Work Text:
A noite do dia 23 começou com um peru sendo queimado.
Obviamente, Hawks não tinha esse como o objetivo principal. Ele sabia que a sua ideia acabaria não dando certo e, por isso, optou por treinar o que deveria cozinhar bem dois dias antes do natal, bom, na realidade seria apenas um, já que o jantar aconteceria no dia vinte e quatro. Ele tinha reforçado a ideia de que queria fazer o jantar de família, então, acabaram deixando com que ele cozinhasse a comida. O único erro deles foi tê-lo deixado sozinho da cozinha.
— Então, meu padrasto acabou de queimar o peru de natal aqui. — Todoroki movimentou a câmera para que mostrasse o fogo saindo da cozinha e os gritos que eram emitidos no fundo. — Eu já imaginava que não aconteceria algo muito... legal, mas não pensei que seria tão drástico assim.
— Dá próxima vez, eu pedirei para alguém te ajudar, querido — Enji falou, tentando apagar o fogo da cozinha. Shouto tentou segurar, mas acabou soltando uma risada extremamente agradável no fundo ao ver a cena, e, obviamente, Katsuki não pode deixar de sorrir ao vê-lo de tal forma tão adorável.
Assim que o snap terminou, Bakugou começou a ver os vídeos de outras pessoas e, provavelmente, continuaria, se não fosse por um som ao fundo, sendo mais específico, um louro irritante.
— Então, aqui é a minha sala de televisão. Dá pra sentar no sofá e ficar jogando video game nessa televisão gigantesca, mas não costumo fazer isso aqui, pois tem um quarto apenas para video games. — Bakugou levantou a cabeça para vê-lo. Kaminari estava com uma câmera e andando aos redores enquanto gravava a si próprio e, também, a casa. Demonstrando o cômodo que estavam.
— Denki, que porra tu tá fazendo? — Bakugou levantou a cabeça para vê-lo, sentando-se no sofá (anteriormente, estava deitado) para observá-lo melhor. Kaminari pareceu assustar-se com a presença do outro, imaginando que ele não estivesse ali.
— Ah, o Kacchan tá aqui. — Movimentou a câmera para a direção do outro louro. — Diz oi pro pessoal!
— Foda-se. — Deitou-se novamente, demonstrando o total desinteresse no que o outro pediu, porém, ainda continuava interessado no que ele aprontava. — Você não me respondeu, que porra cê tá fazendo?
— Eu estou mostrando a minha casa, perdão, mansão para os meus inscritos, claro, eles pediram por isso. — Com a câmera, deu um giro de trezentos e sessenta graus com ela, permitindo que eles vissem, por completo, a residência.
— Sua casa? — Katsuki perguntou, indignado.
— Minha casa — reforçou o garoto. Bakugou revirou os olhos e começou a rir alto.
Decidiu, por fim, estragar o propósito do vídeo do outro. Não que fosse algo demais, não era nada que uma ediçãozinha não poderia resolver.
— Nem nos seus sonhos você conseguiria comprar uma casa assim, puta merda.
— Ei, não custa sonhar? Além de que a gente dorme tanto aqui na casa do Shouto que é quase como se fosse nossa, não é?
— Denki, a gente divide um apartamento longe daqui, não moramos nessa mansão.
Kaminari revirou os olhos, não era como se ele precisasse ser lembrado disso em todo o instante.
— Mas a gente passa mais tempo aqui.
— Mas a casa é do Shouto. — Era sempre assim, Bakugou odiava ser contrariado, por isso, tentaria arranjar o máximo de argumentos possíveis para demonstrar o seu ponto de vista, mesmo que o outro tivesse razão, Bakugou nunca admitiria a sua derrota. Talvez, por conta disso, continuariam a discutir durante um longo tempo, porém Kaminari segurou em sua câmera como se dissesse "vou voltar a gravar, espero que você não me interrompa". Ele não clicou em nada, fazendo com que Bakugou deduzisse que ele já gravava há tempo o que estava acontecendo, sem pausar o vídeo ou parar a gravação.
— Então, aqui na minha — deu um ênfase absurdo na última palavra, continuou: — casa, a gente, às vezes, almoça nesse salão, mas é claro, apenas em datas especiais. Geralmente, comemos apenas na cozinha. Mas é complicado, sabe? Mover tudo pra cá, mas ocorre uns jantares de família legais, e tem essa estátua aqui que... eu não sei de quem ela é ou o que ela é. — Com a última frase, Bakugou quis dar um tapa na própria testa, claramente, rindo dos improvisos que Kaminari fazia. — Aqui a gente acende as luzes, assim. — No momento em que apertou o interromptor, ao invés de as luzes se acenderem, acabou abrindo uma porta que levava para a parte de fora da casa (o quintal), Bakugou riu muito alto, provavelmente, pegando no áudio.
E não demorou muito tempo para que ouvisse uma outra voz.
— As luzes se acendem por aqui. — Todoroki apertou o outro interruptor, do outro lado da sala, permitindo que as luzes fossem acesas. Eram várias luzinhas que variavam entre verde e vermelho, Todoroki não sabia como tinha ficado assim, mas tinha quase certeza de que era obra de Kirishima e Mina em sua saga de: decorando a casa do nosso amigo para o natal. Todoroki pareceu levemente curioso sobre Kaminari estar em sua casa com uma câmera e gravando todos os cômodos. — O que vocês estão falando de minha casa?
Denki engoliu a seco.
— O idiota ali tá gravando um vídeo de tour em sua casa, claramente, os inscritos de Kaminari pensam que ele está morando aqui. — Bakugou sentou-se de novo na cama, apenas para ver tudo o que aconteceria com maior atenção.
— Me desculpe, Shouto! — Que culpa ele tinha, se vídeos de tour pela casa (principalmente, uma mansão de um podre de rico) eram tão populares no youtube? Com certeza, iria ganhar vários inscritos.
Pensou que Todoroki iria ficar com raiva. Ok, não exatamente raiva, pois eram poucas as coisas que o deixavam com raiva, no máximo, ficaria chateado, com aquela carinha que era horrível de olhar, parecendo atingi-lo com uma espada, conforme Todoroki diria: estou decepcionado com você. Mas não, aconteceu que, de uma forma impressionante, Shouto sorriu em sua direção.
— Não precisa desculpar-se, está tudo bem, amor. — Aproximou-se do homem, deixou um beijinho em sua testa, conforme o enrolava em seus braços. A vantagem de Kaminari ser baixinho e Todoroki ser bastante alto (assim como o seu pai) era que ele poderia aconchegar-se de uma forma confortável no corpo do outro e beijar-lhe a testa com maior facilidade. — Você praticamente mora aqui, acho que podemos considerar que a casa é sua, também?
No momento, Kaminari ficou sem palavras, era uma ideia um tanto quanto estranha, pensar em morar em um lugar tão grande como aquele.
Por fim, deu um enorme beijo em Todoroki, decidindo abusar da boa vontade dele.
— Eu posso começar a morar aqui
— Eu achava que você já morava... ? — Bom, não era estranha a sua surpresa, como dito anteriormente, Kaminari passava mais tempo na casa do outro do que em sua própria. Afinal, dentre escolher um apartamento qualquer e uma mansão, não é como se ele tivesse que pensar duas vezes. Tinha até o seu próprio quarto na casa, como os outros tinham. Era uma mansão enorme, grande demais para que Todoroki pudessa habitá-la sozinho, por isso, adorava ter a companhia de seus amigos. Era confortável vê-los morando lá, eventualmente, faziam comidas, passavam noites assistindo a filmes ou jogando video games.
— Tipo, oficialmente? — Mesmo que passasse tanto tempo lá, a sua estadia não era oficial. Muitas de suas coisas estavam em seu apartamento, atoladas no pouco espaço que tinha, mas estavam lá. Ele conseguia imaginar o quão bom seria trazer as roupas para a mansão, poder acordar todo dia nela, em seu próprio quarto. Sabia, também, que a cama de Todoroki era grande o bastante para caber ele e os outros, o que seria extremamente agradável, em sua perspectiva.
— Nem fodendo. — Bakugou se levantou do sofá, imediatamente. — O Denki vai vir morar aqui. — Riu alto. — Agora o idiota vai desocupar o espaço que ele enchia de tralhas lá no apartamento, vai ter tanto espaço vazio, vai ser perfeito.
Kaminari fez uma expressão de desconforto.
— Não vai sentir minha falta quando eu for? — Bakugou revirou os olhos, permitindo-se demonstrar alguns de seus lados as quais ele nunca deixava evidente em público.
— É claro que eu vou sentir sua falta, caralho. — Aproximou-se do louro e deu um leve selar em seus lábios. — Mas, sério, vai ser muito melhor sem você e sem a bagunça que você deixa para trás.
Kaminari revirou os olhos.
— Talvez seja melhor sem os boquetes que eu faço em você quando está entediado jogando algo. — Kaminari falou na maior naturalidade possível, em outros tempos, Bakugou poderia envergonhar-se, mas Todoroki os conhecia bem, não havia motivo para sentir vergonha.
— É só eu vir aqui, então. Aproveito e posso chupar o Todoroki também.
Sexo nunca fora um tabu para eles, era algo tratado com tanta naturalidade que chegava a ser impressionante na visão dos outros. Mas fazer o quê? Era algo que todos ali gostavam.
Todoroki não respondeu à provocação, porém, ofereceu-lhe um convite que, cá entre nos, deixou Bakugou bastante contente.
— Se você desejar, pode morar aqui também. O Eiji também, eu não faço questão. — Fechou os olhos levemente, adotando uma postura mais calma e serena. — Para ser honesto, eu até gostaria, sabe, seria divertido ter vocês comigo todos os dias, mais do que o normal. E aqui tem um bom lugar para gravarem os vídeos. Acho que nossos inscritos também gostariam de nos ver juntos.
Bakugou piscou os olhos algumas vezes, mal conseguindo imaginar, direito, como seria viver na mesma casa que seu namorado. E não uma casa normal, aquela propriedade gigantesca e rica que ele possuía. Uma mansão, para falar a verdade.
— Eu adoraria. — Deu um leve sorriso, mesmo que não gostasse de demonstrar reações assim (como seus amigos mesmo diziam, ele era uma espécie de tsundere), Bakugou sentia-se mais confortável, naquela situação, ao agir de tal forma, demonstrando, perfeitamente, a gratidão que sentia. — E a conexão de internet aqui vai ser melhor para eu gravar lives.
Kaminari riu, sabendo que aquela era uma desculpa idiota.
— Eijirou está aqui? — Todoroki perguntou, querendo saber se ele também tinha vindo à casa. Ela era enorme, bem grande como uma verdadeira mansão, e como Todoroki tinha acabado de chegar, seria complicado para ele que conseguisse localizá-lo, o melhor seria perguntar a um dos namorados. Ele sempre tinha uma sensação de vazio no local, uma que não acontecia quando tinha os seus namorados na casa, não apenas por eles preenchê-la, mas, como também, por estarem toda hora berrando algo ou andando por ai. Era confortável, ele gostava da companhia.
— Não, ele saiu com a Ashido e o Sero, mas eles já devem estar voltando — Kaminari explicou, fuçando na sua câmera para desligar. Seria desconfortável continuar a gravar o vídeo na presença de seus namorados, talvez, fosse melhor deixar para outro dia, quem sabe, pedir para Todoroki gravá-lo, assim a qualidade iria ficar melhor.
— Ah, vocês poderiam chamá-los, para irmos ao supermercado? — Bakugou e Kaminari se entreolharam, curiosos sobre o que fariam. Mas foi Kaminari quem levantou a voz e perguntou pelo motivo, quando o fez, Todoroki apenas deu-lhe um sorriso amigável, que significava muita coisa para uma expressão tão neutra como a dele costumava ser. — Vocês já viram aqueles vídeos de disse sim para tudo no mercado? — Ambos assentiram com a cabeça.
— Eu acho que alguns são armados. É cada coisa que se vê — Bakugou falou, um pouco descrente com o conteúdo. Sua opinião demonstrada de forma negativa não era uma surpresa para ninguém, o garoto tinha vídeos no youtube reclamando sobre conteúdo de outros youtubers ou da midia em si. Parecia que nada agradava o coitado. Todos na casa apenas sabiam que os seus últimos vídeos reclamando para caralho ganharam muitos views, e todo o público pensou que ele ficaria uma semana inteira reclamando de Fallout 76 (reclamações mais que merecidas), porém, no último dia, acabou saindo um vídeo desferindo todo o seu ódio sobre o Youtube Rewind.
— Bom, eu queria levar vocês ao supermercado e dizer sim para tudo, como um vídeo especial de natal. O que acham?
E, se Kaminari estivesse com água em sua boca, ele teria engasgado. Arregalou os olhos e quase se lançou em cima de Todoroki.
— Você está falando sério? — perguntou, uma voz um tanto quanto desesperada, descrente no que acontecia. Bakugou estava surpreso, mas ele namorava com Todoroki há mais tempo para saber que não seria tão estranho uma ação dele de tal forma.
— Sim. Vão poder levar o que quiserem. — Os olhinhos de Kaminari pareceram brilhar muito mais.
— Você é o melhor namorado do mundo!
Bakugou, de forma forçada, tossiu.
— Interesseiro.
— Ei! — Bakugou riu de sua reação, sorrindo, depois.
— Estou brincando. Vai ser divertido. Vamos adorar, Shouto.
Todos eles eram youtubers — isto é, pessoas que faziam conteúdos de vídeos para a plataforma Youtube.
Todoroki Shouto tinha um canal sobre viagens, vlogs e cultura japonesa. Podre de rico, como era, não seria uma surpresa que todo o tempo estivesse viajando e exibindo coisas das culturas alheias. Ao contrário de muitas pessoas, ele não estava lá exibindo as suas riquezas. Ele tinha um amplo conhecimento histórico e vários de seus conteúdos eram relacionados à cultura japonesa. Seu único problema era a falta de criatividade, por isso, o seu canal chamava Todoroki Shouto.
Bakugou era mais polêmico, bem mais polêmico. Mesmo que a maior parte de seu conteúdo fosse de stream na Twitch — vídeos dele jogando jogos como overwatch, fortnite, league of legends —, ele também tinha bastante conteúdo no youtube. Porém tem bastante vídeo reclamando de outros conteúdos da plataforma do youtube. Ele também era bastante conhecido no cenário gamer por ter muitas contas banidas, devido ao seu comportamento mais agressivo. O nome de seu canal, era claro, tinha que ser: King Of Kills, afinal, mesmo que muitos o odiassem, precisavam admitir que ele tinha um baita talento como “dps”.
Já Kaminari possuía um canal sobre jogos em geral, tendo alguns vídeos de análises, mas a maioria era gameplays. Electricplays era o nome, um não muito criativo, digamos, não o culpe, foi originário da época que gravava vídeos de Minecraft — e, felizmente, foi um tempo perdido. Às vezes, participa de stream com o Katsuki, mas, geralmente, foca em jogar jogos aleatórios e gravá-los.
Kirishima, diferente de seus namorados gamers, possuía um canal de esportes e muitas coisas sobre academia, aplicando o seu conhecimento sobre esportes e exercícios que aprendia em suas aulas de educação física na faculdade. O canal chamava Manly Things, apesar de seu conteúdo não ser apenas para homens, muito pelo contrário, Kirishima acreditava que pessoas másculas poderiam ser tanto homens quanto mulheres, em seu canal tinha um pouco mais da filosofia.
Até mesmo Sero e Mina tinham canais. Sero falava sobre filmes e cinema, em geral, enquanto Mina falava sobre dança e ensinava vários passos.
Todos eles se conheceram por causa da atividade no youtube. Começou, principalmente, com Kaminari e Bakugou. Iam em vários eventos e se encontravam. Uma vez, assinaram um contrato em uma mesma empresa de jogos e jogaram no mesmo time para eventos profissionais. Por incrível que pareça, Bakugou não xingava as jogadas de Kaminari, nem falava que ele estava sendo inútil para o time, e, em linguagem de Bakugou, isso queria dizer que era um elogio para ele. Eventualmente, não demorou mais que dois meses — depois que assinaram o contrato — para que começassem a sair juntos, fora dos eventos e fora dos treinos em equipe, costumavam ir para a casa do outro jogar algum jogo no video game ou debater sobre a indústria. A partir de algum momento, as jogatinas de video game começaram a ser substituídas por beijos, posteriormente, por sexo. E, então, eles começaram a ter um lance, por assim dizer.
Depois, Bakugou conheceu Todoroki. Apaixonou-se, em determinado momento, começou com vários vídeos jogando hate no coitado, falando sobre como o canal dele existia somente para ele ostentar o seu dinheiro. Depois de tanto xingá-lo e procurar argumentos para os seus vídeos, Bakugou começou a perceber que o conteúdo do canal de Shouto era, de fato, interessante. Abriu mais ainda a sua mente — talvez, o coração —, e percebeu que não apenas o conteúdo do canal era interessante, mas sim o de Todoroki. Começaram a sair juntos, conversar bastante, conhecer um ao outro. Demorou algumas semanas para admitir estar apaixonado por Shouto; mais ainda, para contar a Todoroki o que sentia. O que deve ter sido bastante estranho, afinal, há uns meses tinha um garoto falando sobre como o conteúdo do canal dele servia para mostrar a conta bancária rica, agora, estava falando que o amava.
Mesmo que Kaminari não tivesse admitido na época, era perceptível o quanto estava com ciúmes ao ser deixado de lado por aquele relacionamento que Bakugou estava no momento — amaldiçoando Bakugou por tê-lo trocado por uma pessoa gostosa demais. Foi nesse período de tempo que conheceu Kirishima, do jeito que Kaminari era — uma pessoa que estava toda hora à procura de alguém para trocar beijos —, foi logo no primeiro encontro, em um bar, a propósito, que Kaminari falou “Eu vejo seus vídeos e você me dá uma puta tesão quando tira a camisa.” Kirishima riu, a princípio, não sabendo se ele estava falando sério ou não. Mais tarde, quando estavam beijando-se na cama de Kaminari e roçando o pênis excitado um no outro, Kirishima soube que suas palavras eram verdadeiras.
E, porra, Bakugou era um bom amigo, mesmo que não parecesse. Quando chegou para Kaminari e perguntou o que diabos tinha acontecido pra ele estar tão distante, Kaminari apenas falou que, na verdade, era Bakugou quem estava distante, após iniciar o namoro. Olhou para o lado, fechou a cara e resmungou sobre como era chato ver dois caras gostosos pegando-se em sua frente e não poder ter o seu pênis no meio das bocas, e sim, ele tinha usado a mesma comparação vulgar que fora citado. Bakugou piscou os olhos algumas vezes; após isso, sorriu. Chegou bem perto do ouvido do louro e perguntou se ele gostaria de receber o melhor boquete de duas bocas que já tinha recebido na vida. Kaminari se encontrou surpreso, mas não demorou mais que três segundos para, basicamente, implorar por aquilo.
Todoroki gostava de Kaminari e Kaminari gostava de Todoroki, descobriram, naquela noite, que tinham mais em comum do que aparentavam ter. Começaram a encontrar-se com mais frequência, chamando Kirishima, também, que se deu bem com todos lá. A partir de algum momento, os quatro começaram uma espécie de relacionamento aberto poliamoroso que não se arrependiam de forma alguma.
E, agora, era natal, e Todoroki queria dar-lhes presentes especiais. Por isso, decidiu fazer um vídeo que dizia sim para tudo no supermercado. Talvez, pudesse arrepender-se, mas eles estavam tão felizes com a ideia que, certamente, valeria a pena.
— Olá pessoal, hoje o vídeo vai ser um pouco mais diferente. Então, eu estou aqui com o Bakugou, Kirishima, Kaminari, Ashido e Sero. — Virou a câmera na direção deles, para mostrá-los. — E irei permitir que eles comprem o que quiserem hoje no supermercado. Direi sim para tudo. — Ouviram-se gritos de comemoração no fundo, Todoroki não emitiu nenhuma reação, a não ser um fechar de olhos. — Eles seus próprios carrinhos e, então, comprarão o que quiserem.
Não que seja uma informação que deva ser deixado de lado, percebe-se que Kaminari está sentado em cima do carrinho de compras. Ou, pelo menos, estava.
— Qualquer coisa mesmo, Shouto? — Ainda com os olhinhos brilhando, Kaminari aproximou-se em uma expressão extremamente adorável. Todoroki passou a mão por seu cabelo, como se acariciasse um cachorrinho que, cá entre nós, assemelhava-se muito ao comportamento manhoso que Denki tinha no momento.
— Qualquer coisa — confirmou, arrancando um outro sorriso do garoto.
— Kacchan, vem comigo para a parte de video games! — Imediatamente, Katsuki sorriu, já posicionando o seu carrinho para a seção.
— Ei, não acham melhor a gente andar juntos? E passar por todas as seções do supermercado? — Sero sugeriu, imaginando que assim seria mais fácil para Todoroki gravasse o vídeo. Não houve objeções, por mais que a dupla de louros estivesse ansiosos para que comprasse os seus jogos.
— Olha esse tanto de refrigerante. — Kaminari pegou várias das bebidas e colocou em seu carrinho. Olhou para Kirishima, com um enorme sorriso no rosto. — Você pega os mentos?
Kirishima sorriu com mais intensidade do que o louro.
— Vamos fazer a maior explosão possível de coca-cola e gravar?
Kaminari fez um gesto com os braços, como se comemorasse uma vitória.
— Vamos!
— Isso aí, bro! — dito e feito, ambos bateram as mãos um na palma do outro.
— Eu que não vou limpar tudo depois — Bakugou resmungou, como de praxe. Kaminari e Kirishima reviraram os olhos, mas não estavam surpresos com o comportamento do outro.
— Ei, vocês viram esse tanto de gelatina? — Mina aproximou-se com um pacote de gelatinas em sua mão, deveria ter umas trinta, mas, certamente, ela estava pensando em levar mais. Kirishima e Kaminari se olharam, já tendo ideia do que aconteceria. — Sabem o que podemos fazer?
Obviamente, Katsuki revirou os olhos quando seus dois namorados retardados olharam um para o outro de forma mais profunda, começaram a bateram pés no chão e, em perfeita sintonia, gritaram:
— Piscina de gelatina!
— Isso não seria extremamente nojento? — Sero perguntou. — Ela tem essa camada meio gelatinosa, grudenta, ia prender no cabelo, no corpo todo… — E deixou de lado a parte de ser feita de colágeno, ou seja, substâncias vindas de ossos de animais.
Katsuki agradeceu por ter, pelo menos, uma pessoa sensata ali.
— Além de que vocês não podem esquecer que as piscinas lá são muito grandes — Katsuki interviu —, ia precisar de muita gelatina, um carrinho inteiro, e acho que nem o supermercado tem tudo isso. Vocês iam fazer uma bagunça do caralho.
Eles se entreolharam, de novo. E veio, outra vez, com uma empolgação fora do normal.
— Banheira de gelatina.
Katsuki revirou os olhos, após isso, olhou para Sero à procura de uma ajuda. Hanta deu de ombros, provavelmente, já desistindo das ideias malucas de seus namorados. Deveria, então, apelar para outra pessoa. (E Mina não era opção, afinal, ela estava incentivando-os a fazer o processo.)
— Porra, Shouto. — Virou-se para o seu namorado, deixando com que ele focasse bastante com a câmera. — Eles estão querendo encher a sua banheira e piscina com gelatina, e você não vai dizer nada?
— Eu disse que eles poderiam levar o que quiserem… Eu, pessoalmente, não me importo.
Kirishima e Kaminari sorriram com uma expressão bastante meiga. Ambos se juntaram, em perfeita sincronia, e beijaram o rosto dele, cada um em uma bochecha.
— Você é o melhor namorado do mundo.
— Ei, Todoroki, o que acha disso? — Sero se aproximou com um pacote de chás de diferentes países, principalmente, japoneses, pois sabia que Shouto gostava bastante.
— Eles são muito gostosos. — Sero olhou de novo, pensando se deveria levar a opinião de Todoroki em consideração.
— Tem esse jogo aqui também. — E mostrou um conjunto de xícaras e que era maravilhoso. Todoroki ficou de boca aberta, conforme olhava.
— É muito bonito.
— Acho que vou levar. — Sero virou o produto mais algumas vezes, até que, enfim, colocasse-o no carrinho.
Não demorou para que Kaminari viesse correndo com uma touca de papai noel e colocasse na cabeça de Shouto. Isso, certamente, despensa explicações.
Continuaram a andar com os carrinhos, quando passaram pela parte de alimentos. Kaminari, simplesmente, começou a derrubar um monte de salgadinho em seu carrinho, parecia, até, prestes a fazer uma venda. E, para não ocupar tudo na sua parte, pegou alguns e deixou no carrinho de Sero e de Bakugou, com a desculpa que comeriam juntos depois. Shouto imaginava que ele acabaria levando tudo para o seu quarto na mansão e guardaria consigo até que chegasse perto da data de validade.
Mas, o pior, certamente era os doces.
Todos pegaram doces, fato. Mas ninguém se comparava à Mina, a garota pareceu esvaziar toda a seção da Fini. Metade de seu carrinho era doces.
— Olha, esse pinta a língua de azul, Bakugou!
— Foda-se.
Mina fez uma cara emburrada, mas, mesmo assim, jogou o doce no carrinho de Bakugou. O melhor foi que o louro não tirou, parecendo levemente interessado.
— Meu deus, eles são muito fofos, como você consegue comer? — Kaminari perguntou à Mina, enquanto olhava para alguns dos doces que ela carregava no carrinho. A garota deu de ombros, com um sorriso no rosto.
— Eu não como. — Kaminari a olhou de forma estranha, até que ela se pôs a rir. — É claro que eu como. Eles são gostosos demais, não tem jeito de não comer.
Após Mina convencer todos a levarem, pelo menos, dez pacotes de doces — que ela dizia serem bons demais —, partiram para a parte de beleza. Todos imaginaram que seria Mina quem se importaria mais com o que visse, contudo, foi Kirishima que ficou mais ansioso.
— Qual tinta você acha que fica melhor no meu cabelo? — perguntou a todos, mostrando duas tonalidades de vermelho que eram quase idênticas.
— Pra mim é tudo a mesma merda. — Bakugou olhou pra eles tentando decifrar o que tinham de diferente. — Mas você fica lindo pra caralho com qualquer cor de cabelo, então eu não me importo.
— Acho que o da direita. — Kaminari sugeriu, também olhando algumas tintas de cabelo. Se ele estava interessado em comprar, ninguém sabia.
— Meu deus do céu — Ashido gritou, histérica, chegando em saltos até eles. — Olhem pra essa escova! Ela seca, enrola, penteia, faz tudo! — Certamente, Mina escondeu o preço de três mil reais que ela possuía, manteria escondido até que alguém perguntasse. — Posso levar, posso levar, posso levar?
— Sim — Shouto respondeu, sem mais detalhes. Bakugou tossiu alto, olhou para a garota com um enorme sadismo no rosto.
— Ei, Ashido, quanto custa? — Com a pergunta de Katsuki, Mina escondeu-se um pouco, agarrando-se à escova, como dissesse que quer ficar com ela a todo custo.
— … três mil reais. — Bakugou arregalou os olhos, encarou Todoroki por alguns instantes, esperando uma resposta dele. Shouto apenas deu de ombros, e Mina sorriu, dando pulinhos histéricos.
— Ei, eu quero uma também. — Kirishima se aproximou para olhar a escova. Todos sabiam o quanto o seu cabelo era complicado de tratar. E isso ficava mais visível quando olhava para o carrinho dele: um monte de gel, hidratante, tinta para cabelo.
— Pode levar. — Todoroki falou, e Bakugou o olhou incrédulo. Como ele conseguia ser tão liberal?
Foi quando passaram pela seção de músicas, que Kaminari parecia querer levar o departamento inteiro.
— Como você consegue levar tantos gêneros diferentes de músicas… ? — Kirishima perguntou, um tanto chocado com a variedade musical de Kaminari.
— Eu gosto de todos os gêneros. — Sorriu de uma forma discreta. — Musicais, é claro. Perdão, eu sou muito bissexual para isso. — Continuou a revirar os cds, pegando desde country até heavy metal. — E falando em bissexual, meu ídolo. — Retirou um cd com os hits mais famosos de Queen, colocando-o no carrinho.
— O que está olhando? — Bakugou perguntou para Sero. Ele estava encarando alguns boxs de filmes, tinha desde Senhor dos Anéis até Star Wars. Tudo em blu-way, Katsuki se perguntava como tinha pessoas que ainda compravam mídias físicas de filmes.
— Não sei se eu deveria levar. — Parecia tão pensativo e hesitante que Katsuki revirou os olhos. Encarava um box de Harry Potter.
— Meus namorados idiotas estão levando um monte de gelatina pra encher uma piscina inteira, acho que é válido você levar uma coleção dos melhores filmes do cinema.
— Tem razão. Vou levar a melhor saga cinematográfica. — E foi com a mão logo nos filmes de Star Wars, que, inclusive, Shouto adorava. Bakugou pareceu extremamente indignado.
— Por que cê não pegou a porra de Harry Potter? — E Sero pareceu ligeiramente confuso.
— Bakugou, meu querido amigo, eu respeito muito a sua opinião, mas Harry Potter nem foi uma adaptação descente dos livros. Star Wars é um clássico, uma lenda, os melhores filmes que existem e-
— São entediantes pra um caralho.
— Diz o cara que ficou o dia todo cavalgando.
— Espero que estejemos falando de Red Dead Redemption 2.
Sero sorriu, quase como uma risada.
— Estamos?
Bakugou arregalou os olhos.
— Pra sua informação, o jogo não é sessenta horas cavalgando como todos dizem.
— Claro que não — Kaminari interferiu a conversa —, são oitenta.
O rosto de Katsuki imediatamente começou a avermelhar-se. Sero sorriu, de uma forma maliciosa que eles conheciam tão bem.
— Ah, é?
— Não é da sua conta, porra. — E virou-se para o outro lado, ignorando completamente Sero que começava a rir mais alto. — E você não tava comprando a porra dos cds? — Kaminari sorriu, segurando uma risada, conforme Bakugou se afastava.
— Aposto que ele tá irritadinho assim porque não achou nada que goste — Sero sugeriu, Kaminari apenas tinha que concordar
— Com certeza.
Passaram, rapidamente, pela seção de materiais escolares, onde Ashido pegou um monte de material cor de rosa e enfiou no carrinho, principalmente, post-it. Não ficaram muito tempo na parte, decidindo ir para uma área que interessaria todo mundo: a parte de tecnologia. Mas, antes, acabaram passando por uma área que não imaginaram que alguém demonstraria interesse, muito menos, que fosse Bakugou.
A parte de cozinha.
— Caralho, essa faca é muito bonita, e parece ter um corte bom. — Obviamente, Bakugou não planejava assassinar alguém, pelo menos, era isso que eles esperavam. Ele ficou admirando um monte de produto, fazendo com que todos se lembrassem de sua paixão pela cozinha, que era frequentemente deixada de lado por ele não possuir mais tempo de realizá-las.
— Bakugou, por favor, me diga que você não vai assassinar ninguém com ela — Mina perguntou, em um tom tão sério que nem parecia tratar-se de uma brincadeira. Katsuki apontou a faca para ela, quase inconscientemente, ela jogou as mãos para o alto. — Eu me rendo, eu me rendo, eu vou tirar os meus doces do seu carrinho!
Bakugou riu alto, jogando a faca dentro de seu carinho. FIcou um tempinho admirando as geladeiras, microondas, fogões, talvez, até pedisse um, mas sabia que tinha produtos melhores na mansão de Todoroki.
— Caralho, é uma máquina de sorvete!!! — Kirishima apareceu com uma caixa em suas mãos, Kaminari, imediatamente, olhou para ele com um enorme sorriso.
— Eu quero!
— Eu também!
— Vai, você pega a que é modelo amarelo, e eu pego a que é vermelha.
Sero tossiu fundo.
— Vocês sabem que isso é um brinquedo para crianças de dez anos e que provavelmente nem funciona direito?
Ambos se olharam, um pouco decepcionados com o produto. Olharam para a máquina, para Sero, para ambos. Mas, então, sorriram.
— Vamos fazer muitos sorvetes!
— Vem comigo, eu achei máquina de raspadinha também! — Kirishima segurou a mão do namorado e o arrastou, direto para a parte de brinquedos infantis. Todoroki sorriu, percebendo o quão adorável eles são.
— Ei, eles sabem que você tem uma máquina, de verdade, de sorvete na tua casa? — Bakugou perguntou. Shouto deu de ombros.
— Acho que não. Mas eles estão felizes. Isso é o que importa. — Todoroki, então, filmou Bakugou olhando as máquinas.
— Posso levar uma balança de alimentos? — Todoroki o olhou um pouco estranho. — Cacete, e pra mim você faz essa carinha fofa de quando tu acha as coisas estranhas? — Shouto riu, por fim.
— Claro que pode, amor. — Bakugou sorriu, aproximando-se do namorando e beijando-o levemente nos lábios.
Quando Kaminari e Kirishima voltaram com brinquedos que faziam comida, Bakugou já tinha um monte de facas em seu carrinho. Partiram, finalmente, para a seção de tecnologia.
— Celular! Celular! Celular! — Mina começou a sorrir, conforme olhava para um monte de celulares em exibição. — Olha pra essa máquina fotográfica!
— Essa vitrola é muito bonita. — Sero olhava para uma parte com vários discos de vinis e alguns aparelhos para tocá-las.
— Vitrola? Sério? — Bakugou perguntou. Sero fechou levemente os seus olhos para, em seguida, abri-los.
— Nunca viu minha coleção de vinis?
— Já, mas…
Antes que Bakugou pudesse continuar a falar, Kaminari pegou em sua mão, de forma súbita, e o arrastou para longe, falando para chegarem a parte de consoles, dizendo querer achar a pokebola do Pokemon Let’s Go. Kaminari já tinha o Let’s Go, Pikachu, mas, agora que poderia levar qualquer coisa do mercado, não seria mal levar um Let’s Go, Eevee, também, não?
Acabou que Kirishima pegou alguns produtos de academia. Kaminari estava feliz com uma pokebola que conectava com o seu jogo e Sero carregava uma vitrola. Até mesmo Bakugou pegou algo, um par novo de fones de ouvidos, apenas para guardar por segurança, sabe-se lá quando ele se estressaria e quebraria os seus fones… de novo. Ashido, a que mais aproveitou, tinha consigo um celular novinho e uma câmera fotográfica nem um pouco barata.
Tinha, agora, a seção favorita dos louros no grupo.
Imediatamente, Kaminari foi namorar a edição de colecionador de Call Of Duty Black Ops, enquanto Bakugou jogava um dvd de Far Cry 5 em seu carrinho.
Apenas se ouviu um grito de Kaminari.
— Bioshock! — E correu em direção aos jogos, para ser mais específico, ao “Ultimate Songbird Edition”, uma edição de colecionador que vinha o jogo na versão Infinite mais vários acessórios, contando, principalmente, com uma action figure do Songbird. Tentou arranjar espaço no carrinho para colocá-la, junta à edição de colecionador de Black Ops.
Então, Bakugou deu-se de cara com um certo jogo, digamos que, um tanto quanto odiado pela mídia. Ele apenas encarou a capa, viu o preço e começou a rir alto.
— Olha só isso, Fallout 76 por metade do preço. Otários. — Após isso, mostrou o dedo do meio para a capinha do jogo.
Começou a olhar as caixinhas, então, pegou o jogo do Homem-Aranha, God of War — ou, deveria dizer, God Of The Year? — e Fifa. Não pegou apenas uma versão, mas, como também, duas de cada, para colocar as outras no carrinho de Kaminari.
— Por que estão comprando duas cópias do jogo se vão morar comigo e podem dividir o mesmo jogo? — Todoroki perguntou, um tanto curioso. Katsuki revirou os olhos, tal como se fosse a pergunta mais obvia do mundo.
— Dah, porque não queremos ajudar a empresa a falir?
— Sim, sim — Kaminari falou —, não queremos que aconteça o mesmo que rolou com a Telltale.
Shouto se assustou quando, de repente, Kirishima surgiu com um ursinho de pelúcia gigante, do tamanho de uma criança.
— Olha o tanto que ele é másculo! — E Todoroki deveria encarar isso como normal? Bom, se deveria, fê-lo bem, pois deixou Kirishima colocá-lo no carrinho e levar para a casa.
Foi quando estavam passando por uma outra seção, que Sero fez uma pergunta intrigante.
— Por que o Kaminari tem uma cadeira de praia no carrinho dele?
— Por que eu não teria? — Kaminari devolveu com uma pergunta. — E se formos à praia?
— Kaminari, moramos em uma cidade que não tem praia.
— E daí? Por isso. — Esticou o braço, tentando pegar uma caixa, mas tinha dificuldade por conta de seu tamanho e de que ela estava localizada bem no alto. No final das contas, Todoroki acabou pegando por ele. — Eu irei levar uma piscina.
Quando todos estavam satisfeitos do que levariam, começaram a andar até o final da loja. Contudo, não contavam com uma determinada promoção natalina, tratando-se de, nada mais, nada menos, que um carro. Dos bons, por um preço bom.
E Katsuki teve que morder seu lábio inferior.
— Por que diabos tem um carro sendo vendido em um supermercado? — Bakugou perguntou.
— Acho que não é do supermercado, em si, mas de uma vendedora que está fazendo divulgação aqui. Tem uma parceria envolvendo um sorteio, também. — Sero explicou, lendo algumas das informações que continha nas placas.
— … Shouto. — Foi Kirishima quem começou a fazer a pergunta a qual todos queriam saber. — O carro também está valendo?
Todoroki pareceu hesitante por um momento enquanto encarava o preço do carro e pensava na quantia absurda de coisas que eles já estavam levando.
— Por favor, Shoto. — Kaminari fez uma voz manhosa, aproximando-se do namorado.
— Vamos, Shouto! — Bakugou também pediu. Era impressionante como ele conseguia ficar manso quando tinha algo de seu interesse envolvido.
— Por favor, Todoroki! — Até mesmo Mina e Sero pediram, mesmo sabendo que não ficaria com eles o carro, gostaria de que os seus amigos tivessem um carro compartilhado, pois, assim, poderiam levá-los aos lugares.
— A gente divide entre nós quatro — Kaminari sugeriu, ainda com a voz manhosa. — Pensa no quanto vai ser legar ter um carro.
Era um fato de que Todoroki tinha uma casa enorme, mas nunca demonstrou interesse em um veículo, gostava de andar por meio de táxi para os lugares — como passava bastante tempo fora do país, nem usava. Sempre prometeu a si mesmo que compraria um carro no próximo ano, e, bom, já estava chegando perto do fim do ano.
— Sim. Imagina o tanto de lugares que vamos poder ir — Kirishima disse.
— Eu compro um carro, apenas um, mas com uma condição. — Os seus namorados o olharam com ansiedade no olhar, perguntando, imediatamente, o que era. Todoroki de um leve sorriso: — Vou poder foder vocês no carro.
Era notável o sorriso dos três, certamente, foi uma das primeiras coisas que pensaram ao ter a ideia de possuir um carro.
— Não precisa pedir duas vezes. — Katsuki usou o seu sorriso malicioso tão habitual.
— Imagina só, vamos poder te chupar no bando de trás. — Kaminari usava uma voz mais baixa, para que as pessoas ao redor não ouvissem, a câmera registrava, contudo, essa parte seria cortada do vídeo.
— Podemos até estrear hoje, se quiser. — Kirishima sorriu.
Então, Todoroki voltou a gravar, como se nada tivesse acontecido.
— Aparentemente, eu vou comprar um carro.
O final da noite se resumiu com três garotos chateados porque não poderiam levar o carro imediatamente, já que tinha uma papelada para fazer e já estava tarde, preferindo deixar isso para depois do natal, mas com o carro reservado. Porém, eles ainda tinham um monte de tralha sendo levada para a mansão, na realidade, não poderiam estar mais felizes.
Esperavam que, ao menos, o vídeo no canal do Shouto fizesse bastante sucesso e rendesse uma enorme monetização.
