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Uma mansão.
Uma mansão enorme, de dois andares, com mais de 25 cômodos. Em volta dela? Árvores, um belo jardim; tão sereno.
Ah, mas é claro que é apenas a descrição da mansão em si, porque dentro dela, você pode ouvir uma gritaria entre duas crianças de 17 anos, uma confusão gerada por culpa de um simples prato de macarrão.
"Eu te disse pra colocar o prato na mesa, não pra se servir dele, seu idiota! O quê diabos você tem na cabeça, vento?"
"Ora Sena, deixe de ser egoísta! Seus pais não te ensinaram que não se pode desperdiçar comida? Por que eu deixaria um prato inteiro de macarrão, com risco de estragar, sozinho nessa mesa por horas? É claro que eu ia comer! Você sabia que tem milhões de crianças por aí passando fome?? Desalmado!"
"Pergunte isso pro nosso patrão, não pra mim. E outra, o prato não ia ficar aí "por horas", iam ser apenas 20 minutos até o Eichi chegar, que agora são apenas 10, que logo vão ser 5 e não teremos macarrão e nem salário por culpa sua. Fala sério, você não é nenhuma criança passando fome, vê se cresce e faça seu trabalho direito"
"Fala que não sou criança, mas me manda crescer. Você é burro, Sena?"
Uma cadeira voa.
Leo também, mas em direção ao chão. Se fosse uma história em quadrinhos, daria pra ver uma onomatopéia de "PLOFT"
"Cala a PORRA da sua boca e vai fazer a DROGA do seu trabalho antes que eu enfie essa outra cadeira na sua-"
A porta da cozinha abre.
Uma silhueta familiar de um jovem loiro surge dela.
"Aqui parece bem animado, fazer macarrão deve ser divertido" ele sorri, parecia ter a intenção de ser gentil, mas estava mais amedrontador que o normal.
Izumi paralisado com uma cadeira na mão e Leo bem em baixo dele usando as duas mãos pra se proteger, cena digna de um show de comédia.
"Ah, entendi. Os dois estão brigando de novo? Não, não, isso não vai funcionar...Vocês parecem duas encrenqueiras de um bairro de marginais que acabaram de sair de uma luta de UFC, tem até uma cadeira no chão" Ele estava sorrindo, mas a frustração era notável no seu tom de voz.
"Contratei os dois juntos justamente porque pensei que se dariam bem e não trariam problemas, mas acho que estava enganado..." Ele da um suspiro – "Eu vou precisar viajar por três semanas a negócios, mas como vou confiar a minha casa a vocês dois? Sinto que vou chegar aqui e ela vai estar caindo aos pedaços por resultado dessas brigas recorrentes que nunca terminam"
Sena rapidamente larga a cadeira e levanta o outro encrenqueiro do chão a força, fazendo uma espécie de reverência, que não funciona, afinal saiu mais desajeitada do que respeitosa.
"Peço perdão, Eichi. Prometo que NÓS DOIS" — Ele olha ameaçadoramente pro mais baixo ao lado dele. — "iremos nos esforçar para que isso não aconteça novamente."
"Você me disse a mesma coisa a 15 brigas atrás e cá estamos nós novamente com a mesma conversa, na mesma situação de sempre" Ele massageia as têmporas — "Mas reconheço que apesar dessas situações, você é realmente um bom funcionário, Sena. Então, eu tenho uma proposta."
"Proposta?"
"Eu realmente preciso fazer essa viagem, não tenho tempo pra procurar empregadas capacitadas como você, então seria uma dor de cabeça despedi-lo. Então, você e o Tsukinaga irão continuar aqui até eu voltar, mas Keito vai vir checar vocês a cada 5 horas, se ele notar qualquer sinal de briga ou algo de errado na casa, vocês dois estão na rua" Outro sorriso amedrontador, Izumi estaria o socando se não fosse seu superior — "Estamos entendidos?"
"Sim."
"Ótimo! Agora, por favor, limpe a bagunça que fizeram. Tenho outros assuntos a resolver, já perdi muito do meu tempo aqui. Tsukinaga, embale o que sobrou do macarrão para a viagem, não quero morrer de desnutrição."
Eichi saiu antes mesmo de pegar o macarrão que ele mesmo pediu para a viagem, Leo estaria esfregando na cara de Sena que seria desperdício se ele não tivesse comido, mas ele se distraiu com outra coisa antes mesmo de pensar em fazer isso.
**
"Pronto, tudo limpo. Enfim, é melhor você se comportar se não nós dois vamos ser despe-...Ah, pelo amor de deus, pra onde ele foi?"
Leo desapareceu antes mesmo que Sena percebesse, por que esse idiota tem que ser assim? Ele pensou, já saindo para o procurar.
"Wow! Incrível, eu realmente sou um gênio! Wahaha!"
Sena reconheceria essa risada exagerada a kilômetros de distância. Ele subiu as escadas para se deparar com o compositor maluco rodeado de papéis.
Essa bagunça o deixou atordoado.
"Ei! Nesse ritmo vamos ser despedidos, limpe essa sua bagunça e vá fazer o seu trabalho!"
"Esse cheiro de flores é tão único, eu poderia escrever uma música sobre! Já posso sentir a inspiração chegando... ~"
"Você tá me escutando? Você não pode me ignorar pra sempre, você sabe. Anda, levanta" Izumi agarra Leo pelos braços, mas recebe em troca um rosnar de um tigre feroz.
"Espera!! Eu já estou quase terminando, só falta algumas linhas, me dê 5! Não, 40 minutos!"
"Haaa? Você realmente acha que vou deixar você aqui parado, coçando a bunda por todo esse tempo enquanto eu me mato de trabalhar? Para de agir igual uma criança e seja responsável pelo menos alguma vez na sua vida."
Ele puxa o papel das mãos do outro, recebe um olhar indignado e um grito como resposta.
"Ah???!? Me devolve! Seu demônio, filho de um monstro sem lágrimas para derramar! Vou te denunciar por roubo de..."
Ele para. Pisca. Seu rosto sai de puro ódio para o de alguém que acabou de encontrar uma pessoa que não via por 40 anos.
"Ah, É você Sena!! Então o cheiro de flores era seu!"
Izumi vai jogá-lo de um penhasco.
"É claro que sou eu, como você só notou agora? Há apenas nós dois na mansão inteira, seu estúpido. E para de se agarrar em mim, vai sujar minha roupa."
"Por que a sua é mais longa que a minha? Que injusto, quero um vestido longo também..."
"Porque você é um cabeça oca e iria se espatifar todo no chão no primeiro minuto que você vestisse ela, você iria correr e tropeçar no próprio vestido. Sem contar que suas pernas são mais bonitas que as minhas, então eu não tenho escolha se não usar o longo"
"Ah...! Então você repara nas minhas pernas? Que feio, Sena ~"
"Cala a boca, para de mudar de assunto e vai trabalhar!"
"Só quando eu estiver morto! Pegue-me se puder, empregada estúpida, burra! Wahaha!"
O compositor sai correndo sem medo da morte, sem olhar pra trás, mas já sabendo que a raiva está estampada no rosto de Izumi, e que ele está segurando uma vassoura pronta pra bater nele.
"Não corra nas escadas, imbecil! Você vai cair!" Ele não demora pra alcançar Leo e o agarrar pelo colarinho da roupa.
"Uhum, uhum, tá bom mãe!"
"Eu vou te matar."
"Nãooo!! Sou muito jovem pra morrer! Quer dizer, seria bom também porque eu não teria que ir na escola, ir trabalhar e..."
"Fica quieto."
"Você não cansa de me mandar calar a boca? Me deixa terminar! Sena seu grosso, rud-"
"Shhhh, escuta. Você não ouviu?"
"Ouvi o quê? Ai não... Será que eu falei tanto que te deixei realmente maluco? Nunca vou me perdoar, me perdoa Sena! Não morra! Eu te am-"
Izumi tampou a boca dele com as mãos, só da pra escutar murmúrios agora.
"Você é impossível. Eu escutei a porta da sala abrindo, deve ser o Keito. Vê se cala a boca e me escuta."
"muhujjkhdushuah"
"Você vai descer lá pra baixo com a vassoura na mão e fingir que estava varrendo aqui em cima, entendeu? Se ele perguntar de mim, diga que estou limpando as janelas dos quartos, entendeu?" Ele tira a mão da boca do outro – "Você lambeu minha mão?! Quantos anos você tem? Cinco?"
"Sim, ela tem gosto de shampoo! O que é estranho, já que eu nunca comi isso"
"Você pelo menos ouviu o quê eu disse?"
"Sim e não. Eu ouvi? Sim! Lembro do quê você disse? Não! Mas tudo tranquilo, não se preocupe Sena, deixa comigo!"
"Quê? Não, volta aqui!"
Tarde demais, ele já estava lá em baixo.
