Actions

Work Header

Amar:Ela

Summary:

Não estava nos planos de Jaemin se apaixonar. A garota já tinha preocupações demais, dividida entre ensaiar para o próximo comeback e tentar compor mais uma faixa para o álbum novo. Mas se pudesse escolher, se apaixonaria mais um milhão de vezes pelas bochechas estreladas, olhos como os anéis de Saturno e lábios como as pontas de uma galáxia que Felix tinha.

Notes:

Voltei aqui haha

Eu postei essa fic no meu perfil do Spirit como uma Yangmin, mas como ela veio ao mundo para ser uma Jaelix, eu resolvi trazer ela aqui em sua forma original e plena. espero que gostem!!!!

(See the end of the work for more notes.)

Chapter 1: Sunshine

Chapter Text

Era terça-feira. Na Jaemin odiava terças-feira. Os motivos eram vários, início de semana, poucas horas de sono, dia de ajustar a sincronia das coreografias, consulta com a terapeuta o que automaticamente a faz lembrar de todo o estresse da semana passada… Enfim, terças eram horríveis, a não ser por um detalhe: o café que ficava na esquina de onde morava. Agora, não levem a Na a mal, ela podia tomar café em qualquer lugar e a qualquer hora, principalmente no café exclusivo para os funcionários da empresa dentro do próprio prédio. O problema era que dificilmente a atendente da empresa acertava seu pedido (iced americano grande, sem água e com 4 shots extra), e sempre encontrava algum conhecido por lá, pronto para julgar o pedido da morena. A melhor solução? passar sempre que possível no agradável café da rua 15.

E era assim que a Na pretendia começar o dia. Depois da sua corrida matinal, tomou uma ducha, separou a máscara e seus pertences e seguiu andando até sua cafeteria favorita, já pensando em qual doce iria provar hoje às escondidas do seu manager. O Australian House havia aberto a poucas semanas, chamando a atenção por ser um café com o estilo australiano e neozelandês. Os pratos típicos, decoração, música e até o atendimento foram feitos especialmente pela senhora Lee, que se mudou para a Coréia a pouco tempo com a família.

Na verdade, a mais velha era um dos motivos que faziam a Na gostar tanto de perder uns minutinhos a mais na cafeteria e se atrasar para o trabalho. A Sra Lee havia praticamente adotado a morena. Sempre que a via, elogiava o último stage de seu grupo, o álbum novo que havia saído, o cabelo da Na e suas performances, e em seguida contava como ela a lembrava de sua própria filha. Jaemin simplesmente a adorava. Quando tiver um tempo, pensou, com certeza vou apresentá-la para a minha mãe.

Chegando no lugar, a Na agradeceu em silêncio por não ter nenhuma fila aparente, enquanto tirava sua jaqueta jeans para amarrá-la na cintura e observar o lugar quase vazio pelo horário. E foi nesse momento em que viu ela pela primeira vez. Cabelo loiro e levemente ondulado na altura do ombro, boca pequena e rosada pelo gloss, sardas espalhadas pelo rosto como estrelas na via-láctea e os olhos pequenos de um castanho claro observando cada movimento seu. Os ombros e clavículas de fora pela blusa foram destacados quando ela se endireitou atrás do caixa ao reparar que era encarada de volta.

O coração da Na errou uma batida naquele momento, um suspiro preso na garganta. As duas se perderam naquela troca de olhares, quase sem se mexer, apenas observando tudo que pudessem. A menina parecia uma pintura. Não era possível alguém ser tão meticulosamente linda assim. Tudo nela parecia ser feito com toda a atenção e cuidado, resultando assim na visão mais impactante possível para a morena. Ambas só saíram do transe quando ouviram uma buzina no semáforo na frente da loja, deixando os pares de bochechas vermelhas e uma aproximação tímida da Na até o balcão.

- Bom dia! Seja bem vinda. Posso ajudar? - Perguntou a loira em um coreano embolado, abrindo um sorriso tão brilhante que podia cegar o Sol. Naquele momento, as pernas da morena bambearam e a Na precisou se segurar no balcão para não cair. Que voz era aquela?! pensou, rouca, surpreendentemente grave para uma mulher, combinada com esse sorriso…

- Bom dia, vou querer um iced americano grande, sem água e com 4 shots extra, por favor- pediu, tímida demais para o seu ‘eu’ normal.

- Alguém precisa de cafeína extra hoje, hm? - Sorriu, concordando com um aceno leve. - Qual o seu nome? - perguntou a loira, pronta para anotar no copo junto do pedido.

- Jaemin, e o seu? - Naquele momento, Jaemin queria se estapear. Era pra perguntar o nome dela, mas não precisava ser desse jeito Jaemin sua mula! As bochechas já queimavam, junto dos olhos arregalados e a expressão de quem fez merda, mas a loira só pareceu sorrir mais, enquanto escrevia no copo.

- Yongbok, mas pode me chamar de Lix.

- Lix?

- É apelido de Felix. Na Austrália falavam Felix mesmo, mas aqui acham masculino demais, então usam só o apelido ou meu nome coreano- A morena soltou um ‘ah’ de concordância baixinho, fazendo a loira dar uma risada fofa- Então, Jaemin, só o café ou quer mais alguma coisa? - Seu número, pensou a Na, mas logo descartou a ideia.

- O que sugere? - perguntou no lugar.

- Olha, o croissant de framboesa é o meu favorito quando estou com pressa, caso contrário o banana bread é a melhor opção.

- Quero um de banana então, por favor- Sorriu para a outra, que pareceu sorrir mais ainda.

- Não vai se arrepender.

- Jaemin? É você? - Ouviu a voz da Sra Lee, que logo apareceu correndo para lhe abraçar. Não pode conter o sorriso, sempre ficava feliz quando podia ver e conversar com a mais velha. - Suas bochechas diminuíram, andou fazendo dieta?

- Sim, o comeback tá chegando, tive que cortar calorias.

- Pois pare imediatamente, quero suas bochechas de volta. Vou brigar com aquela empresa maldita. - Ouviram o riso alto da loira, logo atraindo a atenção de volta a ela.

- É verdade, quase me esqueci - A mais velha puxa a loira em um abraço de lado, enquanto a mesma continua lhe encarando. - Jaemin, quero que conheça minha filha, Lee Yongbok.

 

--

 

 

- Jaemin já estava dentro da vã cinza, acompanhada do manager e de suas colegas de grupo a caminho do estúdio, quando notou algo a mais escrito em seu copo. Além de seu nome e pedido com a caligrafia fofa da loira: “Espero que seu dia seja doce como sorriso :)”.

- Caso alguém pergunte, o sorriso bobo e a motivação extra do dia foi culpa do café bem feito.

 

--

 

- Eu juro Lele aquela garota veio diretamente do céu ‘pra iluminar o meu mundo. - Comentou a Na, deitada no colo da amiga enquanto ela tomava um leite de morango de caixinha e ouvia sobre a mais nova crush da morena enquanto esperavam sua vez de gravar. A chinesa de sorriso largo tinha os fios descoloridos presos em um rabo de cavalo, junto de um short jeans básico e camisa do rammstein.

- Difícil acreditar Nana, principalmente quando você aparece com uma paixonite por semana. - Retrucou Jeno, com seu corte chanel e conjunto de moletom básico. As três esperavam juntas na pequena copa do estúdio, se dividindo entre conversar e revisar a letra da música que gravariam hoje.

- Hmp eu mantenho meu coração aberto tá? Diferente de você que amarrou seu burrinho no Shotaro e tá nessa até hoje.

- Hey! eu tô explorando o território ainda pra ver quando começo a flertar.

- Sinceramente unnie, isso é bem deplorável da sua parte. Fala logo com ele, o Taro oppa parece ser de boas.

- Lele eu confiei em você, como pode me trair desse jeito? - Respondeu a morena, com a mão no peito para dramatizar.

- E Jaemin unnie, o que você pretende fazer com essa sua barista? E pense bem antes de responder porque se for igual a Jeno eu vou cometer um crime de ódio.

- Relaxa Lele, tá tudo planejado já. Vocês vão ver meus charmes em ação.

 

--

Não estava tudo planejado. A Na reparou isso quando, dois dias depois, voltou ao café e quase caiu de cara na escada pequena da entrada ao ver a Lee operando a máquina de expresso com uma mão enquanto a outra terminava de ferver o leite e servia em um dos copos para viagem. Para sua sorte, era cedo demais para qualquer um estar acordado o suficiente para seu quase tombo. Mas a Sra. Lee viu, o que significava que logo logo Felix iria saber.

Fingindo que estava tudo bem e que nada havia acontecido, Jaemin caminhou até o caixa (esse infelizmente sendo operado por outro funcionário), mas sem desviar o olhar da australiana, que, assim que entregou o último pedido que fazia, cruzou seu olhar com o da morena. Seu cabelo estava semi-preso, deixando apenas o fundo e algumas mechas soltas emoldurando seu rosto. O Sol da manhã iluminando diretamente a garota fazia suas sardas aparecerem ainda mais, o que tirou um sorriso da mais alta. A camisa preta de botões contrastando com o jeans claro e um pano de prato no bolso traseiro fechavam o visual quase etéreo da loira.

Lançando um sorriso de canto, a loira contornou o balcão até o caixa, ao mesmo tempo em que a idol parou na frente, retirando a máscara.

- Jinnie, pode limpar as mesas ‘pra mim? Pode deixar que eu cuido do caixa.. - Perguntou a australiana para o rapaz ao seu lado.

- Claro, qualquer coisa se chegar muita gente eu volto, ok? - a garota concordou com a cabeça, virando para a Na com um sorriso brilhante.

- Vejo que voltou. Você foi assunto de casa na terça à noite. - A Lee sorriu ainda mais com a carinha confusa da mais alta.

- Eu?

- Sim. Mas não se preocupe, minha mãe te adora. Fez meu pai ver todos os vídeos do seu grupo.

- Ai meu deus que vergonha. - A morena sentiu as bochechas esquentarem. - E o que ele achou?

- Ele gostou de Boom, falou que vai ouvir com os amigos motoqueiros dele. - Comentou com um sorriso.

- Ah, que bom… e… e você? - Perguntou, enquanto desviava os olhos para uma plantinha no balcão, a fim de fugir dos olhos bonitos da mais nova. - O que achou?

- Achei incrível. Você dança tão bem que é difícil desviar o olhar, sabia? - Riu baixinho vendo as bochechas da idol ficarem ainda mais vermelhas e as mãos inquietas travarem no lugar. - Gostei muito de We Go Up também, é uma vibe bem relaxante e divertida. O MV ficou ótimo e seu cabelo rosa com franjinha ficou a coisa mais fofa possível.

- Obrigada… - Murmurou baixinho, mordendo o lábio inferior e torcendo para seu chapéu bucket cobrir suas bochechas coradas.

- Bem, o café é o mesmo de terça? - Perguntou a australiana, tentando desviar do assunto e deixar a mais velha confortável.

- Sim sim, por favor.

- Certo, mais alguma coisa? - perguntou, já anotando o nome da mais velha no copo.

- Não sei, o que me indica? - a loira soltou um risinho

- Vou transformar isso em uma meta pessoal: te apresentar todas as opções do cardápio.

- Aceito, mas são muitas, não são? O cardápio de vocês é enorme… - murmurou a morena, levantando o rosto a tempo de ver o sorriso da loira triplicar.

- Sim, por isso mesmo. - ela desviou o olhar para o copo, antes de erguê-lo novamente e olha-lá no fundo dos olhos. - Isso significa que você vai ter que voltar mais vezes.

--

 

“Na luz da manhã, seus olhos refletem o universo” era o que dizia o copo que Jaemin encarava a pelo menos 12 minutos. Não conseguia evitar, seu coração parecia bater mais rápido só de lembrar das mãos bonitas escrevendo nele e os lábios em formato de coração e cor gloss de cereja sorrindo de lado. Meu deus quando eu comecei a ligar para as mãos de alguém??? Se perguntou, ainda focada no subir e descer de sua frequência cardíaca enquanto se lembrava de detalhes aleatórios da loira. Seus pensamentos foram interrompidos com a entrada de Haechan e Renjun na sala de espera do estúdio.

- O que deu na Jaemin? A cafeína finalmente corrompeu o resto do cérebro dela? - Perguntou Renjun, com um tom debochado. A chinesa possuía cabelos longos e lisos de um tom castanho escuro, com uma franja acima da sobrancelha para emoldurar o rosto delicado. Vestia uma camiseta branca com o símbolo da Marvel, uma camisa xadrez vermelha por cima e um jeans rasgado simples.

- Fico tentada a dizer que sim. - Complementa Haechan, pegando o copo (sob protestos) da garota e tomando um gole, quase cuspindo imediatamente. - Credo Jaemin, como você ainda não teve úlcera tomando isso? Parece chorume com Césio-137 - Pegou uma garrafa d'água em seguida. A garota tinha a pele amorenada brilhando contra o Sol da janela. Seu cabelo castanho escuro com duas mechas loiras na frente e o macacão jeans fechavam seu visual.

- Isso é literalmente café puro Donghyuck.

- O café puro não cria um terceiro buraco no seu estômago- Reclamou mais uma vez.

- De qualquer jeito, o que você tanto encara e suspira ai? - Perguntou Renjun, enquanto descascava uma banana e se sentava de frente para a mais nova.

- Acho que tô me apaixonando Jun.

- Você viu ela duas vezes Nana, como pode já estar apaixonada?

- Entendeu o nível do problema agora? - Fez um biquinho, vendo as duas rirem baixinho enquanto voltava a encarar o copo. - Eu sei que é pouco tempo e eu sei que tem chances de não ser nada, mas sempre que eu penso em falar com ela de novo eu já começo a gaguejar.

- Sinal que a coisa tá feia. Ela é tão bonita assim? - Perguntou Renjun.

- Jun, eu te juro juradinho, quando eu vi ela parecia que eu tinha levado um soco no estômago de tão sem ar que eu fiquei- Falou a morena, extremamente séria, enquanto a Lee ao seu lado ria escandalosamente.

- Meu pai, que drama é esse Nana? - perguntou Donghyuck, a abraçando por trás.

- Eu não sei gente. Acham que eu deva cair fora?

- Nana, eu posso não saber muito sobre o amor ou sobre essa garota, mas se você se sente segura e acha que pode dar certo essa história, não vejo por que não continuar.

- Isso, vai com calma, aproveita esse momento de flertes e tenta conhecer mais ela. Se sentir que não vai dar certo é só voltar pra trás. Vai sem medo e no seu tempo.

 

--

 

Os sábados eram incríveis. Mesmo quando tinha que trabalhar, Jaemin se sentiu revigorada com o cheiro iminente de descanso que vinham com os sábados. Nesse em específico, a Na só teve treinos até o meio-dia, já que o resto da tarde estava reservado para as garotas se aventurarem para compor alguma canção para o próximo álbum. A ideia surgiu das próprias integrantes, que queriam se ver mais conectadas ainda com sua música e sua arte.

Assim que liberada, a idol seguiu direto para casa, necessitando de um banho quente e algo leve para o estômago. Mal esperou a vã parar para se levantar com sua mochila, pulando para fora e correndo para seu quarto, e em seguida o banheiro, no mesmo instante. A água morna relaxando os músculos tensos e o cheirinho de amêndoas da loção corporal fazendo seu trabalho de aliviar cada estresse da semana dura de trabalho.

Depois de se vestir após o banho e secar um pouco o cabelo úmido, seguiu para a cozinha a fim de fazer algo para o almoço, provavelmente um sanduíche mesmo. Só não esperava encontrar a geladeira quase vazia. Droga, pensou, esqueci de ir ao mercado ontem. Com um suspiro frustrado, deu meia volta para buscar sua bolsa, pegou uma ecobag na cozinha, calçou os sapatos, pôs a máscara e seguiu a pé até o mercadinho mais próximo. Para a sua sorte, seu bairro era calmo e nunca tivera problemas andando por ele. As ruas escondidas pela sombra das pessegueiras em flor nunca falharam em fazer a Na sorrir, admirada. As pequenas lojinhas e brechós que gostava de levar sua mãe para ver enfeitavam as vielas com perfumes e sabores dos mais diversos que levavam a Na as alturas.

Chegando no mercado (ainda meio desatenta) a idol seguiu, sem prestar muita atenção ao seu entorno, olhando para o chão, até o corredor dos pães. Estava tão distraída tentando lembrar de todos os itens de sua lista de compras e com as mãos nos bolsos que não reparou sua rota de colisão até ela estar no chão acompanhada por outra pessoa, depois de tombar e cair vergonhosamente. Antes mesmo que pudesse se desculpar pelo incidente e verificar se a outra pessoa estava bem, foi interrompida:

- Sabe, daqui a pouco vou achar que você tá me seguindo. - Ouviu a voz grave que tanto a derretia, olhando para cima rapidamente para encontrar a loira sorrindo para si enquanto levantava e estendia uma mão para ajudá-la a levantar.

- Meu deus me desculpa! Eu estava distraída. Você se machucou? - as bochechas já estavam vermelhas, enquanto a mais velha corria os olhos pelo corpo da mais nova à procura de machucados. - Eu sou um desastre mesmo, minha nossa. Juro que não foi a intenção, eu deveria olhar por onde eu ando ou no mínimo prestar mais atenção. Nossa me desculpa mesmo, não sei nem oque dizer...

- Hey, calma ok?- A loira lhe interrompeu, lançando um sorriso divertido. A mais alta já estava de pé, mas mesmo assim Felix não soltou sua mão - Eu estou bem, não foi nada de mais. E você?

- Estou bem também. - Desviou o olhar, tímida. As duas permaneceram em silêncio, deixando a tensão subir enquanto encaravam timidamente as mãos juntas. Quando o silêncio pareceu incômodo demais, soltaram as mão e voltaram a se olhar nos olhos - Então, o que faz aqui?

- Veio fazer a compra do mês? - Perguntaram ao mesmo tempo, as fazendo rir. Começaram a andar lentamente mercado adentro.

- Estava indo fazer o almoço e reparei que minha geladeira estava mais vazia que… não sei. Mas estava vazia. - Arrancou uma risada gostosa da mais nova, fazendo-a sorrir junto. Andavam pelo corredor tranquilamente, olhando os produtos ao redor para disfarçar os olhares de canto de olho que roubavam uma da outra.

- Então estamos na mesma. Meus pais viajaram para Busam e eu estou com preguiça demais para fazer algo nutritivo de almoço, então vamos de lamen- Respondeu, pegando um pacote de lamen picante e chacoalhando-o no ar para mostrar para a mais velha.- E também queria fazer uns brownies à tarde mas estou sem farinha.

- Yah! - Indagou a mais alta. - Lamen de almoço não! Sabe o quanto de corante tem naquilo? Sem chances que eu vou deixar você comer isso. - Pegou o pacote, o devolvendo na prateleira. A Lee a olhou com olhos sugestivos e curiosos, a empurrando com os ombros de leve.

- Bem, já que você eliminou minha única opção de almoço, tem alguma sugestão? Porque minha próxima opção era um combo qualquer do McDonalds.

- Na verdade, sim. - parou de frente para a loira, que a encarou de baixo com um olhar curioso. Respirou fundo, sentindo as mãos suarem de antecipação pelo plano formado em sua cabeça - Vamos cozinhar juntas. Eu faço o almoço e você a sobremesa. - Mordeu o lábio inferior pelo nervosismo. Pelos deuses, elas mal se conheciam direito e já estava a chamando para almoçar. Aquilo podia dar muito errado. Mas, senhoras e senhores, o sorriso que recebeu da loira em seguida foi algo que a Na nunca esqueceria.

- É uma ótima ideia. No café tem um jardim nos fundos perto da cozinha. A gente pode comer lá pra evitar, você sabe, suas ‘fãs’ te encarando pela janela. E meus pais não estão, então temos a cozinha livre.

- Perfeito - Cruzou um dos braços com o dela, a trazendo para perto com um sorriso.

- Mas eu tenho uma condição- Anunciou a loira- Eu ajudo no almoço - Encarou a menor com os olhos cerrados, em uma expressão boba de desafio, que logo foi imitada pela mais nova, que apontou uma arminha com os dedos para si.

- Ok, ok. Eu me rendo - Esbravejou depois de um tempo, vendo o sorriso vitorioso da outra. O coração batendo a milhão no peito e um gritinho animado contido na garganta. - Agora vamos às compras. - sorriram mais ainda, dando continuidade às compras.

 

--

 

O jardim era realmente pequeno. Não que aquilo incomodasse a Na, longe disso. Ter um jardim em casa em plena capital era um luxo e tanto, independente do tamanho. Mas o espaço diminuto significava estar constantemente perto da loira, e, embora fosse essa a intenção, Jaemin não conseguia evitar ficar tão afetada sempre que a mais nova passava por si ou esbarrava o braço no seu.

O espaço ficava logo atrás da pequena cozinha do café. Uma área pequena e semi-aberta com um fogão e bancadas na cor branca interligadas diretamente a um pequeno gramado, onde uma mesa solitária de ferro retorcido em formato de mandala dividia seu lugar ao Sol com alguns pequenos vasos com hortelãs, cebolinha e alecrim. Não havia nenhuma divisão ou parede entre a cozinha e o jardim, permitindo assim que o Sol entrasse de maneira natural e iluminasse o local.
As duas estavam juntas na bancada, Jaemin preparando as misturas para empanar o frango para uma salada ceasar e Felix com as costas apoiadas no balcão ao seu lado, com uma taça de vinho branco na mão enquanto seu macarrão cozinhava. As duas riam de uma das diversas histórias dos bastidores das gravações que a idol contava, enquanto fingiam não reparar nos olhares que trocavam vez ou outra.

- E eu juro pra você, eu assistindo o MV de We Young sozinha em casa nem consegui pensar na coreografia que eu tinha que aprender quando melhorasse ou qual parte da música eu poderia cantar- reclamou, enquanto lavava a mão e ouvia a menor rir. - Eu só conseguia pensar em quantas drogas o diretor usou pra pensar naquele vídeo e como que a empresa deixou aquilo existir.

Pegou sua taça, esquecida no balcão ao lado da loira, e bebeu mais um gole enquanto a encarava.

- Eu pensei a mesma coisa. Tive que assistir umas 3 vezes por que nas duas primeiras eu só tava tentando entender o clipe. Aquela cena do barco foi tão questionável, e eu não vou nem comentar sobre a do “banquete” porque alimentar um monte de pré-adolescente com fini azedo não… - e honestamente, naquele ponto Jaemin já tinha parado de prestar atenção no que a australiana dizia.

Isso porque os dedos dela pareciam tão finos e elegantes segurando a taça daquele jeito, rodando-a às vezes e a aproximando da boca quase como um charme, e os lábios tão rosados, ainda úmidos pelo vinho, se movendo tão lindamente a cada palavra dita e oh céus aquele sorriso… os dentes incrivelmente brancos e alinhados que pareciam iluminar ainda mais o ambiente enquanto chamava o nome da idol repetidas vezes… Espera aí…

-Jaemin! - chacoalhou a cabeça, saindo do transe e encontrando um par de olhos curiosos sobre si.

- Desculpa, me perdi aqui. - Abaixou a cabeça, sentindo as bochechas arderem por ter sido pega no flagra.

- Percebi - riu fofa - Tava pensando em quê?

- Ahn… e-eu tava.. é… - Não conseguiu terminar sua (tentativa de) fala, já que sentiu os dedos da loira irem de encontro a uma das mechas que escaparam do rabo de cavalo que fez antes de cozinhar. Levantou o olhar apenas para ver os olhos brilhantes e as bochechas estreladas acompanharem sua mão, enquanto colocava a mecha atrás de sua orelha devagar.

Jaemin já tinha a respiração falha apenas com o gesto, mas ela parou quando, assim que terminou de arrumar os fios, a mão da mais nova desceu até seu maxilar, parando por lá. Não ousou respirar, muito menos se mexer. Apenas observou os olhos da garota passearem por seu rosto, enquanto os dedos finos começaram a acariciar lenta e hesitantemente a bochecha da mais alta. Sem desviar o olhar, a idol engoliu em seco e deu um pequeno passo em direção a ela, que tomou mais coragem com a reação positiva e colocou mais confiança no tracejar da carícia.

Nenhuma das duas parecia querer sair daquela pequena bolha que criaram, mas o universo parecia ter outros planos, já que o timer da massa apitou ao fundo, as trazendo de volta à realidade. A Lee a encarou por mais alguns segundos, trazendo a taça até os lábios e bebendo um gole de vinho enquanto passava os dedos uma última vez por baixo do lábio inferior da idol antes de sorrir e se virar para checar o ponto do macarrão, deixando uma Na Jaemin estagnada, com uma mão no coração disparado e outra na bochecha, se questionando se tudo aquilo tinha acontecido de verdade. Almoçar seria uma tarefa mais difícil do que o planejado.

 

--

 

- Virgem e Leão combinam? - Perguntou a loira, já mais alegre pelo álcool. As duas passaram a tarde se dividindo entre cozinhar e comer (com algumas provocações castas aqui e ali), mas perderam a conta de quantas taças de vinho já tinham secado. O que as levava ao cenário atual: as duas deitadas sob o gramado, bêbadas, inicialmente para ver o pôr do Sol, mas agora, horas depois, tendo o céu estrelado e com poucas nuvens de companhia enquanto falavam sobre tudo e nada ao mesmo tempo, meio emboladas.

- Não faço ideia, mas espero que sim.- fez um biquinho. - Não conheço muito de astrologia ocidental, mas meu signo chinês é o Dragão de metal…

- O meu também! - exclamou a mais nova, com a voz mais lenta e alta que o normal e um sorriso. - Seria isso o destino?

- Espero que sim… - murmurou baixinho, repetindo sua fala, e olhando em seguida para a menor. As duas estavam deitadas de barriga para cima, uma ao lado da outra. A australiana tinha seus fios ondulados espalhados pela grama, um vestido leve com decote em v em um tom de verde pastel contrastando com a pele mais bronzeada. As bochechas mais coradas pelo álcool e o sorriso bobo sempre estampado faziam o coração da idol disparar. Ela era de tirar o fôlego.

- Não queria comentar nada, mas você tem uma mania de se distrair facilmente, sabia? - Comentou a loira, virando o rosto para olhar em seus olhos. - Tá perdendo o espetáculo… - apontou para o céu.

-Acredite, tô olhando pra ele. - se virou de lado, ficando totalmente de frente para a menor, que, mesmo vermelha, repetiu a ação e se aproximou mais ainda da mais velha. Naquele momento, agradeceu as garrafas de vinho que tiraram sua timidez o suficiente para conseguir conversar (e flertar) sem se sentir à beira de uma combustão espontânea.

- Sabe, se você não fosse tão famosa e não tivesse o risco de algum paparazzi nos seguir, eu te chamaria pra um encontro ao ar livre… - falou baixinho, só para a morena ouvir. Os olhos úmidos pelo álcool e o biquinho que fez logo em seguida fizeram a morena se aproximar mais.

-Sabe, eu aceitaria…

-Mas você é famosa. - acrescentou.

-Mas eu sou famosa.

-Então acho que vou ter que te chamar para um encontro em algum lugar escondido…

- Isso é um pedido? - perguntou divertida.

- Isso é um sim? - a morena riu alto, juntando toda a coragem que tinha para se sentar e projetar o corpo para cima da menor, descendo devagar o rosto até os narizes se encostarem. Os olhos passeavam pelo rosto uma da outra, e, com um sorriso de canto, a Na terminou de se abaixar, beijando o canto dos lábios da loira por 5 segundos, antes de se levantar e arrumar os fios rebeldes.

- Te pego aqui na terça-feira às 20, combinado? - sussurrou, com os narizes ainda se tocando.

- Poxa, só as 20? Podia me pegar a noite inteira né… - murmurou, vendo a morena gargalhar e se levantar, a ajudando a ficar de pé também, já que era provável que as duas caíssem pela embriaguez - Mas tudo bem, eu aceito.

- Ótimo, preciso ir agora. Já está tarde e o álcool tá começando a baixar, então é melhor aproveitar a oportunidade de não cair na rua.

Foi acompanhada pela australiana até a porta, onde se despediu com um abraço forte, sentindo o cheirinho de ylang ylang e óleo de coco dos cabelos dela e a sensação dos braços fortes em sua cintura. Imediatamente seu cérebro começou a trabalhar em frases, poemas e poesias para dedicar a mais baixa, poemas lindos o suficiente para virarem a letra de sua composição. Quando saiu da loja, correu sem parar até seu apartamento, procurando o mais rápido possível por um papel e caneta e escrevendo os primeiros versos que lhe vieram na cabeça, deitando no sofá enquanto relia as mesmas 5 linhas repetidamente até cair no sono.

Ô menina
Sabe que a nossa amizade tem que ser escondida
Ô menina
Falei do seu cheiro, do seu beijo
Mas era coisa pouca

 

--

A música ambiente em um jazz leve, o Sol entrando pela janela e a cidade terminando de acordar eram os momentos favoritos dos dias de Felix. Segundas-feiras eram particularmente mais cheias, já que todos pareciam sem capacidade alguma de ir trabalhar ou estudar sem um copo de café antes, e a Lee tinha que se mover para todos os lados como um polvo para dar conta dos pedidos. Mas, depois das 10 da manhã, quando o movimento diminuía consideravelmente, a australiana se dava um tempo para preparar um café para ela mesma, se apoiar no balcão e olhar o ir e vir das pessoas pela janela, perdida em uma nuvem de pensamentos.

Nuvem essa que estava sobrevoando uma certa idol por mais tempo do que deveria. Mas a loira não podia evitar, não mandava no coração. A imagem dela entrando no café pela primeira vez não abandonava sua cabeça, parecendo ser feita para destruir duas defesas, uma por uma. Um rosto lindo, um sorriso encantador, o piercing refletindo a luz do Sol, os olhos que pareciam indicar a direção certa, os cabelos compridos ao vento vindo na porta ainda aberta e um jeitinho de falar que pirou a cabeça da mais nova.

Em momentos como esse, não prestava atenção em mais nada. O latte com cereja esfriando em suas mãos, algumas caixas de leite para re-estocar, o olhar curioso de seu melhor amigo e mãe no canto oposto do balcão… Tudo se tornava desinteressante perto da lembrança das bochechas coradas e da boca bonita beijando o canto da sua.

-Lix, tá tudo bem? - Perguntou Hyunjin, preocupado com a amiga, que chacoalhava a cabeça para sair do transe. - Você ‘tá olhando o farol piscar na rua já faz uns 7 minutos.

-Estou sim Jinnie, só meio distraída.

-Tá pensando naquela garota lá né? - riu quando viu as bochechas dela ascenderem num vermelho vivo. - Sabia! Espera o Chan ficar sabendo dessa.

- Yah! Não é pra contar nada pra ele, ouviu? Quero esperar eu ter certeza antes de ir desabafar com o Chan oppa.

- Certeza do que solzinho?

- Que ela gosta de mim mesmo. Sabe como a vida desse povo famoso é complicada, e como eles não tem tempo pra nada. E sabe, eu gosto dela. De verdade. Eu sei que é meio cedo, mas eu já to sentindo umas borboletas no peito só de pensar na gente juntinhas.... - Fez um beicinho entristecido.

- Hey, não fica assim toda borocoxó não. Já viu o jeito que ela fica do seu lado? Porque eu vi, e é uma bagunça. Sério, não querendo puxar pro seu lado ou ser babaca, mas acho que se você pedir pra ela dar a patinha, ela da. - Sorriu largo quando ouviu a mais nova gargalhar alto, dando um tapa leve no seu peito. Isso a deixava muito feliz, e saber que a observação vinha de Hyunjin, uma das pessoas que mais amava e confiava nesse mundo, a deixava mais tranquila. Não era uma situação tão simples, mas se sentia positiva.

Foram interrompidos pelo sino da porta, anunciando mais um cliente. Hyunjin deu um último abraço forte na garota antes de voltar para o caixa rapidamente. Com um gole final em seu café, a loira começou a preparar a bancada para preparar o pedido, vendo sua mãe chegar quieta ao seu lado, levando mais caixas de leite para ela guardar na geladeira. Sentia a matriarca lançar olhares para si enquanto preparava um Iced americano e um nut latte, mas não comentou nada, preparando os pedidos com cuidado e entregando com carinho e um sorriso no rosto para o cliente. Quando se virou, encontrou a mãe com os utensílios sujos já na pia, a encarando estranhamente séria.

- Então, Jaemin né?

Notes:

Meu tt: @LetVmoon

Vou tentar postar ela em inglês tmb depois.