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Vamos Brincar?

Summary:

Lloyd estava entediado até se lembrar que seu primo Moro estava passando os dias na sua casa. Ao convidar ele para brincar, as coisas acabam não seguindo o rumo que ele planejara.
Será que seu plano de convencer o primo a brincar irá funcionar?

Notes:

Eu amo ninjago, então obviamente não poderia deixar de postar outra fic da categoria né ☺️

O relacionamento inexistente entre Morro e Lloyd é algo tão pessoal pra mim,,,,,,

Enfim, espero que gostem !!

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Lloyd sentia-se terrivelmente entediado. Já deveria ter suspirado umas cem vezes só enquanto encarava o teto do seu quarto, completamente desinteressado em continuar a jogar em seu vídeo game.

Era tarde de domingo, o que sinceramente não fazia muita diferença visto que ele estava de férias. Afinal, quando todo dia parecia ser um grande fim de semana, ele acabava perdendo seu efeito especial. O importante era que: era um dia tedioso.

E o pequeno Garmadon não aguentava mais ficar preso em seu quarto. Seus livros e gibis estavam espalhados já pelo chão do quarto, pois de manhã tinha ficado com vontade de ler uma história nova só pra se ver relendo sobre seu herói favorito. Seus brinquedos, todavia, continuavam guardados na caixa deles, sendo não usados pela falta de amigos para poder brincar.

Em seus plenos oito anos, Lloyd poderia afirmar que aquele era o dia mais chato da sua vida.

Olhando mais uma vez para o relógio que ficava em sua cabeceira, ele percebeu que ainda eram míseras duas horas da tarde. Já havia feito praticamente tudo o que podia ter feito sozinho — exceto desenhar, porque ele normalmente gostava de fazer isso quando estava inspirado — e ainda não estava nem perto do horário da janta!

Embora seu quarto fosse muito confortável, Lloyd estava começando a sentir-se sufocado ali dentro. Ele queria tanto brincar com alguém, infelizmente a maioria dos seus coleguinhas estava viajando ou morava longe.

E pra melhorar a situação, o único coleguinha que morava perto estava gripado. Lloyd sequer podia visitar Jay, pois os pais dele eram levemente paranóicos e preferiam que o doente evitasse contato com outras pessoas enquanto estivesse se recuperando.

Com um grunhido, Lloyd encarou o teto com toda a raiva que sentia. Era muito injusto que Kai, Nya e Cole estivessem viajando ou que Pixal e Zane morassem tão longe que só pudessem passar em sua casa se fossem acabar dormindo lá também.

Por que as férias tinham que ser tão chatas? 

Pior que nem mesmo seu pai poderia brincar com ele, afinal, o homem estava trabalhando. E Lloyd sabia melhor do que ninguém que só poderia interromper Garmadon se fosse alguma coisa muito importante.

E embora ele achasse que fosse urgente que seu tédio sumisse, sabia que querer companhia para brincar não era relevante o suficiente para atrapalhar o seu pai.

Com mais um suspiro, Lloyd se sentou no colchão antes de olhar novamente para o relógio. Eram duas horas e quinze minutos. O tempo parecia não passar nas férias da mesma forma que passava fora delas.

Normalmente o dia acabava tão rápido...

Lloyd se levantou e abriu a porta, pronto para perguntar à sua mãe se ela queria lhe ensinar a cozinhar no momento. Talvez ela estivesse livre, não? Afinal, com o tio Wu em casa, ela tinha mais ajuda na hora de fazer as obrigações de adulto dela e– Oh

Seus olhos se arregalaram ao se lembrar que ele tinha, sim, alguém que poderia o ajudar a ficar menos entediado. Com isso, ele saiu correndo pelo corredor enquanto chamava por:

— Moro! Moro! 

Seu primo mais velho.

Enquanto pulava de dois em dois degraus para descer mais rápido, Lloyd falava o mais alto que podia. Tanto que não demorou muito para uma voz rouca o responder, vinda da sala, dizendo:

— Que foi? 

E, ao chegar no pé da escada, Lloyd o viu sentado no sofá em toda a sua glória. Os olhos pretos de Moro estavam cravados na tela do celular que ele segurava na mão direita, claramente entretido com o que via.

— Vamos brincar? — Lloyd usou seu melhor tom de pidão ao questionar o primo, enquanto tentava reproduzir a expressão do gato de botas. 

Esse truque sempre funcionava em seus pais e os fazia pensar duas vezes antes de decidir se ele poderia comer mais um biscoito ou ter mais algumas horas no parquinho pra brincar.

Todavia, parecia que Moro era imune a ele.

— Não. — Foi a resposta curta e desinteressada do seu primo, que sequer retirou os olhos da tela do celular ao falar.

Lloyd fez um biquinho emburrado e cruzou os braços. Não era justo! O que tinha de tão interessante naquele telefone que Moro sequer dava uma atençãozinha para o mais novo?

Uma ideia logo surgiu na pequena cabeça de fios loiros dele e se enraizou ali. Os cantinhos dos lábios se ergueram num sorriso maldoso ao que ele descruzava os braços.

Oh, aquela seria sua melhor vigarice.

Aproveitando que Moro estava distraído, Lloyd tomou o celular da mão dele, o pegando de surpresa. Antes que seu primo entendesse o que estava acontecendo, o pequeno Garmadon saiu correndo em direção às portas de vidro que ficavam atrás da poltrona.

No exato momento em que as abriu, ele escutou seu primo gritando para devolver o celular dele e deixar de ser um pirralho chato. No entanto, tudo o que Lloyd fez foi correr para o jardim enquanto dava uma risadinha divertida.

Seu primo poderia até não querer, porém ele não teria outra opção a não ser brincar com o mais novo.

A adrenalina que invadiu o pequeno corpo o ajudou a se mover mais rápido, e logo ele já estava atravessando o jardim para chegar até a única árvore que tinha por ali.

Ele colocou o celular no bolso do short que usava antes de começar a escalar apressado, sentindo o coração batendo forte e rápido no peito. Embora Lloyd não fosse do tipo que gostava de ficar em lugares altos, ele abria uma exceção para árvores. Desde que havia subido na casinha de madeira que ficava em uma, havia criado um gosto e carinho por ficar entre as folhas verdes e sentir a aspereza da madeira do tronco em seus dedos.

Por isso, tinha uma certa facilidade em escalar. Afinal, com a ajuda de seu pai, não demorou muito para pegar a manha de como subir em árvores.

— Lloyd, seu pirralho! Desce já daí. — Moro gritava do chão. Ele facilmente havia alcançado o primo mais novo e por pouco não tinha o agarrado antes de chegar num galho mais alto.

— Só se você brincar comigo. — Lloyd gritou de volta. Um sorriso contagiante dominava seu rosto e seus dedos seguravam o bolso em que estava o celular, querendo confirmar que ainda estava ali.

A última coisa que ele precisava agora era acabar deixando o telefone cair daquela altura e o quebrar sem querer, então estava tentando tomar cuidado com o objeto.

— Para de palhaçada e desce logo daí! — Moro retrucou, claramente irritado.

Tudo o que Lloyd fez foi lhe dar a língua. Somente esse pequeno gesto pareceu o suficiente para fazer seu primo tentar se arriscar a subir a árvore, no entanto, assim que ele colocou as mãos no tronco, o tio Wu apareceu nas portas de vidro abertas.

— Lloyd! Moro! O que está acontecendo? — O adulto questionou enquanto se aproximava das crianças.

— Pai, ele pegou o meu celular e não quer devolver! — Seu primo não demorou a delatar enquanto apontava para o pequeno Garmadon no topo do galho.

— Você também não quer brincar comigo! — Lloyd retrucou, fazendo questão de cruzar os braços.

Moro provavelmente teria respondido se o tio Wu não tivesse colocado a mão no ombro dele.

— Lloyd, desça da árvore por favor.

Era uma ordem. Ainda assim, o tom dele não deixava nenhuma emoção além de paciência na voz, o que fez com que o mais novo tivesse a impressão de que não estava ferrado. Pelo menos, ainda não.

Obedecendo o tio, Lloyd logo tratou de descer do galho com cuidado. Descer de árvores normalmente requer uma certa cautela, por isso o pequeno Garmadon levou o tempo que precisava para chegar ao chão sem se machucar.

Assim que se encontrou perto dos outros dois, Wu lhe mostrou a palma virada num pedido silencioso. Moro apenas arfou de forma revoltada enquanto assistia o primo entregar seu celular para seu pai.

— Pois bem. — O adulto começou a falar, observando as duas crianças. — O que aconteceu?

O mais velho não precisou ouvir de novo antes de explicar seu lado. Conhecendo a forma como o tio gostava de lidar com situações de desentendimentos, Lloyd esperou o primo acabar de falar antes de dizer a sua visão sobre o que aconteceu.

Agora informado, Wu apenas assentiu, parecendo assimilar o que tinha escutado.

— Moro, o que eu te falei quando viemos pra cá? — Seu tio perguntou ao filho, com um jeito de quem apenas está tirando uma dúvida, embora Lloyd tivesse certeza que ele sabia da resposta.

— Que íamos vir para a casa do tio Garmadon pra passar um tempo em família — resmungou Moro. Ele parecia indignado com a questão e com o fato de não ter recebido seu celular de volta.

— Então por que você estava ignorando seu primo pra ficar no celular? 

— Porque eu não gosto das brincadeiras dele! São para bebês e eu não sou um — seu primo retrucou com a voz carregada de raiva. Lloyd teve de morder a própria língua para não se defender da acusação do outro.

— Moro, você só tem 12 anos. — Aquela foi a primeira vez que o pequeno Garmadon escutou o tio falar de forma tão cansada. Pelo visto, aquele argumento não era novo.

Seu primo apenas revirou os olhos enquanto cruzava os braços, nada satisfeito com o ritmo daquela conversa.

Wu pareceu inspirar fundo antes de se virar para o sobrinho.

— Lloyd, no que estava pensando quando pegou o celular do seu primo e subiu naquela árvore?

— Que ele iria brincar comigo?! — ele respondeu como se estivesse fazendo uma pergunta. A dúvida era clara no tom de voz da criança e ele não tinha muita certeza de onde o tio queria chegar com aquilo.

— Em troca do celular?

Lloyd assentiu com fervor. Moro estalou a língua, revoltado, porém foi prontamente ignorado pelos outros dois.

— Acha mesmo que consegue fazer as pessoas se forçarem a seguir suas ideias? — A voz de Wu soava tranquila e misteriosa, o que fez com que o pequeno Garmadon franzir suas sobrancelhas em confusão.

— Eu só queria que ele brincasse comigo. — Foi a única coisa que Lloyd conseguiu dizer. Ele não entendia exatamente o que estava acontecendo, e ainda assim, estava sentindo-se um pouco culpado e triste.

— Eu sei, sobrinho — seu tio respondeu. — Só que não adianta você tentar forçá-lo a brincar contigo. Isso não vai fazer ele querer passar um tempo contigo e muito menos vai ser divertido para os dois.

— Mas eu ia devolver o celular se ele aceitasse brincar comigo!

— Não é assim que se faz acordos, Lloyd. — Wu falou de forma calma. Ele via as lágrimas se acumulando nos olhos do sobrinho e sabia que ele estava se sentindo mal no momento.

Moro observava a interação com desinteresse, todavia seu pai sabia que ele estava desconfortável com a reação de seu primo. Eles normalmente se davam bem e não tinham problemas de fazer as coisas juntos, só que nem sempre o mais velho estava com vontade ou no humor certo para lidar com o Lloyd.

— Quando se faz um acordo, ambas as partes precisam concordar com o que é proposto. — Wu explicou enquanto afagava os fios loiros do sobrinho. — Moro não tem que concordar em brincar com você só porque está com algo dele e sim porque ele quer. Você entendeu?

O pequeno Garmadon olhou para o tio, fungou uma vez e assentiu. Pelo menos agora fazia sentido o porquê de ele estar se sentindo triste. O mais novo sabia que o primo não gostava de fazer as coisas quando não tinha escolha. Ainda assim, Lloyd não estava pensando em nada além de si mesmo quando resolveu perturbá-lo.

Ele realmente era um pirralho.

— Desculpa, Moro. — A voz da criança estava fina, como se estivesse fazendo um pequeno esforço pra falar.

Isto fez com que o mais velho suspirasse de forma cansada antes de puxar o primo para um abraço apertado.

— Não faça isso de novo ou eu vou esconder seu estoque de doces. 

— Moro. — Wu advertiu, olhando o filho com repreensão.

Todavia, Lloyd apenas arfou.

— Você não iria! — o mais novo retrucou, se afastando do abraço apenas para olhar assustado para o primo.

— Isso é um desafio? — Moro questionou, erguendo uma sobrancelha como se estivesse pedindo para Lloyd confirmar.

Negando com a cabeça, o pequeno Garmadon voltou a esconder o rosto no peito do outro. Ele adorava quando o mais velho era carinhoso e o confortava, então tentava tirar o máximo que podia sempre que existia a oportunidade.

Wu observava os dois garotos com um pequeno sorriso enfeitando seus lábios. Moro, ao perceber a expressão do pai, afastou Lloyd de si.

— E aquele jogo de cartinhas que você me prometeu mostrar, hein? 

Aquela foi a primeira de muitas perguntas que Moro faria para o primo enquanto ambos estivessem jogando Pokémon TGC durante o resto da tarde.

Notes:

oof, aqui vai bastante coisa,,,,
primeiro !! obrigado a nyels pela betagem maravilhosa, você realmente puxou minha orelha e estou grato por isso.
segundo !! obrigado Eha por não só ter sido minha capista — e ter aturado todas as minhas exigências e trocas — como também por ter sido uma helper de meio período para mim, me ajudando a trazer essa fic a tona. Essa capa ficou tao softizinha, aaaaa 🥺🥺🥺

e obrigado Lexyee, por ter criado esse projeto lindíssimo que me deu a oportunidade de ter conhecido tanta pessoa bacana. dois anos de projeto, uh. dois anos que já nos conhecemos. senso sincero não esperar que fôssemos dirar tanto e ainda assim não nos vejo quitando tão fácil KKKKKKKKKKK

feliz /anivers/ário Aniverse !!! essa fic eh pra você 🥰