Work Text:
Uma lanchonete impopular numa cidade impopular. O ano era 1985, no décimo quinto dia do mês de janeiro, eles se viram pela primeira vez.
O Tempo era o que tocava naquele dia em que se encontraram. Foi numa lanchonete temática velha, embora o tema fosse os anos 50, o que tocava na velha jukebox empoeirada era Pink Floyd, Time. Já se faziam 12 anos desde o lançamento daquela música, mas ele ainda a adorava. Então, Tempo era o que tocava.
No balcão, ele. Um típico delinquente, cliente assíduo do local desconhecido, geralmente acompanhado de sua gangue de amigos, estava sozinho aquela noite. Bebendo alguma coisa alcoólica que nem se dera ao trabalho de descobrir o nome. Seus olhos azuis elétricos percorrem o estabelecimento sem interesse.
Do outro lado, na entrada da lanchonete, ela. Encharcada pela chuva grossa que caia do lado de fora, com os longos cabelos numa molhada bagunça acobreada agarrando-se a face delicada, a maquiagem borrada, o perfeito delineado negro de mais cedo agora escorria pelas bochechas rosadas pelo frio. Faz o seu pedido, senta-se e abre um livro qualquer.
Ele imediatamente acha que ela é nada mais do que a coisa mais bela que já viu. E fora de seu feitio, fica discretamente contemplando a moça sem nome o restante da noite. E toda ação que ela fazia, toda vez que sorria e ria sozinha para o livro que lia, um pequeno puxar de lábios se fazia presente na própria face dele.
As horas iam passando e as músicas mudando, sim, levou um tempo até criar coragem e decidir abordar a estranha na mesa perto da janela, algo extremamente incomum para ele. Afinal era um predador, nunca hesitando em atacar suas presas uma vez que as avistava e sempre obtendo sucesso em conquista-las. No entanto, essa mulher parecia diferente de tudo que já vira.
Um frio incomum passa na barriga, sentia as pernas bambas, mas quando as olha elas estão nada mais que firmes e fortes no chão. Ao dar o primeiro passo, instantaneamente na sua cabeça começa como um mantra “I gotta be cool, relax.” Assim como Freddie Mercury cantava. E quanto mais se aproximava, tudo nela parecia se tornar mais perfeito, mesmo seu reflexo borrado na janela suada.
Ao encontrar as grandes e gentis irises cor de mel pela primeira vez, algo dentro de si agitou-se, com certeza isso seria diferente de tudo que ele já vivera. Não pode conter o divertido sorriso predatório de vir aos lábios.
“Hey.”
