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Archive Warning:
Category:
Fandom:
Relationship:
Characters:
Language:
Português brasileiro
Series:
Part 5 of Especial Anual de Natal ✨
Stats:
Published:
2020-12-25
Words:
3,000
Chapters:
1/1
Comments:
1
Kudos:
2
Hits:
41

Aqui jaz a não mais amada noite de Natal

Summary:

Para quem foi abandonado por aqueles que mais amou em sua vida, era difícil aguentar a dor de celebrar um natal quando todos estavam se divertindo com as pessoas que mais importavam para a sua vida. Mesmo que o presente fosse importante, esquecer o passado não era tão fácil quanto parecia.

[Kaeya x Albedo — angst]

Notes:

— quinto ano seguido em que escrevo uma fanfic para comemorar o natal, porém essa é a primeira vez que faço isso com angst então... ? não sei. angst realmente não é a minha área, por isso provavelmente está ruim, não prometo nada.

— a fanfic segue teorias de que albedo é um homunculos que foi criado em khaenri'ah e confesso que também há insinuações sobre intenções cruéis por parte de rhinedottir, enfim.

— espero que gostem e albedo pls come home

— ignorem também os vários erros ortográficos que devem ter porque não revisei a fanfic

(tem uma versão em ingles postada em conta órfã em algum lugar aqui do ao3....)

Work Text:

Kaeya despertou de seu sono com um cheiro forte que reconhecia bem, não que se incomodasse com tal odor de nicotina, ainda mais ao ter aceitado o fato de que seria um cheiro comum em sua vida a partir do momento em que decidiu relacionar-se com o alquimista de Mondstadt. Uma breve olhada no relógio o fez perceber que havia se passado cerca de uma hora desde que tinha dormido, e o bocejo que saiu involuntariamente por sua boca reforçou a ideia de que ainda havia sono em seu organismo.

A iluminação de Mondstadt entrava pela janela do apartamento de Kaeya, mesmo que ele se lembrasse de ter fechado as cortinas. Albedo estava sentado na cama, nem havia se preocupado em colocar uma blusa, exibindo um corpo tão pálido e esguio, magro e de uma saúde que para qualquer humano seria considerado precário. Havia uma graciosidade na forma em que albedo segurava o cigarro entre seus dedos, até o jeito em que conduzia aos seus lábios. Kaeya definia como sexy, um dos motivos para não se importar com o cheiro desagradável de tabaco perto de si, não que também não estivesse desacostumado a isso — visto que vários cavaleiros fumavam em seu tempo livre, ainda mais nos bares que costumavam frequentar com Kaeya —, e até mesmo o próprio homem tinha de admitir que em certas ocasiões fez uso da droga, mas ainda era muito diferente a sensação do cheiro quando era uma outra pessoa fumando.

Com a quantia exagerada de cigarros que Albedo consumiu nos últimos tempos, o cheiro estava virando uma rotina, no entanto.

— Eu acordei você? — Kaeya se surpreendou com a voz de Albedo, seu amante estava virado de costas para ele, sem que houvesse uma sequer indicação de que havia acordado, até mesmo seu bocejo foi tão silencioso que seria imperceptível.

Talvez tenha subestimao Albedo.

— Está tudo bem — a sua voz saiu mais sonolenta do que imaginava. Kaeya inclinou o corpo para frente, deixando com que a manta caísse de seu peitoral, exibindo-o em uma diferença tão estrondosa do visual de Albedo. Enquanto a estrutura corporal de Albedo mais parecia a de alguém que não seria capaz nem de segurar uma espada, Kaeya exibia um corpo digno de admiração pelos mais bravos guerreiros.

Kaeya no fundo sabia melhor do que ninguém a admirável força que Albedo carregava apesar de seus bracinhos finos e fofos.

— Por que você está acordado? Não está com sono? — perguntou ao se aproximar de Albedo, encostando seu corpo ao dele, quase que o abraçando. Com um sorriso presunçoso, que Albedo praticamente poderia ver com a sua imaginação, Kaeya resolveu provocá-lo. — Eu não te cansei o suficiente, é?

Uma risada seca saiu dos lábios de Albedo, o que causava uma sensação boa em Kaeya.

— Não… não é isso — levou o cigarro aos seus lábios, tragando mais uma vez antes de soltar. Kaeya deu uma breve olhada no cinzeiro ao lado da cama, notando que já fazia um tempinho desde que Albedo estava fumando. Era um hábito que lhe preocuparia um pouco se… Albedo não fosse Albedo. Toda a sua indignação não estava no maltrato à saúde de Albedo, porque havia uma plena consciência de que problemas mundanos respiratórios não seriam nada para um ser da origem de Albedo, porém o aumento de sua rotina com cigarros indicava que havia algo incomodando a mente brilhante do gênio por trás dos alquimistas de Mondstadt.

E isso sim era algo para se preocupar.

— Ei, eu sei que o cigarro não te faz mal, e não estou ligado para isso. Mas aconteceu algo? Você anda… exagerando.

— Está preocupado? — Achadno um tanto adorável a reação de Kaeya, Albedo não conseguiu evitar de deitar a cabeça no ombro dele, repousando em um gesto leve de conforto. — Não fique, eu sobrevivirei.

Kaeya esticou a sua mão, segurando a mão de Albedo como um simples gesto de companheirismo, mesmo que acreditasse que a mente frívola de Albedo para relações entre humanos não fosse captar o significado que ele gostaria de passar. Não importava muito, no entanto, não quando era tão gostosa a sensação de apertar a mão tão delicada, fina e pequena de Albedo

— Ei, Kaeya, por que as pessoas gostam de natal?

Kaeya piscou algumas vezes, afastando-se de Albedo um tanto quanto surpreso.

— É isso que te aflinge?

— Pode-se dizer que sim.

Não que Albedo tivesse zero empatia ou um coração tão frio quanto as piores partes de se explorar da Espinha do Dragão. Ele apenas… era ingênuo, não entendia muito bem. Um emocional que não fora bem desenvolvido, gerando uma dificuldade para compreendimentos de humanidade. Para alguém que levava a razão muito mais fundo do que a emoção, algumas coisas eram difíceis de serem levadas a sério. Kaeya se acostumou com isso, acostumou a ver a humanidade se desenvolveer em Albedo quando se tratava de relações sociais, compaixão e até mesmo outras situações. Albedo era uma boa pessoa, Kaeya sabia disso, porém também sabia que Albedo conseguiria não ser uma boa pessoa se a ocasião necessitasse, e longe de julgar tal ação, Kaeya não podia negar que o mesmo valeria para ele.

Crianças e criações de Khaenri’ah poderiam ser… questionáveis.

— Acho que as pessoas gostam de celebrar o natal com pessoas próximas que amam, como se ouvesse uma certa magia em estar perto daquelas pessoas que mais importam para você. Acho que as pessoas consideram divertido, há uma enorme celebração e clima sobre isso.

Afastando o cigarro dos lábios, Albedo repousou melhor no corpo de Kaeya, mesmo que não fosse tanto de fazer contato corporal, parecia que conforme o relacionamento de ambos se aprofundasse mais, Albedo se sentia mais a vontade para buscar um conforto físico.

— Acha? — reforçou a ideia de que, durante todo o tempo, Kaeya não demonstrou nenhuma certeza sobre isso, apenas demonstrando não estar seguro sobre os seus próprios sentimentos perante a data natalina.

— Confesso que não entendo muito bem. — Como se estivesse preparado para falar algo que não era de seu agrado, Kaeya esticou a sua mão e pegou o cigarro da posse de Albedo, sem que o outro oferecesse resistência. Albedo pensou a princípio que Kaeya jogaria fora, falaria algo sobre como Albedo estava fumando demais no momento e de que deveria dormir. Certo de que Albedo estava longe de ser humano portanto ser afetado por alguma doença respiratória, não vendo nenhum problema em abusar de substâncias que poderiam ser prejudicais para um pulmão, mas quem sabe Kaeya já não suportava mais o forte cheiro do cigarro no quarto?

Longe disso, Kaeya apenas colocou em sua própria boca e tragou. Para quem não tinha uma frequência alta, Albedo achava que ele respirava com muita facilidade a ponto de parecer um fumante tão compulsivo quanto Albedo.

Talvez Kaeya estivesse escondendo algo dele.

(Mais do que costumava esconder.)

Albedo não se importava, todavia.

— Não tenho família e aquele que foi o mais próximo de família que eu tenho me odeia. — Houve uma tentativa de disfarçar a amargura em sua voz com um tom humorista, como se fosse uma situação tão trágica que seria para rir ao disfarçar seus verdadeiros sentimentos. O tiro saiu pela culatra, no entanto, e Kaeya apenas ignorou a melancolia que havia deixado no ar, ocupando-se em tragar mais uma vez antes de devolver o cigarro para Albedo. — Ah! Não que você não seja importante para mim e-

— Não precisa se justificar, Kaeya. — Emitiu uma leve risada, ao perceber o estado constrangedor que Kaeya havia ficado, sendo um pouco divertido para seu lado mundano. — Não ter família, é… ? Eu sinto saudades de Rhinedottir. Pergunto-me se… ela estivesse em Mondstadt, será que ela gostaria de comemorar o natal?

— Você não me fala muito dela… — Como se Albedo fosse o tipo de pessoa que se preocuparia em contar sobre a sua vida pessoal para outros, sendo até difícil arrancar as informações de Albedo sem que parecesse muito intrusivo à visão do alquimista. — Mas admito, não entendo muito bem o espírito natalino.

— Sério? Parecia tanto estar a se divertir com todos os outros, e dizia em tamanha exclamação sobre como adora essa época. Fiquei surpreso de querer passar a virada comigo, e não bebendo com seus colegas cavaleiros no Angel’s Share — era uma afirmação genuína, Albedo não demonstrava um ciúme qualquer, nenhum tipo de sarcasmo em sua voz. Kaeya sabia que ele não se importaria se fosse deixado sozinho na noite de natal.

— É porque você é mais importante para mim do que um bando de cavaleiros bêbados. Você sabe que eu te amo.

Não, não era apenas por isso. No fundo, tanto Albedo quanto Kaeya sabiam. Parecia doloroso demais a ideia de se esbarrar com Diluc em uma noite natalina, relembrando-se de momentos em que eram apenas crianças inocentes que se divertiam montando uma árvore cheia de decoração, corriam empolgados pela casa e tentavam advinhar quais presentes ganhariam. Lembranças tão distantes de quando Diluc sorria com tamanha facilidade e de quando Kaeya não precisava se preocupar com assuntos de Khaenri’ah, apenas adiando-os para quando fosse mais velho e conseguisse compreender profundamente o destino trágico a qual estava ligado.

— Não gosto muito do natal — Kaeya admitiu, enquanto vislumbres de boas lembranças que o deixavam melancolico no momento passava em sua mente. Seu principal motivo para não gostar de tal data, provavelmente, mesmo que nunca tenha se preocupado em se aprofundar nos sentimentos. — Talvez eu seja bom em fingir — “e você sabe isso mais do que ninguém” pensou, sem que emitisse as palavras. — Gosto da empolgação, da bebida. Como um festival, mas não… Ah — suspirou, resolvindo abrir o jogo. — Me traz más lembranças. Ou melhor, boas lembranças, porém que após determinadas situações, tornaram-se tão distantes da realidade que há uma amargura contida nelas. Apenas isso.

Pela sua forma de falar, Albedo sabia que não deveria questionar mais.

Algumas vezes, haviam limites que Albedo não quebraria por respeito a Kaeya. E a percepção disso evitava que Kaeya tivesse que procurar uma forma de disfarçar a verdade que não gostaria de contar por meio de piadas e brincadeiras em um sorriso amigável.

— Klee sempre amou o natal. Eu, Alice e Klee costumavámos fazer biscoitos, cantar músicas, tomar chocolate quente à noite e no dia seguinte Klee acordava sorridente e fazendo festa para abrir os presentes. — Mesmo que a empolgação não fosse algo compreensível emocionalmente para Albedo, ver Klee feliz sempre gerou uma certa felicidade para ele próprio. — Era um pouco divertido, mas agora que… Alice não aparece há anos para o natal, está tudo tão… vazio.

— Entendi — Kaeya afirmou, abraçando Albedo sem que Albedo mesmo compreendesse o que Kaeya queria dizer.

— Ah?

— O motivo para você estar triste — mesmo que não admitisse em palavras, Kaeya conseguia ver quando Albedo estava triste. Havia uma certa mudança sutil em seus comportamentos, que se Kaeya não o observasse frequentemente e tomasse tanto cuidado com ele, provavelmente não repararia. — Está triste porque sente saudades de Alice e Rhinedottir… — e como se isso não fosse suficiente, Kaeya segurou a mão de Albedo para que continuasse. — Sente que elas te abandonaram, e por isso você está tão solitário.

— Você acha? — Albedo perguntou sem que soubesse a própria razão da melancolia em seu jeito de agir. Alguém que se focava tanto na razão tinha uma certa dificuldade para focar no emocional.

— Por que não passou o natal com a Klee?

— Pelo mesmo motivo que você não passou o natal com o mestre Diluc.

— Touché — um sorriso de Kaeya indicava que Albedo o havia pegado de jeito, atingindo o seu ponto fraco com uma arma forte e pontiaguda, imobilizando-o e o deixando no chão.

— Ah, perdão, eu não quis- — começou a quase se desculpar ao perceber que havia tocado em um assunto sensível. Kaeya deu de ombros.

— Não se preocupe. Acho que estou mais preocupado com você.

Kaeya e Albedo eram diferentes. Enquanto Kaeya não admitia a dor que sentia por lembranças tão antigas que lhe trazim um luto na noite natalina, Albedo não conseguia entender a própria dor, sem que houvesse uma forma de compreensão para que gerasse uma superação.

Kaeya suspirou, segurando a mão de Albedo mais forte e voltando a falar:

— Eu sei que você acredita que, se o seu coração acabar ferido, basta substituí-lo por um novo, reluzente e brilhante que exala vitalidade. Mas um coração ferido deixa marcas, Albedo, marcas bem profundas que nunca cicatrizam, não importa o quão perfeita a sua alquimia seja ou será algum dia.

— Isso parece uma boa metáfora.

— Você está tão quieto — palavras saíram com frieza em sua voz.

— Estou? Perdão, acho que apenas estou…

— Albedo — finalmente, Kaeya se ajeitou na cama, aproximando-se de Albedo e sentando bem ao lado dele, ao invés de ficar para as costas como estava anteriormente. Virou o rosto do alquimista, para que o encarasse. — Está tudo bem ficar triste.

— Tristeza é uma emoção de repercursão negativa e não benéfica para seres humanos-

— E você nem humano é, não venha com esse papo. — Encarando fixadamente Albedo, Kaeya sabia que era complicado lidar com Albedo algumas vezes. — Humano ou não, Albedo, como eu disse, está tudo bem ficar triste. Está tudo bem chorar e-

— Chorar, é? — O jeito que Albedo pronunciava as palavras, olhando pela janela, parecendo tão distante…

— Você já… chorou? — essa era uma pergunta que Kaeya nunca se imaginou fazendo. Ele sabia muito bem como até mesmo as smentes mais fortes precisavam chorar algumas vezes. Não importasse o quão duro e sem sentimentos as pessoas parecessem, Kaeya sabia por experiência própria que ninguém era tão duro ao ponto de evitar qualquer negação de sentimento que o fizesse chorar.

— Acho que sim. — Parecendo realmente ponderar sobre o assunto, Albedo vasculhava em suas memórias. — … não, eu nunca chorei.

Abandonado por sua mestra, deixado apenas com uma carta, em caminho de Mondstadt. A única pessoa que Albedo tinha, a únic pessoa para representar uma mestre, uma amiga, uma família… uma mãe talvez. Apenas deixado de lado em um dia qualquer, sem explicações profundas, sem uma forma de retorno. Albedo talvez quisesse chorar nesse dia, porém não se deu permissão para isso.

Olhando com tamanha pena para o amante, Kaeya o abraçou, puxando-o para o seu colo e envolvendo todo os seus braços ao redor de Albedo. Acariciando o seu corpo, movendo a sua mão levemente em suas costas enquanto sentia a cabeça de Albedo repousar em seu ombro, o cigarro já deixado no cinzeiro, sem que se importasse mais com ele.

— Está tudo bem, Albedo, você não precisa se esconder. Chorar é ok, você pode-

Não esperava que fosse sentir as gotas de água caindo em seu corpo tão cedo. Kaeya podia perceber os sentimentos profundos de Albedo sendo liberados conforme ele se aprofundava mais, percebia a forma como Albedo simplesmente se livrava de sentimentos e dor por meio das lágrimas que escorriam.

O vazio em sua vida.

O motivo de sua existência.

O futuro incerto que lhe aguardava.

Kaeya murmurava algumas palavras desconexas, tentando tranquilizar Albedo enquanto usava a sua mão para um carinho e um contato físico confortável. Porém parou ao sentir a mão de Albedo segurando seu cabelo, subindo pela nuca e acariciando o topo, com tamanha leveza e delicadeza, tão confortável.

— Você pode… chorar também — Albedo comentou, a sua voz um tanto distante. — Você pode parar de esconder o seu sofrimento por meu de uma máscara social que cria para parecer sempre feliz. Aqui, agora, ao menos comigo, mostre-me o seu eu de verdade, quebre essa máscara e permita-se fluir.

E parecia que aquilo era o suficiente para que Kaeya desabasse.

— Porque eu te amo — Albedo continuou. — E eu não gosto de ver você sempre fingir ser alguém que não é para agradar aos outros, para que não se preocupem com você, para que pensem que você está bem...

Tanto Kaeya quanto Albedo sabiam que nada seria igual ao passado.

— Se você quer que eu chore — Albedo levantou a cabeça levemente, encarando Kaeya no olho. — Não seria justo que você chorasse também?

Kaeya nunca veria Diluc sorrir com tanta pureza e ingenuidade novamente, sem que se preocupasse com as suas cicatrizes do passado. Kaeya sabia que nunca seria bem-vindo à vinícola como era antigamente, e mesmo quando voltasse lá, haveria um olhar estranho. Kaeya sabia que no momento era puro, mas que no futuro suas mãos se manchariam com um sangue a qual ele não gostaria de ter sujado, afinal, Khaenri’ah corria em suas veias, e não importasse o quanto ele tentasse fugir daquela terra sombria, ele sabia melhor do que ninguém que a maldição de Khaenri’ah corria atrás dele com a mesma intensidade. E bastaria um colapsar das suas pernas para que ela conseguisse pegá-lo.

Albedo nunca veria um orgulho e pureza no olhar de Alice ao encará-lo com tamanha felicidade, como se Albedo fosse o seu próprio filho. Albedo tinha plena certeza de que seu futuro traria decepções, fortes decepções para Klee, para Alice. Pois essa seria a consequência de orgulhar a sua mestre. Tentava, em tempo integral, não pensar em como Sucrose o olharia com espanto, pensaria no monstro que a treinou, perceberia a essência cruel da magia originada de Khaenri’ah. Albedo adiava o dia em que a sua alquimia ultrapassaria os limites determinados pelos humanos, ele tentava não pensar no dia que toda a humanidade que se esforçou para construir seria perdida por meio de algum experimento que teria que fazer em prol a sua pesquisa. Enquanto esperava por esse dia, a necessidade que o aguardava no futuro, Albedo gostava de fechar os olhos e se sentir um humano.

Mas era difícil, tanto para Albedo quanto para Kaeya, nutrir um sentimento de humanidade em seu organismo quando sangue de Khaenri’ah corria por suas veias.

Eles eram isso, a criação e a criança de Khaenri’ah. Ah, tão pobres as almas penadas de uma cidade sem deuses.

Que os sete arcontes protejam tais crias do desespero, maldição e sofrimento.

Mas, por enquanto, longe da benção de grandiosos deuses, ambos apenas podiam contar um com o outro para que entendesse com a mesma intensidade toda angústia que eram destinados a passar.

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