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Characters:
Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2021-11-22
Words:
4,498
Chapters:
1/1
Comments:
1
Kudos:
22
Hits:
866

Nothing stays the same

Summary:

What happened after Connor's outbreak?
Can Megan forgives Mick for the things he said?

Notes:

Hi everyone, if you want to send me questions or feedbacks you can find me on Twitter @sarabrandao9

Work Text:

Logo após a saída da ambulância, todos os quatro, Mick, Megan, Abby e Bree foram juntos no mesmo carro para o hospital, para receber notícias sobre Connor.  No caminho, Bree ligou para Kevin e Jess que imediatamente seguiram para o hospital.Todos estavam tensos, reunidos novamente naquele hospital em menos de duas semanas, já havia passado um tempo desde que chegaram e não haviam recebido notícia alguma.

A família estava visivelmente atordoada com o que havia acontecido, mas quem chamou mais atenção pelo estado que se encontrava era Megan.

Permaneceu calada desde o momento que chegou, com a fisionomia abatida e às vezes parecia aérea, mais afastada de todos. Bree e Abby ficaram preocupadas:

- Mãe, você precisa de alguma coisa? 

- Não, notícias do Connor, é só o que eu preciso.

Ela ainda estava pensando sobre tudo que havia acontecido nesses últimos dias. Todos os planos sobre o futuro junto a Mick, a alegria que a invadiu quando decidiram viajar -  que não durou nem vinte e quatro horas –  a proposta que recebeu para ir trabalhar no Getty logo após o sucesso da sua exposição, o aborto que Kevin e Sarah sofreram, a conversa com Jess, a desconfiança de Mick sobre sua ida para a Califórnia e também o ocorrido com Connor. 

Ela não sabia explicar exatamente o que estava sentindo e o porquê se afastou da sua família naquele momento de angústia, ao encontrar a cadeira mais afastada Megan acabou desabando e chorou.

Ao levantar a cabeça, ainda com lágrimas nos olhos, se deparou com Mick a olhando à distância, ela desviou o olhar e pensou em tudo que queria falar para ele, o misto de decepção e raiva a tomavam - foram mais de dois anos reconstruindo o relacionamento para chegar onde estavam, ainda com algumas coisas a serem ditas   - porém não imaginou que ele poderia ser tão insensível ao achar que o sentimento dela era vulnerável.

Eles ainda tinham muito o que conversar - ou acertavam tudo de uma vez ou simplesmente paravam ali mesmo antes que se ferissem novamente. Porém, não era a hora certa e ela também não sabia dizer quando seria, pela mágoa que estava sentindo e o momento turbulento.


Ainda na sala de espera sem notícias de Connor, Megan levantou e se escorou em uma das janelas. Mick se aproximou e colocou a mão de leve em sua cintura.

- Megan está tudo bem querida?

- Você acha que está? - respondeu ela sem olhá-lo nos olhos - Nosso filho nessa situação e poucos minutos antes você me disse aqueles absurdos na fogueira? De fato Mick, está tudo ótimo, obrigada por tamanha sensibilidade!

- Me desculpa, me expressei mal aquela hora, eu não quis dizer aquelas coisas, Megan.

- Você quis. Você disse. Eu não quero conversar sobre isso nem aqui, nem hoje. Agora me dê licença, vou pegar um café.

Megan se afastou e Mick percebeu pelo amargo em suas palavras o quanto ela realmente estava magoada, e pensou que era com razão.

Não precisava chegar a esse ponto. 

Não precisava ter dito as coisas daquela forma.

Vendo uma movimentação estranha entre seus pais, Abby e Bree resolveram se aproximar do pai.

- Pai está tudo bem entre você e a mamãe? - perguntou Abby.

- Sim, filha, está. Por quê? - Mick no fundo sabia que não estava, mas não queria preocupar os filhos nesse momento.

- Vocês estavam tão bem e sempre juntos nesses últimos dias, mais do que antes, e agora mal estão se olhando.

- Acredito que seja só pelo nervoso do momento, mas fique tranquila, estamos bem.

As filhas se afastaram e viram Megan voltando com café para todos, entregando um a um, inclusive para Mick, ele tentou esboçar um agradecimento, mas antes que conseguisse formular uma frase ela já estava há cadeiras de distância dele.

O médico, finalmente apareceu e todos quando o viram já se aproximaram na expectativa de respostas.

- Doutor, como está meu filho? - perguntou Megan aflita.

- Connor agora está estável. O que ele teve foi um princípio de ataque cardíaco, possivelmente gerado por um nível de estresse elevado e alta ingestão de cafeína que sobrecarregou o coração. Estamos realizando alguns exames adicionais, mas por ora está fora de perigo.

Todos respiraram aliviados, as filhas abraçaram Megan e Kevin abraçou Mick.

- Quando podemos vê-lo? - perguntou Mick.

- Bom, hoje eu aconselho vocês a voltarem para casa, ele ainda está sob cuidados médicos e precisa ficar em repouso, retornem amanhã para visitá-lo. Mas fiquem tranquilos, o pior já passou.

Megan agradeceu o médico pelas explicações dadas, olhou aliviada para os filhos e para Mick também, todos saíram do hospital em seguida.

Bree e Abby decidiram voltar com Kevin e Sarah para casa, deixando seus pais sozinhos. O silêncio entre eles era desconfortável, o que lembrava tempos não muito felizes entre os dois. Ao entrar no carro, Megan pediu:

- Leve-me para minha casa, por favor.

- Megan, por quê? Acredito que tenhamos que conversar e esclarecer muitas coisas ditas e não ditas.

- Sim, temos sim. Mas aqui não é a hora e nem o lugar.

Seguiram o trajeto em silêncio e ao chegarem em frente a casa, ela se despediu, já com lágrimas nos olhos:

- Boa noite, Mick. Obrigada pela carona.

Estava abrindo a porta do carro quando Mick a segurou pelo braço:

- Megan, me desculpe, eu não quis dizer aquilo, de verdade, eu só...

- Você só o que?

- Eu tenho medo de te perder novamente, só não quero passar os dias longe de você.

Megan soltou um meio sorriso que mais parecia um suspiro cansado “esse é o máximo que ele consegue se expressar” pensou e logo respondeu:

- Tudo bem Mick, obrigada por expor o que você sente. Mas poderia dizer de outra forma naquela hora. Quantas vezes mais você precisará se justificar pelas coisas não ditas?  Quantas vezes mais eu vou precisar pedir pra você falar o que está sentindo ou que está acontecendo? Isso me lembra muito como era o nosso casamento. Você não dizia as coisas, não compartilhava nada comigo, e eu não quero viver dessa forma mais. Hoje você considerou todo meu sentimento por você vulnerável.- Nesse ponto da conversa ela já misturava palavras e lágrimas enquanto ele escutava atônito -  Mick, eu estive aqui por quatro anos antes de retomarmos nosso relacionamento, voltei para Chesapeake por minha vontade, por que agora iria embora? Sendo que poderia ter ido antes? Não sei se você se lembra, mas quem me falou insistentemente para pensar na proposta do Getty foi você, eu nem havia cogitado isso, porque queria viver o nosso sonho de viajar o mundo. - Ela fez menção de abrir a porta mas virou novamente para ele e completou - Eu amo você Mick , sempre amei, e vou amar em qualquer lugar que esteja, mas não quero viver como antes, e principalmente com a sombra da dúvida de você achar que a qualquer momento posso te deixar. Eu não faria isso novamente. Eu não terminei nosso casamento sozinha, e você sabe disso - ela terminou de falar chorando de uma forma que Mick nunca tinha visto antes, ele também estava com lágrimas nos olhos, por ver a mulher que ele tanto ama sofrendo, e principalmente porque sabia que era o único culpado por isso.

-  Boa noite Mick.

Megan saiu do carro, sem esperar uma resposta. Ele a viu entrar em casa e ficou desnorteado quando ela finalmente fechou a porta.

Aquela noite parecia que não teria fim para os dois. De um lado Megan, pensando em tudo que aconteceu entre ela e Mick até então e sentindo que tudo havia voltado ao início. E do outro Mick, triste por ter magoado a sua companheira de uma vida, mais uma vez.


Na manhã seguinte, todos se preparavam para ir até o hospital visitar Connor, exceto Megan que não estava presente na casa. Mick esperava que depois da terrível noite, as coisas teriam amenizado e ficou consternado com a ausência dela de manhã, já era costume eles tomarem café todos os dias juntos mesmo morando em casas diferentes.

Nell percebeu a inquietação de Mick:

- O que está acontecendo entre você e Megan? É por isso que ela não está aqui hoje?

- Nada demais mãe, talvez ela tenha resolvido tomar café na casa dela e de lá ir para o hospital.

- Mick... as vezes acho que você pensa que eu não te conheço, você normalmente fica assim quando algo não está bem entre vocês dois. E ao que tudo me indica, foi depois da conversa sobre a proposta dela sobre o Getty.

- Sim, ontem nos desentendemos. Ela me falou sobre a proposta, sobre a possibilidade de trabalhar um ano lá e depois tirar seis meses de férias, e que além disso o Carter estaria trabalhando lá com ela.  E eu disse que não podia confiar que ela não me deixaria de novo.

- Ah meu filho… por que você fez isso? Deus e eu sabemos o quanto você sofreu por ter deixado Megan ir embora e não ter feito nada para impedi-la ou para tentar salvar seu casamento.

- Eu sei, agora ela está chateada. E eu sei também que minhas palavras a magoaram muito. Tentei me desculpar por ter falado da forma errada. A verdade mãe, é que não posso e não quero perdê-la, eu a amo de uma forma muito profunda, como eu sempre amei e você sabe disso.

- Sim, eu sei. Então está na hora de você ajustar de vez todos os pontos do passado que ficaram abertos e entender como vocês querem prosseguir com o futuro. E acima de tudo não adianta você dizer para mim que a ama, isso eu sempre soube. Mas ela precisa saber disso também, Mick. Deixe ela saber. Vocês tem algo muito especial. Não deixem isso passar mais uma vez.

- Obrigado mãe. O que seria de mim sem a senhora, hein Dona Nell O'Brien?!


Quando Mick e os filhos chegaram ao hospital, Megan já estava lá. Todos os quatro filhos foram cumprimentá-la com um abraço e perguntando se estava tudo bem, ela respondeu para todos a mesma coisa: 

- “Sim, tudo bem, esperando notícias sobre Connor".

 Quando olhou para trás e viu Mick a algumas cadeiras de distância, ela acenou a cabeça e deu um pequeno sorriso. Mick rapidamente mudou a fisionomia com um largo sorriso e uma longa piscada de olhos pra ela. Ele pensou que seria um bom dia para conversarem e finalmente conseguir resolver o mal-entendido dos dias anteriores.

O médico chegou para dar notícias sobre Connor, todos se reuniram ao redor dele.

- Connor está bem, conseguimos realizar os exames faltantes, e os resultados foram todos dentro do parâmetro esperado, o que é um ótimo sinal. Mas apenas para completarmos o histórico familiar dele e como ele não soube responder ao certo, algum de vocês parentes mais próximos já tiveram algum episódio de problemas no coração ou ataque cardíaco?

Todos os filhos e Mick responderam que não, faltava apenas Megan. Os olhos de todos se concentraram nela que estava visivelmente constrangida para responder.

- E você, Megan? Ainda não respondeu, já esteve em alguma situação parecida? - perguntou o médico.

- Sim, eu já tive também um princípio de ataque cardíaco há cerca de 18 anos. Os médicos também diagnosticaram que foi por conta de uma carga extrema de estresse. O tratamento foi um pouco longo e com algumas restrições, mas já estou ótima.- Ela olhou em volta, e viu a reação espantada de todos, mas principalmente Mick estava atordoado, pois logo percebeu a data que ela relatou o ocorrido, foi bem na época que eles tinham assinado os papéis de divórcio e decidido que as crianças ficariam em Chesapeake.

O médico agradeceu as informações repassadas, e deu o consentimento para todos visitarem Connor.

Os filhos ainda absorvendo o relato da mãe, pensando em tudo que ela passou em Nova York, sozinha e sem apoio e eles ainda pequenos, pensaram na terrível possibilidade de ter acontecido algo mais grave, não disseram nada somente a abraçaram. Megan se sentiu tão acolhida e aliviada com aquele gesto, após tanto tempo guardando para si alguns dos acontecimentos do passado, aquilo significou muito para ela. 

Talvez era disso que estava precisando, após o turbilhão de emoções vividas nos últimos dias. Ela sorriu, visivelmente emocionada, agradeceu e logo em seguida, os filhos seguiram para o quarto de Connor. Restando apenas ela e Mick na sala de espera.

Mick estava sentado, ainda em choque com a revelação, e quando ela se virou para pegar sua bolsa e entrar para a visita, ele a chamou.

- Megan.

- Diga Mick.

- Eu nunca soube desse seu episódio, você nunca me disse. Pelas minhas contas foi perto de quando assinamos o divórcio e decidimos sobre as crianças. Por que você não me disse nada?

- Sim, foi exatamente dois dias depois que você voltou para Chesapeake após assinarmos os papéis. Eu não queria demonstrar tudo que eu estava sofrendo e sentindo. Eu estava arrasada. A vida que eu tanto sonhei e fui feliz por um longo tempo, parecia que tinha acabado e eu não podia fazer mais nada. Eu sofri muito. Sofri por deixar meus filhos e saber que não os teria mais comigo em Nova York e também por saber que não teria mais ao meu lado o único homem que amei. Acredito que esse somatório de acontecimentos foi me sobrecarregando, e ainda não tinha com quem conversar, pois estava sozinha, acabou acontecendo. Eu não falei nada para você porque não queria ter te preocupado já que não estávamos mais juntos, ou para não parecer que estava te culpando de alguma forma pelo que aconteceu, e sabia que se te contasse você pensaria isso.

- Megan, eu sinto muito - Ele levantou e a abraçou, ela retribuiu o abraço, e ao encostar a cabeça no seu peito, ambos os olhos se encheram de lágrimas. Ainda doía pensar nas coisas que passaram sozinhos, podendo ter sido compartilhadas e também por tudo não dito recentemente.

Ambos então entraram juntos para ver Connor, e sorriram aliviados quando o encontraram bem e já fazendo as brincadeiras de sempre com todos. Megan logo se aproximou para um abraço, mesmo sabendo que o filho não gostava muito, e ele retribuiu aliviado por estar vivo, por mais destemido que sempre fosse, dessa vez o susto havia sido grande. Mick ficou observando a cena, feliz por ter tudo ter ficado bem com Connor e por todos os sete estarem juntos, como era o costume da família.

 

Todos se despediram de Connor e seguiram para a frente do hospital. Os filhos também se despediram dos pais e seguiram para suas atividades. 

Megan que havia vindo no próprio carro, deu uma risada conhecedora para Mick, já que não era comum os dois chegarem ou saírem dos lugares separados. 

Após um momento trocando olhares, ele viu que era a oportunidade para convidá-la para jantar e assim, finalmente conversarem:

- Megan, queria que você jantasse comigo hoje. Tem um tempo que não saímos juntos, só nós dois, e também acho que temos que conversar sobre os últimos acontecimentos. - ele a olhou e passou a mão sobre sua bochecha, detendo-se ali.

- Eu também estava pensando nisso, mas gostaria que o jantar fosse na minha casa, como forma de retribuir o último que você preparou para mim. E acho que será mais reservado para conversarmos - Ela repetiu o gesto e acariciou o rosto de Mick.

- Então está combinado, estarei lá às oito. - ele a puxou para um abraço e logo em seguida a beijou, um beijo diferente das outras vezes, com um pouco de receio que ela se afastasse, mas entendia que ainda precisavam ponderar sobre como estava o relacionamento.

 


Enquanto preparava o jantar, Megan pensou em tudo que gostaria de falar para Mick. Ela considerava que era finalmente a oportunidade que tanto esperou desde a retomada do relacionamento. Mas ao analisar decidiu que era vez de saber o que ELE pensava. O porquê de tanta insegurança e desconfiança. Megan queria e precisava entender Mick de uma vez por todas.

No horário marcado, ela escutou a batida na porta:

- Estou impressionada com sua pontualidade O'Brien!

- Já estourei minha cota de atrasos nessa vida.

- Tenho que concordar.

Ele revelou um bouquet de rosas escondido, Megan não conseguiu evitar o sorriso, pegando as flores suspirou ao sentir o cheiro.

Mick sentiu que estava no caminho certo, se havia uma combinação que ele amava era Megan e flores, a satisfação no rosto dela toda a vez que as cheirava, o deixava em êxtase.

Ela lhe deu um beijo no rosto e o convidou para entrar.

No primeiro instante, houve um silêncio constrangedor, mas Megan logo quebrou o gelo oferecendo-lhe uma taça de vinho.

Ela estava cuidando o forno e Mick se escorou na bancada ficando em diagonal com ela. Megan começou:

- Você além de jantar, disse que precisávamos conversar, sobre o que você quer falar?

- Sobre nós - disse ele com um leve rubor subindo pelo pescoço.

- Qual a parte sobre nós?  

Com um bom gole de vinho, ele reuniu coragem e segurou uma das mãos dela:

- Megan, eu sempre  evitei falar sobre tudo que aconteceu quando você foi embora. E percebi que muitas daquelas palavras que usei enquanto estava na fogueira, foram geradas pela minha insegurança de viver tudo novamente. Eu senti muito quando você se foi. Mas senti ainda mais por não ter feito o que realmente deveria fazer. Eu acho que não dei a devida importância àquela carta que você me escreveu, não considerei seu sofrimento e as dificuldades que você passava aqui com nossos filhos enquanto eu ficava fora dias a fio. E quando você se foi, eu pude perceber que o maior culpado fui eu, mas neguei, talvez por esse meu orgulho irlandês. Só que agora, depois de todo o recomeço e termos nos perdoado, eu vejo que o amor que sentia por você não mudou, aliás, ele se tornou ainda mais forte. E uma das coisas que mais me conforta hoje, é saber que por mais ruim que o meu dia possa ter sido, você estará perto para torná-lo bom. Quando você me falou que estava pensando em aceitar a proposta do Getty, eu fui egoísta, e não queria nunca ter demonstrado desconfiança por você. Só realmente queria falar que não imagino a ideia de não ter você aqui comigo todos os dias. Não quero te perder novamente, e farei tudo o que tiver ao meu alcance para te fazer uma mulher inteiramente feliz. - ele estava visivelmente emocionado, como raramente Megan o via. 

Ela se aproximou e passou a mão sobre um dos seus ombros :

- Mick, os meus dias também são bem melhores porque te tenho por perto. Obrigada por ter se aberto, sei que não é algo simples. Mas saiba que você poderá confiar sempre em mim.

Ele levou a mão dela até os lábios, e depois continuou segurando, como que se segurando que aquele momento era real

- E sobre o Getty, eu realmente sei que é o seu sonho, e não quero impedi-la de viver isso. Afinal, a Califórnia não é tão longe assim. - ele olhou para ela de canto e ambos riram .

- Vou considerar você sabendo que é do outro lado do país, e saiba que eu não quero e não vou deixá-lo. Você pode ir me visitar nesse seu ano de descanso e quando acabar meu período lá, vamos viver nosso sonho da viagem e tantos outros que ainda teremos.

- Ah Megan, como é bom ouvir isso. E pode ter certeza, você terá muitas visitas na Califórnia, até porque sei quem também estará lá, e preciso estar perto para "ele" ver quem é o homem que mais te ama no mundo.

- Mick…- ela estava tão emocionada e feliz que não se conteve e o beijou.  

Um beijo diferente dos últimos dias, talvez de todos até então, dessa vez ,ela se sentiu totalmente segura e amada. Foi um beijo de afirmação, selando oficialmente o recomeço deles. Ele a envolveu o máximo que pôde com o braço que não estava machucado, fazia praticamente a volta em toda a cintura de Megan. 

Depois de alguns minutos ela interrompeu segurando ele pelos ombros:

- Mick O'Brien, ainda temos uma lasanha no forno, que deu muito trabalho e eu não pretendo deixá-la de lado.

 Ele soltou uma gargalhada, afrouxando o aperto sobre ela:

- Lasanha Senhora O'Brien?! Está tentando ganhar meu coração?

Os olhos de Megan brilharam ao ouvir aquilo, parecia trivial, mas aquele simples termo que não ouvia há anos significava muito pra ela.

Mick de repente se lembrou de algo:

- Megan você tem todo o meu apoio para ir, mas acho que devemos contar para as crianças, e se precisar conte com minha ajuda para isso também.

Ela o olhou grata pelo conselho dado. Pensava realmente que precisava contar a eles e era bom saber que ela detinha o apoio do homem a quem tanto amava. Depois da conversa, ambos jantaram e namoraram como dois adolescentes apaixonados.

No outro dia Nell já cedo acordada se deparou com um Mick entrando sorrateiro em casa e riu ao lembrar dos tempos antigos, suspirou aliviada, finalmente as coisas estavam entrando nos eixos.


Após alguns dias, depois que Connor teve alta e já estava bem e em casa,  Megan decidiu realizar um almoço para contar a decisão sobre sua mudança para Califórnia aos filhos. A angústia a dominava por não saber como seria a reação deles - “Será que vão pensar que estou os abandonando de novo?” “E se eu perder tudo que construí com cada um deles quando eu for?” - eram pensamentos constantes em sua cabeça. O medo a afligia. Mas, ela sabia também que estava amparada por Mick, e isso já era um cenário totalmente diferente da primeira vez. Ao ver a agitação da mulher, Mick aproximou e a abraçou por trás, sussurrando ao seu ouvido:

- Querida, vai ficar tudo bem. Vai dar tudo certo. Eu estou aqui, conte comigo.

Ela apertou forte as duas mãos ao seu redor, agora sem tala, como um agradecimento silencioso pelo apoio.

Todos  já estavam sentados à mesa, e como era de costume Mick iniciou com um brinde:

- Hoje é um dia muito especial, a mãe de vocês conquistou um novo sonho de trabalho, que eu me lembro que ela tinha desde quando éramos casados. E estou muito feliz por isso.

Todos o olharam admirados por estar totalmente diferente do Mick que eles se lembravam quando criança. A relação de companheirismo entre seus pais era muito bonita, e estavam se sentindo agradecidos por estarem vivenciando aquilo.

- Conte os detalhes para gente mãe - pediu Connor .

- Quando eu comecei no MET, sempre almejei trabalhar no Getty em Los Angeles, era minha realização profissional. Após a exposição que realizei sobre Arthur Driscoll algumas portas se abriram para mim novamente, uma delas foi a de ser curadora lá. Eu pensei muito antes de aceitar, mas eu e seu pai conversamos muito sobre isso, e eu decidi seguir. Vai ser pelo prazo de um ano inicialmente. Terei que me mudar para lá, e depois estarei livre por seis meses. - ela finalmente soltou o ar, estava num misto de alívio por ter conseguido falar e expectativa por não saber como seriam os próximos diálogos com os filhos sobre isso.

- Nossa, mãe! Eu lembro quando estávamos em Nova York, o quanto você falava sobre esse sonho. Eu realmente estou muito feliz por você. - disse Abby.

- Isso significa que, você se mudando para lá, teremos abrigo para visitá-la e conhecer a Califórnia?! - perguntou Bree entusiasmada.

- Sim, querida. - Megan respondeu com um sorriso no rosto .

- Isso é realmente maravilhoso, mãe. - Kevin disse, levantando para lhe dar um beijo .

- E quando você irá? - indagou Jess .

- Eu viajarei logo após as festas de fim de ano. Ainda temos de programar o jantar de Ação de Graças, Natal e Ano Novo.

- Ótimo, mãe! Então já temos uma data para irmos pra Califórnia. - celebrou Connor .

- Ah é, e quando será? Já estou animada só de imaginar.

- No seu aniversário em fevereiro. Vamos comemorar lá, todos juntos.

Megan não podia estar mais feliz. A reação de todos foi muito melhor do que ela imaginava. Um sentimento de felicidade a invadiu completamente. Ela olhou para Mick e ele a enviou um beijo e logo em seguida, levantou as taças e brindou.

Todos responderam.

- Cheers!

 

As festas de final de ano ocorreram muito bem. Megan, já estava saudosa antes mesmo de ir.

Após todos esses momentos juntos, chegou a hora de dizer até logo.

Mick havia pedido anteriormente para deixarem ele ir sozinho com ela até o aeroporto, os filhos riram daquela solicitação vindo do seu pai, era muito diferente daquele patriarca que conheciam, mas todos deram seu sim para isso.

Ao chegar na casa de Megan, ele a ajudou com as bagagens e seguiram para a casa da família.

- Todos estão em casa para se despedir de você.

- Em casa? Pensei que fôssemos todos juntos até o aeroporto. - ela esboçou uma tristeza em sua voz .

- Não, eles queriam ir, mas eu pedi para esse momento ser somente nosso.

Megan riu, como amava esse lado leve de Mick, que em geral só ela conhecia.

Ao chegarem na casa, todos os filhos, as netas e Nell a encheram de abraços, e  desejaram muito sucesso e felicidade a ela.

- Vamos sentir saudades. - disseram todos juntos. 

- Eu também vou, muitas. - Ela não aguentava as lágrimas que já estavam se formando.

- Mas, logo estaremos juntos novamente, em menos de dois meses. - disse Jess, correndo para abraçar a mãe novamente. 

- E eu já estou contando os dias! 

Megan abraçou cada um dos seus novamente, e seguiu para o carro de Mick que já a esperava. 

Chegando no aeroporto, antes de ela embarcar, chegou a vez deles se despedirem um do outro. Tão diferente da primeira vez, onde nem sequer houve despedida, tanta coisa havia se passado, eram diversos sentimentos envolvidos, a pontinha inevitável de medo do futuro, mas predominavam o amor e a certeza da falta que sentiriam um do outro. 

Megan abraçou Mick com muita força, ele retribuiu. Os dois estavam com a voz embargada:

- Não vejo a hora de voltar pra você, e vivermos tudo que planejamos para o nosso futuro. - disse Megan

- Eu estarei aqui querida, te esperando. Como sempre estive. Mas, até esse dia chegar, vamos ter muitas pontes aéreas pela frente. Você ainda nem foi e estou contando os dias para te ver novamente. 

- Estarei te esperando em fevereiro ou antes. 

- Pode ter certeza que estarei lá. 

Os dois se abraçaram novamente, com lágrimas nos olhos e Mick a puxou ainda mais para perto, a beijou com tanta intensidade que demonstrava a saudade que sentiria e quanto a amava. 

Não queriam se soltar mas já estava na segunda chamada do voo, precisava ir:

- Até breve. Amo você. 

- Eu te amo, querida. Até logo

Ela segurou as bochechas dele com uma mão e deixou um último beijo.

Mick observou Megan cada vez mais distante seguindo para o portão de embarque, não conseguia evitar o aperto que sentia no coração com a cena. 

Ela seguiu evitando olhar para trás, pronta para experimentar esse novo desafio da sua vida, mas dessa vez com a certeza de quem a esperava em Chesapeake.