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Okuyasu Nijimura

Summary:

"Nesses momentos sinto meu corpo se esquentar e meus pensamentos vagam, sentindo a necessidade de me declarar, mas o medo me impede de concluir"

Work Text:

Um aceno em minha direção.

Ainda sem meus óculos, consigo apenas distinguir uma pessoa acenando educadamente. Logo, a nitidez da imagem surge com a colocação do objeto apoiado em meu nariz, corrigindo minha visão defeituosa a reconhecer a pessoa como a garota gentil que me ajudou com a lição de geometria semana passada, mesmo que sua intenção mal mascarada fosse a de se aproximar de Josuke, meu amigo galã. Não seria a primeira a tentar, então não me surpreendo com o ato.

Relembro tê-lo conhecido devido aos nossos excessivos admiradores, eu com a maioria de garotos da escola, e ele com as garotas. Estava sentada sozinha no ginásio, quando Josuke sentou-se ao meu lado, contando uma longa e dramática história à me convencer a nos aliarmos para espantar nossos fãs. Sabendo que estávamos na mesma canoa furada, começamos a andar juntos e relativamente afastá-los, para então virarmos grandes amigos. Sua amizade trouxe-me mais duas surpresas, Koichi e Okuyasu, e desde então não me sinto mais sozinha, discutindo temas sérios com o baixinho, tendo momentos pacíficos com o garoto de topete e rindo com o garoto por quem me apaixonei, fato que no momento aperta meu coração e me assusta.

Todas as vezes que estamos juntos ao casal Koichi e Yukaku, Oku reclama sobre o quanto queria que alguém se declarasse para ele, e nesses momentos sinto meu corpo se esquentar e meus pensamentos vagam, sentindo a necessidade de me declarar, mas o medo me impede de concluir. Erguia o olhar em sua direção, encontrando-o envolto em seus pensamentos, fantasiando com alguém em específico.

Minha mente é incapaz de não pensar que possa ser eu a dominar seus pensamentos românticos e eróticos, mas a dura realidade é que somos melhores amigos, e me ver como algo além de uma parceira de risada não parece palpável. Mesmo assim, imagino-me sendo desejada por ele assim como sou pelos outros da escola. Minhas fantasias em plena luz do dia me levam ao devaneio, e passando a tarde inteira buscando compreender meus sentimentos por ele, as noites não resisto a tentação de me levar, fantasiando com sua presença me pairando, responsável pelo prazer que busco simular sozinha.

Hoje, logo após minha noite de prazer fantasiosa, olhar para ele é difícil. Incapaz de lidar com a vergonha de tê-lo como objeto de desejo, mas também sofrendo com a distância que criei entre nós pela vergonha em enfrentar meu medo de ter os sentimentos vazados, tento exprimi-los ao escrever sobre em uma carta com o nome de Okuyasu. Infelizmente, quase como mágica, a carta sumiu de minha mesa e se encontrou nas mãos de Josuke, que termina sua leitura e começa a me observar enrubescido.

- Josuke...

- Eu acho incrível! Vou fazer de tudo para que isso de certo, pode contar comigo...

A fala de Higashikata tranquiliza S/n, porém o que escapa aos olhos de ambos é um Okuyasu logo atrás dela, os observando de coração partido ao ver a garota que ama se juntar ao seu melhor amigo, novamente se vendo sozinho.

Com a ajuda de Josuke, que mais se assemelhou a pressão, despistamos nossos admiradores para que encontrássemos com Okuyasu na saída da escola.

- Ei, Oku! - o chamo, mas ao olhar em nossa direção, o vejo se encolher e evitar me olhar - Que cara é essa? Aconteceu alguma coisa? - busco ser o mais delicada que posso, preocupada.

- Nada demais... Eu só preciso ir pra casa.

- Posso te levar? Eu preciso falar com você... - fugindo ainda mais com o olhar, o vejo acenando cabisbaixo e, sem dizer uma palavra, começar a trilhar nosso caminho até sua residência, que acompanho com dificuldade devido ao fato de suas pernas serem maiores e, portanto, mais rápidas - Ei Oku, não corre não. Tá difícil acompanhar!

- Então não vem comigo! - ele diz com grosseria, me surpreendendo e parando meus movimentos. Não demora ao vê-lo parar de andar também, se virando de lado para falar novamente - Desculpa S/n, eu não queria ter sido grosseiro... Acho melhor você acompanhar o Josuke a partir de hoje.

- Como assim? - pergunto em extrema confusão - Josuke foi pro Koichi, e nós sempre vamos embora juntos. Moramos na mesma rua, esqueceu?

- Mas ele é seu namorado, e eu não ia gostar de ver minha namorada indo embora da escola com outro cara.

- Como é? - pergunto, cada vez mais confusa - Meu namo... Ele não é meu namorado! Oku, ei, que papo é esse? - perdida em confusão, olho em sua direção, encontrando Nijimura segurando o choro - Oku?

- Eu vi a reação do Josuke quando leu a carta que você escreveu pra ele... Eu só vejo ele empolgado desse jeito quando ganha dinheiro. E pela resposta que ele deu, vocês vão começar a namorar e também vão se afastar, - suas lágrimas começam a escorrer - e eu não isso.

- Oku, mas não é possível! - tento conter a risada, mas ela cresce em mim, escapando e aumentando - Não, peraí, peraí... - tento contê-la, mas a cara de extrema confusão e braveza dele são tão fofas que a risada muda, mas não me abandona - Oku, seu bobo... Olha aqui, - tiro do bolso da blusa moletom a carta, estendendo para si - pra você.

- Que história é essa, ein, S/n? - questiona, suspeitando de minhas ações.

- Não tive coragem pra te entregar, aí o Josuke leu e decidiu agir, me ajudando a tomar coragem e vir com você até sua casa. Mas agora que você já sabe, toma... - coloco a carta em suas mãos - Tudo que escrevi é verdadeiro. Não precisa falar nada, se não quiser, mas lê sozinho, tá? - o olho, encontrando-o pasmo e perdido após tudo que ouviu. Tomo coragem e deixo um beijo rápido na cicatriz em sua bochecha, acelerando em direção a minha casa.

Apesar de sentir um peso a menos em meus ombros, sinto-me nervosa sobre retornar à escola amanhã e encontrá-lo novamente, talvez não receber resposta alguma seja pior que ser rejeitada. A noite se faz presente, e no momento em que termino de jantar, me despeço de meus pais e volto ao quarto para aproveitar um tempo sozinha, refletindo sobre tudo que Okuyasu faz meu coração passar. Durante minha divagação, enquanto cuido de minha pele e cabelo, escuto minha janela sendo aberta, em seguida vendo pelo espelho a imagem de Okuyasu passando por ela, estando agora dentro do meu quarto.

- Oku?

- Oi, eu não consegui esperar. Não conseguia parar de andar em círculos na sala, pensando no que você disse... Aquela carta não era pro Josuke? - dou risada, percebendo o quão devagar ele é.

- Não, não era. Era pra você... - vejo sua expressão curiosa ser substituída por uma de espanto.

- Então você... PERAÍ, VOCÊ SE DECLAROU! - me aproximo rápido, desesperada pedindo que pare de gritar com as mãos.

- Sim Okuyasu, eu gosto de você! - sorrio com a fofura que vejo em seu olhar inocente.

- Eu sou devagar pra entender as coisas, mas você gosta de mim, não só como amiga, mas gosta gosta? - aceno positivamente, vendo um sorriso enorme surgir em seu rosto - Neste caso... - entrelaça seus braços ao meu redor, me envolvendo em um abraço apertado - Eu também gosto de você...

Me derreto em seus braços, apoiando-os em suas costas largas, puxando-o para mim e aproveitando seu cheiro, tão delicioso e intenso que ameniza todos os meus sentidos, com excessão do tato. Após certo tempo desfrutando um do outro, nossas respirações começar a se agitar, assim como as batidas de nossos corações, momento em que Okuyasu ergue uma de suas mãos até minha cabeça, afastando-se para alinharmos nossos rostos, diminuindo a distância entre nossos lábios até que a sensação macia e quente de sua língua alcançasse-os antes da própria boca.

Me beijando lentamente, ele jamais aumenta o espaço entre nos, mantendo nossos abraço grudado mesmo quando os lábios tomam espaço, começando a depositar incontáveis selinhos nos meus. Demoro alguns segundos para perceber que nosso beijo acabou, abrindo os olhos ao senti-lo me observar, sorrindo com encanto e felicidade enquanto ergue seu polegar para usá-lo explorando cada milímetro do meu lábio inferior. E então vejo sua expressão de paixão substituída por sua empolgação em excesso, saindo correndo por minha janela, a pulando e esquecendo que não estamos no térreo. Corro para a janela, mas apenas observo-o correndo, pulando e gritando em direção a sua casa, terminando meu dia com risadas frouxas sendo libertas.

Pela primeira vez em semanas, acordo relaxada e empolgada para o primeiro dia ao lado de meu namorado, inspirada a ponte de preparar um café da manhã completo para a família antes de me arrumar. Me vejo ansiosa para sair, e o tempo parece desacelerar quando os últimos 2 minutos antes de me retirar não passam. Assim que meu alarme para sair toca, acelero em direção a porta, selecionando minha playlist mais animada para ouvir até encontrar os meninos na entrada da casa dos Higashikata.

Os vejo assim que viro a esquina, e levo alguns instantes a mais para olhar meu Oku, estranhando o fato do mesmo estar olhando para o chão. Me decepciono, por esperar a mesma empolgação que eu ao nos vermos, mas respiro fundo e decido não deixar minha insegurança falar alto: ele pode estar sonolento, os sapatos podem estar sujos, talvez ele não tenha me ouvido chegar. De qualquer maneira, cumprimento nossos dois amigos, que seguem caminhando e conversando sobre algum dos estudos de Jotaro que, se não me falha a memória, ouvi alguém dizer a palavra "tio" em relação a ele e Josuke. Assim que ficamos sozinhos, Nijimura começa a caminhar lentamente, para que eu o acompanhe, mas não me diz nada, e resolvo perguntar.

- Oku, tá tudo bem?

- Claro S/n, por que?

- É que depois de ontem à noite, eu achei que estaríamos mais próximos hoje cedo...

- Jura? Você quer ficar mais junto? Eu achei que demorava muito pra deixar público.

- Como assim?

- Nos filmes, os casais sempre namoram em segredo. E você é popular, não sabia se ia querer...

- Se você não quiser, tudo bem! - o interrompo, o medo de ser julgada me dominando - É que eu achei que... - passa seu braço por meus ombros, me puxando para si.

- Eu sou meio burro, você sabe. Mas eu quero ser o melhor namorado pra você quando você quiser namorar comigo. Só não quero errar, então me ajuda me dizendo o que posso ou não posso fazer, S/n? - me olha com o sorriso sincero e aberto.

- Tudo bem... Então quero ser sua namorada a partir de agora, e que saberem ou não é desimportante.

- Tudo que você quiser, minha princesa - me sinto observada, olhando para frente e me deparando com Josuke e Koichi em choque com a cena que provocamos.

- Acho que o primeiro passo é contar pra eles... - ele os olha seriamente, apontando o dedo para mim e depois para ele, deixando um beijo rápido em meus lábios, os olhando de volta, mostrando seu dedão para cima na direção deles, que continuam sem palavras, apenas imitando o joia do Okuyasu.

- Tá, e agora? - olho os meninos ainda atônitos, olhando então para Okuyasu.

- S/n, Okuyasu... Eu e o Koichi vamos na frente para conversar com a professora de biologia a pedido do Jotaro - diz Josuke, trocando olhares comigo que indicam uma saída estratégica para que pudéssemos ter um momento a sós, e sorrio de volta em agradecimento.

- Beleza! Vou ficar com a S/n - diz meu namorado.

- Se precisarem de nós, estou com meu telefone! - com isso, nos separamos com acenos de mão - Sobre o que faremos agora... Vamos pra aula? - tira de meus ombros minha mochila, levando-a em suas costas enquanto segura minha mão e me mantém perto de si.

- E depois da aula, namorada? - olho ao redor, vendo o beco isolado da escola à nossa direita, sorrindo maliciosa. Ao observar minha reação, Oku surpreendentemente responde com outro sorriso mal intencionado.

- Que tal antes da aula? - imediatamente após minha fala, seu braço passa por minha cintura, me erguendo do chão enquanto me carrega com pressa para o canto isolado, me colocando no chão e jogando nossas mochilas ao lado para imediatamente me prensar na parede, atacando meus lábios com vontade e agarrando minhas coxas, as erguendo até sua cintura, unindo perigosamente nossos corpos.

- Posso fazer isso, namorada? - pergunta, desabotoando lentamente minha camisa. Ainda atônita pela reação inesperada, ele congela e se afasta, assustado - Aaaaaaa S/n, desculpa! Eu tenho... Desculpa, eu sempre tive esse impulso de te agarrar assim. Acho que é meu lado tarado, e perdi o controle, porque você tá uma gata hoje, e tem sua boca macia ontem me fez pensar... - olha meus lábios e se perde na fala.

- Okuyasu, você é um tarado. Mas tudo bem, eu gosto disso... - sorrio com malícia, passando os dedos pelos músculos de seu braço e o puxando devagar para me prensar novamente na parede - Vem cá, continua o que você tava fazendo... - passo meus dedos por sua nuca, puxando-o para meu pescoço, que começa a ser atacado por beijos e chupões do Nijimura.

- Aí caramba... - ele sussurra, não contendo sua excitação. Suas mãos descem até minhas coxas, para depois deslizarem por debaixo da saia e encontrarem com as costuras de minha calcinha, me arrepiando todo caminho de minha coluna com seu toque - Cadê seu short, mocinha?

- Vim sem pro meu namorado... - agarrando minha bunda, Oku junta nossos corpos que não aguentam mais nenhuma distância, e estando extremamente sensível, não contenho um gemido de pura entrega e prazer com o simples ato - Sabia que antes de me declarar, passei a noite inteira chamando seu nome? - o provoco, mal contendo meus gemidos quando seus dedos acariciam a parte interna de minha coxa esquerda.

- Que garota má! - em um movimento rápido, agarra minha calcinha e a rasga, guardando-a no bolso interno de seu agasalho escolar - Quando me quiser, agora que namoramos, - sinto um dedo deslizando dentro de mim, enquanto seu dedão massageia meu clitóris - só precisa gemer o meu nome... - começa a sorrir, enquanto me observa com as pernas amolecidas, segurando seus músculos com necessidade e gemendo baixo o seu nome - Nem acredito que isso tá acontecendo de verdade... - apesar de estar de olhos fechados, sinto-o aproximar seus lábios de minha orelha - Quero te ouvir gemendo! - sinto mais dois dedos entrando, com movimentos acelerados de vai e vem que me levam a estar na beira do ápice - Consegue gozar neles?

Antes mesmo de respondê-lo, sinto meu orgasmo duplo me atingindo de imediato, não contendo um gemido manhoso enquanto tento pronunciar seu nome. Meus joelhos desistem de me manter erguida, mas Okuyasu agarra minha cintura com seu braço livre, juntando nossos corpos e me apoiando em si. Passo meus braços ao redor de seu pescoço, fechando os olhos e desfrutando seu perfume fresco.

- Vou considerar isso um sim... - diz docemente, retirando seus dedos de dentro de mim, trazendo-os até seus lábios e provando o sabor, logo lambendo todos os dedos com afinco. Ao terminar, busca em seu bolso panos que não reconheço de imediato, me oferecendo o branco - Eu comprei essa cueca hoje pra tentar te seduzir - sorri para mim, fraca enquanto sou colocada delicadamente no chão com o auxílio e preocupação do Oku.

Assim que fico em pé, o vejo se abaixando, passando a cueca pelos meus pés e erguendo até minha panturrilha. Dali em diante, a conduz devagar, usando os mesmos dedos que chupava para limpar o que havia escorrido. Ao terminar estou usando sua cueca nova e ele se ergue chupando o dedo com meus líquidos. O outro tecido em sua mão reconheço como minha calcinha rasgada, esta usada para limpar a baba deixada nos dedos que há poucos minutos estavam dentro de mim.

Passo minhas mãos fracas por seu maxilar, o trazendo para perto depositando um beijo suave em seus lábios. Essa rápida aproximação me fez reconhecer uma ereção assustadoramente grande nas calças de Okuyasu. Levo minhas mãos até o local, me assustando com o tamanho e roubando um gemido alto e sofrido do meu novo namorado, que segura minha mão com delicadeza e a afasta de si.

- Posso? - pergunto, querendo vê-lo tão desorientado quanto fiquei.

- Princesa, você é muito estudiosa e já estamos perdendo os primeiros minutos de aula. O único que não liga pra aula sou eu, mas ligo se te tirar dela... - o olho, pronta para tirar essa preocupação dele, sendo interrompida pela distração de seu dedão acariciando meu lábio inferior - Eu te quero tanto. Vou te levar pra um lugar legal, só nós dois, pra te ouvir gritar meu nome sem medo de sermos pegos. O que acha? - aceno com a cabeça, beijando seu dedo que repousa em meus lábios - Para com isso, ein! - diz rindo de desespero, recolhendo sua mão, assustado.

- Não fica chateado por te deixar assim? - pergunto insegura.

- Você sempre me deixou assim, S/n... - vejo seu rosto avermelhar - E princesa, seu gosto compensou toda minha vontade! - se aproxima, beijando minha testa e me conduzindo pela mão - Vamos, você precisa ficar ainda mais inteligente para cobrir minha burrice.

Enquanto corria mais leve, devido ao orgasmo que tive, observava o quão fofo Oku fica tentando não nos atrasar mais para a aula, sentindo dores em meu rosto por estar sorrindo tão intensamente. Vejo rostos familiares nos encarando de dentro das salas, estranhando nossa aproximação e teorizando ser impossível estarmos juntos. Apesar de me preocupar com meu namorado se sentir burro e a escola repetir isso tempo inteiro, seu olhar em minha direção reafirma que nada do que eles dizem importa.

- Oku, eu nunca te achei burro... - digo, desacelerando-o até que pare de me puxar, me olhando sorrindo.

- Eu sei. É uma das coisas que eu mais amo em você. Você vê o melhor em mim, mesmo quando eu e o resto do mundo não vemos. É chocante pra eles que o cara burro e feio namora a gata mais inteligente e desejada da escola.

- O cara burro e feio? - pergunto abismada com sua afirmação, e ele só acena triste com a cabeça - Já falei que não é burro, mas feio? Feio aonde? - me olha com tédio, apontando para as cicatrizes em seu rosto - Ah, isso aqui? - beijo rápido as duas - Acho tão charmosas. Junta com sua marra e você fica tão gostoso... - arranco-lhe um sorriso tímido.

- Pode até ser, mas continuo burro, S/n... - diz resistente a minha resposta, segurando minha mão para continuarmos o caminho, mas não o permito virar antes de deixar minha opinião exposta.

- Ser uma pessoa prática não te faz burro. Alguém com o coração tão bom, capaz de compreender e perdoar tudo que aconteceu na sua família... Eu te vejo como o mais inteligente e forte entre nós. Emocionalmente, nosso gênio é você! - vejo lágrimas escaparem pela lateral de seus olhos, as recolhendo com a ponta de meus dedos - Vem cá...

Seguro sua mão, o conduzindo até o local onde o máximo de alunos da escola pudesse nos ver. Quando sinto muito mais olhos que o confortável sobre nós, puxo seu uniforme pelo colarinho e o beijo com força, me afastando e sorrindo ao vê-lo atônito e com o orgulho inflado. Ouvimos o murmúrio agitado entre os alunos, mas nossa alegria durou pouco, até um dos inspetores nos conduzir até a coordenação.

Graças ao beijo, levamos bronca, advertência e fomos dispensados pelo resto do dia e o seguinte, tentando conter o riso alegre durante todo o sermão. Ao sermos deixados sozinhos na coordenação, para que escrevessem nossas advertências e levássemos conosco para casa, converso finalmente com meu namorado sobre ideias de como ocupar nosso tempo nesses dois dias.

- Fomos dispensados mais cedo... - digo com segundas intenções.

- Desculpa por isso, princesa. Mesmo que tenha sido você quem me puxou, sempre que venho parar aqui sou suspenso...

- Okuyasu, nós vamos ter mais tempo hoje fora da escola... - lanço um olhar malicioso em sua direção.

- Eu sei, por isso peço desculpas, eu não queria manchar seu histó... - para de falar, compreendendo minha indireta - Aaaaaaaaaaaah! - como todas as vezes que isso acontece, uma risada escapa quando vejo o quão fofo ele é. Parando para observá-lo enquanto busca palavras para me seduzir, sorrio ao perceber seu olhar inocente e apaixonado em mim.

Jamais imaginei que me apaixonaria, muito menos que um namoro adolescente pudesse durar os mais de 60 anos que passamos juntos. Durante todo esse tempo, ele me fazia rir genuinamente e sem parar. Seu jeito marrento o envolveu em muito mais brigas do que sou capaz de contar e, como esperado, salvei sua pele várias vezes, mesmo não sendo capaz de ver o que ele chamava de stands.

Quando brigávamos, chorávamos o tempo todo por odiar a sensação de saber estar magoando o outro, nos resolvendo tão rápido que mal pudéssemos considerá-las brigas verdadeiras. Sempre que dividimos a cama, ele me tratava como a princesa que ele proclamava, e não há nada que não amasse mais que seus beijos delicados por todo meu rosto enquanto transavamos, preocupado com meu bem estar e prazer. Descobrimos não poder ter filhos, então adotamos gatinhos durante todo nosso percurso, esses tratados como reis. Convivemos poucos anos sofrendo com as doenças da velhice, sendo levados pelo tempo na mesma noite, durante o sono.

A inocência e paixão que percebia no início se concretizou durante toda nossa vida, foram décadas sendo admirada pelos mesmos olhos, tão amáveis e doceis que só poderiam ser reflexo do próprio Okuyasu.

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