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Chapter Twenty Three - The Way I Loved You
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O natal era a época favorita de Luana porque era o feriado favorito de sua mãe. Dessa vez a casa da família Watterson estava cheia, tinham algumas pessoas da família de Elsie e sua tia Deby também estava ali, com a sua barriga de 5 meses e com seu tio Sheldon, todos reunidos para a melhor ceia que a sua avó poderia ter feito. Luh estava no sofá, descansando depois de horas cantando as melhores músicas de natal no karaokê.
[21:37] Finn: Feliz Natal, Luh ❤️ To ansioso pra te ver
[21:38] Luana: Feliz Natal, também estou ❤️❤️
[21:38] Luana: O baile é em três dias, relaxa
Luana decidiu bloquear o celular quando ouviu a voz de sua tia no outro sofá.
— Ele está chutando, Luh, você não quer sentir? — A garota se animou sentando do lado da tia e colocando a mão na barriga dela, sentindo os chutes ritmados do bebê.
Ela olhou para o seu tio, ele estava perto da cozinha conversando com Luke. Ela e Luke estavam usando os seus suéteres de natal, costurados pela sua mãe. Phoebe tinha o costume de fazer um para cada todo ano e desde que ela se fora, os irmãos os usavam, todo o natal em sua homenagem.
— Meu Deus… não vejo a hora de conhecer o meu priminho!
— Estamos todos ansiosos! — Sua tia sorriu e ela sorriu de volta. Luana queria focar naquilo ao invés dos seus pensamentos, mas Deby parecia conhecer bem demais a sua sobrinha. — Mas com quem você estava conversando naquele celular?
— Era o meu namorado.
— Ah, o Finn? Perguntei porque você não parecia muito animada, aconteceu alguma coisa?
— Não… Tá tudo bem. — Luana tentou sorrir.
A verdade era que realmente estava tudo bem. Os últimos dois meses desde o dia do seu aniversário foram os mais tranquilos de todos e ela não se via em paz em muito tempo. Mas a monotonia era estranha demais para ela, afinal, ela devia estar feliz com o seu relacionamento, com as suas escolhas, mas alguma coisa não deixava que ela se sentisse completa. O que Luana achava um absurdo, ela se recusava a se sentir assim.
Ela ainda não sabia dizer se o tempo melhorava as coisas, mas conseguia deixar menos pior. Os seus amigos aos poucos voltaram a se falar e as coisas voltavam a ser como eram, com exceção de Fredderick e Larissa, que vez ou outra arrumavam motivos para se bicar. Até Augusto cumpriu a sua palavra e os ressentimentos ficaram no passado, mesmo ele se mantendo afastado na maioria do tempo. E talvez esse fosse problema.
— Sabe Luh, quando eu engravidei, não sabia quem era o pai, eu e o seu tio nos separamos, eu tive alguns pequenos encontros, e estava me recusando a fazer um teste de DNA, mas acho que eu só estava tentando adiar o inevitável.
— Ele é mesmo o pai?
— Não ficaria surpresa se eu carregasse esse bebê por 9 meses e ele nascesse igualzinho ao seu tio.
— Eu fico feliz que vocês tenham conseguido se acertar.
— Eu também, apesar de no começo eu não querer isso, mas tem coisa que a gente não consegue evitar, sabe?
— Como assim? — Ela franziu a testa.
— Teve uma hora que eu apenas caí na real de que amava aquele homem. Ele sempre esteve em momentos marcantes da minha vida, não importasse o quanto a gente brigasse. — Luana tentou manter o sorriso, coçando a palma das mãos um pouco ansiosa. Ela pediu licença para a sua tia quando viu Luke perto da porta, vestindo os casacos como se fosse sair, ela queria perguntar, mas o seu pai os interrompeu.
— Vocês dois, se forem sair, não voltem tão tarde e não se esqueçam de responder os cartões de Natal. — Ele acenou com uma taça de vinho na mão, o que fez Luana enrugar o nariz olhando para Luke, que respondeu ao pai sem pensar muito.
— Pode deixar, pai. — Luke acenou.
— Inclusive, Luke, o Augusto não vem?
Era quase tradição. Nunes sempre aparecia na casa da família Watterson em alguma hora da noite no Natal. Mas não daquela vez
— Hoje não pai, mas ele disse que vem amanhã, e desejou feliz Natal pra todo mundo.
— Fale o mesmo para ele e pra família dele.
— Pode deixar.
O senhor Watterson concordou sem fazer mais perguntas e Luana olhou para o irmão finalmente entendendo que ele ia de fato sair.
— Onde você vai?
— Ice Village.
— E não ia me chamar?
Luke estava estranho quando se tratava não só de Augusto, mas também de outras coisas. Aparentemente as coisas com Lara também não caminharam bem, ela não entendia direito porque nenhum dos dois quis conversar a respeito e isso influenciava nas atitudes do irmão. Ele parecia o mesmo Luke de sempre, o mesmo melhor irmão mais velho que ela poderia ter, mas, ao mesmo tempo, parecia outra pessoa. Em alguns momentos ele aparentava estar feliz demais, em outras nem tanto. E aí ela se questionava se estava realmente tudo bem. Parecia que todo mundo mascarava alguma coisa.
— Ia jogar hóquei com o Augusto e o Freddy. Não achei que você iria querer ir.
— É claro que eu quero ir! — Luke ficou surpresa com a rapidez da resposta da irmã. Luana respondeu tão rapidamente que surpreendeu até ela mesmo. Num passado não tão distante ela jamais faria questão de ser convidada para passar uma noite ao lado de Augusto Nunes, mas naquele momento ela estava aceitando qualquer distração.
— Quer saber, chama logo todo mundo então.
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O Ice Village ficava em Cathedral Gardens e era uma das atrações favoritas de Manchester. Luana marcou para que todos se encontrassem na caverna de gelo, perto da pista de patinação e do mercado de Natal. Estava sendo uma noite agradável até com a sua família e os seus melhores amigos, apesar da angústia estranha que sentia.
Larissa estava patinando de um lado do gelo com Rebecca, enquanto os garotos jogavam do outro. Luh até estava se divertindo com os garotos, até o momento que perdeu o equilíbrio nos patins e caiu em cima de Augusto. Foi quase constrangedor e ela tratou de levantar depressa, sem dizer uma palavra, mas arrumando uma bela desculpa para ir até o Ice Tiki Bar, que era onde Lara estava desfrutando de cocktails exóticos.
— Você não vai patinar? — Perguntou Luh se apoiando ao lado da amiga no balcão.
— Estou muito bem aqui. — Lara respondeu sutilmente com um meio sorriso antes de sugar o conteúdo do seu copo com o canudo.
Ultimamente era o que Lara sempre respondia para tudo. Mesmo depois de ter saído da torcida e terminado o seu relacionamento com Elliot. Era como se tudo tivesse dado errado para dar certo e Lara parecia mais leve.
— Esse natal tá sendo diferente, né? — Luana tentou puxar assunto, sem saber bem onde queria chegar.
— Um pouco. — Lara deu de ombros. — Foi um ano diferente.
— Pra melhor?
— Não sei… Acho que sim, você não acha?
— Acho, mas tudo poderia estar mais perfeito…
Luana achou que a conversa terminaria ali, mas o pequeno suspiro que soltou prendeu a atenção da melhor amiga que ergueu as sobrancelhas e tocou o seu braço chamando a sua atenção.
— Você quer me falar alguma coisa, Luana?
— Não sei, Lara, acho que fiz besteira.
— Em relação à? — Luh direcionou o seu olhar para Augusto. Falar aquilo em voz alta era uma coisa séria para ela. Era dar voz aos seus pensamentos para alguém além do seu subconsciente e admitir que sentia que algo estava errado. Era quase impossível controlar aqueles sentimentos. Mas o olhar de Lara era tão acolhedor, tão compreensível a qualquer atrocidade que ela pudesse lhe falar que ela se sentiu confortável para dizer. E lhe contou tudo o que aconteceu nos últimos meses envolvendo Augusto e sobre principalmente o dia do seu aniversário. — Eu acho que errei. Eu devia ter ouvido, eu queri muito ouvir o que ele tinha pra dizer… Porque acho que também tinha muita coisa pra falar, Lara. — Augusto patinou perigosamente perto de onde elas estavam e claro que o seu olhar tinha que cair no dela. Luana teve que desviar rapidamente, mesmo que ainda ficasse marcado na sua memória como ele ficava bem em cima daqueles patins, com as roupas de frio e o vento balançando o seu cabelo. Ela odiava tanto gostar dele que alterava a voz sem ao menos perceber. — Na hora eu não pensei direito. Pensei em Finn e em como eu estava feliz e eu não queria que o Augusto destruísse isso, mas de uns dias pra cá, sei lá... sinto como se alguma coisa não estivesse certa. Isso é terrível!
— Luana, calma, por que você está tão irritada?
— Por que não parece ilógico mudar tudo que está perfeitamente bem?
— Você não precisa ser lógica o tempo todo e sabe… nunca é tarde demais.
Lara lhe lançou uma piscadela, mas a confusão ainda era presente na face de Luana. Baseado em que Lara estava falando aquilo? Mas antes que ela pudesse perguntar, Larissa apareceu entre as duas.
— Vocês também não odeiam gente apaixonada? — Ela perguntou apoiando os cotovelos no balcão. Lara enrugou a testa tentando entender a quem ela estava se referindo, mas foi Luana que perguntou.
— De quem você tá falando?
— Rebecca e Daniel. — Imediatamente as três olharam para o casal que patinavam lado a lado. — Senti que eu estava atrapalhando alguma coisa ali.
— Desde quando você é tão amarga quando se trata de amor? — Lara questionou.
— Desde quando… — Luana começou.
— Nem se atreva, Luana! — Lari a olhou mortalmente, o que fez Luana se calar na mesma hora. Ambas sabiam que aquilo tinha relação com seu término com Frederick. — Ele teve a cara de me ajudar com os patins.
— Isso é ruim?
— Claro que é ruim. Por culpa dele tudo isso começou. Me faz lembrar porque eu desisti de vez da família Moncoky, sabe o Augusto tinha razão. São muito complicados.
— Você ainda gosta do Freddy. — Afirmou Lara e Larissa revirou os olhos.
— Mas é claro que eu ainda gosto dele. — Afinal, eles tinham trocado “eu te amos” aquele sentimento nunca iria sumir tão rápido e era o que deixava Larissa com mais raiva ainda. E de certa forma, Luana conseguia compreendê-la perfeitamente. — Que ódio, por que são tão maravilhosos? Por que não tiveram a honra de serem os piores? — Lari comenta e as garotas riem enquanto observavam os garotos. — Acho que vou voltar pro jogo, quem sabe tenho a chance de derrubar o Freddy.
— Acho que vou com você. — Lara se levantou do banco. — Você vem, Luh?
Luana olhou para o ringue. Para Augusto. E balançou a cabeça negativamente.
— Sem chance.
Lara revirou os olhos. Ela nem queria jogar, mas sentia ter a missão de tirar Luana dali e resolver qualquer impasse que envolvesse os seus sentimentos, então se deu o trabalho de calçar os patins e entrar no gelo. Ela patinava bem e conseguiu passar por Luke despretensiosamente e apenas dizer:
— Fala com a Luana.
Ele a olhou enquanto ela patinava graciosamente para longe, se perguntando o que ela queria dizer com aquilo. Lara o encarou torcendo para que ele tivesse entendido, mas ele ainda a olhava confuso. Então ela indicou com a cabeça todos os possíveis problemas, o que fez Luke refletir sozinho por alguns segundos.
Porque tinham duas coisas que Luke vinha escondendo muito bem e alguma ele ia precisar contar para sua irmã.
Ele aproveitou que Freddy e Larissa entraram em uma pequena discussão sobre quem ficaria no gol, atraindo a atenção de Augusto, Daniel e Rebecca, para ir até a irmã que brincava com o canudo do copo.
Ela ergueu o olhar quando Luke se aproximou.
— Luh, tenho que te contar uma coisa.
— O quê?
— Você tinha razão, eu tenho andado meio estranho, esses dias, mas é que aconteceram algumas coisas.
Luana ergueu uma sobrancelha, sentindo que ela não ia gostar muito do que estava por vir e não tinha paciência para enrolação do irmão.
— Fala logo, Luke!
— O Augusto. — Ele soltou sem pensar muito, ainda sem saber se era uma boa ideia. Mas ele ouviu o conselho de Lara, ela lhe disse para contar, então ele faria. — Eu não sei se eu devia te contar, mas…
Mencionar o nome de Augusto deixou a situação mil vezes mais complicada para ela. Seus sentimentos estavam confusos, sua mente pior ainda, e aquilo era como se fosse o sinal que ela precisava para organizar tudo. Sua atenção ficou sensível a cada palavra que saia da boa do irmão.
— O que tem ele?
— O Augusto vai embora, e eu sei que pra você pode não ter tanta importância, mas pra mim tá um pouco difícil me acostumar com essa ideia e…
Luke não conseguia encará-la, mas quando finalmente teve coragem para tal ato enquanto falava, Luana olhou para Augusto como nunca olhou nos últimos meses, atraindo o olhar dele. Ele encarou de volta tentando entender tudo aquilo. Olhou para Luke também, mas nem o irmão poderia imaginar o que se passava na cabeça de Luh.
Ele estava tão errado. Para ela tinha muita importância. Tanta importância que as suas mãos tremiam e ela espremeu os dedos dos pés dentro do tênis, agradecendo por não estar no gelo, caso contrário ela não saberia se com o baque da informação conseguiria ficar de pé.
Ela saiu do transe poucos segundos depois enquanto Luke tentava chamar inutilmente a sua atenção, assim como também saiu do estabelecimento, sem que Augusto pudesse se quer ter a intenção de ir até ela.
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— Vai, Luana pode falar. — Foi a primeira coisa que Larissa disse naquela noite quando James, o seu par para o baile, saiu para buscar bebidas e deixou as duas garotas sozinhas. Lari já deveria prever as palavras da melhor amiga depois de tanto tempo sob o olhar desaprovador de Luana sobre o seu par. A verdade era que desde que rompeu com Freddy, Larissa escolhia os piores encontros possíveis. Luana, naquela noite, estava aflita, e decidiu focar em Larissa e seus relacionamentos para tentar sair do choque que se encontrava desde a noite de natal, três dias atrás.
— Não acredito que se prestou ao papel de vir ao baile com o James.
— Eu não tinha mais alternativa.
— Eu tinha insistido pro Luke vir com você.
— Ele realmente ficou em casa?
— Ficou.
Na cabeça de Luana, Luke estava abalado, sem desconfiar dos outros motivos que mantinham o irmão em casa naquela noite.
Era o que Luana também queria ter feito. Ela se manteve isolada nos últimos três dias e o seu plano era só sair do quarto quando soubesse o que fazer, mas o que ela mais temia era nunca saber. E ela teve que fingir. Fingir para o seu namorado que estava tudo bem e para todo mundo. E até aquele momento ela ainda estava fingindo. E pensando.
Luke estava abalado. Ela olhou para a amiga. Será que Larissa sabia? Será que todos sabiam e ela era a única pessoa de quem Augusto escondeu aquele segredo?
No palco, Lara não achou que pudesse começar a surtar no dia do baile. Não do baile que ela passou meses organizando, mas que agora estava terrivelmente ameaçado já que o DJ que ela contratou avisou minutos antes que não ia poder comparecer.
— O que ela tem? — Augusto perguntou para Daniel e Rebecca enquanto observava Lara andar de um lado para o outro. Eles estavam atrás do palco ouvindo a banda contratada iniciar a sua última música e até aquele momento estava dando tudo certo.
Augusto tinha acabado de chegar. Ele nem sabia direito o que tinha ido fazer ali. Luke desistiu de ir e ele nem mesmo tinha um par. As coisas com Allison não acabaram bem. Ele achava a ideia de se mudar tão péssima que não conseguia sentir animo para mais nada.
Muito menos ficar horas vendo a garota dele dançar a noite inteira com outro cara.
— Ela está surtando. — Daniel cochichou, mas Lara tinha os ouvidos apurados.
— Não estou surtando! Eu vou surtar se não conseguir um DJ em dez minutos.
— O Daniel pode tocar. Ele é DJ. — Sugeriu Rebecca olhando para ele. Ela lembrava de todas as músicas que Daniel tinha lhe mostrado e aquela parecia uma boa ideia para resolver o problema de Lara.
— DJ é uma palavra muito forte.
— Pelo amor de Deus, Watson, faça isso. — Disse ela. A estrutura já estava toda montada, ele só precisava subir no palco e dar o melhor de si.
— A Rebecca fica com você o resto da noite. — Augusto sorriu sugestivamente, fazendo Daniel querer matá-lo com os olhos e Rebecca corar imediatamente. Não era uma ideia nada má para ela. Eles concordaram em ir ao baile como amigos caso não encontrassem ninguém, mas Rebecca começava a desconfiar de que aquilo era só uma desculpa para não admitir que usar o rótulo de ‘amigos’ era melhor do que ver o outro com outra pessoa naquela noite.
— O que…?
Augusto olhou para Daniel o incentivando. Afinal, todos os garotos sabiam que se separar de Rebecca nunca foi a vontade de Watson, mas depois do acidente ele tinha que respeitar a vontade dela, passar todos aqueles meses na friendzone não foi nada fácil para ele. Nunes sabia que apesar de não admitir, Daniel ainda possuía esperanças que aquele status entre eles fosse mudar. Isso foi o suficiente para assumir uma postura mais confiante.
— Ai eu vejo vantagem. — Disse ele sorrindo para ela, que surpreendentemente sorriu de volta. — Eu ficaria mesmo sem a Lara pedir.
Na pista de dança, Luana sentia e podia ver uma verdadeira guerra fria acontecendo. Larissa e Freddy dançavam com os seus pares, mas eles não conseguiam tirar os olhos um do outro. Já Luh, mal conseguia olhar Finn nos olhos enquanto dançava com ele. E dizer que ela não procurou Augusto com os olhos nenhuma vez naquela noite era uma falácia das grandes.
— Você tá se divertindo? — Ele perguntou atraindo o olhar de Luana para ele.
— Claro.
— Não senti muita confiança.
— Só estou um pouco nervosa para cantar, só isso. — Ela tentou disfarçar, mais uma vez desviando o olhar. O que talvez tivesse sido um erro, porque foi no mesmo momento que viu Augusto Nunes sair de trás do palco com Lara. Ele estava tão bonito com aquele terno despojado que ela quis disparar na sua direção. Vê-lo ali era difícil porque todo o tempo que Luana passou tentando esquecer, voltou para a sua mente novamente. Mas as lembranças não voltavam sozinhas, elas traziam de brinde a saudade e os sentimentos. Voltava tudo o que esteve tentando esquecer. Ela não queria vê-lo de novo. Não queria que aquela louca vontade de tê-lo só para ele voltasse. Mas querendo ou não, era uma de suas maiores vontades. E como ela poderia se sentir assim encarando Finn enquanto dançava com ele?
Aquela situação estava ficando insustentável para ela.
— Eu preciso ir ao banheiro.
Não esperou uma resposta vindo dele e saiu correndo em direção ao corredor do banheiro, finalmente encontrando Lara no caminho que estava entre dois rapazes na escada arrumando a faixa da entrada principal, mas ela não parecia nada paciente.
— Já chega! Não recrutei vocês para filmar “A Vadia de Blair”. Agora ao trabalho, ou amarro vocês e os faço assistir filmes de autoajuda até sangrarem empatia. — Ela falou, batendo palmas enquanto os garotos se dispersavam.
— Por que os atura? — Luana tentou perguntar calmamente. Naquele nível, em um pico de adrenalina, seu coração estava disparado, ela estava transbordando e no momento só precisava derramar tudo.
— Porque são bons. Lidar com talento é um pesadelo. — Lara bufou coçando a têmpora. — Acredita que quase ficamos sem música? A sorte é que o Watson aparentemente sabe fazer algo que preste e temos um novo DJ. — Comentou empolgada. Luana sabia que se deixasse Lara não ia parar de falar. Ela segurou suas mãos puxando sua atenção junto.
Quando viu, já tinha despejado tudo em cima da amiga.
— Lara, o Luke me contou tudo.
A primeira reação de Lara foi puxar Luana para dentro do banheiro e só começar a falar após conferir se as cabines estavam vazias.
— Contou? — Questionou, apreensiva sobre o que ‘tudo’ queria dizer.
— Você sabia que o Nunes vai embora? Ele vai embora. — Luana reafirmou. Ela tinha que dizer várias vezes porque se recusava a acreditar. — E eu estou surtando com isso.
Assim que Luana externou aquilo, ela lembrou do que Lara lhe disse no Ice Village, no que aquela conversa significou para ela e a ficha pareceu cair. Nos últimos três dias ela ficou refletindo que Augusto jamais voltaria para a escola, eles jamais continuariam a ter aula de literatura juntos. Eles não iam se formar juntos. Uma cadeira no refeitório da mesa deles sempre ficaria vazia. Eles não tocariam mais juntos. Ela nunca mais ia deitar na cama dele e observar o por do sol no teto de vidro do seu quarto. Ou brincar com o seu cachorro.
Ela percebeu que ia perder para sempre o vizinho insuportável que ela mais odiava na vida.
— Lara, eu não quero que ele vá embora.
Lara abriu a boca em choque. Primeiro porque não era o que ela esperava ouvir, mas para a sorte de Luana, ela sabia o que fazer. Lara sabia da influência que podia ter nas atitudes da amiga, e se aquele ano ensinou alguma coisa para ela, foi ser uma pessoa mais direta. A vida não espera por ninguém. Ela não estaria feliz e satisfeita se não tivesse feito isso meses atrás. Na sua opinião, era o que Augusto e Luana mereciam.
— Então diz isso pra ele. E diz agora.
— Não posso. — Luana arregalou os olhos. Nunca em um milhão de anos ela achou que Lara fosse dizer aquilo. Afinal, Luh tinha namorado que era a melhor coisa que ela poderia pedir… E mesmo assim, não estava satisfeita.
— Pode e deve. Chega de desculpas, Watterson. — Reafirmou Elizabeth. — O Augusto é uma pessoa importante pra gente e aposto que ele tá sofrendo muito com isso. Ele merece saber. Acho que faria toda a diferença.
Luana queria poder dizer que tinha certo medo de todo aquele apoio, porque parecia o empurrão necessário para ela mudar todas as suas certezas. Afinal, Finn era perfeito, como ela poderia não amar alguém perfeito?
Um barulho abrupto vindo da porta as interrompeu e as duas olharam para a porta ao mesmo tempo. Rebecca entrou no banheiro quase tão aflita como Luana.
— Estou surtando. — Foi o que ela disse antes de se juntar as amigas perto da pia.
— Lá vem a outra confusa. — Falou Lara. Ela sabia que muito mais além de organizar todo o baile, ela também teria que reservar algum tempo para ser uma boa amiga.
— Daniel me beijou. — Luana abriu a boca, quase em choque de felicidade, mas foi Lara quem falou primeiro.
— Você queria que ele fizesse! Ficou esperando por isso. — Rebecca a olhou feio e lhe deu um tapa no braço. Lara? Apoiar um romance entre Rebecca e Daniel? Quem era Lara Elizabeth o que tinham feito com a sua amiga?
— Isso é algo bom, certo? — Perguntou Luana ainda confusa.
— Achei que ele nunca mais faria isso…
— Não pode culpá-lo, você quis assim. — Lara relembrou.
— Eu sei… Eu sei disso. — Rebecca abaixou a cabeça pensando. — Só não imaginava que esse beijo ia reacender tanta coisa dentro de mim… E por que diabos você está defendendo o Watson?
— Não sei, realmente não sei! Nesse ponto do ano eu só quero que todo mundo seja feliz. — Ela sorriu e Luana trocou um olhar com Rebecca pensando no que teria acontecido para que Lara Elizabeth mudasse tanto em tão pouco tempo.
— Você usou alguma droga por acaso? Você está esquisita. — Luana segurou o rosto da amiga tentando checar os olhos dela.
— Eu não usei nada, e se eu fosse vocês eu parava de perder tempo aqui nesse banheiro. — Lara riu se livrando das mãos de Luh e começando a se afastar.
— Lara, você vai sair? Nós estamos no meio de uma crise aqui! — Perguntou Becca.
— Vocês duas já sabem o que fazer! Eu vou la tentar impedir o Freddy e a Lari de estragarem a noite. Boa sorte! — Elizabeth gritou antes de sair do banheiro.
Rebecca olhou para Luana e deu de ombros. Luh a olhou incrédula.
— Becca, onde você vai?
— Fazer o que a Lara disse. Ela tem razão, sabe, acho que já perdi tempo demais.
— Você vai me deixar aqui sozinha?
— Você não tem que ficar aí sozinha. E se eu fosse você… — Ela se aproximou o suficiente para falar no ouvido de Luana quando algumas garotas entraram no banheiro. — Iria logo antes que o Nunes fosse embora. Ele nos disse que não ia ficar muito tempo.
Rebecca piscou e saiu logo em seguida, deixando Luana pensando que ela não tinha mais tempo nenhum para pensar.
Quando saiu do banheiro, Luana procurou pelo namorado por todos os lugares. Se ela ia fazer aquilo, precisava fazer direito, ou pelo menos o que causasse menos danos. Ela finalmente o encontrou quando abriu a porta que levava à saída do ginásio pelo corredor principal. Finn estava parado ali, encostado na parede. Ele a olhou compreensivo, e Luana saiu de onde estava, deixando a porta se fechar, privando o corredor do barulho da música agitada que começara a tocar. Assim que se aproximou, ele a abraçou.
— Finn… — Disse ela com o rosto encostado no peito dele. Finn passou a mão pelos seus cabelos e a pousou delicadamente na nuca dela. — Eu preciso…
— Não precisa. — Ela se afastou o suficiente para olhar para ele.
— Mas você nem sabe o que eu ia falar.
— Eu sei, e tá tudo bem. — Ele deu de ombros, apesar daquilo ser difícil. Não passou despercebido por ele como Luana parecia estar avulsa naquela noite e ela só pareceu se encontrar quando seus olhos encontraram Augusto. E pareciam procurar por ele o tempo todo. — Eu já deveria ter percebido que não dá pra competir com o Nunes. Mas que ele é muito idiota, desculpe, isso eu não posso deixar de ressaltar. — Por um momento, Luh quase riu. Para quem estava levando um fora, até que Finn parecia bem.
— Você foi uma das melhores pessoas que eu conheci esse ano.
— Você também foi uma das melhores pessoas que eu conheci esse ano, Luh, espero que a gente possa continuar amigos.
— Claro que sim. — Ela sorriu e pulou nos ombros dele conseguindo um forte abraço.
— Certo, vai logo fazer o que você tem que fazer.
Com um último beijo na bochecha, ela se despediu de Finn e voltou para o baile.
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— Espero que vocês estejam curtindo muito, mas fiquem perto dos seus pares porque é a hora de desacelerar o ritmo. — Falou Daniel ao microfone quando Luana se aproximou. Era a vez dela cantar e ele finalmente teria um tempinho para despejar qualquer resquício de sentimento em cima de Rebecca. — Boa sorte, grande estrela!
Ele passou por Luh, entregando o microfone para ela, que parecia mais nervosa que o habitual.
— Obrigada, Daniel. — Ela sorriu de volta para ele e entrou no palco.
Nos fundos, Rebecca veio correndo na sua direção e pulou em cima dele, o abraçando forte pelos ombros.
— Você tá arrasando. — Ela disse o segurando enquanto ele retribuia o abraço.
— Eu sei.
— Convencido.
— Quer dançar?
— Claro. — Rebecca segurou a mão de Daniel e eles se dirigiram até a pista de dança, ouvindo a música que Luana cantava, mas alheios a todo resto. — Mas você ta usando isso de desculpa pra ficar mais perto de mim e me beijar de novo?
Beijá-la naquela noite foi arriscado, mas ele não se arrependeu nenhum segundo, ainda mais pelo jeito que ela tinha correspondido.
Rebecca ergueu a sobrancelha e Daniel sorriu involuntariamente.
— Não preciso de desculpa nenhuma, você tá agarrada em mim a noite inteira por pura espontânea vontade. — Ele se gabou e ela deu um tapinha no seu ombro.
— Não tô nada!
— Claro que tá. — Ele sussurrou, descendo uma mão pelas costas dela e usando o apoio na sua lombar para grudar mais o corpo no dela. — E eu acho que sei por quê.
— Você é o meu par. — Rebecca respondeu simplesmente virando o pescoço, sem perceber o espaço que deu a Daniel com isso. A boca dele colocou na sua pele arrepiando seu corpo inteiro.
— Você tinha outras opções de par, Becca, vamos lá.
— Onde você quer chegar com isso?
Ela girou a cabeça novamente e Daniel olhou para a sua boca rosa, e ele não pensou duas vezes.
— Aqui. — Seu beijo foi calmo e curto, curto o suficiente para quase fazê-la implorar por mais. — Bem aqui.
Ele a beijou de novo, de forma mais profunda e apaixonada. E dali, não era mais preciso dizer nada.
Clique aqui para ouvir a música
Avulsa a qualquer situação que pudesse estar acontecendo com Rebecca e Daniel na pista de dança, Luana segurava o microfone enquanto encarava o piano por alguns segundos até começar a cantar. O chão poderia ser um bom amigo enquanto ela começava as primeiras notas no instrumento, mas a realidade pareceu mudar de forma quando as palavras saíram da sua boca no mesmo instante que os seus olhos encontraram os de Augusto, quase, no fundo do espaço. Ela olhou para Augusto Nunes naquela noite como nunca olhou na vida e por um momento foi como se só existissem os dois naquele espaço inteiro.
He is sensible and so incredible
(Ele é sensato e tão incrível)
And all my single friends are jealous
(E todas as minhas amigas solteiras têm inveja)
He says everything I need to hear
(Ele diz tudo que eu preciso ouvir)
And it's like I couldn't ask for anything better
(E é como se eu não pudesse pedir por nada melhor)
He opens up my door and I get into his car
(Ele abre a minha porta e eu entro em seu carro)
And he says: You look beautiful tonight
(E ele diz: Você está linda esta noite)
And I feel perfectly fine
(E eu me sinto perfeitamente bem)
Para ser honesto consigo mesmo, Augusto queria ir embora daquele lugar desde o momento que pisou os pés nele. Desde o dia que soube que teria que se mudar, tudo pareceu ficar cinza para ele. A escola era terrível porque o lembrava toda hora de tudo que ele teria que se afastar. Ser o vizinho de Luana Watterson era terrível porque o lugar para o qual ele se mudaria não teria ela como vizinha. E quando ela começou a cantar para ele, ele se lembrou que a única coisa que poderia absorver de tudo aquilo, era lembrá-lo como ela não era mais dele.
But I miss screaming and fighting and kissing in the rain
(Mas eu sinto falta de gritar e brigar e beijar na chuva)
And it's 2AM and I'm cursing your name
(E são duas da manhã e eu estou amaldiçoando o seu nome)
So in love that you act insane
(Você está tão apaixonada que age insana)
And that's the way I loved you
(E esse é o jeito que eu te amei)
Breakin' down and coming undone
(Desmoronando e se desfazendo)
It's a roller coaster kinda rush
(É uma montanha-russa meio que rápida)
And I never knew I could feel that much
(E eu nunca soube que eu podia sentir tudo isso)
And that's the way I loved you
(E esse é o jeito que eu te amei)
Mas isso mudou quando ela chegou no refrão da música. O seu coração pareceu errar as batidas por algum momento. Ela já tinha se perguntado às vezes. Se ela um dia cantaria para ele. Se ela um dia direcionaria sua voz doce e angelical para expressar seus sentimentos. E era uma merda, porque, apesar de ser o que ele mais queria, Augusto sentia que era inútil. Na cabeça dele, eles não tinham mais tempo.
He can't see the smile I'm faking
(Ele não consegue ver o sorriso que eu estou fingindo)
And my heart's not breaking
(E meu coração não está quebrando)
'Cause I'm not feeling anything at all
(Porque eu não estou sentindo nada mesmo)
And you were wild and crazy
(E você era selvagem e louco)
Just so frustrating
(Apenas tão frustrante)
Intoxicating, complicated
(Intoxicante, complicado)
Got away by some mistake and now
(Fugi de um erro e agora)
Luana cantou com todo o seu coração. Sentimento. Verdade. Quando a música terminou, deu um último suspiro olhando nos alunos que começavam a aplaudir e saiu do palco. Ela não sabia o que iria fazer dali para frente e sentia uma mistura estranha de apreensão, esperança e ansiedade. Então ela firmou o olhar em Augusto, mas a única coisa que ele fez foi virar e sair dali, quebrando o misto de sentimentos bons que ela tinha.
Ela congelou se perguntando o intuito de tudo aquilo. Só voltou em si quando Daniel tocou o seu ombro e reassumiu seu lugar de DJ. Rebecca aproveitou o momento para lhe receber com um sorriso e um abraço forte que Luana não conseguiu retribuir, pois na sua cabeça a imagem de Augusto se afastando repetia sem parar, mas não era daquela vez que ele ia conseguir fugir. Ela se esquivou de Rebecca, deixando a amiga confusa, mas deixou ela ir, e atravessou um mundo de pernas e braços até a saída principal.
É claro que o enredo iria colaborar para o seu momento trágico, pois lá fora chovia, pequenas gotas ameaçadas pelos trovões. Ela olhou em volta antes de se molhar, encontrando Augusto no meio do estacionamento, caminhando em passos largos até o seu carro. Respirando fundo, ela colocou o primeiro pé para fora da calçada.
— Augusto Nunes! — Ela chamou primeiro, sentindo as gotas da chuva escorrerem pelo seu rosto, mas ele pareceu não ouvir. — Será que dá pra parar? É difícil correr com esses saltos. — Ele apenas parou quando a mão delicada dela encostou no seu ombro, ficando frente a frente. Augusto a olhou espantado, ele não esperava que Luana viesse atrás dele. — Pra onde você tá indo?
— Como me achou aqui?
— Eu perguntei primeiro. — Ela cruzou os braços, destemida.
— Faz diferença?
— Claro que faz!
— Eu preciso ir. — Ele a ignorou se virando para ir embora, mas Luana estava sem paciência. Ela se colocou no caminho dele. Odiando estar ali. Odiando estar toda molhada. Odiando que por mais que ela tentasse, ela não conseguia fugir daquele sentimento.
— Augusto Nunes!
— Não começa com isso de novo, Luh, por favor. — Ele abaixou a voz, sabendo o que Luana estava tentando fazer. Aquela música disse muita coisa. — Nós estamos bem. Você mesma disse.
— Não estamos não. Eu não to. — Admitiu suspirando e levantou o olhar até o dele. — Eu odeio quando você me ignora, você sabe disso.
— O que você quer que eu faça?
— Fala alguma, mas não fica nesse silêncio. Seus gritos me irritam, mas seu silêncio me enfurece, ainda mais sabendo que esse silêncio tá cheio de gritos.
Ele engoliu em seco. Precisava fazer alguma coisa para que Luana se afastasse. Naquele ponto do campeonato, por mais que eles ainda compartilhassem um sentimento verdadeiro e digno, as coisas não seriam fáceis e talvez eles apenas se machucassem mais. E Augusto estava cansado de deixar as coisas difíceis para Luana.
— Você não vai gostar do que eu vou falar.
— Você já me disse muitas coisas ruins, estou acostumada.
Ela segurou seu braço firmemente quando Augusto ameaçou sair para longe dali e o olhou seriamente como quem dissesse: se tem algo para me falar Augusto, fale agora! E foi o que ele fez:
— Quando voltarmos de viagem, você pode esquecer o meu nome. Eu não sou o seu amor, Luana. Nem nunca vou ser. Larga o meu braço.
Ele olhou dolorosamente para a mão dela, e na mesma medida que quase implorava para ela o soltar, ele não queria que aquele aperto morresse nunca. Era preciso muita coragem para amar alguém, e mais ainda para deixar esse mesmo alguém ir.
Mas Augusto Nunes não sabia de nada. Luana engoliu aquela falsa tentativa de mágoa e ficou firme. Ela não queria ir embora e não o deixaria ir para lugar algum.
— Para de mentir pra mim. Eu sei que você vai embora. — E nesse momento ela pareceu perder as forças. Pois era aquele ponto que mais doía nela e só então Augusto percebeu na sua voz embargada. — Quando é que você ia me contar, hein? Você se quer ia contar? Ou só ia… sumir?
Ele se aproximou segurando o seu rosto, sem saber distinguir as lágrimas das gotas de chuva. É claro que aquela informação uma hora ou outra chegaria em Luana e ele não sabia se estava preparado para aquele momento.
— Eu queria te contar, só não queria usar isso… — Aquilo era uma droga. E era um golpe baixo. Augusto estava cansado de jogar assim com Luana. — Descobri no dia do seu aniversário. Você tava feliz, eu não queria estragar isso. Você me pediu uma coisa, eu quis respeitar.
E foram aquelas palavras que doeram mais. Luana se perguntou o que teria acontecido naquela noite se ela tivesse mudado de ideia. O que seria diferente.
Ela subiu a mão pelo rosto dele, mexendo no seu cabelo grudado na testa, pensando que era inútil lembrar do passado, não dava para retroceder e refazer tudo, mas eles ainda podiam construir toda a trilha do seu futuro.
— Desde quando você faz o que eu peço?
— Desde quando percebi que fingir que não me importo só te afasta mais de mim, Luh. Esse vai e vem, acaba comigo.
Luana entendia tanto aquelas palavras que era impossível sentir raiva, porque o mesmo acontecia com ela.
— Tá legal. — Ela suspirou, chegando aquela conclusão inevitável. — Talvez a gente nunca se acerte no tempo certo, mas eu queria que você soubesse que não quero que você vá embora.
— Por quê?
Augusto perguntou mesmo já tendo uma ideia, mas ele precisava saber, precisava escutar da boca dela. Luana sabia que aquele era o seu vai ou racha. E ela decidiu ir sabendo que assim o seu coração estaria em paz.
— Porque... Eu... acho que te amo. — Luh estava momentaneamente preocupada quando essas palavras saíram da sua boca porque não tinham estado juntos, o que seria considerado suficiente para ter sentimentos como amor, mas ela não podia evitar. Foi um fato que Luana, sinceramente, sabia que o amava. O sentimento tinha lhe batido com força total, e Luh decidiu que nunca quis ficar sem ele. Augusto era isso para Luana e o olhar de espanto em seu rosto tocou o seu coração, tanto que ela só precisava estar com ele completamente, em todos os sentidos. Ela deveria sentir medo de que tal fato tenha acontecido, mas ela não sentiu. Parecia incrível se sentir assim por alguém. Mas o amor tinha dessas, ele te fazia sentir incrível, no mesmo nível que uma tremenda idiota. — Como pode ser, eu ter uma pessoa incrível do meu lado e só pensar em você? Eu sinto falta até de brigar com você e acho que te amo tanto que é insano sentir falta disso. Eu nunca achei que pudesse sentir tanta coisa. Você estraga tudo até quando não quer, Nunes.
Ela lhe deu um tapa no peito e Augusto riu levemente.
— Não ria, Nunes! — Ela ficou séria. — Eu terminei com um cara incrível, me declarei na porra daquele palco pra você sair correndo logo depois. — Arquitetou aquele pensamento sabendo como Augusto podia ser orgulhoso. No dia do seu aniversário, ele queria tentar de novo, mas ela não, não naquele momento, e talvez parecesse presunçoso aos olhos dele que ela tinha um poder, como se pudesse voltar quando quisesse e ele tivesse que aceitar. Seria muita hipocrisia. — E tudo bem, talvez eu não tenha mesmo o direito de vir aqui pedir por isso… mas é que eu não aguento mais isso, essa necessidade nossa de complicar tudo, não dá mais pra mim.
— Eu saí correndo porque não queria que você tomasse a decisão errada. É isso, eu vou embora, e achava que você devia seguir a sua vida sem mim no seu caminho pra te atrapalhar. — Talvez fosse a primeira vez que o orgulho não tomava conta de todas as suas decisões. Em outras circunstâncias, Augusto tinha certeza de que voltaria para ela em qualquer outra oportunidade que tivesse. — Eu sei que a maioria dos nossos problemas foi culpa minha e que eu sempre fiz tudo errado, é que eu não sou você, ok? Não sei demonstrar afeto, não sei lidar com as pessoas ou com os sentimentos delas, nem com os meus eu sei lidar. Eu não sei deixar as pessoas se aproximarem, eu não sou bom com esse lance de gostar. Eu não sei ser como você, achei que sabia, mas ainda tenho muita coisa pra aprender.
Não era justo que Augusto jogasse toda a culpa para os seus ombros, Luana sabia que também tinha complicado as coisas. No final não era ele nem ela. Era o conjunto de todas as coisas que ainda assim não era grande o suficiente para explicar toda a questão que os envolvia. Porém, ela ainda tinha algo a contestar.
— Desde o início, você deixou que o seu irmão e os seus problemas com ele ficassem entre a gente. Talvez tenha feito sem perceber, e eu até entendo porque não me falou tudo logo no começo. É triste porque você não conseguiu impedir que uma coisa interferisse na outra, e eu teria te ajudado e talvez a gente não tivesse perdido tanto tempo. — Ela segurou a mão dele e sorriu tristemente. — Mas você sabe o que doeu? — Ele franziu a testa. — Você colocou a decisão na minha mão e tirou dois segundos depois. E doeu, porque eu teria escolhido você, ao invés da distância. Não teria desistido. Augusto, você tem medo do futuro porque teme não saber lidar com situações e com os seus sentimentos. — Ela desviou o olhar dele por alguns segundos encarando a rua molhada, aquilo era difícil. — Mas eu não te culpo por tudo, eu também compliquei as coisas. Sabe, no final acho que tanto eu quanto você temos muita coisa para aprender ainda.
Augusto se moveu ficando de frente para ela, acariciando o seu rosto. Naquele ponto, era quase impossível manter as mãos longe dela.
— Luh… você se arrepende?
— Do quê?
— Não sei. — A voz dele chocou. — De tudo.
Luana deu outro passo, segurando o rosto dele com as suas mãos frias. Augusto pensou que nada no mundo pudesse tirar a atenção dele naquele momento, as palavras dela fizeram o tempo congelar. Luana podia sentir seu próprio batimento cardíaco acelerar e ouvir o dele fazer o mesmo. Era isso, todo o acúmulo dos últimos meses estava chegando ao auge bem ali. Ela observou enquanto os olhos dele a examinavam de cima a baixo, absorvendo cada centímetro dela, olhando para Luana como se nunca mais fosse vê-la.
— Se eu me arrependo? São escolhas, Augusto. Essa, foi um erro, mas o melhor que eu já cometi.
E então, depois de uma pausa que pareceu durar um milhão de anos, mas também milissegundos, os lábios dela encontraram os dele, lembrando de todas as outras vezes, e naquele ponto a chuva nem incomodava mais.
— Também foi o melhor erro que eu já cometi.
— Ah, Augusto, seja mais original.
— É só outro jeito de falar que eu também te amo, Cupcake.
~~x~~
— Como foi?
— Augusto.
— O que?!
— Terminei. Antes de subir no palco. Satisfeito?
— Demais.
— Idiota.
~~x~~
A chuva lá fora não tinha parado e a cada minuto parecia piorar, mas isso não importava para Augusto quando ele tinha Luana pressionada na porta da sua casa e a boca na dela. Uma pequena parte das suas roupas se perderam e se amassaram pelo caminho e eles nem sabia mais diferenciar o que era suor do que era água da chuva escorrendo pelos seus corpos.
— Cadê a sua mãe? — A pergunta baixa foi feita no pequeno intervalo que Augusto tirou para beijar o pescoço dela. Ela poderia já começar a gemer baixinho, conforme o seu corpo começava a queimar pelo garoto na sua frente, mas aquela ainda era uma curta preocupação. Luana não saberia onde enfiar a cara de Cindy aparecesse ali e os pegasse naquela situação.
— Ela não tá. — Augusto murmurou e a resposta deixou Luana satisfeita o suficiente para ela direcionar as mãos para o peito dele.
— Acho que a gente devia subir e tirar essas roupas molhadas… — Sugeriu abrindo os botões da camisa dele. Augusto não deixou de sorrir antes de beijá-la novamente.
— Com certeza.
Ela sorriu e saiu correndo em direção ao quarto de Augusto no andar de cima. Assim que entraram, ele entrou puxando ela pela cintura de volta para ele e beijando sua boca de forma menos lenta que antes.
— Eu preciso dizer, você fica muito lindo de terno. — Luana suspirou, tanto pelas lembranças dele com aquela roupa a noite inteira, tanto pela forma que as mãos de Nunes subiam pelas suas costas e puxavam o zíper do seu vestido para baixo.
— E você fica muito linda assim… — Ele disse com a boca perto da dela, subindo as mãos pelos seus braços, até alcançar os seus ombros e empurrar alças, fazendo o vestido cair no chão e formar uma poça nos pés de Luana.
Augusto mordeu o interior da bochecha ao abaixar a cabeça e observar cada pedaço do corpo de Luana naquela lingerie. Empurrou os cabelos do rosto de Luh para trás da orelha e ficou observando cada detalhe do rosto dela. Luana achava uma tortura ter o rosto tão próximo ao dele e não beijar a sua boca. Felizmente Augusto não tardou a lhe beijar, mas incrivelmente lento. Aquele beijou representava muito mais do que o desespero que colar sua boca na dela, representava um certo tipo de recomeço, ele queria aproveitar cada segundo. Os braços de Augusto deslizaram na sua cintura enquanto ela se moveu com a intenção de colar o peito no de Nunes, os dedos dele roçavam nas tiras da sua calcinha. Precisou quebrar o beijo para ir até a cama, deixando Luana por cima com uma perna de cada lado do quadril dele.
Luh beijou Augusto com vontade, o segurando pela nuca, enquanto as mãos dele passeavam pelas suas curvas. Augusto colocou uma mão em cada coxa de Luana, nas partes desnudas. Dava pequenos apertos por ali e subia até os seus quadris, na direção sua bunda. Porra ele adorava aquela bunda, principalmente quando tinha ela em mãos e tão próxima do seu pau.
Nunes puxou o seu cabelo com força e arqueou um pouco o tronco de modo que a sua postura ficasse mais ereta e Luana aproveitou aquilo para reforçar o aperto no quadril dele, sentindo sua ereção em contato com o seu núcleo dolorido.
Augusto beijava a sua clavícula e o seu pescoço enquanto as mãos acariciavam sua barriga e subiam até as suas costas, até encontrar o fecho do sutiã. Luana soltou um suspiro e mordeu a região em baixo da orelha de Augusto, deixando uma marca ali antes de afastar os braços para se livrar do sutiã. Soltou uma risadinha ao perceber que Augusto parecia “hipnotizado” pelos seus seios.
— Gostou foi? — Perguntou e ele lambeu os lábios antes de responder:
— Você ainda pergunta? — Luh riu e logo em seguida sentiu agarrar um de seus seios com a mão enquanto a boca descia beijando do seu pescoço até o outro. Luana segurou o cabelo dele e fechou os olhos aproveitando o carinho. Augusto alternava entre os dois seios, beijando, lambendo, dando leves chupadas, circulou cada mamilo enrijecido com a língua. Ele estava no paraíso e não queria voltar tão cedo.
— Me beija, Augusto. — Ela disse entre um suspiro e Augusto respondeu sem desencostar os lábios da sua pele.
— O que você acha que estou fazendo? — Ela revirou os olhos descendo as mãos que estavam no seu cabelo até o pescoço, ergueu sua cabeça pelo queixo para olhar para ela.
— Me beija na boca, idiota.
— Sinto muito, eles estão me distraindo enquanto meu pau lateja ali atrás esperando que você sente nele. — Luana ergueu as sobrancelhas na direção dele e gargalhou.
— Continue com a sua petulância que eu desisto e pulo fora daqui. — Augusto tinha os braços relaxados, mas voltou a abraçá-la forte ao ouvir aquilo.
— Você não se atreveria.
— Não, não me atreveria, mas não por você, por mim. — Luh balançou o quadril querendo provocá-lo e se perguntando porque ele ainda usava aquela maldita calça. Ela queria tirá-la, mas Augusto foi mais rápido. Ele a beijou e ela segurou o rosto dele com as duas mãos. Seu corpo se arrepiou todo quando uma das mãos dele trilhou um caminho até a sua intimidade. Empinou a bunda e arqueou as costas quando Nunes colocou sua calcinha de lado, e esfregou o indicador e o dedo médio entre os lábios do seu sexo e soltou um suspiro com a devida atenção que o seu clitóris estava recebendo dos dedos dele.
Augusto sorriu com os gemidos que Luana dava no pé do seu ouvido e isso o incentivou a continuar. Luana estremeceu ao sentir a ponta do dedo dele penetrar de leve a sua abertura úmida e deslizou o dedo indicador para dentro dela. Ser penetrada com tanta suavidade e de forma lenta havia a deixado sem fala.
— É bom quando eu toco em você aqui, Luh? — Ele disse baixinho.
— Humm.
O dedo de Augusto foi um pouco mais fundo e um calor inigualável se espalhou por toda a pele de Luana, como se estivesse febril. Com o polegar, ele massageava deliciosamente o seu clitóris, lhe tocando por dentro e por fora. O prazer do toque dele espalhou, fazendo com que Luh encolhesse a barriga e sentisse seus mamilos.
— Você está tão molhada. — Augusto sussurrou com a voz rouca. — Olha como você aceita bem.
Ele queria que Luana se sentisse o centro do mundo ali, como se nada mais importasse. Ele ficou satisfeito quando, sem vergonha alguma, ela começou a se mover em torno do dedo dele e aproveitou para enfiar mais um dedo dentro dela. Deu uma mordidinha no seu pescoço, onde seus lábios alcançavam antes de descer até o seu peito, abocanhando o seu mamilo com uma mordida, seguida por uma sucção suave. Luana sentiu uma dor leve, mas agradável, julgando que ainda faltava alguma coisa conforme os movimentos iam ficando mais intensos. Queria que ele sentisse tanto prazer quanto ela.
Luana parou de se mexer, firmando as mãos nos ombros dele e abaixando a cabeça até que ambos os olhos estivessem na mesma linha. Juntou os braços no corpo e flexionou o cotovelo levando as mãos a suas bochechas. Ela beijou cada pedacinho do rosto dele, adorando estar tudo molhado, antes de encará-lo profundamente nos olhos. O olhar dela podia ter feito com que o corpo de Augusto produzisse toda a oxitocina permitida, já que ele se sentia extremamente feliz e estava amando compartilhar com ela um momento tão íntimo.
— Isso é tão gostoso.
— Puta merda, você gozou muito rápido. — Ele murmurou e abriu um sorriso malicioso. Luana mordeu os lábios, se esquecendo de qualquer filtro que podia ter entre a sua mente e a sua boca e puxou sua nuca com as duas mãos até que os lábios de ambos se chocassem e ele iniciasse um beijo energético.
Ela levantou rapidamente, apenas para deslizar a calcinha para fora do seu corpo enquanto Augusto fazia o mesmo com o resto das suas roupas. Luana mal o esperou terminar para pular em cima dele.
— Eu sabia que você gostava de ficar por cima. — Augusto riu com o desespero dela e quando quase perdeu o equilíbrio.
— Você tá falando demais. — Luana apenas o calou com outro beijo.
Ela endireitou a coluna e firmou o olhar no dele quando as suas mãos foram ao encontro do seu pau, posicionando-o na entrada da sua vagina. Augusto fechou os olhos ao sentir a sensação enquanto ela descia, e o seu pau deslizava para dentro dela, foi melhor ainda quando começou a se mover devagar. Levou as mãos até os quadris dela, de modo que conseguisse participar do ritmo e do movimento.
Luana gemia baixinho fazendo questão de deixar o rosto perto do dele e foi divino quando Nunes agarrou um dos seus seios e o sentiu inchar. Cada simples toque dele era pura magia. Como pode ficar sem aquilo por tanto tempo? Decidiu acelerar e Augusto entrou em êxtase com os movimentos de sobe e desce. Soltava alguns suspiros pesados e os gemidos vinham se arrastando pela garganta quando Luh meneou prazerosamente, dava para sentir cada centímetro do contato e era incrível.
— Como você quer que eu fique quieto com você sentando no meu pau desse jeito?
Augusto usou uma das mãos para virar o rosto de Luh, deteve-se nos seus lábios macios, o rosto angelical e o olhar penetrante antes de beijá-la, com as mãos firmes nos cabelos molhados. Era um beijo faminto de conexão, de calor humano e de... amor.
Amor e sexo, perfeita era a combinação, parecia que o seu corpo ia explodir de tanto tesão. Era intenso, molhado e verdadeiro. Ele mal esperava o momento em que os dois atingissem o ápice, como também o momento em que diria para ela tudo que estava sentindo.
Luana o arranhava no peito, como se quisesse puni-lo por toda a descrença, por seus medos e por suas inseguranças enquanto ia e vinha, no ritmo certo e com a pressão perfeita e estava deixando Augusto maluco.
Até que se desgrudou dele com os braços suspensos no ar, mordeu os lábios contendo possíveis gemidos altos de mais altos e fechou os olhos sentando no pau dele de maneira mais forte e rápida. Já sentia dor nas coxas e nos joelhos devido ao movimento repetitivo, mas naquele instante só se importava com a vista que os seus peitos balançando deveriam estar dando a Augusto. Queria chegar no tão esperado orgasmo, estava quase lá, mas queria que ele fizesse aquilo. Deu uma última rebolada e falou perto da orelha dele:
— Termine, Nunes.
Augusto sorriu libertino, aquilo despertou a sua luxúria, era a vez dele.
— Então levante, cupcake. — Falou e a garota obedeceu saindo de cima dele. — Vem aqui.
Disse após levantar e Luana se aproximou. Augusto a virou de costas pelos ombros e empurrou Luh pelos ombros até que as mãos dela e os seus joelhos se apoiassem no colchão. Mordeu os lábios e arqueou as costas quando ele alisou a sua bunda, os dedos descendo pelo espaço até a sua buceta. Augusto usou um dos joelhos para separar mais as pernas de Luana e se encaixar ali.
Segurou o próprio pênis, com as veias saltadas em razão da pressão do sangue que as percorria, para colocar a camisinha. Luana soltou um gemido sôfrego quando Augusto deslizou para dentro dela, lentamente, sentindo cada centímetro do seu corpo, do seu calor, da sua unidade. O suor se misturava facilmente com a água e a lubrificação natural que saia de dentro dela.
Enfiou seu pau com toda a força e desejo, não queria enrolar e pelo visto, Luana também não. Seus movimentos eram intensos e tinham certo nível de selvageria. A segurou pela cintura, sentindo que Luana mexia o quadril juntamente com ele, criando certo ritmo sincronizado. Luh continuava os gemidos mordendo os próprios lábios, o que, de certo modo, incomodava Nunes, já que ele fazia questão de deixar os deles claro.
Augusto inclinou o seu tronco, colocando seu peito nas costas dela. As mãos saíram da cintura descendo até a parte interna das coxas, massageando o lugar e subindo novamente, parando num ponto sensível.
— Estamos sozinhos, Luh, pode fazer barulho. — Ele agarrou um de seus seios com a outra mão e os dentes morderam a sua orelha e logo após sussurrou: — Eu quero ouvir você gritar.
Sorriu e se afastou, voltando a se movimentar com a mesma velocidade de antes. Luana fez o que ele pediu, soltando sons mais altos a cada investida.
Luana encarou o espelho na parede a sua frente pela primeira vez, podendo claramente ver o que estavam fazendo e aquilo lhe deixou louca de tanto tesão. Ver Augusto ali, atrás dela, dando tudo de si para que os dois chegassem ao ápice era maravilhoso. Foi melhor ainda quando ele a encarou através do espelho com um sorriso maroto enquanto xingava vários nomes. Ela queria ter a visão que Augusto tinha, do pau dele entrando e saindo dela, mas se contentava com aquela. Não aguentou e jogou a cabeça para trás.
Augusto puxou um emaranhado dos cabelos dela para trás, levando a cabeça dela consigo. Luana adorou aquilo. Os lábios dele atingiram o seu pescoço no exato momento em que o seu corpo atingiu o ápice. Suas moléculas pareciam desmanchar com cada onda prazerosa que percorria seus vértices.
Nunes beijou toda a extensão do seu pescoço, ainda agarrando a sua nuca, dando as últimas estocadas antes de gozar.
Luana deitou exausta, Augusto ficou do seu lado e o braço dele foi parar em cima dos seus ombros e da sua cintura num abraço aconchegante. Eles ficaram em silêncio, apenas recuperando o fôlego. Depois de um tempo, Luana virou para ficar de frente para Augusto. Era muito bom olhar para ele daquele jeito, apenas por olhar enquanto ele fazia um carinho no seu rosto.
— Augusto, eu fui a última a saber? — Ela quebrou o silêncio sem tirar os olhos do rosto dele, a luz da lua.
— Não. — Era bobo, mas importante para Luana saber daquilo. Saber que ela não tinha ficado no escuro enquanto todo mundo escondia aquele segredo de que o amor da sua vida iria embora.
— Fui a segunda? — Ela pensou no irmão, Luke só poderia ter sido a primeira pessoa a saber.
— A terceira. — Luana franziu a testa quando ele respondeu, ponderando quem mais saberia.
— Quem além de mim e do Luke sabe? Ah já sei, a Lari… Ela sorriu imaginando. Luke e Larissa eram os dois melhores amigos de Augusto, era normal que se ele contasse para alguém seria para eles, mas o que Nunes falou a seguir, deixou ela completamente confusa.
— A Lara.
— A Lara? Por que a Lara? — Sua voz ficou estridente. Aquela revelação era esquisita. Não se lembrava de Augusto e Lara serem tão próximos a esse ponto. Pensou na conversa que teve com ela na pista de patinação. — Então quando eu contei pra ela, ela já sabia… mas como? Por que você contou pra ela?
— Ah, porque o Luke sabia e como eles estão namorando não ia dar pra esconder dela. — Augusto olhou para o céu rindo, tudo aquilo parecia um caos, mas era tão engraçado e ele sentiu um alívio tremendo. Não tinha mais nada no mundo que ele estivesse escondendo de Luana e aquela sensação era ótima. A partir daquele momento, ele não pretendia mais esconder nada. — Meu Deus, como é bom poder dividir esse segredo com alguém. Você não sabe como foi chato segurar vela pra esses dois…
Augusto estava se sentindo tão leve que nem se ligou que enquanto ele falava e falava, Luana estava em choque ao seu lado e ela se sentou atordoada com a última revelação.
— Espera… O QUÊ?
~~x~~
