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A Manchada da Paz

Summary:

"Como poderia um corpo tão pequeno possuir tanto sangue dentro de si?"

"E como poderia uma simples facada fazer com que tanto do sangue jorrasse para fora do mesmo?"

 

Um estudo de cena hipotética caso a Zoe entrasse em Morrendo durante a luta do Scar, e consequentemente despertasse a sua Mancha.

Notes:

apenas um total de 10 pessoas irá ler essa fic, e eu amo cada uma de vocês.

dedicada à azu que, durante o processo de escrita dessa fic, foi de desesperamente querendo que a zoe entrasse em morrendo e despertasse a mancha, a não querer mais e fazer essa fic ser inútil jefnwejbfejbger mas espero que ela goste mesmo assim

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está oficialmente fundado o fandom de exodus no ao3, preencham a tag de fics porra

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

           Sangue.

           Muito, muito sangue.

          Como poderia um corpo tão pequeno possuir tanto sangue dentro de si?

          E como poderia uma simples facada fazer com que tanto do sangue jorrasse para fora do mesmo?

          Eram estes, e outros ainda, os pensamentos de Thalia Machado, enquanto presenciava Scar, um dos inimigos mais formidáveis que a Equipe Primordia já havia enfrentado, cravar sua faca amaldiçoada no peito da menina que era como uma filha para si, Zoe Klein.

          Embora por muitas vezes a jovem menina parecesse mais um anjo aos olhos de Thalia, e fosse de fato, conectada a uma das entidades superiores de seu mundo, Zoe ainda era humana; ainda sangrava em vermelho, como qualquer mortal. E como a boa mortal que era, quando Scar arrancou a lâmina que transpassava seu abdômen por completo, ela caiu no chão, com uma expressão de puro horror e agonia em seu rosto.

          Por um milésimo de segundo, foi como se o mundo tivesse parado e reiniciado, com o choque de algo tão errado como o fato de uma criança ser atacada daquela forma; a princípio, nenhum dos presentes foi capaz de esboçar reação, porém, não demorou mais que um segundo para que um grito desesperado cortasse pelo silêncio ensurdecedor instaurado ali:

          “Zoe!”

           Antes mesmo que o nome de sua protegida tivesse terminado de sair de seus lábios, Thalia já havia saído em disparada na direção da mesma a quem gritava por; seu corpo se moveu muito, muito mais rápido que sua mente, por uma vez em sua vida. Sua arma caiu no chão, descuidadamente, mas a especialista não poderia se importar menos com isso. Tampouco se importava com o fato de que estava correndo bem em direção ao mesmo homem que havia dado um golpe praticamente fatal em Zoe, e que poderia muito facilmente fazer o mesmo consigo. 

           Nada disso importava, nem mesmo cruzava a mente da jovem. A única coisa que importava naquele instante, no universo inteiro, era uma jovem garota de cabelos dourados, olhos brancos, com uma ferida de tamanho preocupante em seu peito, caída em uma poça de seu próprio sangue no chão.

           Seu grito desesperado agiu como um toque de despertar para os outros, tirando-os a inércia do choque e trazendo-os de volta para a realidade; enquanto corria, era possível para Thalia ver Rachel brandindo com força seu machado, urrando um grito de mais puro ódio e dor, enquanto avançava contra Scar, igualmente tomada pelo desespero de perder a criança que tanto amava. Atrás de si, era também possível ouvir alguns gritos e exclamações semelhantes advindos dos outros membros da equipe, que reagiam à cena diante de si com o mesmo horror e atordoamento da jovem especialista.

           Com uma velocidade que nunca havia alcançado antes, a jovem especialista logo cruzou a distância que a separava de seu alvo, prontamente se jogando de joelhos no chão em frente à garota caída e imediatamente tomando-a em seus braços: “Zoe, Zoe, vai ficar tudo bem, shhh”, Thalia sussurrou em um tom cheio de doçura e gentileza, quase que tentando mais convencer a si mesma do que à mais jovem que agonizava em dor em seus braços. Por um segundo, seus olhares se cruzaram, e a expressão aflita de Zoe pareceu relaxar em um semblante sereno, antes de seu corpinho frágil ceder à dor e desmaiar no braços de Thalia, com a certeza de que estava em boas mãos. 

           Entretanto, qualquer confiança que Zoe estivesse sentindo em Thalia, definitivamente não se traduzia para a garota mais velha. A pressão em seus ombros era incomensurável, pois essa era a vida mais importante que ela já teve em suas mãos. Por um segundo, Thalia sentiu como se todo o conhecimento de medicina que havia acumulado ao longo de seus 21 anos se esvaísse por entre seus dedos, com toda a ansiedade de ter a vida de uma das pessoas mais importantes de sua vida em suas mãos causando um blackout em suas sinapses. Suas mãos que seguravam o medpack tremiam com a intensidade de um terremoto, por pouco não o deixando cair pateticamente no chão.

           Entretanto, não demorou muito para que ela se desse conta de que não estava sozinha com essa responsabilidade; logo em seguida ela sentiu a presença reconfortante de duas outras pessoas, que também não haviam hesitado em largar tudo para trás para ir ao socorro da garota que era amada por tantos em seu grupo. Arthur Infinite, seu melhor amigo, e Terry Costa, seu colega de estudo, os dois mais capacitados para ajudá-la na tarefa de salvar a vida de Zoe, a criança mais amada daquele grupo.

           “Ela… ela vai ficar bem, n-não se preocupa.", o feiticeiro sussurrou de forma reconfortante para Thalia; suas palavras, até mesmo laceadas com o gaguejo em sua voz, que traía seu nervosismo, era um como um bálsamo de alívio para a jovem. Da mesma forma, o cirurgião lhe lançou um olhar silencioso que passava todo o conforto e segurança que ela precisava naquele momento.  

            A presença dos dois consigo foi praticamente o suficiente para acalmar os nervos da jovem de 21 anos, na medida do possível. Juntos, os dois especialistas rapidamente começaram a tratar do ferimento de facada no peito da menina da forma mais rápida e eficiente possível, rapidamente estancando o ferimento e fechando a ferida, enquanto Arthur realizava um feitiço em prol de recuperar um pouco de sua vitalidade que havia sido perdida junto com o sangue que jorrara para fora de seu corpo.

            “Nmmm…” a criança soltou um fraco gemido de dor, embora ainda sem voltar ao reino da consciência. Um par de lágrimas cristalinas, uma advindo de cada olho, traçaram um caminho entre as gotas de sangue que manchavam sua face angelical, agora contorcida em uma expressão de dor que não deveria ter lugar nenhum na face de uma garota de 15 anos. Tal visão agiu como uma adaga cravando-se direto no coração de Thalia, ao ponto de fazê-la largar momentaneamente uma das suas mãos que tratava da ferida da garota para acariciar amorosamente suas madeixas douradas, permitindo às duas um mísero momento de conforto no meio do campo de batalha. 

             Ao fazê-lo, o símbolo marcado na testa da menina pareceu brilhar em branco, de forma que cegaria todos os presentes que olhassem muito diretamente para ela. Quase como naquela vez, na primeira vez em que ela havia despertado a sua mancha, porém com toda a luminosidade concentrada apenas em um ponto específico, em sua testa; entretanto, seu corpo inteiro parecia emitir uma aura dourada, envolvendo-a e inundando sua essência de uma aura de mais profunda Paz, capaz de fazer serena até mesmo a mais profunda tormenta. Só de estar na presença de tal aura, todos no local tiveram suas almas inundadas da mais profunda sensação de tranquilidade, de uma certeza de que tudo ficaria bem. 

             Ao fundo, Rachel desferia um último golpe fatal em Scar, esmagando sua cabeça com uma investida certeira de seu machado, ao mesmo tempo em que Aaron cravava sua foice no peito do mesmo. Mas tudo aquilo era meramente barulho de fundo para a jovem médica, cuja atenção se voltava por completo para sua amada menina, ainda muito fraca e debilitada, porém, já fora de perigo de vida. Incapaz de conter seu alívio e afeto pela mesma, a jovem aninhou-a contra seu peito afetuosamente, como se ela fosse o bem mais precioso do mundo para si.

             “Zoe…”, ela suspirou com um sussurro, deixando toda a tensão e angústia saírem junto com o ar que exalava. Ao seu lado, Arthur e Terry  trocaram um olhar de mútuo alívio, igualmente suspirando em alívio, antes de cada um tomar uma das mãos da jovem menina para si, em um gesto mútuo de conforto à garota e de reafirmação para si mesmos, de que estava tudo bem, de que o pior já havia ficado para trás.

             E assim, nos braços de Thalia, e com suas mãos seguradas por Arthur e Terry,  Zoe abriu os olhos mais uma vez. 

             Sua mancha havia despertado.



Notes:

:) (sorrisinho de litch)

se eu fiz você sentir alguma coisa com essa fic, eu já estou feliz

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