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Palavras me escapam

Summary:

Charles só quer terminar de escrever seu livro, porém, infelizmente, seu novo vizinho tocando heavy metal não está o ajudando. Sendo assim, Charles decide que um confronto para resolver isso é necessário.

Notes:

Como já foi mencionado: isso é uma tradução. Se quiser deixar um comentário para o(a) autor(a) pode escrever que eu traduzo ou vá diretamente na fanfic e envie uma mensagem por lá. Espero que goste!

  • Pedaço retirado da obra original:

Prompt: Charles é um escritor recluso. Erik é músico metaleiro que se mudou ao apartamento do lado (eu adoraria ver isso com o Charles sendo tetraplégico).

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Charles teve que esforçar-se para não puxar o cabelo de sua cabeça quando o barulho alto da guitarra elétrica começou a tocar, atravessando as finas paredes que dividiam o seu apartamento; o próximo ao seu, o mesmo que estava vazio há somente algumas semanas, o qual antes disso pertencia a um adorável casal de idosos que não fazia absolutamente nenhum barulho. Charles gostava de música, ele até poderia dizer que adorava música, incluindo heavy metal, mas por Deus, ele estava começando a odiá-la. 

Ele esperava que naquela sexta-feira à noite pudesse ter paz e que a nota que deixou na porta do seu vizinho seria o suficiente:

Olá, eu sou o seu vizinho do lado e atualmente estou trabalhando em um projeto importante que exige bastante concentração. Se você pudesse diminuir o volume da sua música nos próximos dias, eu ficaria muito grato!

Aparentemente, o seu vizinho não podia abaixar o volume porque Charles sentia em suas orelhas começariam a sangrar a qualquer momento. O cara não era um músico ruim, longe disso, mas Charles tinha que terminar o terceiro livro da sua série para enviar aos seus editores em duas semanas — tendo estendido seu prazo duas vezes desde que seu vizinho se mudou —  e ele realmente não estava conseguindo se concentrar em fazer o personagem principal convencer um dos antagonistas a trocar de lado e ajudá-lo a derrotar o grande vilão enquanto esse barulho alto estava tocando ao seu redor.

Dizer que o Charles estava furioso era pouco.

Ele pensou tantas vezes em alcançar a mente do outro homem e comandá-lo a ir dormir, ou talvez pará-lo de gostar tanto de heavy metal, porém ele nunca agiu de acordo com seus pensamentos. Com raiva ou não, Charles ainda tinha alguma consciência do que deveria e não deveria fazer, pelo menos quando se tratava de sua telepatia.

Enquanto seu vizinho tocava uma nota incrivelmente alta do outro lado da parede — muito habilmente, Charles pensaria, se ele não quisesse acertar o homem com sua própria guitarra naquele momento; Charles grunhiu alto, olhando para seu computador e se sentindo ainda mais frustrado ao perceber que só conseguiu escrever algumas linhas dentro de um período de uma hora e nem mesmo um parágrafo inteiro, desde que se sentou para fazê-lo.

Ele deitado no chão, cercado por barulhos desorientadores e caos que toma controle da sua mente como o pior dos feitiços, seus olhos encarando

Charles não consegui nem se lembrar o que o personagem estava encarando a este ponto, porém, certamente poderia se identificar com estar cercado por barulho e caos desorientadores.

Após alguns acordes da melodia de seu vizinho tocando, Charles fechou com força a tela do laptop e locomoveu-se com a cadeira fora da mesa; já com a mente decidida a confrontar o homem incômodo de uma vez por todas, talvez dizer algumas palavras raivosas na cara dele e voltar para dentro; e depois se arrepender do confronto mais tarde. Agora, ele realmente queria um confronto. 

Ele saiu do seu apartamento, furiosamente deslocando-se até a porta do outro homem e tocando — mais como batendo — na madeira com força o suficiente para que o homem o ouvisse sobre a música alta. A música parou, um abafado estou indo vindo do outro lado da porta com um ligeiro tom de aborrecimento por ser interrompido. Charles esperou, preparando-se para um discurso muito maldoso e cheio de xingamentos para o barulhento.

Quando seu vizinho abriu a porta, entretanto, todas suas palavras desapareceram de sua mente — ironicamente, assim como eles tinham quando ele estava tentando terminar seu livro. Aquele homem parecia ter algum tipo de poder que tirava as palavras de si.

Parado na frente de Charles, seu vizinho olhou para baixo em sua direção com uma sobrancelha arqueada, olhos azul-esverdeados que pareciam estranhamente com os que ele imaginava que um de seus personagens teria; um maxilar cortante que deixaria qualquer homem com ciúmes; cabelo ruivo bagunçado e um torso nu que chamou a atenção de Charles completamente quando seus olhos o encontraram. O jeito que o homem está se apoiando na porta com um braço no batente da porta, levemente inclinado para o lado, parecia mostrar todos os músculos de seu corpo. Para piorar a situação, seu jeans estava desciam em seu quadril incrivelmente fino, sem cinto para mantê-lo preso; Charles podia jurar que o homem não estava usando nada por baixo daqueles — 

“Posso ajudar?” a voz com um leve sotaque chamou a atenção de Charles, seus olhos erguendo-se para olhar o rosto de seu vizinho de novo, captando a curiosidade que cruzou por sua mente.

“Uh.” disse inteligentemente, vendo o homem erguer as sobrancelhas.

 Concentre-se, Charles disse para si mesmo, sacudindo sua cabeça como se tentasse afastar os pensamentos estranhamente excitantes que enchiam sua mente. Você está com raiva desse homem.

“Certo, desculpa. Estou aqui porque você está tocando muito alto.” a voz de Charles não estava tão zangada como estaria minutos antes, contudo ele pelo menos parecia sério, mesmo que tivesse que se controlar a cada cinco segundos para não olhar para o corpo do homem. “Sou seu vizinho do lado, aquele que te deixou um bilhete e—” 

“Nota?” o homem interrompeu com as sobrancelhas franzidas. Charles também franziu a testa com uma expressão de confusão genuína em seu rosto e mente. “Eu não vi uma nota.”

“Eu deixei uma embaixo da sua porta mais cedo!”

Ele olhou em vola então, olhando para o chão até seus olhos pararam em algum lugar do lado da porta, inclinando-se — e Charles mais uma vez teve que fazer o seu melhor para não encará-lo — e pegando o pedaço de papel que Charles havia escorregado debaixo da porta mais cedo naquele dia. Seus olhos lendo as palavras rapidamente, uma expressão de desculpas tomou conta de seu rosto, substituindo a anterior. 

“Eu sinto muito, eu não vi…” ele disse, levantando seus olhos na direção de Charles novamente, pegando Charles de surpresa. “Eu estava ensaiando para um show amanhã, mas se eu tivesse visto isso eu não teria feito tanto barulho.”

“Ah.” Charles disse, porque o que mais ele poderia falar? Ele estava pronto para uma discussão e invés disso, ele recebeu isso. “Ah, Eu—. Está tudo bem… Só—. Bem, se você puder não tocar tão alto…”

“Claro. Eu vou parar.” o homem assentiu, soando genuíno. Quando ele ofereceu sua mão a Charles, levou alguns segundos para o mesmo entender que deveria apertá-la para cumprimentá-lo. “Erik Lehnsherr, a propósito.”

“Charles Xavier.” as sobrancelhas de Erik ergueram-se com isso, interesse aparecendo em seus olhos imediatamente.

“Charles Xavier. O cara que escreveu os livros da Balada de Primavera?”

“Você os conhece?”

“Pode-se dizer que sou um fã.” Erik sorriu e Charles sorriu de volta, tentando esconder o quanto aquele sorriso o afetou. “Gosto de como você incorpora mutantes no cenário de fantasia. Esse projeto importante que você mencionou na sua nota é o seu próximo livro?”

“Sim. É sim.”

Erik olhou Charles de cima a baixo por um momento, deixando Charles um pouco nervoso. Ele estava vestindo uma calça bem frouxa, uma camiseta velha que Raven lhe deu anos atrás que dizia ‘eu não te odeio, eu só estou privado de sono” e tinha certeza que seu cabelo estava uma bagunça. Mesmo assim, Charles captou o interesse — o tipo bom de interesse — na mente de Erik enquanto ele sorria novamente. Charles pensou que, se escrevesse erotismo, poderia descrever Erik naquele exato momento e o livro seria um grande sucesso. 

“Alguma chance de você sair comigo logo para me contar sobre o seu livro novo?” Erik perguntou, fazendo a mente de Charles parar por um momento.

“Sou contratualmente obrigado a não fazer isso.” disse rapidamente. Erik ergueu as sobrancelhas.

“Não sair comigo?”

“Não! Não… Sobre não falar sobre o livro… Eu, uhn, gostaria muito de sair com você?” os lábios de Charles se fecharam em uma linha reta; geralmente ele era mais suave do que isso.

“Então, podemos sair e não falar sobre o livro” Erik assentiu, o sorriso nunca desaparecendo de seus lábios.

“Parece bom.” Charles assentiu de volta e balançou a cabeça mais uma vez para focar-se ao que realmente fora fazer lá. “Mas, por favor… Um pouco de silêncio?”

“Não irá ouvir nada pelo resto do fim de semana. Eu odiaria ser o motivo pelo atraso do lançamento do seu próximo livro quando sou uma das pessoas que estão esperando ansiosamente por ele.”

Quando Charles voltou ao seu apartamento, havia apenas um silêncio abençoado ao seu redor e ele pôde voltar a escrever novamente, embora sua concentração agora parecesse comprometida por outras coisas. Se o final do próximo livro parecesse mais excitante do que deveria, Charles saberia a quem culpar.

Notes:

(✿◠‿◠) Caso note qualquer erro, me avise, por favor.