Work Text:
Harry não conseguia pregar os olhos. As palavras de Lupin ecoavam em sua cabeça: " Obra de Snape … Sectumsempra sempre fora sua especialidade…"
Snape, que havia participado de sua perseguição e destruído a orelha de Jorge.
Snape, que matara Dumbledore e causara a morte de seus pais.
Sempre Snape.
Harry só queria culpar o sonserino, por todas as desgraças que vinham acontecendo, mas não conseguia; não depois daquela noite.
Saiu da cama e sentou-se no parapeito da janela. Fechou os olhos, deixando sua mente lhe carregar mais uma vez para longe:
Enquanto tentava proteger os amigos e se manter firme na moto - que Hagrid girava de um lado a outro - um barulho cortou o ar, atraindo sua atenção.
Ele se virou a tempo de ver a vassoura se aproximando, enquanto seu condutor apontava uma das mãos em sua direção. Se empertigou no assento, sentindo o suor escorrer por seu pescoço e empunhou a varinha.
O feitiço passou zunindo como uma abelha raivosa por cima de seu ombro e Harry, por um segundo, suspirou aliviado. Notou quando a vassoura tentou emparelhar com ele e sem pensar, gritou Expelliarmus.
O comensal deu uma guinada, desviando do feitiço, mas não rebateu.
Harry franziu o cenho, desconfiado.
Ouviu gritos ao seu redor e contraiu os lábios. O cerco estava se fechando.
Em um momento de distração, notou que o indivíduo voava lado a lado com ele, mantendo a vassoura a uma certa distância.
Outro estampido o fez se virar, apenas para presenciar uma de suas réplicas lutando com um comensal corpulento em uma vassoura pequena demais.
Mais um jato vermelho passou sibilando por cima de sua cabeça.
- Não! - gritou Harry, erguendo a varinha.
O feitiço acertou a vassoura do comensal, mas no calor da raiva, o garoto não percebera.
- Abaixe-se! - gritou Hagrid!
Harry não lhe deu ouvidos; estava cego de ódio pela perseguição contra seus amigos. Quando o terceiro feitiço passou raspando ao lado da moto, ele foi tomado pela fúria e se ergueu.
- Deixe-os em paz! - gritou furioso - é a mim que vocês querem! Lute comigo, seu maldito! COMIGO!
Mas o comensal não lhe deu ouvidos. Enquanto o garoto disparava um feitiço atrás do outro, a figura mascarada desvia-se sem qualquer esforço, como se estivesse espantando pequenos insetos.
Foi quando um relâmpago brilhou na noite londrina, revelando um par de olhos negros por trás da máscara, que Harry se assustou.
Ajeitou os óculos sobre a ponte do nariz, achando que sua mente estava lhe pregando peças.
Ele conhecia aqueles olhos, frios e escuros como um abismo e quando uma rajada de vento os atingiu, jogando o capuz para trás, revelando uma massa revolta de cabelos negros, Potter não teve mais dúvidas.
O choque lhe fez perder a noção da batalha e quando voltou a si, o homem já havia desaparecido na escuridão.
Harry jamais mencionou aquele encontro para alguém, e foi somente mais tarde, na penseira de Dumbledore, que ele descobriria porque Severus não lhe atingira naquela fatídica noite de Julho.
