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Precisava ser feito naquele dia. Regina não teria outra chance. Segundo uma bruxa que ela consultou na juventude. O feitiço precisava ser feito no equinócio de primavera, no ano de seu trigésimo aniversário.
E então poderia descobrir quem era seu amor verdadeiro.
Pensou que fosse Daniel, então não deu ouvidos a uma previsão tola. E depois que o perdeu o amor pareceu algo maldito e distante.
Mas esse era o ano e esse o dia. Sua única chance. Então em seu interior a Regina sonhadora que ansiava pelo amor venceu a batalha e convenceu a rainha má a fazer aquilo.
Não era algo tão difícil. Ela tinha tudo o que precisava em seu castelo e levou apenas umas poucas horas para que a poção ficasse pronta.
Quando finalizou, seguiu as instruções do pergaminho antigo e surrado que guardou por tantos anos, mesmo nos momentos de dor e desesperança.
A linha final dizia para despejar o líquido vermelho sobre um lírio branco.
Quando ela o fez a flor se tornou vermelha e pairando no ar flutuou para longe. Regina a seguiu. Apesar do vento e velocidade com que se movia nenhuma pétala sequer tremia ou se danificava.
Estava em seu cavalo, seguindo os caminhos do feitiço num galope feroz.
Deve ter se passado dez minutos e a rainha já estava perdendo a paciência, quando finalmente viu uma figura ao longe. Lindos cabelos dourados esvoaçantes. A mulher corria na direção oposta à ela. Parecia querer fugir, se esconder mas Regina a viu. Não podia culpá-la por estar com medo mas ainda sentiu seu coração apertar ao pensar que a pessoa que estava destinada à ela lhe tinha medo.
Bom, talvez não fosse ela. Talvez aquela fosse uma mulher aleatória no caminho.
Mas o lírio a seguiu.
E quando ela estava encurralada e se virou assustada viu a flor pairar em sua frente.
Ficou encantada, mesmo que estivesse assustada e levantou a mão para tocá-la.
Quando o fez a magia começou a se infiltrar em seus dedos, correu por sob a pele. Emma sentiu a magia aquecendo o sangue em suas veias até que chegou ao seu coração fazendo uma luz intensa brilhar.
Ela ofegou assustada com a sensação de calor e pertencimento. Seus olhos também brilharam em vermelho e um segundo depois tudo desapareceu e o lírio agora branco estava caído no chão.
Emma parecia tão atordoada que parou de tentar fugir.
Mas não poderia nem se quisesse.
Regina apeou e correu até ela. Parecia tão surpresa e assustada quanto a loira. Ao invés do olhar de ódio e maldade que Emma esperou ver da rainha ela viu Regina. Muita esperança e medo estampado nos olhos castanhos.
- Regina. – sussurrou com os olhos arregalados.
A morena se acercou e lhe olhou numa inspeção minuciosa.
- Um pouco informal, querida. – falou mais surpresa que irritada pela insolência da mulher desconhecida.
A loira se retraiu e abaixou os olhos.
- Perdão... majestade.
Regina ficou tão perto que a outra podia sentir sua respiração. A mulher levantou seu queixo com o dedo e seus olhos se encontraram outra vez.
O coração da xerife estava disparado. Estava tudo acabado. Estragou o futuro de forma irreversível.
- Qual o seu nome? - perguntou curiosa.
A loira ponderou. Não havia mais nada que pudesse fazer a essa altura. Seu nome não faria mais diferença, então ela disse.
- Emma Swan.
A mulher pareceu hesitar na próxima pergunta. Umedeceu os lábios. Sua boca estava seca de repente. Perdida nos olhos verdes ela soube que era real. Porque cada traço do rosto perfeito daquela mulher chamava por ela. Seus lábios rosados e finos lhe clamavam um beijo e o olhar assustado lhe fez querer ficar e mostrar que ela podia ser diferente. Que Emma não precisava temer.
- Quem é você?
- Ninguém importante, minha rainha. Sou apenas uma órfã.
A mulher suspirou.
- Você é importante. Venha comigo. – falou agarrando sua mão mas ela não se moveu.
- Não posso. Me desculpe, por favor, deixe eu ir.
O rosto da morena visivelmente se entristeceu.
- Você está com medo de mim, é claro. – constatou.
Emma negou enquanto apertava a mão entre seus dedos.
- Não tenho medo de você. Nunca tive, nem nunca vou.
A rainha sorriu com a sinceridade nos olhos verdes.
- Então, por favor, venha comigo. – pediu. – Tem algo que preciso contar.
- Pra mim? – perguntou muito surpresa.
- É sobre o que acabou de acontecer. Sobre a magia.
A loira pareceu finalmente se lembrar do momento surpreendente que houve antes. Ela ainda sentia a magia quente dentro dela e isso pareceu se intensificar quando Regina se aproximou.
- Eu não sei, preciso mesmo ir.
- Venha comigo. E depois que tudo se esclarecer eu prometo te deixar ir.
Emma sabia que ela estava mentindo. Mas o que poderia fazer? Regina tinha magia. Ia levá-la querendo ou não.
Então ela simplesmente assentiu e quando viu a morena caminhar de volta para o cavalo questionou:
- Nós vamos... nisso?
- Não o chame assim. – falou franzindo o cenho. – Não ligue para ela, rapaz. – acariciou o focinho do bicho que relinchou.
Emma teve que rir.
- Me desculpe. Eu não sei montar.
- Eu estarei com você. – Regina assegurou e ajudou a mulher.
Ela montou atrás e Emma imediatamente se sentiu melhor.
Talvez ela caísse daquela altura quebrasse o pescoço e morresse? Talvez. Mas o corpo de Regina pressionado contra o dela valia totalmente o risco.
A morena enlaçou sua cintura e lhe segurou dando confiança.
Elas foram para o castelo sem uma palavra.
Ambas com os pensamentos a mil.
Regina a conduziu para seus aposentos assim que chegaram e a loira parecia muito impressionada. A mansão era incrível mas isso... uau! Regina devia sentir falta.
Todo o castelo na verdade. Era lindo. Um pouco sombrio, para ser sincera, mas lindo.
- Você gostou daqui? – Regina perguntou com um sorriso.
- É incrível, Regina. Desculpe...majestade.
- Está tudo bem. Venha ver a vista daqui. – falou caminhando até a janela.
Emma a seguiu e viu que era maravilhoso.
- Isso é incrível. Lindo de verdade.
- Eu também acho. Apesar que na maior parte do tempo estou tão irritada e frustrada que não consigo admirar.
- Sinto muito por isso.
- Está tudo bem.
- Então, o que ia me dizer sobre a magia.
- Ah, era um feitiço.
Emma arregalou os olhos. Ela foi enfeitiçada? Era algo perigoso?
- Não se preocupe, você não foi afetada por magia. Era um feitiço de localização.
- O que? Como? Você queria me encontrar? Mas você nem me conhece.
- Venha, sente-se, eu vou te explicar. – falou puxando a mulher para sentar em sua cama.
Emma sentou-se ainda desconfiada e Regina lhe contou sobre o que exatamente era o feitiço.
A loira podia ver a sinceridade em cada palavra. Ela sabia que seu super poder não falharia com Regina então mesmo que tudo aquilo parecesse a história mais absurda do mundo ela ouviu pacientemente e acreditou.
- Então eu sou...seu amor verdadeiro?
Regina sorriu e assentiu.
- Você é a pessoa destinada a ser. Não acredito nessa coisa de amor a primeira vista. Mas sim, eu posso te amar se nos conhecermos. E você vai me amar também.
Um misto de emoções tomou o rosto pálido.
Esperança, felicidade, medo, angústia. Conhecia Regina a tanto tempo e ela não a amava, não importava o que dizia esse feitiço.
- Isso deve estar errado. – falou e o rosto da outra se entristeceu.
Emma imediatamente lhe acariciou a face.
- Não, Regina. Não é o que você pensa. É claro que sei que posso te amar. Você é quem não poderia me amar de volta.
- É claro que vou te amar. Você vai ficar comigo e nós vamos nos conhecer.
- Eu não posso ficar, tenho que ir.
- Não! – falou brava e indignada. – Não vou deixar você ir. Você é minha chance de ser feliz, eu não vou abrir mão disso.
- Você precisa. Meu lugar não é aqui.
- Seu lugar é comigo, Emma. Eu sei que parece louco e precipitado mas isso é real. É minha chance de felicidade eu não vou soltar.
- Regina, eu amo você. Se pudesse ficar, juro que o faria mas não posso.
- Por que está dizendo isso? É só pra me convencer de que acredita, certo? Você não poderia me amar. Acabou de me conhecer.
A loira suspirou. Fechou os olhos e passou a mão no rosto. Talvez essa fosse a única forma de que Regina a deixasse ir. A verdade. Obviamente não toda ela. Podia deixar de fora a parte de ser filha de Snow.
- Eu já conheço você.
Regina franziu o cenho.
- De onde?
- Onde não. Quando.
- Como assim? Você quer dizer que me conheceu há muito tempo? Como na juventude?
- Não, eu te conheço do futuro. É de lá que eu venho.
- O quê? Você acha que sou idiota? Viagens no tempo são impossíveis. – falou irritada.
- Aparentemente não é tão impossível no futuro. – assegurou.
- E o que você está fazendo aqui?
- Eu caí num portal do tempo sem querer.
- Você diz que me conhece. Nós estamos juntas? No futuro?
- Não. Tenho certeza que você nem gosta de mim. Só me atura pelo nosso filho.
- Nosso filho? – a rainha falou e um sorriso dançou em seus lábios. – Temos um filho? Então, sim, estamos juntas, certo?! Temos problemas no casamento, é isso? – perguntou curiosa.
Emma bufou.
- É mais confuso do que isso. Mas você precisa me deixar ir. Tenho certeza que já estraguei todo o futuro e quanto mais ficar mais vou estragar. Você tem que me deixar ir, Regina por ele. Por nosso filho.
- Você tem que me contar a verdade. Ou eu não vou deixá-la ir.
A loira suspirou.
- Tudo bem. Eu vou contar tudo. Mas você tem que me ajudar depois ok?
- Ok.
- Bem, eu tive um filho mas não pude criá-lo. Você o adotou. Quando fez dez anos ele me achou e me levou para junto de vocês. Então você me odiou porque achou que ia tomar ele de você. Depois de algum tempo acabamos estabelecendo uma certa amizade, pelo bem dele. Mas você não me ama, Regina, muito longe disso na verdade.
- Você é meu verdadeiro amor e me deu um filho. A coisa que eu mais queria no mundo. Pelo que está dizendo eu deixei você se aproximar, mesmo com medo. Emma, não importa o que pareça, tenho certeza que te amo. A conexão que senti com você foi instantânea. Isso não pode ter mudado no futuro.
- As coisas são complicadas Regina. Tem muito que não posso te contar para não estragar o futuro ainda mais.
A morena suspirou mas assentiu.
- Como é o nome dele? Do nosso filho.
Emma sorriu.
- Henry.
O rosto da rainha também se abriu em um sorriso.
- Como ele é?
- É um garoto incrível. É claro. Afinal foi criado por você.
- E ele... me ama?
- Sim ele ama você. Ele te ama muito.
A morena suspirou sentindo as lágrimas encherem seus olhos. Então ela teria amor. No futuro.
- Você precisa dizer à ela. A Regina do seu tempo que a ama. Vocês tem que ficar juntas, nós temos.
- Não, você não entenderia...
- Por favor, Emma. Esse feitiço... é muito poderoso. Eu não tinha esperanças antes. Tive medo de não encontrar mas isso foi exato. Eu tenho isso em mãos há muitos anos mas sabia que só funcionária hoje. E agora faz sentido porque em outro momento você não estaria aqui.
- Eu não sei.
- Você Realmente me ama? Como disse antes?
- Eu amo. Nunca senti nada assim por outra pessoa.
- Então eu vou deixar você ir. Deixar você voltar pro nosso filho e... pra mim.
- Obrigada. – sorriu. Mas estava triste por ter que deixar a rainha.
- Tem uma condição.
- Qual?
- Eu vou tomar uma poção para me esquecer de você. Para que o futuro não seja alterado. Quando voltar para o seu tempo você precisa me beijar.
- O quê? Te beijar? Você vai me matar.
- Não. Eu vou me lembrar. O beijo de amor verdadeiro vai fazer eu me lembrar.
- Regina você não sabe...
- Eu sei! – falou firme segurando a mão da loira e olhando em seus olhos. – Emma, eu sei. Estou tão encantada por você agora e acabei de te conhecer. Seja lá qual forem os motivos que eu possa ter para te odiar no futuro isso não é nada perto do amor verdadeiro. Isso é a magia mais poderosa de todas.
- Eu não quero estragar tudo. Perder o pouco que tenho de você. Você até tem um namorado agora. – falou com nojo.
- E eu estou feliz com ele?
- Você parece estar. Mas eu acho que você merece mais. – falou sinceramente.
- Se acha mesmo isso então me dê. Me dê amor de verdade. Beije-me. E se o feitiço não for quebrado. Se não houver amor entre nós, diga que você entrou em meu castelo e tomou por engano uma poção adocicada que te fez querer me beijar. Essa poção existe. Ela vai acreditar em você e o efeito passaria em 24 horas.
Emma pensou nisso. Era uma boa desculpa. E era uma oportunidade.
Ela assentiu.
- Tudo bem. Eu vou fazer isso, prometo.
- Agora, só preciso te dar uma motivação para cumprir sua promessa.
- O quê? Qual?
A morena sorriu maliciosa e beijou a boca da loira.
Emma perdeu o ar.
As mãos de Regina seguraram sua cintura e a puxaram para si.
A língua invadiu sua boca num beijo feroz e possessivo.
Ela deixaria o carinho e amor para a Regina do futuro.
Agora ela daria à Emma o incentivo necessário.
Deitou-se enquanto puxava o corpo da mulher sobre o seu.
Emma sentiu seus corpos se pressionarem e suas mãos automaticamente desceram pelas curvas do corpo moreno.
Ela não precisou dizer nada e Regina se livrou das roupas de ambas com magia e elas fizeram amor antes que simplesmente a mandasse de volta para a floresta e ficasse em seu quarto sozinha. Desesperada pelo medo de nunca se lembrar de Emma. Mas ela precisa confiar na loira.
Em alguns minutos ela conseguiu a poção para se esquecer.
__
Emma chegou à Storybrooke. Hook e ela correram para o Granny’s. A loira parecia determinada.
O coração disparado e ela sabia que precisava fazer algo. Antes que perdesse a coragem.
A rainha soube mesmo como incentivá-la. Seu corpo ainda se arrepiava ao lembrar dos orgasmos. Quem diria que Regina possuía uma língua tão habilidosa. E seu corpo... Deus! Ela parecia incrível em seus terninhos e vestidos mas eles ainda não faziam jus ao corpo perfeito que ela tinha sob o tecido refinado. A boca de Emma salivou só de lembrar.
Eles entraram e tudo parecia normal.
“Então a rainha realmente deve ter tomado a poção.” - Emma pensou.
Ela viu Regina sentada com Robin junto ao balcão e seus pais em uma mesa qualquer assim como Henry.
- Coragem, Swan. – Hook disse com um tapinha em seu ombro. Ele sabia de tudo. Era seu melhor amigo então ela contou.
- Será que isso é mesmo uma boa ideia?
- Eu te dou cobertura. Se ela não se lembrar eu confirmo a história da poção.
- Ok. – assentiu com um suspiro. – É agora ou nunca.
A loira caminhou com passos firmes.
Regina tinha um pequeno sorriso enquanto conversava com Robin. Ela finalmente olhou para o lado e viu Emma vindo em sua direção. Parecia diferente. Determinada. Mas a prefeita não entendeu o porque e apenas se preparou para o que quer que a loira que marchava em sua direção tivesse a dizer.
- Srta. Swan. – cumprimentou na defensiva quando a mulher se acercou mais.
Emma não disse nada nem ligou para ninguém ao redor. Robin Hood era tão importante naquele momento quanto a cadeira em que estava sentado. Se ele tivesse um problema com o que aconteceria a seguir então ela estaria feliz em quebrar sua cara. Só precisava que ele desse o primeiro soco para ter uma desculpa.
Regina levantou as sobrancelhas quando percebeu que a loira estava perto demais. Mas em momento algum ela sequer cogitou afastá-la.
Quando as mãos firmes agarraram sua cintura e a empurraram contra o balcão Regina sentiu seu coração disparar.
Ela não teve muito tempo para pensar porque os lábios finos e rosados se pressionaram com força contra os dela.
Os olhos arregalados de surpresa.
E absolutamente todos ali ficaram tão ou mais surpresos quanto ela.
O coração da loira saltava no peito com o medo da rejeição mas aproveitou a sensação dos lábios quentes nos seus, porque tinha certeza, a cada segundo que se passava, que seria a última vez.
Finalmente ela sentiu que era empurrada e viu que foi Robin quem a tirou de cima da mulher.
Regina a olhava surpresa e assustada.
Droga, é óbvio que isso não funcionou.
Ela encarava Regina enquanto todos ao seu redor estavam em silêncio absoluto.
Quando Robin levantou a mão para socá-la Regina o fez voar sobre o balcão com sua magia.
Emma arregalou os olhos.
- Regina? – chamou esperançosa.
A morena a puxou pelo colarinho.
- Eu me lembro. Você é meu verdadeiro amor. – sorriu - Eu te amo, Emma Swan. – respondeu antes de beijá-la uma vez mais. Dessa vez um beijo lento e profundo que fez algumas pessoas aplaudirem e gritarem em incentivo. Inclusive sua família.
