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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2021-12-31
Words:
3,296
Chapters:
1/1
Kudos:
2
Hits:
27

O castigo dos bobocas

Summary:

Hinata se machuca e tem a brilhante ideia de esconder isso do time. Apenas Kageyama sabe.
O que será que vai acontecer?

Notes:

Depois de longos meses finalmente tive coragem de entregar alguma coisa do Aniverse. Eu realmente fico feliz que seja essa historia, pois muito gostei dela.
Então, senhoras e senhores, aqui está minha entrega do amigueverse.
Com todo carinho e dedicação, para você: @NediarSly

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

| 19 de agosto

 

Não, não, não, não. Aquilo não podia estar acontecendo. Hinata olhava para os pés muito indignado. Como ele conseguiu fazer aquela proeza? Em pleno período preparatório para as regionais, fez o favor de torcer o pé!

Hinata não sabia se chorava ou se dava um soco na parede… Melhor não, do jeito que era azarado, acabaria torcendo o pulso, também. 

Respirando fundo, sentou no chão e tirou o tênis para ver o estrago que havia feito. Tudo bem, não estava tão feio assim. Um pouquinho inchado, com um hematoma que começava no tornozelo e se estendia até o peito do pé. 

— Droga! — Ele com toda certeza teria que esconder aquilo do time, se alguém descobrisse ele seria forçado a… Argh, parar de treinar até que o pé melhorasse. O Keishin Ukai jamais admitiria que alguém jogasse machucado. "Situações como essa são questão de vida ou morte e blablablá". Basicamente, jogar machucado só seria permitido em caso de extrema necessidade, ou seja, caso estivessem em um jogo oficial e não houvesse alternativa, se não ganhar o jogo. Em outras circunstâncias, seria obrigado a sentar a bunda no banco e cuidar do corpinho até que ele estivesse bom novamente.

Mas isso era um problema, ele não tinha tempo para ficar perdendo com isso, muitas jogadas precisavam ser aprimoradas, poxa, em questões técnicas ele estava muito atrás de qualquer um do time.

Hinata não era estúpido, sabia que, se deixasse o pé do jeito que estava, jamais conseguiria esconder do time que estava mancando; mas também sabia que ninguém acreditaria se ele simplesmente dissesse que não iria treinar, por isso ele precisava inventar uma desculpa perfeita. 

— E se eu dissesse que tenho um trabalho importantíssimo para fazer? Aff, não dá, eles sabem que eu sou burro… Já sei! Vou fingir que acordei atrasado hoje. Não, ninguém levaria a sério — murmurava enquanto batia o pé bom nervosamente no chão. 

Hinata ainda resmungava quando entrou na loja Sakanoshita, que era o único lugar onde poderia comprar gelo estando tão próximo da escola. Assim que entrou, arrumou a postura e tratou de caminhar sem mancar nem um pouquinho. Por mais que doesse, não poderia arriscar! Afinal, apesar do Ukai ter assumido a função de treinador de Karasuno, aquele ainda era seu local de trabalho.

Mal teve tempo de se aproximar de um freezer quando ouviu um resmungo característico que o fez abrir um sorriso.

  — No meu tempo, as crianças não podiam entrar em um estabelecimento sem cumprimentar os velhos caquéticos presentes. Mas que absurdo! — Mas a senhora tinha um sorriso carinhoso nos lábios enrugados, era notório o estado constante de satisfação em que se encontrava desde que seu neto assumiu o time. Isso porque Keishin estava feliz, finalmente, e nada deixa uma vovó mais feliz que o bem estar de seus netinhos.

Sakanoshita Kami era mãe da mãe de Keishin, ou seja, a fundadora da conveniência em que eles se encontravam agora. Hinata tinha um carinho especial pela senhora, que adorava bancar o general quando era necessário disciplinar o time Karasuno, mas era um doce durante a maior parte do tempo. Os outros membros do time a tratavam com um medo respeitoso, talvez porque ela tivesse um brilho assustador nos olhinhos escuros sob os óculos, mas Hinata nunca se deixou enganar pela aparência severa.

— Vovó! Desculpe, não vi a senhora aí.

— Também, concentrado do jeito que tava, não me veria nem se eu pendurasse uma melancia no pescoço! Hohohoho. — Seria difícil não perceber a presença de Kami, com melancia no pescoço ou não. A velha senhora tinha um senso de moda muito particular, envolvendo roupas de crochê colorido, pantufas cor-de-rosa e um cachecol fofinho e brilhante que cobria suas orelhas geladas. Se não estivesse tão preocupado, Hinata a teria notado a duzentos metros de distância. — Mas me conte o que aconteceu, menino, eu te conheço e sei que algo está errado.

—  Na-na-nada de errado, senhora.

Ela estreitou os olhos, acentuando as adoráveis ruguinhas em seu rosto, e apertou a bochecha do rapaz com uma das mãos, virando seu rosto sob a luz para enxergar melhor.

— Tá comendo direito, menino? Olha que ficar sem comer não presta!

— Já disse que está tudo bem. Eu… Hmm, só vim comprar gelo.

— Gelo? E para que você quer gelo numa hora dessas?

— Porque, porque... Eu queria fazer tererê para o time. — Hinata engoliu em seco quando a vovó Kami rompeu em gargalhadas enquanto balançava a cabeça em descrença. 

— Meu querido, você tem que aprender a dar desculpas melhores, vão descobrir que você está mentindo. Todo mundo sabe que ninguém toma tererê com pressa. Eu conheço esse povo atleta descabeçado, meu neto já foi do time de vôlei também, lembra? Se você quer gelo é porque machucou alguma coisa, né? 

— Tá bom, não tem jeito de mentir para a senhora. Eu torci o pé enquanto atravessava a rua hoje. Mas, por favor, não conta pra ninguém, senão terei que parar de jogar e eu preciso melhorar muito antes das regionais, e…

— Pare de tagarelar, eu já entendi! Não contarei para ninguém porque não parece ter sido tão grave, mas tenho uma condição. Você virá aqui todos os dias, antes e depois dos seus treinos, e vai tomar o remédio caseiro que vou preparar para você. E sem reclamar, mocinho. 

— Pode deixar, vovó Kami, muito obrigado.

Então, a velha senhora se levantou lentamente, pegou um saco com gelo e entregou ao menino para que ele colocasse sobre o machucado. Em seguida, se encaminhou à cozinha para fazer o tal remédio. Só se escutava o barulho de suas pantufas a cada um de seus adoráveis passinhos, curtos e desajeitados. Realmente, Hinata adorava velhinhos. 

Logo ela voltou carregando uma xícara com algum líquido desconhecido e fumegante, de aparência duvidosa e com uma catinga que empesteou a loja toda. Definitivamente, parecia que era remédio adquirido diretamente de um pântano. Mas, como toda avó que se preze, dona Kami entregou o chá para o rapaz, assumindo aquela postura severa e irredutível que toda vó usa apenas em duas ocasiões: quando seus netinhos (ou qualquer outra pessoa de menos idade que ela) recusam comida ou quando saem sem blusa no sereno e vão pegar friagem.

— Beba tudo, mocinho. Essa é a receita que minha mãe me ensinou. Tem gengibre, alho, funcho e arnica. Vai amarrar a boca, mas é supimpinha, hohoho.

A velhinha sentou-se em sua poltrona rosa e ficou observando Hinata em seu esforço para terminar o chá, sempre mandando que bebesse até a última gota, enquanto fazia alguma coisa de tricô. 

 

Hinata estava se sentindo bem melhor. O gelo que  colocou em seu tornozelo trouxe um grande alívio; não sentia mais aquela dor excruciante, apenas uma dor leve e uma sensação de que o pé estava fraco, então, teria que prestar mais atenção em seus movimentos para não torcê-lo novamente.

Apesar do pé estar melhor, não conseguia tirar o gosto de alho na sua boca, o que lhe causava ânsia de vômito. Aquela gororoba definitivamente fora a pior coisa que o menino havia experimentado. 

E foi pensando nisso que entrou no ginásio. Estava atrasado, ele nunca se atrasava. Por isso, como esperado, todos queriam saber o motivo, cada um com sua forma peculiar de exigir explicações. Daichi com cara de " que bom que chegou ", Tsukishima com a vibe " pff, você ainda não estava aqui? Nem tinha notado " e Kageyama com um ar reprovador de " como ousa chegar atrasado, verme insignificante que não sabe jogar vôlei? ". Para a sorte de Hinata, vovó Kami o ajudou a achar uma desculpa crível. Sozinho, acabaria sendo descoberto, mas, seguindo as instruções da velhinha, saiu ileso.

— Me desculpem pelo atraso, estava vindo para o treino e a dona Sakanoshita me pediu ajuda para carregar caixas  pesadas. — Isso acabou com a desconfiança de todos, afinal, era perfeitamente normal que o time de Karasuno ajudasse a idosa de vez em quando, já que " roubaram o netinho/ajudante dela ".

— Tudo bem, a velha tá precisando de ajuda de vez em quando, mesmo. Agora vá se aquecer depressa e junte-se a nós, dê dez voltas na quadra e alongue-se rapidinho — disse o próprio treinador/ajudante da vovó.

Hinata ficou feliz ao notar que conseguia correr sem grandes dificuldades. O tornozelo doía com uma pontada, como se alguém enfiasse uma agulha grossa a cada passo, o que era normal para um pé recém-torcido, mas, ainda assim, estava aliviado por conseguir manter o ritmo sem mancar. Pelo menos, não muito.

Porém, a história foi outra quando acabou o aquecimento e se juntou ao restante do time. Hinata tinha certeza que estava escondendo tudo muito bem. Toda vez que precisava saltar, apoiava todo seu peso na perna direita para dar o impulso. Estava dando tudo de si; podia não estar perfeito, mas enganava bem, afinal, todos tinham dias que jogavam um pouquinho mal. Isso era normal, portanto, ninguém percebeu… Quase ninguém. 

Tinha ele, maldito levantador insuportável! No início, Hinata não entendia o que Kageyama estava tentando fazer, além de estar com uma cara de puto ainda mais acentuada (se é que isso é mesmo possível), seus levantamentos estavam imprevisíveis, alternando entre toques fraquinhos e rápidos, longos com um efeito engraçado e… Hinata nem sabia categorizar aquilo, parecia realmente que Kageyama queria provar alguma coisa. (Que Hinata não conseguia cortar suas bolas esquisitas, talvez?)

Mas a certeza de que o levantador havia percebido algo só veio quando ele "sem querer" cortou a bola na cara de Hinata, e prosseguiu com o treino sem sequer pedir desculpas — não que Kageyama costumasse pedir desculpas, de todo jeito. Então, Hinata ficou surpreso quando ele veio falar consigo após o treino.

— Tá achando que eu sou otário? — Kageyama parecia furioso, o que não desviava muito de sua aparência normal. Hinata deu de ombros, tentando disfarçar.

— Você quer que eu responda ou essa é uma pergunta retórica?

Kageyama o agarrou pela gola e ergueu ligeiramente, parecendo ainda mais emputecido que antes.

— Meu principal trabalho é prestar atenção em cada movimento seu para compensar sua falta de habilidade. Você realmente achou que eu não perceberia que você ‘tá mancando?

— Ehr… — Kageyama o chacoalhou levemente.

— Você nem pulava direito, seu remelento, usuário de crocs!

Hinata não esperava que Kageyama de fato ficasse após o horário para se desculpar, nem se sentia ofendido por isso. A verdadeira ofensa era a acusação de ser um saltador de meia tigela — e nem vamos começar a falar dos crocs. O que havia de errado com eles?

— Droga, eu achei que tinha disfarçado bem. Como ninguém falou nada, pensei que tinha me safado dessa. — Hinata estava quase chorando.

Kageyama aproximou lentamente seus rostos, sibilando entredentes:

— Fala logo o que aconteceu, tampinha.

Hinata explicou-lhe toda a história, desde o tombo sem motivo aparente até a ajuda que a vovó Kami lhe prestou para acobertar sua farsa.

— Bom, ao menos em um ponto você tem razão: não pode dar-se ao luxo de faltar aos treinos. Você é ruim demais para sequer cogitar a hipótese. — Kageyama torceu o rosto em uma careta de nojo. — Mas você realmente precisa escovar os dentes.

Hinata corou, lembrando-se do maldito chá de alho que tomara mais cedo.

— Nã-nã-não, é que… a vovó Kami, ela… tinha um chá com um horrível gosto de esgoto, e…

— Não quero saber, apenas vá para casa, descanse e cuide desse pé. Amanhã nós nos encontramos. E não se preocupe — o levantador acrescentou, sério. — Ninguém ficará sabendo do seu machucado.

Hinata corou e olhou para baixo. Não sabia por que se importava tanto com a opinião daquele bruto sem cultura, mas queria que ele o reconhecesse como um bom jogador, queria que ele aceitasse sua amizade e, acima de tudo, queria que apreciasse seu bom hálito.

 

| 22 de agosto

 

Naqueles dias que se seguiram à estranha conversa com Kageyama, Hinata vinha se sentindo como um criminoso foragido da polícia. O capitão Daichi podia ser bem assustador quando queria, quase como um agente federal absurdamente puto perseguindo um pobre e honesto ladrãozinho (a experiência de seu primeiro dia no time comprovava). Por isso, Hinata agia com extrema cautela, evitando deixar escapar qualquer indício de que algo estava errado. Seu cúmplice do mal também estava cooperando; Hinata queria acreditar que Kageyama se importava com ele, mas suspeitava que o que o levantador de fato queria era um cortador para aperfeiçoar suas jogadas.

Todos os dias comparecia à lojinha Sakanoshita para engolir a gororoba da vovó Kami — e, a cada dia que passava, o gosto piorava (embora isso parecesse impossível). Ao menos, Hinata havia aprendido a lição e carregava consigo uma pasta de Oral-B Complete para escovar seus dentinhos. 

Além disso, vovó Kami o obrigava a gastar meia hora todas as manhãs para ouvir as fofocas quentes da vizinhança. Ela atualizava o menino sobre a vida amorosa de todas as vizinhas enquanto tricotava uns negócios estranhos e ridiculamente coloridos — o gosto estético da idosa era pra lá de questionável. Ele a ouvia com prazer e, mesmo que precisasse acordar mais cedo para não se atrasar, valia a pena.

Apesar de não estar 100% recuperado, sentia que, aos poucos, conseguia apoiar mais o seu peso no pé machucado e seu desempenho melhorava. Apesar das intenções duvidosas, Kageyama dedicava-se a ajudá-lo — Hinata quase poderia dizer que o amigo parecia carinhoso, embora soubesse que o levantador negaria até a morte qualquer sugestão nesse sentido. Tudo parecia bem. Tudo parecia ótimo, na verdade.

Bem, ele deveria saber que nada que é bom dura para sempre.

Naquele dia, Hinata e Kageyama chegaram antes no ginásio para dar uma leve aquecidinha. Não era para ser nada de mais, estavam apenas cruzando a quadra em uma corrida para frente e para trás quando novamente Hinata pisou em falso e caiu estrondosamente no chão. Ele praguejou baixinho. Tava na cara que isso iria acontecer: seu tornozelo não estava forte o suficiente para ampará-lo caso perdesse o equilíbrio.

Antes que pudesse piscar, Kageyama estava ao seu lado, visivelmente transtornado.

— Como você caiu? — quis saber, preocupado. — Não me diga que machucou o mesmo pé!

Na confusão, nenhum dos dois reparou na presença de Daichi logo atrás deles. O capitão ajoelhou-se ao lado do cortador, avaliando o tornozelo com os olhos experientes de quem já viu muitas lesões nessa vida de pecador.

— Consegue mexer o pé? — perguntou, a voz surpreendentemente tranquila. Hinata imaginou que Daichi não queria preocupá-lo ainda mais, por isso mantinha o tom baixo e relaxado, como se o machucado não fosse nada de extraordinário. Sem esperar pela permissão do garoto, o capitão desamarrou o tênis esquerdo e tirou delicadamente o meião de seu pé. Assim que o tornozelo torcido deu as caras, a expressão aparentemente serena de Daichi tornou-se sombria.

O-oh.

Hinata encomendou suas almas aos anjinhos do céu quando os olhos castanhos de Sawamura Daichi encontraram os seus.

— Hinata Shoyo — ele sussurrou lentamente. Hinata sentiu seu espírito deixando o corpo. — Este hematoma não é recente.

Ok. Hora de preparar o testamento.

 

Hinata tinha vontade de chorar, mas seu orgulho não permitia. Ele sabia que estava errado, então não podia nem reclamar. Sua orelha direita ardia, só não tinha certeza se doía mais pelo sermão que Keishin lhe deu aos berros ou se  foi porque o treinador lhe deu um belo puxão de orelha. Literalmente.

Depois do que pareceu uma eternidade, a bronca acabou, todos do time já haviam chegado. A reação de cada um foi diferente ao saber o que ele tinha feito, mas nenhum se surpreendeu. Essa história de ignorar as dores do corpo para treinar sempre foi comum em todos os esportes, mas o nível dos machucados ignorados geralmente era menor, só mesmo um cabeça dura como Hinata pra insistir tanto. Todos concordavam que o tampinha deveria ser castigado para desencorajar qualquer um a fazer o mesmo — principalmente ele próprio,  no futuro.

Então lá estava ele, sentado no banco em um canto do ginásio. Acima dele, na parede, Shimizu havia pendurado um cartaz escrito "BANCO DA VERGONHA",  e era naquele local desonroso onde Hinata seria obrigado a estacionar o traseiro durante uma semana, e apenas depois desse período Keishin avaliaria seu estado para decidir se ele poderia voltar a treinar. Claro que o treinador fizera questão de frisar (três vezes) que Hinata poderia diminuir o tempo de recuperação pela metade se não tivesse sido besta de jogar machucado. 

Tudo já parecia péssimo. Hinata foi se arrastando para seu cantinho do castigo; o treino iria começar e ele já estava resignado com seu próprio destino, pelo menos achava que sim.

— Aonde você pensa que vai, mocinho?— Hinata virou-se, confuso, mas Keishin já não falava com ele, suas atenções agora estavam voltadas para Kageyama.

— Você sabia de tudo o tempo todo, não é?— O treinador estava furioso.

— Eu sabia, mas eu...

— Tobio, não é assim que agimos aqui. Sei que quer ajudar seu amigo a jogar melhor, mas não é comprometendo a integridade do corpo dele que vai conseguir isso. Estou decepcionado com você!

Hinata nunca antes tinha visto Kageyama fazer aquela expressão, parecia uma criancinha cujo doce havia sido roubado por um valentão, um biquinho na boca, estava tão fofo…

Não, espera, o quê?

— Você precisa entender que nada justifica sua atitude. Por isso, está decidido. Já que você acobertou a besteira que seu colega fez, vai sofrer as consequências também.  Fizeram a cagada juntos, permanecem juntinhos no castigo. Uma semana sem vôlei, mocinho.

A expressão de Kageyama mudou, passou de  criança birrenta para full putasso em um instante. Hinata achou que o amigo fosse surtar, dar um soco nele ou algo assim, afinal, foi tudo culpa dele, e sabia muito bem que nada era tão importante para o levantador quanto o vôlei.

Espera… Nada? Hinata ficou magoado só de pensar nisso. Não entendia por que sentia um aperto no peito quando pensava que o amigo não se importava com ele. Com certeza era apenas porque queria que Kageyama o aceitasse como um bom jogador. É, só podia ser isso, não é?

Depois  de tudo aquilo, Hinata estava  certo de que conhecera por completo o lado malvado do treinador do time masculino de vôlei do colégio Karasuno; estava, porém, obviamente errado. Keishin mostrou que podia superar todas as expectativas. Depois de passar o sabão nos dois delinquentes, ele prontamente ligou para a sua doce e meiga vozinha e pediu ajuda para trazer a cereja do bolo do castigo. 

Alguns minutos depois, apareceu a senhorinha com um sorriso travesso e uma bolsa de crochê com umas cinquenta toucas de tricô, uma mais extravagante que a outra. Tinha de tudo: toucas de frutas, imitando personagens, orelhinhas do Shrek e longas tranças, tinha uma de soldado medieval, uma berinjela e um disco voador. Mas todas eram ridiculamente coloridas. E esse era o tempero final do castigo da bandidagem: teriam que passar todo o tempo em que estivessem cumprindo pena vestidos com os adoráveis e "disputadíssimos" gorros multicoloridos da vovó Kami. 

Kageyama mudou de expressão novamente. Em vez de full putasso, estava morto de vergonha, corado do cabelo até os pés. Não  conseguia olhar nos olhos de ninguém, principalmente porque Hinata estava sentado ao seu lado, e ele era literalmente a última pessoa que Tobio gostaria que o visse vestido daquela forma. Já não bastava o quão envergonhado estava pelo que fizera Hinata passar? Provavelmente o baixinho nunca mais falaria com ele. Com certeza o odiava.

— Desculpe. Eu não devia ter te incentivado a treinar assim.

— Cala a boca, Kageyama. Você não me fez nada. Eu decidi isso tudo sozinho.

Hinata estava com um sorriso nos lábios. Aquela situação toda era péssima? Com certeza! Mas pelo menos ele poderia ficar uma semana inteira do ladinho de Kageyama sem ter que se preocupar com o que iriam pensar dele. E, de lambuja, ainda teria memórias de seu… amigo? vestido com touquinhas estupidamente bobas para sempre.

Podia ser pior. 

 

Notes:

Aaaaaaah não sei nem por onde começar.
Primeiramente, para minha amiga secreta @NediarSly, gostei muuuito de escrever essa fanfic, fiz com muito amor e espero de verdade que você goste dela. Tentei fazer o máximo de coisas que você pediu, embora não esteja tão romancezinho porque estoy palhacita. Não coloquei nada dark/trevoso, então tá valendo (só o Kageyama, mas ele é assim mesmo, dózinho)
Quero agradecer muuuito, muito mesmo pra @krful, minha capista mais que perfeita. Aninha do céu, tu deixou tudo maravilhoso, foi muito, muito além do que eu esperava. Obrigada por isso.
Claro que não posso deixar de falar da @Nyels. Sem você nada disso estaria escrivinhado, pq é a beta mais loco de buena que eu conheço. (Fora que só entrei no aniverse e comecei a gostar de fics por sua culpa).
Tá longo, eu sei, mas ta acabando, juro.
Obrigadinha também para minha eterna marida Aaaaaaah não sei nem por onde começar.
Primeiramente, para minha amiga secreta @NediarSly, gostei muuuito de escrever essa fanfic, fiz com muito amor e espero de verdade que você goste dela. Tentei fazer o máximo de coisas que você pediu, embora não esteja tão romancezinho porque estoy palhacita. Não coloquei nada dark/trevoso, então tá valendo (só o Kageyama, mas ele é assim mesmo, dózinho)
Quero agradecer muuuito, muito mesmo pra @krful, minha capista mais que perfeita. Aninha do céu, tu deixou tudo maravilhoso, foi muito, muito além do que eu esperava. Obrigada por isso.
Claro que não posso deixar de falar da @Nyels. Sem você nada disso estaria escrivinhado, pq é a beta mais loco de buena que eu conheço. (Fora que só entrei no aniverse e comecei a gostar de fics por sua culpa).
Tá longo, eu sei, mas ta acabando, juro.
Obrigadinha também para minha eterna marida @Maybe_letus, por ser minha helper fixa me aguentar sempre.
E por último e nem um pouco menos importante, obrigada @Lexyee, por ter muita paciência comigo e me incentivar a não ter vergonha de escrever .
To um pouquinho emocionada e já nem sei o que escrevo porque meus olhos choram kkk.
Enfim. Obrigada.