Chapter Text
“
What if we rewrite the stars? Say you were made to be mine
Nothing could keep us apart
You’d be the one I was meant to find.”
[
E se a gente reescrevesse as estrelas? Dizer que você foi feito para ser meu
Nada poderia nos separar
Você seria aquele que eu estava destinado a encontrar.]
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REWRITE THE STARS
“ Jeongin não conseguia acreditar no que estava lendo.
Sabia que estava errado desde o início, que uma das coisas que Seungmin mais prezava era privacidade e o último lugar que ele deveria estar naquele momento era sentado na cadeira dele e vasculhando seu e-mail – ainda que ele só estivesse ali por ordens diretas do chefe dos dois.
Ele só tinha que passar a porcaria do arquivo para o pendrive e voltar para sua mesa. Só isso. Era uma tarefa fácil.
Mas é claro que ele tinha que olhar o e-mail. Claro que o tempo era uma vadia que notificou a chegada da nova mensagem quando ele já estava fechando a tampa do laptop do Kim. Claro que o e-mail estava marcado como importante e um “SCOLARSHIP – ENGLAND” em uma caixa alta demais no campo de assunto para que ele fosse ignorar.
Especialmente porque Seungmin nunca tinha falado sobre aquilo antes.
- Innie? – ouviu uma voz dura atrás de si. – O que você está fazendo na minha mesa? Espera, isso é o meu e-mail? – ele franziu as sobrancelhas, já o encarando irritado. – Você estava lendo os meus e-mails?!
Ele se virou para Seungmin com os olhos marejados, extremamente confuso entre ficar triste, decepcionado ou com raiva.
- Você... Você vai embora, Seungmin? Você vai embora e não me contou? – perguntou com a voz fraca. – Por que você não me falou nada?
- Você sabe que eu não gosto quando você mexe nas minhas coisas, principalmente sem permissão! Quem você pensa que é pra fazer isso, Jeongin?! – o Kim o cortou com o olhar duro, indo rapidamente em direção ao Yang e o puxando para fora da cadeira giratório com violência.
Jeongin caiu duro no chão, sem forças.
Aquele ali foi o momento onde ele finalmente entendeu o que ambos estavam ignorando durante certo tempo: Estava acabado.
- Eu sou a droga do seu namorado, Seungmin! – gritou irritado, sem se importar nem um pouco com os olhares curioso dos colegas nos dois. – Eu sou a porcaria do seu namorado e você nem quis me contar que vai embora?! Inglaterra, sério?! – continuou sarcástico, se levantando do chão completamente puto. – Você acha que eu sou uma piada, Seungmin? Que você pode ficar indo e vindo e eu vou ficar te esperando que nem um cachorrinho? Que eu sempre vou estar aqui quando você precisar?!
- Jeongin...
- Não! Não começa, Seungmin! Não começa! – Jeongin falou ríspido, indo em passos duros na direção do Kim e colocando o dedo indicador no peito dele, irritado. – Você me ignorou a droga do mês inteiro, mal olhou na minha cara e agora eu descubro que você está indo embora?! Que merda é essa, Seungmin?!
- É por isso que eu não queria te contar! Você acha que tudo gira em torno de você!
Jeongin arregalou os olhos, olhando para ele incrédulo.
- Tudo gira em torno de mim? De mim?! – ele não queria acreditar. Não queria mesmo acreditar que Seungmin tinha dito aquilo logo para ele. – Você que é um babaca e nunca me conta nada, SEU MERDA!
- PARA DE GRITAR COMIGO! – Seungmin rebateu bravo, desistindo de manter a calma e tirando violentamente o dedo de Jeongin de seu peito. – VOCÊ NÃO SABE NEM UM TERÇO DO QUE EU FIZ PRA FAZER ISSO DAR CERTO! PRA IGNORAR A MINHA VONTADE DE SÓ-
Ele se calou, desviando o olhar.
Jeongin piscou lentamente, mordendo os lábios.
- A sua vontade do quê, Seungmin? O que eu não sei?
O Kim estalou a língua, e Jeongin nunca viu um olhar tão cínico e filho da puta em sua direção antes.
- De só terminar logo com você e acabar com essa merda. – Seungmin falou lentamente, como se saboreasse cada palavra. – Você não é bom pra mim, Jeongin. Claramente. Afinal, a primeira coisa que você faz quando descobre que eu ganhei uma bolsa para trabalhar no exterior é ficar bravo comigo. Você nunca consegue ficar feliz com nada, não é? Só foge de tudo e reclama e reclama e reclama! Quer saber?! Eu estou terminand-
Jeongin não deixou que Seungmin terminasse aquela frase.
Não sem dar um murro nele antes.”
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WEEKLY NEWS
NOVA PARCERIA ENTRE HAN JISUNG E HWANG HYUNJIN?!
Será que está nascendo uma nova parceria de sucesso em Hollywood?! Hwang Hyunjin foi visto por um paparazzi saindo do estúdio de Han Jisung na manhã desse sábado (28). O ator e dançarino foi simpático, acenando para as câmeras e ainda deu alguns autógrafos para fãs que transitavam no local.
Hyunjin não falou muito sobre o que estava fazendo na casa do compositor, mas muitos suspeitam de mais uma parceria para o mais novo filme de Seo Changbin e Tiffany Hwang. Se for verdade, essa será a terceira parceria dos dois desde o sucesso de 82, Awaken, e o filme mais indicado do Oscar de 84, Side Effects – que, mesmo com tantas indicações, não conseguiu levar a estatueta para a casa, perdendo para o sucesso de bilheteria de Hwang Hyunsoo, Pit-a-Pat.
Apesar de o agente de ambos, Christopher Bang, não ter confirmado nada, mais e mais fotos sobre os dois juntos estão surgindo nas revistas, além de muitos fãs comentarem sobre os encontros deles nos mais diversos restaurantes de Los Angeles – o que indica que a “amizade da década” provavelmente tem muito mais cartas na manga. Será que o Oscar finalmente vem?!
Por: H. Heenim
Weekly News, Maio de 1985
I
Jeongin bem que tentou, tentou mesmo, não prestar atenção nas risadinhas de Bomin e Daehwi em sua direção, focando no próprio monitor e se forçando a revisar a matéria que precisava ir ao ar já na manhã seguinte. Ele sabia que em um dia normal provavelmente já teria revisado aquilo em minutos, mas os sussurros e risinhos dos dois colegas de cubículo estavam lhe dando nos nervos.
Maldito dia que ele deu um jeito de misturar sua vida pessoal e profissional.
- Ignora eles, Innie. – Ouviu a voz baixa de Soobin ao seu lado, sem tirar os dedos ágeis do teclado e do mouse enquanto editava a capa da edição da revista daquele mês. Uma foto bonita da modelo Hwang Yeji. – Você sabe que, se der bola, aí é que eles vão continuar.
- Como se fosse fácil. – Jeongin resmungou, abrindo a gaveta de sua mesa e procurando pelos fones de ouvido no meio da bagunça de papéis de bala, adesivos de nicotina e notas fiscais de todas as suas idas à Starbucks daquele mês (e dos meses anteriores também, se ele fosse bem honesto). – Droga, preciso arrumar logo essa merda. – Bufou, achando os fones e os desembaraçando com um bico irritado.
Ele odiava ouvir música enquanto trabalhava, sempre acabava se perdendo nos próprios pensamentos ou então acabar cantando a música em voz alta sem perceber. Mas ou era a voz calma e triste de Kim Taeyeon ou um murro certeiro no rosto imbecil de Bomin, que continuava com o sorriso sarcástico em sua direção.
- Innie...
- Não é pra você que ficam mandando a porcaria do vídeo ou das matérias de hora em hora, sabe? Tipo, eu já entendi que ferrei com a reputação da empresa e o caralho a quatro, eu não preciso que fiquem me lembrando disso a merda do tempo inteiro.
Soobin suspirou.
- Não é culpa sua, Innie. Eles só querem que você desista porque sabem que você é mil vezes melhor do que eles. – O Choi lhe assegurou com um sorriso gentil, virando a cadeira para poder encarar Jeongin, um palito de pirulito nos lábios vermelhos. – E, além do mais, se você realmente tivesse ferrado com a reputação da revista, já teria sido demitido faz tempo. A gente conhece um pessoal que foi chutado por bem menos que um viral no Twitter.
Jeongin mordeu os lábios, pensativo.
- Talvez eles só queiram me demitir pessoalmente? – falou baixinho, nervoso. – O Lix e o Minho estavam na Austrália quando tudo aconteceu, talvez eles queiram... sabe? Me demitir cara-a-cara? Sei lá...
- Eu duvido muito que isso aconteça, no máximo uma punição. Você sabe que é o favorito deles, eles nem tentam mais esconder isso. – O amigo falou sorrindo, dando pequenos tapinhas nas costas dele. – E já faz duas semanas que tudo aconteceu, saca? Com o tempo vão esquecer.
- E se não esquecerem? – Jeongin perguntou querendo chorar, mas Soobin não deixou que ele pensasse naquilo de novo, tirando um pirulito do pote que ele tinha em cima da própria mesa e entregando para o Yang.
- Vão esquecer, guri. Nós literalmente vivemos nos bastidores de uma revista de fofoca, Innie. Sempre esquecem. – Ele acenou com a cabeça para a matéria que ele estava revisando. – Vai sempre aparecer uma cirurgia plástica mal feita pra fazer mais sucesso que você.
Jeongin pegou o pirulito, abrindo a embalagem lentamente e decidindo tentar voltar a focar no arquivo. Era uma matéria idiota sobre uma supermodelo falida que ele não conhecia que tinha feito uma série de plásticas horrorosas para seu o debut como apresentadora de um programa popular de esportes de Idaho.
Ele não ligava muito, poderia ser um trabalho tedioso, mas pelo menos era divertido pensar que os estagiários davam boas risadas enquanto digitavam aquilo na maior linguagem teen e povão possível – já que todo mundo sabia que só as matérias mais “sérias” iam para a revista física.
Quando era ele quem precisava escrever aquilo, Jeongin passava tardes junto de Seungmin procurando por qualquer fofoca idiota no Twitter que preenchesse as 600 palavras exigidas mensalmente pelo editor responsável pelo site. Seungmin sempre tinha as melhores ideias do mundo e parecia saber exatamente o que pesquisar para que eles encontrassem algo legal e engraçado.
Tinha sido graças à ele que Jeongin foi promovido e começado a trabalhar no escritório, tomando conta tanto do site quanto da revista física – quando ele enviou uma matéria que o Yang escrevia sobre notícia aleatórias por pura falta do que fazer – o que deixou Felix indignado por não saber do potencial dele antes.
Tinha sido por ele que Jeongin estava ali também. Porque Seungmin era quase um filho adotivo para Felix e Minho, e aquele era o único motivo de ele ser um dos favoritos do chefe.
Se perguntava se ele continuaria sendo o favorito agora que o Kim lhe odiava.
Colocou o pirulito na boca, conectando os fones no computador e deixando que o seu aleatório escolhesse a música triste de Taeyeon da vez, decidindo terminar aquela porcaria com a mesma força do ódio que a cantora cantava I’m OK e ir pra casa logo – não sem antes mostrar discretamente o dedo do meio para Bomin, que o encarou assustado e apenas apontou para a bochecha dele com um olhar zombeteiro.
Jeongin bufou.
- E você viu como ficou o olho do Kim, não viu? – Perguntou com a voz baixa o suficiente para que apenas Bomin e Soobin o ouvissem. – Quer que eu te deixe assim também? Se não, então só para de me encher o saco e me deixa trabalhar.
Ele não esperou pela resposta do colega, aumentando o volume da música no máximo e deixando que a única coisa em sua cabeça fossem as notas altas de Kim Taeyeon e a triste história dos peitos explosivos da modelo – que aparentemente também não sabia nada sobre esportes.
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Jeongin foi acordado sendo violentamente cutucado pelos dedos longos e pontudos de Soobin, que olhava para o melhor amigo com sua melhor cara de puto enquanto Jeongin se esticava, as costas estalando por ter dormido de mal jeito na cadeira do escritório.
- Que merda você tá fazendo aqui?! – o Choi perguntou preocupado. – Achei que você tinha ido pra casa, inferno!
- Eu fui... – Jeongin falou baixinho, tentando espantar o sono e aceitando de bom grado o copo de café que o amigo estendia para ele. – Mas depois eu voltei. Eu não... Eu não consigo ficar lá, Soobin. É demais pra minha cabeça. Sei lá.
- Ele ainda está lá, não está? – Soobin perguntou se sentando do lado de Jeongin, segurando a mão dele com carinho e o olhando com o rosto preocupado. Jeongin suspirou, resistindo a vontade de chorar e gritar que estava lhe consumindo por semanas àquela altura.
- Ahn, meio que sim? Mas ao mesmo tempo não. Eu acho que ele tá ficando em outro lugar, não sei. Porque sempre que eu chego lá o apartamento tá vazio, mas eu também sei que ele ainda tá indo lá porque cada dia mais e mais roupas somem do nosso closet e o espelho do banheiro tá embaçado. Eu-
- Você tem que é se mudar de uma vez, Innie. – Soobin falou com a voz séria. – Ele obviamente tá cagando para o que vai acontecer com aquele apartamento. E eu também não acho legal vocês continuarem morando juntos depois de tudo o que aconteceu, ainda que vocês não se encontrem mais e o caralho a quatro. O Seungmin foi um puta de um babaca contigo, e essa atitude dele só comprova isso!
- Soobin...
- Fala sério, Jeongin! Por acaso ele falou com você depois do que aconteceu?! – Jeongin negou com a cabeça, se sentindo culpado, e o amigo bufou. – Viu?! Um puta de um babaca, ordinário. Acho até que você bateu nele foi pouco.
- Mesmo assim, eu não tenho onde ficar, cara. Você sabe disso. – Jeongin respondeu com a voz cansada, passar os dias dormindo na sua cadeira de rodinhas do escritório não era legal. Fora que ele se sentia um puta de um workaholic, ainda que só ficasse assistindo ASMR e canal de DIY no Youtube. – E aquele apartamento é literalmente o único com um aluguel que eu consigo pagar sem ter que vender minha alma pra essa revista, fora que fica perto daqui e eu posso vir a pé.
- Você sempre pode ficar comigo e com o Hyuka, nem que seja por meses, ok? – Soobin falou com a voz gentil, puxando o Yang para um abraço desajeitado, Jeongin suspirou no pescoço dele. – É pequeno, você sabe, mas vai te ajudar. Pelo menos você não vai precisar dormir na sua cadeira do escritório, Jeongin. Na moral, você tá pelo menos tomando banho?
O Yang bufou, lhe encarando ofendido: - Quem você acha que eu sou, seu sem vergonha?! É óbvio que eu tô! E eu prefiro a morte do que morar com vocês! – ele decretou fazendo o amigo revirar os olhos. – Me recuso a ficar segurando vela pra você e o pirralho. E é pequeno sim, cara. É a porra de uma kitnet Soobin, mal tem espaço pra você lá, quem dirá eu!
- Eu sou só dois anos mais velho que ele, ok?! E a gente não namora, ew! Eu sou hétero.
Jeongin engasgou com o café, olhando para o melhor amigo com sua melhor careta desgostosa.
- Hétero?! Porra é essa, Soobin? Isso ainda existe?! Nem fodendo que tu é hétero, quando a Arin da contabilidade te chamou pra tomar um café você literalmente saiu correndo de vergonha, velho.
Soobin respirou fundo.
- Bom, sei lá! Mas alguma coisa eu tenho que ser!
Jeongin o olhou com sua melhor cara de quem estava aprontando alguma coisa, mas o Choi revirou os olhos, ignorando a provocação do mais novo e o encarando com seu melhor olhar de mãe.
- Só aceita a merda da minha oferta, zé mané. A gente dá um jeito. E, além do mais, o Hyuka nem tá ficando lá direito agora que o estágio dele naquela rádio começou. É um programa de madrugada e ele passa a noite toda fora, e quando volta pra casa eu já tô aqui trabalhando, então eu te juro que você não vai incomodar ninguém. – ele estudou Jeongin de cima a baixo. – E você tá precisando de uma noite de sono, guri.
Jeongin bufou.
- Eu tenho escolha? – perguntou com um bico triste, voltando a encostar no amigo, fazendo Soobin rir e dar um tapinha de leve na coxa dele.
- Nunca teve. Na hora do almoço a gente passa no teu apê e pega suas roupas, se pá eu posso até mijar num dos livros do Seungmin, sei lá.
Jeongin riu.
- Eu mal aceitei e já tô arrependido. – disse brincalhão, terminando o café em um gole e se levantando para ir ao banheiro da empresa dar um jeito no cabelo e no próprio rosto, que provavelmente estava horrível. Toda vez que piscava, Jeongin conseguia sentir a remela cutucando seus olhos.
Ele está todo horrível ultimamente.
Porcaria de namoro com Kim Seungmin.
Porcaria de vida.
Se encarou no espelho e molhou o rosto e o cabelo, fazendo o possível para parecer um pouquinho mais profissional com o sabonete líquido quando voltasse para o escritório. Ajeitou a camisa social e a gravata, dobrando as mangas da mesma para esconder a mancha de molho de cachorro-quente que tinha comido na noite passado e escovou os dentes usando a pasta de dente que tinha roubado do armário de Bomin usando os dedos, mesmo.
Suspirou irritado, ele realmente precisava ir para o apartamento e pegar no mínimo aqueles itens pessoais antes de sair. Mas sempre que entrava lá, se arrependia no instante seguinte e só dava meia volta, gastando as próximas horas andando sem rumo pela cidade e tentando não pensar na merda que tinha se enfiado quando fuçou no e-mail de Seungmin.
Mas então, ele pensava, como diabos eu teria ficado sabendo dessa droga?!
Jeongin sabia que era meio besta, que Seungmin nem estava lá e estava lhe evitando na cara dura nas últimas semanas. Mas não importava se ele não estava lá de verdade, ele ainda continuava por todo lugar. Continuava nas fotografias, nos móveis que eles compraram juntos e todos os cômodos do apartamento que tinha alguma história esquisita que só os dois conheciam.
Ele era a droga de um fantasma na vida dele agora, e Jeongin odiava aquilo.
Odiava pra caralho.
Odiava se lembrar dele o tempo todo, de sentir saudades de um cara que deixou bem óbvio pra todo mundo o quão ruim ele era como namorado. De se preocupar com o bem estar daquele merda e resistir à tentação de perguntar se ele estava ao menos se lembrando de tomar os remédios para a pressão alta.
De saber se ele também se sentia tão péssimo quanto ele.
Sabia que era egoísta, mas seria um pouquinho menos doloroso saber que Seungmin também estava sofrendo. Ao menos para ele saber que a história deles não tinha sido um fiasco total. Por mais que doesse que eles não fossem mais alguma coisa, Jeongin não poderia simplesmente apagar todos os momentos bons que teve com ele.
Ele só queria ter certeza que tinha sido de verdade.
Bufou, encarando o próprio reflexo no espelho e forçando um sorriso animado.
O Jeongin do outro lado não pareceu acreditar nem um pouquinho nele, o encarando de volta todo desgostoso. Mas Jeongin não se importou. Era o que ele tinha para aquele dia. E para os dias seguintes, também.
Ele não tinha muita opção além de continuar vivendo e seguindo em frente até aquela dor passar.
Seungmin era só mais um idiota em um mundo repleto de idiotas, a grande diferença era que aquele era o idiota que ele amava.
Amou.
- Foda-se. – falou secando o próprio rosto com violência.
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Quando voltou para o escritório, todos os colegas de trabalho já estavam por lá, trabalhando concentrados nos próprios monitores. Nenhuma conversa aleatória ou pegadinhas com Tzuyu, a secretária que estava sentada em uma posição perfeita atrás do balcão e totalmente focada em algo no computador, os dedos ágeis digitando na velocidade da luz.
Jeongin engoliu em seco.
Aquilo só significava uma coisa.
- Yang Jeongin! – ouviu a voz grossa e clara de Lee Felix, os olhos se fechando em um sorriso bonito assim que mirou os olhos nele, a porta de sua sala aberta enquanto ele o chamava para que entrasse. – Precisamos conversar.
Jeongin acenou com a cabeça lentamente, indo a passos lentos em direção à sala do chefe e ignorando os olhares curiosos dos colegas. Todos provavelmente pensando a mesma coisa que ele.
- Quer que eu me despeça agora ou depois, Yang? – ouviu a voz baixa e debochada de Bomin quando passou por ele, mas Jeongin o ignorou. – Auch, pois vá com deus, panaca.
- Cala a boca, Bomin! Só fala merda. – Soobin resmungou dando um soco de leve no outro. – Boa sorte, Innie. Vai dar tudo certo, ok? Relaxa.
Jeongin o ignorou também, respirando fundo antes de entrar na sala de Felix e fechar a porta atrás de si com o rosto nervoso.
Os olhos felinos do Lee o encararam em um silêncio desconfortável, observando atentamente enquanto Jeongin se sentava na cadeira de frente para a dele e o olhava como se quisesse sair correndo dali e não voltar mais.
Felix sorriu e Jeongin engoliu em seco.
“Por favor, que não seja uma demissão por favor que não seja uma demissão por favor que não seja uma demissão por favor que não seja uma demissão por favor que não seja uma demissão por favor que não seja uma demissão por favor que não seja uma demissão por favor que não seja uma demissão por favor que não seja uma demissão por favor que não seja uma demissão por favor que não seja uma demissão por favor que não seja uma demissão por favor que não seja uma demissão.”
- Oi, Lix. – Jeongin se forçou a falar com um sorriso nervoso, praguejando mentalmente por ter chamado seu chefe pelo apelido. – C-como foi a viagem? Se divertiram?
O Lee deu de ombros.
- Ah, sabe como é. Vimos a minha família e assisti meu marido paparicar minha mãe por um mês inteiro até conseguir escanear todas as minhas fotos criança, o de sempre. – Concluiu com um sorriso de canto, olhando para o Yang com carinho. – E como foi por aqui? Tudo certo?
Jeongin gelou.
Que merda ele deveria dizer? Era óbvio que Felix e Minho já sabia o que tinha acontecido. Todo mundo já sabia o que tinha acontecido. Ele tinha parado na porra dos Trending Topics mundiais do Twitter com aquela porcaria de vídeo.
Felix achou graça do rosto desconcertado do Yang, decidindo ir logo direto ao ponto antes que o mais novo tivesse um colapso em sua sala.
- Enfim, eu te chamei aqui, Yang. – falou com a voz séria. – Porque a nossa revista acabou de ganhar uma exclusiva com Hwang Hyunjin e Han Jisung. Você sabe, é uma boa oportunidade considerando tudo o que aconteceu e que em outubro vai ser o aniversário de 35 anos do lançamento do filme que varreu o Oscar de 86.
- Sério, Lix?! Isso é muito bom! – Jeongin falou praticamente gritando, sem conseguir controlar a euforia. Qualquer jornalista ou revista do país sabia o quão difícil era contatar os dois atores desde que eles saíram dos olhos do público. Mas então ele se sentou de novo, olhando para o chefe confuso. – Mas... Por que você tá falando isso pra mim?
Felix riu de canto, achando graça da careta confusa do mais novo.
- Essa é a parte que eu também não entendi direito, Jeongin. – falou lentamente, colocando uma das mãos no queixo enquanto estudava o Yang. – Eles querem você.
Jeongin arregalou os olhos.
- O qu-
- Não me leva a mal, Yang. Você é um ótimo repórter, você sabe que só te promovi por causa dos seus artigos, mas a sua especialidade é essa: escrever artigos e revisar as colunas do site. Eu, pessoalmente, não acho que você tenha habilidade para conduzir uma entrevista deste porte sozinho. Expliquei que você só está acostumado com coisas pequenas e não com uma matéria desse tamanho, até mesmo sugeri outros repórteres para o agente dos dois. Mas a exigência deles é bem clara: Querem Yang Jeongin. – Felix estalou a língua. – Eu sinceramente poderia fazer toda uma pesquisa e saber que merda eles querem logo contigo, mas não posso dar um luxo de perder essa exclusiva. Então você vai.
Jeongin não falou nada, ainda em choque, então Felix continuou.
- Você entende, não entende? Paulline Hwang foi a criadora dessa revista, mas mesmo assim temos tantas notícias dos dois quanto os outros jornalista ou paparazzis. – Ele suspirou. – E, além do mais, tem um motivo para você ter sido promovido. Por mais medo que eu tenha disso, eu sei que você consegue fazer isso, garoto.
Jeongin acenou com a cabeça rapidamente, sem acreditar.
Hwang Hyunjin e Han Jisung… Por que eles queriam uma entrevista com ele?! E como diabos ele iria conduzir aquela porcaria?! Claro que ele já tinha acompanhado Minho e até mesmo Felix em uma antes, mas nunca tinha feito aquilo sozinho. Era a merda de uma missão suicida.
Mas ele também tinha noção do que tinha por trás daquela pergunta de Felix. Todo mundo sabia que a reputação da revista estava por um fio por culpa dele. Ele e suas atitudes impulsivas que acabavam arrastando todo mundo pro buraco.
Talvez Seungmin não estivesse tão errado assim, afinal.
E Jeongin sabia que aquele nem era o maior problema. Ninguém sabia o que tinha acontecido entre Hwang Hyunjin e Han Jisung ou a história dos dois. Tudo o que a mídia e o resto do mundo sabiam era que eles tinham brigado feio e sumido do show business. Que era difícil pra cacete trabalhar com aqueles dois porque nenhum deles gostava de câmeras e, até onde sabiam, de um do outro.
E ali estava ele, a droga de um novato tendo que lidar com os dois ao mesmo tempo.
- Ah, mais uma coisa! – Felix falou quando viu que o Yang já estava começando a se recompor. – Eles também aceitaram uma sessão fotos, e acho que vai ser bom ter outra pessoa um pouco mais experiente com você pra te ajudar a conduzir. Os dois não querem muitas pessoas no apartamento, então o Kim vai com você.
Jeongin ficou estático.
- Ji-Jiwoo, né? A Jiwoo vai comigo, certo? – falou nervoso e Felix estalou a língua.
- O Kim, Jeongin. A Jiwoo está em lua de mel com a Yves, você sabe disso. – respondeu com a voz sem reação, e Jeongin bem que poderia morrer ali mesmo. – O Minho vai mandar um e-mail explicando tudo detalhadamente para os dois, queremos essa matéria até o fim do mês que vem para usarmos na edição especial de outubro.
Jeongin apenas acenou com a cabeça, sem saber o que dizer ou fazer.
- Converse com o Seungmin e tente agendar um horário que seja melhor para os dois o mais rápido possível, e não hesite em pedir um horário livre se for muito difícil lidar com os dois. – Continuou com o rosto sério. – Hoje você trabalha normalmente, mas a partir de manhã quero que foque somente nessa entrevista. É algo grande e eu quero estar envolvido em tudo, sem segredos de mim ou do Minho, ok? – Jeongin acenou com a cabeça de novo e Felix sorriu. – E Jeongin?
- Sim?
O chefe o estudou por um tempo antes de falar.
- Você consegue fazer isso, ok? Eu posso não conhecer os dois pessoalmente, mas qualquer um sabe que eles nunca fazem nada sem um motivo. – falou com a voz mansa, mais calma. O Felix amigo tomando o lugar do chefe sério por alguns segundos. – Eu sei que você dá conta, ok? Conversa com o Seungmin.
Jeongin acenou com a cabeça, se sentindo meio tonto.
Sinceramente, ele preferia uma demissão.
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A HISTÓRIA DE HAN JISUNG E SUA ASCENÇÃO PARA A FAMA
Wikipedia, A Enciclopédia Livre
Apesar de ter nascido no interior do país, em uma cidade pequena em outubro de 1960, Han Jisung sempre foi uma criança focada e tinha um sonho bem claro: Se tornar um compositor famoso.
O garoto, que cresceu prestando mais atenção nas trilhas sonoras do que no roteiro dos filmes da época e colecionava discos achados em bazares de sua cidade, costumava caçar sapos e rãs nos campos para vender e pagar os ingressos do único cinema da pequena cidadezinha onde nascia. Jisung gostava da música, mas era apaixonado pela música do cinema.
Segundo o mesmo, tinha uma certa magia em encontrar a melodia certa para o momento certo, pensando na trilha sonora da vida de cada personagem e como a música dava ainda mais realidade para os filmes. E, por causa disso, ele não mediu esforços para sair do interior e chegar em Hollywood para atingir o estrelato.
Han Jisung se mudou ainda aos 16 anos, com uma tia distante, seu marido e os cinco filhos do casal, crescendo nas ruas da cidade dos anjos e passando o tempo em um café e no cinema mais famoso da época, arrumando um emprego no local e fazendo amizades com diversos atores e diretores que frequentavam o local ativamente.
Foi lá, em 1978, que o rapaz de então 18 anos conheceu a pessoa que mudaria sua vida: A atriz e cantora Tiffany Hwang, conhecida por ser a Sereia de Hollywood, com sua voz potente e o charme indescritível que lhe rendeu um dos sex-appeals mais famosos do século. Jisung não teve vergonha alguma em mostrar seus trabalhos para Tiffany, que ficou tão impressionada que o apresentou para o seu então agente e marido na época, Christopher Bang – o produtor mais requisitado do momento e dono da gravadora mais famosa da época, resultado de uma parceria de sucesso com outro produtor famoso na década de 70, Seo Changbin. (Conferir: 3RACHA)
O debut do garoto nas rádios de Hollywood aconteceu no começo de 1981, com o EP de 5 faixas chamado B Me e resultando em diversos contratos para o Han, alcançando a fama rapidamente. Mas foi só em 1982 que o rosto bochechudo e decidido do rapaz entrou na mente de todos, quando estrou no cinema ao lado de Hwang Hyunjin no sucesso de bilheteria, Awaken – uma parceria que durou quase uma década até o ápice, em 1985, e a briga dos dois em 1989. Ocasionando o sumiço de ambos da mídia.
Apesar de nunca mais ter aparecido nos holofotes – sendo visto pela última vez no tapete vermelho do Grammy ao lado de Tiffany em 1993, Jisung continuou trabalhando em diversas trilhas sonoras para sucessos do cinema e escrevendo e produzindo canções para os maiores cantores da indústria. Aos 40 anos, em 2000, Jisung já teve mais de 500 canções como número 1 ao redor do mundo.
A amizade com Tiffany Hwang continuou até a morte da mesma, no começo de 2013. E, apesar de não se ter nenhuma foto ou gravação do evento, fontes próximas afirmam que Jisung passou o tempo todo ao lado da cantora e compareceu ao enterro, que foi fechado apenas para amigos próximos e familiares.
Apesar de tudo, o ápice da carreira do Han é a história curiosa e tumultuosa sobre sua parceria com Hwang Hyunjin, que continua sendo um dos maiores mistérios de Hollywood, originando diversas teorias da conspiração e filmes e séries sobre a rápida ascensão e queda na mídia. A mais famosa, entretanto, é a de que ambos brigaram pelo coração de Byulyi, a única filha de Christopher Bang e Tiffany, que morreu em agosto de 1996. [carece de fontes]
