompanhado depois.
O mais velho ponderava sobre os acontecimentos daquela semana enquanto Song Lan fazia carinho no felino em sua barriga.
— Tudo bem, sei que estavam ocupados. Bem, aqueles caras eram conhecidos do bairro e então foi fácil de encontrá-los, além de ter aparecido algumas testemunhas e aquela moça para depor. Acabou que foram detidos, não especificamente por terem me batido, mas porque já tinham passagem na polícia e só estavam esperando mais um deslize pra pegar eles.
— Isso quer dizer que terminou bem? — Xue Yang ainda estava um pouco confuso com o desenrolar da história, mas parecia animado.
— Olha, depois de tudo eu fui demitido do restaurante e agora vou precisar cortar meus dedos para dar o que comer pro Luo, mas vocês podem imaginar que a situação terminou da forma mais agradável possível.
Os dois mais novos se encararam, silenciosamente discutindo se deveriam ignorar os hematomas de Xingchen e meter a porrada nele ali mesmo.
— Por que não nos contou que foi demitido?! — Song Lan pareceu bem zangado naquele momento com seus braços cruzados e uma carranca séria. Xue Yang teria rido se não estivesse tenso, por isso tirou as pernas do grandão em seu colo e o obrigou a se sentar direito.
— Eu não queria perturbar vocês... — os dois se sentiram um pouco culpados ao ouvir o tom frágil do mais velho, ele claramente estava tentando não ficar tão mal com sua situação — Achei que seria melhor esperar que vocês viessem aqui pra conversarmos melhor.
Os dois se entreolharam, tendo uma pequena discussão silenciosa enquanto Xingchen permanecia inquieto. Sabia que eles tinham algo a dizer e não estava nem um pouquinho preparado para um possível conflito.
— Não me diga que vocês vão me tirar o Luo e deixar eu me ferrar sozinho? — falou exasperado e pulou de seu assento para olhar nos olhos dos dois — Vocês não teriam coragem de me largar aqui pra morrer, teriam??
— Para de ser dramático gege, nem falamos nada ainda!
Xue Yang puxou o rapaz para o sofá novamente, dessa vez virando-se de lado e segurando suas mãos. Song Lan deixava um leve carrinho nos ombros do mais novo, só o fazendo ficar mais nervoso.
— Xingchen, estive conversando com meus superiores durante essa semana e chegamos a um consenso que seria muito proveitoso para todos se eu fosse transferido novamente para a China...
— ...E eu pedi para Zichen me ajudar a achar um comprador pro meu apartamento. Não sei se está entendendo direito o que estamos falando, então vamos ser diretos: se gege quiser…
— Nós podemos voltar pra casa. — os dois disseram em uníssono.
Por alguns instantes o mais novo não esboçou nenhuma reação e deixou os dois preocupados, mas quando ouviu um puta que pariu sair baixinho de sua boca relaxaram pois sabiam que aquilo era uma reação positiva.
Xingchen pulou do sofá, parecia ter sido picado na bunda por uma abelha de tão saltitante que estava, então se virou completamente sorridente para os dois ainda sentados.
— Olha, eu sei que estamos todos felizes nesse momento, mas a ração do Luo acabou e eu sou horrível pra preparar coisas caseiras então já que vocês vão voltar pra cá podemos começar a fazer compras agora, né?
Ele foi atingido pelas almofadas do sofá e por uma rajada de xingamentos, mas continuava sorrindo.
Agora estava se sentindo verdadeiramente em casa, e Luo parecia muito feliz por estar de novo com seus três donos caóticos juntos.
