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“Soulmates”, como o próprio nome já diz, eram almas que estavam destinadas a ficarem juntas, pois se complementavam.
A maioria das pessoas, desde o seu nascimento, possuía uma marca idêntica à pessoa a qual eram prometidas. Desse modo, quando essas almas, que pertenciam uma a outra, se encontravam, a marca seria um sinal de que aquela união estava escrita nas estrelas. No entanto, era muito comum que essas almas se apaixonassem antes mesmo de descobrirem a sua ligação.
Ranmaru não gostava disso. Apesar de, inegavelmente, possuir uma marca de soulmate em seu punho, que sempre escondia com algum bracelete, ele não gostava nem um pouco de uma baboseira, que parecia ter saído de uma fanfic, ditar com quem ele deveria passar o resto dos seus dias.
Além disso, já havia uma pessoa pela qual ele nutria sentimentos e a ideia de que aquela pessoa não era a sua soulmate lhe causava muito ansiedade e angústia. E esse era um dos motivos pelo qual ele escondia sua marca, afinal ele tinha medo de um dia ter que encarar a dura realidade de descobrir que seu soulmate era outra pessoa que não a que amava.
Numa tola esperança, ele já havia procurado por marcas no corpo da pessoa que gostava e nunca havia encontrado nada. Ele sabia que algumas pessoas tinham marcas mais escondidas como na barriga ou nas costas, mas Ranmaru já havia visto seu colega de grupo e interesse romântico, Kotobuki Reiji, até de sunga em photoshoots de praia, mas não havia um sinal sequer de marca.
Ao mesmo tempo em que ficava aliviado por não ter visto nenhuma marca diferente da sua, também se sentia temeroso. Ele já havia lido que algumas pessoas simplesmente não tinham marca, pois não possuíam um soulmate ou a pessoa designada, infelizmente, faleceu e a marca desapareceu.
O idol de cabelos platinados nunca havia tido coragem de perguntar a respeito disso ao outro, pois não se sentia no direito de invadir um tópico tão pessoal e que poderia ser sensível. Infelizmente, teria que conviver com aquela incerteza, afinal era um covarde que não tinha coragem de se abrir sobre seus próprios sentimentos.
—— x ——
O dia havia começado normalmente, Ranmaru participou de algumas atividades solos, mas felizmente conseguiu voltar mais cedo para o dormitório, que estava dividindo com seus colegas de grupo no momento. Devido ao horário, os demais membros, provavelmente, ainda não teriam voltado de suas respectivas atividades.
Ele deixou suas coisas em um canto da sala e se sentou no sofá, enquanto mexia no celular. Durante o tempo que estava entretido lendo algumas mensagens perdidas, acabou retirando o bracelete, pois o material estava incomodando um pouco a sua pele, e o colocou sobre a mesa de centro.
— EH?! VOCÊ TEM MARCA DE SOULMATE?! — Um grito de espanto ecoou de trás do encosto do sofá, fazendo Ranmaru derrubar o celular no chão.
Ele se abaixou rapidamente para conferir o celular que, felizmente, não estava quebrado (caso contrário, haveria um homicídio ali agora), e logo depois escondeu a marca no pulso com uma das mãos.
— OY MALDITO, VOCÊ QUASE QUEBROU MEU CELULAR!
— Desculpa, desculpa! — Reiji balançava ambas as mãos enquanto se desculpava, embora não parecia muito arrependido.
Ranmaru colocou o celular no bolso e se levantou pegando o bracelete, mas sem tirar a mão do punho.
— Me deixa ver!
— Ver o que?
— A sua marca!
— Não tem marca nenhuma.
— Então por que está escondendo?
— Cuide da sua vida.
— Que cruel! Quem sabe o Rei-chan conhece o amor da vida do Ran-Ran e pode o ajudar encontra-lo! Me deixe ver, me deixe ver, me deixe ver!
Reiji começou a quase pular em cima de Ranmaru, enquanto fazia aquela expressão com os olhos grandes e brilhando, que era o ponto fraco do mais novo.
— Tá bom! Tsc... Mas não conte para ninguém.
Ranmaru se sentou novamente no sofá, ainda escondendo o punho com a mão e estendeu o braço para Reiji, que segurou com as suas mãos, o que fez o rosto do rockeiro ficar um pouco vermelho, o que ele jamais admitiria.
Ele descobriu a região, finalmente revelando a marca, mas estranhamente Reiji não disse nada, apenas ficou a observando com os olhos arregalados e surpresos, o que preocupou o mais novo.
— Ei... Reiji? O que foi?
Reiji ainda não respondeu, mas agora algumas lágrimas começaram a escorrer pelas suas bochechas, o que deixou Ranmaru ainda mais nervoso com aquela situação.
— Ei, fale alguma coisa! Por que está chorando?!
Reiji soltou a mão do outro e enxugou as lágrimas com as costas das mãos, o que não adiantou muito, pois agora parecia que o choro havia intensificado. Em seguida, ele sorriu e abraçou o mais novo.
Ranmaru ficou ainda mais confuso, mas acabou retribuindo o abraço.
— Reiji..?
— Me desculpe, Ran-Ran. — Reiji disse ainda abraçado ao outro, mas agora se sentando no colo dele. — Eu estou tão feliz porque a sua marca é igual a minha!
— Ah?!
Ranmaru afastou Reiji pelos ombros, para poder olhar nos olhos dele, e ter certeza que aquilo não era só mais uma brincadeira. No entanto, Reiji estava sorrindo genuinamente e com os olhos ainda cheios de água.
— Você está brincando, né?! Eu... Eu nunca vi marca nenhuma em você e olha que eu chequei várias vezes!
Reiji sorriu de canto e em seguida abraçou o próprio corpo, enquanto começou a falar alto em um tom exagerado.
— Que pervertido, Ran-Ran! Você estava olhando dessa forma impura para o corpo do Rei-chan!
O rosto de Ranmaru se ruborizou todo e ele empurrou o outro bruscamente para o lado, o fazendo sair de seu colo e cair deitado no sofá.
— Ouch!
— Idiota, pare de brincar com essas coisas.
— Eu estou falando sério. Eu tenho uma marca igual a sua.
— E onde está a sua marca?
Dessa vez foi o rosto de Reiji que ficou completamente vermelho. Ele olhou para o lado, evitando encontrar os olhos de Ranmaru.
— S-Sobre isso...
— Eu te mostrei a minha. E preciso ter certeza que não é só mais uma de suas brincadeiras.
— É complicado...
— Reiji.
Finalmente eles fizeram contato visual e Reiji engoliu seco, pois a expressão de Ranmaru estava completamente séria, não haveria como escapar daquilo se quisesse provar que estava falando a verdade.
— Tudo bem. Eu vou mostrar.
Reiji se sentou de frente para o outro e desceu as mãos até o cinto da própria calça, o abrindo.
— EI! O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?! FECHA ISSO! — Ranmaru ficou vermelho e tentou segurar as mãos do mais velho, o impedindo de continuar.
— C-Calma! Eu estou só mostrando!
Reiji respirou fundo e se levantou do sofá, se colocando de pé. Ainda estava hesitando muito, mas se virou de costas e abaixou as calças, revelando a marca que estava na sua nádega esquerda.
Ranmaru ficou um tempo em silêncio encarando a marca do outro, sem dúvidas era idêntica a sua. Porém, não conseguiu conter a gargalhada alta que escapou de seus lábios em seguida.
Ao ouvir o som a risada do mais novo, Reiji rapidamente subiu as calças, fechando o cinto e se virou de frente, com o rosto ainda ruborizado.
— Pare de rir!
Ranmaru gargalhou mais ainda, quase perdendo o fôlego de tanto rir, até que sua barriga começou a doer. Quando finalmente se acalmou um pouco, embora algumas risadas escapavam de vez em quando, ele comentou:
— É claro que alguém ridículo como você teria a marca no lugar mais ridículo possível.
— Que maldade! É assim que você trata o seu soulmate?!
— Mas eu estou feliz. Eu tinha medo de que não fosse você.
— QUE FOFO, RAN-RAN! EU TENHO O SOULMATE MAIS FOFO DO MUNDO!
Reiji abraçou Ranmaru mais uma vez, mas dessa vez caindo junto dele deitado no sofá, enquanto o apertava e enchia o rosto dele de beijos.
— Pare com isso! — Ranmaru tentava inutilmente empurrar Reiji de cima de si.
— Nee, Ran-Ran. — A expressão de Reiji mudou quase que automaticamente para algo mais sério. — Myu-chan e Ai-Ai ligaram mais cedo e disseram que não viriam para casa hoje... Agora que sabemos que somos soulmates, não acha que é a oportunidade perfeita para fazer tudo o que eu sempre quis fazer com você? — Reiji sorriu, enquanto seus olhos refletiam um brilho completamente diferente do usual.
— E-eh?!
