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Inui tomou um susto quando ouviu o barulho da porta de seu apartamento se abrindo, com o som de alguém caindo em seguida. O loiro largou o livro que estava em suas mãos no sofá, apressando os seus passos até a porta de entrada.
— Koko? — O mais alto se abaixou na altura de seu namorado, pegando o braço dele e colocando sobre os seus ombros, ajudando Kokonoi a se levantar. — O que aconteceu? Você está se sentindo bem?
Kokonoi tentou falar algo, tossindo no mesmo instante. O moreno colocou a mão ao redor da própria garganta, a apertando levemente.
Inui olhou para aquilo e foi como se uma lâmpada tivesse se acendido em sua cabeça.
— Você está com fome? — O loiro perguntou novamente, colocando o namorado sentado no sofá. — Hajime, você ficou o dia todo sentindo fome?
Kokonoi apertou os lábios e suspirou, jogando a cabeça para trás enquanto passava a palma da mão contra a testa.
— Me desculpe por ser um problema para você, Seishu. — O vampiro murmurou, sentindo sua garganta seca.
Inui cruzou os braços e balançou a cabeça, negativamente.
— Mas você acordou com dor de cabeça hoje... E eu não queria te incomodar pedindo para beber sangue. — Kokonoi acrescentou, terminando a fala com um beicinho nos lábios.
Como Inui teria coragem de ficar chateado com seu namorado quando ele parecia tão fofo com essa expressão?
— Eu agradeço por se preocupar. — O loiro se sentou ao seu lado, segurando a mão pálida do namorado. — Mas eu posso lidar com uma dor de cabeça. Você não pode ficar sem beber sangue por tanto tempo, o que iria acontecer se desmaiasse no meio da rua e fosse atingido por um carro?
Kokonoi ficou em silêncio.
— Eu acho que você foi um pouco específico nessa situação, Inupi.
— Essa não é a questão, Koko! — Seishu respondeu, contendo a vontade de bater na cabeça do vampiro. — Aprenda a me pedir ajuda sempre que sentir fome, não é como se eu odiasse dar meu sangue para você.
Realmente, Inui não odiava isso. O garoto, na verdade, gostava tanto que Kokonoi bebesse seu sangue que o próprio vampiro já pensou se aquilo era uma reação normal.
Mas bem, Kokonoi é um vampiro. Ele não podia ditar o que era normal ou não, quando ele mesmo nem humano era.
— Vamos lá, você deve estar sentindo dor. — Inui puxou os braços do namorado suavemente, o ajeitando em seu colo. Kokonoi parecia querer dizer mais alguma coisa, mas o loiro segurou em sua nuca e o empurrou em direção do seu pescoço. — Beba primeiro e converse depois.
As mãos do vampiro se apertaram contra os braços de Inui, seu nariz passando no pescoço do namorado.
O cheiro dele é tão bom. E o gosto de seu sangue era melhor ainda.
Kokonoi sentiu seu estômago protestar, fazendo seu corpo doer no mesmo instante. O moreno parou de prolongar seu sofrimento e abriu sua boca, afundando seus dentes na pele macia.
Inui arrastou sua mão nas costas do namorado, a outra segurando seus fios de cabelo escuro, acariciando sua cabeça.
A dor inicial da mordida era como a de uma injeção, não chegava a doer tanto e Inui já havia sido mordido por Kokonoi tantas vezes que se acostumou totalmente aquela dor.
O loiro se sentiu satisfeito ao ouvir o barulho de seu sangue sendo sugado por Kokonoi, o líquido descendo pela garganta do mais velho.
Ele relaxou e abraçou o namorado, seu rosto esquentando quanto mais Kokonoi bebia e apertava seu corpo contra o dele.
O vampiro conseguiu afundar suas presas mais fundo em seu pescoço, o que fez Inui soltar um gemido fraco de dor.
Kokonoi realmente estava com fome. Inui gostava da sensação de poder alimentar o vampiro.
Mas seu corpo começou a ficar fraco conforme Kokonoi bebia mais sangue, e mesmo que Inui não se importasse de dar todo seu sangue para o namorado, o loiro sabia que Kokonoi iria se sentir culpado se ele acabasse desmaiando por fraqueza.
Sendo assim, ele deu um tapinha no ombro do moreno. Aquele era o sinal entre eles indicando que Kokonoi já havia bebido o suficiente de Inui.
O vampiro entendeu no mesmo instante e afastou sua boca do pescoço do loiro, passando sua língua pelas feridas.
— Tudo bem? — Kokonoi perguntou, segurando o rosto corado de Inui.
— Sim, sem problemas. — Inui respondeu, abrindo um pequeno sorriso para Kokonoi. Era desse jeito que ele gostava de ver o namorado, seu rosto, que já era pálido normalmente, mas com as bochechas levemente vermelhas por estar alimentado o suficiente.
— Obrigado pela ajuda. — Kokonoi disse, deixando um beijo nos lábios de Inui.
— Qualquer coisa por você. — O loiro acariciou a bochecha do vampiro, encostando a testa no ombro dele em seguida. — Vamos ficar assim um pouquinho, sinto que vou desmaiar se eu levantar.
Kokonoi assumiu uma expressão preocupada.
— Não se preocupe, querido. — Ele respondeu antes do vampiro dizer qualquer coisa, mesmo que não estivesse olhando o rosto de Kokonoi, ele sabia o que o namorado devia estar pensando depois do que disse. — Depois que eu comer alguma coisa irei me sentir melhor.
— Certo... — Kokonoi afundou o nariz no cabelo macio e claro de Seishu, sentindo o cheiro doce do shampoo que ele usava. — Irei cozinhar, então. Agora é a minha vez de cuidar de você.
Inui sorriu.
— Como você quiser.
