Work Text:
Estamos ofegantes de tanto rir, a respiração quente condensando-se contra o ar frio de outono. As solas de nossos tênis batem contra a rua asfaltada e estamos um pouco cambaleantes por causa da bebida.
Acabamos de fugir de uma festa e deve ser três horas da madrugada. As luzes brancas da iluminação pública são impiedosas com nossos olhos recém saídos do breu.
Amo o frio e o modo como as ruas estão pacíficas e abandonadas. Parece que somos as últimas pessoas na Terra.
Decidimos sentar um pouco, porque acho que vou vomitar se continuar de pé. O corpo dele, envolto em roupas pretas, como o meu, é quente ao meu lado. Resisto à vontade de me recostar nele.
Ainda rindo, Chan sugere continuarmos a festa apenas nós. Concordo de imediato, secretamente morrendo de alegria.
Depois de verificar se estou melhor, ele coloca uma música para tocar no celular, pousando-o no chão e me puxando para dançar.
Seus braços envolvem minha cintura. Não é a primeira vez, porque somos melhores amigos há anos, mas é a primeira vez que desejo isso tão profundamente.
Estamos muito próximos, e derreto assim que encaro seus olhos. Eles são pequenos e escuros, mas brilham tanto que é como se possuíssem uma galáxia inteira em seu interior. Mutuamente, tentamos decifrar o olhar um do outro.
acho que ele encontrou o que queria, pois sorri de um jeito muito doce. Acho que estou enfartando e ele me puxa para ainda mais perto.
Sinto uma insegurança enorme de repente e escondo meu rosto na curva de seu pescoço. Ele tem um cheiro intoxicante. Cheira a primeira paixão.
Finalmente junto a coragem necessária para erguer o rosto. O primeiro movimento, obviamente, é dele.
Bem devagarinho, ele fecha os olhos e junta nossos lábios. Nesse momento, parece que tudo explode. Tudo cai em ruínas e se desfaz em pedaços, e talvez meu peito tenha se aberto ao meio. A paixão queima meu corpo como um todo.
Quando nossas línguas se encontram, tenho certeza que morri e estou no céu. É super bobo e ingênuo, mas este deve ser o gosto de amor.
Depois do que parece uma eternidade num segundo, nossas bocas se separam. Estou ofegante, não por causa do beijo, mas pelo sentimento.
Sorrimos feito os tolos que somos, agora embriagados um pelo outro, ao invés do álcool.
A música termina, mas outra a segue, do mesmo modo que nossos beijos. E eu, neste instante, sei que não preciso temer nada, porque já tenho a minha maior certeza ao meu lado. E eu sei, bem no fundo, que ele sempre vai estar lá para me segurar quando eu cair. Então nada mais importa. Sorrio outra vez.
