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Todo mundo tem um amigo fofoqueiro

Summary:

“Com certeza eles tinham sido feitos para estarem juntos, como numa conspiração cósmica.”

Onde James Potter conta uma fofoca para Remus Lupin.

Notes:

Espero que gostem ♡ Boa leitura!

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Hogwarts, quinto ano, 1975.


— Você está me deixando aflito com todo esse mistério, sabia? — disse Sirius.

Pudim de chocolate — falou Remus, recebendo uma saudação gentil da Mulher Gorda.

Lupin atravessou o quadro com Black em seu encalço. Ambos estavam ansiosos, embora um deles ainda não soubesse muito bem o porquê.

— Você me chamou para conversar e vai ficar me ignorando? — insistiu Sirius.

— Será que dá pra você parar de fazer escândalo? — repreendeu Remus, num tom mais baixo que o natural. — Eu não quero falar na frente dos outros.

— Céus, não tem ninguém aqui, estão todos almoçando, onde a gente deveria estar... — disse numa birra, cruzando os braços.

— Marlene, Dorcas — Lupin cumprimentou as amigas, que estavam sentadas num cantinho próximo às escadas e olhavam para eles com certa curiosidade.

— Ei, Remie, o que estão aprontando? — falou McKinnon, rindo-se.

— Vai dar um trato no Six? — complementou Meadowes, acompanhando a namorada no riso.

— Seria meu sonho? — fez Black, jogando os cabelos de forma dramática.

— Uau! Piadorcas! — ironizou Remus, terminando de subir os poucos degraus que faltavam, logo sumindo através da porta do dormitório.

— Torçam por mim, amigas! — fez Sirius, recebendo dedinhos cruzados das duas.

Black deu um beijinho estalado na palma da mão e jogou em direção às meninas, só então apressou o passo para alcançar o amigo.

Colloportus — soltou Lupin, maneando a varinha no ar assim que Sirius fechou a porta. — Abaffiato.

— Caraca... — disse, com os olhos arregalados, fingindo temor. — Eu estou realmente encrencado, hein?

Remus se permitiu sorrir antes de começar. Ele havia ensaiado aquela fala tantas vezes, mas ainda assim não se sentia seguro o suficiente. Malditas borboletas no estômago.

— Six — limpou a garganta antes de continuar —, o Jamie me contou da conversa que vocês tiveram no verão.

— Que. Conversa? — sibilou Sirius, agora sendo genuinamente consumido por aquele temor.

— Sobre você gostar de… alguém.

Os dois trocaram um olhar cabreiro por alguns segundos, até que Black desviou. Era demais para ele.

— Eu vou matar o James — bradou, enfim.

— Calma, Six.

— Que calma o quê, esse fofoqueiro vai se ver comigo.

Sirius forçou a maçaneta da porta em vão, tão nervoso que acabou por se esquecer que ela estava encantada.

— Não foi isso — explicou Lupin, arqueando os cantinhos da boca —, não foi fofoca.

— Nem tente defender ele — e agora já apalpava os bolsos de suas vestes em busca da varinha. — Nós temos um traidor entre os Marotos e eu vou azarar esse infeliz.

— Não estou tentando defender ninguém, só quero conversar contigo — concluiu Remus, com o sorriso quase se transformando em uma risada. — Primeiro me escuta, depois você faz o que quiser com o James, pode ser?

— Tá...

Black se afastou um pouco da porta, um tanto contrariado, e cruzou os braços antes de encurtar ainda mais a distância entre ele e Lupin. Seu corpo tremia tanto que parecia estar usando apenas roupas de baixo no meio de uma nevasca, ao mesmo tempo em que suas mãos suavam como se estivesse perto de uma fogueira durante o sol quente do meio dia.

— Tudo bem? — perguntou Remus, notando o nervosismo do amigo.

— Não, né? — disse com rispidez, mas logo amansou a voz. — O que foi que ele te contou?

— Que você gosta de mim — confessou.

— Merda! Que vergonha — afundou o rosto na mão com a esperança de que isso fosse o suficiente para esconder suas bochechas coradas. — Eu nunca mais olho na tua cara, Remie.

— Vergonha do quê? — indagou Lupin, tentando disfarçar o fato de estar achando deveras fofo ver o Sirius todo tímido e nervoso.

— Disso — fez, apontando para os dois. — Vai ficar o maior clima estranho entre a gente agora…

— Ah, para com isso, Six.

Sirius apoiou as mãos no próprio quadril e balançou a cabeça em negação enquanto encarava o nada por alguns instantes, como se estivesse analisando a situação.

— Ok, eu vou ensinar o James a nunca mais abrir aquela boca de caçapa dele — e, muito habilmente, sacou sua varinha, fazendo um desenho de círculo no ar. — Alohomora.

A porta respondeu um click, mas Remus voltou a falar, subjetivamente impedindo-o de sair.

— Sirius, ele só me contou porque eu perguntei.

— Você perguntou? — voltou a encará-lo, ainda mais desconfiado que antes.

— Sim...

— Você só está tentando limpar a barra dele — deduziu. — Por que você perguntaria isso?

— Ah — deu de ombros —, na verdade, eu fui perguntar pro James se ele achava que eu tinha chances contigo porque… eu meio que estou gostando de você. Também.

— Você meio que está gostando de mim? — repetiu em forma de pergunta, só para ter certeza de que ouvira certo.

Lupin afirmou com a cabeça e sorriu, Merlin! Estava cem por cento sem jeito. Começou a ter um vislumbre do que Black queria dizer com "ficar um clima estranho entre eles''. Sirius, por sua vez, achava-se inquieto, era capaz de jurar que seu coração estava pulando de felicidade dentro do peito, como quem comemora uma vitória há muito desejada.

— O que a gente faz agora? — perguntou Black, meio desnorteado, seu cérebro empenhado demais na tarefa de produzir ocitocina para pensar em qualquer outra coisa.

— Acho que seria legal se a gente se beijasse — sugeriu Remus, abrindo um sorriso acanhado.

— Beijo! Ótima ideia!

Black desfez seus passos de volta a Lupin, também sustentando um sorriso em seu semblante, ladino, ao que lhe concerne. Parou de frente a ele e, no mesmo momento, sentiu uma mão quente e suada descansar em sua nuca, se embolando e puxando alguns fios de cabelo durante o percurso, o que lhe rendeu alguns arrepios. Colocou as mãos na cintura de Remus a fim de se apoiar enquanto se equilibrava na ponta dos pés para alcançar sua boca.

Sirius juntou seus lábios num selinho demorado. A princípio, apenas testando o contato um do outro, descobrindo o ritmo que mais lhes agradava. Até que cessou, não porque eles precisavam tomar fôlego ou algo do tipo, apenas porque já tinham o suficiente por hora. Black sentiu outra vez aquele quentinho tão familiar que vinha de Lupin aconchegar uma de suas mãos, entrelaçando seus dedos aos dele.

Aquilo só poderia ser explicado com magia. Sirius até tentou pensar em algo que fizesse sentido e fosse coeso, mas nenhuma lógica era capaz de ser sequer comparada à extraordinariedade do tato de Remus em sua pele. Aquele fogo vivo que queimava tudo o que via pela frente sem nenhuma intenção de fazer arder só era viável de se equiparar à um feitiço de cura tão poderoso que poderia matar, mas, ao invés disso, apenas invade seu âmago te enchendo de uma sensação nauseante de vigor.

Foi Lupin quem avançou para outro selar de lábios, se permitindo entreabrir a boca desta vez, convidando Black a aumentar a intimidade entre eles.

Nem em seus melhores sonhos Remus seria capaz de idealizar a perfeição daquele beijo. Podia jurar que havia algo de etéreo no quentinho da língua de Sirius sob a sua; nos lábios dele sobre os seus; naquela mão pressionando sua cintura; nos seus dedos entrelaçados aos dele. Tudo acerca daquele momento era sublime. Com certeza eles tinham sido feitos para estarem juntos, como numa conspiração cósmica. Não poderia mesmo haver outra explicação plausível para a magnitude do toque de Sirius Black sobre sua pele.

— Oh, deu certo! — a voz animada de James fez o beijo parar num estalo.

Black sentiu uma brisa de ar frio em sua nuca quando Lupin tirou a mão dali para que pudesse fazer um joinha rumo ao intruso— fofoqueiro— cupido? —maroto mais bonito.

Olhou por cima dos ombros e deu de cara com Potter, sua fisionomia contraída num sorriso que ia de orelha a orelha, os dentes prendendo o lábio inferior como se isso o ajudasse a conter sua empolgação. O garoto tinha as duas mãos estendidas em sua direção, devolvendo ao outro o aceno com os polegares.

— Eu fico muito feliz por vocês, sabe? — disse James, cheio de orgulho, depois de apertar os dois amigos num abraço. — Mas acho melhor descerem antes que acabe o almoço, afinal, não é só de saliva que se vive um Maroto!

Notes:

Só postei esse cadique achei a que cena do beijo ficou muito fofinha eowioewi o que cêis acharam?