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Summary:

No reino de Demacia, Vi era conhecida por ser parte da Guarda Real, porém recebia olhares tortos graças à conexão que ela tinha com a rainha Fiora Laurent.
Apesar da hierarquia e do julgamento alheio, Fiora iria lhe mostrar que o sentimento que elas compartilhavam estava além de um mero reinado.

Notes:

Oi, olha eu aqui de novo :D

Eu postei essa fic em outro site (Spirit Fanfiction) no início de 2019, mas decidi "transferir" minhas fics pra cá, porque não uso mais aquele site por inúmeros motivos. Então, creio que vocês vão me ver com frequência na categoria de LoL kksknjfkjs
Quando lançou as skins Heartseeker da Vi e da Fiora, eu simplesmente me APAIXONEI e acabei escrevendo duas fics sobre elas. Como eu imaginei um Royalty AU bem romântico (com um toque francês porque não consigo imaginar a Fiora com outra nacionalidade que não seja essa), coloquei alguns termos diferentes, então vou deixar os significados aqui:

Chérie = Querida
Mon chérie = Minha querida
Je t'aime = Eu te amo
Mon amour = Meu amor

A história também foi inspirada em uma música de uma banda que eu amo muito, e essa música específica é muito especial por vários motivos. Então, posso dizer que essa fic é uma das minhas favoritas uwu ♡

Chapter 1: You've been locked in here forever and you can't say goodbye

Chapter Text

Vi estava muito nervosa naquela manhã em particular.

A mulher de cabelos platinados caminhava de um lado para o outro, sentia um misto de preocupação com angústia. Durante o caminho de volta para o reino de Demacia, ela acabou ouvindo mais um dos boatos maldosos ao seu respeito. O nome da rainha também fora envolvido, e era isso o que mais lhe afligia.

Fiora era muito conhecida em todos os territórios de Valoran, por conta do seu talento nato na esgrima e do prestígio da casa Laurent, no entanto, a sua resistência para se casar com um homem e partilhar o próprio reinado era motivo de escárnio para a sociedade demaciana. Mesmo que ela fosse uma ótima governante, seu espírito livre não era bem visto por seus conterrâneos.

Vi havia se acostumado com os rumores que circulavam nas redondezas, principalmente quando se tratava de sua conduta como parte da Guarda Real; quase sempre era comparada com Garen, um dos nomes mais famosos da família Stemmaguarda. No entanto, a situação era mais complexa, afinal, certas informações poderiam manchar a imagem da rainha com facilidade. Às vezes, sentia-se culpada só de cogitar tal possibilidade.

Tamanho nervosismo a fez passar alguns longos minutos reclusa em seu quarto. Por algum motivo, estava com medo de ir ao encontro de Sua Alteza. Não era como se tivesse feito algo errado, contudo, havia algo que lhe incomodava muito.

Vi encarava os adereços do uniforme da Guarda Real com receio, pensando que não seria uma boa ideia sair daquele cômodo. Era uma questão de tempo até o boato tornar-se assunto entre os demais subordinados, e o pior de tudo: chegar aos ouvidos da rainha.

O sol reluzia no ambiente luxuoso e a brisa gélida passava entre as cortinas de seda. Com tanta pompa e circunstância, era de se esperar que a opulência estivesse em cada repartimento do castelo, especialmente nos aposentos da protetora da rainha. Às vezes, sentia-se um nada dentro do império Laurent, embora tivesse consciência da sua importância no que era um grande ato para a história de Demacia.

O tique-taque do relógio ecoava pelo quarto e os ponteiros indicavam o horário no qual todos deveriam estar a postos. Apesar do medo de receber uma punição, Vi estava decidida a continuar recolhida quando ouviu o som de alguém batendo na porta, seu coração acelerou ao ver quem estava adentrando seu dormitório.

— Por que esse olhar de surpresa? Só eu tenho acesso à esse quarto, chérie. — Fiora sorriu, fechando a porta e indo em direção à mulher. Em seguida, sentou-se ao lado dela na cama de solteiro, e logo percebeu que sua expressão permanecia a mesma. — Considerando que todos já estão a postos, imagino que tenha um bom motivo para você ainda estar aqui.

— Não há motivos para se preocupar comigo. — Vi murmurou, encarando as próprias mãos. Pensou em usar o pronome de tratamento, mas logo se recordou de que ela não gostava de tanta formalidade nos momentos em que estavam a sós. — Eu só queria ficar sozinha por um instante.

— Você faz isso quando está muito preocupada com algo. — Afirmou, colocando a sua mão sob a dela. — Sabe que não precisa ter segredos comigo. — Mesmo com o sotaque francês acentuado, a voz da rainha soava como uma bela melodia aos seus ouvidos.

— Não quero te preocupar com simples boatos. — Ao descobrir o que lhe preocupava, Fiora bufou um tanto irritada.

— Qual é o boato da vez?

— A rainha não quer se casar com um homem porque ela tem um caso com aquela guarda. — Disse Vi, ressaltando o sarcasmo contido na palavra “aquela”. Muitos indivíduos não a consideravam parte da Guarda Real por ser uma forasteira; para eles, somente Garen era merecedor de seu cargo. — Eu não quero ser um estorvo na sua vida e muito menos tirar proveito. — Ela suspirou, ficando aborrecida.

— Você é muito mais do que esses rumores. — Fiora segurou o queixo da mais nova com a ponta dos dedos e levantou seu rosto com delicadeza. — Sei muito bem que não está comigo por interesse. Afinal, não é de hoje que nós temos essa conexão, chérie. — Ouvir tais palavras lhe trouxeram um grande alívio, ainda que a herdeira da família Laurent estivesse nem um pouco disposta a seguir as tradições da monarquia; ela preferia perder em um duelo de esgrima do que casar-se com um nobre qualquer.

— Sempre estarei ao seu lado, minha rainha. — Vi sorriu junto com ela, aproveitando o momento para observá-la. Seu rosto tinha traços finos, porém sua expressão era imponente. Seus lábios eram carnudos e reluzentes, seus olhos grandes emanavam soberania, e a beleza que tal conjunto formava era inegável.

— Vamos ficar juntas até o fim dos tempos. — Disse Fiora, se aproximando da mulher, até que os seus rostos ficassem a poucos centímetros de distância. — Je t’aime, mon chérie. — Vi sentiu um arrepio em seu corpo ao ouvir aquela declaração e repetiu os dizeres, o que fez sua amada sorrir radiante.

Um silêncio confortável se instaurou entre as duas, Fiora enlaçou a cintura de Vi e a puxou devagar, ao passo que observava seu rosto levemente corado. A cada novo encontro, Vi tinha as mesmas sensações da primeira vez, a rainha percebia o receio e a certa timidez por estar perto da figura mais emblemática de Demacia, mas não se incomodava com tal fato. Pelo contrário, achava adorável vê-la agindo de forma cautelosa.

O pouco espaço que as separava foi preenchido com um leve encostar de lábios. Vi pousou as mãos sob os ombros de Fiora à medida que o beijo se tornava mais singelo, evoluindo para alguns selinhos mais demorados. Ambas queriam desfrutar cada instante, como se todos os problemas tivessem sumido por um tempo. As críticas, as dificuldades de governar uma província fora da tradição, os rumores que circulavam pelo território demaciano, nada mais importava.

Fiora se afastou por um curto período a fim de observar sua amada mais um pouco. Seus olhos verdes a encaravam com curiosidade e admiração, sua boca carnuda e avermelhada esboçava um sorriso tímido. Só de olhar para ela, a rainha encontrava mais motivos para amá-la com todo o seu coração.

Foi a vez de Vi puxar Fiora para si, envolvendo as mãos em seu pescoço e capturando seus lábios de uma maneira doce e muito apaixonada. Suas bocas se encaixavam perfeitamente, estavam tão entregues no ato que quase se esqueceram das obrigações do dia.

— Vá com calma, mon amour. — Fiora riu baixinho ao ouvir o resmungo da mais nova. — Nós nos encontramos mais tarde, ok?

— Sim, Alteza. — Vi também riu, achou cômico chamá-la pelo pronome de tratamento depois de agirem como namoradas. Antes de saírem do quarto separadas, Fiora aproveitou toda a ternura do momento e lhe deu um último beijo, com direito a mais um “eu te amo” sussurrado no ouvido da companheira.

Ao sair do quarto, Fiora continuava sendo a rainha de Demacia e aturando a sociedade demaciana tentando lhe convencer de que ela precisava de um rei para obter total respeito.

De certa forma, muitos imaginavam que a herdeira da família Laurent não iria obedecer a tradição e, se continuassem reclamando, iria acabar se casando com sua guarda real, a forasteira que também não era bem vista pelos monarcas.

Apesar da hierarquia e do julgamento alheio, Vi e Fiora iriam se amar em qualquer canto de Valoran. A história que escreviam juntas era um marco para Demacia e a maior prova de que elas iriam se amar até o fim dos tempos.