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You Can't Put Your Arms Around A Memory

Summary:

[ Cenário alternativo da CENA DA PISCINA #VegasPete - Angústia. ]

Work Text:

- Eu sou seu animal de estimação, não sou? - gritou Pete corajosamente em meio ao bolo em sua garganta, as lágrimas deslizando pelo rosto. - Estou com fome! E você saiu! Então eu tive que vir encontrar meu dono!

       Vegas permaneceu imóvel, sem olhar em sua direção, e Pete desesperou-se mais.

Vegas... - pediu pateticamente, clemente. - Vegas... Você poderia, por favor, virar-se para mim?

      Vegas manteve-se quieto, mas sua cabeça inclinou na direção de Pete, como que atraído pela sua voz.

- Vegas. - Pete insistiu.

     Finalmente, Vegas virou-se em sua direção lentamente. Havia hesitação no gesto, mas também existia algo à mais. 

     Tudo nele expressava uma dor visceral e profunda. Seus olhos denunciavam o choro, a apatia denunciava o luto, mas o fato de ter cedido a Pete denunciava um afeto que não pôde ser evitado.

     Sentindo seu peito ganhar leveza pela primeira vez no dia, Pete assistiu uma curva sutil esboçar no rosto dele e seu coração teve a certeza que agora nada ficaria entre eles mais. Pete devolveu o sorriso, os olhos renovados de emoção e esperou o que viria a seguir.

     Os lábios de Vegas moveram-se como quem está prestes a dizer alguma coisa ,porém, antes que fizesse, barulhos de disparos ecoaram pelo cômodo e seus olhos arregalaram por um instante antes de seu corpo desabar no chão em um ruído abafado e horrível.

     Pete sentiu seu estômago cair, os membros rijos de terror momentâneo. Brandindo de desamparo, aos gritos, voltou-se ao autor dos disparos com tiros sem hesitar um segundo.

     Quando o corpo do guarda caiu, Pete correu em direção a Vegas ansiosamente, cada centímetro do corpo tremendo. As lágrimas não paravam de descer, seu peito doía insuportavelmente, e ele sentia sua garganta fechar para sufocá-lo.

     Sem saber o que fazer, sua mão voou para o ferimento em uma tentativa desesperada de fazer o sangue parar. Observou, horrorizado, o sangue saltar dos lábios de Vegas e o olhar dele ficar cada vez mais distantes. Pete estava perdendo o juízo.

Não, não, não... - sussurrou desesperadamente em uma oração, as lágrimas descendo em cascata.

        Demorou a perceber que Vegas havia partido.

       Seus gritos continuaram ,mais altos, mais quebrados, mais intensos, até o ponto em que simplesmente não existiam mais. Ele aninhou o corpo já frio de Vegas ao seu peito e o balançou como uma criança, os corpos colados um ao outro como se estivessem prestes a se fundir. Estava condenado. Enlouquecido.

      Não queria soltá-lo.

      Ficou ali, abraçando-o, esperando por alguma coisa, algum milagre, fazendo promessas a quem quisesse ouvir, implorando aos céus. O tempo parecia ter parado pois não tinha noção alguma dele. Só existia ele e Vegas.

     Sua consciência só voltou a funcionar quando sentiu seu corpo sendo arrancado de cima do de Vegas e ele despertou em uma luta instintiva. Atacou furiosamente, disparando as mãos brutalmente pelo ar, a mão buscando pela arma, mas seus braços haviam sido imobilizados em contenção e ele assistiu, com o rosto pressionado no chão e as mãos fortemente presas as costas, o corpo de Vegas sendo levado para longe ,e tudo o que pôde fazer foi gritar alucinadamente enquanto tentava libertar-se.

    Quando voltou a si, acordou na cama de um hospital, entorpecido e confuso. Olhou ao redor e torceu que tudo tivesse sido um pesadelo, que nada tivesse passado de um cenário inexistente, no entanto, não custou até que a realidade o atingisse.

    Sem que pudesse evitar, as lembranças vieram vívidas em sua cabeça, uma atrás da outra e ele viu tudo, escutou tudo, sentiu tudo mais uma vez. Sem evitar o golpe de emoção, levou as mãos ao rosto e começou a soluçar até que não conseguisse mais. Torcendo que tudo fosse apenas uma brincadeira de mau gosto. Ele queria Vegas.

    No dia do enterro, estava chovendo. O vento batia como gelo em sua pele, o chão era cinza sob seus pés ,mas suas bochechas estavam quentes e havia um suor nojento grudado em sua pele. Pete havia prometido a si mesmo que não choraria mais, mas ele fez.

    Vegas estava sendo enterrado ao lado da mãe e, tragicamente, seu pai também estava indo com ele. Korn, Kinn, Takhun, Kim, Macau, Porsche e toda a rede de guarda-costas estavam presentes, todos em silêncio enquanto um padre velho fazia um discurso que Pete simplesmente não entendia. Tudo que ele podia pensar era que nada mais faria sentido depois que o caixão descesse.

    Às vezes Pete preferia acreditar que ainda podia sentir a presença de Vegas. Pensava que uma hora iria acordar e tudo voltaria ao que era antes, porém isso não acontecia. Seu pesadelo continuava acontecendo ,e ele estava começando a se empurrar para extremos ruins em uma fuga desesperada da realidade.

    Vegas estava morto. Não desaparecido. Não mandado para a ilha particular na qual ficaram presos juntos. Morto.

    Ele não iria aparecer nos cantos mais inconvenientes de uma hora para outra como sempre fazia. Pete não iria sentir mais os dedos dele mapeando sua pele ou os beijos ternos em seu rosto que adorava tanto. Não iria mais sentir a respiração morna em sua pele ou o toque macio de seus lábios. Vegas não o assustaria e ,então, faria-o se sentir a pessoa mais amada do mundo como antes. Nada daquilo aconteceria mais.

     Quando o caixão começou a descer, sua visão embaçou e ele repreendeu as lágrimas antes que caíssem.

    Perguntou a si mesmo se Vegas sentiu-se amado também.

    Pete sabia que o desejo dele sempre foi ser aceito pelas pessoas que eram importantes para ele. Para Vegas, os sentimentos de desaprovação , rejeição e repulsa eram presos a ele como tatuagens. Durante toda a sua vida, foi tudo que ele conheceu.

     Estava na expressão impetuosa do pai. ; Na hierarquia familiar. ; Quando olhava para si mesmo, todos os dias. Nunca bom o suficiente para nada ou ninguém.

    Mesmo Pete o havia olhado da mesma maneira antes. Com a mesma desaprovação. Mesma repulsa. O expulsou de sua vida até decidir que o queria de volta.

    E quando se apegou àquilo, uma dor aguda cortou Pete como um raio.

      Vegas soube que era amado?

   Seus joelhos cederam e Pete encolheu-se em uma vertigem claustrofóbica, sem conseguir conter seus soluços desamparados. Seus olhos transbordavam e a pressão dolorosa em sua cabeça fazia-o sentir-se como se estivesse debaixo d'água. Tudo doía. Estava tenso, ansioso, desesperado, tudo ao mesmo tempo.

   Havia uma mão em suas costas, outra apertava suavemente em seu ombro e ,parcialmente, ele estava ciente de uma presença ao seu lado prestando-lhe conforto, mas nada disso amenizou ou fez aquela dor insuportável ir embora.

    Queria abraçar Vegas. Queria olhar para ele e dizer que estava perdidamente apaixonado por ele. Sem metáforas. Sem perder tempo falando de animais de estimação como antes. Simplesmente direto e honesto. Queria olhar nos olhos dele e dizer que ele era o suficiente, que lidariam com tudo juntos. Queria abraçá-lo e beijá-lo como quem beija um santo, e deixar toda sua paixão e ternura na pele dele como ele deixou na sua.

    Queria fazê-lo se sentir amado como nunca se sentiu antes.

       Mas como poderia?

   Vegas não existia em outro lugar que não fosse em sua memória.