Work Text:
Agora em frente à igreja, Ace e Sabo, seguravam uma mochila e viam Luffy correr na direção oposta à que vieram. Ele parecia agitado, mais que o normal e, acima de tudo, parecia procurar algo como se sua vida dependesse disso.
— Certeza que o Luffy tá bem? — Ace parecia preocupado com o irmão, enquanto Sabo fingia estar calmo, para não deixar claro que todos estavam tão confusos quanto estavam, afinal precisavam de alguém calmo e sensato.
— Vai ficar tudo bem. — não saberia dizer se disse aquilo mais pra ace ou mais para si mesmo. Só respirou fundo e continuou encarando o seu caçula.
Luffy virava seu rosto para toda e qualquer direção, apressadamente procurando aquele maldito carro. Carro não, a limousine da noiva.
Agora ele tinha menos de trinta minutos para conseguir impedir aquele casamento.
[...]
— Cerca de um mês atrás;
Sabo caminhava tranquilo por seu quarto, pegava suas roupas favoritas e as mais bonitas que tinha também. Ele e Ace, seu irmão mais velho, tinham sido convidados por um palestrante de outra cidade para fazer passar um mês na cidade dele.
Sabo fazia jornalismo, enquanto Ace fazia Artes, ambos na mesma universidade, e agora Yamato, estudante de Direito, que tinha os convidado para passar um tempo na cidade dele, antes que ele mesmo pedisse transferência para cidade atual dos irmãos.
Yamato era um amigo de longa data dos três irmãos, mas como Luffy não fazia faculdade nenhuma e a desculpa dele era que haveria palestras interessantes, não fazia sentido levá-lo.
Sabo estava tranquilo em relação a deixar Luffy sozinho em casa, já Ace…
— Sabo! — berrou Ace, entrando no quarto pela décima vez no minuto. — Completa certeza que dá pra deixar o Luffy sozinho em casa por mais que alguns minutos?
— Sim — respondeu calmo enquanto dobrava uma de suas camisetas, uma azul escuro com estampa de nuvens. Ele adorava aquela. Sorriu, pensando em combinações de roupas às quais ficava um gato, como Luffy dizia.
— Tem certeza? — Ace agora estava deitado em cima de sua mala, fazendo um cara de cachorrinho pidão na direção de Sabo.
— Já discutimos isso — empurrou o irmão pra voltar a arrumar sua mala. — Com dinheiro e longe do fogão, o Luffy sobrevive sem a gente, agora vai terminar de dobrar suas roupas, Ace.
Sabo tinha razão sobre isso, Ace e o próprio Luffy sabiam disso, mas será mesmo que isso daria certo? Luffy sobreviveria sem eles?
[...]
Faziam vinte e cinco dias que os irmãos tinham ido encontrar e passar um tempo com Yamato na cidade vizinha. Vinte e cinco dias, quase um mês, que Luffy estava morando sozinho, fazendo nada mais que dormir, comer e cagar.
A famosa santa trindade de um preguiçoso. Justamente o que ele era.
Mas tinha um problema, e era grande, muito grande o problema. Fazia cerca de uma semana que o dinheiro tinha acabado e as últimas coisas que Luffy tinha comprado com os últimos centavos que tinha foi miojo.
Então sim, da forma mais dramática possível, Luffy estava vivendo de miojo. E das bolachas velhas da dispensa de casa. Arroz? Macarrão? Feijão? O quem sabe a carne no congelador? Era melhor nem mexer, não queria tocar fogo na casa.
Tudo certo por enquanto, ele ainda tinha uns 30 pacotes de miojo e podia ligar pra Sabo lhe dar dinheiro, certo? Não, porque Sabo não respondia faziam cinco dias.
As mensagens chegavam mas ele não via, e as ligações só tocavam, ele não atendia. Luffy choramingava pelos cantos da casa sem saber o que fazer, só pra então cozinhar outro miojo no microondas e ir dormir com fome ainda.
Até aquela terça-feira, dia ensolarado, até tinha piscina em casa mas e o medo de a churrasqueira pegar fogo se tentasse assar carne? Se ela pegava fogo com Ace, que era experiente com churrasco, imagine com ele.
Decidiu ir andar, quem sabe uma alma caridosa não tromba com ele, ou ele não encontra com Zoro, Usopp ou Nami por aí e eles lhe pagam um lanche por caridade.
Só que andou, andou e andou. Depois andou mais um pouco, e chegou numa cafeteria perto do seu bairro, as pessoas entravam para ler e tocar café, ele descobriu que se estivesse lendo poderia pegar uma xícara de café de graça, mas café não enche barriga, pensou.
Já ia dar meia volta quando viu um moço indo jogar fora um sanduíche, correu e segurou a mão dele, que lhe olhou com uma cara de desconfiado.
— Oi?
— Não joga isso no lixo, moço — Luffy respondeu mas, nem olhava pro moço, só encarava aquele pão. — Tem gente com fome, sabia?
Ao ouvir isso, o moço que estava jogando o pão no lixo, resetou seu corpo e afastou sua mão do latão, logo passando a entregar o pão pro mais baixo. Sua expressão de confusão tinha se suavizado e ele parecia mais, na verdade, menos irritado.
— Se quiser pode ficar com ele, não como pão e erraram meu pedido — ele falou, encarando aquele garoto do chapéu de palha e Luffy, que ainda encarava o pão que agora estava em suas mãos, vibrou de alegria, finalmente comeria algo que não fosse só macarrão instantâneo. E caso Luffy olhasse pro mais alto, poderia ver que esse estava quase sorrindo. — Quer sentar comigo?
Por que tinha convidado um desconhecido pra sentar consigo, pensou o moço mais alto. Certo que Luffy era fofo e já tinha praticamente implorando pelo o sanduíche que agora estava já na sua boca, os olhos grandes e pidões tinham amolecido seu coração e agora ele queria pagar mais comida pro outro, só podia ser isso.
— Você devia deixar de ser tão emocionado — disse baixinho pra si mesmo, virando o rosto pro outro lado.
— covcê disse yalguma caios? (você disse alguma coisa) — perguntou Luffy ao seu salvador, com a boca cheia enquanto tentava mastigar desesperadamente aquela quantidade de comida sem deixar nada cair.
— Não, não disse.
Agora estavam sentados na mesa, a mesma que o homem que agora sabia se chamar Trafalgar — que virou torao — Law estava sentado antes, e Luffy já tinha comido mais três sanduíches e estava atualmente, no quarto.
Law não parecia preocupado em pagar todos aqueles lanches para um total desconhecido, na verdade, parecia relaxado de ver o mais novo comendo. E ele realmente estava, para Law, Luffy comia com tanta vontade, como se estivesse realmente comendo depois de ter passado fome por muito tempo, que ele esquecia de todos seus atuais problemas familiares e exaustantes.
— Você me disse que estava sobrevivendo a base de miojo, aconteceu alguma coisa pra ter chegado nessa situação? — não estava curioso de verdade, só queria puxar assunto, vê-lo comer era mais interessante que conversar.
—vé qeu zos meus irmnãos — mastigou mais um pouco — foram pssahar rum mêts em outra ciidade e me ldeixaram wsozinho com algum enigdhiro aí o dinheiro acabodu e eu fciquei comemndo imojo ( é que os meus irmãos foram passar um mês em outra cidade e me deixaram sozinho com algum dinheiro aí o dinheiro acabou e eu fiquei comendo miojo) — Luffy falava enquanto comia e isso já estava irritando Law. Nem ele mesmo sabia como entendia o que outro queria dizer de boca cheia, só entendia.
— E seus irmãos ainda não voltaram? — ele pegou um lenco de papel e limpou a sobrancelha de luffy, se perguntando como os farelos de comida tinham chegado até ali — Eles não deveriam deixar uma criança sozinha por tanto tempo.
— Eles voltam no domingo ou na segunda, — falou, agora de boca vazia, levou a mão até o suco de Law e puxou o copo pra beber — E eu não sou uma criança, tenho vinte e dois anos, tá legal?
Rindo pelo nariz, Law pegou seu garfo novamente e levou um pedaço de torta a seus lábios, saboreando o sabor do morango e do creme, só puxar seu copo de suco das mãos de Luffy e beber, como se não fosse nada, como se não fossem dois desconhecidos dividindo um mesmo copo.
— Quer pedir mais alguma coisa?
— Já enchi, mas valeuzão por pagar comida pra mim, nunca vou esquecer cara — ele sorria e fazia sinal de ‘positivo’ com o polegar de ambas as mãos na direção de Law.
— Disponha.
Luffy continuou sentado, então os pensamentos foram pela cabeça de Law, nunca mais veria aquele sujeito outra vez, então por que não desabafar? Tinha todas aquelas coisas passando por sua cabeça e seu psicológico estava simplesmente fudido, não queria casamento nenhum.
— E se, — falou alto, conseguindo a atenção daqueles olhos esbugalhados sobre si rapidamente — você estivesse sendo obrigado a fazer algo que você não quer, o que você faria?
Luffy pareceu pensar um pouco, o dedo indicador batia e batia no topo de seu nariz, exatamente entre seus olhos que estavam meio fechados, meio abertos, e sua testa e orelhas pareciam ganhar cada vez mais uma tonalidade avermelhada. Law já estava impaciente, já se arrependendo de ter perguntado aquilo, quando Luffy respondeu.
— É como o Zoro fala: — fez um pausa e Law pensou que ganharia um conselho qualquer, todos os mesmo conselhos que seus amigos tinham dado antes, esperou tudo menos o aquilo — “Nada que socão bem dado não dê jeito”, mete um socão assim — gesticulava com o punho cerrado, como se estivesse dando um soco em alguém, de cima pra baixo — na boca da pessoa, que ela fica desorientada e te deixa em paz.
Luffy deixou de fazer a cara de antes e afrouxou o punho, encarando Law com um sorriso bonito no rosto. Law estava boquiaberto, totalmente surpreso, como se ele tivesse ganhado um soco na boca.
— Como nunca pensei nisso antes — disse irônico, com os olhos arregalados, tão abertos que ameaçavam lacrimejar. Luffy não pareceu entender a ironia.
— Não é? — exclamou feliz — Se você quiser, eu mesmo dou um socão na pessoa! — disse sorrindo já com os punhos cerrados outra vez socando o ar, uma moça passou com os olhos arregalados por eles e Law quis rir alto, por que aquele tipo de coisa só acontecia com ele?
— No caso, não consigo resolver esse problema com um soco — tentou explicar. Não pareceu dar muito certo.
—Então dê dois! — disse empolgado, Law sentiu uma lágrima escorrer por seu rosto do lado esquerdo, mas Luffy não deixou ele falar nada — Ou três, ou quatro. Quantos socos forem precisos, você enche a pessoa de bolacha até ela parar de te encher!
Law ficou encarando aquele ser humano curioso, que tinha comida como se fosse cinco pessoas, bebido no mesmo copo de suco que ele e que dava os piores conselhos do mundo. Luffy era especial só podia.
Ficou tentado a explicar que socos não resolveriam aquela situação, mas ficou com medo dele dizer “então chutes!”. Respirou fundo, deu o maior suspiro que já tinha dado na vida toda e passou a contar o que estava acontecendo em sua vida.
Num resumo básico, Law era o herdeiro dos Water, uma família muito grande, famosa e riquíssima, cuja herança era passada de avô para neto, e ele foi o escolhido da vez. Tudo bem até ali, quem negaria uma herança milionária?
Mas a condição principal, além das outras condições mínimas, era de que se casasse antes do trinta, como uma demonstração de responsabilidade.
Law não queria um casamento, então passou os anos depois dos vinte e cinco, fugindo de qualquer coisa que pudesse dar uma brecha para seus pais arrumarem um casamento arranjado para ele. Só que sua mãe foi mais inteligente, usou Rosinante — um amigo pessoal e extremamente íntimo de seu filho — para persuadi-lo a se casar com quem quer que fosse que escolhessem.
E agora tinha vinte e nove anos, quatro meses até seu aniversário e um possível casamento estava para ser marcado, onde ele seria o noivo e possivelmente Boa Hancock, Vinsmoke Reiju ou Nico D. Robin, uma delas seria sua noiva, isso se não arranjasse outra mulher pelo caminho.
Luffy não estava prestando atenção em nada, ouviu a palavra casamento e depois mais nada, parecia no mundo na lua enquanto comia os últimos resquícios da torta de morango que Law deixou de lado. Law encarou aquele pequeno serzinho e teve raiva, poxa só queria desabafar.
— Você ouviu tudo que eu disse? — perguntou indignado.
— Sim, casamento né, é só dizer ‘não’ no altar — disse com a voz esbanjando desinteresse, na verdade, nem estava olhando pra Law, encarava mesmo era o prato vazio. Aquele problema de não querer casar não era interessante para si, na verdade, nem acreditava que esse tipo de coisa acontecia de verdade.
— O fatidico dia do casamento de Nico Robin e Trafalgar Law;
Casa dos Monkey;
Sabo fazia o café, Ace lia qualquer coisa no ipod e Koala escrevia as fofocas no seu bloco de notas. Era de manhã, hora do café da manhã, primeiro refeição do dia e os três só esperam Luffy sentia o cheiro da comida e descer. O que não demorou muito.
Fazia uma semana que tinham voltado e, uma mochileira chamada Koala estava hospedada na casa deles. A verdade era que, a garota discordava de tudo que a mãe queria que ela fosse, então quando chegou na maioridade, resolveu sair de casa e viver a vida pelo mundo como uma mochileira.
Agora já não parecia que ela sairia mais da cidade em que estava agora, o cara loiro de regata branco que fazia café tinha roubado seu coração e, agora não conseguia se ver sem acordar do lado dele e ver aquela carinho de besta enquanto ainda estava meio sonolenta, especialmente depois de ter dormido e acordado com Sabo durante quase um mês inteiro. Não se via sem ver o outro, basicamente boiola, como Ace disse.
Koala curtia jornalismo, na verdade amava fofoca, e foi assim que ela e Sabo se descobriram amigas de fofoca e não se largaram mais. Até o ponto do irmão do meio querer trazer ela pra morar com eles, já tinha trago, só faltava ela saber que agora não podia mais ir embora.
Luffy não demorou a descer, sentou no corrimão e escorreu até a ponta da escada, praticamente correu até a cozinha e se sentou do lado de Sabo que tinha acabado de terminar o café.
Suas mãos eram rápidas em pegar qualquer comida pela frente e aos poucos ia acordando enquanto comia do seu prato, do de Ace, Sabo e até do de Koala. Seus olhos já estavam totalmente abertos e, foi quando começou a comer seu oitavo pão com ovo que finalmente se deu como totalmente acordado.
Koala tomava suco quando Ace deu um grito e apertou seu braço, o resultado foi Sabo e Luffy todos respingados de suco de manga. Luffy pareceu nem perceber e Sabo limpou seu rosto, meio irritado. Ele já era acostumado com os gritos de Ace durante o café da manhã, era a hora do dia que ele escolhia pra ver fofocas, e Ace não conseguia ser discreto, gritando por qualquer coisinha.
Por que se Sabo fazia faculdade de jornalismo, Ace era um completo fofoqueiro cara de pau que alimentava a arte da fofoca no irmão também.
— O que foi, seu louco? — Koala falou dando um tapa na nuca de Ace, que pouco se importou e mostrou a tela do ipod pra ela, que deu um grito e olhou pra ele com os olhos arregalados — EU SABIA! EU SABIA! EU DISSE PRA VOCÊ, PORRA!
— AAAAAAAA MERDA, NÃO ACREDITO QUE VOCÊ TINHA RAZÃO! — gritou de volta, Sabo sentia sua testa quente de irritação e ao invés de gritar, só saiu da cozinha, querendo ignorar os dois. Mas voltou quando lembrou que não tinha terminado de comer e ainda estava com fome. Ace pareceu perceber a irritação do loiro e sorriu zombeteiro — Não vamos mais gritar, tá bom, senhor sensível?
— Obrigado, e afinal, o que vocês viram pra gritar tanto? — perguntou, por que, como dito antes, também era fofoqueiro, Ace e Koala se entreolharam e riram da curiosidade do outro — Vamos lá, me conte! Vocês sabem que fofoca contada pela metade matou o fofoqueiro — disse bebendo seu café.
— Então você admite ser fofoqueiro? — Ace brincou.
— E tem alguém que não é fofoqueiro nessa casa? — perguntou Sabo sorrindo, enquanto segurava sua caneca de café em frente aos lábios avermelhados — O Luffy não conta.
— Eu tinha razão! — começou Koala super empolgada e todos os olhares foram pra ela, bem, menos o de Luffy que encarava seu pão com ovo e queijo, então ela prosseguiu — Tinha uma fofoca muito pequena que tava todo mundo falando desde do ano passado, acontece que Nico D. Robin e Trafalgar D. Water Law vão se casar hoje, tipo, daqui a cinco horas!
— É tipo o evento do ano! — completou Ace — Os Water tem muito dinheiro e os Nico são praticamente os donos de qualquer fonte de comunicação, são duas famílias ricas e — Ace falava rapidamente, Sabo respirava fundo pra conseguir acompanhar — São dois D, as pessoas estão loucas falando sobre isso!
— Agradeço todos os dias por vocês dois serem totalmente desconhecidos pela mídia, esse lance de D é muito chato — Encarou Ace e quando foi encarar Luffy, encontrou ele de olhos arregalados e boca aberta, o café com leite escorrendo e caindo em suas pernas e depois no chão — Luffy?
Koala e Ace encararam o mais novo também. Ele parecia catatônico, totalmente estático, nem expressão e paradão. O que poderia ter acontecido? Sabo largou o café e agarrou os ombros do irmão mais novo, o sacudindo mas ele nem dava sinal de que voltaria ao normal.
Ace chegou um copo d’água e jogou no rosto de Luffy, a água entrou pela boca e nariz e escorria como se ele não tivesse nem sentido. Mas segundos depois, seus olhos piscaram e ele disse, bem alto:
— CARALHO!
— Duas horas e quarenta minutos depois;
Os tabloides virtuais repassavam a notícia sem pausa, as manchetes eram sensacionalistas, coisas como “O casamento do ano” ou “O casal do ano”, “casal perfeito” circulavam repetidas e repetidas vezes nas postagens do instagram.
Luffy tinha decidido. Iria impedir aquele casamento, digo, ele tinha visto aquele mesmo homem da foto dizer que não queria aquilo, e agora que sabia que era verdade, por todo aquele burburinho de Ace e Koala, ele não deixaria o cara que lhe pagou lanches ser obrigado a fazer algo que não queria.
Não tinha um plano muito bom, o objetivo era simples, mas tinha muitas câmeras, se ele simplesmente entrasse na igreja e roubasse o noivo, uma confusão começaria e ele nunca ia sair daqui sem, no mínimo, ser preso.
Chegou na igreja que a matéria dizia ser a que haveria o casamento e encontrou um homem loiro na porta, Ace e Sabo estava um pouco afastados, então Luffy aproveitou para então se aproximar do desconhecido, ele parecia confiável.
— Oi.
— Olá — O homem sorria, tinha uma aparência muito adorável, o que contrastava eram o cigarro na boca, o sobretudo enorme de penas pretas e a voz extremamente grossa — Posso te ajudar?
— É aqui o casamento do Law? — perguntou como quem não queria nada.
— É sim, você é amigo dele? — Rosinante, ou o cara loiro, parecia interessado em quem quer que fosse o rapaz que perguntava por Law.
— É o seguinte, eu tenho um plano.
[...]
Foi assim que chegamos no momento atual, onde Rosinante tinha sumido da porta da igreja e agora seguiria o plano de Luffy.
Luffy chegou perto de Ace e Sabo, Koala observava a igreja, que começava a se encher de pessoas, cada vez mais e mais câmeras apareciam e ela conversava com os seguranças que guardavam a porta.
Foi quando viu Law entrar na igreja, ao longe percebeu que era ele, que Luffy decidiu que agiria naquele momento, ou perderia tempo demais, deveria confiar em Corazón e fazer a sua parte do seu próprio plano.
— Ace, Sabo! — chamou —Preciso da ajuda de vocês, fiquem aqui, do lado esquerdo da igreja e não saiam até um cara loiro com um casaco preto de penas entregar uma mochila pra vocês, não mexam na mochila e esperem com ela de um jeito que eu consiga pegar ela enquanto corro.
Sabo e Ace até tentaram questionar, mas Luffy saiu correndo na direção oposta a que tinham vindo e seguiu observando o movimento dos carros, por que se Corazón estivesse certo, a noiva viria em uma limousine branca por aquele lado.
Luffy não fazia ideia de como era uma limousine, só sabia que era um carro comprido, parou de correr quando o sinal parou, todos os carros ficaram esperando ficar verde e enquanto isso Luffy observava eles, tentando achar um carro comprido.
Achou na outra ponta da calçada um carro branco e comprido, na janela um moça de cabelos negros olhava ao redor e ela estava usando um vestido de noiva!
Correu em direção ao carro e iniciou, finalmente, seu plano.
A moça pareceu confusa em ver Luffy ali, mas ele a ignorou e foi em direção a porta do motorista, deu um murro na boca dele, que caiu deitado pro banco do passageiro e entrando no carro, rasgou um pedaço da roupa dele pra prender seus punhos juntos e tirou sua meia pra enfiar na boca dele.
Nico D. Robin, a noiva, não pareceu notar que estava praticamente sendo sequestrada naquele momento, ela só pensava no rapaz que tinha a encarado com uma expressão raivosa, quem seria ele?
Luffy deu partida no carro assim que o sinal ficou verde, Robin fechou a janela e tomou mais uma taça de espumante, pensando agora em seu casamento. O carro então parou mais uma vez, e o mesmo garoto que tinha visto alguns minutos atrás saia do banco do motorista e entrava sorrateiro na parte onde ela estava.
— Já estamos na igreja? — ela perguntou, pensando se tinha sido sequestrado ou o que quer que tivesse acontecido pra ter um desconhecido ali com ela quando deveria estar se casando, ainda que com outro desconhecido.
— Sim, e você vai me entregar o vestido! — exclamou Luffy, deixando a morena surpresa, ele queria o vestido? Ou queria vê-la nua? Se fosse isso, que pena, um rapaz tão novo fazendo esse tipo de coisa. Luffy pareceu pensar melhor, enquanto a morena se despia e começou a tirar sua roupa também. Robin arregalou os olhos, não podia acreditar. Diziam que o dia de seu casamento era um dia único, mas não esperava tantas coisas inusitadas assim.
O motorista continuava desacordado, na verdade, parecia ter dormido depois do socão que Luffy deu nele. Então uma moça vestida com um vestido de gala acobreado veio abrir a porta para a noiva, que saiu já com o véu cobrindo seu rosto.
O pai de Robin tinha se oferecido, e sua mãe também, para levá-la até o altar, mas a morena negou afirmando que era bem mais bonita a marcha quando a noiva fazia sozinha, era mais bonito para os tabloides e revistas, e aquele casamento era puramente um negócio.
Agora, a noiva andava graciosa, com seu vestido branco e rendado, os pés erraram os passos e os convidados pareciam achar lindo, que ela estivesse tão nervosa para seu casamento.
Trafalgar não queria nem olhar, era sua noiva, era. Mas ele não queria vê-la, não queria pensar sobre, então apenas encarou o teto da igreja até que a mulher vestida totalmente de branco estivesse ao seu lado.
Já sentia as luzes dos flashes em seu rosto, os fotógrafos estavam a mil com aquele grande evento, enquanto que Law estava a mil também, a mil de ter um belo de um infarto antes mesmo de dizer sim — ou não, como disse Luffy —, lembrou-se dele e se permitiu sorrir um pouco.
O garoto fazia falta, digo, tinham se passado cerca de dez dias desde que o viu pela primeira e única vez e, não conseguia parar de pensar nele todas as vezes que via pão ou qualquer coisa fofinha. Tinha que parar de ser emocionado.
Encarou sua noiva, isso depois de alguns segundos de preparação, ela parecia meio torta? E estava tirando meio bamba também, será que ela gostava dele? Law pensou, se fosse isso, só pioraria as coisas.
O padre apareceu e cumprimentou a todos na igreja, os noivos não deram a mínima pra ele, a noiva estava toda desengonçada e Law encarava ela, confuso.
O Padre abriu o livro e já ia começar a cerimônia quando a mão da noiva, vestida com aquela luva de cetim branco pousou sobre as páginas, ela se aproximou e falou com ele.
— Padre — A voz saiu baixa mas Law ouviu, e quis chorar. Que voz fina era aquela. O Padre respondeu “sim, minha filha” — Ontem eu fiz um pacto com Belzebu, só queria saber se ainda posso me casar na igreja, por que aqui dentro, fico sentindo um fogo, sabe? O senhor já passou por isso?
Que história era aquela? Law e o Padre, os únicos que tinham ouvido aquela história, agora tinham seus olhos arregalados, totalmente surpresos — e horrizados, nesse caso, só o padre — com as palavras da noiva. Todos ali presentes encaravam a cena dos dois olhando incrédulos para a figura vestida de branco.
— O que você disse, senhorita? — O Padre tentou saber se não tinha ouvido errado. A noiva se aproximou e falou baixinho, novamente não tão baixinho pra que Law deixasse de ouvir, então ele prestou atenção também.
— Ontem, fiz um pacto com beelzubu, e também fiz sexo com ele, mas como ele é um demonio, acho que não conta como sexo de verdade, né? — O Padre parecia que ia começar a espumar, Law estava ficando maluco ou que? O que aquela mulher estava dizendo? — Ai padre, o pau dele era tão grande! — ela colocou as mãos sobre o rosto, como se estivesse com vergonha, e dessa vez só o padre ouviu e Law ficou super curioso sobre o que a mulher tinha falado, principalmente, depois do padre ter ficado branco feito papel.
— MAS O QUE É ISSO NA MINHA IGREJA? SAIA JÁ DAQUI — ele gritou furioso, fazendo todos se encolherem e ficaram horrorizados com um padre gritando.
— Ai Padre, tudo bem, que fogo é esse! — a noiva dessa vez falou alto, — Eu saio, mas vou levar isso aqui! — Law foi pego no colo, como se ele fosse a noiva e quando menos esperou, estava sendo carregado por sua noiva pra bem longe do casamento, e claro, da igreja.
Do lado de fora, Sabo e Ace seguravam a mochila que o tal Corazón tinha lhes entregado, este que estava junto com eles, esperando alguma coisa.
Os gritos começaram a ser escutados de dentro da igreja e os três ficaram alarmados quando viram a figura da noiva, totalmente vestida de branco, com o noivo nos braços sair correndo de dentro da igreja.
Inesperadamente, ela pegou a mochila das mãos de Sabo e saiu correndo como se sua vida dependesse disso, Luffy era muito maluco, pensou Corazón.
Mas tudo correu exatamente como no plano.
Os pais dos noivos saíram da igreja e quando menos esperavam, o rosto sorridente de Nico D. Robin apareceu na janela do carro. Olívia se aproximou preocupada e perguntou se estava tudo bem, Robin apenas sorriu e disse:
— Acho que o casamento vai acontecer em outro lugar.
[...]
Ali perto da igreja, ficava o cartório central da cidade e era ali que Law encarava Luffy, agora sem o véu, vestido de noiva, numa fila mexendo dentro da mochila como se procurasse alguma coisa.
— Não acredito que você fez isso — sua voz saiu baixa e calma, apesar de tudo, pelo menos se livrou do casamento arranjado.
— Pois devia acreditar, segura —Luffy entregou uma caixinha, que foi aberta pelo mais alto, era um par de alianças, antes que ele pudesse verbalizar qualquer pergunta, a vez deles chegou — Casamento.
— Boa tarde, — disse o garoto de cabelo rosa, ele parecia muito novo pra trabalhar num cartório — Casamento? O senhor tem testemunhas?
— E precisa disso? — Luffy olhou ao redor e puxou Law pra segurar a fila pra ele, caminhou até um cara de terno e gravata, parecia um… — Abacaxi, você pode ser a testemunha do meu casamento?
Todos olhavam assustados para aquela cena, afinal era um cara vestido de noiva, falando descaradamente com o filho do dono do banco da cidade, nada mais nada menos que Newgate Marco, ou abacaxi, como Luffy chamou.
— Claro — ele pareceu achar divertido, ao menos tempo, foi ouvido do lado de fora do lugar uma voz alta “acham o Trafalgar, ele não pode fugir do casamento, não deve ter ido muito longe”, o que fez Luffy e Law arregalaram os olhos. — Homens, protejam o lugar, não deixem ninguém atrapalhar o casamento do meu amigo.
Marco sorria, ele era um homem muito generoso e tinha ido com a cara do cara vestido de noiva, ele parecia empenhado em fazer o que fazia, seja lá o que fosse. Parecia importante pra ele.
— Thatch, venha também — chamou Marco.
Assim ocorreu o casamento de Law e Luffy, que casou vestido de noiva e quase mudou seu registro sem querer pra feminino, ainda bem que Law foi mais rápido e tirou eles dali. No final, pegaram um taxi e foram comemorar num shopping qualquer do outro lado da cidade.
Agora eram marido e marido, até que a morte os separe. Ou até que Law mate Luffy.
[...]
Law e Luffy agora estavam na praça de alimentação do Shopping, tinham comprado roupas e colocado aquelas outras em sacolas, que carregavam pelo lugar. A fofoca do casamento rolava solta, mas eles estavam disfarçados — de óculos escuros e anéis combinando — e sentados perto do McDonalds.
— Como você tinha meus documentos? — perguntou Law.
— Corazón, — falou e Law soube que precisava agradecer ele, agora tinha uma fortuna nas costas, não precisava se preocupar com casamento arranjado, e claro, tinha Luffy pra alimentar, mas isso era o de menos — Caralho, to cagado de fome — exclamou Luffy, e Law agradeceu por ter levado sua carteira pro casamento.
Luffy analisava o cardápio com precisão, pelo sua cabeça passava apenas uma ideia, pedir o cardápio inteiro, mas ele não queria fazer isso fora de casa, então pensava no que comeria primeiro. Seu celular tocou e ele lembrou que tinha colocado o aparelho na mochila.
Nem olhou quem era, apenas atendeu.
— MONKEY D. LUFFY, VOCÊ SE CASOU???? — Era Sabo, gritando histérico, tinha perdido o controle total.
Law encarou Luffy surpreso, tinha ouvido o grito e agora tinha confirmado que Luffy era um D. também.
Não teve jeito, os D. sempre arrumavam confusão, tinha se casado com um, de qualquer forma, afinal de contas.
— Ô do chapéu de palha, — Law chamou a atenção de Luffy, e sorrindo lhe agradeceu — Obrigado.
— De nada, maridão.
[...]
A manchete que saiu nos tabloides e a fofoca que geral comentava era: Trafalgar D. Water Law havia se casado com outra pessoa. Monkey D. Luffy, filho de Monkey D. Dragon— um grande empresário e ativista internacional famoso — tinha, literalmente, roubado o noivo do altar e isso foi um evento muito maior do que se esperava.
Era muita coisa pra digerir.
— Eu nem consigo gritar da fofoca de hoje.
Ace parecia desanimado no café da manhã, o ipod largado entre suas mãos e a cara de desgosto, Luffy abraçava Law e comia junto com ele. Fazia uma semana desde o casamento mas os irmãos, e Koala, já queriam cancelar tudo.
— Se com uma semana é assim, imagine depois.
