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Kushina vestia branco

Summary:

Kushina vestia branco. Se a mulher ficaria bem em qualquer pedaço de pano que vestisse - ou deixasse de vestir - nunca foi questão levantada para dúvida, mas os olhos de Mikoto ainda cintilaram inebriados quando percorrerem o trajeto dos ombros macios até a barra do vestido, que jovialmente tocava as canelas enquanto acompanhava os movimentos de pernas.

- Simples demais? - Kushina franziu o rosto em um sorriso constrangido, ao qual Mikoto não respondeu.

- Perfeita - e deixou um beijo cálido onde a mandíbula se encerrava, que Kushina acomodou com um risinho aliviado, satisfeita.

(Ou aquele em que Kushina veste um lindo vestido branco, não fosse pela mancha que, aparentemente, apenas Mikoto consegue ver. É mais do que sua obrigação, então, ajudar a namorada a se livrar dela).

Notes:

Há muito tempo não escrevo alguma coisa, e essa é a primeira fic que publico (ainda que curtinha)!

Penso em Kushina e Mikoto desde a interação mínima que tiveram durante o nascimento dos meninos. Além de eu gostar de suas personalidades e achar que, visualmente, elas formam um casal lindo, dá pano pra muita manga pensar que participaram da mesma geração de ninjas.

Outras características comuns me fazem gostar das duas interagindo entre si são: o fato de que seus maridos recebem mais atenção na narração da história original; que ambas foram mencionadas como kunoichis talentosas, mas têm suas habilidades pouco exploradas no mangá; as próprias experiências de maternidade e responsabilidades domésticas enquanto expectativas sociais na família nuclear, e por aí vai!

Obs 1: acredito que isso não tenha sido explicitamente mencionado no mangá, mas algum filler já tentou estabelecer que o Fugaku, na verdade, era originário do clã Uchiha, enquanto a Mikoto só teria a ligação com a família por causa do casamento. Como Izuna, Madara, Sasuke, Itachi, Obito, Shisui, Kagami etc são todos caracteristicamente lindos e A CARA da Mikoto, escolhi ignorar completamente esse pedaço de informação.

Obs 2: escolhi fazer menção ao clã Uchiha enquanto uma estrutura matriarcal, simplesmente porque gosto da ideia hehehe

Work Text:

Kushina vestia branco. Se a mulher ficaria bem em qualquer pedaço de pano que vestisse - ou deixasse de vestir - nunca foi questão levantada para dúvida, mas os olhos de Mikoto ainda cintilaram inebriados quando percorrerem o trajeto dos ombros macios até a barra do vestido, que jovialmente tocava as canelas enquanto acompanhava os movimentos de pernas.

O vermelho intenso dos fios que moldavam a cintura bonita parecia mais agressivo do que nunca. Acompanhá-los, também, contornando o rosto da namorada, quase fazia Mikoto apertar os olhos, na mesma intensidade em que os convidava a se arregalar - uma mariposa afoita encantada pela luz que a queima. Descendo o olhar - nariz queixo pescoço - a mulher para no decote delicado, e o tecido claro suaviza o queimor dos olhos - mas não do olhar - em um contraste de inflar o peito.

Sem mexer a cabeça, Mikoto retorna a vista até estar nivelada à outra e encontra um cinza dormente, profundo e opaco. E, ainda absorta no magnetismo, a garota refaz o percurso. Não sabia porcaria alguma sobre teorema das cores, se branco e vermelho eram complementares, tríades ou a aberração que fossem, mas a puxavam e afastavam, apenas pra fazê-la contemplar a combinação novamente - e Mikoto não encontrava problema algum em observar a mulher por mais tempo.

Dedos torceram em cada lado do quadril.

- Simples demais? - Kushina franziu o rosto em um sorriso constrangido, ao qual Mikoto não respondeu.

Não havia apenas já conhecido a família da outra, como também passou a ter certa familiaridade em sentar consigo nos almoços de casa cheia. Sabia como cumprimentar as figuras matriarcais sentadas nas pontas da mesa, as brincadeiras favoritas de cada sobrinho, e identificar cada personalidade na linhagem infinita de tios. Ainda assim, toda oportunidade de encontro pedia um preparo especial da ansiedade de Kushina.

Mikoto não respondeu, mas se aproximou o bastante para enxergar o cinza mais de perto. Ergueu a ponta dos dedos e tocou as costas da outra onde ainda era coberta. Sentiu a malha tão gostosa que não pôde deixar de imaginar o quão macia seria deslizando pelas pernas. Com um gesto muito parecido, tocou as mechas coloridas em ruivo para colocá-los atrás da orelha. No caminho, teve um breve acesso à tira grossa que unia a frente da roupa em um nó atrás do pescoço, e a facilidade com a qual conseguiria desfazê-lo lhe formigou a boca do estômago. Kushina a observava com olhos redondos, vasculhando - ou melhor, incentivando - alguma tentativa de verbalização.

- Perfeita - e deixou um beijo cálido onde a mandíbula se encerrava, que Kushina acomodou com um risinho aliviado, satisfeita.

Ficaram assim por um tempo, encostando as bochechas e trombando os narizes.

- Vendo mais de perto - Mikoto se adiantou quando a namorada fez menção de se virar para conferir o relógio no canto da parede - acho que caiu uma sujeirinha ali.

Antes que terminasse a frase, tinha o rosto abafado na clavícula da outra.

- Sujeira? - Kushina se empertigou, tentando se desprender dos braços espertos que a rondavam. Mas tinha tomado tanto cuidado!

- Hmmhm - Mikoto não se preocupou em sair de onde estava, e falou abafado assim mesmo - Bem ali ó - disse sem direção alguma, distribuindo selos rápidos na lateral do pescoço.

- Onde? Onde?!

Dessa vez, botou os ombros fortes para trabalhar - ainda que não exatamente como Mikoto mais gostava - e afastou o corpo da namorada, olhos atentos se investigando abaixo. Virou a cintura para que pudesse olhar a parte do pano que se interrompia e voltava a lhe cair sobre o quadril e as panturrilhas.

- Bem aqui - e Mikoto voltou a beija-la, dessa vez na boca, e segurou o nó atrás da nuca firmemente, insinuando que ali se dava a sujeira escandalosa, até que estivesse soerguido da pele aquecida, tão frágil quanto tentador.

Kushina se distraiu com o corpo tão próximo ao seu. Quando passou a surpresa indignada, deixou que os próprios dedos também tirassem uma casquinha da namorada, tão elegantemente vestida em preto.

- É muito grande? - Kushina perguntou sem se levar a sério, um riso já brincando nos lábios.

- Enorme - Mikoto respondeu sem nem ao menos abrir os olhos, absorta com os beijos que ainda preenchiam os espaços entre o diálogo.

- E tá muito feia? - fingiu um resmungo.

- Asquerosa - e a ruiva não resistiu a uma risada em bom tom.

- Tem salvação, doutora? - Kushina agora entrelaçava os braços na cintura da outra mulher e afastava o riso o suficiente para olhá-la diretamente, o queixo levemente inclinado para baixo, o olhar mais inquisitivo do que nunca.

- Ainda há esperança - Mikoto disse triunfante - se formos rápidas, conseguimos evitar uma mancha - e voltava a encurtar a distância, encaixando um selo no canto do sorriso da namorada - Eu só preciso das ferramentas certas...

Kushina dava passos para trás, as mãos ainda agarradas nos braços que lhe envolviam a cintura, as costas em direção ao pé da escada.

- Tenho uma ideia de onde possam estar - disse subindo no primeiro degrau e gargalhando quando Mikoto tropeçou afoita para pular o segundo.

Fios pretos, brancos e vermelhos dobraram o caracol da escada. Naquela noite, chegariam atrasadas para o jantar.