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Pélago de Vingança

Summary:

!!!Universo alternativo de Ordem Paranormal de fantasia com ligações a contos de fadas!!!

Depois do tirano feiticeiro, Kian, espalhar o terror no continente mágico inteiro, uma força volta das sombras. Capitão Cérbero, Imperador Kaiser e Dra. Webber são apenas alguns exemplos de agentes da Ordo Realitas. Comandada pelo Rei Veríssimo, a Ordem é uma organização de união entre líderes de estado, criaturas mágicas, e agentes comuns contra as forças do mal.

Vai rolar Danthur, Lizago, Balete, Samuaiser, Lucifer e Tristice, vocês estão avisados.

Notes:

ano passado eu reassisti once upon a time e puta merda eu amo essa série.
enfim, queria muito escrever sobre piratas, mares e fantasia em geral depois da minha viagem… aqui está a playlist da fic! https://open.spotify.com/playlist/7sybJOyevC1nsWNSrud1eR

essa fanfic contém violência e menções de mortes canon(mas nessa AU um bocado de gente não morreu então é menos dor e tristeza)

eu poderia dizer q apesar de tudo, estou inspirado, essa fic vai ser boa, confiem!!
enfim, boa leitura!

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Dante envia uma carta.

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Chapter 1: Dante Portinari, o Curandeiro

Chapter Text

 

     Me sentei em uma parte do píer à margem do oceano, do meu lado, estava minha irmã. Ela usava o mesmo colar de lua, vestido de verão branco com um corpete preto e sobretudo longo com pelos de sempre. 

     Segurava Orpheu, herança milenar dos Portinari. Ele é uma mistura exótica de um urutau e uma fênix. Depois da recente morte dele, os avós de Beatrice passaram os cuidados do pássaro para Beatrice, desde então, ficou muito cuidadosa com ele. Depois que renascem, por um tempo, gritam muito quando ficam irritados. Eu e minha irmã estávamos ali, sentados na calçada perto da praia porque o pássaro não parava de gritar dentro de casa. Clara, nossa mãe adotiva, ficou irritada e falou para irmos dar uma volta com o bichano, para ver se ele se acalmava. 

     Eu estava usando a camisa verde-água desbotada que sempre usava, junto ao meu rosário e minhas calças pretas de alfaiataria. Havia feito o feitiço de esconder minhas tatuagens mais cedo, mas tenho tatuagens relacionadas à ciência por meus braços, ombros e costas. Não sei como Clara reagiria se eu mostrasse para ela. Sentia o vento penteando meus cabelos longos e loiros enquanto apertava meus olhos para continuar olhando naquela direção. O sol tinha seus últimos momentos antes de se pôr. Estávamos em um silêncio confortável e profundo.

     Tirei do meu bolso uma carta, coloquei no colo dela.

        - Lembra daquela oferta? Vou mandar essa carta como resposta. - Falei.

        - Dante! - Ela abriu a carta com cuidado. - Você disse não, né?

        - Leia.

 

     “Nobríssimo Rei Veríssimo, 

        Venho por meio desta breve carta informar a vossa senhoria do conhecimento que tomei da vossa oferta, com a confirmação de que assumirei a vaga como Mago Curandeiro no barco do excelentíssimo Capitão Cérbero.

                                  Sinceramente, Dante Portinari.”

 

        - Acha que está bom? Não quis escrever demais nem de menos… 

     Ela olhava no fundo dos meus olhos, tentando transformar seus sentimentos em palavras. Meu palpite era que estava desapontada, arrumei meu óculos e desviei meu olhar, esperando uma confirmação.

        - Você está brincando? Não tem graça, Dante - Ela riu, sem humor - O Capitão Cérbero é perigoso, você só deve estar maluco.

        - Bom, Beatrice, Tristan também não é o mais santo dos tritões e vocês ficam de papinho todos os domingos aqui na costa.

     Vi sua expressão mudar, parecia prestes a reclamar, invés disso, só retrucou:

        - É diferente. 

     Suspirei.

        - Sempre é diferente quando se trata de você - Me arrumei no lugar, querendo só sair dali logo. Não me sentia em casa no Reino de Portofredo, com os Portinari. 

     Faz 5 anos que adotaram a jovem e aventureira Lilian, e faz 3 anos que adotaram o garoto mais velho do Orfanato Santa Menefreda, Gaspar. Acho que minha fase de odiar meus pais veio tarde, talvez por eu não ter pais de verdade. Só não parecia justo, Beatrice pertencia lá, e eu nem sabia o que ia fazer da minha vida. Só tenho 20 anos e vontade de fazer uma diferença no mundo, Bea, um pouco mais nova, parece mais decidida que eu.

        - Dante, escuta, eu não queria dizer isso desse jeito - Virei meu rosto para ela. - O que quero dizer é que você é esperto. Não precisa disso.

        - Bea, eu te amo, e adoro seus pais, mas-

        - Dante? - Ela parecia machucada - Nossos pais nos amam. Não seja assim. 

     Olhei para ela, apologético.

        - O que quero dizer é que não pertenço aqui em Portofredo, além do mais-

        - Ninguém pertence a Portofredo, Dante, é isso que deixa o reino tão bonito, gente estranha tentando fazer as coisas funcionarem.

        - Dá pra você me escutar?! - Seu rosto me estranhava - Desculpa, Bea, eu só… eu não quero ser um estagiário no… sei lá, posto de cura de Portofredo. Eu quero ser alguém na vida. Depois do treinamento de jovens feiticeiros, eu percebi que eu posso fazer muito mais. Eu posso ajudar as pessoas, Bea! Foi por isso que me graduei do curso de curandeiros da Doutora Webber, e é por isso que o melhor da turma agora vai ser alguém fora desse reino estranho! Você não entende, Bea, mas eu quero conhecer pessoas, lugares, e eu quero ajudá-las. 

     Ela estava chorando e soluçando, ela sussurrou enquanto a abracei.

        - Dante… Eu só não quero ficar longe de você que nem… que nem antes… - Beijei sua cabeça, e sussurrei palavras de conforto, Orpheu fazia o mesmo. 

        - Bea, um dia você vai entender. Mesmo pequeninos nesse universo tão grande, a gente pode tentar fazer a diferença. Eu quero começar a fazer a diferença agora. Tem guerras acontecendo por todo o lado, e eu quero ajudar a curar essas guerras, uma pessoa de cada vez.

        - Você acha que guerras vem para o bem?

     Não sabia o que responder. 

        - Não sei, não tenho certeza, mas às vezes, eu acho que é necessário. Conflito é normal entre humanos e… outras criaturas - Ela riu quando apontei para a cauda verde de um tritão já conhecido por ela, que estava se aproximando, nadando pelas águas cristalinas - Mas se machucam nesses conflitos. É aí que eu entro.

        - O que me dá a certeza que não vai se machucar? 

     Não sabia o que dizer, novamente.

        - …Só esperança. - Suspirei - Mas eu vou me cuidar para voltar para você o mais rápido possível.

     Ela me lançou um sorriso rápido, antes de prestar atenção no rastro verde nadando em direção a praia.

        - …Hoje faz 3 anos que Jasmin faleceu. 

        - Eu quero seguir em frente. Ela gostaria de que eu fosse atrás disso, também.

        - Sente falta dela, né? - Ela encostou sua cabeça no meu ombro.

     Respirei fundo e mexi no relicário do meu cordão. 

        - Todo dia.

     Vi Tristan sentar em uma pedra e acenar para Beatrice. 

        - Te amo, Dan, depois te vejo. - Me deu um beijo na bochecha e correu até Tristan, deixando seu casaco para trás.

     Observei o vento dançar junto com Beatrice enquanto ela entrava na água e pulava. Conseguia ouvir risadas baixas e palmas de Tristan. Seus cabelos longos e fios dourados entre mais escuros se mexiam no ar, e seus pés chutavam e andavam na água rasa, que ia até seu calcanhar. Orpheu pousou-se ao lado do tritão de cauda azul. Vi ele apontar para o pássaro e sorrir. Seus olhos então demonstraram surpresa, e ele pulou de volta na água, assustando o urutau fênix mágico, que grunhiu alto. Ouvi a risada de Beatrice soar pela praia, e então vi ela cair de trás na areia, sendo puxada para mais fundo na água pelo seu companheiro. 

        - Não vão muito fundo! - Chamei atenção dos dois, e Tristan acenou com a cabeça, sorrindo como bobo. Mostrei o dedo do meio para ele, e virou para minha irmã, incrédulo, e falando demais para ela entender. 

        - Sardinha, eu vi o que eu vi, ele mostrou o dedo do meio!!

        - Para de ser idiota, Tristan! - Ela riu.

     Chamei Orpheu e o bichano voou rápido até mim, dei algumas batidinhas no casaco de Beatrice e ele sentou ali. 

        - Vou levar essa carta nos Pombos. Pode gritar se eles ficarem cheios de toque, venho correndo. Toma conta dos dois, por favor. - Soltou um pio antes de fechar seus olhos e descansar em cima do ninho de manta quente.

     Eu não havia falado para ninguém o real porquê de que queria aquele trabalho. Nem que poderia durar meses. Andei pelo píer até chegar à rua de ladrilhos coloridos. Existe algo sobre Portofredo que eu não sei explicar. Vou sentir saudade dessa bagunça.