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Em meio a situações inimagináveis

Summary:

Graças a um boato criado por um anônimo, todos os estudantes do colégio Jujutsu estão pensando que Nobara Kugisaki e Maki Zenin estão namorando. Sem saber o que fazer para provar o contrário e não conseguindo descobrir quem inventou essa mentira, a única esperança de Nobara é um bilhete suspeito que provavelmente vai mudar sua vida para sempre.

Notes:

oioi!!
minha primeira vez participando de um amigo secreto, tô nervosa hihi (desculpa pelo atraso)
podem tentar descobrir pra quem é, eu acho?? mas vai estar no final!
espero que gostem <3

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Um boato envolvendo duas alunas circulava no colégio Jujutsu. Segundo o vídeo gravado e postado por um anônimo, Nobara Kugisaki e Maki Zenin estavam escondendo um namoro. As supostas provas eram cartas de amor encontradas no armário da ruiva (o que era mentira), e mesmo tendo negado todas as acusações, não havia uma única alma viva que acreditasse no que as duas diziam; exceto por Yuji Itadori e Megumi Fushiguro, seus melhores amigos.

Ambos sabiam que Nobara, de fato, nutria uma paixão por Maki desde que foi transferida para a nova escola, mas imaginavam que ver tudo acontecendo e não poder responder de forma positiva — poderia dizer que estavam namorando para pararem de perturbá-la, mas como também precisava da aprovação de Maki, aquilo estava fora de cogitação — deveria ser bastante difícil. Por isso, foram até a casa da garota a fim de deixá-la melhor. Ao baterem na porta e avisarem quem estava do lado de fora, rapidamente foram atendidos pela garota ruiva, com uma aparência de que não estava nos seus melhores dias.

— Como está se sentindo? — Megumi perguntou, adentrando calmamente o espaço. Foi respondido com um "bem" murmurado, sem acreditar muito no que fora dito.

— Trouxemos o seu sorvete preferido! — Yuji exclamou, mostrando algumas colheres e um pote cheio de sorvete de melancia, colocando-o sobre a mesa da sala. Viu um sorriso surgindo no rosto de Nobara.

— Aah, muito obrigada! — Correu para perto deles, sentando-se no sofá e tirando a tampa do pote, experimentando o sabor doce.

— Só ficamos sabendo disso há pouco tempo — começou Yuji —, mas viemos o mais rápido possível. Podemos tentar te ajudar a resolver isso, mesmo que seja um pouco difícil. É pra isso que amigos servem, né, Megumi?! — Surpreso por ter sido inserido do nada na conversa, ele apenas assentiu.

— Se fosse rápido assim, ninguém ainda estaria contando essa mentira — retrucou, dando uma pausa para continuar a comer. — As pessoas preferem acreditar em algo sem embasamento do que ouvir a palavra de quem está envolvido.

— Em algum momento, vão acreditar. — Megumi pronunciou-se, ouvindo um suspiro da garota.

Ficaram em silêncio por certo tempo. Por mais que não gostassem de admitir, o que Nobara dizia era verdade. De forma rápida, todos os estudantes já sabiam da existência do vídeo, criando teorias e falando sobre ele, sem ao menos pesquisar se o conteúdo era falso ou não. Chegaram ao ponto de irem à sala de aula que Kugisaki estava, com o único interesse de perguntar há quanto tempo ela estava em um relacionamento.

— Sabem o pior? — Chamou a atenção deles, logo continuou: — Eu ia pedir ela em namoro, mas agora eu tenho que esperar todo mundo esquecer disso, senão vão fazer ainda mais perguntas! — Sua voz tinha um tom claro de indignação, sendo contida a cada colher que entrava em sua boca.

— Eles esquecem rápido. Daqui a pouco, outra coisa começa a ganhar o foco e tudo vai voltar ao normal. — Itadori tentou consolar a amiga do jeito que pôde, sorrindo genuíno.

Talvez demore um pouco… — Megumi sussurrou, e pela expressão estranha que surgiu no rosto de Yuji, imaginou que ele queria dizer algo como "Me ajuda!", então tentou consertar o que havia falado: — Digo, talvez isso aconteça mesmo. Nunca se sabe o que as pessoas estão pensando, né?

— Enfim — O outro garoto interrompeu. —, acho que ir ao shopping vai trazer o seu ânimo de volta! Que tal?

Ao ouvir isso, conseguiram ver o brilho no olhar de Nobara, dando a impressão de que ela finalmente estava voltando a ser a mesma de sempre, ainda que por apenas algumas horas. Sem muita espera, rapidamente levantou do sofá e pegou o pote de sorvete, aproximando-se da porta e a abrindo, e como se estivessem sendo chamados por ela, seguiram a amiga enquanto iam para o lado de fora da residência, junto do pensamento tenebroso de acabarem com todo o dinheiro que tinham para comprar o que Nobara queria.

 

[...]

 

Uma risada alta e alegre ecoava na saída da "Abiti", a mais famosa loja de roupas do shopping. Muitos curiosos olhavam na direção na gargalhada, encontrando uma ruiva que carregava incontáveis sacolas de compra, tendo um sorriso que poderia ser facilmente descrito como "assustador". Logo atrás dela, vinham dois rapazes claramente cansados, que pagaram todas as diversas roupas compradas pela garota, querendo esquecer em quantas vezes tudo aquilo foi parcelado. Aquele trio era, de fato, muito barulhento.

Enquanto saltitava pelo local, Nobara sentiu alguém chocando-se contra seu braço, empurrando-a para frente. Teria xingado aquela pessoa por ter esbarrado em si e não ter, ao menos, pedido desculpa; mas ela se foi tão rápido quanto chegou, sendo possível ver, ao longe, seus cabelos verdes curtos que balançavam conforme andava. Claro, poderia reconhecer a dona daquela aparência em qualquer lugar: Mai Zenin, irmã gêmea de Maki. Mesmo que nunca tivessem realmente conversado, só a presença dela era o bastante para irritar Nobara, e podia-se assumir que ela não estava satisfeita com o boato do namoro entre Maki e sua inimiga — não que ela sequer se importasse com a existência da Kugisaki.

— Ei! — gritou, percebendo que Mai virou a cabeça para o lado, todavia não disse uma única palavra. — Eu tô falando com você, sua cabeça de espinafre!

— Calma, Nobara! — Yuji segurou o ombro dela. — Deve ter sido sem querer. Não precisa berrar por causa disso! Vamos embora, tá?

Rangeu os dentes, arrastando os dois garotos para fora daquele lugar. De qualquer forma, já haviam comprado tudo o que desejava.

Antes de saírem, ao olhar uma última vez para Mai, notou que ela estava cochichando algo enquanto encarava a Kugisaki, apontando para debaixo de seu braço. Franziu a sobrancelha e, ignorando aquilo, continuou o caminho.

Demoraram vinte minutos para chegar na casa de Nobara. Yuji e Megumi teriam continuado lá se ela não tivesse se despedido com um "Até amanhã!", induzindo-os a irem embora.

A garota pegou as chaves e abriu a porta, jogando-se no sofá, fazendo com que algumas das bolsas que carregava acabassem caindo. Não imaginou que encontraria uma das Zenin em um shopping aleatório que ficava bastante distante da casa delas, e quanto mais pensava sobre isso, mais se lembrava daquele maldito vídeo. Talvez estivesse pensando demais, visto que também havia a possibilidade de ter sido uma simples coincidência.

Suspirou irritada. Pegou uma das bolsas e tirou algumas caixas de sapato, segurando-as com certa firmeza para que não caíssem enquanto as levava ao quarto. Colocou-as sob a cama e voltou para a sala, percebendo que havia um papel na sacola que deveria estar vazia. Aproximou-se e pegou-o, vendo que se tratava de um bilhete.

 

"Por favor, encontre-me amanhã no jardim perto da escola, logo após o fim das aulas. Precisamos conversar.

Maki Zenin."

 

Que tipo de piada era aquela? Nobara sentiu vontade de amassar o papel e jogá-lo no lixo, mas sua curiosidade lhe dizia que ela não devia fazer isso. Queria saber como aquilo havia chegado lá, mas teria que deixar as perguntas para o dia seguinte; ainda precisava guardar muitas caixas.

 

[...]

 

Eram quatro horas da tarde desta segunda-feira. O sol brilhava fortemente, fazendo com que Nobara precisasse cobrir boa parte de seus olhos. Os fios ruivos de seu cabelo, esvoaçantes com o vento, exalavam um cheiro doce. Parecia um dia perfeito, isso se não fosse o nervosismo que estava dentro da garota.

— Nobara? — Ouviu a voz de Yuji chamando-a, logo direcionou seu olhar para ele. — Tá tudo bem? Você parece… Diferente.

— Eu tô normal! — retrucou. — É só que vou precisar fazer algo antes de voltar pra casa, então podem ir sem mim.

— Mesmo? — Assentiu, então os dois amigos se despediram ao chegarem na saída, deixando Nobara sozinha.

Esperando eles se afastarem, Kugisaki atravessou o portão da escola, lembrando-se de onde supostamente deveria encontrar Maki. Procurando pelo jardim, não levou muito tempo para achá-lo, sendo capaz de vê-lo logo depois de atravessar uma rua: era enorme, com árvores e plantas de tamanhos variados, muitas que Nobara sequer conhecia; no centro, havia um grande chafariz que jorrava água cristalina, este estando rodeado por gardênias. Aproximando-se do chafariz, reparou que, atrás dele, tinha um banco de madeira e Maki estava sentada nele, então andou nervosa para perto dela.

De frente para a garota, analisou seu lindo cabelo verde preso em um costumeiro rabo de cavalo, contudo alguns fios escapavam e iam para a testa dela, formando uma franja falha. Sob as lentes do óculos que pareciam brilhar graças ao sol, podia ver as íris castanhas olhando para si. Ah, Maki era linda.

— Bom dia, Nobara — disse, e Kugisaki pareceu finalmente se lembrar que estava em pé, sentando-se de imediato. — Pensei que não ia vir. Eu já estava cogitando ir embora.

— Demoramos para sair da sala de aula. — Bufou, arrancando um sorriso da Zenin. — Então… Quer conversar sobre o quê?

Maki franziu as sobrancelhas.

— Pensei que você era quem queria conversar.

Foi a vez de Nobara ficar confusa.

— Mas eu recebi um bilhete seu, e dizia para nos encontrarmos aqui hoje.

— Eu recebi esse. — Mostrou um papel que era quase idêntico ao de Nobara, o nome na assinatura sendo a única diferença entre eles.

— Eles são bem parecidos…

— O seu estava onde?

— Numa bolsa de compras — respondeu, torcendo para que Maki não perguntasse como foi parar lá.

— Entendo.

As duas se calaram, provavelmente pensando no que deveriam falar em seguida — pelo menos, foi isso o que Kugisaki julgou. Nobara cogitava perguntar algo sobre o boato, mas Maki poderia reagir de uma forma negativa e nenhuma delas saberia como continuar a conversa. 

“O que diabos eu tô fazendo?”, pensou. “Nunca me imaginei nessa situação, então não sei como agir!''.

Procurou se acalmar enquanto respirava fundo, organizando seus pensamentos para que pudesse dizer algo.

— Maki — chamou sua atenção —, ouviu o que estão falando sobre nós?

— Que somos namoradas? Ouvi. — Seu tom de voz era engraçado.

— E o que acha?

— Uma perda de tempo. Não ligo para o que pensam sobre mim, ainda mais quando é a Mai quem cria essas mentiras; o que me assusta é a quantidade de gente que se incomoda sobre minha vida amorosa.

Não tinha palavras para descrever a tranquilidade que sentia escutando aquele comentário. Estava passando seus dias preocupada com a Zenin e, no fim, ela própria mal estava dando importância para o assunto. Claro, ficou surpresa em saber que a Mai espalhou o boato, já que nunca imaginou que ela faria algo do tipo; mas, na verdade, fazia bastante sentido, visto que ela estava sempre discutindo com a irmã.

— Por quê? Ficou triste com a “notícia” do namoro? — brincou, arrancando uma risada de Nobara.

— Fiquei chateada por não ser verdade — devolveu a piada, percebendo que Maki havia arregalado os olhos.

Ambas ficaram em silêncio novamente, e dessa vez, a quietude durou cerca de um minuto. Não faziam ideia de como reagir. Talvez seja cedo demais?, pensou Nobara, odiando não saber o que fazer para resolver o problema.

— Não seja por isso. — A fala repentina causou uma mistura de sentimentos na ruiva. — Se quiser, é possível torná-lo realidade.

Sentiu a respiração da esverdeada em seu nariz, e sem muita pressa, seus lábios se juntaram por um momento, reparando um certo nervosismo de ambos os lados. Com a mesma calmaria de antes, elas se separaram, e um beijo rápido foi depositado na testa de Nobara. Vendo que ela permanecia estática, Maki não pôde conter um sorriso de canto, levantando-se logo em seguida.

— Bem — continuou depois de algum tempo —, quer namorar comigo? Se vão continuar nos vendo como amantes, ao menos é bom fazer um pedido oficial.

Nobara certamente não era uma entendedora de romances, mas já havia assistido muitos filmes para saber que era incomum algo assim ser dito com tamanha leveza, como se ela sequer tivesse consciência do que estava falando — ah, ela tinha, e nunca esteve tão nervosa em toda a sua vida, mas não queria demonstrar. Mesmo assim, não precisou pensar por mais de dois segundos para responder:

— Sim! Claro! — Levantou com um brilho no olhar, sorrindo feito boba.

Estava prestes a dar um abraço apertado em Maki e nunca mais soltá-la, até que ouviram um barulho vindo de um dos arbustos. Ambas se viraram na direção do som, procurando a causa dele, quando viram um tom diferente de verde no topo da moita. A Zenin se aproximou do objeto misterioso, puxando-o para revelar o que era.

— Ai! — Um grito alto. Aparentemente, aquele verde era o cabelo de alguém, que colocou uma das mãos na cabeça, saindo de seu esconderijo. Era Mai Zenin, decepcionada por ter sido descoberta

— O que você tá fazendo, Mai? — Maki perguntou para a irmã. Demorou para que notassem o celular na outra mão da garota.

— Gravando, claro — respondeu como se fosse óbvio, mostrando a tela do aparelho. — Tenho que revelar a verdade por trás do boato do seu namorico.

— E você veio aqui só pra nos espionar? — intrometeu-se Nobara, cruzando os braços. — Que falta do que fazer.

— Se não fosse por mim, vocês ainda estariam pensando em como se declarar — retrucou, parecendo orgulhosa de seus feitos. — Além de organizar um encontro e entregar um lindo papel para vocês, também as transformei em namoradas e coloquei um ponto final nessa história. Felizes? — Então, de fato, havia sido Mai quem pôs o bilhete na bolsa de Nobara.

A Kugisaki gostaria de continuar a discussão, principalmente porque não sentia que Mai era o motivo de elas terem se declarado; entretanto, uma pergunta melhor surgiu em sua mente.

— E por que decidiu fazer isso? Não é como se você se importasse com a gente.

— Fiz isso por mim. Não aguentava mais a Maki falando o tempo todo como “amava você", então resolvi acabar com essa palhaçada pra me poupar de ouvir essa melação.

No fim das contas, Mai ainda era Mai.

Sem algum motivo específico, Nobara sentiu vontade de olhar para a — agora — namorada, e assim que direcionou suas íris para a garota, viu suas bochechas se tornarem vermelhas e, em um piscar de olhos, voltarem à coloração de antes.

— Tudo bem, Mai. Agora chega. — Puxou o braço da irmã e pegou o telefone dela, desligando a tela, não se importando com a gravação. — Você já fez muita coisa hoje. 

Levando a outra Zenin para fora do parque (e tendo uma breve conversa para que o vídeo não fosse postado, mesmo sabendo que de nada adiantaria e que, no dia seguinte, todos já saberiam do namoro), Maki deu um sorriso e acenou, despedindo-se de Nobara. Amanhã se encontrariam novamente na escola, sem a preocupação de precisarem esconder seus sentimentos; a esse ponto, não fazia mais sentido se importarem com aquele simples boato.

Notes:

e........ /barulhos de tambor/ mi amigue secrete é @Mackyyy !!!1! eu realmente espero que tenha gostado. escrevi com muito amor e carinho (pq eu queria escrever beijo mesmo sem saber como faz aaa), e se arranquei pelo menos uma risadinha, acho que já tá valendo HASUSUHA
lembrem-se de ler as outras fanfics do @ProjetoAniverse! tá saindo muita história legal por lá, então vai dar uma conferida <3

no mais, obrigada por ler até aqui! se cuidem sz