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Haunted?

Summary:

Todo mundo conhece a casa no final da rua, ela está lá a mais tempo do que qualquer um consegue se lembrar. A história que passa de geração em geração é que, se você chegar a porta, e disser as palavras certas, finalmente saberá o que tem por trás das paredes de madeira.

O problema é que ninguém sabe quais são essas palavras, nem se essa história sequer tem algum fundamento.

No dia de Halloween, Louis não tem nenhum convite de festa para ir, ele está velho demais para pedir doces então tudo o que lhe resta é olhar pela janela as crianças sendo fofas por ai, e os adolescentes correndo para uma casa aleatória prestes a se embebedar.

Até que, bem de longe, Louis vê rapidamente.

Na casa do fim da rua, que todos apelidavam de mal assombrada por costume, um lampejo de luz fraco se ascendeu, piscou e logo em seguida se apagou. Em questão de segundos.

Ele podia ignorar aquilo e seguir com a sua noite tediosa. Mas ele não tinha mesmo nada melhor para fazer.

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

Todo mundo conhece a casa no final da rua, ela está lá a mais tempo do que qualquer um consegue se lembrar. A história que passa de geração em geração na vizinhança é que, se você chegar a porta e disser as palavras certas, finalmente saberá o que tem por trás das paredes de madeira. 

 

O problema é que, ninguém sabe quais são essas palavras, nem se essa história sequer tem algum fundamento.

 

No dia de Halloween, Louis não tem nenhum convite de festa para ir, ele está velho demais para pedir doces então tudo o que resta é olhar pela janela as crianças sendo fofas por ai e os adolescentes correndo para uma casa aleatória prestes a se embebedar .

 

É sim um pouco patético que ele está nessa situação considerando que, bem, ele tem dezoito então deveria ser um casal adolescente ... Mas não é bem assim que as coisas funcionam para o garoto, primeiro porque colocar toxinas em seu corpo não é sua praia, e segundo porque ele acha todas essas pessoas muito diferentes dele para entrar querer em sua bolha social. E também tem o fato de que ninguém o convidou para droga nenhuma ... Talvez ele tenha inventado os outros dois motivos para se sentir melhor com a realidade. 

 

Até que, sentado no parapeito de sua janela, observando como pessoas e como pequenas pessoas de fantasia caminhando de um lado para o outro - numa tentativa de se distrair nesse começo de noite - ele enxerga uma coisa incomum, bem de longe, algo que foge do padrão "crianças felizes e casas decoradas de maneira alegre", mesmo que seja um feriado conceituado em assombração e coisas aterrorizantes, ainda assim Louis vê rapidamente.

 

A casa do fim da rua, que todos apelidavam de mal assombrada por traje, um lampejo de luz fraco se ascendeu, piscou e logo se apagou em segundos. 

 

Louis tenta processar informação, era uma luz amarelada no primeiro andar, ele nunca viu ninguém naquela casa, ou próximo dela. O gramado a frente sempre para mal cuidado e parecia o tipo de estrutura que desmoronaria a qualquer momento. Então, porque raio tinha alguém lá? E na noite de Halloween? Isso não era muito conveniente? Será que era um sinal?

 

Se tem mesmo alguém lá, uma pessoa de verdade, porque não apareceu para falar com a prefeitura nas dezenas vezes que ameaçaram derrubar a estrutura? Ou então porque não foram as reuniões da associação de moradores para ouvir as opiniões severas das senhoras irritadas sobre como a casa estragava o visual da rua e dava medo nas crianças ...

 

Quanta irresponsabilidade.

 

Mas espere, talvez ele esteja pensando demais também, pode ser que seja uma falha elétrica ... Se for assim, como uma casa velha que ele nunca virá uma nuvem única de fumaça sair da chaminé pode ter uma rede elétrica, ainda mais funcionando? ! Ele tinha certeza de que a prefeitura tinha cortado a luz e a água numa tentativa de chamar a atenção dos possíveis moradores.

 

Louis já estava começando a ficar paranóico, ele talvez tenha visto errado, está entediado demais, sua cabeça está lhe pregando peças ...

 

Antes que pudesse se convencer disso, ele avistou novamente, a mesma sequência de acontecimentos, um lampejo de luz, a luz pisca, e se apaga.

 

Ok, isso não é coisa da sua cabeça ...

 

O que ele deveria fazer? Ele deveria fazer alguma coisa? Deveria contar como autoridades que provavelmente tem alguém lá? E se não tiver e ele passar por mentiroso? Eles o prenderiam por isso?

 

O garoto de brilhantes olhos azuis senta-se em sua cama de solteiro e observa uma vista pela janela, ele não deveria se meter, não deveria ... Não-

 

Que seja.

 

Ele podia ignorar aquilo e seguir a sua noite tediosa. Mas ele não tem mesmo nada melhor para fazer, então, que mal faria dar uma pequena olhada? Ele chegaria numa boa e tocaria a campainha, como uma pessoa civilizada. E se isso fosse suspeito para o possível morador, ele sorriria e diria "gostosuras ou travessuras?" e não pareceria um bisbilhoteiro stalker.

 

Sim, esse é um plano maravilhoso.

 

Sem perder tempo em sua investigação, Louis tira sua calça de pijama de aboboras e coloca um jeans leve de lavagem preta, para depois mudar para um moletom mais confortável, seguido de suas vans que estavam chorando por uma lavagem, ele não liga.

 

Determinado, ele desce como escadas tentando ser discreto, mas não tinha ninguém em casa. Seus pais estavam com crianças pedindo doces no bairro, e ele mentiu para sua mãe dizendo que iria a uma festa porque, bem, ele não queria parecer patético. Então sem ninguém sensato para bloquear, ele pega suas chaves e tranca a porta da frente, descendo a pequena escada da varanda e andando do lado esquerdo da rua, rumo ao final dela.

 

A caminhada até lá é um pouco mais longa do que ele imaginou, olhando de sua janela. Louis na verdade fundada bem pouco sobre isso, mas seu corpo continuava indo em direção a tal propriedade.

 

A casa em si ficava mesmo no final da rua sem saída, a sua direita tinha um terreno vazio, e a sua esquerda morava o velho senhor Jones e sua esposa, já na casa dos oitenta. Nem mesmo eles sabiam quando ou quem construiu aquela casa, eles chegaram no bairro ainda jovens e só gostaram histórias de pessoas ainda mais antigas ali. Louis sabia disso porque fez uma pesquisa sobre o imóvel para a aula de história uma vez, que, como continha pouquíssimas informações, lhe rendeu um D.

 

Ele sabia da mais clássica das histórias, uma casa "mal assombrada" que provavelmente estava cheia de fantasmas e que só podia ser adentrada por quem dissesse como "palavras certas" em frente a porta. 

 

Louis sabe que isso é baboseira, casas mal assombradas não existem, são apenas imóveis mal cuidados e prestes a desabar. 'Palavras mágicas' era ainda mais absurdo, o que era aquilo? Um clube secreto que necessita de senha para entrar? Por favor ... Ah, é claro, também tinha os fantasmas. Pelo amor de Deus, ele não tem dez anos. Mal pode acreditar que um dia comprou essa história mal contada.

 

O garoto afasta essas ideias sem pé nem cabeça de sua mente, já estava chegando perto. Sua casa era uma das primeiras na rua, foi uma caminhada e tanto, e agora, pensando sobre ter que voltar tudo de novo depois, uma onda de arrependimento para conta de si.

 

Ignorando seus problemas de sedentarismo, Louis chega perto da propriedade.

 

Parecia muito maior agora que ele estava perto, sua cabeça tombou para trás enquanto ele tentava enxergar a altura do terceiro andar. Grande, alta e de alguma forma estreita ...

 

Sua parte racional está dizendo para desistir de ser um curioso sem escrúpulos, e sua parte emocional está querendo dar meia volta por recebimento. Mas ele já veio até aqui, e de jeito nenhum vai perder a viagem depois de todo esse exercício físico não planejado.

 

Ele tem um pouco de dificuldade em passar por todas aquelas plantas que definem ser cortadas, e ganha alguns arranhões por isso. Felizmente estava usando calças.

 

Ao chegar na varanda, a madeira sobre seus pés range e ele recua, mas depois que sente-se seguro novamente, avança. Louis finalmente abriu uma campanha ao lado da porta, esperando algo acontecer. 

 

Ele aperta três vezes e não ouve nenhum som, nem do aparelho e nem do lado de dentro da casa, mais algumas vezes apertando e só então ele percebe que provavelmente uma casa velha como aquela não teria uma campainha funcional.

 

Louis bate a porta então, nada muito agressivo porque ele não quer soar rude para que seu provável novo vizinho possui uma má primeira impressão dele.

 

Nada.

 

Louis bate novamente, mais forte só para o caso da pessoa estar no segundo andar.

 

Nem sequer um som.

 

O garoto suspira e dá meia volta, passando pelas plantas inconvenientes de antes. Foi uma ideia idiota, ele andou tudo isso para nada e vai ter de andar de novo só porque não consegue ficar na sua. Provavelmente nem uma luz tinha se acendido, ele deveria estar entediado demais e seu cérebro lhe deu algo interessante. Talvez fosse tudo uma conspiração do seu inconsciente para fazer e andar muito e exercitar as pernas, e, se esse for o caso, ele vai se vingar dele mesmo ficando o mais possível possível nos próximos dois dias de fim de semana. 

 

Louis estava indo de volta a sua casa pelo mesmo caminho, até que habitar

 

- Ei, garoto!

 

Ele olha para trás, esperando ver alguém na porta da casa que acabou de bater, mas não há ninguém lá.

 

- Não seu idiota, aqui do lado.

 

Louis segue o som com o cenho franzido, alguém acaba de de chama-lo de idiota? Bom, essa pessoa está prestes a ver quem é o idiota agora mes-

 

Ah

 

- Ah, Oi senhor Jones ... Está tudo bem com o senhor? Precisa de algo? - Louis responde ao senhor que estava escorado num pilar de sua varanda, pelo visto observando Louis a um tempo, vestindo um roupão velho meio esverdeado.

 

- O que você estava fazendo? - Ele pergunta ignorando os questionamentos anteriores de Louis.

 

Louis não conhecia bem o senhor Jones, o máximo de contato que teve foi quando precisou fazer sua pesquisa, e o mais velho só deu como informação que sabia porque foi obrigado pela esposa a ser simpático com o mais novo. Louis no entanto, era um garoto educado, ele achava que era, então apenas deu um sorriso simpático para o senhor a sua frente e respondeu sinceramente - ou quase - a sua pergunta.

 

- Bem, eu estava apenas ... Pensei que tinha visto uma luz naquela casa depois de tanto tempo, e queria dizer 'Oi' para os novos vizinhos. Mas acho que me enganei ... ninguém atendeu.

 

O senhor parece analisá-lo profundamente por um tempo, com uma ruga no meio da testa e seu bigode já todo branco se acima com a respiração, Louis ficou apenas ali, parado em frente a casa do mais velho a espera de que ele lhe desse um encerramento para essa conversa sem sentido.

 

O senhor Jones, no entanto, acenou desdenhosamente com a mão para que Louis se aproximasse da casa.

 

Louis teve um pouco de recebimento, mas avançou aos poucos na direção do mais velho, o pior que poderia acontecer e ser atacado por um senhor de oitenta e poucos anos, e Louis até podia ser sedentário, mas qual é ?! Saberia se defender. 

 

O que aconteceu, no entanto, foi ainda mais estranho.

 

- Você quer saber o que tem naquela casa? - O senhor perguntou, encarando seriamente Louis com sua face mais enrugada do que a distância inicial mostrava. Louis boletim que sim, mas ele tinha certeza que, velho como a era Jones, ele repetiria aquela mesma ladainha de fantasmas e assombrações. Mesmo assim, ele não queria ser rude.

 

- Eu gostaria, sim. Mas provavelmente são apenas tralhas e entulhos então ...

 

- Você sabe que isso é incomum, certo? Uma casa caindo aos pedaços no meio de uma vizinhança familiar. - Ele perguntou, fazendo alguma insinuação que Louis boletim não entendeu.

 

- Sim, eu- Os donos devem ter esquecido do imóvel.

 

O mais velho suspirou meio aborrecido - Estava pensando em te dar a chave, mas você é muito cético, parece mais velho do que realmente é ...

 

Chave, que chave? Que ele estava falando?

 

- Como assim? O senhor tem a chave? É dono da propriedade? Porque não disse nada quando os agentes da prefeitura cortada? O senhor já existente em reformar?

 

- Garoto cale a boca, pelo amor de Deus! - O mais velho diz, massageando as têmporas - Não sou dono de nada, apenas tenho as chaves.

 

- Mas-

 

- Você viu as luzes, não viu? 

 

- Sim. Bem, eu pelo menos acho que sim, mas é improvável certo? Luzes piscando do nada ...

 

- Não tanto quanto imagina - ele suspirou novamente, parecia ponderar uma decisão. - Espere aqui - e voltou para dentro da casa deixando uma pequena fresta da porta aberta.

 

Louis estava confuso, ele considerou correr para sua casa, não sabia que louco poderia ser aquele velho. Ele tem plena consciência de que existe uma grande chance do senhor estar confuso, mas ele resolve pagar pra ver, não só porque ele estava com preguiça de andar tudo de volta a sua casa e planejava adiar o quanto desse, mas também porque seria rude sumir sendo que o mais velho pediu para esperar.

 

Depois do que o de olhos azuis considere ser uns 2 minutos, senhor Jones volta segurando algo nas mãos. Ele para exatamente no mesmo lugar de antes e olha para Louis.

 

- Estou lhe entregando isso porque eu não tenho mesmo nenhuma razão para guardar, mas veja bem, isso não pode ser uma brincadeira ou algo assim, entendeu?

 

- O que o senhor quer dizer? - Louis pergunta, ele estava tão, tão confuso. 

 

- Como você é ruim em entendre como coisas garoto! Quero dizer que não pode sair por ai dando festas naquela casa, ou decidir que é sua e se mudar ou algo assim, você entra, explora o que tem de explorar, não tira nada do lugar, e sai. Entendeu?

 

- Espere - ele estava começando a desconfiar - O que tem lá então? Não é estranho ou algo assim, não é? Porque eu quero que o senhor saiba que se eu ver um cadáver, eu não vou dormir pro resto da vida, e o senhor não vai querer o peso na consciência de ter traumatizado um jovem jovem para sempre ...

 

Louis torna-se bem dramático quando o nervosismo tomava conta de seu cérebro.

 

O senhor Jones revira os olhos teatralmente e o responde - Não existem cadáveres, que bobagem. Pegue logo isso antes que eu coma um me arrepender ... - Ele entrega uma chave a Louis, segurada por um cordão velho e desgastado. - Não use isso na porta da frente, vá até a lateral onde tem o terreno vazio, há uma pequena passagem, é lá que tem que usar a chave.

 

- Então o senhor só ... Vai me dar uma chave de uma casa que não é sua, sem me dizer o que tem lá, e espera que eu apenas ande até lá no meio da noite?

 

- São apenas sete horas.

 

- Que seja, o senhor entendeu ... Isso é meio bizarro sabe-

 

- Você fala demais! É solitário, não é?

 

A pergunta pegou de surpresa, ainda mais porque parecia uma contestação do mais velho. Louis não se descreveia assim, mas acontece que se ele não tem nenhum orgulho próprio, admitiria que é a mais pura verdade. Ele nunca foi muito interessado nas pessoas, principalmente as pessoas da sua idade que se tornavam cada vez mais iguais a medida que o tempo passava. Ele não se considera um cristal especial em meio a uma montanha de pedras, ele apenas não se sente confortável perto de pessoas prioritárias e assuntos não lhe serviam de nada, e se isso era solidão, então, bem ...

 

- Enfim! - o senhor voltou a falar diante do silencio de Louis - Não se esqueça de ... Espere, chegue mais perto.

 

Louis já sabia que não tinha como ficar mais estranho, então ele apenas suspirou e se aproximou.

 

O mais velho então prosseguiu - Quando chegar a porta e estiver girando a maçaneta, não se esqueça de dizer ... - Ele fez uma pausa, pensando por um segundo em mudar de ideia, e logo depois desistindo, já tinha chegado até aqui - Diga "Alohomora" e está feito.

 

Espere.

 

- Espere - Louis diz se afastando e olhando nos olhos do senhor, logo começando a rir escandalosamente - O senhor sabe que - mais risadas - Isso é o - Ele tosse tentando controlar se. - Eu sabia que no fundo o senhor estava zoando comigo. - Louis começa outra rodada de risadas involuntárias e aos poucos vai recuperando o ar.

 

Quando olha para o Senhor a sua frente, sua face estava séria e ele tinha os braços cruzados em frente ao peito - Acabou, garoto?

 

O sorriso de Louis morre - Eu ... Me desculpe é que ... Eu achei que, sabe, a palavra-

 

- Você pode enxergar isso como uma Tradição boba, ou eu lhe pregando uma peça, mas a questão é que não vai funcionar se não disser, e se quiser provar o que estou dizendo, basta ver por si mesmo, já tem a chave .. .

 

O que não vai funcionar? Ele se pergunta.

 

- É só que, o senhor sabe, esse é o-

 

- Sim, na minha época costumava ser algo diferente, mas os anos se passam e eles ficam mais engraçadinhos ...

 

Eles quem?

 

- De quem o senhor está falando? - Louis pergunta, desconfiado.

 

O homem acena com a mão como se não fosse importante no momento - O que deve saber é que não deve levar ninguém até lá. Espero que tenha entendido essa parte.

 

- Sim, mas-

 

- Pare de me fazer perguntas, eu vou entrar antes que aquelas crianças irritantes venham pedir doces. - O mais velho diz se evoluir em direção a sua porta, mas se virá de repente - Espero que faça alguns amigos. - E então ele entra, batendo sua porta. 

 

Louis é encontrado ali na calçada sem respostas e com muitas, muitas perguntas.

 

Ele considera várias coisas, uma casa abandonada com uma péssima estrutura e uma tentativa de assassinato pela parte do Senhor Jones, um depósito de cadáveres que o deixaria traumatizado para sempre, uma casa velha por fora e reformada por dentro que serviço como um desses clubes de maçons ou algo do tipo. Ele considerou muitas coisas.

 

O garoto deve ter ficado pelo menos uns trinta minutos pensando e pensando sobre as possibilidades do que tinha naquela casa. E ele não tinha como saber.

 

Não realmente, até decidir que iria simplesmente acabar com a curiosidade. 

 

Louis se convenceu de que, seja lá o que para, não deve ser nada demais. Era apenas um velho entediado tentando lhe colocar medo. Sim. Isso deve ter graça para o senhor Jones. Era uma perfeitamente racional. Provavelmente uma única coisa que tem lá é tralha, entulho, ou uma estrutura realmente desgastada com o tempo. Talvez a chave nem mesmo seja a correta e tudo não passe de uma brincadeira feita por um velho desocupado. Ele só tem que ... Ir até lá e descobrir.

 

Então ele vai.

 

Louis dá passos lentos e cautelosos como se a qualquer momento um monstro fosse dormir casa e o atacar, até percebermos a bobagem que estava fazendo. Não há monstros ou coisas assim. Ele endireita uma coluna e segue com passos firmes até a lateral da casa.

 

Ao se aproximar, ele nota que realmente tem uma porta ali, duas vezes menor que a da frente, mas uma porta normal. Talvez fosse uma entrada de serviço dada a idade da propriedade.

 

Ele se aproxima da porta imaginando se deveria mesmo fazer isso. Já havia chegado até aqui, sim. Porém, algo no seu corpo - muito provavelmente seu estômago, devido ao estresse - estava avisando para se afastar o mais rápido possível. 

 

Louis, no entanto, é curioso demais para parar agora.

 

Ele avança e finalmente está prestes a descobrir se o Senhor Jones estava apenas zoando com a sua cara ou tinha algum compromisso com a realidade em suas histórias malucas. 

 

Ao colocar a chave na fechadura, ela encaixa perfeitamente a abertura, Louis está desconfiado, mas esperançoso, talvez ele não tenha sido enganado, afinal.

 

O garoto gira a chave três vezes, e ouve o barulho da trança. Funcionou!

 

Suas mãos avançam em direção a maçaneta, e bem no momento em que ele se lembra das palavras de Jones. 

 

Quando chegar a porta e estiver girando a maçaneta, não se esqueça de dizer ... Diga "Alohomora" e está feito.

 

Louis considera por um momento. Era uma ideia ridícula usar uma palavra mágica. Especialmente porque essa ideia fará parte do delírio coletivo de casa mal assombrada no bairro. Além disso, pode ser que o velho estava lhe dando respostas, mas zoando com ele ao mesmo tempo.

 

Mas pensando por outro lado, ele não mentiu sobre a porta lateral, nem sobre a chave ... 

 

Louis resolve dizer, apenas no caso, ele resolve dizer.

 

Em um segundo, Louis diz a palavra e gira a maçaneta. Com um ranger alto e um vento frio, a porta se abre.

 

Está escuro, obviamente está. Louis não processada nessa possibilidade. Ele não tem nada consigo para resolver isso, então abre um porta o máximo que consegue, mesmo emperrando um pouco. A luz de fora vai ter que servir.

 

Mesmo mal iluminado, ao que parece, aquele cômodo era uma daquelas salinhas de entrada, com alguns ganchos velhos e armários, provavelmente para pendurar os casacos. Além de muitas, muitas teias de aranha. Um típico cômodo velho e abandonado numa casa velha e abandonada. 

 

Louis suspira, o que diabos ele estava esperando? Não deveria ficar decepcionado ou ter uma grande surpresa com isso, no final ele não viu nenhum cadáver ... Era até um ponto positivo se levasse em consideração todas as coisas ruínas que sair de lá.

 

Antes de concluir que aquele passeio não valia a pena, ele dá mais uma olhada ao redor. Era um lugar pequeno, quase como um corredor. Louis dá alguns passos para os dois lados e verifica o teto. Caindo aos pedaços. 

 

Quando ele vai um pouco para a esquerda, ele enxerga algo. Bem ao lado do armário gigante que seria no passado alguma espécie de cristaleira fora do lugar, ele encontra.

 

Há uma porta que não pode ser vista no ângulo da entrada. Exatamente como a porta pela qual entrou, uma porta de tamanho normal com uma maçaneta normal em madeira. Completamente normal.

 

Exceto por um detalhe.

 

Aquela porta estava perfeitamente pintada, branca, quase polida. Como se alguém tem dado uma mão de tinta recentemente, ou como se tivessem retirado de uma casa toda reformada e colocassem aqui, nessa casa velha que não combinava nem um pouco com ela. Uma porta que parecia novinha em folha.

 

Louis encara a porta e fica muito, muito confuso. Isso era algum tipo de pegadinha? Armadilha? Alguém realmente morava ai e ele estava invadindo? 

 

A cada segundo mais e mais perguntas surgiam na sua mente. Antes que pudesse dar voz a mais paranóias, Louis faz o que lhe parece mais lógico nessa situação. Ele gira a segunda maçaneta, e abre uma porta.

 

──────── ••• ───────

 

Todos tem a tendência de pensar em casas velhas como tendo vivido décadas ou séculos no passado, então todas as suas paredes, pisos e decorações são bastante antiquadas. Porque isso é a ideia comum e racional a se ter para lugares como aquele.

 

O que Louis estava vendo de si, não tinha nada como aquilo.

 

As paredes tinham um tom de branco creme e seguiam num pé direito enorme até o teto que ostentava um brilho de cristal bem no meio dos ornamentos, e limpo. O chão não era mais como a madeira na sala anterior, e sim num mármore brilhante e polido. Era uma espécie de hall de entrada, exceto que ele não estava na entrada principal, mas ainda não estava no mesmo lugar. A escada era de uma madeira escura nos degraus, porém branca nas laterais, e envolvidos por carpete creme assim como o tom das molduras nos quadros das paredes. A maioria eram paisagens, natureza. Haviam pequenos sofás nas laterais, um arco enorme onde era possível enxergar uma sala mais mobiliada além, e uma porta francesa com vidro embaçado bem no meio da parede oposta a sua visão.

 

Porém, a coisa mais estranha de tudo, Louis só notou depois de alguns segundos. 

 

Não só todas as luzes acesas estavam, como parecia dia lá dentro. Toda a iluminação artificial deixava o ambiente muito claro, mas havia um fenômeno estranho ali. Louis ainda olhar para trás, na primeira sala que entrou, e ver claramente a diferença que se dava entre os dois ambientes. Parecia mesmo que estava de dia. Ele não sabe como.

 

Depois de - muitos - minutos de queixo caído observando o ambiente, seu cérebro volta a funcionar e ele fica confuso, e desconfiado e curioso e com medo.

 

Louis está desesperado.

 

Ele começa a avançar e tocar nas coisas, porque ele tem quase certeza de que está alucinando. Ele tenta achar uma janela para olhar para fora, mas não encontra nenhuma. Louis põe a mão no tapete, no corrimão da escada, nos quadros e paisagens e tudo parece tão real.

 

Seu inconsciente estava muito criativo para um sonho tão elaborado como aquele. E o pior de tudo, ele não se lembra desde quando tudo é um sonho. Será possível que ele nem mesmo saiu de casa? Ele tinha desmaiado na caminhada até o final da rua? Talvez ele estivesse no hospital agora ... 

 

Meu Deus! E se ele estiver em coma?

 

A possibilidade começa a ouvir a voz de alguém, de algum médico ou da sua família falando com ele em seu transe.

 

De repente, a porta pela qual ele entrou no ambiente bate, com muita força.

 

Louis olha para trás imediatamente, esperando ver algo, mas é só a porta fechada, sem absolutamente nada que justifique o movimento.

 

O garoto quer correr até lá e sair o mais rápido que pode, mas suas pernas travaram no lugar, e só então ele percebe que está tremendo. Isso é uma reação ao coma? Ele está saindo? 

 

Tudo parece real demais, sua respiração está descompassada e ele não consegue pensar claramente.

 

O ambiente ao redor ainda está claro, nada indica uma razão para isso, muito menos para o baque da porta, Louis tenta focar. Não há nada demais, é coisa da sua cabeça, ele diz a si mesmo. Não há com o que se assustar, apenas vento e um jogo de iluminação estranho, ele vai ficar bem.

 

- Você deveria ter visto a sua cara, ficou todo assustado ...

 

Quem disse isso?

 

Louis se vira em direção a voz.

 

Reformula a própria pergunta.

 

O que é isso?

 

Antes que pudesse gritar, uma coisa estranha a sua frente fala de novo.

 

- Por favor, não me venha com gritos, é irritante e ninguém vai ouvir lá fora.

 

Louis sente suas pernas bambas, ele tenta respirar, mas sua cabeça está girando, e sua visão escurecendo. Ele vai desmaiar.

 

──────── ••• ───────

 

Quando Louis acorda novamente, está exatamente onde caiu minutos atrás, sua cabeça dói na parte traseira onde ele levou o tombo. O garoto começa a achar que estava num estado de delírio e por isso percebeu a consciência.

 

Mas ao contrário do esperado, a mansão estranha ainda parecia estar a luz do dia. 

 

Louis olha para todos os lados para marcas que tinha visto antes, certo de que era coisa da sua imaginação.

 

Quando não encontra nada, ele suspira aliviado, pronto para andar até a saída e voltar a sua casa o mais rápido possível.

 

Mas antes que pudesse, ele observa um movimento para trás de uma cortina, um movimento mínimo, como se alguém acabasse de esconder novamente ali. Com sua voz nada confiante, ele diz - Eu vi isso! Seja lá quem está tentando me pregar uma peça, não vai funcionar! Não de novo !!!

 

Palavras Suas são seguidas por uma risadinha, que Louis quase acharia ofensiva, se não estava morrendo de medo.

 

Quem ou o quê, se pronuncia. - Tudo bem, você me pegou! Mas não vai gritar ou desmaiar se eu sair daqui, não é !?

 

Louis sente um arrepio percorrer pela sua espinha ao escutar a voz, mas ele se mantém firme no lugar, não precisa de outro tombo por desmaio, e além do mais, agora ele sabe que não passa de alguém tentando se divertir no halloween. 

 

- Não vou! Logótipo da Saia! - O garoto de olhos azuis diz tentando soar confiante.

 

Quem ou o quê sai de trás da cortina, não realmente mexendo a mesma. Louis se mantém com o cenho franzido e pronto para correr enquanto a imagem de um garoto se forma a sua frente.

 

Ele parecia ter a mesma idade de Louis, a mesma altura e até sua voz soava normal. A única coisa que deixava o garoto estranho e talvez ameaçador era sua aparência pálida e quase translúcida. Se Louis não tinha acabado de se recuperar de um desmaio ele acharia muito estranho o fato de que quase consegue ver através do garoto, com um pouco de esforço. 

 

Era apenas sua cabeça lhe pregando peças. Seu susto havia se dado apenas pela combinação de portas batendo e uma voz saindo do nada atrás dele. Sim, essa era a explicação normal para uma sequência de acontecimentos estranhos.

 

Como o tal garoto a sua frente estava calado apenas esperando ele esboçar uma reação ou quem sabe dizer alguma coisa, ele o faz.

 

- Eu sou o Louis. - ele diz de forma quase inaudível, e ... Bem, o que mais ele deveria dizer?

 

- Olá Louis - o garoto a sua frente responde, parecia estar achando tudo muito divertido. - Me desculpe por ter te assustado mais cedo, com o lance da porta ...

 

Louis se recorda do motivo do seu desmaio mais uma vez, ele está se sentindo idiota, não quer parecer uma criança com medo de assombração, mesmo para esse garoto que ele acaba de conhecer e que estava tirando uma com um cara dele. 

 

- Hum ok. Não me assustou nem nada, eu só tenho pressão baixa. - Louis diz, firme.

 

- Certo ... Claro. Então, o que você está fazendo aqui? - O garoto diz cruzando os braços próprios, todos os seus movimentos pareciam em falha. Louis deve estar muito mal de glicemia. 

 

- Eu poderia fazer a mesma pergunta - O de olhos azuis dispara na defensiva. Empinando seu pequeno nariz para cima tentando demonstrar uma confiança que não estava presente no momento.

 

O garoto então ri, mas o responde - Justo ... Eu estou aqui para a reunião. Já você ... Não parece do tipo que pertence a reuniões como essa, então?

 

- Reunião? Do que você está falando? - Agora além de irritado pelo susto, com um pouco de medo e apreensivo, ele também estava curioso.

 

- O fato de que você não sabe do que estou falando é mais um indicativo de que não deveria está aqui ... - O garoto diz e se vira andando devagar de um lado para o outro. - Mas sabe ... Você está! E isso é muito estranho, considerando uma condição sua ... Mas também, nunca vi alguém aqui, ou que conseguisse entrar, que não deveria estar ...

 

Ele não parecia estar falando com Louis, e os olhos azuis não sabia se deveria interromper a linha de raciocínio do garoto estranho a sua frente, mas ele está curioso pelo seu modo de falar.

 

- A minha condição ...?

 

- Sim, oras ...

 

- Que condição? - Louis já estava se ofendendo, que tipo de insulto era aquele?

 

- Vivo. - O garoto disse simples.

 

Louis ri sem graça - Ah claro, eu estou vivo, essa é a minha condição ... Isso é algo filosófico ou você está tentando me assustar com papinhos misteriosos?

 

O garoto ri novamente, isso já estava irritando Louis também. - Lembra quando prometeu que não ia desmaiar ou gritar? Eu vou fazer uma coisa e você não pode fazer nenhum dos dois ...

 

- Já disse que seus sustos não me abalam! - Louis diz firme, tentando soar confiante.

 

- Não estou falando de sustos, e sim de uma prova. - O garoto estranho a sua frente diz simples e com um sorriso divertido nos lábios. 

 

- Uma prova? 

 

- De que você está vivo e eu não! - Suas mãos acompanham suas palavras, num tom muito simples para uma combinação de palavras como essa.

 

- O que? Vai dizer agora que é um fantasma? - Louis quase ri, mas ele ainda está pronto para correr desse esquisito metido a mágico.

 

- Observe ...

 

O garoto anda tranquilamente na direção de Louis, o de olhos azuis espera algum desvio mas o tal esquisitinho estava focado e o olhando nos olhos. Quando a distância fica cada vez menor, Louis dá pequenos passos para trás sem sentido qual é o garoto, só que ele está indo mais e mais rápido em sua direção.

 

- O que está fazendo? Isso é assédio ou algo assim ?!

 

O garoto dá uma risadinha e aceleração o passo. 

 

Louis já ia sair do lugar e talvez correr, vai que ele quisesse bater nele? Ou algo pior ...

 

Mas antes que perceba, um arrepio estranho tomou conta do seu corpo, ele gozou um calafrio e seu estômago fez um barulho engraçado. Seu rosto ficou gelado e logo depois voltou a aquecer, assim como suas mãos.

 

Louis olhou para trás atordoado e lá estava o garoto, rindo da sua cara e com os braços cruzados novamente.

 

O de olhos azuis olhou para suas mãos enquanto passeava com elas por seu corpo, tentando captar o que havia acontecido enquanto se perguntava como em um piscar de olhos, aquele garoto estava do outro lado.

 

- Viu! - O garoto diz - Você está vivo.

 

- O que- 

 

- Pois é! Eu não sou fã de fazer isso porque se você se sente esquisito, imagine eu ... Mas é engraçado e prova o meu ponto ...

 

- O que você fez? - Louis pergunta ainda tentando se livrar dos arrepios.

 

- Eu atravessei você, oras. 

 

Uma maneira simples com a qual ele diz isso deixa Louis mais confuso ainda. Ele tenta colocar sua cabeça no lugar e se convencer de que estava passando mal, ou num sonho, ou seus olhos estavam pregando uma peça nele.

 

- Ah droga - o garoto diz - Você ainda não acredita, não é? - Ele suspira - Ok, veja ...

 

E então ele corre em direção a uma parede, Louis começa a se desesperar achando esse mágico estranho radical demais, só que ele a atravessa, e isso faz sua cabeça doer. Logo ele está de volta, atravessando outra parede, dessa vez à esquerda, e também sumindo de repente em algum lugar no meio daquele salão enorme e reaparecendo do lado de Louis, que não consegue nem ao menos gritar ou desmaiar, ele apenas fica ali olhando boquiaberto e com dores de cabeça cada vez que vê algo que seus olhos se recusam a acreditar. A sensação é de choque total, combinado a pequenos tremeliques e uma pitada de incredulidade. Isso está mesmo diante dos seus olhos? 

 

Quando o garoto se cansa, ele para na frente dos olhos azuis, que o encara como se estivesse prestes a ter um colapso.

 

- Então, agora você acredita né? Estou ficando cansado ... - garoto faz uma pausa, com aquele sorriso divertido voltando ao seu rosto. - Eu sou um fantasma e você é que está pálido assim? Sério cara não desmaia de novo, aquilo não foi legal da sua parte ...

 

- Fantasma? - Louis consegue dizer.

 

- Sim, ainda não ficou claro? - o garoto ri - Sou um fantasma, seu idiota! Estou tendo todo esse trabalho de me exibir e você nem mesmo chegou a esse concussão sozinho ... Em pensar que eu achei que você era inteligente quando passou pelo portal.

 

- Mas que porra! - Louis começa a falar, mais consigo mesmo do que com o ... garoto - Eu estou sonhando ... Ou muito, muito mal da cabeça.

 

O garoto suspira - Que bela coisa para se dizer, eu existo e você ficou maluco ... Previsível.

 

- Eu não vou discutir com você, é o fruto de um sonho estranho ou talvez eu tenha ingerido drogas acidentalmente.

 

E é então que o tal "fantasma" faz aquilo de novo, provocando mais calafrios e arrepios em Louis, que vira para a direção que ele foi parar, boquiaberto. E aí ele faz de novo, e de novo, e de novo. 

 

Louis vira de um lado para o outro tentando acompanhar e então protesta - Pare com isso! 

 

- Não sou fruto da sua imaginação? Então você pode controlar os sonhos próprios, me faça parar ...

 

E então ele faz de novo, aquilo já estava irritando Louis.

 

- Ok, já chega! Você quer ser chamado de fantasma, então tudo bem Senhor fantasma desse sonho esquisito, me deixe em paz!

 

- Não gostei do tom, mas vou aceitar ... Agora, "Senhor fantasma" foi demais, você acha que eu tenho cara de quem pode ser chamado de senhor? 

 

Louis Pisca, tentando colocar seus pensamentos em ordem. Então esse cara pode atravessar paredes e sumir de um lugar e aparecer no outro ... Ele pode atravessar o seu corpo e idade como se não fosse nada demais ... Talvez possa ser algum truque de mágica muito elaborado, ou talvez ele esteja mesmo sonhando ... Possa ser que ele ingeriu mesmo drogas, e se esse for o caso sua mãe vai matá-lo. Mas no fim das contas um por cento da sua cabeça apenas se questiona ... Será? 

 

Antes que ele começa a ir muito fundo nisso um lampejo de pensamentos racionais tomam conta da sua mente e ele grita mais animado do que deveria por ter descoberto. - Você é um holograma!

 

- O que? - O outro garoto fantasma / potencial holograma responde.

 

- Você é um holograma, é isso que está acontecendo! Cara ... Por um segundo eu cheguei a acreditar que você era mesmo fantasma ... Nossa, não acredito que quase caí nessa.

 

O garoto sua frente olha para Louis quase como se estivesse ofendido, e depois sua expressão se transforma em uma raiva contida. Então antes que Louis pudesse se vangloriar ainda mais da sua descoberta brilhante, o garoto fantasma / holograma fica irritado.

 

- Ah, é? Então ache o projetor! Onde ele está? Onde está uma droga do projetor que me faz ser um holograma? Seu idiota! Não acredito que você entrar aqui! Aliás, quem deixou você entrar aqui? Quem te deu a chave? Quem lhe disse a palavra? Você não deveria estar aqui! Pessoas como você ... É por isso que o mundo é como é! A gente está aqui tentando fazer um grupo de apoio e vocês ficam nessa dizendo que nós não existimos ?! É por causa de pessoas como você que nós precisamos de lugares como esse! 

 

Quando ele termina, seu rosto está vermelho e sua cara está mais irritada do que no começo. Louis, por sua personalidade, se sente chateado consigo mesmo. Ele não queria irritar o holograma / fantasma e começou a sentir mal por isso. O garoto estava lá com uma cara virada e braços cruzados murmurando algo para si mesmo, enquanto ele estava ali sem saber o que fazer. Afinal, o garoto só estava vivendo ali e Louis invadiu seu espaço, apesar do susto que levou, não estabeleceu-lo chateado.

 

Agora ele acha que deve pedir desculpas, mesmo que uma parte da sua mente diga que nada disso faz sentido, ele vai pedir desculpas porque ele é Louis.

 

- Ei, cara ... Me desculpe. Não queria te chatear nem nada. - Louis diz suavemente, tentando fazer o garoto olhar para ele.

 

- Bom, você chateou ... - Sua expressão não mudou. 

 

Então Louis resolve mudar de estratégia e começa. - Eu entrei aqui porque vi umas luzes no primeiro andar se acendendo sabe ... Então fiquei curioso, mas aí quando cheguei aqui ninguém me atendeu e eu já tinha desistido, quando o senhor Jones ... Bom, ele é um velho que mora numa casa aqui perto ... Ele me chamou e me deu uma chave, e não sei como ele tinha aquela chave e nem sei se você está trabalhando com ele para me assustar -não que eu estou insinuando nada- Mas foi o que aconteceu. .. E daí cheguei aqui e tem esse mobiliário moderno e essas paredes pintadas e você falando comigo ... Eu só estou confuso cara, não quero te chatear nem nada do tipo.

 

O fantasma holograma suspira e descruza os braços. - Tudo bem, eu entendo ... Pode ser difícil para algumas pessoas. Mas não fique por aí dizendo que eu não sou um fantasma ou sugerindo que eu seja um holograma, isso pode deixar muitas pessoas aqui depressivas cara, é algo sério.

 

Louis franze o cenho e logo depois desfaz sua cara confusa, não quer ofender mais ainda o garoto a sua frente. Ele apenas ainda está muito confuso sobre tudo ... Ok que o garoto a sua frente se irritou por não ter sido levado a sério sobre ser um fantasma, mas não é algo que ele dentro de si mesmo pode aceitar tão facilmente. Como assim fantasma? Isso não faz o menor sentido, fantasmas não existem! Isso é história para boi dormir, ele tem certeza que deve ter um projetor por algum lugar e começa a procurar discretamente enquanto o tal holograma fantasma não o encara diretamente. As paredes são muito lisas e algumas quadros podem até projetar algo, mas isso implicaria uma luz vindo até onde o garoto está na sua frente e nada disso está acontecendo. Ele começa procurar em sua mente outra explicação para aquilo mas ele sinceramente não sabe o que está acontecendo e sua cabeça já está doendo de tentar formular algo que faça sentido, então ele resolve pergunta. Mas começa suavemente.

 

- Você não me disse o seu nome ...

 

- Ah sim! - o Garoto parece lembrar da presença de Louis quando ele se pronuncia. - Me chamo Harry, muito prazer.

 

- Certo ... Harry. Eu entendi a parte em que você não é um holograma, e você se autodenomina fantasma ... Se importa de explicar? - Louis diz com um sorriso simpático esperando as respostas em vez de um sermão. 

 

O garoto suspira começa - Bom ... Muito tempo atrás- Na verdade desde sempre, sempre existiram fantasmas. Só que não era uma coisa muito comum, ea gente não conversava uns com os outros, então foi difícil perceber a existência de outras pessoas como nós. Quando você morre e vira fantasma você não realmente sabe que é fantasma até que as pessoas começam a gritar com você e ficam assustados quando atravessa paredes ou algo do tipo. Mas o lance é que se você morrer na noite de Halloween, você vira um fantasma. Se você morrer dia primeiro de novembro você vai- Eu não sei para onde você vai ... E se você morrer dia 30 de setembro você também vai para esse tal lugar. Mas no dia 31 não. No dia 31 você é condenado pela eternidade a vagar por aí neste estado esquisito, que ninguém sabe muito sobre ... Eu sei, não é justo, e muito menos acontecer acontecer. Mas todos nós mortos do dia de halloween somos assim. Então nós fundamos um grupo de apoio! - Sua expressão melhora e ele começa a ficar animado em continuar a história.

 

- O grupo de apoio "fantasmas que morreram no dia 31" e eu sei que é meio redundante porque se você é um fantasma você certamente morreu no dia 31. Mas não vamos entrar nos detalhes. E é isso que está acontecendo aqui, a nossa reunião anual para falar dos nossos problemas de fantasma ... Porque nós temos muitos! Pessoas como você inclusivo são grande parte dele mas ... Bom, é isso. - o tal Harry finaliza. 

 

Louis estava boquiaberto, prestando atenção em cada palavra que o garoto a sua frente lhe disse, toda história parecia muito bem pensada e explicada ... Ele com certeza tinha tirado aquilo de algum livro, mas não importa porque até que foi uma explicação bem dada . Se Louis fosse louco o suficiente, ele acreditaria naquilo. Então o que ele resolveu fazer foi entrar no jogo, se Harry quer dizer que é um fantasma e que está numa reunião de apoio como se fosse um AA ou algo do tipo, tudo bem ... Louis poderia lidar com um maluquice do garoto, talvez isso até o divertisse.

 

- Então, Harry O fantasma-

 

- Só Harry está bom! 

 

- Certo ... Então, onde estão os outros fantasmas do grupo de apoio? - Louis diz quase começando a rir.

 

- Eles estão ali - Harry pontos para a porta francesa que Louis viu quando entrou. - Pediram para eu verificar quem tinha chegado, foi ai que vi você ...

 

- Então você resolveu me assustar? 

 

- Eu esperava que você saísse correndo com o lance da porta, mas você desmaiou ... Então me senti meio mal e me escondi para ver se ia embora por conta própria quando acordasse ...

 

- Claro ... 

 

- Então, agora que já sabe de tudo, você pode ir embora, por favor ?! - Harry lhe disse com um sorriso simpático, como quem estava esperando esse tempo todo para enxotar Louis para fora.

 

- Ora mas é claro que não, você não disse que não é "qualquer um" que entra aqui? Eu quero participar da reunião! - Louis sabe o que ele está fazendo, e quer ver até onde isso vai.

 

- Mas você está vivo!

 

- E daí? Atormentar. Todo mundo tem problemas ...

 

O garoto parece analisar uma possibilidade enquanto ignora totalmente o olhar divertido e cheio de expectativa de Louis. Por fim, ele se pronuncia. - Está bem! Mas se as pessoas lá não quiserem que você fique, não posso fazer nada quanto a isso ...

 

- Justo! Vamos lá então, me apresentando para essas "pessoas".

 

Ei! - Harry protesta - Não diga desse jeito, apesar de estarem mortas, ainda são pessoas! Pessoas em um estado esquisito mas ainda são pessoas. - Louis ri e susurra um "Me desculpe" não contando a Harry que suas aspas foram por outro motivo. 

 

Harry vai na frente e quando os dois chegam a porta francesa enorme, Louis olha para Harry que olha ele de volta em expectativa. Quando Louis não faz nada a não ser encarar também, o garoto diz - Você tem que abrir! Eu posso atravessar mas você vai fazer aquela cara esquisita e você não pode atravessar portas. Louis suspira, revira os olhos e então o faz, ele abre a porta porque "o fantasma não poderia."

 

Ainda rindo consigo mesmo pela situação, Louis abre a porta, mais pesada do que boletim ele imaginava, então foca os olhos ao que encontra a frente de si. 

 

E ... Nossa!

 

O ambiente atrás das portas francesas era muito maior do que o que Louis estava anteriormente. Ele jamais poderia dizer que aquela casa era tão grande olhando de fora, uma arquitetura externa era completamente desproporcional e talvez pudesse ser um labirinto. Mas o cômodo em questão era como um salão de festas, cheio de janelas de altas que Louis também não se lembra de ter visto na parte de fora. Seu piso era de uma madeira polida muito reluzente e diferente do anterior, não possuía nenhum móvel. A única coisa local cômodo era um círculo de pessoas sentadas no chão, todas viradas em sua direção assim que a porta se abriu.

 

Quando olhou para as pessoas todas o encarando, a primeira coisa que ele notou foi que todas eram quase transparentes, como o Harry, e muito pálidas igual ao garoto. Ele olhou para Harry que tinha um sorriso divertido nos lábios encarando as expressões de Louis, e um silêncio ensurdecedor toma conta do ambiente. 

 

Harry se juntou um círculo de pessoas enquanto Louis continuava observando boquiaberto imaginando se Harry estava falando a verdade sobre todo o resto porque realmente tinha as pessoas ali e isso era quase assunto.

 

Quando ninguém deu um pio e todos não paravam de encarar Louis, Harry se pronunciou.

 

- Bom pessoal, esse é o Louis! 

 

- Ele está vivo! - Uma mulher de cabelos ruivos e voz estridente observou, quase indignada.

 

- Sim, ele está! - Harry disse tranquilamente. - Louis me contou que um tal Senhor Jones o deu como chaves e lhe disse como entrar ...

 

- Espere, o senhor jones? - Um homem de meia idade com roupas de estampa xadrez - falou porque o nosso amigo Thomas daria as chaves para esse garoto?

 

- Será que ele estava prestes a morrer? - a primeira mulher de cabelos ruivos fala novamente - Faz tempo que não vem a nenhuma reunião ...

 

- Talvez ele deu as chaves porque não queria mais vir, e mandou um substituto - Um loiro de idade mais próxima a Louis obtém a voz.

 

- Ora, mas um vivo novo como esse? - A mulher de cabelos ruivos rebate - Que histórias teria para nos entreter? 

 

- Ela tem razão - O homem de roupas xadrez concorda.

 

- O senhor Jones era velho, só vocês conversavam com ele - O loiro mais jovem diz - Temos pessoas mais novas aqui sabia? É a nossa vez de ter uma pessoa viva para nos entreter! 

 

A mulher de cabelos ruivos revira os olhos mas acena para o loiro mais novo, e todos voltam a encarar Louis.

 

Bem na hora que ele estava pronto para correr renúncia gente louca.

 

Harry tosse chamando a atenção de Louis - É agora que você se apresenta ...

 

Louis olha para ele atordoado, depois de encara o grupo de pessoas, ele estava pirando com toda a conversa esquisita, mas agora seu cérebro estava focado no grupo de pessoas o encarando. Louis nunca foi bom em falar em público ...

 

- Bom eu- É ... Eu S-Sou o Louis e ... Meu ... Tenho dezoito anos. Não- não deveria estar aqui.

 

- O garoto nem sabe falar! - Um outro adolescente moreno profere enquanto ri suavemente. 

 

- Não seja maldoso! - Um outro cara com uma barba rala o defende.

 

Harry olha para Louis e suspira, ele antes estava achando divertido mas agora começou a achar que o garoto iria desmaiar a qualquer momento. - Venha Louis, sente-se aqui! - Ele aponta para um lugar ao lado do seu.

 

Louis ainda atônito e meio chocado coloca seu corpo em piloto automático enquanto vai até onde Harry indicou. 

 

Ele desvia de todas as pessoas e metade do grupo o observa atentamente enquanto outros mantém uma conversa paralela. Enquanto ele anda até lá, uma moça loira se pronuncia dizendo - Cuidado para não esbarrar em ninguém! - fazendo o resto da roda rir. 

 

Louis se senta e um cara barbudo com pose de líder tosse chamando a atenção de todo o grupo. - Bom, acho que podemos começar então ...

 

Algumas pessoas acenam com a cabeça e todos voltam sua atenção para o cara barbudo.

 

- Meu nome é Robert, bem vindos a trigésima sétima reunião de apoio aos mortos do dia trinta e um. Esse é um espaço seguro onde podem compartilhar suas histórias, seus problemas e até conquistas. Fiquem a vontade! Alguém quer começar?

 

Dois segundos se passam até que a mulher de cabelos ruivos se pronuncia - Meu nome é Margareth, morri no ano de 2015 como já sabem ... Eu venho compartilhando com vocês a anos a minha dificuldade em contactar o meu gatinho Tom desde que morri, ele está cada dia mais velho e aquela minha irmã estúpida não toma conta dele direito ...

 

- Maggie, vamos tentar não usar palavras como estúpido, lembra? - O tal Robert diz suavemente.

 

- Certo, tem razão - Margareth volta a falar - Mas então, recentemente eu consegui com que ele notasse a minha presença, e foi ótimo! Ele tentou me perseguir e eu corri por horas para entrar o pobrezinho, mesmo que ele não pudesse me pegar ...

 

Depois que Margareth finaliza sua história, um loiro de sotaque começa a falar.

 

- Meu nome é Niall, e como sei eu tenho levado muito a sério a minha nova profissão como loira do banheiro - Ele diz num tom sério e pausado. - A última escola que assombrei teve que fechar por uma semana porque as crianças se recusavam a usar os toaletes e faziam nas calças ... - O loiro dá um leve sorriso - Sei que muitos aqui são contra a arte da assombração, mas sabem que isso acalma e faz muitos de nós aceitarmos essa condição ... Então, o motivo do meu depoimento hoje é que eu comai nessa nova escola e estava pronto para assombrar, mas uns garotos malvados - Ele faz uma pausa, engolindo um soluço - Me enfrentam e tentaram jogar coisas em mim, me chamar de "fantasma horroroso" e gritaram para que eu fosse embora ... 

 

Muitos murmúrios tomam conta do ambiente com frases entre "Sinto muito" e "Que pessoal sem coração" e o tal Niall continua.

 

- Eu sei, muito ruim ... Nunca fui tão destratado assim, a gente tenta fazer um bom trabalho e é assim que eles agradecem ... Vivos em miniatura são os piores - Ele seca uma lágrima que Louis tem certeza que era falsa - Mas enfim, obrigado pelo apoio de sempre, vou continuar tentando e talvez parta para uma nova escola ...

 

E então os próximos 30 minutos se seguem com vários depoimentos de pessoas que estão passando por "muitas dificuldades" com o fato de serem "fantasmas" são eles fantasmas assombradores ou não.

 

Louis não sabe como reagir, ele fica atônito ouvindo todos aqueles depoimentos. Primeiro ele acha graça de tudo, mas risadinhas são recebidas com olhares raivosos de repreensão naquela roda, depois ele começa sentir empatia por todas aquelas pessoas até perceber que isso é loucura e achar que talvez eles sejam um grupo de improviso, ou talvez fugitivos de um sanatório. 

 

O Robert que parece ser o líder do grupo anuncia um intervalo e as pessoas se dispersam no salão em conversas paralelas. Ninguém vai falar com ele então ele se levanta e fica parado no mesmo lugar pensando sobre a última hora ter sido a mais insana de sua vida. 

 

- Então, o que achou? - Harry lhe tira dos devaneios.

 

- O Que eu achei? - Louis respira fundo para não espalhar suas opiniões de hospício e atores desempregados porque se lembra bem do ataque de raiva de Harry quando sugeriu que ele fosse maluco. - Bom ... As pessoas são legais, eu acho.

 

Harry ri suavemente - Eu sei! É por isso que eu venho todo ano ... Sabe, achei que você fosse surtar ou dizer que todos são malucos, se não acreditar e tudo mais, tivemos pessoas vivas que fizeram isso. Outras tentaram nos estudar mas a maioria saía correndo na primeira oportunidade ... Estou feliz que veio.

 

Depois dessa Louis iria mesmo guardar como próprias opiniões, mesmo que sua perna ainda estivesse tremendo e ele pensasse em rotas de fuga. - Não há de quê! Mas porque vocês deixam pessoas ... Vivas ... Aqui?

 

- Muitas vezes é só por entretenimento, vocês tem boas histórias ... Mas é como um equilíbrio, muita gente nesses grupos busca a aceitação de sua condição de fantasma, mas querem continuar mantendo contato com a vida que tinha antes. Por isso é importante que tenhamos alguns membros vivos de vez em quando, para que elas possam praticar como se introduzir novamente na vida dessas pessoas sem assustados, tomamos muito cuidado com isso ... Bom, nem todos - Ele dá uma risadinha - Alguns tem a preferência de serem assustadores, mas você sabe ... É uma profissão válida também. 

 

Louis está tonto, confuso, com as pernas tremendo e com a cabeça muito muito dolorida. Ele sabe que nada faz sentido racionalmente, essa não é explicação lógica para toda essa sequência de eventos, ele sabe que racionalmente ele não pode aceitar essa história e acreditar nela. Mas o seu coração mole de quem chora vendo filme de Jennifer Aniston diz que ele desviar apenas e ouvir sobre como a vida de ser um "fantasma" é difícil, talvez compartilhar um pouco sobre como a sua vida de adolescente difícil seja também. Louis não sabe que diabos ele está fazendo, e deus sabe que ele está morrendo de medo. Mas quando o intervalo acaba, ele senta de novo e começa como histórias, ele ouve todos e ele até gosta disso no final porque se sente próximo de pessoas que acabou de conhecer. É estranho, claro.

 

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Surpreendentemente, quando todos os depoimentos acabaram aquilo se transformou numa espécie de festa de Halloween. Louis descobriu que por mais que muitas pessoas estivessem ressentidas com aquele dia que "os fizeram ficar presos nessa condição eternamente" aquilo era também um momento em que eles podiam se encontrar e descontrair, e talvez até sair na rua por aí sem que todo mundo gritasse por suas existências.

 

Ele ainda não aceitou a ideia dos "fantasmas", mas ele começou a conversar com essas pessoas e elas são realmente muito legais. Claro que elas fazem esse truque estranho de ficar atravessando ele e se teletransportando de um lugar para o outro como se não fosse nada, e Louis vai descobrir se isso é um sonho, se ele está drogado, se ele está em coma, ou se tudo isso não passa de alucinação mais tarde, porque agora ele está meio que se divertindo.

 

Ele conheceu melhor o tal "assombrador profissional / loira do banheiro" Niall e ele tem tantas histórias sobre criancinhas assustadas e professores irritados que poderia escrever um livro. 

 

Além disso, Harry foi um ótimo anfitrião ao técnico como pessoas e garantindo que ele conversou sem desmaiar. 

 

Os dois também engataram uma conversa calorosa pelo resto da noite que começou com uma piada de fantasma.

 

- Então, você não gostou deles, não é? - Harry lhe perguntou num dado momento, mas seu tom era suave e amigável.

 

- O que? Claro que sim, eu adorei vocês! - O de olhos bonitos concurso entusiasmado. 

 

Harry revirou os olhos depois disso e confessou - Está tudo bem, e sobre aceitar também ... Quando foi a minha vez, eu levei quase um ano para aceitar isso, sem contar que eu fiquei chorando um tempão ...

 

Louis se assusta - Sua vez? Então essa é a minha? - Ele dispara - Mas eu não tô morto ?!

 

Harry ri - Digo minha primeira vez nessa reunião, você está mais do que vivo seu tonto.

 

Louis suaviza, mesmo que ele estivesse alucinando, ele não queria estar alucinado e morto, é coisa demais! 

 

- Então senhor fantasma ... Eu tenho dúvidas de logística fantasmagórica ... - Louis diz divertido, ele poderia estar com arritmia e louco da cabeça mas ele não ia perder a chance de entrar nesse jogo estranho. 

 

- Pode mandar! 

 

Então ele enche o pobre Harry de perguntas sobre como ele consegue atravessar paredes, o que ele sente ao atravessar como pessoas, como as vezes ele obtém escorar numa parede sem que atravessasse, como ele não caiu até o porão dessa casa ... Perguntou sobre interações com móveis e se fantasmas comem, dormem ou fazem necessidades fisiológicas. Ele perguntou até se os animais realmente podem ver fantasmas e se Harry poderia se teletransportar para outro país. 

 

Harry responde pacientemente às perguntas de Louis, o quê surpreende o mesmo, e aí ele pergunta sobre isso também. Harry explica que muitos novos fantasmas passam por todas essas dúvidas, então Louis é como alguém que acabou de morrer. Ele até desconfia que esse seja o caso e ninguém está contando, mas ele tem certeza que está vivo toda vez que alguém o atravessa, mesmo que sem querer, - e olha que isso aconteceu várias e várias vezes nessa noite -. Os dois no final tem que se despedir porque já é quase meia-noite e Louis precisa voltar para casa. 

 

Louis meio que quer que essa noite dure um pouco mais, ou que talvez Harry pudesse ser uma pessoa normal e não provavelmente alguém com sanidade questionável ou até mesmo ator, para que ele pudesse pedir o seu telefone e eles pudessem ser amigos, mas ele não o faz.

 

Entretanto Harry é mais corajoso que Louis, então ele disse que provavelmente poderia o visitar se isso não fosse o assustar muito. 

 

Louis não realmente se empolga, mas lhe diz o horário que gosta de caminhar com seu cachorro e o mostra qual a sua casa ... Quem sabe.

 

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Notes:

Espero que tenham gostado, eu acho que talvez eu esteja alucinando por pensar em "grupo de apoio a fantasmas" mas foi muito divertido escrever essa história. Obrigada se leu até aqui <3 - L

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