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Teus pensamentos

Summary:

Quando são atingidos por uma maldição dos deuses, dois semideuses terão que aprender a compartilhar uma mesma mente, mas tendo sentimentos secretos um pelo outro, a telepatia pode ser um perigo.

Notes:

Eu não sei como vai ser isso. Estou escrevendo há meses, mas ainda estou no terceiro capítulo (escrito, não postado). Irei fazer um teste postando aqui para ver se gostam e talvez, em breve, eu possa posta-lá no meu spirit (clacat).

(See the end of the work for more notes.)

Chapter Text

Nico acordou na total escuridão. Por poucos segundos se perguntou onde estava, mas logo lembrou-se dos acontecimentos do dia anterior.
Will o convidou para passar alguns dias na enfermaria e ele, por algum motivo, aceitou.
As cortinas do local estavam fechadas, não deixavam nenhuma luz entrar. Nico estranhou. Os filhos de Apolo adoravam a luz que o Sol emanava. Por que escondê-la? Sua pergunta foi respondida por Will, que entrava no quarto.
— Por que todas as cortinas estão fechadas? – perguntou o filho de Hades.
— Bem, você está acostumado com a escuridão do chalé 13. Pensei que, fechando as cortinas você se sentiria mais confortável. – respondeu Will com um sorriso carismático no rosto.
Nico gostou da gentileza do mais velho por ter se lembrado disso. Acenou com a cabeça, enquanto saía da cama.
— Estive pensando em comer antes de começarmos os exames. – contou Will – Você poderia sentar-se na mesa do chalé 7.
Nico o olhou com a sobrancelha arqueada.
— Se quiser, é claro. – complementou o loiro.
— Isso não é contra as regras?
— Não acho que meu pai se importaria, não nas atuais circunstâncias... – ele murmurou a última parte.
— Quiron não iria brigar conosco?
— Ah, verdade. – lamentou – Então deixamos para a próxima.
Nico assentiu, um pouco desconfortável.
— O banheiro fica naquela porta à esquerda, vou te esperar lá fora. – disse Will, inesperadamente.
E assim, o filho de Apolo saiu, deixando Nico para trás. O garoto rapidamente se adiantou para a porta onde se encontrava o banheiro.
Ao sair; Will o esperava sentado na frente da enfermaria, ele observava Austin, que ao longe parecia tentar tocar um saxofone com um teclado, ao mesmo tempo.
Filhos de Apolo são tão estranhos. Pensou Nico, antes de suspirar e caminhar até o Solace.
Ele não pareceu ter percebido o moreno se aproximar, acabou se assustando ao ouvi-lo limpar a garganta.
— Vamos? – perguntou Nico.
Will sorriu, acenando com a cabeça, enquanto começava a andar. Nico o acompanhou e eles andaram lado à lado até o pavilhão, onde se separaram e foram cada um para a sua mesa.
Nico sentou-se na mesa do chalé 13, se sentindo solitário pela primeira vez desde que voltou para o acampamento. O jovem semideus estava acostumado com isso, é claro. Mas por um momento, ele sentiu saudades de Hazel. Se ela estivesse ali, ele não comeria sozinho.
Ou se Bianca estivesse ali... Ele não se deixou completar seu pensamento.
Bianca estava morta! E mesmo se não estivesse, iria continuar sendo uma caçadora de Ártemis. Não estaria com ele naquele momento.
A morte dela ainda o afetava bastante, mesmo ele negando isso para qualquer um que perguntasse. Acima de tudo, ela era a irmã dele, alguém que o protegeu desde o início. Não poderia esquecê-la nem que se passassem anos, décadas, séculos.
Bianca di Angelo era uma memória inesquecível.
Uma página do seu passado que não poderia ser rasgada ou apagada, porque Bianca era eterna.
Seus pensamentos pararam ao sentir um par de olhos o observarem. Will olhou-o com receio, como se estivesse tentando entender o que se passava pela sua cabeça.
Nico o olhou nos olhos, o que foi meio complicado. Já que ambos estavam muito distantes um do outro.
O loiro sorriu, enquanto o outro apenas desviou o olhar, sentindo suas bochechas esquentarem.

•••

Nico e Will se encontraram não muito tempo depois na frente do pavilhão.
O filho de Hades estava incomodado com a proximidade entre os dois. O outro parecia muito empolgado em Nico estar ali, contando-lhe todos os seus planos feitos para aquele dia.
Ainda era estranho andar pelo acampamento; ser cumprimentado. O moreno nunca tinha se sentido tão bem-vindo naquele lugar, talvez seja apenas gratidão. Algum dia ele acordará e ninguém mais irá querê-lo lá.
Não, Nico! Ele pensou. Não siga essa linha de raciocínio. Agora você tem Jason, Reyna, Hazel e muito provavelmente Will.
Ele não estava muito acostumado a se apegar às pessoas, não depois da morte da irmã. Ele tinha medo de perdê-los.
Ele via a tristeza nos olhos de Jason, a saudade; a angústia que o loiro sentia sempre que citavam Leo. Nico sabia como ele se sentia, sentira a mesma coisa com Bianca.
— Nico, tudo bem? – perguntou Will.
Ele tinha viajado em seus pensamentos, parado no meio do caminho com um olhar vazio.
— Ah, sim. – disse tímido – Desculpa.
Will sorriu, voltando a andar.
— Não tem problema.
Assim que entraram na enfermaria, o filho de Apolo o guiou para uma marca, pedindo-lhe para esperá-lo, que em breve voltaria.
Nico olhava para seus pés, que balançavam tão longe do chão. Ele se sentia baixo, mesmo tendo 1,67. Aquilo era uma boa altura para a sua idade, certo? Bem, não era isso que Will achava. O loiro passou os próximos minutos falando sobre criar uma dieta saudável para o melhor desenvolvimento do corpo de Nico.
O moreno não se lembrava de muitas idas ao médico, mas mesmo assim; aquela estava sendo a mais entediante.
A cada nova ferida curada; a cada nova queimadura tratada, Nico se sentia mais exposto. Era desconfortável ver um garoto da sua idade – ok, Will era um ano mais velho. Mas aquilo não era grande coisa – analisando seus machucados. Principalmente se o garoto faz você ter sentimentos estranhos, sentimentos que não deveria ter.
Nico se lembrou de Percy e de Angelo, suas primeiras quedas. Percy tinha sido algo passageiro, irracional. Apenas um delírio de sua cabeça. Já Angelo... O sentimento que está sentindo por Will, se aproxima bastante do que sentiu por Angelo. Ele era um garoto moreno de olhos verdes que estudava na sua escola, ainda na Itália. O garoto – agora homem – provavelmente já tinha família e netos, talvez até estaria morto. Afinal, anos se passaram. Todos envelheceram, menos Nico.
As vezes se pega pensando na Itália, nos seus antigos amigos; na sua mãe. Ele sente falta, muita. Se pergunta se algum dia será tão feliz quanto foi na época que morava na Itália.

•••

Alguns dias já se passaram. Dois para ser exato. Nico estava começando a se acostumar com a presença frequente de Will. O garoto loiro fazia questão de estar ao seu lado vinte e quatro horas por dia. Normalmente seria estranho, mas – por algum motivo, que ainda não descobriu – o filho de Hades gostou. Will era uma companhia agradável. Não fazia sentido ele querer tanto ficar ao lado do moreno.
De qualquer forma, hoje será o último dia. Ambos estão nervosos sobre isso. Will principalmente, ele tem medo de algo mudar. Deles se distanciarem por causa de seus afazeres no acampamento; de Nico perceber o quão irritante ele é; dele enjoar.
— Vamos trocar as ataduras? — foi a primeira coisa que disse ao entrar na enfermaria.
— Não vamos tirar hoje? — perguntou Nico, ainda com voz de sono.
Will teve que tirar alguns segundos para apreciar os cabelos macios de Nico, bagunçados após acordar. —— Não o julguem, ele tem um crush naquele menino desde que o viu chutar a bunda de alguns monstros na batalha contra Cronos.
— Eu irei tirá-los hoje à noite. — respondeu após alguns segundos.
— Hoje à noite... — Nico repetiu, em um quase murmúrio.
— Algum problema? — perguntou Will, que não tinha conseguido escutar a frase do moreno.
— Não é nada. — respondeu abaixando a cabeça, enquanto deixava o outro trocar as ataduras.
No almoço, Will entrou sorridente na enfermaria. Aquilo não era nada fora do normal, mas de alguma forma, Nico sabia que Will tinha algo para lhe contar.
— Adivinha?
— O que?
— Consegui autorização para você se sentar na mesa sete. — disse de uma forma tão alegre, que Nico quase se sentiu mal por sua reação tão sem sal.
— Oh...
Will parou de sorrir e coçou atrás do pescoço.
— Se você quiser eu posso falar com Quiron. Isso provavelmente foi uma má ideia, deveria ter perguntado para você. Desculpa, Ni-
— Como você conseguiu convencer Quiron? — Nico interrompeu.
Will olhou assustado para o outro garoto na sala.
— Hã, bem... Eu disse que percebi problemas de humor em você, que se você não ficasse com uma pessoa por perto poderia acabar invocando zumbis e essas coisas. — contou envergonhado.
Nico se obrigou a segurar uma risada.
— E ele acreditou nisso?
— Não, mas sabia que eu iria insistir. — disse o Solace com um sorriso envergonhado.
Nico se levantou da cama e colocou-se ao lado do loiro.
— Então, vamos para a mesa sete.
Ao cair da noite, Will e Nico se viram presos na enfermaria. O Di Angelo seria liberado à noite, o que foi totalmente anulado pela chuva.
Não era comum chover no acampamento. Como o tempo era controlado, geralmente fazia Sol o ano inteiro – com excessão do inverno, onde nevava e chovia na maioria das vezes.
— Quer jogar UNO, para passar o tempo? — perguntou Will.
— Eu não sei como jogar. — respondeu com sinceridade.
— Espera? Sério? Não existia UNO na sua época?
Nico colocou a mão no peito, fingindo estar ofendido.
— Não fala assim, parece que sou velho.
— Você é velho, Di Angelo! — brincou Will.
O outro revirou os olhos, enquanto jogava a cabeça para trás. Foi naquele instante que notou a janela aberta. Ele virou a cabeça para Will.
— Não seria melhor fechar aquela janela?
Will não pôde responder, porque naquele momento um raio passou pela janela e os atingiu. Ambos caíram na cama inconscientes.

Notes:

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