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Baekhyun balançava o pequeno Byul pela quinta vez naquela noite. Seu filho acordava e abria o berreiro sem nenhum motivo aparente. Porém Baekhyun sabia que Byul estava com saudade de Chanyeol. Desde que nasceu após uma barriga de aluguel, Byul sempre fora mais apegado a Chanyeol e era a primeira vez que o major ia a uma missão depois que seu filho nasceu.
— Quer mamar, filho? — disse, oferecendo a mamadeira ao bebê, que prontamente aceitou. Baekhyun suspirou aliviado, esperava que agora ele dormisse o resto da noite toda. Ficou ouvindo Byul sugar o leite morno de maneira cadenciada e maravilhado de como seu filho era lindo. As orelhas protuberantes e os olhos levemente esbugalhados só mostravam como a criança pegou os traços de Chanyeol. Sem contar que, quando o Byul ria, as covinhas pareciam nas bochechas gordinhas.
Quando ele terminou de mamar, Baekhyun o fez arrotar e colocou ele em seu colo, ninando ele de leve. Alguns minutos depois, ouviu a respiração leve e compassada de Byul e percebeu que ele adormeceu enquanto segurava seu dedo, então toda a marugada mal dormida valeu por aquele momento.
Não podia mentir que não era só o fato de Byul acordar chorando que tirava seu sono; saber que seu marido estava numa missão sempre o deixava preocupado, mesmo após 15 anos casado com um militar. Foi recentemente que Chanyeol fora promovido a Major do Exército coreano e foi solicitado numa missão militar e já estava fora de casa há dois meses. Baekhyun e Chanyeol tiveram uma pequena discussão, visto que o major poderia perder os momentos mais especiais da vida do Byul, mas Baekhyun entendeu que não fora escolha de Chanyeol e não tinha o que fazer. Foi a pior despedida, porque, mesmo as chances de Chanyeol se machucar serem baixas, ainda mais por ter subido de patente, agora ele deixava um filho pequeno em casa e isso apertava o coração do casal.
Com cuidado, levou Byul calmamente ao berço, deixando-o com nenhum movimento brusco, com medo de acordar o bebê. Ainda ficou uns minutinhos observando seu filho, que era absurdamente a cara de Chanyeol; era como ter a versão mini do seu marido ali.
Foi para a cama que estava ali do lado do berço — gastou uma grana para montar o quartinho do Byul e no final gostava de deixá-lo ali em seu quarto — e deitou-se, torcendo para conseguir dormir, mesmo pensando 24/7 em Chanyeol.
O relacionamento do casal deu-se início quando Chanyeol ficou encarregado de buscar sua sobrinha na escolinha a pedido de sua irmã. Não imaginou que o professor de sua sobrinha fosse ser tão cativante. após o primeiro contato, Chanyeol, quando não tinha algo no exército para cumprir — naquela época, ainda sendo um mero cabo —, busca sua sobrinha apenas para ver o Baekhyun. Depois de meses, Baekhyun notou que Chanyeol ficava nervoso com sua presença e sabia exatamente o que era, convidando-o para tomar um café.
Conforme foram saindo, descobriram muitas coisas em comum que tornavam a relação de ambos cada vez mais forte, como o fato de amarem crianças, desenhos animados, música clássica e o sonho de formar uma família.
Após um, dois meses saindo sem pretensão, no aniversário de vinte e um do Byun — o militar já com vinte e quatro —, Chanyeol pediu uma chance para fazer Baekhyun feliz, este que não pensou duas vezes em aceitar. Foi a melhor escolha de sua vida, visto que era feliz ao lado de Chanyeol há quinze anos.
O relacionamento do casal era incrivelmente consistente e mesmo após quinze anos, pareciam dois jovens bobos namorando; o fogo e a paixão ainda estavam lá, não esfriou com o tempo e nem parecia que algum dia ainda ia esfriar — sem contar que, se havia a possibilidade de transar, eles transavam, nem que fosse um oral no estacionamento do mercado, a uma rapidinha no banho.
Quando completaram treze anos de relacionamento, decidiram ter um filho por fertilização in vitro, que consiste em receber uma doação de óvulo para gerar o embrião. Ficaram muito felizes quando receberam apoio de Soojung, prima de Baekhyun, que se ofereceu para gestar a criança.
Para decidir o sêmen de quem seria usado, foi uma discussão de horas, com argumentos de beleza e inteligência: Baekhyun queria usar o de Chanyeol, e Chanyeol queria usar o de Baekhyun. No fim, com muita relutância e um Chanyeol emburrado, o Byun levou a melhor, decidindo então que seria utilizado o sêmen de Chanyeol para fertilizar o óvulo.
Tempos depois, estava ali Park Byul, o primeiro filho deles. Baekhyun achava cômico que seu marido era alguém temido no batalhão e respeitado por ser casca grossa, todavia, quem o visse chorando todos os dias durante a gestação de Byul, não acreditaria que eram o mesmo Park Chanyeol.
Agora, Byul já estava com um ano e dois meses, saudável e sendo uma cópia exata de Chanyeol. O casal já pensava em adotar um irmãozinho para o Byul, mesmo que fosse difícil o processo, estavam confiantes que daria tudo certo, só estavam esperando Byul ficar um pouco mais grandinho.
O sonho dos dois estava se realizando: criar uma família.
[...]
Após muito se revirar na cama, Baekhyun finalmente adormeceu, entretanto, a sensação foi fechar os olhos e logo em seguida abrir, porque Byul já acordara. Era uma manhã calma, talvez seja pela área mais rural em que moravam. Chanyeol, quando viu aquele terreno, quis construir a família ali para que os filhos tivessem espaço para correr e até cuidar de alguns animaizinhos.
Baekhyun já estava acostumado a levantar ouvindo os sons dos pássaros que ali habitavam. Infelizmente, ainda não tiveram tempo para comprar alguns animais para colocar no sítio onde moravam.
Assim que fez suas obrigações da manhã, deu um banho em Byul, que adorava levar brinquedinhos do Mickey para a banheira, colocou Byul na cadeirinha e decidiu que hoje daria iogurte natural e algumas frutas. naquela fase do bebê, Baekhyun sabia que tinha que cuidar da alimentação e sempre fora uma pessoa mais saudável para comer, totalmente ao contrário de Chanyeol, que parecia viver movido a comidas industrializadas e de baixa qualidade.
— Papá, mais, mais! — Byul estendia os braços e movia os dedinhos em direção à vasilha que continha o iogurte.
— Filho, não, você já comeu bastante, ainda tem o almoço, bebê.
— Mais, mais! — O bebê protestava com a voz embolada por ainda estar no processo de aprendizagem. A voz já ia embargando e Baekhyun sabia que ele já estava começando a fazer manha.
— Filho, mais tarde o papai te dá mais, que tal? — Sabia que ele estava na fase da teimosia e agradecia aos céus que Byul era fácil de lidar na maioria das vezes. — Vamos ao jardim, bebê? — Os olhos da criança se iluminaram ao ouvir tal palavra, Byul amava o jardim da casa e ver a natureza.
— 'Adim, 'adim. — Tentava replicar o que Baekhyun dizia, visto que já estava nessa fase de repetir tudo que ouvia. Era até cômico e deixava Baekhyun deveras assustado ver um tiquinho de gente repetir palavrões que Baekhyun soltava sem querer. policiava-se, mas era automático.
Pegou o bebê, calçou um sapatinho nele e o levou ao jardim, segurando suas mãos enquanto o bebê dava passos desengonçados e tortos no jardim. Até as pernas tortas Byul puxou de Chanyeol. — o que Baekhyun achava o maior charme, afinal.
Ficaram horas no jardim, brincando e Baekhyun cantarolando canções para seu pequeno. Em determinado momento, Byul dormiu em seu colo, então Baekhyun levantou com calma do chão, entrou em casa e deixou-o deitado na caminha que tinha na sala.
Espreguiçou-se e foi conferir o horário no relógio da sala, decidindo que estava na hora de começar a fazer o almoço.
Resolveu fazer frango desfiado, abobrinha, arroz e brócolis: o prato favorito de Byul e, consequentemente, de Chanyeol. Após o nascimento do bebê, Chanyeol fora obrigado à força a comer bem — claro, comendo a comida de Baekhyun, porque o militar era péssimo na cozinha.
Era até engraçado como Byul parecia ler Chanyeol por inteiro e copiar. Baekhyun até pensava na possibilidade de quando Byul crescesse mais um pouco, teria furão e participaria de um clube de furões, e, mais tarde, entrasse no exército por admiração ao pai.
Baekhyun só não ficava morrendo de ciúmes, porque era a coisa mais adorável como eles eram parecidos e como Byul era apegado e fascinado por Chanyeol. amava sua família e aquilo era gratificante de ver.
Cortou a abobrinha e arrancou os talos de brócolis, levando ao fogo para cozinhar, enquanto isso, desfiava o frango que já estava cozido. Baekhyun tinha a mania de cozinhar, cortar e separar as coisas para ser mais prático depois; o arroz também já estava pronto.
Agradecia por Byul sempre dormir enquanto ele cozinhava, porque odiava ser interrompido na cozinha; cozinhar era seu momento sozinho e de paz. Desfiava o frango utilizando dois garfos, mesmo sendo uma forma mais demorada, foi como aprendeu e como gostava de fazer.
Enquanto promovia o andamento do almoço, Baekhyun sequer se deu conta de como estavam as coisas ao seu redor. O grande foco que colocava em momentos tão sagrados como as refeições sempre o deixava inerte. Por isso, nem mesmo se deu conta de um movimento suspeito na cozinha de sua casa.
Normalmente, seus pais sempre o estavam fazendo visitas, ainda mais depois que Chanyeol precisou se ausentar. Os idosos, aliás, constantemente o ajudavam a realizar algumas tarefas domésticas e a cuidar do bebê, ainda que Baekhyun insistisse em dizer não ser necessário. De certo modo, agradecia-os infinitamente; sem eles, muito provavelmente já teria sofrido de um surto de estresse, cansaço, preocupação e saudade.
Saudade evidente de Chanyeol.
O militar desde a época de namoro mostrou-se prestativo e ajudava Baekhyun em todos os sentidos; em nenhum quesito deixou a desejar nunca. Entretanto, a saudade de Baekhyun para com Chanyeol não estava envolvida somente com a sua prestação, mas sim, com ele em si.
A saudade de sentir os toques de Park por seu corpo, de sentir os beijos em sua nuca à medida em que ela se arrepiava pela aproximação da respiração do militar em sua pele… Ele não conseguia controlar o coração palpitar em anseio por sentir o calor do corpo alheio novamente. Seus pensamentos pareciam tão reais que por um momento jurou estar com Chanyeol ali, o abraçando por trás e lhe pressionando contra a pia da cozinha.
— Eu não estava aguentando mais ficar longe de ti e do Byul, o tempo todo em que estive fora não parei de pensar em vocês dois. — A voz rouca ecoou na cozinha, extremamente próxima ao ouvido de Baekhyun, e um frio percorreu toda a sua espinha enquanto o coração parava de bater. — Que saudades…
— Chanyeol… — Foi a única coisa que conseguiu balbuciar antes de largar a faca sobre a tábua de picar e virar-se para trás, automaticamente os olhos se enchendo de lágrimas ao ver a figura viva de seu marido ali, diante de si. — Graças a Deus! Não acredito que você está aqui. — Não que fosse religioso como seus pais, mas não deixava de ser grato em ver seu companheiro tão bem quanto aparentava.
Os braços de Baekhyun rapidamente rodearam o pescoço de Chanyeol, sentindo ser abraçado pela cintura no mesmo instante. Era um abraço de teor desesperado, repleto de saudade, amor, convicções e um turbilhão de sentimentos misturados; era como uma onda de sensações calorosas tirando o atraso de todo aquele tempo distante um do outro.
As primeiras lágrimas de Byun molharam a camiseta fardada do Major, evidenciando que enfim podia desabafar e desabar de saudades ao marido. Chanyeol o afastou do abraço apertado somente para segurar o rosto de pele macia e aproximar o seu, dando um beijo sedento no Byun.
As línguas pareciam travar uma luta para ver quem dominava mais espaço, porém que não importava o real vencedor. De toda forma, não tinha como sair perdendo quando estava a ter os lábios carnudos de Chanyeol sobre os seus.
— Eu te amo tanto, Chanyeol. Minha nossa… Achei que fosse adoecer de tanto que sentia sua falta. Esse foi o nosso até logo mais demorado. — As mãos de Baekhyun seguravam o rosto de Park, deslizando os dedos contra a barba recém feita. Era como se o Major tivesse se preparado para lhe ver.
— Não ama mais do que eu o amo. — Confidenciou ao Byun, deixando um aperto forte o suficiente na cintura fina capaz de arrancar um arfar do mais baixo. — E eu prometo que não ficarei tanto tempo longe assim de vocês pelos próximos dois anos.
Com a promoção para uma nova patente, a primeira missão de Chanyeol como Major do Exército consistiu em uma viagem para a região Sul do país para comandar sozinho o treinamento de um recém formado batalhão com recrutas novos. No começo não foi uma tarefa fácil, sentia-se nervoso por estar comandando uma legião de soldados sozinho, todavia buscava sempre se levar de Baekhyun e Byul, as suas razões diárias para não ter desistido de seu grande sonho; a confiança que sua família lhe passava, mesmo há milhares de quilômetros de distância, era extremamente confortável e motivadora.
Apesar dos recrutas serem bem mais novos, o Park preferia conduzir o seu treinamento com o desenvolvimento da força mental e já em quesito físico, forçava seus recrutas até o limite.
Chanyeol queria que seus recrutas sempre se destacassem, não havia espaço para serem os mais fracos do exército militar coreano.
Em seu papel profissional, Chanyeol era totalmente rígido e sério, totalmente o contrário da postura que tinha com sua família. Ali, naquele momento, não seria diferente. Estava mais desleixado, postura incorreta, respiração desregulada e afins, porque tudo o que priorizava era estar com os olhos cravados aos de Baekhyun.
— Estava com saudade de escutar seus sermões sobre comidas saudáveis e frescas. — Brincou com o marido, recebendo em troca um sorriso lindo deste. — Me conte todas as coisas novas que Byul fez durante esse tempo, ele parece tão crescido e mais inteligente. Tenho a impressão de ter ficado muito mais que dois meses no exército.
— Byul já está começando a ficar em pé sozinho, acredita nisso? Comecei a andar segurando as mãozinhas dele, então já está começando a criar força nas perninhas. — Baekhyun voltou a dar atenção ao almoço que estava fazendo com total atenção antes de Chanyeol chegar de surpresa. — Está bastante falante, tem dia que fico até cansado. Não sei de onde ele puxa tanto ânimo — riu — e também está reproduzindo algumas de nossas falas, precisamos tomar cuidado agora.
— Ele está tão esperto, tinha que ser meu filho mesmo, é tão inteligente quanto o pai. — Chanyeol sempre tinha aquelas piadas que levantavam seu ego, e Byun não pôde deixar de rir dela. Aproximando-se do fogão, sentiu a boca salivar ao ver que o marido estava preparando seu prato de comida preferido. — Hoje é mesmo o meu dia de sorte.
— Hoje é. — Concordou o Byun. — Meus pais vieram aqui ainda essa semana, sua irmã e seus pais também. Todos estão morrendo de saudades suas. — Baekhyun sentia que estava se esquecendo de algo, então forçou a mente para se lembrar. — Ah! Yuna não desgrudou de Byul, fez ele rir a visita inteira até cansar e dormir, e você sabe que fazê-lo dormir é uma tarefa difícil. Com certeza vai ser a prima preferida dele.
Chanyeol riu com a história envolvendo sua sobrinha, sorrindo para o nada ao lembrar-se que, se não fosse por ela, não estaria ali com o amor da sua vida. De fato, tinha um carinho especial pela sobrinha por ser seu primeiro contato com crianças — digamos assim — e por ter Baekhyun como seu professor nos tempos passados.
Agora ela já estava moça e demonstrava ter o mesmo zelo que tiveram com ela ainda pequena em relação ao Byul.
— Eu vou lá vê-lo. — Chanyeol comunicou o marido antes de beijar-lhe os lábios e ir até a sala, onde o bebê dormia em sua caminha.
Ele estava bem coberto, com a chupeta jogada do outro lado da cama e um pouco de baba escorria pela boquinha aberta em um bico. A mãozinha direita segurava a toalhinha que Baekhyun usava para limpá-lo e a esquerda, por sua vez, estava ao lado de sua cabeça.
O coração do militar encheu-se de amor, sentia-se com aquele frio na barriga e as borboletas no estômago ao ver seu filho tão sereno e saudável. Ele é o bebê mais lindo do mundo, sempre pensava nisso, e nada jamais mudaria aquele fato.
A mão de Park rumou em direção ao filho, onde fez questão de acariciar o corpinho da criança, principalmente nas bochechas gordinhas. Estava ansioso para o momento em que Byul acordaria, queria o abraçar e passar o resto da tarde brincando com ele. Matar a saudade era sua prioridade.
— Tome um banho, amor. O almoço já está quase pronto. — A voz de Baekhyun soou logo atrás, ele estava encostado no batente da porta com um guardanapo enxugando suas mãos. — Vou te esperar. Já, já vou acordar o bebê para ele comer conosco e podemos passar o resto do dia juntos.
— Claro, Baek. Vou fazer isso. — O militar concordou sorridente, e antes de passar por Byun para ir ao quarto, selou novamente os lábios rosados do marido, não esquecendo de falar mais uma vez que o amava mais que tudo.
[...]
O militar não imaginou que um banho de água quente fosse a solução para se livrar de suas dores musculares, talvez se levado em consideração que os banhos no exército eram somente de água fria. Há dois meses o Major não sabia o que era sentir o corpo relaxar conforme a água quente caía sobre seus ombros, principalmente.
Limitou-se em vestir apenas a peça íntima e uma calça de moletom preto, os cabelos curtos foram penteados com as pontas dos dedos e somente isso. Era revigorante estar em sua casa e poder usufruir da liberdade que no exército não lhe era concedida. Seus passos o conduziram até a sala, onde Baekhyun estava com Byul acordado em seus braços e a refeição sobre a mesa de centro.
Chanyeol sorriu grande.
— Byul. — Chamou por seu filho, que brincava no colo do outro pai, e instantaneamente o bebê ficou ereto, parecendo procurar a voz de Chanyeol. — Oi amor, vem com o papai.
O bebê fez um beicinho grande ao ver Park bem próximo, os olhinhos enchendo-se de lágrimas e logo um choro preenchendo a casa inteira. A reação do casal rapidamente foi dar risada, Byul era tão fofo! Chanyeol pegou o bebê em seu colo, deixando vários beijos pelo rosto de seu filho, enquanto o abraçava; a cabeça do bebê estava deitada em seu ombro.
Constantemente Chanyeol falava "o papai tá aqui, filho" e o balançava de um lado para o outro na tentativa de acalmar o pequeno. Não tinha como negar, era uma tarefa impossível, aquela família estava vivendo um momento de nítida saudade e preocupação, não era de se esperar uma reação menor que aquela. O choro não vinha de tristeza, mas era proveniente de corações batendo rapidamente pela felicidade.
— Eu disse que não estávamos aguentando mais ficar longe de você. — Baekhyun sorriu e aproximou-se para limpar o nariz de Byul.
— Mas agora estou aqui e só irei pegar missões por perto, nosso filho precisa de nós juntos. — Sentou-se no chão, de frente para a mesa. Byul já estava parando de chorar e segurava as orelhas do pai, como sempre fazia para brincar; ele não parava de sorrir e dar algumas risadinhas, depois enchia o militar de beijos e mordidas na bochecha e por aí se estendia o ciclo de reencontro.
Byul simplesmente não desgrudou do pai nem por um segundo. Chanyeol precisou servir seu almoço e dar para o bebê também, pois o pequeno se recusava a todo custo a ir no colo de Baekhyun. Essa tarefa, aliás, era nem difícil, visto que Byul insistia em querer imitar o Park e comer segurando a própria colherzinha.
Era todo um charme catastrófico.
Quando o almoço terminou, Chanyeol esperou Baekhyun terminar de lavar a louça — somente os utensílios que usaram para comer, Byun tinha uma particularidade de odiar louça suja na pia, então conforme sujava já ia lavando — e, por mais que já estivesse escurecendo, resolveram dar uma volta pelo sítio. Chanyeol sentia falta de poder andar pelo gramado verde enquanto conversava com Baekhyun e no meio do caminho apanhar algumas frutas das árvores, esse estilo tão simples de viver era presente na vida do militar desde que ele era pequeno e sua vontade era repassar esse estilo de vida para Byul.
Ali, quando ele ficasse maiorzinho, poderia correr e brincar sem preocupações. Se sujaria, iria descobrir novas coisas, conhecer vários insetos e poderia até adotar quantos cachorros quisesse. Byul teria infinita liberdade.
Esse anseio, portanto, parecia estar sendo bem adotado pelo bebê. Baekhyun conseguia perceber que Byul prestava bastante atenção a cada coisa que o papai Park o mostrava, desde um grilo em uma planta até uma fruta quase madura o suficiente para apanharem. Byul dava risada, pegava as folhas e jogava no chão, se escondia sempre que Chanyeol aproximava alguma joaninha do bebê e então gargalhava.
Park Byul era a cópia idêntica de Park Chanyeol, sem tirar e nem pôr.
O bebê foi colocado no chão para brincar um pouco com a grama e as folhagens, nesse meio o casal aproveitando para se acariciar. Os lábios se beijavam lentamente, juras de amor eram feitas um para o outro e o mesmo carinho e cuidado que tinham na época de namoro permaneciam vivos naquele casamento.
— Papá! — Byul vinha engatinhando para próximo dos pais, Chanyeol se abaixou no mesmo momento e estendeu seus braços para o bebê usar como apoio e levantar-se, controlando seu equilíbrio nas próprias perninhas gordinhas e tortas.
— Acho que está na hora de tomarmos banho e colocar um senhorzinho para dormir. — Baekhyun sorriu e deixou um beijo na bochecha de Byul antes de entrelaçar seus dedos aos de Chanyeol.
O céu já estava noturno, repleto de estrelas. Provavelmente já se passaram das dezenove horas e eles sequer perceberam como o tempo passava rápido quando estavam juntos. Voltaram para casa com Chanyeol contando algumas histórias de seus recrutas, intercalando as facetas de Baekhyun entre risonhas, preocupadas e com pena. Algumas delas eram cruéis.
Ao entrarem em casa foram diretamente para o quarto de casal, onde havia uma banheira no banheiro da suíte. Baekhyun ficou responsável em preparar a banheira, já que Byul se recusava a sair do colo de Chanyeol e fazia manha quando arriscava pegá-lo; o Major retirou as roupas do bebê e sua fralda, vendo que ela estava encharcada.
— Já estava mesmo na hora do banho, hein garotão. — Riu em um tom baixo e retirou as duas peças de roupa que usava, logo em seguida pegando o filho no colo e indo em direção ao banheiro. — Vem tomar banho conosco, Baek.
O pediu convidativo, Baekhyun assentiu sorridente e também retirou suas roupas. Os brinquedos de Byul, é claro, também estavam marcando presença. O mais velho entrou primeiro junto do bebê e na sequência Baekhyun, que sentou no canto oposto para ficar de frente com os dois; a água estava morna, em uma temperatura exata que não machucaria a pele do pequeno Park, então Chanyeol começou a jogar um pouco da água sobre o corpinho frágil, banhando-o.
Baekhyun se aproximou para ajudar, mas Byul era ciumento; não queria ninguém perto do pai a não ser ele próprio. Baekhyun claramente ficou ofendido, até fez um beicinho, o suficiente para o marido começar a rir e zombar de si, dizendo que ele não poderia ficar bravo já que essa característica ciumenta o filho tinha puxado de si. Baekhyun costumava ser um pouquinho ciumento, não negaria, mas não queria provar de seu próprio veneno justamente com seu filho. Antes dele nascer Park Chanyeol já era seu namorido, oras pois!
Conforme o mais alto segurava o bebê — usando uma tática perfeita para brincar com ele e distraí-lo: fingir que ia morder as pontas dos dedinhos gordos — Baekhyun ensaboava seu corpo e lavava os fios de cabelo, tomando cuidado para não cair shampoo nos olhos ou água no ouvido. É claro que, acompanhado dessa oportunidade, ele também chegava a tocar Chanyeol em seus braços, no abdômen definido e nas coxas… Tinha direito de tirar uma casquinha.
Eram casados, afinal. Tinham intimidade.
Deram risada, juntos. Não adianta, podia passar o tempo que fosse, eles continuariam sendo aqueles dois bobos jovens apaixonados cheios de energia. Rejuvenesceram a cada dia.
Saíram do banho após muito enrolar, já que Byul insistia em bater as mãos na água para fazer uma grande bagunça de água no chão. Baekhyun animou-se ao lembrar do conjunto de pijama em família que havia comprado na internet algumas semanas depois que o militar viajou, e foi correndo buscá-lo para usarem.
Em seu corpo e no de Byul, ficou o tamanho ideal. Agora em Chanyeol… Deu risada. O short estava no meio das coxas e bem agarradinho.
— Eu não tenho culpa alguma de ter ficado pequeno. — Argumentou em sua defesa. — A culpa, na verdade, é totalmente sua! Você voltou do exército mais musculoso do que quando foi, malhou demais e agora vai ter que usar ele agarradinho. Mas não vou reclamar de te ver assim. — Fez uma cara sugestiva ao marido, que prontamente entendeu do que se tratava.
Chanyeol lhe olhou com um sorriso ladino, pelos deuses… Como queria estar acompanhado do Byun e seus toques tão bem feitos em suas noites durante aqueles dois tortuosos meses. Em algumas noites o Major se viu louco. Louco por querer Baekhyun sobre seu corpo, louco por querer ouvir a voz sôfrega dele em seu ouvido, louco porque para ele não tinha coisa mais bonita do que admirar o corpo de Baekhyun orvalhado pelo suor.
Eles iriam aproveitar.
Automaticamente, depois do banho, Byul ficava bem sonolento; para que Baekhyun conseguisse pedir alguma coisa para comer no jantar, Chanyeol ficou com a função de fazer Byul dormir, ele sempre gostava de dormir escutando a voz de Park cantar algo calmo. Era questão de minutos e ele já estaria dormindo como um anjo. Chanyeol rumou até o quartinho preparado para o filho, ninou por alguns minutos preciosos e o colocou no berço assim que sentiu a respiração do pequenino ficar mais leve.
Saiu do quarto, fazendo o mínimo de som possível ao fechar a porta e encaminhou-se ao quarto que dividia com seu marido.
Adentrou o quarto e percebeu que Baekhyun já estava cochilando e sorriu com a imagem angelical de seu esposo dormindo. Sentiu muita falta de ficar abraçadinho com Baekhyun e até mesmo de toques mais quentes quando estava em alguma missão militar.
Retirou as roupas e deitou-se apenas de cueca na cama, cobrindo até metade do tronco, aproveitando para abraçar seu baixinho por trás. Sentia o cheiro do shampoo que tanto amava nos fios do moreno e afundou o nariz ali, trazendo o corpo de Baekhyun para mais perto, curtindo a sensação de estar em casa.
Baekhyun, que tinha adormecido pelo cansaço de cuidar de uma criança pequena, acordou sentindo braços fortes o abraçando e uma respiração no topo de sua cabeça. Sorriu e virou-se para retribuir o abraço do marido.
— Acordei você, vida? — perguntou Chanyeol, vendo Baekhyun afastar a cabeça da curvatura de seu pescoço e o encarar.
— Tudo bem, amor, preciso matar a saudade de você acordado. — Distribuiu beijinhos por todo o rosto de Chanyeol, fazendo o militar rir. — Sério, você não sabe a falta que você faz em casa. — Deslizava a ponta do nariz no peitoral definido de Chanyeol, sentindo o cheirinho natural do marido.
— Prometo que nunca mais vai acontecer, Bae. Não quero perder nada do Byul e nem deixar você sem alguém pra te ajudar. — Afagou o cabelo de Baekhyun. — Sem contar que morri de saudades de você, em todos os momentos. Todos mesmos — disse a última sentença com um tom diferente, que Baekhyun não demorou para captar.
— É mesmo, meu amor? vou te recompensar. — Sorriu ladino e subiu em cima de Chanyeol.
Trocavam beijos nada castos enquanto passavam a mão no corpo um do outro, o clima no quarto estava esquentando quando, de repente, ouviram um choro estridente e alto vindo do quarto do Byul. Baekhyun prontamente levantou do colo de Chanyeol, vestindo uma cueca para ir ao quarto do filho. O militar não ficou para trás, pois estava preocupado com a situação.
O bebê não parava de chorar por nada, nem o canto de Chanyeol estava acalmando Byul e isso já estava deixando o casal preocupado.
Após muito balançar o bebê no colo enquanto cantava uma canção de ninar qualquer, Baekhyun conseguiu fazê-lo adormecer novamente. Acreditava que ele estava com cólica e por isso o choro era tão longo. Exaustos, o casal deixou o bebê no quarto e saiu com o máximo de cuidado.
Quando voltaram ao quarto, com os braços doídos por balançar um bebê nada leve, a luxúria que antes estavam em seus olhos, dava lugar a olhos quase fechados e cansados: só queriam uma boa noite de sono.
Deitaram-se, deram um beijo de boa noite e enlaçaram um corpo junto ao outro, visto que a saudade ali ainda habitava.
Quando estavam quase pegando no sono, Chanyeol sussurrou ao marido: — Amanhã você não me escapa, nem que eu tenha que deixar Byul com os meus pais. — E beijou o topo da cabeça de Baekhyun.
Dormiram porque estavam exaustos e a noite fora longa, mas não do jeito que eles imaginavam.
