Chapter Text
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Aesthetic by: cosmicviolet2
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Harry estava fodido.
Em todos os sentidos possíveis que a palavra poderia oferecer.
E mesmo que soubesse que não iria adiantar nada, ele se permitiu passar o restante daquele dia em seu apartamento, chorando e descontando a raiva que estava do ex namorado nas almofadas bonitas de seu sofá.
Namoraram por apenas três meses, mas fora o suficiente para que lhe rendesse uma baita de uma recordação, daquelas que não tem como esquecer porque passam o resto da vida te chamando de pai.
Harry estava grávido. E o pior, não receberia ajuda alguma do outro pai alfa da criança que já tinha sido bem claro ao dizer que aquilo não era problema dele, antes de terminar o namoro e pedir para que não lhe envolvesse em problemas.
Problemas...
Essa palavra definia exatamente o que aquele namoro havia causado.
Pelo menos estava feliz de não ter dado tempo de se apaixonar verdadeiramente por Fionn. O rapaz era bonito, vinha de uma boa família, era inteligente e com toda certeza era um galanteador muito bom, mas nada disso importava já que havia acabado de descobrir que além de tudo isso ele era também um completo de um babaca irresponsável.
Tão irresponsável quanto o próprio Harry.
— Meu Deus, porque não usamos camisinha? — Se lamentou pelo o que deveria ser a trigésima vez em meio às lágrimas.
Como se não bastasse toda a situação desesperadora de esperar um filho de alguém que não quer ter nada a ver com isso, ele havia recebido uma bela de uma bronca do pai que resolveu que seria uma boa alternativa cortar a mesada que dava todo o mês para o estudante e fazer com que esse adquirisse mais responsabilidade. Afinal, ele precisaria de muita pra criar uma criança sozinho.
O único anjo em sua vida naquele momento era sua mãe, que mesmo não podendo ajudar mais do que já ajudava financeiramente, lhe disse palavras doces e lhe garantiu de que tudo daria certo.
E foi lembrando novamente da voz gentil e amorosa da progenitora que Harry resolveu limpar as lágrimas e planejar logo o que faria, pois lamentar não mudaria nada, e se sua mãe havia dito que tudo ficaria bem, então provavelmente ficaria mesmo.
Afinal mães sabem de tudo, certo?
Passou a noite toda organizando toda sua vida pelo próximo um ano. Por mais que não fosse muito, ele tinha um salário ok como estagiário numa empresa em Kensington, uma boa quantia de dinheiro guardada da mesada que sua mãe lhe dava todos os meses desde que iniciou a faculdade e já havia pago o aluguel com a mesada de seu pai naquele mês o que dava à ele mais alguns dias para encontrar um novo lugar para viver com o novo orçamento que tinha.
Daria tudo certo. Ele sempre havia sido um ômega bem independente e conseguiria fazer aquilo.
A primeira coisa que fez foi marcar consulta em um obstetra para a próxima semana. Agradecia imensamente pela mãe ter insistido em colocá-lo no plano de saúde dela, mesmo que na época ele lhe dissesse que era melhor poupar o dinheiro a mais, a mulher bateu o pé dizendo que nunca sabíamos o que nos aguardava.
Ela realmente sabia de tudo.
Depois disso ligou para o proprietário do apartamento dizendo que aquele seria seu último mês ali, tendo que explicar superficialmente o motivo, o homem não precisava saber da criança que estava por vir, da ira de seu pai, ou do abandono do namorado, por isso apenas disse que estava passando por alguns problemas financeiros e que por isso se mudaria para um local mais barato. Depois disso ligou para o melhor amigo para dar as novas notícias, pedir ajuda para encontrar um novo lugar e também para encaixotar todas as coisas.
No final de tudo, apenas caiu no sofá mentalmente exausto e um tanto aliviado. Niall viria após as aulas para conversar melhor consigo e já começar a ajudá-lo a separar algumas coisas, então com todo o cansaço que sentia por não ter dormido durante a noite passada, além do estresse de organizar tudo, ele caiu no sono encolhido no sofá.
Acordou algumas horas depois assustado pelo barulho da campainha e fortes batidas na porta. Coçou os olhos levemente confuso antes de levantar-se e andar até a porta para finalmente abri-la sem nem mesmo ver quem era antes.
— Até que enfim! — Niall entrou afobado em seu apartamento com revistas imobiliárias e jornais nas mãos e caixas de papelão desmontadas em baixo do braço. — Como minha sobrinha mais linda está? — Fez uma voz de típica de quem conversa com bebê enquanto acariciava a barriga ainda sem volume de Harry.
— Meu Deus! Jamais faça isso em público. — O cacheado o olhou com uma careta fechando a porta para que entrassem logo. — Não quero que as pessoas saibam ainda. — Recebeu o olhar entediado do amigo que sabia muito bem o porquê dele querer o segredo.
— Não seja otário, você não fez a criança sozinho, deveria botar aquele traste no pau e pedir uma pensão bem gorda praquele papai rico dele.
— Mas não vou. — Styles suspirou. — Se a família dele ficar sabendo vão querer casar a gente, sabe como eles são. E também se ele não quer meu filho então ta bom, não vou dar espaço pra ele vir atrás de mim depois não, e uma pensão faz exatamente isso, além de que eu não preciso do dinheiro, apenas vou ter que começar a viver de uma forma mais simples.
— Tudo bem, entendi. — Horan acabou por se dar por vencido. — Então vamos começar a procurar por um lugar, eu trouxe todos os jornais e revistas de imóveis que encontrei. Depois fazemos uma lista com os móveis do apartamento que você vai levar e o que vai vender, assim pode usar o dinheiro extra pra comprar os móveis do bebê. — Se animou colocando novamente as mãos na barriga do amigo. — Pode não ser uma boa hora, mas tenho certeza que esse bebezinho será uma verdadeira benção.
De alguma forma era exatamente aquilo que ele sentia, "meu bebê é uma benção", pensou.
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Louis mal podia acreditar no que seus olhos viam. A obra estava finalmente pronta, depois de três anos, ele finalmente não chegaria em casa e encontraria um monte de areia, entulho e pedreiros.
— Papai, o tio Lee não vai mais vir em casa todo dia? — A garotinha de apenas cinco anos perguntou um pouco confusa ao ver Liam, o chefe de obras, se despedindo de uma forma diferente da habitual.
Mabelle tinha apenas dois anos quando as obras começaram, então para ela era mais do que natural que de tempos em tempos os tios aparecessem para dar uma arrumadinha em alguma coisa na casa.
Quando herdou a casa de seu falecido pai, Louis pensou que seria um bom lugar para criar sua filha, mas teve uma surpresa quando durante a inspeção do lugar foi contatado vários problemas elétricos e também de infiltração.
Assim, juntamente com a arquiteta fez um projeto para arrumar tudo e reformar a casa para seu maior conforto, só não pensou que o valor final ficaria tão salgado. Como uma opção para conseguir parte do dinheiro investido de volta, a arquiteta havia dado a ideia de transformar o porão em um pequeno apartamento independente, e assim alugá-lo e conseguir um dinheiro extra todos os meses. Tomlinson adorou a ideia, e assim voltaram a mais e mais obras que às vezes eram paradas pela falta de dinheiro para voltarem meses depois, assim foram longos três anos.
— Não todo dia, mas podemos chamar ele pra jantar em casa de vez em quando, certo? — Sorriu para a filha que pareceu pensar durante um alguns segundos antes de assentir animada.
— Agora nós temos duas cozinhas. Nós vamos usar qual? — Ela perguntou novamente curiosa apontando para a pequena cozinha feita no porão totalmente reformado da casa que agora era como um pequeno apartamento.
— Vamos continuar usando nossa cozinha lá de cima. — Ele riu com a confusão da pequena. — Uma outra pessoa vai morar aqui.
— Papai conseguiu um namorado? — A menina se espantou fazendo Louis quase engasgar com a própria saliva. — Vovó me explicou tudinho. — Disse empinando o nariz mostrando saber de tudo. — Ela disse que papai um dia vai ter um namorado e então esse namorado vai vir morar com a gente e eu vou ter irmãozinhos. Eu achei que a vovó estava mentindo porque estava demorando muito, mas então ela disse que era porque o papai é muito lento, acho que ela vai ficar feliz de você não ter sido mais tão lento, papai.
Se passou uns bons segundo enquanto Louis continuava a tentar absorver tudo o que aquela garotinha havia dito. Não era segredo que Mabelle era uma verdadeira língua solta desde que aprendera as primeiras palavras e o Tomlinson mais velho não sabia se sentia imensamente grato pela alfinha nunca mentir ou um tanto preocupado pela honestidade em excesso que ela mostrava ter.
— Não, anjinho, papai não está namorando, o que vai acontecer aqui é um contrato de aluguel. — Explicou enquanto pensava na bronca que daria na mãe por ela dizer aquele tipo de coisa a filha.
— Contreto?
— Contrato. — O mais velho corrigiu se agachando para ficar na mesma altura da menina. — É quando duas pessoas assinam um papel pra trocar alguma coisa.
— Trocar o que? — Perguntou curiosa.
— Nesse caso o papai vai trocar o porão por dinheiro e então uma pessoa vai morar aqui em baixo. — Ela novamente se colocou a pensar um pouco e então sorriu grandemente.
— Então ai o papai vai ter o dinheiro pra me levar na Disney? — Ela se animou, abraçando o mais velho que revirou os olhos sabendo muito bem que daria trabalho demais explicar qualquer coisa a mais para a menina naquele momento.
— Talvez nas férias se você se comportar. — Arqueou as sobrancelhas e ganhou outro abraço.
—Eu gostei muito desse contreto.
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Estava completamente complicado encontrar um novo apartamento com o novo orçamento. Ou o lugar ficava longe demais do centro da cidade em lugares um tanto quanto questionáveis para um ômega morar sozinho, ou eram apartamentos de apenas dois cômodos, um quarto e um banheiro, apertado o suficiente para ter certeza que não caberia ali um berço uma cama, um fogão e uma geladeira.
Naquele dia estavam indo visitar um lugar no bairro vizinho a faculdade e a pouco tempo do centro da cidade. Era um bom bairro familiar de classe média, mas estava preocupado pelo estilo de propriedade. Um porão.
Tinha medo do proprietário não ser alguém confiável o suficiente, ou ser alguém intrometido demais, não que na atual situação pudesse escolher muito, faltavam apenas cinco dias para o fim do seu contrato de aluguel e todas as suas coisas já estavam empacotadas além de já ter vendido a maioria de seus móveis ficando apenas com seu sofá, mesa de centro, estante, TV, com um guarda roupa, uma das bicamas que ficava no quarto de hospedes e um criado mudo, com a geladeira fogão e microondas. Vendeu todo o restante, inclusive muita de suas roupas quando percebeu que não caberiam todas em um único guarda roupa o qual ainda compartilharia com seu bebê.
Inacreditavelmente não se sentia mal, talvez por saber que em alguns meses receberia uma pequena recompensa que com a graça de todos os deuses se pareceria consigo.
Ed, namorado de Niall foi quem levou eles até o local. Harry tinha um carro, mas estava evitando usá-lo por causa da economia de dinheiro, e só não havia vendido-o porque seu melhor amigo lhe dissera que poderia ser necessário em uma emergência, mas ainda estava pensando no assunto.
O alfa havia deixado os amigos em frente a casa enquanto iria buscar os irmãos no colégio para depois voltar para buscá-los.
Os ômegas bonitos apertaram a campainha e aguardaram um tempinho até que a porta foi aberta por uma pequena garotinha de fios extremamente lisos e loiros acobreados, de olhos azuis, grandes e curiosos que lhes encararam como se estivessem vendo até suas almas, antes de gritar para o lado de dentro da casa.
— Papai, tem dois anjinhos na porta. — Os garotos riram um pouco, se sentindo até mesmo um pouquinho envergonhados com a fala da garota.
Segundos depois Louis apareceu, com os mesmo cabelos loiro acobreado e olhos grandes e curiosos que pareciam ver até a alma. Harry sentir o ar sair de uma vez dos pulmões balançando a cabeça para eliminar aquele tipo de pensamentos imediatamente.
Infelizmente Niall não possuía tão bom senso.
— Olha, Hazzy, você já pode mudar porque minha nossa!— Falou sem qualquer escrúpulos enquanto analisava o alfa a frente que corou fortemente com o comentário mas um tanto acostumado com pessoas de língua solta.
— Por Deus, Niall, seu namorado acabou de deixar a gente aqui. — Tentou falar apenas para o amigo, mesmo sabendo que o alfa a sua frente ouviria de qualquer forma.
— Eu namoro, mas não sou cego. — O garoto revirou os olhos estendendo sua mão. — Niall Horan, muito prazer.
— Louis Tomlinson. — O castanho apertou a mão estendida.
— Harry Styles. — O baixinho imitou o amigo, ainda com as bochechas coradas recebendo o aperto da mão quente.
— Não parecem os anjinhos daquele filme, papai? — Mabelle disse animada. — Quem que vai assinar o contreto?
— É contrato, anjo. — Louis tentou corrigir pela milésima vez, depois olhou para os rapazes e explicou o que a filha queria dizer. — Ela está animada com alguém se mudando pra cá.
— Se tudo der certo, eu quem vou me mudar. — Harry sorriu para a menina que o surpreendeu com um abraço enfiando o rostinho em sua barriga, mostrando que gostava muito daquela ideia.
O que ninguém sabia era que a pequena garotinha já havia se apaixonado pelo cheirinho doce e suave que conseguia sentir direitinho vindo da barriguinha do anjinho.
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