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Gorgeous

Summary:

Based on the eight track of Taylor Swift's reputation (2017) | This story is written in portuguese-BR.

Notes:

oie :) faz anos que não escrevo e isso afeta tudo que escrevo - até no cotidiano e pensei em escrever novamente. não está tão bom assim, mas é o que temos pra hoje, espero que goste! xx

Work Text:

Entrei na festa procurando por Cath, a aniversariante e uma de minhas melhores amigas. A festa estava cheia, e pudera, devido não só a sua popularidade, mas também a escolha de um dos bares mais legais da cidade. Só porque era em um prédio alto, no centro da cidade. Dançando perto do bar, lá estava ela. Me aproximei, a parabenizando e ela me abraçou, agradecendo por ter vindo e me mandando ficar a vontade, pegar alguma coisa pra beber e me divertir com ela. 

— Cadê o Mike? — Ela perguntou ao me entregar uma bebida rosa e amarela. O gosto adocicado com um toque de álcool aqueceu meu corpo. Cath não era muito fã de meu atual namorado, Mike, e a antipatia era mútua, por isso, quando ele disse que não gostaria de vir, não reclamei, do contrário, até o agradeci mentalmente. 

— Em alguma balada, sei lá. — Respondi tomando mais um gole e ela sorriu, arqueando uma sobrancelha. 

— O que foi? — Perguntei desconfiada. 

— Nada, nada. Só acho que... OI! — Seu olhar foi desviado para um ponto atrás de mim, fazendo-a sorrir imediatamente. Me virei para cumprimentar quem ela estava agora observando. — Haz que bom que veio! - Cath abraçou um loiro alto, com olhos claros e uma feição de quem não pertencia a Nova York. Me recordei de seu nome e lembrei que se trava de Harrison, seu mais novo crush. 

— Claro que vim! — O sotaque britânico colocava um fim nas dúvidas que ele não era  daquele lugar. — Esse é Tom, lembra dele, na festa da Tracy? — Ele se afastou e um homem com a mesma estatura que ele agora olhava para nós. Diferente de Haz, Tom tinha cabelos castanhos escuros e olhos cor chocolate.  Desde a linha do maxilar bem definida, o cabelo semi longo arrumado com gel, os braços fortes e a combinação simples de sua roupa, até o jeito que seus lábios brincavam ao abrir um sorriso, contribuem para que ele fosse lindo. A única palavra disponível para toda essa combinação, era "lindo", não bonito, lindo. Era uma pena eu ter namorado. Eu não acabei de pensar isso. Delete. 

— Claro, que lembro! Oi Tom! — Cath sorriu amigavelmente.

— Oi! Feliz aniversário! — Tom cumprimentou Cath. Para fechar o pacote, o garoto também era da mesma terra que seu amigo, fazendo as palavras soarem melhor em sua língua.

— Essa é Felicia, minha melhor amiga. — Ela sorriu, me abraçando de lado. 

— Oi, prazer. — Estiquei a mão para Harrison e Tom em seguida, esforçando-me ao máximo para não olhar para seus olhos. Concentrei minha atenção no copo em minha mão, enquanto Cath enturmava os dois e dizia para eles ficarem à vontade. Ambos se afastaram com um sorriso. 

— E aí, o que achou? — Cath me perguntou baixo, me afastando do bar e dos garotos. 

— Do Haz? Bonito, mais do que nas fotos que você me mostrou. — Respondi. Ela sorriu e revirou os olhos. 

— To falando do Tom. — Ela me olhou de cima a baixo, como se ela mesma tivesse chamado Tom, armando para mim. 

— O que tem? — Perguntei dando de ombros. Cumprimentei alguns conhecidos pelo caminho, ainda sendo arrastada por Cath. 

— Vai me dizer que não achou ele bonito? — Ela insistiu novamente, me sentando em uma mesa com mais alguns conhecidos. 

— Ele é. Bem bonito. Eu ainda tenho namorado. — Respondi, tentando encerrar o assunto. Bonito até demais. De uma forma que me faria o odiar por ser tão bonito. 

— Ele não está aqui. — Ela bebericou sua bebida sugestivamente antes de se afastar e ir receber mais um de seus convidados. Me enturmei com as pessoas da mesa, logo antes de minha bebida acabar e eu me dirigir ao bar. Harrison e seu amigo ainda estavam por lá, no balcão conversando com mais dois outros caras. Seu sorriso escancarado ao rir de alguma coisa já era ruim o bastante, mas sua língua umedecendo sua boca para levar sua garrafa à boca já era demais para mim. Era o suficiente para eu decidir odiá-lo. Me apoiei no balcão pedindo mais uma bebida, tentando ignorar o fato que ele estava bem ao lado. 

— Há quanto tempo você e a Cath são amigas? — Ouvi a voz de Harrison ao meu lado. 

— Bastante, desde a 8ª série. — Respondi e agradeci o garçom por minha bebida. 

— Ela sempre foi popular assim? — Greg, o colega de trabalho de Cath perguntou, continuando o papo. 

— Sim, sempre o centro das atenções e a alma da festa. — Respondi enquanto observava minha amiga falar com todos em seu caminho. — Aposto que no escritório não é diferente. 

— Não mesmo, é a mesma coisa. — Ele respondeu. Sorri desviando o olhar, encontrando os olhos de Tom em mim, que logo quebrou o contato e tornou a atenção para o cara  ao seu lado, que já mudava de assunto. Antes que pudesse me afastar, Harrison me cutucou com o braço, chamando minha atenção. 

— Então, ela tá solteira? — Ele sorriu com confiança, mas tomou um gole de cerveja, temendo a resposta em seguida. Ri baixo antes de confirmar que sim. Ele sorriu e se levantou, pedindo licença e avisando Tom que 'já voltava'. O encorajei com um aceno de cabeça e quando voltei meu olhar, os três ainda estavam ali. Tom estava ali, parado. Com a garrafa nas mãos e os olhos em minha direção. E eu não conseguia dizer nada. Nada. Olhei na direção contrária e fingi conhecer alguém, e pedindo licença, fugi do garoto na maior cara de pau. Me desviei das pessoas e encontrei alguma roda com conhecidos que pudessem me distrair da presença inebriante do britânico. Mesmo de longe, conseguia sentir seus olhos em mim, e o fato de agora seu companheiro estar atrás de minha amiga, deixava ele sozinho. Mas quando notei, ele já estava com outras pessoas, conversando e se enturmando. Era uma daquelas pessoas legais que consegue fazer amizade com quem quer que seja. 

Era minha terceira bebida e eu já me sentia fora do normal quando dali poucos minutos Cath gritou, me chamando para me juntar a ela. Claro que ela estava com Harrison e quando me aproximei, Tom estava ali também, entretendo os dois com alguma história. Eu agora tinha alguma desculpa para encará-lo tanto, já que todos também estavam. Talvez ele tivesse uma namorada. Quer dizer, ele é lindo demais para estar solteiro por aí. E eu a invejava por isso. Mas talvez ele estivesse solteiro, o que piorava ainda mais as coisas. Eu estava furiosa com ele, porque eu estava me sentido daquela forma? Porque ele fazia isso comigo? E o pior de tudo, era que eu não poderia fazer nada contra isso. 

Cath, de propósito, de acordo com seu olhar, puxou Harrison e eles se afastaram, me deixando sozinha com Tom pela primeira vez. Eu podia simplesemente sair correndo e não olhar para trás, mas seria muito esquisito da minha parte. 

— Com o que você trabalha? — Ele puxou assunto, sorrindo e bebericando sua cerveja em seguida. 

— Sou arquiteta. Desenho casas e… coisas. E você? — Eu estava sendo ridícula, parecia uma criança, mas o que mais eu posso dizer quando ele é bonito demais e eu estou hipnotizada?

— Trabalho no meio financeiro, mexo com números e coisas. — Ele respondeu, sorrindo com a troca da brincadeira. O bar era iluminado o bastante para se enxergar e reconhecer sua bebida e escuro o suficiente para que dois estranhos tivessem coragem de se encarar, no caso,  o que estávamos fazendo. — Cheguei na cidade há pouco tempo. 

— Percebi. Seu sotaque é muito estranho. — Eu sorri, fazendo-o soltar uma risada baixa. 

— Obrigada, eu acho. — Ele tornou a beber e eu talvez estivesse bêbada. O que era ruim o suficiente. Eu me conhecia o bastante para saber que o fato de eu estar o ignorando, e fazendo não elogios a ele era uma tentativa de repelir o que estava sentindo e que eu queria mais sua atenção do que planejava demonstrar. Se eu não estivesse totalmente atraída por ele, o trataria como qualquer um dos outros caras daquele bar. 

— Tenho que ir. — Me desliguei de meus pensamentos, me afastando de seu campo magnético muito forte para o meu gosto. Larguei meu copo em qualquer lugar e entrei no banheiro. Molhei as mãos e passei por meu pescoço e nuca, tentando aliviar toda a tensão e calor que eu sentia naquele momento. Era estúpido demais estar daquela forma. Eu tinha um namorado. Mais velho, me trata bem, me ama e é legal o suficiente. Mas minha melhor amiga não gosta dele. Nem ele dela. E Tom era lindo. E mais do que legal. Ainda sim eu tenho namorado. Eu só to atraída por ele ser muito bonito, eu o detesto por isso. E tem o Mike. Mas ele deveria estar aqui. Gostando ou não de Cath, deveria estar te acompanhando. Mas não tem nada mais que eu odeie do que não ter o que não posso. E eu e Mike mais brigamos do que ficamos bem. Ele é bem idiota para falar a verdade. Não temos nada em comum e ele nunca gosta de sair comigo ou fazer meus passeios. E Tom é lindo. E legal. Ficar no banheiro não estava ajudando em nada, a não ser a convencer a mim mesma a trair meu namorado. Afastei esse pensamento e voltei para o bar. 

Varri o lugar com os olhos à procura de Cath e não a encontrei. Respirei fundo ao cruzar o ambiente, subir as escadas e encontrar uma mesa afastada, em um canto com menos luz. Decidi não beber mais nada e piorar minha situação, e como estava chata o bastante para conversar com qualquer pessoa ali, meu único passatempo era meu celular. Não havia nenhuma mensagem de Mike, já se passavam das 2 da manhã e eu sabia que ele não teria voltado para sua casa ainda. 

— Se importa? — Levantei os olhos do celular ao ouvir a voz e Tom estava parado em frente a cadeira vazia junto a minha mesa. Acenei negativamente, indicando para que se juntasse a mim. — Eu não conheço ninguém aqui e quem me trouxe está... ah, um pouco ocupado. — Ele olhou para o térreo, e seguindo seu olhar, vi que seu amigo e Cath estavam se beijando. Então ali estava ela. 

— Minha acompanhante também está ocupada. — Sorri complacente. Larguei o celular de volta à bolsa, agora dedicando minha atenção ao garoto em minha frente. 

— Não vai beber nada? — Ele perguntou indicando a pequena mesa vazia em nossa frente. 

— Não, por hoje já chega. — Respondi cruzando meu olhar com o seu e talvez era mais inteligente eu ter algo para beber, assim podia dividir minha atenção e não ficar somente olhando para ele. 

— Será que eu conheço alguma autoria sua? — Ele sorriu, iniciando a conversa que se abriria em qual nossos filmes preferidos, quais lugares eu gostava de comer para ele poder saber onde comer e há quanto tempo eu morava em Nova York. Ele era engraçado, e seu sotaque era mesmo estranho, mas de uma forma sexy e que eu poderia ouvi-lo falar o dia inteiro. 

— Acho que você gostaria de conhecer Londres. — Ele disse apoiando as mãos na mesa. 

— A arquitetura de lá é maravilhosa, aposto que eu gostaria mesmo. Mas ter que aguentar todo mundo falando estranho igual você, seria torturante. — Brinquei, fazendo o rir. Seus dedos tocaram o meu por sobre a mesa, acariciando minha mão devagar. Uma corrente elétrica percorreu meu corpo, fazendo todas as terminações nervosas existentes em meu corpo acordarem e estarem ligadas e concentradas em minha mão e no que os dedos de Tom faziam comigo. É bom que ele estivesse ciente do que estava fazendo comigo. Seus olhos me encaravam, e mesmo com a pouca luz que nos iluminava, conseguia enxergar cada detalhe do seu rosto. Ele abriu um pequeno sorriso de canto, olhando para seu dedo fazendo pequenos círculos em minha mão. Precisei respirar fundo e reunir todas as minhas forças para afastar minha mão e levantar da mesa abruptamente. — É melhor eu ir. Tenho que... Ir. Ver meus gatos. — Falei rapidamente, enrolada em minhas palavras. Não conseguia olhar para ele, sabia que se fizesse, as chances de eu persuadi-lo a vir comigo eram altas.

— Ah, claro. Sim. — Ele se levantou também, envergonhado. Afastou o cabelo do rosto, colocando as mãos nos bolsos e dando um passo para o lado, liberando o caminho para que eu pudesse passar. Seu perfume tocou meu rosto e num momento de fraqueza olhei para seu rosto. Seus olhos estavam tranquilos, mas sem esperança. 

—Sozinha. — Sussurrei baixo, mais para mim do que para ele, mas o olhar de compreensão de Tom dizia que ele tinha ouvido. Ele acenou, abrindo um sorriso e arqueando as sobrancelhas. Meu coração deu outro salto e minha garganta involuntariamente se contraiu ao seu olhar inocente de menino bom. Sabia que era perigoso incentivar algo que sabia que não ia finalizar, mas abri a boca mesmo assim. — A menos que você queira vir comigo. — Sussurrei mais baixo ainda, me dirigindo a escada, não tendo a coragem de olhar para Tom novamente. Com uma rápida escaneada no lugar, vi que Cath ainda se atracava com Harrison, então não me importei de me despedir dela, apenas fiz uma nota mental de lembrar de mandar uma mensagem. Conseguia ouvir meus batimentos se acelerando a cada passo que eu dava e não precisei olhar para trás para saber que Tom ainda estava atrás de mim, saindo do bar com o som alto em nossos ouvidos e atravessando o corredor gigante, que parecia maior ainda. E ali, percebi que eu realmente precisava me livrar dele, antes que fosse tarde demais e eu fizesse uma bobagem. Não que talvez Mike não estivesse fazendo o mesmo comigo, mas eu não era assim. Eu não era a pessoa que traía. Aguardava o elevador inqueta por dentro, mas parecendo calma por fora. Tom estava perto o bastante para que sua presença fosse notada, mas longe para que não encostasse em mim. Sua respiração era audível agora do lado de fora do lugar cheio de pessoas. O sinal que o elevador chegara soou e entramos quietos. A porta se fechou e antes que eu pudesse perceber o que estava acontecendo, Tom  me pressionava contra a parede gelada do elevador. Meus olhos se fecharam instantaneamente, apreciando a sensação de seu corpo quente contra o meu, sua cintura pressionando a minha. Sem pensar a fundo, alcancei seus cabelos, desfazendo o penteado com meus dedos. Sua respiração batia em meu rosto, confundindo-se com a minha, se acelerando ao mesmo passo. Suas mãos apoiavam na parede, uma de cada lado de minha cabeça.

— Tom, eu... — Tentei encontrar as palavras, me obrigando a olhar para seu lindo rosto em minha frente. Seus olhos percorriam todo o meu rosto e seu rosto estava impassível, não fosse pelos lábios entreabertos. Seus olhos estavam duros, escuros com o desejo que tomava conta de seu corpo. — Não posso. — Ele não se alterou, continuava me encarando. 

— Eu sei. Só não te beijei ainda porque Cath me falou que você namora. — Ele respondeu. Uma de suas mãos agora traçava pelo meu cabelo, deslizando sobre os fios soltos. — Mas também me falou que ele é um idiota, que não te merece. Ele nem mesmo estava aqui. — Sua voz era baixa, e seu nariz encostando levemente no meu me fez fechar os olhos novamente. Senti-o mais perto, sua testa agora ia de encontro a minha. Não pude me mexer antes que seus braços me soltaram e eu abri olhos, vendo-o se afastar. Ele alcançou os botões do elevador, apertando algum botão que fez o elevador parar e acender uma luz vermelha. —Me dá um motivo para eu não te beijar agora mesmo. — Ele se voltou para mim, mantendo uma distância segura. Ele me olhava com tanta intensidade que me sentia vulnerável. Tom inclinou a cabeça, esperando por minha resposta, parecendo impaciente. Respirei fundo e me lembrei de quem era, de o que eu estava fazendo. 

— Não quero ser essa pessoa. Não quero ter a consciência pesada de ter traído alguém. Não quero que façam isso comigo, por isso, não farei com ele. — Respondi passando a mão por meu braço, espantando o frio momentâneo. Tom ainda me encarava. Sustentei seu olhar, até que ele concordou com a cabeça e apertou novamente o botão, dando vida ao elevador e fazendo-o continuar a descer. Nos afastamos até chegar ao térreo, quando o elevador soou novamente e saímos do cubículo, atravessando o lobby. Passamos pela porta e antes que eu pudesse chamar algum táxi, Tom segurou minha mão, me virando. 

— Eu não quero que você faça alguma besteira. Não gostaria que minha namorada ficasse atraída por um cara e terminasse comigo só por isso. — Ele falou me observando e sua mão queimava em minha pele. 

— Eu preciso pensar. Preciso dormir e acordar sem o álcool influenciando meus pensamentos e entender o que aconteceu essa noite e meu relacionamento. — Concordei com ele, encarando seus olhos mais claros agora.  

— Se mudar de ideia... — Ele esticou um papel com seu número. Quem ainda fazia isso? Ri de seu gesto e peguei o papel. 

— Adeus, Tom. — Talvez ele estivesse certo. Talvez fosse só atração física e seu campo magnético me atraindo para perto dele. Mas talvez fosse algo mais. E quando ele me soltou e eu pude entrar no táxi, estava disposta a descobrir o que era.