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Hiraeth

Summary:

Louis é um marujo que precisa de uma lágrima de tritão para completar um ritual, finalmente podendo fazer as pazes com o mar.

As lindas canções de Harry, estranhamente, não fizeram um barco bater nas rochas e afundar naquela noite. O belo homem de olhos azuis e bandana não parecia afetado minimamente pela voz melodiosa do tritão.

Notes:

Oi,

Disse nos agradecimentos de chiaro que jamais faria isso dnv e aqui estou risos...

Tive a ideia dessa fic maratonando piratas do caribe pela milésima vez, então terá algumas semelhanças por exemplo a tradução da música que Harry canta. Acho que não preciso falar muito sobre a história aqui já que o começo da fic dá todas as informações.

Só digo que gosto de pensar nesses personagens como reencarnações dos de chiaroscuro e talvez vocês notem vários paralelos. :) (tem até uma thread de paralelos no twitter inclusive)

Espero que gostem dessa história tanto quanto eu!!

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☠ Hiraeth significa saudade de um lar para o qual você não pode voltar, ou que nunca foi.

Chapter 1: Prólogo

Chapter Text

 

“I'm like the water when your ship rolled in that night
Rough on the surface but you cut through like a knife
And if it was an open-shut case
I never would've known from that look on your face
Lost in your current like a priceless wine”

 

O som da madeira era aterrorizante quando acompanhado daquela neblina. Louis sentia os pelos do braço se levantarem conforme o tempo passava e o silêncio continuava. É claro que ouvir o canto de uma sereia daria medo, mas o silêncio naquela situação era de alguma forma mais assustador.

O barco era humilde, um mero bote para que Louis conseguisse observar a água ao seu redor. E temer que algo se movesse ali.

Ele costumava sentir nada além de paixão pelo mar, mas agora a admiração era massacrada por terror e ódio. Seu olhar brilhava por estar de volta, mas o coração se espremia em busca de refúgio.

Louis fecha os olhos momentaneamente, desafiando seu medo, lembrando dos anos passados em que sua felicidade residia em um deque muito maior que esse.

Apesar de ainda ter o símbolo pirata em seu braço, lhe trazendo pesar todos os dias, Louis agora era um mero pescador. Um pescador miserável, porque os poucos peixes que pescava lhe traziam cada vez menos sustento e os grandes cardumes ficam em alto mar.

Sua rotina incluía limpar e arrumar as redes todo alvorecer, percorrer o mesmo caminho durante o dia e esvaziar as redes no crepúsculo. Ele costumava ser mais que isso.

Era doloroso pensar no passado agora que seu antigo capitão se foi. Louis e o pai moravam no mar, saíam todas as manhãs no maior barco que possuíam com uma modesta tripulação que obedecia o bom homem sem qualquer resistência.

Uma onda de azar tratou de acabar com suas aventuras. Começaram a notar o padrão aumentando, às vezes seu pai só batia o barco em uma rocha e às vezes o prejuízo era maior. Mas, sempre acontecia algo estranho em suas viagens. 

A ocorrência dos incidentes foi aumentando gradativamente, assim como os riscos em cada um deles. E, se o capitão tivesse obedecido os sinais dos mares, Louis não estaria usando aquela perna de madeira estúpida.

Tomar a decisão de subir no barco o fez sentir raiva como nunca. Louis nunca foi o tipo corajoso, e fazer isso requer bravura. Depois de um ano sofrido e necessitado, suas poucas economias haviam se esgotado e coragem era a única coisa que ele não precisaria pagar nada.

A curandeira da aldeia se tornou próxima quando precisou cuidar da perna de Louis, e eles conversavam pela milésima vez sobre o incidente. O único assunto naquelas consultas constrangedoras.

Era uma mulher estranha e Louis nunca questionou seus métodos ou saberes. Quando tagarelou sobre sua onda de azar, cerca de um mês atrás, a curandeira pareceu ter uma ideia repentina e propôs a ele uma solução. Uma que envolvia um ritual.

Tendo crescido no mar, Louis aprendeu a não duvidar desse tipo de coisa. Já havia visto e ouvido coisas que não poderia explicar, um ritual era algo simples com essa visão. Um ritual que não prometia ser só uma oferta de paz ao mar, também o trazendo sua sorte de volta.

A única forma de sustento de Louis era o mar e ele sabia disso. Nunca teve habilidade ou jeito com outra coisa, não importava o quanto tentasse. Então, quando a mulher escreveu o que ele precisaria para o ritual, e ele viu que só seria possível navegando, odiou-se por concluir que jamais teria coragem.

A coragem, no entanto, há de se desenvolver quando se tem um estômago vazio e uma irmã para cuidar.

Não foram precisos mais que dois dias para que Louis percebesse que não havia outra saída. Um mês se passou até que finalmente chegasse essa semana.

Aqui estava ele, tremendo dos pés à cabeça, procurando o terceiro item para o ritual. Uma lágrima de tritão .

A espécie que ele, além de temer, desprezava. A espécie culpada pela falta de sua perna em primeiro lugar.

Três horas de navegação foram suficientes para que Louis desistisse dois dias atrás. Não viu sinal de vida pela água e precisava dormir, ajeitou a bandana no cabelo e se levou de volta ao porto.

O homem ajeitou seu emocional para velejar por algumas horas e voltar cansado por dois dias.

O medo começou a se dissolver apenas para se reconstruir novamente no dia de hoje, quando avistou uma silhueta em meio às rochas.

Ele sabia que encontraria uma beleza extraordinária. As histórias contadas e repassadas por marujos deixam claro que nunca se foi visto uma sereia ou tritão que não fosse belo.

Imediatamente considerou dar a volta, assim que a melodia se iniciou.

“Tenho a flecha do cupido, a riqueza é ilusão”

O estranho era: Louis lembrava vividamente de como se sentiu em seu último encontro com aquela espécie e não parecia a mesma coisa. O canto é o que faz com que o homem seja seduzido, a sensação quando passou por esse encanto era de que nada no mundo o deixaria tão feliz quanto beijar o dono da voz.

E isso não estava acontecendo.

“E só pode consolar-me, meu marujo alegre e bom”

A voz era doce, ainda que completamente assustadora para uma pessoa lúcida.

Quanto mais se aproximava, mais pensava que poderia ter esse fato a seu favor. Fingir estar sendo enfeitiçado e improvisar o resto do plano.

O homem metade peixe se encontrava escorado nas rochas, a parte inferior do corpo ainda dentro da água e a superior nua exceto por um colar de pérolas, junto ao olhar animado por ter feito mais uma vítima. 

Louis sequer sabia se o prazer da espécie era a morte dos marujos ou se faziam deles seu jantar. E não desejava descobrir agora.

“Venham todos, aqui deste lugar”

Reparou em todos os traços hipnotizantes além do canto do tritão em questão. Rapidamente imaginou que um homem encantado provavelmente pularia na água para que chegasse mais rápido, e torceu para que essa diferença de comportamento não ficasse evidente.

Ele ancorou o barco em uma velocidade razoável, perto o suficiente para que conseguisse acesso ao tritão. Fez seu máximo para parecer eufórico enquanto se agachava.

Seu rosto foi tomado por duas mãos geladas e seus olhos encararam a imensidão verde à sua frente. Verde e luxuosa.

“Que amam um bravo marujo cruzando o alto mar”

Conseguia ver porque era tão fácil ser seduzido, os cabelos longos e molhados do homem o faziam parecer celestial. Mas o terror preso na garganta ameaçava voltar.

Quando sentiu as mãos puxando seu rosto e seu corpo em direção a água se lembrou do plano inexistente. Sabia, entretanto, que sempre mantinha uma rede de pesca naquele lado do barco. E em momento algum se esqueceu da lâmina em sua bota.

Fechou os olhos como um homem apaixonado pronto para receber um beijo e esticou a mão esquerda escondida pelo barco em busca da lâmina, não se lembra de ter tido tanto cuidado ao manejar aquele item antes como tinha agora, prezando pela sua vida.

O tritão continuava a puxá-lo aos poucos em direção a si mesmo, pouco faltava para que Louis tombasse de vez na água gelada. Foi quando julgou ser o momento perfeito e deslizou a lâmina no peito da criatura. Somente para ter uma vantagem.

Movimentou-se mais rápido do que calculava e conseguiu jogar a rede sob o corpo à sua frente. O som que o tritão fez era como o de um felino ameaçando sua presa, os dentes afiados se mostrando para a surpresa de Louis.

A rede fez seu trabalho e não permitiu que a criatura fugisse. O marujo daria um sorriso vitorioso se não estivesse completamente apavorado, pensando em como prosseguiria.

— Eu... — A voz saiu sem força e ele pausou para tentar novamente. — Eu não desejo te matar. Só preciso que me dê uma lágrima.

Em momento algum, nem mesmo com a lâmina cortando seu peito, o tritão pareceu assustado. A única emoção visível era a raiva e foi reforçada com o pedido de Louis. Os olhos verdes e bonitos absorviam a escuridão da noite e ficavam mais ameaçadores.

— O que te faz pensar que te darei o que deseja, marujo? — O tom era diferente de quando cantava, o adocicado já não existia mais.

— Bom, eu posso cravar essa lâmina em seu peito. — Louis disse, convencido. 

— Está enganado. — Chegou a cogitar ter visto um sorriso, mas só poderia ser loucura. — Deixarei que me mate, mas não lhe darei o que deseja.

Louis não sabia o que fazer devido às circunstâncias, não considerou que isso seria um problema.

— Não teme a morte? — Perguntou confuso. A voz ainda espremida em uma tentativa de ser imponente.

— Há muitas coisas piores que a morte, querido. — O apelido faz com que outra onda de arrepios corra pelo corpo de Louis.

E ele estava blefando. Matar a criatura não era uma opção, pois não lhe traria nenhum benefício. Não poderia voltar para casa de mãos vazias mais uma noite, não havia somente seu estômago para alimentar.

— O que está fazendo? — Foi o primeiro traço de confusão na voz do tritão que Louis ouviu, quando se inclinou para fechar a rede a puxá-la.

— Estou te levando comigo. Não vim até aqui por uma negociação, espero que ficar fora da água seja uma das coisas piores que a morte na sua lista. — Usou toda sua força para içar a criatura, o tempo de pescaria caindo bem em seus músculos.

Até então não tinha visto a cauda do tritão, e o colocando no barco reparou que a cor combinava com seus olhos, os dois transitavam entre tons de verde e amarelo. Hipnotizante.

Não teve muito tempo para admirar pois, assim que a criatura estava totalmente fora da água, viu a cauda se dissolver como se fosse apenas uma pintura. Em seu lugar, as pernas humanas se revelaram.

Agora era completamente um homem.

— Ficar fora da água não me afeta. — Deu risada. Já não era uma tão confiante como antes.

— Talvez não dessa forma, mas com o tempo tenho certeza que irá preferir cooperar. — Olhou o sangue lentamente escorrendo pelo corte que fez segundos atrás. — Acredite em mim, sei bem como é torturante ficar longe do mar.

O homem de cabelos longos puxou as novas pernas para perto de si, se encolhendo no barco que mal cabia duas pessoas. Aparentava inseguro mas observador e potencialmente perigoso.

Nem mais uma palavra foi dita.

Louis fez seu caminho, não estava mais imerso naquele silêncio aterrorizante de minutos atrás. No lugar, tinha uma versão pequena da sensação de seus anos como pirata, seus anos de improvisar planos e conquistar bens alheios.

Rapidamente chegaram ao porto de onde saiu mais cedo, pois não tinha se afastado drasticamente da vila. Quando amarrou o barco, puxou uma grande quantidade de ar e se preparou para carregar o homem ferido e envolto por uma rede de pesca até sua casa. Preferencialmente sem ser visto.

Passou um braço por baixo das coxas frias e pálidas do tritão e o outro apoiou suas costas. Assim o levou pela aldeia, na ponta dos pés, até sua pequena casa.

Sabia que sua irmã mais nova, Calissa, não costumava dormir ali em noites que ia ao mar. A menina não suportava a ideia de ficar sozinha e tomava a cama extra de sua vizinha que adorava sua companhia. Às vezes, ela passava dias fora de casa. Sentia a culpa recair sobre si, Louis não sendo o bom irmão mais velho que queria ser. Mas, por esse motivo, pôde respirar aliviado quando finalmente fechou a porta atrás de si.

Usou a mesa mais próxima para apoiar o tritão e retirar a rede de pesca que o cobria. Sabia que precisava cuidar do corte que fez em seu peito, não pretendia deixá-lo desamparado. A menos que tal atitude fosse necessária.

E, como esperado, o de cabelos longos usou de sua força assim que foi liberto das cordas grossas da rede. Empurrou Louis pelos ombros e novamente colocou seus dentes afiados à mostra, chegou até a conseguir espaço suficiente para fugir.

O que teria acontecido, se não tivesse desabado ao chão assim que perdeu o apoio da mesa e do corpo quente do marujo.

— Não sabe usá-las. — Foi o que Louis observou, era como ver um filhote aprender a andar enquanto o tritão tentava se levantar.

Nunca em sua vida havia recebido um olhar mortal como naquele momento. O verde escurecido pela raiva aparecendo em meio aos fios de cabelos que caiam no rosto do homem. Fios que, por sua vez, não pareciam mais tão molhados quanto antes.

— Eu vou dar um jeito no corte. — Louis apontou para o sangue destacado no peito pálido do outro e tornou a se aproximar. Pretendia ajudá-lo a se levantar.

— Não ouse. — A voz saiu mais rápida e ameaçadora do que nunca.

— Vai me atacar e fazer o que? Rastejar até o porto enquanto sangra?  — Com sua vantagem, sabendo que o tritão não seria estúpido, abaixou-se e voltou a ser seu apoio. — Existem pessoas piores que eu nessa aldeia, não vai querer cair nas mãos delas.

O tempo usado para limpar a ferida do homem foi passado em completo silêncio. Mesmo quando Louis sabia que sua mão de pescador não estava sendo delicada, o tritão não demonstrou sua dor.

Terminava de passar uma faixa por seu peito quando decidiu fazer perguntas. 

— Você tem um nome? — A calmaria de Louis assustava até o próprio. Especialmente para uma pessoa que ainda não sabia como dormiria sem correr risco de ser assassinado.

A criatura pareceu surpresa e duvidosa pela pergunta. Considerou se deveria responder e chegou a conclusão de que não seria prejudicial.

— Harry. — Ele deixou escapar e respirou especialmente trêmulo pelo aperto de Louis na faixa.

— É um belo nome. — Resolveu testar o som em sua voz. — Harry.

O olho do tritão não perdia seu foco em Louis.

— Deseja tomar um banho antes de dormir, Harry?

Um traço de confusão percorreu o rosto do ser. Não sabia o que deveria responder.

— Não sabe o que é um banho. — O marujo deixou escapar um pequeno riso mesmo que repreendido. — Nós, humanos, entramos na água para ficarmos limpos.

— Água? — Se fosse um felino, teria as orelhas levantadas nesse exato momento.

Louis resolveu tomar aquilo como um sim.

Novamente usou os braços para conseguir levantar o tritão, colocando-o na cadeira mais próxima. Até então a adrenalina não tinha o deixado perceber a nudez de Harry como constrangedora, mas no último segundo se tornou muito ciente disso.

— Vou preparar a banheira. — Disse por último. Tomando seu caminho até o banheiro, que não era muito distante pela simplicidade da casa.

Fez o que disse e chegou a se perguntar se na banheira caberia mesmo aquele homem com suas pernas longas.

— Te levarei até lá e o resto você fará sozinho. É só se limpar. — Louis voltou até onde Harry se encontrava, sentado e impaciente. — Me chame quando terminar.

Dobrou as barras da camisa, com as mãos molhadas por ter checado a temperatura da água, e voltou a pegar o homem no colo pela milésima vez na última hora. Ele não mais relutava a esse ponto, ainda mantendo suas mãos para si mesmo.

Foi um pouco complicado colocar Harry na banheira, o tritão estava intrigado com a água. Chegou reclamar sobre aquele "pedaço de mar" ser tão pequeno.

Logo Louis se retirou do banheiro, fechando a porta depois de instruir como Harry faria para se limpar. Tratou de tirar a rede de pesca do meio da casa e arrumar a bagunça que fez no processo de limpar o corte do outro.

O que despertou o marujo da limpeza minutos depois foi a voz familiar do tritão. Cantando.

Ainda era a mesma melodia que ouviu anteriormente, e Louis logo colocou seus pensamentos no lugar. Era uma nova tentativa para o que não o afetou anteriormente.

Tentativa essa que tornou a não funcionar.

Algo sobre a aura geral do de olhos verdes parecia diferente quando Louis foi chamado. Ele estava mais calmo, mais calculista por assim dizer e seu plano começaria ali sem a percepção do marujo.

Foi colocado em uma camisa branca do marujo e uma calça que poderia ser descrita como verde caqui. Foi difícil de ser aceita, Harry simplesmente odiou a ideia de vestir aquilo sobre as pernas. Mas, após extrema resistência, foi colocada com uma observação sobre a cor se aproximar da cor de suas escamas.

Também comentou sobre nunca ter visto seu cabelo daquela forma antes (seco) quando viu o reflexo na garrafa de rum que Louis se servia.

— Isso é álcool. — Ele informou, metade envergonhado por suas condições e metade já anestesiado. — Não tenho mais nada para oferecer hoje.

Harry o ignora, entretanto. Já sabia o que era aquilo, anos no mar ouvindo homens perderem o controle e culpar o álcool, e escolheu não pegar um copo.

— Por quê não funciona? — Ele pergunta repentinamente. — O canto, com você, não funciona.

— Não faço ideia. — Louis responde, virando o rum amargo.

Não era hora de completar respostas e dizer verdades. Mas se fosse, o marujo teria acrescentado o fato de que o canto específico de Harry não funcionou. Porque a casa vazia era prova de que uma vez um canto havia funcionado.

O tritão tinha outra coisa em mente enquanto Louis estava distraído pelos seus pensamentos e o estômago aquecido pela bebida. Ajeitou-se na cadeira que sentava e levantou uma mão delicadamente para alcançar o braço do marujo em pé a sua frente, viu uma sobrancelha dele se levantar em confusão pelo toque, mas continuou. Apoiou-se nesse contato para conseguir se colocar de pé, os rostos agora extremamente próximos.

— O que você está fazendo? — Era uma pergunta estúpida que, mesmo com a mão de Harry percorrendo um caminho de seu abdômen a seu peito, fora necessária.

Louis estava encolhido como se estivesse encurralado, quando poderia simplesmente se mover e sair daquela situação, e o homem à sua frente era o predador olhando sua presa. Chegou até mesmo a umedecer os lábios levemente enquanto continuava a se inclinar.

Nem se fosse estúpido teria caído naquela jogada. Harry obviamente buscava o seduzir de outra forma já que as canções não tinham efeito, e estaria fazendo um ótimo trabalho se o marujo não tivesse pavor daquela criatura por trás do show.

Largou o copo na mesa ao seu lado e rapidamente reverteu os papéis de dominância. Ouviu o suspiro de surpresa do tritão quando o pegou no colo repentinamente, acabando com seu plano.

Dessa vez, pela proximidade e susto, braços envolviam seu pescoço.

— Você dorme aqui. — O marujo disse e caminhou até a cama pequena que se encontrava ao canto do cômodo.

Abaixou-se e deitou Harry com pouca delicadeza, ele já estava pronto para explodir de raiva. Recusado pela segunda vez em apenas um dia.

— E eu vou estar na cama da minha irmã. — Informou, apontando em direção ao quarto. — Espero que esteja disposto a cooperar amanhã, Harry.

E assim se retirou.