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Estava observando silenciosamente, estavam na sala do trono. O local era enorme, da pra se ouvir a voz meio entendia do rei enquanto dava ordens e distribuía tarefas aos seus subordinados, havia seis grandes pilares em cada parede, dois únicos vitrais laranja e roxo com o desenho de uma flor de hibisco de seis pétalas azul clara, uma em cada parede, havia um enorme tapete azul cobalto que começava nas grandes portas duplas de madeira e terminava no fim da grande sala em frente ao grande trono feito de mármore preto com flores esculpidas na superfície lisa e negra. Na parede atrás do trono havia uma bandeira também preta com o desenho de uma flor de hibisco de seis pétalas azul metálico, embaixo da flor estava escrito o nome do reino, Bellator, ao lado direito da grande bandeira negra, havia uma menor, esta era vermelho sangue com o desenho de uma pantera dourada, e do lado esquerdo havia outra bandeira, esta era azul cobalto com o desenho de uma flor de cerejeira rosa no centro. As duas bandeiras simbolizavam um acordo de paz com os dois reinos vizinhos.
Sentada no trono, estava uma mulher de longos cabelos ruivos levemente ondulados nas pontas, pele branca como neve, olhos castanhos claros que lembravam o sol e lábios naturalmente rosados. Ela usava uma roupa toda preta com detalhes prateados, nos seu ombros estava uma capa também preta com interior vermelho, e na sua cabeça o símbolo de sua soberania, a coroa real. Aquele era 'o rei'.
Aquela mulher ruiva - Inoue Orihime era seu nome - que usava a coroa, ele a conhece melhor do que ninguém, afinal eram companheiros desde a infância. Todas sabem da sua personalidade levemente infantil na maioria das vezes, mas só ele conhece sua mente extremamente estratégica. Todos admiram seu corpo bem estruturado, mas só ele conhece bem todas as curvas naturais, suas cicatrizes que ela adquirira em treinamentos e em poucas batalhas que teve, ele gostava tanto das cicatrizes dela, quanto ela gostava das suas. Ele sabia que ela gostava, pois sempre as traçava com as pontas dos dedos depois dos momentos de euforia e excitação frenética de beijar e tocar quando estavam sozinhos.
Ele ri pra sí, mesmo que fosse comandante do exército daquele imenso reino, parecia que ele era mais uma espécie de consorte da mulher ruiva sentada no trono ao seu lado.
Embora seu rosto nada mostrasse, ele estava perdido em pensamentos, que não notou que 'o rei' já havia terminado de dar seus ordens e distribuição de tarefas a seus subordinados, e agora haviam somente os dois na grande sala vazia.
- Ei, ei, Kami-chan. - ela chamou - No que está pensando? - perguntou, estava com a cabeça levemente inclinada para o lado, uma coisa que ela fazia quando curiosa sobre algo.
Esse apelido - Kami-chan - Ele odiava esse apelido que ela lhe dera quando criança. Para qualquer pessoa, talvez ser chamado de 'deus' seja uma espécie de elogio, mas ele não era qualquer pessoa, ele odiava ser chamado de algo que um humano nunca poderia se tornar, adiava ser chamado de algo que nunca iria se tornar. Odiava ser chamado de 'deus' daquela forma como se ele fosse uma piada para ela. Ele não suportava pensar que era apenas uma piada para mulher sentada naquele trono.
- Por que insiste em me chamar assim, quando sabe muito bem que eu odeio? - perguntou, seu tom de voz era mais frio do que o próprio gelo, porem a mulher parecia não se incomodar com isso.
Observou quando ela se levantou do grande trono negro de mármore frio e caminhou ate a frente dele, ela pegou seu queixo com os dedos da mão direita e o fez abaixar a cabeça a sua altura, que era muito mais baixa que a dele.
- Por que eu gosto de ver a irritação no fundo dos seus olhos e no tom da sua voz. Te deixa sexy. - ela zombou com uma voz sedutora no ouvido dele, fazendo-o fechar os olhos com força, quando abriu-os novamente, ela ja estava no meio do caminho para a de saída do grande salão.
- Vejo você a noite, Kami-chan! - não era uma pergunta, era uma constatação, de que ele estaria esperando por ela em seu grande quarto real.
Se sentia um bichinho de estimação, um animal castrado da sedutora ruiva. Ele não nasceu para receber ordens e ser tratado daquela forma, ele nasceu para dar as ordens, estar acima das demais pessoas, ele deveria ser o soberano, não ela. E não importa quantas vezes ele chegasse perto de conseguir o seu lugar de direito usando aquela coroa, que a ruiva exibia orgulhosamente na sua cabeça, ela sempre estava um passo a sua frente, e ele odiava esse fato.
- Eu te odeio, rei! - mesmo que suas palavras não passassem de um mero sussurro, ainda ecoavam pelo ambiente vazio até chegar aos ouvidos da mulher, que agora atravessava as grandes portas duplas de madeira.
- Tenho certeza que sim, Sousuke. - respondeu.
Ele a odiava, pois sempre que estava perto de finalmente tomar a coroa e se tornar rei, seu plano fracassava, não somente pela ruiva estar sempre um passo a sua frente, mas também por que, para se tornar rei, ela teria que deixar de viver, e ele não conseguiria viver com isso. Se fosse o rei, somente ela poderia ser a sua rainha. Afinal, ele a ama tanto quanto a odeia.
