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Language:
Português brasileiro
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Published:
2021-10-04
Words:
1,651
Chapters:
1/1
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1
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34
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209

Ele me odeia!

Summary:

Luffy está triste por que Law, seu amigo de infância, parece que começou a odiar ele.

Lawlu | Amigos coloridos?

Work Text:

Luffy estava triste.

Agora, o universo inteiro se pergunta o motivo da tristeza dessa criatura naturalmente alegre demais, e bem, ele está triste por que seu amigo de infância odeia ele.

 

Luffy sempre teve muitos amigos, tem sua melhor amiga Nami, seu melhor amigo Zoro, seu melhor amigo Usopp, seu melhor amigo Sanji, sua melhor amiga Vivi; E tem a Robin da livraria e cafeteria, tem o Franky e o Kidd do mecânico e do ferro-velho, tem o Brook da loja de música e Chopper da loja de doces.

 

Ele tem seus irmãos também. Sabo e Ace, que parecem a mesma pessoa mas são totalmente diferentes. Sabo é mais racional — ás vezes, não —, ele que arruma e compra as roupas de todos, ele que faz o café da manhã, almoço e jantar, ele que já trabalha mesmo sempre o irmão do meio. E tem Ace, que é o simples, 99% irresponsável e certas vezes mostra seu 1% de responsalidade, ele quem conserta as coisas em casa, sobe no telhado pra colocar enfeite de halloween, troca o canal e pede o sabor da pizza errado.

 

Luffy agradece por ter todos eles em sua vida mas, ele quer Torao!

 

Seu vizinho, seu amigo de infância, o cara moreno com aqueles pelinhos na ponta do queixo, com as olheiras mais marcadas que já viu em alguém, com a voz grossa e bonita, com aquela cara séria de puro ódio, o cara que Luffy gosta de estar por perto.

 

O problema é: Law odeia Luffy.

 

Como Luffy chegou nessa conclusão ninguém sabe, mas agora não consegue mais fazer nada além de ficar triste e comer. Fica infurnado no quarto e não quer falar com ninguém.

 

— Luffy, sai desse quarto!

 

Sabo pedia, enquanto Ace gritava pela casa que mataria Trafalgar, se Luffy ouvisse o nome do amigo, ele choraria.

 

E na casa vizinha, bem, o dono do nome ouvia Ace gritar que o mataria. Mas era tão comum, que ele nem ligava. Por que desde que começou a conviver com Luffy, Ace sempre foi super ciumento quanto ao caçula.

 

— Ace quer te matar pela vigésima vez na semana, Law.

Corazón entrava no quarto com um sorriso sapeca, enquanto varria a casa e caia pelos cantos, Law gostava de morar com ele mesmo que às vezes ficasse com medo de morrer num incêndio enquanto dormia.

 

— Não entendo por que estou sendo ameaçado, tem uma semana que o Luffy não dá as caras.

 

Disse tranquilo, escrevendo alguma fórmula química no papel.

 

— Talvez seja justamente isso.

 

Corazón disse aquilo e saiu do quarto; Law ficou intrigado pensando sobre isso, será que podia ser?

 

[...]

Mais tarde, naquele dia, Law resolveu tirar a limpo e ir ver seu amigo. Por que Corazón tinha razão, em partes, Luffy era uma criatura irritante que nunca o deixava em paz, e se estava sendo deixado em paz pelo garoto era por que algo estava errado.

 

Bateu na porta vizinha a sua e esperou, quem abriu foi Ace, que antes de deixa-lo entrar fez uma careta de raiva.

 

— Sabo! — Sabo gritou "o que?" da cozinha, estava fazendo a janta e nem nessas horas tinha paz — A faca, pega a faca que eu vou matar o Trafalgar!

 

Já dentro da casa, Law deixou Ace e Sabo discutindo aos gritos e foi entrando e subindo as escadas, caminhando em direção ao quarto de Luffy.

 

A porta não estava trancada, então ele só abriu e não viu nada demais, não enxergou nada na verdade, por que a luz estava apagada, o quarto estava um breu completo e tudo que ouviu foi resmungo baixinho que vinha do meio dos lençóis.

 

Chegou perto e enfiando a mão no meio dos panos, puxou o pé de Luffy, dando um susto no garoto que chutou sua cara.

 

— Luffy-ya.

 

Falou alto, pra que o outro ouvisse e pelo menos lhe desse atenção, quando ele tinha sido o sujeito a sair de casa pra vê-lo, já que na maioria das vezes quem fazia isso era Luffy.

 

— Torao! — a voz gemida e tristonha saiu do nada, uma cabecinha saia do meio dos panos e os olhos chorosos de Luffy foram iluminados pela luz do corredor, que vinha da porta ainda aberta.

 

— Nossa, ainda bem que não morreu — falou em tom sarcástico, mas no fundo, estava feliz por vê-lo bem. Tinha passado tanto tempo sem aparecer em sua casa, que pensou o outro tinha sofrido um acidente — Pensei que tinha morrido, chapéu de palha.

 

— Torao, o que você tá fazendo aqui? — perguntou já sentado na cama. Os olhos com lágrimas que ariscavam descer por suas bochechas e a boca comprimida num biquinho manhoso. Law queria aperta-lo, mas parecia haver algum mal entendido.

 

— Vim te ver, Luffy-ya. — Disse se sentando na cama.

 

— Mas se você me odeia, por que veio me ver? — disse já começando a chorar. As lágrimas saindo, a boca aberta e as mãos apertando seus lençóis.

 

— Oi? Te odiar? Da onde tu tirou isso?

 

Perguntou confuso e Luffy começou a explicar, em prantos, deixando um ponto difícil de entender, mas Trafalgar conseguiu sabe se lá como.

 

#a situação#

 

Law estudava para uma prova, era de uma materia muito chata e ele tinha mais três dias pra revisar toda a matéria e finalmente fazer a tal avaliação. Mas tinha um ser humaninho que parecia não entender que ele estava ocupado.

 

Luffy pulava na sua cama, abraçava ele do nada, pegava a caneta dos seus dedos e usava como cigarro, sentava no seu colo, vinha por debaixo da mesa e coloca a cabeça no meio das suas pernas.

 

Então esse era o lado ruim de conviver com uma pessoa imperativa. Corazón tinha razão, Luffy não conseguia ficar parado nem por um minuto.

 

Até ali tudo bem, Law tinha aguentado tudo calado e logo foi deixado de lado pra que Luffy pudesse correr até a cozinha pra comer um bolo queimado de seu pai.

 

Suspirou aliviado, teria uns minutos de paz.

 

O problema foi quando os minutos de paz acabaram, Luffy se jogou na cama e Law já ficou feliz pensando que ele ia dormir. Mas contrariando a intuição do mais velho, Luffy começou a cantar.

 

— minami no shima wa — a voz esganiçada começou a cantar — gritar — a letra da estranha canção — atta ke-e; atama pokopoko — Então ele gritou muito alto — AHO BAKAAAAAAAAAAAA!

 

— Nossa, EU ODEIO quando VOCÊ faz isso, SÉRIO. — Law disse já irritado.

 

O problema era que Luffy estava de fone e ouviu: Eu odeio você, sério.

 

Ele ficou triste na hora, por Law parecia falar sério e como estava de costas não parecia ser brincadeira, mesmo se fosse brincadeira, Ace disse um dia que toda brincadeira tinha um fundo de verdade e aquilo ficou na cabeça de Luffy.

 

Ele só saiu do quarto correndo pra casa e desde então estava pensando no motivo de ser odiado por Law. Ele sempre foi um bom amigo.

 

Fazia onigiri para Law, comprava livros para Law, secava seus cabelos quando tomavam banhos juntos e até digitava alguns trabalhos pra ele. Ele não foi o suficiente?

 

#fim da situação#

 

Law encarava Luffy, que agora estava agarrado na sua cintura, chorando na sua camisa, incrédulo por aquilo.

 

— Eu não te odeio, besta — não adiantaria explicar que ele tinha ouvido errado, o melhor era só fazer ele esquecer aquilo.

 

— Não? — O biquinho tremia.

 

— Claro que não. — virou o rosto, que tinha um tom avermelhado, pro lado. Agradeceu o escuro por clamufar sua vergonha naquele momento.

 

— Torao!

 

Agora ele tinha parado de chorar e já parecia feliz, simplesmente jogou Law na sua cama e agora Luffy parecia emanar uma luz própria — mas Law sabia que era a luz que vinha da porta — e se jogou no outro, o abraçando com a cabeça deitada no seu peito, não demorou muito pra ele enfiar o rosto no seu pescoço e cruzar uma de suas pernas nas de Law.

Sentir a respiração do outro no seu pescoço fazia com que Law se arrepiasse. Era uma porcaria ficar em pânico pelo carinho e contato físico em excesso que recebia de Luffy, mas Trafalgar sempre ficava.

 

— Eu te amo, Torao! — Disse passando um de seus braços por cima do corpo de Law, segurando sua cintura.

 

— Eu também te amo, Luffy-ya.

 

— SÉRIO? — perguntou olhando fundo nos olhos do mais alto, ele só conseguiu usar um fino de voz pra confirmar. — Mas por que?

 

— Sei lá, porra — respondeu sem paciência — Tem que ter motivo?

 

— Não! — disse feliz.

 

Ficaram deitados em silêncio por alguns minutos, só sentindo a presença um do outro, Luffy estava feliz e Law estava também, mesmo que quissesse esconder.

 

— Dorme aqui hoje.

 

Não tinha sido uma pergunta, Luffy simplesmente tinha decicido por ele, que agora iria dormir ali. E tudo que ele podia fazer era aceitar.

 

— Torao?

 

Luffy ergueu o rosto e viu o outro de olhos fechados, respirando calmamente, ele já tinha dormido. Luffy sorriu e deu um beijinho no canto da boca do outro.

 

— Boa noite, Torao — se aconchegou e rapidamente caiu no sono.

 

Law abriu seus olhos e sorrindo, deu um beijo na testa de Luffy. Não te como odiar aquele homem.

 

Amava ele mesmo, amava muito.

 

[...]

 

Sabo comia tranquilo sua janta, sentado no sofá encarando a novela, Ace estava deitado no chão que ligava a sala a escadas, totalmente devastado.

 

— Eu só queria matar o trafalgar — disse baixinho entre respirou sofridos, estava a ponto de chorar. Detestava dividir seus irmãos com outras pessoas, são irmãos eram seus e ponto.

 

— Ace, vem cá.

 

Sabo chamou, Ace foi tão lentamente se levantando e indo até o outro de forma desanimada, sentou do lado do loiro e rapidamente o abraçou apertado. Sabo só continuou comendo, agora com um ser manhoso agarrado em si.

 

— Eu só queria matar o Trafalgar.

 

Disse com raiva antes de pegar no sono e começar a roncar alto. Sabo sorriu e continuou vendo a novela.

 

Um dia, Ace conseguia o que queria. Na verdade, Sabo esperava que esse dia nunca chegasse.