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A sala de aula era ampla e fracamente iluminada. A pouca claridade provinha de algumas velas, grandes e deformadas pelo calor, espalhadas em pontos estratégicos. Duas respirações descompassadas quebravam o silêncio absoluto.
— Mione, por favor — Implorou Neville — Nós não podemos mais fazer isso.
— Eu sei, mas eu preciso de você — Disse Hermione, se aproximando do rapaz e colocando a cabeça em seu peito.
— E se formos pegos? — Respondeu Neville, preocupado — Como faremos para explicar?
Hermione não respondeu, apenas abraçou o rapaz pela cintura, fechando os olhos. Ele a abraçou de volta, e beijou o topo de sua cabeça. Depois de alguns minutos, afastou o corpo dela com cuidado e olhou profundamente em seus olhos. Ela arriscou um sorriso e ele segurou suas mãos delicadas, acariciando-as.
— Sabe que não consigo negar nada para você, não é mesmo? — Perguntou Neville, com ternura.
— Eu estou sempre contando com isso — Respondeu Hermione, com um sorriso travesso nos lábios.
Uma rajada de vento atravessou um pequeno vidro quebrado, fazendo ambos se abraçarem novamente para escapar do frio. O outono estava sendo assustadoramente gelado, e parecia piorar a cada novo dia.
Neville se afastou de Hermione, olhando-a atentamente. Ela tinha o olhar suplicante, que fez o coração dele se despedaçar. Ele abriu a boca para dizer algo, no instante em que ouviu um rangido de porta se abrindo. Assim que virou para identificar de onde vinha o som, sentiu as pernas falharem: Severo Snape estava parado diante dos dois, com suas tradicionais vestes negras e uma expressão assassina no rosto.
— Então o medíocre Longbottom está escondido pelas salas do castelo? — Questionou Severo, baixo e letal.
Neville se manteve em silêncio, olhando para o chão, completamente assombrado. Hermione, por outro lado, se aproximou levemente.
— Acompanhado da insuportável sabe-tudo, Longbottom? — Perguntou Severo, com desdém — Espera que ela te ajude com as tarefas simples que é incapaz de executar sozinho, ou que possa te amar algum dia?
Neville agora tremia dos pés a cabeça. A mão direita escorregou para o bolso das vestes, onde apertou a varinha com força. Hermione se aproximou de Severo Snape, que assustou e recuou alguns passos. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, ou se aproximar o suficiente, Neville sacou a varinha.
— RIDDIKULUS! — Gritou Neville.
O feitiço atingiu a imagem de Severo Snape no peito, fazendo-o desaparecer como fumaça. Hermione tinha o rosto coberto de lágrimas, e olhava perdidamente para o local onde o homem havia desaparecido.
— Mione, precisamos mesmo parar com isso — Disse Neville, secando o suor da testa — Não posso mais te ajudar. Ele morreu, se foi, você precisa aceitar.
— Não consigo — Respondeu Hermione, contendo um soluço — Eu o amo!
— Fique com Ron — Disse Neville, se aproximando por trás e colocando as mãos em seus ombros — Sabe que ele sempre foi louco por você. O que acha de se permitir ser feliz?
— Severo Snape é meu único amor — Respondeu Hermione, virando para encarar o amigo, lançando lhe um olhar decidido — E acho que para ser feliz, o passado é que precisa mudar.
