Work Text:
Mais um ano está terminando. Eu sempre fui uma pessoa caseira e não vejo problema em passar a virada do ano dentro de casa, assim não preciso gastar nenhum centavo do bolso e ainda posso assistir aos fogos de artifício de graça. Minhas amigas costumam me chamar de muquirana, porque vivo procurando a oportunidade de economizar dinheiro. Para mim, eu acho um exagero.
É isso que dá quando se tem amigas ricas e somente você é pobre. No meu círculo de amizade, a estudante de medicina, Erza Scarlet, é a mais rica. O pai dela é um político do Brasil, por isso ela tem motorista particular e seguranças a levando para a faculdade.
Depois dela, vem a querida Juvia Lockser, a menina que cursa medicina veterinária e que veio da Noruega. Não sei por que raios ela veio ao Brasil, sendo que é o país mais rico do mundo. Porém, ela é bastante divertida e me contou que estava aqui por causa do pai, que é representante do consulado norueguês.
E por fim, temos minha querida amiga chamada Levy McGarden, a menina mais inteligente e CDF do curso de direito que conheci ao entrar na faculdade. Embora ela não pareça uma burguesa safada, quando fui à casa dela para fazer um trabalho da disciplina de Ciências Jurídicas, me deparei com uma sala enorme somente para guardar livros!
Minhas amigas são tão ricas que eu tenho medo de conversar muito com elas, pois as meninas sempre dão a ideia de viajar para um lugar extremamente caro e luxuoso, normalmente fora do país. ‘Tadinha de mim, que nunca saiu nem do estado de São Paulo.
Já foi um grande esforço quando passei na faculdade. Como meu campus ficava a 300 km da minha cidade, tive que dividir a casa com essas meninas, a qual passamos a chamá-la de república Só Fadinhas. Eu havia chegado sem nenhuma mobília, havia comprado somente uma cama box. Pelo menos tinha já um guarda-roupa deixado na república desde 2008, só precisei comprar uma mesa usada para estudar, que estava na promoção em um grupo do Facebook. Até hoje não tenho um espelho dentro do quarto, só uso um pequenininho, de bolsinha. Fazer o quê, mais dois anos e já estarei formada.
Como podem ver, sou quase uma muquirana; mas tomo banho e sou cheirosa, ok?
Mesmo com a discrepância de riqueza, somos muito amigas e elas me aceitam do jeito que sou.
Três dias depois do Natal, Erza havia dado a ideia de passar o Réveillon na praia de Copacabana. Eu hesitei no início, até porque gastaria horrores torrando dinheiro no hotel, que com certeza seria o de cinco estrelas, porque da última vez a ruiva reclamou ter alugado um hotel que tinha cama e travesseiro duros demais. Só se for nos padrões dela. Eu quase não consegui dormir, porque minha cabeça afundava com tudo no travesseiro. Tive que dormir em cima do braço.
Pelo menos Erza tem uma casa à beira do mar, então eu acabei aceitando a oferta de ir com as meninas na viagem, o mais caro já estava resolvido.
Contudo, quando chegamos a Copacabana, preferi ficar em casa. Por Deus, um picolé custando 10 reais? Que absurdo! Até eu sei fazer um picolé caseiro e que rende muito mais; eu voltaria para casa para fazer, mas as meninas me arrastaram de volta para o passeio.
Confesso que odeio passar calor e demoraria demais para ficar pronto, somente por isso eu permaneci quietinha aproveitando o máximo daquele ouro que com certeza havia dentro do sorvete.
Já no começo da tarde, observamos o sol maravilhoso aparecer no quintal de Erza, vulgo a praia. Levy reclamou sobre o pico do sol e algo sobre pegar câncer de pele com os raios que queimam mais neste horário. Mas quem liga? Juvia adorou, pois queria bronzear o corpo e deixar a pele douradinha como a dos brasileiros, linda. Eu também queria ser bronzeadinha, mas no máximo só fico vermelha igual camarão e minha pele começa a descascar. Nem o creme bronzeador funciona, fico toda desidratada que nem uva-passa.
Gente, não sou frescurenta, 'tá legal? Acho que devem estar cansados de ouvir minhas reclamações. Então vamos para a parte legal.
Neste exato momento, Erza está passando protetor solar nas pernas antes de sairmos de casa, como sempre, a última a ficar pronta.
Protegendo-se debaixo do guarda-sol, Levy está digitando algo rapidamente no celular. Ela disse que sua meta era finalizar sua longfic até o final do ano. Sorri ao observar o chapéu, que parecia do Seu Madruga, cobrindo seus cabelos azuis, e a baixinha usava um óculos de sol. Como ela consegue escrever vestida desse jeito?
Além dela, Juvia também está usando óculos escuros enquanto pingava o bronzeador para passar no corpo.
— Já terminaram de passar o protetor solar? — chamou Erza, que parecia ter saído do filme As Branquelas de tão branca que estava. — Vamos?
— Amiga, acho que tem um corpo no seu protetor — eu disse, sem graça.
— Ela faz a proteção dela. — Juvia deu de ombros, colocando os óculos escuros.
Meu Deus, eu precisava que passasse um vendedor ambulante para ter um óculos também. Mas será que em Copacabana vende?
Enfim, caminhamos pelo pequeno jardim nem um pouco humilde, logo sentindo o cheiro forte do mar e do queijinho assado com camarão. Que saudades desse clima praiano!
— Vamos tirar o chinelo? A areia é muito fofa, nosso pé vai e o chinelo com certeza fica — Juvia observou, prendendo uma mecha azul atrás da orelha.
— Acho melhor tirar. Minhas Havaianas são novinhas — refleti, já tirando o chinelo personalizado e erguendo com os pés para prendê-los nos braços.
— Fala sério, garota! — Levy riu ao reclamar de mim. Mas o que posso fazer? A Havaianas é 70 reais.
— Espera! — Erza gritou, segurando os braços das duas azuladas. Nós três pulamos de susto. — Onde vamos sentar?
— Hmmm. — A norueguesa olhou para todos os cantos da praia. — Perto do salva-vidas, ali. — Apontou com o queixo.
Com certeza é para ficar secando aquele rapaz sem camisa, de cabelos pretos, sentado na cadeira alta e amarela. Eu adoro o fato de a Juvia ser sem-vergonha que nem brasileiro.
Enfim, finalmente Erza abriu o portão. Porém, nós éramos muito burras. Tinha um sol escaldante queimando nosso couro cabeludo, e as bonitas sem chinelo naquela areia fofa! Obviamente nossos pés queimaram e começamos a correr e desviar das pessoas que nem cachorro que vê o portão aberto, e gritando que nem galinhas.
Começamos bem, hein?
— Joga as coisas aí e vamos molhar o pé, pelo amor de Deus! — choraminguei, tirando a mochila das costas, pulando de um lado para o outro e correndo para o raso.
O mar nunca pareceu tão longe como agora, e a areia molhada estava morna que nem dava para aliviar as futuras bolhas no pé.
— Ahhh — suspiramos aliviadas, sem dar conta de que um monte de gente observava nossa gritaria.
— Não pode fazer xixi na água, não, viu? Suas porcas! Vão para um quiosque! — berrou uma senhora de meia-idade que apareceu do nada ao nosso lado.
A olhamos confusa, até eu mover meus olhos para minha perna e perceber que a água batia no joelho e que minha calcinha do biquíni já estava molhada pelos respingos.
— A gente queimou o pé, sua quenga! — Juvia disse ríspida, era impressionante o tanto de palavrões que ela tinha aprendido, e pouca coisa amorosa para se falar.
— ‘Tá doida? — sussurrou Levy, chocada, observando a cara surpresa da senhora se transformar em horror.
— Perdão… — Erza tentou dizer.
— Pau no cu dela! Meu pé ‘tá doendo para um caralho e ela vem apavorando? — a norueguesa continuou. Eu tinha tanto orgulho de ter ensinado a maioria dos palavrões que sempre ficava emocionada.
— Esses jovens de hoje em dia não têm um pingo de respeito! Não vou perder meu tempo, ainda mais sendo o último dia do ano. — E sem mais e sem menos, ela foi embora. A gente ficou com a cara de tacho, com que caralhos aconteceu por aqui.
— É… acho melhor nós arrumarmos nossas coisas agora. — Já tirei os chinelos do pulso, caminhando contra a correnteza forte que puxava para a próxima onda.
Atrás de mim, as meninas vinham reclamando e, claro, a estudante de direito dava sermões até esgotarem os argumentos.
Chegando à areia, calcei os chinelos, eu era a única sortuda por ter permanecido com eles. Respirei fundo, o cheirinho de maresia é tão bom! As crianças brincavam de castelinho, e alguns adultos empenhados montavam piscina enquanto os jovens corriam com seus baldinhos para buscar água para encher.
Esticamos as cangas e abrimos o outro guarda-sol, já que Levy tentava enfiar na areia.
— Levy, você tem que tirar a areia de dentro para conseguir furar de novo! — Peguei o cano da mão dela e bati na perna para tirar a areia. Depois disso, enterrei o cabo novamente na areia. — ‘Tá vendo? — Sorri orgulhosa com o tamanho do buraco.
— Eu vou ficar no sol, vou ficar virando que nem frango assado! — Juvia se debruçou na canga, puxando o máximo seu fio dental. — Ficar moreninha que nem os brasileiros.
Ficamos ali por horas a fio, conversando e queimando, sempre renovando o protetor e o bronzeador. Menos Levy, que preferiu colocar a blusa UV e ficar no celular.
Mais tarde, cansadas do sol ardente, o calor de matar, pulamos na água e ficamos nadando no raso, com as criancinhas, já que as ondas estavam fortes.
Depois que saímos, fomos caçar conchinhas, e, ironicamente, não havia nenhuma e sequer um vendedor ambulante para comprar um óculos.
— Minha barriga está fazendo aquele barulho que a Levy faz à noite — Juvia choramingou, apertando o estômago.
Juntamos nossas coisas, amarrei a canga na cintura e botei a mochila nas costas, levando um guarda-sol nos ombros, igual a Levy.
Paramos em um quiosque. Eu já chorava ao ver os preços, principalmente da batatinha frita. Para a nossa sorte, Erza, minha heroína e amor de todas as vidas, foi muito generosa e pagou a maior parte da comida.
— Tem como você parar de mexer no celular, Levy dois? — reclamei para a ruiva, batendo na mesa.
— Desculpe, é que meu mandrake está procurando a gente — devolveu a Scarlet; ela parecia bastante alegre.
— Jellal? — Levy arqueou as sobrancelhas.
— Uhuuum — Erza assentiu.
Logo, uma dupla de rapazes havia chegado e conversado com a Erza. Um deles era Jellal Fernandes. Ele é um rapaz com quem Erza mantém um relacionamento há dois anos. O casal havia se conhecido no Tinder, quando uma outra amiga chamada Cana resolveu desencalhar a amiga.
Para dizer a verdade, eu não achei ele tão bonito como Erza havia mostrado nas fotos. Jellal tem uma tatuagem esquisita na lateral do rosto e tinha os cabelos tingidos de azul. Com ele, havia um rapaz com o mesmo porte, alto e musculoso, e tinha os cabelos tingidos de rosa. Ele parece um e-boy, e eu não consegui parar de fitá-lo. Seus olhos são levemente puxados; acredito que tenha descendência coreana, chinesa ou japonesa.
— Oi — ele me cumprimentou. — Natsu.
— Oi, pode me chamar de Lucy. — Sorri sem graça após me apresentar, eu ainda mastigava os dois camarões rosa e o arroz. Não era das melhores visões.
— Puxem uma cadeira, meninos! Almocem com a gente! — Erza ofereceu.
A ruiva ficou conversando com o boy do Tinder. Durante o tempo que me mantive quieta, a presença do Natsu me incomodou um pouco. Enquanto todos falavam, a gente ficava em silêncio e trocava olhares um com outro.
Voltamos para o nosso local, que milagrosamente estava vazio. Para deixar o clima mais animado, Jellal ligou a caixa de som e Erza começou a se encoxar nele ao som de Vai, Malandra. Eu e Levy olhávamos a cena com nojo. Nada contra, mas nem para ter um boy para isso.
Confesso que odeio segurar vela, deveria ter ficado em casa e maratonar a série Friends.
Juvia foi mais esperta e havia deixado o grupo para mergulhar na água novamente.
Ouvi Natsu suspirar e se levantar do chão.
— Eu não vou ficar vendo essa putaria ao vivo. ‘Tô indo comprar cerveja. Quer ir?
— Vou ficar de olho nas coisas, caso a Levy queira ir nadar — eu respondi —, porque eu aposto que, se deixar na mão deles, seremos furtados.
Nós rimos e acompanhei ele sumir de vista.
— Nossa, a bunda dele é bem murcha, né? — Levy comentou.
— Mas em compensação, as costas… — Molhei os lábios secos. — Tenho vontade de subir nelas… — murmurei com avidez.
— Socorro! Socorro! — uma voz feminina gritou ao longe. — Me ajudem, por favor!
Quando viramos o rosto, encontramos Juvia se debatendo na água. Ela se mexia tanto que jogava água no casal que namorava por perto. Depois disso, só vi a mão dela fora da água. E o mais estranho: estava no peito. Só podia ser a correnteza.
Desesperada, tirei o chinelo e corri até a minha amiga para socorrê-la. Porém, quando estava prestes a entrar no mar, tropecei em uma perna de criança e tentei buscar equilíbrio toda desengonçada, até vir uma onda forte nas canelas e tomar um caldo, rolando-me para o raso novamente. Só deu tempo de ver o salva-vidas correr até minha amiga enquanto eu tossia desesperadamente. Erza batia nas minhas costas com tanta força que com certeza até os catarros sairiam do meu pulmão.
— O que aconteceu com ela? A Juvia sabe nadar muito bem! — Levy chorava preocupada comigo e com Jellal ao nosso lado enquanto olhávamos para a norueguesa desacordada nos braços do profissional salvador. — Ela ficou em primeiro lugar na natação quando foi representar a Atlética do nosso campus!
— No mar é diferente. — Jellal veio para piorar a situação. — Não importa se é uma boa nadadora.
— Mozinho, se não for ajudar — Erza o olhou amorosa antes de continuar —, cala a boca, seu idiota! — A ruiva se levantou e deu um tapa na nuca do rapaz. Em seguida, sua atenção se voltou ao salva-vidas, que vinha até a parte seca da areia.
Acompanhamos o profissional até colocar a Lockser no chão. E antes que pudéssemos perceber, havia uma roda feita em torno de nós, e alguns celulares que filmavam explicando a situação.
— Fiquem calmos, eu vou acordá-la. — O sotaque carioca do moreno se fez presente.
A minha amiga parecia uma água-viva, toda mole no chão, com o cabelo na cara.
— Calma aí! — exasperei ao perceber que as tetas dela estavam quase à mostra na parte de cima do biquíni. Abaixei o corpo e puxei o tecido, certificando também se a Larissa também estava coberta. — Pronto, pode continuar. — E dei espaço para o salva-vidas.
O rapaz de cabelos pretos suspirou, parecia irritado. Pressionou o peito da minha amiga por alguns segundos e depois aproximou o rosto para fazer respiração boca a boca.
Juvia acordou tossindo, sendo alvo de uma salva de palmas e assovios do povo, que ia se dissipando aos poucos.
— E-eu estou salva? — ela perguntou, colocando a mão na cabeça.
— Sim, você estava se afogando e a tirei dali. Tome cuidado na próxima.
— Garota, o que você estava fazendo? — Levy deu seus últimos soluços.
— M-me desculpe por ter preocupado vocês, Juvia teve cãibra — disse ela, em seguida olhou para o profissional. — Posso saber o nome do meu herói?
— Gray, Gray Fullbuster.
— Prazer. Me chamo Juvia. — Ela mordeu o lábio inferior. O moreno se levantou, dando a mão para ela, e eles começaram a caminhar para perto do posto, deixando nós como se não tivesse quase morrido.
Eu fiquei um bom tempo olhando os dois conversarem. O salva-vidas é bastante atencioso. Assim que minha amiga se sentou no pé da escada, ele começou a massagear a perna dela por causa da cãibra. Contudo, a atenção de Juvia estava voltada para outro lado. E então eu percebi que a safada da minha amiga estava fazendo aquele teatro idiota por vingança do ex-namorado que estava lá.
— Já saquei tudo, olha lá o merda do ex dela! — Cruzei os braços, mostrando o carrasco para minhas amigas. O albino ao longe secava com raiva as roupas e pertences enquanto sua namoradinha tentava ajudá-lo, também frustrada. — Ela queria estragar os amassos do casal.
— Ah, Juvia, tão linda, mas tão burra — Levy lamuriou, dando os braços comigo para nós quatro voltarmos ao nosso canto.
— Depois dessa, eu enfiava minha cabeça na areia. — Erza balançava a cabeça, desapontada.
— Eu também. Mas ‘tadinha, né? Chifrada. E encontrar o ex bem no fim do mundo. — Tentei segurar o riso; seria cômico se não fosse trágico.
Distraída de braços cruzados, uma criança que corria atrás da bola pisou no meu pé. Doeu demais, tanto que puxei Levy.
— O que aconteceu? — perguntou, desesperada.
Quando olhei para baixo, notei que estava descalça. Tinha tirado os chinelos para salvar a Juvia e os taquei em qualquer canto.
— Uma criança pisou no meu pé — disse entredentes.
— Ai, que susto, menina! — Ela deu um suspiro de alívio, sentando-se na canga.
— Doeu! — bufei, olhando para todos os lados e percebendo Erza aos beijos. — 'Tô indo caçar meu chinelo.
Como não tinha nada o que fazer no grupo, comecei a procurar minhas havaianas novas, mas não estava as encontrando. Impossível eu ter jogado tão longe assim! Todavia, assim que virei de costas, vi um cão preto mordendo algo preto na boca. E ele mordia com gosto, balançando sua cabeça e jogando baba para tudo quanto é canto. Alguns segundos depois, o dono apareceu segurando uma garrafa de Heineken e o puxou pela coleira até uma cadeira de praia.
Gemi frustrada, quando observei mais de perto o chinelo, notei que ele já estava todo mastigado e molhado. Não encontrei outro par em lugar algum.
— Aiii, que nojo! — choraminguei, segurando com as pontas dos dedos o resto das minhas havaianas brancas. Não iria deixar sujeira na praia. Por sorte, tinha um carrinho de sorvete por perto para jogar no lixinho.
— Que sorte, hein, moça! — o dono do carrinho comentou com um sorriso, e eu só esbocei um olhar triste e enojado.
Minhas Havaianas novas, minhas Havaianas novas… Fiquei murmurando diversas vezes pelo meu chinelo conforme caminhava.
Voltei cabisbaixa, pisando duro. Levy foi a primeira que notou minha mudança de humor e me perguntou o que havia acontecido, Natsu só observava interessado e quieto. Assim que expliquei toda a situação, a baixinha começou a gargalhar e o rosado ria baixinho.
— Parem de rir! — berrei, irritada. — Não tem graça!
— Por que não foi falar com o dono do cachorro para pagar pelo chinelo? — sugeriu Natsu, e Levy abraçava a barriga de tanto rir.
— Eu não tenho coragem de falar com ele. — Gesticulei com a cabeça; o dono estava sentado logo atrás. — Olhe para ele. Tenho medo dele. Ele é enorme, 'tá todo de preto no calor de rachar. Parece um metaleiro fanático que vai agredir todo mundo só de olhar para ele — comentei enquanto analisava as vestimentas daquele homem. Ele tinha um cabelo preto muito longo e usava um monte de piercings nas sobrancelhas e perto do nariz.
— E daí? — Levy balançou os ombros. — Se ele trouxe o cachorro à praia, é dever dele cuidar do pet. Está previsto na lei. Ele pode pagar multa facilmente.
— Então vá você falar com ele, 'miga… — pedi, juntando as mãos.
— Como estudante de direito, é claro que vou! — Ela sorriu. — Adoro ganhar um caso!
— Eu vou junto, só por garantia. — Natsu se levantou, acompanhando ao meu lado.
— Cadê os dois? — perguntei, procurando por Erza e Jellal, já que Juvia ainda conversava com o salva-vidas.
— Jellal a levou para a costeira. É provável que irão transar — o e-boy disse numa calmaria que corei.
— Aqueles safados, depois vão presos e não sabem o porquê! Vocês são tudo sem noção, pelo amor!
— E eu tenho culpa que o cachorro mordeu meu chinelo? — retruquei, brava.
— Quer saber, levem as coisas para dentro de casa que eu vou arrumar as coisas com o metaleiro, antes que você faça cagada.
Dessa forma, Levy acabou me deixando e foi falar com aquele brutamonte metaleiro para pagar o meu chinelo.
Eu e Natsu nos afastamos o suficiente, e virei para ele.
— Não querendo abusar da sua boa vontade, mas você pode ficar de olho na minha amiga? — Cocei a cabeça, tentando ser a mais normal e simpática possível. — Eu só vou guardar as coisas e já volto!
— ‘Tá, sem problemas. — O rosado cruzou os braços, sorrindo minimamente.
— Obrigada, viu? Valeuzão mesmo! — Juntei as mãos e fui andando de costas, agradecendo imensamente, mas não havia percebido um montinho de areia atrás de mim e caí de bunda no chão.
— Você está bem? — Natsu perguntou, comprimindo os lábios.
— Eu? — Apontei o polegar para mim, com os olhos arregalados. — ‘Tô ótima! — Dei a risada mais falsa do mundo. — ‘Tô muito bem. — Continuei rindo enquanto me levantava. — Agora eu ‘tô indo. Valeu.
Observei ele soltando o riso, e eu quis enterrar a minha cara na areia.
Levei todas as coisas para casa numa vergonhosa única ida. Parecia que eu estava assada e não conseguia andar com as pernas fechadas, mas eu só apoiava o cooler e as outras mochilas. Quando voltei, Levy, Natsu e Juvia já estavam vindo em minha direção, conversando, ou melhor, as duas.
Olhei para o rosado, e ele parecia aliviado ao me ver, ou era coisa da minha cabeça.
— Erza mandou mensagem dizendo pra gente já ir tomar banho. — Levy chacoalhou o celular, mostrando o WhatsApp aberto. — Natsu também está convidado.
— E conseguiu o dinheiro do chinelo? — indaguei, intrigada.
— Consegui muitas coisas, minha cara — a baixinha se gabou.
— Então vamos comprar minhas Havaianas, por favor — implorei, soltando um longo suspiro.
— Tem um mercadinho aqui por perto — Natsu informou, apontando para o sul. — Nós passamos para comprar salgadinho de manhã.
— Erza tem bike, podemos ir lá. — Faltava eu me rastejar no chão.
— Amiga, você demora um ano no banho, depois você vai — Juvia avisou.
— Eu posso ir — o Dragneel se manifestou. Creio que era melhor assim do que ele ter ficado no meio de um monte de meninas.
— Muuuuito obrigada! — Feliz, pulei em seu pescoço; porém, me afastei ao perceber o que tinha feito.
Natsu parecia desnorteado e começou a gaguejar, então preferiu ficar quieto. Fomos para dentro da casa e pegamos a bike dos pais da Erza.
— Você vai pegar ele? — Juvia perguntou enquanto arrumava as roupas que usaria.
— Sei lá… — Soltei um riso, sem graça.
— Ele é bem gostoso.
— Eu vou tomar banho. — Entrei no banheiro às pressas, só ouvindo a norueguesa inventar histórias.
Eu não tinha vestimenta branca, mas Erza havia se encarregado de comprar um vestido branco lindo para mim, para combinar com as meninas.
Assim que anoiteceu, fiquei preocupada com a demora do Dragneel. Começamos a ouvir sons de fogos ao longe, e nem deu meia-noite ainda, e nada de ele chegar. Erza e Jellal já estavam tomando banho, e Levy se maquiava. Já escutava o som da música alta na orla, do pequeno show que os moradores haviam organizado, já que a prefeitura não iria bancar. Fiquei levemente perturbada enquanto pensava se eu poderia sair da festa com surdez.
— Natsu chegou! — Juvia gritou no andar de baixo, e corri para ir vê-lo. Era a única coisa que trouxe para pôr no meu pé de “princesa” que nenhuma das meninas tinham.
— Comprou? — perguntei esperançosa, com metade do rosto feito.
— Não, os caras meteram a faca: 120 conto. — Meu sorriso se desfez do rosto; aquilo havia sido minha única esperança de não passar a virada do ano descalça. — Tu não ia querer, né? — disse, consolativo.
— Não — murmurei, chateada.
— Foi mal mesmo. — Ele pegou algo do bolso do shorts e o estendeu para mim. — Aqui, seu dinheiro.
— Obrigada — aceitei, derrotada. Em seguida, ergui meus olhos marejados. — Tem um chuveiro disponível, Jellal já chegou.
— Ah… eu… Hum… obrigado — disse, sem jeito.
Voltei para o andar de cima, e Natsu me seguiu até ver Jellal enrolado na toalha e parou para falar com o companheiro. Aproveitei e fui terminar a maquiagem.
— E aí, ‘miga? — a baixinha perguntou.
— A cara da derrota — murmurei, segurando o choro.
— Ai, Lucy! Não chora! — Juvia colocou a mão nos meus ombros para me reanimar. — Pelo menos você ‘tá linda em Copacabana!
— É… — Voltei a me sentar, deixando que ela terminasse de me arrumar.
Assim que todos terminaram de se preparar, todos de branco na festa de Réveillon, fomos para onde vinha a música. Jellal levava um cooler nos ombros e cantava algum funk que o chamava na playlist do DJ.
A rua estava lotada, mal conseguimos nos enfiar no meio do povo, mas perto da areia que tinha pouca gente, já que eu era a única descalça.
As meninas dançavam e jogavam bebidas para todo canto, sem se incomodar de molhar os estranhos ao lado. Por sorte, ninguém ligava. A ruiva voltou a se esfregar, pela trigésima vez, no namorado enquanto dançavam e gritavam.
— Gente, vamos fazer a coreografia do TikTok? — Erza pegou o celular do peito, e alguns estranhos se juntavam para gravar.
Eu sentia meus pés ficarem doloridos sem os chinelos, sentei-me no banquinho da praia, irritada por não conseguir me divertir.
— Olha, gente, o cara do chinelo veio passar a virada conosco! — Levy gritou, abraçando o braço do metaleiro. O único com a roupa preta no meio de um mar branco.
— Trouxe espetinhos. — Jellal ergueu a tampa do próprio cooler e foi distribuindo comida para todos, e eu fui a última, para variar.
O dono do cachorro chegou até mim e me pediu desculpas, apresentando-se como Gajeel Redfox. Como não queria brigar na virada do ano, porque estou zen e, agora, alimentada, desculpei-o com um sorriso amarelo e voltei a assistir ao show, ou melhor, ouvir. Gajeel parecia gentil e educado, apesar de ter tido uma expressão ruim sobre ele no início.
Me lembro bem de que a Levy estava escrevendo uma fanfic com um personagem rockeiro, então a baixinha aproveitou para entrevistá-lo e eles sorriam sempre que trocavam palavras.
Enquanto olhava para os dois, arrancando a carne dura do espeto, Juvia me puxou subitamente para perto do palco e engoli em seco a carne enorme na minha boca, descendo rasgando, literalmente. Eu andei cambaleando com o pé doendo, tomando cuidado para não entrar algum caco de vidro no pé, e acabei caindo na areia.
― Por que há tanta pressa, Juvia? — chiei de dor, com os cotovelos apoiados na areia.
— Eu acho que o salva-vidas já está aqui, ele está curtindo o show lá na frente. Não quero perdê-lo de vista.
— Então vá sozinha! — resmunguei, irritada, levantando-me da areia sozinha, já que a minha amiga estava ocupada demais procurando o moreno. Eu tenho que segurar vela até quando?
— Não posso! — A norueguesa chacoalhou o meu braço, inquieta. — Vai ficar na cara que estou a fim dele!
— Então vai à merda, caralho! Se você não pegar, alguma garota vai ficar com ele, já que não para de cu doce! — Tirei o cabelo da cara e, sem querer, acabei colocando areia no olho.
— Nossa… para que isso? — Ela arregalou os olhos enquanto eu tentava tirar a areia; meu olho lacrimejava muito.
— Sério, Juvia? — resmunguei, zangada.
— ‘Tá bom, ‘tá bom. Tem razão. Você ‘tá bem? — Torci o nariz, ficando séria. — Não está mais aqui quem falou, ‘tô indo lá. Obrigada pela dica. — Jogou um beijo no ar, sumindo da minha vista horrível.
— Ótimo, me deixe assim! — murmurei rancorosa, tentando tirar ainda a areia.
— Deixa eu te ajudar — disse Natsu, surgindo atrás de mim.
— De onde você apareceu, criatura? — perguntei, assustada.
— Fui comprar queijo. Agora, deixe-me ver esse olho. — Ele se aproximou e segurou o meu rosto, assoprando devagar. Pisquei diversas vezes, até ele soprar novamente. — ‘Tá melhor?
— Tirando o olho vermelho e meus pés doendo para um caralho, ‘tô bem.
Natsu riu, pondo meu braço por cima de seus ombros.
— Vou te ajudar. Vem cá.
— Obrigada — agradeci aliviada, jogando meu peso para ele.
— Quer dar uma volta? Não gosto muito dessas músicas, na verdade, só vim por conta do Jellal.
— Eu topo. — Sorri para ele. — Não aguento mais ver ou ouvir putaria. De onde conhece o Jellal?
— Nós éramos do mesmo período da escola e matávamos aula para nadar no rio.
— Ah… muito bom. — Ri de verdade pela primeira vez na noite.
Com cuidado, Natsu me levou até um lugar mais afastado da multidão e nos sentamos.
— Aqui está bom? — indagou o rapaz.
— Sim. Bem melhor. — Fitei-o atentamente. Ele comprimia os lábios. — Melhor do que ficar segurando vela e olhando pessoas se pegando na minha frente. É super desconfortável.
— Concordo contigo. Queria ter ficado em casa para maratonar uma série. Não vejo graça nisso, até porque tudo isso vai passar na TV.
E então gargalhamos juntos.
— Pois é. Eu também planejava assistir a alguma série na Netflix.
— Ou talvez escutar Green Day ou Red Hot Chilli Peppers.
Comecei a rir mentalmente, jurava que Natsu era e-boy por causa do cabelinho rosa.
— Sério, nunca passou pela minha cabeça que você curtia rock.
— Ah, é? — Arqueou a sobrancelha, cessando o riso.
— Uhuuum, eu pensava que você era um daqueles e-boys, sabe? Eu sei que é feio julgar antes, mas bem… — Comecei a tremer e rir de novo. — Ah, vai, ser e-boy não é ruim, nada contra, mas…
— ‘Tá bom, loirinha do Tchan. — Natsu passou as mãos nos cabelos. — Mas quero que saiba que eu tomo banho, ‘tá? E não vendo pack de pé ou água do banho.
— E eu não sei sambar! — contrariei também. — Na verdade, só sei rebolar a bunda nas festinhas da Atlética. O pessoal do vôlei me ensinou, e é a única dança que me orgulho de fazer bem. — Sorri, muito convencida ao me lembrar de dançar em cima da mesa do bar.
— E ainda não gosta de funk? — brincou ele, sendo sarcástico.
— Não precisa de funk para rebolar a bunda. — Cruzei os braços, levemente brava. — Eu faço isso com a Rihanna.
— Bom, para não falar que eu não sei dançar, minha mãe me obrigava a acompanhar ela nos forrós, já que meu pai não gostava de ir com ela. — Natsu atirou um pedaço de galho que estava na areia. — Ia na força do ódio, mas era divertido ver minha mãe se gabar quando ganhava o prêmio de melhor dançarina.
— A minha mãe não gosta de dançar — continuei —, já o meu pai, é tipo o Michael Jackson misturado com Drake.
— Isso deve ser... terrível? — Franziu o cenho, e eu concordei.
— Enfim… estou tão cansada, e meu pé está com bolhas. Diz mais sobre você, para passarmos o tempo até os fogos começarem, vai. — Juntei meus pés em borboleta, massageando-os.
— Sou formado em fisioterapia, e você?
— Terminando engenharia mecânica. Não vejo a hora de acabar, sério. — Revirei os olhos, cansada só de pensar.
— Tenho saudades da época da facul — comentou Natsu, passando a mão no braço musculoso. — Mas só de pensar que não tenho que me preocupar com provas e professores que precisava puxar o saco para ter nota, é um alívio.
— Eu também prefiro trabalhar a ficar estudando na facul. Durante a parte da noite, ajudo com as monitorias de Geometria Analítica e Álgebra Linear. — Molhei os lábios com a língua e continuei: — E apesar de não ser da área, fico na parte de impressões do Diretório Acadêmico. Não recebo aquelas coisas, mas dá para sobreviver o mês.
— O que é Diretório Acadêmico? — questionou, arqueando uma sobrancelha.
— Sua facul era particular? — eu quis saber.
— Sim. Não era envolvido muito nessas partes. Se tinha, nunca soube.
— Então, o Diretório Acadêmico é uma entidade estudantil na faculdade que auxilia os alunos tanto nas políticas educacionais quanto sociais. É por lá também que o pessoal faz impressões dos trabalhos, relatórios e compram materiais por um preço menor. Eu fico lá para vender e fazer impressões em alguns dias da semana, tipo uma papelaria dentro da universidade.
— ‘Tá explicado o porquê nunca soube — comentou ele, rindo. — Nunca gostei de imprimir na facul, lá é muito caro. E o material, sempre peguei da biblioteca ou online.
— Faz sentido. — Meneei a cabeça, pensativa. Ele tinha cara de alguém que economizava nas impressões, mas gastava todo o dinheiro na cantina. — Eu devia comprar uma impressora, com o tanto que já gastei… Meu Deus, eu já gastei muito.
— Uma das suas metas para 2022 é ter uma impressora agora — brincou, olhando-me de fato.
— Mas cartucho também é caro — lembrei. — Você tem metas para o ano que vem ou prefere deixar no sigilo?
— Sigilo. É bem melhor assim, sem cobranças dos outros também. E você?
— Penso igual. Já coloquei uma espada de São Jorge na porta do meu quarto. — Fiz uma pausa e soltei um bocejo, cobrindo a boca com a mão.
— Errada não está… — ele murmurou. — Mas sabe de uma coisa que quero que saiba?
— O quê? — Franzi o cenho, curiosa.
— ‘Tô muito a fim de beijar você, Lucy.
— Quê? — Pisquei, atônita.
— Posso te beijar? — Olhei para a sua mão que vinha em direção ao meu rosto; meus olhos estavam arregalados só de pensar se eu estava com bafo.
— Tem objeção com vodka azul com energético? — Ao passo que seu rosto se aproximava do meu, minha voz diminuía.
— Quê? — Sua risada confusa repercutiu na minha boca.
— É o gosto da minha boca, eu juro que escovei os dentes — expliquei, e ele riu, deixando-me hipnotizada com aquele tesão em pessoa.
— Vindo de você, parece bem gostoso.
— Credo, frase de hétero top. — Fiz uma careta.
— Desculpa por ser homem — Natsu brincou, levando a outra mão para minha cintura.
— Só desculpo se me beijar. — Entrei na sua onda, roçando nossos lábios.
Senti sua boca apertar contra a minha, num selo demorado, os dentes mordiam meu lábio inferior, e logo sua língua adentrava e tocava a minha, que a chupei com gosto, e ele apertou a minha cintura.
Assim que percebi que, de fato, tinha um cara gostoso me pegando, levei uma das mãos ao seu peito para apoiar, e com a outra, acariciei seu pescoço. Sua mão acariciou minha perna por dentro do vestido aberto, e senti um aperto que me fez suspirar.
Nossos lábios estavam secos pelo sol e cerveja, e nem o batom vermelho que eu usava amenizava tanto a situação.
Nos separamos aos selinhos, eu sentia o corpo arrepiar e que, se o vestido não tivesse bojo, com certeza meu bicos estariam muito atiçados, ainda mais ao perceber a boca do rosado vermelha com o batom e respirando todo ofegante. Meu coração falhou uma batida.
— Caralho… — Natsu resmungou.
— Vem aqui, me deixe limpar sua boca, ‘tá toda vermelha. — Soltei um riso, eufórica, já colocando meu dedo nos cantos de sua boca.
— Deixa eu te ajudar também. — Sorriu, com os olhos verde-jade tão dilatados que aposto que os meus estavam iguais.
Não aguentei ficar acariciando aquele rosto, sentindo os pelos pequeninos que cresciam no queixo definido, que descobri serem castanhos. Meu Deus, eu acho que gamei nesse rostinho bonito.
— Pensei que era para limpar a minha boca — ele sussurrou. Senti o carinho no canto dos lábios e mal percebi que tinha parado de limpar.
— Estou com tanto sono, e ainda nem deu meia-noite, mas só penso em te beijar — sussurrei de volta com desejo.
— Posso te acompanhar até o seu quarto? — Natsu selou nossas bocas e descia os beijos para o meu pescoço.
— Me leva de cavalinho? — cantarolei, formando um bico nos lábios. — Meus pés estão tão doloridos.
— Você sabe que o convite é para… — Ele se afastou, um pouco envergonhado.
— Se você me carregar, dá tempo de eu descansar o suficiente para montar em você.
— Tu é uma safada cansada. — Natsu me fitou com intensidade.
— ‘Tá escutando a música? — perguntei a ele, que semicerrou os olhos para ouvir melhor.
— Deu meia-noite e eu fugi?
— E eu fodendo — completei, gargalhando. — Quer ser meu cavalinho ou não?
De prontidão, Natsu se levantou, agachando-se na minha frente.
— Sobe aí, gatinha.
Fiz o que foi dito e envolvi meus braços em seu pescoço, as pernas presas em sua cintura. As costas dele eram largas e aconchegantes que fechei os olhos, permitindo-me sentir o calor emanado por Natsu.
Bom, até que não foi tão ruim comemorar o Réveillon fora de casa. O ano começou bem, ganhei um boy gostoso desses e fizemos amor em uma cama que nem era minha.
