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Boa o Suficiente

Summary:

Ela fecha dos olhos com força e cobre o rosto com as mãos em vergonha — tantas horas treinando diariamente, tantas lutas enfrentadas e mesmo assim ela continua fraca.

Ela envergonha o nome e o legado da família Frost.

Work Text:

Tudo era culpa dela.

Edel encarava suas mãos entorpecidas pela luta, uma luva rasgada revelando a pele branca calejada e agora irritada em um vermelho furioso pelos golpes, marcas de arranhões e pele esfolada cobrindo quase toda a superfície das palmas. Ela não consegue fechar a mão em um punho e tem certeza de que vai fazer quando a adrenalina passar, assim como todo o seu corpo.

A pederneira e o florete estão caídos em algum lugar, mas ela não poderia se importar menos.

Se ela não fosse tão fraca, se ela fosse como Adel, todos estariam bem. Sua família não teria que passar por mais um sofrimento, mais uma vergonha, seu lar e seu povo não estariam enfrentando uma maldição e seu irmão não seria sequestrado.

Ela fecha dos olhos com força e cobre o rosto com as mãos em vergonha — tantas horas treinando diariamente, tantas lutas enfrentadas e mesmo assim ela continua fraca.

Ela envergonha o nome e o legado da família Frost.

Da sua família.

Todos eles sofreram por causa dela. Céus, eles não mereciam isso . Seu irmão era sábio e sagaz, ele era a esperança e o orgulho da família, com um futuro brilhante já traçado pelas linhas douradas de sua genialidade e talento nato, mas como se já não bastasse uma doença incurável que roubou isso dele, agora ele também tinha sido roubado de sua família.

E ela, sua própria irmã, não podia fazer nada.

Ela é uma decepção, não conseguindo nem manter seu posto no exército de Serdin por causa um mísero desconforto notificação pela dor em seu olho direito. Anos de treino, de trabalho duro para conseguir um posto de respeito no exército real, sendo considerada um dos soldados mais brilhantes não apenas em campo, mas em inteligência ao comandar como frotas, tendo alcançado tal lugar com honras em sua ficha e, com isso, trazendo um pouco de luz novamente para o nome Frost para que, no final, tudo desmoronasse ao seu redor ao ser dispensada por causa de uma dor em seu olho .

O quão patético alguém pode ser?

Ela é Edel Frost. Apenas isso.

Sem futuro brilhante, sem um proposito que fosse realmente seu e sem força suficiente para proteger aquele ao seu redor. Apenas uma criança desesperada em busca de aprovação, em uma corrida incessável em busca de glória, mas que sempre acaba da mesma forma: com ela cavando o próprio tumulo em vergonha e desonra.

Uma parte dela quer ceder; deixar a dor em seu olho a consumir por completo até que transforme todos os seus ossos em pó e não sobre nem sequer vestígios de sua existência. De sua alma. Qualquer coisa para deixar de ser ela .

Edel levanta o rosto e observa as pessoas caídas no chão, a poeira fina que flutua pelo ar cobrindo os corpos e os destroços do que uma um dia chamou de lar — consequência da luta que teve e que venceu , mas a que custo?

Ela não foi boa o suficiente para protegê-los.

Então ela chora. Um choro silencioso e vazio, com lagos quentes deixando um rastro pela pele suja de sangue, suor e poeira.

Ela nunca será boa o suficiente e esse é o seu fardo.