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Characters:
Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2021-09-07
Words:
3,699
Chapters:
1/1
Comments:
1
Kudos:
5
Hits:
46

La Parfum de Fleurs

Summary:

Onde o príncipe Shouto filho do rei Eiji prepara uma festa no reino do fogo para seus convidados no dia do seu aniversário. Shouto odeia festas porém, quando vê a aproximação fervorosa de seus dois melhores amigos começa a aprecia-las um pouco mais.

Work Text:

Shouto definitivamente odiava dar festas, principalmente no dia de seu aniversário. Sua mãe a rainha fica mais nervosa do que nunca pensando em todos os preparativos: roupas, canções, bebidas, comidas, flores... muita coisa para uma mulher só, e mesmo que sua irmã a princesa Fuyumi a ajudasse ainda sim tamanhas tarefas poderiam deixar qualquer um maluco. Seu pai o impetuoso deus das chamas Eiji faz questão de comemorar o dia do seu aniversário todos os anos pois, para ele, relações comerciais com os outros países acabam sendo feitas durante conversas que começavam com tipos de vinho e terminavam em qual aliança formar para prováveis guerras entre reinos. Para sua sorte, não seria ele a lidar com aqueles assuntos já que não é o primeiro na linha de sucessão e sim seu irmão Toya o qual odeia tais assuntos tanto quanto seu irmão mais novo. Não é atoa que ele é chamado pelo reino do fogo de "Rei das cinzas" graças as sua peripécias conhecidas por todos como fugir do palácio, pintar muros, fazer amizade com ladrões e por ai vai.

Para a sorte do príncipe noviço, seu melhor amigo Izuku Midoriya estava ali para apoia-lo e o fazer rir, o distraindo das tensões que percorriam no dia de seu aniversário. Eles se conhecem desde a infância pois Inko a mãe de Izuku era uma das empregadas da rainha e sempre trabalhou para a família por gerações e, por conta disso, por Izuku ser seu filho único, ele seria o próximo serviçal da família cumprindo com suas obrigações e obedecendo a hierarquia como todos seus antecessores.

Shouto achava aquilo uma bobagem.

Para ele, todos os empregados deveriam receber cortesias tanto quanto a família real. É justo já que todos se esforçam e trabalham bastante no palácio em todas as áreas possíveis. Izuku por exemplo, amava cuidar das flores do jardim, era a tarefa preferida dele. Ama catalogar cada flor em seu caderno - dado de presente por Shouto já que não tinha dinheiro para comprar um - incluindo seu desabrochar, amadurecimento e enfim o murchar. Era triste para ele quando via cada linda pétala padecer por causa do tempo, mas havia beleza ali, até mesmo no padecer das flores, significando que tudo é efêmero, não importa o quão belo seja, e é por esse motivo que Izuku tenta aproveitar cada minuto de sua vida mesmo que ela seja miserável, não se importando em viver a maior parte sonhando em ser um príncipe ou até mesmo um guerreiro nato como seu rei.

Na realidade, ele só queria ser livre.

Sonhos alimentavam aquela cabeça esverdeava, Shouto gostava de ouvir o amigo murmurar sobre planos, viajens, fantasias, todas essas coisas que saiam da mente criativa mas, até para ele aquilo era um pouco cansativo as vezes pois se permitisse o rapaz falaria por horas com brilho nos olhos mesmo sabendo que metade daquelas coisas, senão todas, não aconteceriam. Esse era o preço de infelizmente não ter nascido em berço de ouro como tantos nobres que viu a sua volta durante toda sua vida. Izuku aprendeu desde cedo que a igualdade de condições é uma grande mentira, que muitos estão fadados a serem grandiosos e pessoas como ele a viverem na vida básica como sempre viveu.

Só um milagre para isso mudar de realidade, pensava Izuku.

 

 

— Midoriya, se alguém me chamar fora dos meus aposentos diga a eles que o príncipe está morto. — Se encolheu em suas cobertas.

Shouto estava desde cedo nesse sentimento catártico com o objetivo de ser ignorado até o dia seguinte quando sua festa de aniversário terminará. Não queria enfrentar a maré de responsabilidades que viria se saísse dali.

— Todoroki, são 8 da manhã e você já esta assim. — A voz de seu amigo era divertida. Estava acostumado com aquele mal humor anual. — Eu também acabei de chegar para lhe ajudar com os preparativos. Vamos, você definitivamente não está sozinho.

Então Shouto teve uma ideia.

Uma BRILHANTE ideia.

Tão brilhante que Izuku se assustou quando o rosto iluminado emergiu daqueles cobertores.

— Midoriya! Você é um gênio! Obrigado! — Se levantou abruptamente abraçando o esverdeado que estava desentendido.

— De nada? — Franziu o cenho ainda sentindo o aperto do outro. — Mas se me permite perguntar alteza, porque exatamente eu seria um gênio? — Pelos deuses ele mal sabia escrever se não fosse pela ajuda do príncipe. Por que isso agora?

Ainda animado o príncipe respondeu:

— Estarei lhe levando para o baile de hoje comigo!

— O-Oque?! — Seu amigo pirou de vez. Não teria nenhum tipo de possibilidade de Midoriya estar naquele baile.

Qual seriam seus trajes? Seu cabelo deveria estar impecável e não embaraçado como sempre está! Perfume? Ele não tem nenhum fora o aroma do sabonete de côco que sua mãe prepara manualmente... e porque diabos ele está pensando nessas coisas se isso não iria funcionar de qualquer forma?

— Escute-me, você disse que você definitivamente estará comigo durante meu dia certo?

— S-sim m-mas-

— Exato meu caro amigo! Você estará comigo até mesmo durante o baile na comemoração de meu aniversário! Isso deixará tudo mais leve para mim, aliás eu amo sua companhia! — Shouto balançava o ombro do amigo a sua frente com suas mãos em plena animação graças a sua epifania.

— Todoroki... isso não dará certo. — Deu um sorriso tímido e retirou as mãos de seu amigo de seus ombros calmamente se sentindo um pouco acanhado pelo convite. — Eu sou acostumado a ver você todos os anos de trás das cobertas do grande salão. Foi isso que eu quis dizer quando lhe falei que vou estar com você entende? Não há necessidade de me levar para a festa... em primeiro lugar isso nem seria possível. Eu sinto muito.

Apesar de seu sorriso reconfortante oferecido, Izuku por dentro queria sorrir tristemente pois o seu sonho de um dia poder ir a uma festa como um verdadeiro príncipe trajado elegantemente não poderia ser alimentado dessa forma... não... isso nunca aconteceria.

Todavia, Shouto estava decidido.

— É por isso que hoje eu lhe deixarei irreconhecível! Como um verdadeiro nobre e quem sabe um rei!

Izuku queria chorar. Isso não é possível. Queria pedir para o príncipe ficar quieto mas esse não era o seu lugar.

O esverdeado respirou fundo antes de responder e, vendo que não tinha jeito e que uma pequena fagulha de esperança ascendeu em seu coração ele perguntou: — E como você fara isso alteza?

— Você verá!

 

-

 

Horas se passaram desde a última conversa entre Shouto e Izuku e nesse momento o servo estava ajudando o príncipe com os toques finais em sua roupa azul marinho vibrante com alguns detalhes em dourado, demonstrando a imponência real daquele fino traje.

Durante o dia inteiro, Izuku não parava de pensar na proposta de seu amigo Todoroki. Ele jurou para si que o deixaria irreconhecível: lhe daria um banho digno limpando as sujeiras de seu rosto, pentearia seus cabelos os deixando tão macios como plumas, e o vestiria como a realeza, tão atraente quanto todas as moedas mais brilhantes do reino das chamas. Era esse o planejado.

Porém, nem em seus mais belos e distantes sonhos Izuku imaginaria que ele estaria no nível atual de perfeição que estava ao se olhar no espelho. De fato, Shouto cumpriu o que prometeu pois nem ele mesmo se reconhecia diante daquela imagem quase astral. Tocava em suas sardas como se estivesse as descobrindo agora, longe daquela poeira e sujeira haviam milhares delas e a cada vez que olhava mais parecia aparecer uma nova; seu cabelo estava perfeitamente alinhado penteado para trás e pensou o quão Todoroki tem as mãos habilidosas tanto para cabelo quanto para maquiagem e céus... a maquiagem que ele fez era digna de uma pintura. Izuku se achou incrivelmente atraente com aquele leve toque de vermelho em seus lábios e bochechas o qual realçava mais seus traços finos e, para compor e melhorar ainda mais seu visual pomposo, seus trajes eram dignos de inveja uma vez que, assim como Shouto, em suas vestes também haviam detalhes dourados mas diferente do azul o colete verde que ali tinha era hipnotizante, combinando perfeitamente com suas madeixas não mais rebeldes, e o branco da camisa de seda por trás o deixava sua aparência anda mais vivida e estonteante.

Ele nunca se sentiu tão bonito em toda sua vida para ser honesto.

Shouto sorria de seu trabalho enquanto Izuku se admirava no espelho dos aposentos do príncipe: — Está pronto vossa alteza?

— Sim.

 

-

 

O combinado era que Izuku iria sair pela porta dos fundos sem ser visto por onde geralmente os empregados saiam e após algum tempo entrar no castelo como uma pessoa completamente diferente, e não era tão difícil pois todos os servos do castelo estavam no salão terminando os últimos preparativos para o aniversário.

Ele não estava nervoso, ele estava MUITO mas MUITO nervoso, não parava de pensar se a rainha ou rei iriam reconhece-lo pois se isso acontece seu futuro com a sua mãe como empregados do castelo já era e com isso o dinheiro, moradia, sonhos-

Seu pensamento foi interrompido com o reverberar do sino do castelo, indicando que o baile já havia começado e as pessoas, nobres, reis e rainhas de outros reinos entrariam por lá em grande quantidade. Dava até para ver os navios no porto ao longe graças a grandiosidade das embarcações, e assim as carroças começavam a estacionar em frente a escadaria.

Ninguém perderia uma festa dada pelo rei Enji Todoroki. As riquezas de seu reino vasto atraiam milhares de olhos a cada evento, era a perfeita oportunidade para negócios, compras e trocas, a lábia dos nobres nesse momento tão crucial não poderia falhar, cada conversa feita ali naquele salão era mediada entre sorrisos falsos e palavras venenosas repletas de ganância e luxúria e nada mais naquele baile importava mais que isso, nem ao menos o verdadeiro propósito da festa.

E Katsuki não gostava nem um pouco disso.

Ele odiava qualquer tipo de falsidade perto dele e quando via isso acontecendo preferia rosnar em resposta ao invés de seguir os conselhos da sua mãe e ser um verdadeiro cavalheiro, por esse motivo muitos não gostavam de estar perto de Katsuki Bakugou príncipe do reino do Gelo, sucessor da linhagem de sua mãe a temerosa rainha Mitsuki a qual puxou o temperamento explosivo mas, diferente de sua mãe, ele não sabia se portar, na verdade... ele não queria se portar completamente formal como se fosse um fantoche dos negócios de seu reino. Não queria estar nem estar entrando na droga daqueles imensos portões de mármore.

Queria pelo menos ter a escolha de fazer algo por vontade própria em sua vida em vez de ficar amarrado nas garras perversas de seu futuro reinado. É óbvio que um dia pretendia se tornar rei, o poder em suas mão sempre foi muito bem vindo, pensava até em fazer suas próprias leis e governar da sua maneira, maneira essa totalmente diferente da velha bruxa de sua mãe.

A única e ínfima parte que o alegrava desse desastre todo era seu amigo o príncipe Shouto. Ele só havia concordado em visitar o reino do fogo por causa de seu aniversário. Talvez ele fosse o único ali a estar realmente pela comemoração do nascimento do príncipe. Era difícil ele vir em aniversários reais, estava mais acostumado com as pessoas vindo ao seu e não o contrário. Poderia contar nos dedos quantas vezes veio ao aniversário de seu antigo amigo e esse ele não poderia perder já que a maioridade só é atingida uma vez na vida, queria estar ao lado dele - não muito - para celebrar seus 18 anos de vida.

O salão estava lotado. Em menos de alguns minutos do tilintar do sino real as pessoas se concentraram como abelhas em uma colmeia, todas muito barulhentas e irritantes para Katsuki suportar por muito tempo. Algumas pessoa até tentaram chamar sua atenção, principalmente donzelas de nobres as quais só não eram mais falsas do que seus próprios sorrisos cheio de ambição para o lado do príncipe.

— Vejo que não está apreciando a festa como deveria príncipe Katsuki. — Ele escuta uma voz familiar em um tom zombeteiro ao seu lado.

— Pela sua cara de merda você também não vossa alteza meio a meio. — Retrucou na mesma intensidade o que fez Shouto dar um sorriso genuíno pela primeira vez na noite.

— É, você sabe que somos iguais nisso alteza. Mesmo não nos vendo a alguns anos isso não muda nunca. — Katsuki percebeu que Shouto procurava por algo na multidão enquanto falava. — Como vão os negócios com as terras do leste? Da última vez que lhe visitei sua mãe não parava de falar sobre elas na conversa com meu pai.

— Vai tudo uma droga como sempre. — Bufou. — A velha até hoje tenta conquistar essas terras, por isso está aqui, para pedir apoio de seu pai.

Apesar de sua amizade de anos, os assuntos com Todoroki todas as vezes terminavam em negócios. Eles viviam disso, logo, era um assunto em comum. Já conversaram sobre outras coisas mas nunca além disso. Katsuki até sentia falta de ter alguém pra conversar sobre coisas superfulas como "Se você pudesse ser um cavalo, de qual raça seria?" e coisas assim. Até mesmo sobre a vida, tudo era em volta de negócios e negócios e pelos deuses, ele já estava farto disso. Qualquer pessoa que se interessasse nele como as damas daquele salão sempre traziam esse assunto saturado a tona porque era aquilo que elas queriam, o que todos queriam.

Menos uma pessoa que na verdade queria saber em qual momento ele iria ao menos entrar no castelo.

Já se passaram duas horas e Izuku ainda não decidiu se entrava ou não naquela monstruosidade de pedras polidas e gente cheia de riquezas. Shouto uma hora dessas deveria estar decepcionado com ele por ainda não ter comparecido mas o que ele poderia fazer? Aqueles homens barbudos e mulheres de nariz empinado o assustavam mais do que tudo.

Entretanto ele tinha que ir, fazer isso pelo seu amigo Todoroki.

 

— Não sei como você não sente calor com essas vestes. Por deus Bakugou, esse manto parece ser mais quente do que o clima de meu próprio reino.

— Eu vim da porra de um reino distante e frio demais. E quem é você para falar de minhas vestes imperiais se as suas são ridículas! Olha esse tecido azul brega. Até mesmo minha mãe faz peças melhores do que essa.

Todoroki riu baixo com o comentário: — Você sabe que as roupas reais geralmente vem do seu reino não é? Vocês tem uma quantidade absurda de tecido mesmo no clima gélido.

— Você diz como se eu me importasse...

E de repente após mais uma olhada no salão, Katsuki só se importava com uma coisa naquela noite.

O rapaz de cabelos esverdeados meio perdido pelo salão de dança. E a expressão de confusão do jovem só piorou quando todos ali presentes começaram a puxar pessoas para formarem pares e dançar no meio do grande salão. Ele parecia nem saber onde estava.

E porra

Ele era a criatura mais linda que Katsuki tinha visto em sua vida.

O príncipe já tinha visto muitas coisas bonitas em sua vida graças a quantidades de viagens que fez de um reino para outro mas nada, era comparado aquele ser.

Katsuki estava tão fascinado que nem percebeu quando Shouto saiu de seu lado e se sentou em sua poltrona real pare observar a dança. Provavelmente a pedido de sua mãe.

Sendo assim, Katsuki fez a única coisa que lhe passou pela sua cabeça

Se aproximou do rapaz passando pelas pessoas que estavam paradas também apreciando a dança em torno do salão. Nem se importou em pedir licença, não, ele não poderia perder aquela pessoa de vista.

Ele nem sabe como exatamente foi parar ali, a ansiedade e medo talvez o tenha cegado. Quando voltou a terra e, percebeu que havia alguém segurando seu ombro enquanto estava de costas e no minuto que se virou ouviu uma súplica:

— Você quer dançar comigo?

Izuku se perguntou se por pensar demais talvez ele estivesse alucinando e que a imagem esguia e musculosa a sua frente fosse apenas um surto da sua mente turbulenta. Seria esse o céu em seus devaneios? Por que caramba, aquele homem a sua frente era muito lindo de uma beleza completamente angelical mas também havia algo a mais que isso no seu olhar feroz que não soava nada angelical. Era bruto, quente, assim como seu toque em seus ombros. Como uma miragem etérea poderia ser tão palpável assim? Izuku sentia-se caindo em um abismo de novas possibilidades naquele mero segundo que encarou as orbes vermelhas vívidas que o olhava com fervor.

Pelos deuses, ele poderia ficar horas olhando aquela escultura sublime em sua frente, poderia se permitir ficar pra sempre em uma ilusão contanto que ela tivesse essa visão que está a sua frente.

Até que ele percebeu que não era uma ilusão.

— Oi. Você aceita ou não?

Então a música voltou a soar em seus ouvidos, ele nem sabia quando tinha parado de tocar e, após piscar algumas vezes olhou a seu redor percebendo onde estava. Uma nova música havia começado, os instrumentos eram divinos e tocavam uma calma melodia. Os casais ainda se formavam no salão mesmo que fossem formados por puro interesse ainda era bonito de se ver, por isso não era tão entediante como Shouto achava que a dança seria.

E os pares em movimento ganharam mais sua atenção quando viu quem estava entrando no meio do salão da dança.

E de maneira inesperada a sua festa de aniversário estava mais interessante do que nunca esteve.

A boca de Izuku se movimentou involuntariamente assim como sua voz, ele preferiu não pensar muito sobre o que estava acontecendo e apenas se permitiu ser levado para o centro do salão com o homem que o abordou. Uma voz na sua cabeça gritava "O que você está fazendo? A rainha irá te reconhecer! Saia dai!" e ele a colocou nas profundezas de sua consciência pois, desde o momento que entrou ali nem os guardas do castelo notaram que era ele de tão diferente que estava e talvez tenha sido esse o motivo de ter sido puxado para o salão tão repentinamente, alguém o achou atraente o suficiente para querer uma dança e mesmo que essa ideia seja assustadora ainda sim amaciou seu ego abatido de anos.

Ele sabia dos interesses da festa de Shouto e colocou a se perguntar o motivo de ter sido chamado atenção já que ele não era conhecido em nenhum reino, aliás ele não era nobre, príncipe e muito menos rei para alguém ter interesse em sua pessoa.

Mas lá estava ele, dançando nos braços de um loiro completamente estonteante que não parava de encara-lo por um segundo se quer, como se a qualquer momento ele fosse fugir dali. E ele o faria, se fosse para pegar seu caderno e voltar para então catalogar e traçar cada detalhe daquele rosto a sua frente. A beleza das flores que desenhou por anos não chegava nem perto disso.

Se perguntou se o homem era tão efêmero quanto elas, por isso não iria fugir ou correr para longe dali, ele iria aproveitar cada segundo de tirar o fôlego que estava vivendo.

Nada foi dito no momento que entraram no meio das pessoas rodopiando. Todos estavam tão concentrados nos passos que davam diante daqueles violinos que ecoavam por todo lugar. A melodia perfeita sendo tocada para cada jovem casal procurando por uma arrebatadora paixão.

Izuku se sentia flutuando nas nuvens a cada passo. Mãos macias contra as suas ásperas, o peito batendo mais forte, a garganta ficando seca e a mente cada vez mais sedenta por aquele que o olhava com a mesma intensidade.

A cintura do menor era fina cabendo assim perfeitamente a grande mão do príncipe. A diferença entre elas foi notável no momento que colocou sua mão sobre a outra menor. Era um tanto calejada e Katsuki se questionou como alguém com aparência e olhar tão puro e imaculado poderiam ter as mãos de alguém que trabalha como um carpinteiro. Poderia estar pensando mais sobre isso se não estivesse completamente perdido na imensidão de sardas presentes na pele bronzeada, parecia que cada uma foi colocada uma por uma em seu devido lugar e o nariz fino e os lábios rosados como complemento mostravam o quão bem esculpido aquele jovem era.

Estava apaixonado por cada detalhe presente e Izuku em seu interior se sentia da mesma forma.

Apaixonados pelos olhares que davam um para o outro. Os olhos do esverdeado cintilavam sobre a luz dos lustres do salão. Orbes verdes mais belas e mais lindas do que todas que o príncipe conheceu em sua vida, tão ingênuas e misteriosas. Era como um universo completamente novo que acabou de se formar em uma explosão.

Talvez a explosão fosse o palpitar do coração de Katsuki no momento em que ele recebeu um pequeno sorriso do menor.

E eles nem ao menos sabiam o nome um do outro.

Mas por qual motivo deveriam? Estavam tão absortos de tudo e todos ao seu redor que as formalidades nem ao menos importavam. Tudo o que importava era apenas eles ali no salão de dança se movimentando ao doce som.

Entretanto, o príncipe queria mergulhar ainda mais naquela imensidão verde, naquele corpo magro, naquele sorriso inocente. Ele não poderia perder tamanha oportunidade que os deuses lhe deram de encontrar alguém tão formidável.

— Katsuki, Katsuki Bakugou.

O príncipe nunca tinha visto alguém como o jovem em nenhum lugar. Ele era um príncipe? Um nobre? Ele não saberia até ouvir o nome então proferido a seguir.

— Izuku Midoriya. — Sua voz saiu tão doce quanto sua aparência.

E foi nesse momento que Katsuki teve certeza que nunca ouvira falar desse nome e definitivamente estava disposto a descobrir mais sobre ele antes que aquela noite acabasse.

Izuku nunca acreditou que um dia seria abençoado por alguém como Katsuki. Como ele não notou alguém como ele durante todos esses anos mesmo por trás das cortinas? Imaginou que em nenhum de seus sonhos mais malucos estaria perdidamente encantado por um ser tão maravilhoso que acabou de entrar em sua vida.

Oh se ele ao menos soubesse o que o futuro ainda guarda para eles dois.