Work Text:
O jovem de quinze anos recém-completos caminhava pelas ruas de Cokeworth durante a tarde de inverno para se encontrar com a sua melhor amiga. Apesar de conhecer Lily Evans desde os nove anos, Severus Snape ainda se sentia como da primeira vez que a encontrara no parque enquanto brincava com a irmã.
Dessa vez, o encontro não era no parquinho das brincadeiras de criança. Era no rio de Cokeworth, na parte em que as empresas não derramavam os dejetos que o poluíam. O jovem estendeu uma toalha no local costumeiro que gostavam de sentar. Em pouco tempo, a jovem se tornou visível.
Lily Evans. Era difícil descrever o que ela representava para Severus. Não existiam palavras que a descrevesse como ela merecia. Ela era linda, vivaz e radiante. Só a presença dela deixava o ambiente mais bonito, por mais feio que fosse.
Ela caminhava com um pequeno bolo nas mãos. Ele revirou os olhos e disse:
— Você não precisava fazer isso, Lily.
— Não precisava, mas eu fiz. Qual é, Sev. Só se faz quinze anos uma vez. Mamãe disse para você jantar hoje lá em casa e que não aceita que você não vá — a adolescente disse resoluta, enquanto se abaixava e colocava o bolo na toalha.
Ela ainda tinha uma sacola nos braços e dela tirou dois pratos e garfos e duas garrafas de refrigerante, que abriu com um abridor. Ela acendeu a vela que tinha no bolo.
— Vamos Sev. Faça um pedido! Quero comer logo esse bolo. Petúnia me ajudou.
— Agora que eu não vou provar isso, Lily. Sua irmã deve ter envenenado.
— Seu bobo. Quem fez fui eu. Ela só me disse o que fazer. Você sabe que a Tuney é talentosa na cozinha.
Mesmo com olhar desconfiado, ele fechou os olhos e soprou a vela, fazendo o pedido de que Lily sempre estivesse ao seu lado.
— Vamos, corte! — ela exclamou entusiasmada, querendo aprovação pelo presente. Mesmo se fosse o pior bolo do mundo, Severus ainda iria achar que era o melhor.
Mas o bolo estava bom. Era de chocolate com nozes, como ele gostava.
— Obrigado Lily. O bolo está bom.
— Olha, realmente está bom — ela sorria enquanto comia a sua fatia. — Mas o seu presente ainda não acabou.
Ela depositou o prato ao seu lado e fez o mesmo com o de Severus, que a olhou sem entender.
Lily aproximou-se ainda mais. Severus via as sardas que pintavam as suas bochechas. Ele inspirou o perfume floral tão característico dela. Os cabelos vermelhos tão vivos e convidativos, que o faziam querer tocar os fios. Ela o olhava profundamente com seus olhos verdes. Apesar do frio, Severus se sentia quente.
Lily aproximou seu rosto do dele e fechou os olhos ao encostar seus lábios na boca daquele que se encontrava perplexo a sua frente.
A única reação dele foi fechar os olhos ao sentir o doce sabor dos lábios de Lily combinados com o açúcar do bolo.
O primeiro beijo era o melhor presente que Severus poderia ganhar.
