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Halloween!! Kagehina

Summary:

hinata e tobio decidem passar a noite vendo filmes de terror.

de repente, as luzes apagam e uma chuva torrencial recai implacável sobre eles; gritos estridentes fazem a dupla entrar em um dilema: sair pra checar ou se esconder debaixo da cama?

Notes:

Olá todo mundo!!! Feliz halloween, espero que gostem da fanfic <3

Work Text:

Hinata Shoyo definitivamente odiava filmes de terror, não só por serem assustadores. Ele odiava todos aqueles jumpscares que apareciam do nada e o faziam pular do sofá; ele odiava o jeito que os personagens principais agiam, como se estivessem lado a lado com a morte o tempo inteiro; odiava as decisões estúpidas que tomavam naqueles filmes e como tudo parecia sempre favorecer o assassino, que era convenientemente mais inteligente do que qualquer um dos outros personagens do filme. Ele odiava filmes de terror em geral e, no entanto, aqui estava ele, sentado ao lado de seu namorado na noite de halloween, prontos para verem algum filme genérico de terror sobre um serial killer.

 

Um suspiro singelo escapou de seus lábios; Kageyama parecia adorar aquele tipo de filme e, desde que ainda eram apenas amigos em negação, tinham a tradição de fazer uma maratona de filmes de terror e suspense na noite de halloween. Sinceramente, não era tão ruim quanto Hinata achou que fosse ser. Ele tinha Tobio ao seu lado a noite inteira e, sempre que podia, aninhava-se entre aqueles braços que sempre o faziam sentir-se protegido e amado. Apesar dos filmes serem uma porcaria na maioria das vezes, estar com Kageyama fazia tudo valer a pena.

 

Oe idiota, você está divagando de novo! O filme já começou. — Kageyama soou em seu tom usualmente irritado, mas Hinata sabia que havia suavidade naquelas palavras; eles nunca deixaram de se comportar como melhores amigos, mesmo quando começaram a namorar. Shoyo viu o quão sortudo era por encontrar amor, amizade e rivalidade na mesma pessoa, e ele sabia que Kageyama também pensava assim. Eles se amavam e não precisavam dizer isso diretamente a todo momento; simples atitudes, como a velha tradição de ficarem na companhia um do outro no halloween ao invés de irem a alguma festa, exibia isso mais do que palavras clichês.

 

Ok, desculpa, acabei pensando demais em algumas coisas. — Hinata se acomodou no sofá, aproveitando para deitar a cabeça no ombro do namorado.

 

Me admira que você seja capaz de pensar em alguma coisa... — Tobio deu-lhe um sorriso zombeteiro e provador, recebendo um leve tapa em seu ombro.

 

Você fala isso mas é mais burro do que eu, idiota. — Hinata murmurou, afastando-se um pouco de Kageyama.

 

Cale a boca, aposto que você seria o primeiro a morrer num filme de serial killer.

 

Vai se foder Tobio, você tem o mesmo Qi de uma porta, o assassino ficaria com pena de te matar. — 

 

Aposto que você nem sabe o que é Qi, seu animal. — 

 

Por alguns segundos, Hinata ficou em silêncio. Parando pra pensar, ele realmente não sabia direito o que era Qi.

 

Meu deus, eu namoro um burro...— Kageyama sorriu, o carinho espalhando-se por seus lábios apesar dos insultos.

 

Hinata o encarou, olhos revirando enquanto tentava conter o riso preso em sua garganta.

 

Vamos prestar atenção no filme, imbecil. — Disse o alaranjado, voltando a encostar a cabeça no ombro de Tobio confortavelmente. Por mais que tentasse se manter afastado, seu corpo parecia sempre querer mais contato com Kageyama; era como um ímã forte o puxando e puxando de volta para aquele conforto, sutil conforto que deixava a sensação de lar. Sim, ele tinha certeza que os braços de Kageyama eram sua casa e era bom saber que sempre seria bem vindo ali. 

 

O vento soprou gélido sobre eles quando o silêncio recaiu na sala de estar. Os sons da televisão preenchendo a quietude, ainda que a cena que se passava no filme era de uma tensão quase palpável. A dupla estava agora mais do que concentrada no filme, olhos atentos observando cada movimento de uma das vítimas tentando escapar das mãos de seu predador.

 

O relógio na parede marcava agora dez da noite; a ventania lá fora começava a ficar mais forte e barulhenta, não demorou para que o frio se instalasse na sala de estar. Hinata ergueu seus olhos da televisão e deixou que vagassem por Kageyama ao seu lado, ele parecia imperturbável. Shoyo respirou fundo, se levantando do sofá.

 

Vou fechar as janelas antes que a gente congele aqui. — Ele murmurou, mas Tobio parecia imerso demais no filme para responder o namorado.

 

Droga... Parece que vai começar a chover logo... — Hinata sussurrou mais para si mesmo do que para Kageyama, a brisa gélida rebatendo contra a pele pálida assim que se aproximou da janela. Estava frio e já não havia estrelas no céu escuro; nuvens carregadas e espessas se deleitavam até onde a visão poderia alcançar, o silêncio sendo quebrado apenas pelo assovio suave do vento.

 

Urg, que assustador. — Disse, sentindo um leve arrepio percorrer seu corpo. Ele voltou rápido para os braços seguro e quentinho do namorado assim que garantiu que as janelas estivessem fechadas, se aninhando contra o peito de Tobio.

 

Não muitos minutos depois, o barulho da chuva recaiu sobre eles; forte e implacável, uma torrencial repentina que pegou ambos de surpresa. Sequer havia previsão para chuvas naquela noite, quanto mais tempestades. Kageyama lançou um olhar preocupado a seu namorado, que apertou a cintura do maior. Hinata adorava noites chuvosas, mas apenas as tranquilas. Tobio por sua vez, odiava tempestades tanto quanto Shoyo fazia. Ainda que a chuva fosse relaxante, quando era violenta tornava-se brevemente assustadora.

 

A gente podia pelo menos trocar de filme... — A voz do alaranjado saiu mais baixa do que deveria e Kageyama bufou, um sorriso divertido nos lábios 

 

Tá com medo? Você tem o que, seis anos? — Ele brincou, usando uma de suas mãos para acariciar as madeixas laranjas.

 

Você é um idiota, sabia disso? Aposto que é você quem tá morrendo de medo e não quer admitir. — Hinata retrucou

 

Você literalmente acabou de pedir pra trocar de filme. — 

 

Isso não quer dizer nada. — 

 

Aham amor, claro. — Kageyama sorriu um pouco mais, os olhos carregados de um sarcasmo já muito conhecido pelo companheiro.

 

É por esse tipo de comportamento que você com certeza seria o primeiro a morrer num filme de terror. — Hinata diz em um suspiro, os olhos revirando.

 

Kageyama parece pensar em algo para recrutar, assumindo uma carranca realmente irritada em seu rosto. Ele parece desistir de falar o que quer que fosse.

 

Vitória pra mim, pensa Hinata.

 

 

 

                    [...]

 

 

 

Repentinamente, um estrondoso trovão ecoou por toda parte, Kageyama e Hinata estremecendo com o susto jamais esperado. Eles se entreolharam, olhos azuis como o oceano, mesclando-se ao amarronzado; por alguns segundos, Tobio achou ter encarado o próprio sol. Era assim que aqueles olhos o faziam sentir. 

 

Um assovio agressivo inundou novamente o pequeno apartamento; o vento lá fora começara a ficar cada vez mais violento, o som alto das gotas grossas de chuva retumbando por todo lugar, a ligeira ideia de estarem no meio de uma tempestade na noite de halloween não era das mais atraente para nenhum dos dois ali naquele sofá. Por mais que jamais fosse admitir para Hinata ou qualquer outra pessoa, Kageyama era alguém que realmente temia o sobrenatural. Inconscientemente, ele segurou o namorado mais firme em seus braços e Shoyo o agradeceu mentalmente por aquilo. 

 

A atenção voltou-se ao filme com muito custo, era difícil permanecer concentrado. Ainda assim, era apenas uma chuva comum. 

 

Pelo menos, era o que pensavam.

 

Outro trovão ressoou alto pela casa. As luzes da cozinha inesperadamente começaram a tremer, a iluminação vacilando de forma nada sutil.

 

Hinata e Kageyama olharam para as lâmpadas e depois para a televisão; a tela havia ficado totalmente preta e, ainda mais bruscamente do que o próprio ecoar do trovão, todas as luzes da casa apagaram-se.

 

A vasta escuridão inundou completamente todo o apartamento.

 

Ali, parados no escuro, a dupla de namorado seguraram mais firmemente um no outro, o silêncio sendo preenchido apenas pelo barulho alto da chuva lá fora.

 

Então, Kageyama tentou se desvencilhar dos braços apertados de Hinata sobre os seus.

 

Ka-Kageyama, pra onde você pensa que vai??!! — Perguntou, sua voz saindo levemente esganiçada.

 

Vou procurar algumas velas, seu idiota, a gente não pode ficar no escuro. — Tobio tentou soar o mais corajoso possível.

 

Ei, é pra isso que serve a lanterna do celular… — 

 

É, mas o seu tá descarregado e o meu tá em vinte por cento, a gente não sabe quando a energia vai voltar então é melhor poupar caso algo aconteça. — 

 

Que- Que tipo de coisa pode acontecer? — Hinata grunhiu, pensamentos assustadores começando a inundar sua mente. Maldito filme de seria killer. 

 

S-sei lá Hinata, me ajuda a procurar umas velas vai. — Kageyama finalmente levanta do sofá, também temendo acabar se deixando levar pelos acontecimentos do filme. Pelo menos algum deles dois precisava ser racional naquela situação.

 

Eu acho que tem algumas na gaveta do armário da cozinha… — O alaranjado murmurou, tentando não tropeçar nos móveis enquanto caminhava pela escuridão.

 

Hina, acho que vou dar uma olhada no gerador lá embaixo. — 

 

Você vai o quê? Tá maluco? É assim que as pessoas morrem nos filmes! — 

 

Nós não estamos em um filme, idiota! — Suspirou Kageyama, finalmente encontrando algumas velas.

 

Eu sei, mas você pensa igual aqueles caras burros que se fazem de corajosos e são os primeiros a morrer! — Hinata revira os olhos, assistindo o tremeluzir das chamas começar a preencher as lacunas de escuridão. Estranhamente, a iluminação do fogo o fez sentir-se ainda mais desconfortável, o barulho alto da chuva nunca deixando que o silêncio se instaura-se entre eles.

 

Então vamos comigo, a gente precisa resolver essa questão da energia logo. — 

 

Você não entende nada de eletricidade. —

 

C-cala a boca, eu sei algumas coisinhas ok? — Kageyama murmurou, as bochechas adquirindo um leve rubor com as palavras do namorado.

 

Tá bom, mas só vou porque não quero ficar sozinho aqui…

 

Medroso. — 

 

Quem é você pra falar de mim? Eu sei que você só quer resolver esse problema do gerador porque tem medo do escuro. — Hinata sorriu, um sorriso carregado de diversão e travessura. Implicar com Kageyama era algo que sempre o deixava com um humor excelente, principalmente quando conseguia deixá-lo corado.

 

Tobio, por sua vez, respirou fundo e decidiu ignorar o companheiro. 

 

Vamos logo. — Foi o que disse, agarrando o braço de Shoyo com uma força considerável enquanto, com a outra mão, segurava um pequeno castiçal duplo com as duas velas que achara mais cedo.

 

Eles congelaram repentinamente, no entanto.

 

Não pelo medo do prédio tão conhecido por ambos estar agora na escuridão. Não pelo barulho alto da chuva retumbando pelas paredes finas.

 

Mas por um grito, alto e estridente, que ecoou firme pelos corredores do apartamento. Era o grito de alguém conhecido. Eles já haviam escutado aquela voz inúmeras vezes, mas nunca naquele tom. Um tom apavorante.

 

Era a voz de Sugawara Koushi, um de seus vizinhos. 

 

Hinata e Kageyama se entreolharam, o pânico estampado vívido em suas faces amedrontadas.

 

H-Hina- —

 

Shhhhh!! — Shoyo interrompeu a fala do maior, tampando sua boca com uma das mãos. Passos apressados podiam ser ouvidos agora, tão perto da porta onde estavam que quase era possível ver a sombra do indivíduo pairando sobre eles.

 

V-vamos chamar a polícia! — Hinata sussurrou, lentamente se afastando de Kageyama.

 

Hina, a gente precisa ver se ele tá bem! — Kageyama murmurou, seus olhos carregando um medo profundo, mesmo que refletido naqueles azuis tão bonitos.

 

Tá maluco? É assim que se morre nos filmes, já falei!!

 

É, eu sei, mas precisamos ver se o Suga tá bem!

 

Claro, mas primeiro vamos chamar a polícia, deixa eles cuidarem disso, Yama! A gente fica trancado no quarto e espera. — 

 

Para de ser medroso, aposto que é só uma pegadinha de halloween. — Kageyama suspira; suas palavras soavam como se tivesse tentando convencer mais a si mesmo do que ao namorado. 

 

Hinata sabia que Kageyama era um cara cético que só acreditava no que os olhos podiam ver, ele era teimoso e burro como uma porta, mas o ruivo não deixaria seu namorado sozinho nessa. Talvez Tobio estivesse certo, ainda era halloween e Suga adorava pregar peças, mesmo que não parecesse.

 

Tudo bem, vamos dar uma olhada, mas se a gente morrer a culpa vai ser toda sua. — Shoyo respira fundo e deixa que seus olhos fechem por alguns segundos. Não havia som além da chuva, os passos e gritos já não estavam mais presentes e estranhamente o deixou ainda mais apreensivo.

 

Não vamos morrer idiota, confia em mim. — A voz grave - ainda que macia - de Tobio voltou a ressoar, retirando o menor de seus pensamentos. Hinata o encarou. Kageyama tinha aquela expressão confusa em seu rosto, o tipo de expressão que ele tinha quando estava muito preocupado ou pensando demais em algo.

 

Se encontrarmos um assassino por aí, pelo menos você vai assustar ele com essa sua cara feia. — 

 

Você não vai precisar de nenhum assassino, porque eu mesmo vou te matar Hinata. — 

 

Eles se encararam por alguns segundos antes de um sorriso divertido e carregador de amor surgir sutilmente em seus lábios. Novamente, Hinata se considerou sortudo por encontrar o amor em seu melhor amigo. 

 

Ei, o que é isso na sua outra mão? — Shoyo perguntou ao ver algo familiar que não havia percebido antes.

 

Uma arma…— Murmurou Kageyama.

 

Isso é uma frigideira?

 

Continua sendo uma arma, idiota. — 

 

Tanta coisa melhor pra você pegar e você pega uma frigideira? — Hinata soou mesmo indignado.

 

Você tem ideia melhor?

 

Hinata suspirou, Tobio tinha razão. Uma frigideira era melhor do que nada. Ele se aproximou de Kageyama, agarrando-se no braço livre do maior. Tobio respirou fundo e segurou mais firmemente o cabo de sua "arma", acumulando o máximo possível de coragem antes de, vagarosamente, abrir a porta e revelar a escuridão do corredor.

 

Eles espiaram o lado de fora antes de realmente sair do apartamento, a chama das velas tremeluzindo ligeiramente com a mudança de ambiente.

 

Tudo parece estranhamente normal… — Murmurou o alaranjado.

 

Espera… o que é aquilo ali nas paredes e no chão? — 

 

O- o que?

 

Seus olhares pairaram sobre as manchas escuras e espessas espalhadas por toda a parte; com a precária iluminação das velas não conseguia-se distinguir verdadeiramente a coloração das manchas, no entanto…

 

O-oi… isso aí tá p-parecendo…

 

Sangue. — Hinata completou, seu corpo inteiro paralisando pelo tamanho medo que se instaurou entre os dois.

 

Kageyama olhou para seu namorado uma outra vez, talvez devesse ter escutado o menor e ter chamado a polícia mais cedo.

 

O que a gente faz agora?

 

E-eu não sei! Ligar pra polícia? Ver se o Suga tá bem? — Disse um pouco mais alto e nervoso, suas mãos buscando segurar mais firmemente a barra da camiseta de Kageyama.

 

Fala baixo imbecil, quer que escutem a gente? — Tobio deu um olhar preocupado a Hinata, segurando uma de suas mãos com força.

 

Shoyo olhou para a frigideira, ele esperava que o assassino tivesse uma arma tão patética como aquela.

 

V-vamos tentar ir até o gerador…

 

Você tá maluco? Foi você mesmo quem disse que era uma péssima ideia. — Kageyama exasperou.

 

É, mas é melhor do que ficarmos parados aqui, vamos tentar ligar a energia pelo menos. — 

 

Desde quando você ficou corajoso assim? — Tobio sorriu em provocação.

 

Cala a boca idiota… — Hinata não pôde conter um pequeno sorriso divertido que apareceu em seus lábios.

 

 

Um barulho alto voltou a ecoar pelos corredores, um repentino relâmpago clareando todo o lugar por alguns segundos. As chamas das velas voltaram a tremeluzir com o vento frio e forte, balançando e vacilando, ameaçando deixá-los no escuro.

 

H-Hina, talvez seja melhor a gente vol- — 

 

A voz de Kageyama foi cortada. Um grito estridente retumbou por toda parte.

 

O vento forte tornou a soprar de novo e de novo, Hinata segurou ainda mais firme na camiseta de Kageyama, sentindo os olhos marejarem pelo medo. Tobio não estava muito diferente e, apesar de ser orgulhoso demais para admitir, também estava quase começando a chorar pelo pavor que inundava lentamente seu coração.

 

Em vez de fechar os olhos, porém, ele deu um último olhar a Hinata. Mesmo naquela situação, continuava achando o menor fofo e bonito. 

 

Droga, eu tô mesmo apaixonado por esse idiota...” ele suspirou, apertando a frigideira em sua mão antes de finalmente a escuridão completa os engolir. Quando o vento soprou pela última vez, as velas apagaram-se sem cerimônia alguma.

 

Um silêncio ensurdecedor inundou todo o ambiente. Barulho de passos apressados começaram a soar. Shoyo tinha certeza que seu coração estava batendo tão alto que também poderia ser ouvido com atenção.

 

Eles estão perto. — O ruivo sussurrou, mesmo sem ter certeza se Kageyama o estava escutando.

 

Mais passos.

 

Kageyama apertou a mão de Hinata contra a sua.

 

Uma pancada metálica ecoou pelo corredor. Um grito de dor rompeu a tensão espessa em meio a escuridão.

 

PUTA QUE PARIU, QUE DOR DESGRAÇADA!

 

VOCÊ TA BEM? OI, O QUE ACONTECEU?

 

Espera”, Hinata pensou, “essas vozes… eu conheço essas vozes…”

 

E então, tão rápido e repentino quanto foram embora, as luzes tornaram a iluminar todo o prédio. 

 

Hinata? Kageyama? O que vocês estão fazendo no meio do corredor nessa chuva toda? — 

 

Uma nova voz soou em um tom conhecido entre eles. Era Sugawara.

 

ELE ACABOU DE ME ACERTAR COM A MERDA DE UMA PANELA? — Tanaka gritou. Estava sentado no chão, quase encostando na parede. Uma das mãos acariciando a testa machucada, um enorme galo começando a se formar ali.

 

F-FOI SEM QUERER! — Kageyama gritou de volta, o rosto inteiro assumindo uma coloração avermelhada.

 

E p-por que vocês dois estão vestidos assim? — Hinata perguntou, ofegante pelo susto. 

 

Nós estávamos na festa a fantasia na casa do Daichi… — Tanaka respirou fundo, finalmente acalmando os nervos. A dor em sua cabeça era incessante e ele estava realmente irritado com Kageyama, mas a presença de Suga ali aliviava um pouco seu estresse. Ele não queria ter que aguentar uma bronca do mais velho por gritar no prédio tarde da noite.

 

Que tipo de fantasia é essa? — Tobio murmurou.

 

Ryuu e eu estávamos de serial killers! Legal né? — Nishinoya riu alto, recebendo um olhar de desaprovação vindo de Suga.

 

Por que vocês dois estão com essa cara de quem viu um fantasma? — Tanaka pergunta.

 

A gente… a gente pensou que tinha um assassino no prédio! — Hinata gritou, as bochechas levemente coradas.

 

E que ele tinha matado o Suga-san! — Kageyama completou, desviando o olhar também envergonhado.

 

Por alguns segundos, o corredor voltou a ficar em um silêncio quase palpável, preenchido apenas pelo som da chuva que, agora, parecia ter ficado mais fraca.

 

Depois do que pareceu ser uma eternidade, o silêncio começou a ser preenchido por risadas altas.

 

CARA, NEM FODENDO! — Nishinoya gritou em meio às risadas, lágrimas começando a escorrer por suas bochechas.

 

VOCÊS ACHARAM QUE A GENTE TINHA MATADO O SUGA? — Tanaka se curvou um pouco, segurando com força a barriga que já havia começado a doer por causa das risadas.

 

EI, PAREM DE RIR DELES! — Disse Suga entre os próprios risos.

 

Naquela altura, Hinata e Kageyama pareciam dois pimentões de tão vermelhos.

 

Eu queria que a terra me engolisse agora. — Shoyo murmurou em um suspiro 

 

Eu também Hina… — sussurrou Kageyama.

 

Ok gente, calma lá. — Suga respirou fundo, tentando parar de rir.

 

Tanaka e Nishinoya também tentaram cessar as risadas, ainda que fosse inevitável não querer rir naquela situação. Eles não podiam acreditar que a dupla mais nova fossem tão medrosos e corajosos ao mesmo tempo. Por deus, a cabeça de Tanaka ainda estava doendo por causa da pancada.

 

Por que vocês acharam que eles estavam me atacando? — Indagou o mais velho ali.

 

B-bem… — Hinata começou — A gente ouviu o Suga-san gritando… e-e aí as luzes apagaram… ou foi ao contrário? — O alaranjado dizia nervosamente, seu olhar indo de encontro a Kageyama cada vez que se atrevia a conduzir as palavras para fora de sua boca. Ainda que fosse um idiota, Tobio era sempre sua fonte de conforto.

 

A gente te ouviu gritar e… tava tudo escuro, e depois a gente viu sangue no corredor e passos… — Shoyo continuou, o barulho da chuva suavizando o fez acalmar-se um pouco.

 

Kageyama lançou um olhar tenso para o namorado. Ele mesmo não estava em uma situação muito diferente, embora fosse o que menos demonstrava suas emoções. 

 

Sugawara respirou fundo.

 

Meninos, desculpem se eu assustei vocês. Na verdade, eu gritei porque acabei escorregando na lama do corredor e derramei todo o ponche de morango no chão, então não era sangue. — Ele sorriu, um sorriso tão brilhante que poderia competir com o sol. O tipo de sorriso que conforta e te faz sentir-se seguro.

 

Hinata e Kageyama o olharam e, como se fosse mágico, sentiram sua tensão esvair do corpo. Era o efeito que Koushi tinha sobre as pessoas.

 

E nós estamos vestidos assim porque estávamos na festa do Daichi-san! Acabamos esquecendo umas coisas então corremos pra tentar achar no apartamento, só que aí as luzes acabaram… — Tanaka disse, colocando as mãos na cintura e dando uma leve risada. 

 

E não se preocupe Kageyama, eu te perdôo pela panelada! — Ele riu ainda mais, dando um tapa forte nas costas de Tobio, que quase caiu para frente.

 

Isso aí, Ryuu! Desculpem se assustamos vocês, pessoal. — Nishinoya completou, dando um tapinha na nuca de Hinata.

 

 

Novamente, os olhares de Hinata e Kageyama se cruzaram. Azul no marrom, e parecia tão certo…

 

Eles suspiraram, sorrisos sinceros brotando em seus lábios.

 

Cara, a gente foi tão idiota. — Hinata riu

 

Totalmente, e você ainda queria chamar a polícia! — Kageyama acompanhou, sua risada ecoando alto pelo corredor.

 

Suga, Tanaka e Nishinoya pareciam estáticos e confusos – principalmente pela risada alta de Kageyama, algo que eles quase nunca presenciaram –.

 

Espera, o Shoyo queria chamar a POLÍCIA? — Yuu exclamou alto, não deixando de segurar a risada que se estendeu pela conversa.

 

Mano, nem fodendo! — Tanaka tornou a rir em conjunto, segurando a barriga novamente.

 

Suga suspirou, não impedindo sua própria risada de soar pelo prédio. Ele mal podia acreditar que estava cercado de idiotas, mas ainda assim idiotas de bom coração.

 

Era Halloween, afinal, tudo pode acontecer no dia das bruxas. Hinata e Kageyama bem que sabiam disso.

 

Quando tudo finalmente se acalmou e cada um voltou para casa, a dupla de namorados também recolheu-se para dentro do apartamento.

 

Eles não falaram nada, não era preciso. Eles tinham aquela conexão especial, o que todos gostam de chamar de almas gêmeas, mas que eles preferiam não rotular o amor.

 

Hinata se encolheu nos braços de Tobio em um abraço confortável, enquanto o maior depositava beijos carinhosos por todas as sardas do rosto de Shoyo.

 

Eles tornaram ao sofá, outro filme de terror pairando sobre a tela.

 

Afinal, ainda era 31 de Outubro.