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Quântico , VA, Abril de 2011.
Eles eram amigos, claro que não melhores amigos ainda, mas de toda forma a situação no momento era a seguinte: interagiam socialmente com bastante naturalidade, inclusive fora do departamento e do trabalho. Era costume de Rossi receber os colegas para jantar na casa dele de vez em quando, e recentemente desde que Emily voltou de Paris no fim do ano anterior que ela vinha participando com alguma frequência desses encontros. Aos poucos eles iam se tornando mais receptivos a presença dela, que ia também se sentindo cada vez mais confortável para isso. Erin ainda se lembrava de um desses primeiros jantares, onde ela percebeu que Emily estava grávida antes do fim da noite, sendo que a própria agente não tinha identificado os sinais ainda.
“Duas garrafas de vinho divididas por seis pessoas não é álcool demais. Faz quase oito meses que tudo aconteceu, então dos ferimentos ela já está bem. Você me disse que ela pediu especificamente pela massa que era receita da sua avó. E faz mais ou menos um mês que ela está de volta. (...) Eu dou até o réveillon para ela descobrir e anunciar a gravidez.”
Era começo de dezembro passado, um pouco antes do Natal, e ela e Rossi discutiam na varanda da casa dele enquanto assistiam Emily e Hotch irem embora juntos depois do fim do jantar. E Erin estava certa, exceto que Emily veio contar para eles somente nos primeiros dias de janeiro. Quer dizer, ela e Hotch vieram contar para ela, que era a chefe de seção e precisava saber. E Rossi, bom, ela não guardaria segredo dele sobre isso e nem o casal de amigos também. De lá pra cá alguns meses se passaram, já estavam em Abril e a gravidez já não era mais segredo pra ninguém. Hotch e Emily inclusive estavam tendo alguns problemas relacionados a isso, coisa que Erin sabia em segredo através de David.
"Às vezes parece que o Hotch quer prender ela ao trabalho administrativo até a criança nascer…”
“Seria o ideal. Mas nós conhecemos a Emily bem o suficiente.”
“Você não pode fazer nada?”
“Eu não vou colocar a Emily em trabalho administrativo só porque você e o Hotch querem isso, David. Não enquanto ela não representar um risco para ela ou a criança.”
“Isso nós dois sabemos que ela não vai fazer, se colocar em risco voluntariamente.”
“Exato. Confie na sua amiga, e deixe que eu cuido do resto se precisar.”
Erin e David frequentemente conversavam sobre como tinha sido a última viagem, os detalhes do caso, e como estavam os agentes em campo quando ele voltava. Geralmente ele ia encontrá-la na casa dela caso ela já não estivesse mais no escritório, e depois disso eles ou estavam lá ou então estavam na mansão. Erin foi tirada de seus devaneios pela ligação de um chefe de polícia de Nova York, e ficou bastante ocupada com a chamada dele por um tempo. À essa altura o avião da equipe já tinha pousado, e eles estavam se organizando nos carros para irem até o departamento e de lá ir pra casa. David estava tentando ligar para Erin, mas o telefone do escritório estava ocupado, e o celular pessoal dela não estava atendendo. Como ele, Emily e Hotch foram juntos num carro, o outro casal percebeu algo estranho. Ao sentir os olhares dos dois sobre ele, Rossi comentou.
“Estou tentando ligar para a Erin, pra saber se vou encontrá-la em casa ou se ela está me esperando no departamento ainda. Mas ela não me atende.”
“Vocês dois já estão praticamente casados, só não perceberam isso ainda.”
Foi Emily quem reclamou, antes de fazer uma careta. Rossi estava no banco de trás e concentrado no telefone, mas Hotch percebeu o mal estar da mulher ali no banco do passageiro, mesmo dirigindo. Ela insistiu que era apenas o incômodo do pouso e decolagem do avião, nada demais. Reid, Morgan e JJ iam no outro carro e a loira estava preocupada com a Emily que ela viu no avião. Sabia que ela estava enjoada, tinha percebido isso de longe, e levou até os biscoitos de gengibre que tanto a ajudaram na gravidez de Henry. Torcia para que as coisas se acalmassem mais no caminho até o departamento. Erin ainda estava ao telefone quando olhou no relógio e viu que eles já tinham pousado, então à essa altura já estariam chegando. Viu também as chamadas perdidas de Rossi, certamente para saber onde ele deveria encontrá-la.
“Eu entendi a natureza do caso, chefe Dodds. Nós podemos dar o suporte que a sua delegacia precisa e ajudar na busca de informações.”
“Eu agradeço, chefe Strauss. Esse caso é duplamente pessoal para uma de nossas tenentes… Olivia conhecia a professora da Columbia que foi atacada. As pistas do caso aqui esfriaram depois de um tempo, mas parece que algo muito semelhante ao ocorrido com ela aconteceu aí em Washington há dois dias.”
“Eu vou me informar melhor do caso. Se o perfil for realmente do mesmo suspeito, o FBI pode assumir. E a Tenente pode ser temporariamente integrada como nossa colaboradora. Eu vou ficar de olho nela, e nós vamos ajudar no que for possível.”
“Ótimo. Um último comentário, acho que a senhora vai ficar sabendo disso quando ela chegar aí, mas de qualquer forma. A Liv me disse que ela e uma de suas agentes são primas. Distantes, mas são. Emily Prentiss.”
William estava adotando o tom mais formal que ele conseguia para falar sobre o caso e para requisitar a ajuda do FBI e a colaboração junto à polícia de Washington, não só porque sabia que isso era pessoalmente importante para Olívia. Mas porque sabia que iam precisar de mais ajuda para pegar o suspeito de qualquer forma. Ele nem percebeu isso, mas acabou se traindo ao final da frase e usando o apelido carinhoso dela, coisa que os ouvidos e a atenção de Erin Strauss captaram perfeitamente. Olivia Benson não era somente uma Tenente da Polícia de Nova York com quem o chefe William Dodds trabalhava, no fim das contas. Quando os dois superiores desligaram o telefone, Erin pegou o celular dela e saiu apressada na direção dos elevadores. Sabia que o time estava subindo. Emily e JJ passaram direto por ela, o cumprimento aconteceu de longe antes de as duas sumirem, enquanto os rapazes ficaram ali no salão. Rossi se aproximou da mulher, os dois trocaram um beijo muito rápido e de forma automática aproveitando que estavam somente eles ali no saguão, antes de ela perguntar o óbvio.
“Enjoo? Aconteceu alguma coisa durante o caso?”
“Nada específico. Pode ter sido o vôo, alguma coisa que ela comeu..”
“Oh, às vezes não é só matinal. E nem dura somente os primeiros meses também.”
“Eu tentei te ligar…”
“Eu estava ocupada ao telefone, com a chefia da polícia de Nova York. Por sinal eu preciso falar com vocês sobre isso. Podemos nos encontrar na sala de reunião antes de vocês irem embora? Prometo não tomar mais do que dez minutos.”
“Tudo bem. Eu vou ver a Emily.”
Hotch foi o primeiro a pedir licença a ela, e depois disso o time se dispersou. Reid foi na direção da mesa dele, Morgan foi até a sala de Garcia falar com ela, e Rossi seguiu a mulher até a sala dela por instinto. Os dois falaram mais um pouco sobre o caso recém encerrado enquanto ele observou que ela foi até a mesa de apoio onde ficavam a cafeteira e os chás que ela tomava vez por outra durante o dia, e que ele volta e meia ia até a sala dela somente para se aproveitar.
“O que aconteceu com a NYPD?”
“Eles estão com um caso antigo, parado, e parece que o suspeito atacou de novo só que aqui em DC. Uma Tenente vai tomar o primeiro trem amanhã cedo para nos encontrar.”
“E ela fez questão de vir pessoalmente?”
“Ela conhecia a vítima de NY, a delegacia dela cuidou do caso. E ela é prima da Emily.”
Erin disse a ele, enquanto deixava água suficiente ferver para fazer um chá novinho. Depois preparou o cappuccino antes que ele se levantasse para fazer isso sozinho, e quando foi entregar o pequeno copo a ele, David segurou na mão dela. Erin sentou e se acomodou ao lado dele no sofá durante alguns instantes, enquanto ele se dividia entre tomar o café e olhar para ela. Uns cinco minutos se passaram até que JJ veio bater na porta a pedido de Hotch, dizendo que eles estavam esperando por eles na sala como ela pediu. Erin pegou uma das xícaras dela, colocou a água e a infusão do chá, e levou a louça com uma tampa específica enquanto ela e Rossi caminhavam junto de uma JJ ligeiramente confusa com essa sequência de gestos que ela presenciou. Emily estava sentada com Hotch de um lado e Garcia do outro, e Derek e Reid encarando os três do lado oposto da mesa redonda. Ela tocou o ombro de Emily antes de colocar a xícara diante dela.
“Camomila. Vai te ajudar a relaxar e a diminuir a náusea e o enjoo. Era a única coisa que me ajudava.”
“Obrigada Erin.”
“Não foi nada. Quatro experiências me ensinaram a lidar com isso, ainda que a última tenha sido há mais ou menos uns vinte anos.”
Ela confidenciou, de forma automática, quando Emily agradeceu. JJ e Prentiss sorriram ao mesmo tempo, reconhecendo os sinais de alguém que tem experiência em lidar com a maternidade. Garcia e Reid olhavam para os quatro, porque Erin tinha parado bem ao lado de Emily e Rossi estava junto da mulher, surpresos com a cena tão leve.
“Quatro?”
“Sim.”
“Mas você não tem três filhos?”
“Exatamente. Karen, Haley e Joey.”
“Então como assim…”
“Faz as contas, Spencer!”
Erin tinha deixado escapar a conta de que só Rossi e ela tinham conhecimento, e depois disso ela procurou fornecer o mínimo de informações a este respeito porque não sabia dele se queria que soltasse a informação assim sem conversar sobre antes. A repreensão a Reid veio de Jennifer, e Strauss agradeceu a ela com o olhar. Sabia que a mais nova tinha entendido perfeitamente a conta que Reid estava achando confusa, assim como sabia que ela conhecia bem esse mesmo sentimento também. Erin deixou que Rossi ocupasse uma das cadeiras enquanto deu a volta na mesa para ficar de pé de uma forma que as atenções de todos eles estivessem focadas nela.
“Um dos chefes da Polícia de Nova York me ligou pessoalmente, quase como um pedido de favor. Ele disse que eles tiveram um caso semanas atrás de uma professora na Columbia atacada durante a noite, e que depois disso a pista do cara acabou morrendo. Dois dias atrás, no campus de Georgetown, aconteceu um caso bastante semelhante e ele queria a nossa ajuda para ver se é o mesmo cara e para pegá-lo.”
“Porque ele te ligou pessoalmente?”
“A Tenente responsável pela delegacia que cuidou do caso te conhece.”
“É a Olivia?”
“Exatamente.
A Liv.
Ela vem nos encontrar amanhã cedo, eu prometi que ajudaríamos se fosse realmente o caso.”
“Eu vou ligar para ela. Esse chá é realmente bom, obrigada!”
“Na minha sala tem mais. Peça ao David para ir buscar lá, ou vá até minha secretária se quiser mais depois. Vou deixar ela avisada.”
Erin respondeu por último a Emily, que agradeceu o gesto de carinho vindo da chefe com um sorrisinho. Os outros assistiram a troca das duas em silêncio. Não havia muita coisa que eles pudessem comentar ainda sobre o caso além do básico que eram relatórios policiais e do exame feito na professora de Nova York, precisavam esperar Olívia chegar com os arquivos pessoais e para deixá-los a par das impressões dela. Havia ainda a requisição que Erin tinha feito junto à polícia local e que talvez seria respondida lá pela hora do almoço no dia seguinte, de modo que a chefe os liberou para irem dormir uma noite em paz e nas suas próprias camas. Apesar da impressão de que o que ela teve não devia ser nada além de um mal estar que faz parte da gravidez, Emily e Hotch estavam gratos que no dia seguinte tinham uma das consultas periódicas dela com a obstetra. Ela conversava ao telefone com Olívia, enquanto o namorado dirigia no caminho para casa.
“Me diz que horas você chega. Eu vou te buscar, e você fica com a gente.”
“Eu não quero te incomodar, Emily. Eu posso me hospedar num lugar perto da sua casa. Pra facilitar as coisas!”
“Por favor, Olívia. A gente não consegue estar juntas o suficiente.”
“Seu marido não se incomoda?”
“Ele não tá nem doido.”
“É sério, Emily.”
“Eu to falando sério, Liv. Fala pra ela Hotch!”
“Ela tá falando sério, Olívia. Você vai ser bem vinda na nossa casa se quiser ficar lá.”
Emily estava ficando levemente irritada com a resistência de Olívia, e antes do fim da ligação fez até com que Hotch falasse por si e tranquilizou a prima dela. Que não ficou totalmente aliviada mas pelo menos desistiu de relutar, não queria deixar Emily ainda mais contrariada. Emily nem mesmo se preocupou em corrigir o ‘seu marido’ que Olivia usou automaticamente, como fazia quando os colegas de trabalho diziam implicando com ela: “Ele só vai ser meu marido quando eu me tornar oficialmente a sra Hotchner, até lá ele ainda é meu namorado” . Quando viram que o horário de chegada dela se chocaria com o da consulta médica, combinaram de Olívia encontrá-los direto na sede do BAU. Hotch ligou para Rossi para avisar o amigo disso, já que sabia que ele provavelmente chegaria mais cedo do que o restante do time mesmo por causa de Erin. Na manhã seguinte enquanto aguardavam para entrar no consultório da médica, porque Hotch pediu licença a Erin para acompanhá-la em virtude do mal estar no dia anterior, Olívia avisou que o trem já tinha chegado.
“A Erin já deve ter liberado a sua entrada. Ela sabe que você vai chegar antes de mim.”
“Certo. Dodds me disse que já explicou muita coisa pra ela sobre o caso daqui, mas que ela quer saber das minhas impressões pessoais da investigação.”
“A gente precisa do máximo possível de informações até chegar a um perfil.”
Emily teve que desligar porque a enfermeira chamou por ela, e Olívia voltou sua atenção ao desembarque. Da estação ela tomou um táxi direto para o endereço do departamento do FBI que Emily lhe forneceu. Pelo caminho ela mandou uma mensagem a William, avisando que tinha chegado e que estava tudo bem. Assim que ela se identificou e mostrou as credenciais na recepção, o guarda demorou poucos segundos para retornar a ela dizendo que já estava ciente da chegada e que precisava apenas de um cadastro rápido.
“Com licença. A secretária da chefe de seção pediu para dizer que a senhora pode ir diretamente à sala dela, se quiser. Ela a estará aguardando.”
“Ok, obrigada. Qual o andar?”
Derek Morgan tinha preferido chegar mais cedo naquele dia do que lidar com os relatórios do caso na noite anterior antes de ir pra casa, de modo que ele ia passando pela recepção quando ouviu um dos guardas indicar à visitante o andar do departamento deles. Derek apressou o passo até a mesa do rapaz para ver o que estava acontecendo.
“Está tudo bem por aqui, Marvin?”
“Perfeitamente, agente Morgan. Essa senhora veio encontrar a chefe Strauss, eu estava apenas indicando a ela o caminho.”
“Eu levo ela até lá, pode ficar tranquilo. Derek Morgan, agente especial do BAU.”
“Olivia Benson, tenente da NYPD. Meu Chefe falou com a sua, eu acho que nós vamos trabalhar juntos por alguns dias.”
“Vai ser um prazer para nós. Vamos lá?”
Primeiro Derek garantiu ao guarda que guiaria a visitante até o andar deles, e o senhor não viu nada demais no gesto. Depois disso, os dois foram conversando nos segundos do trajeto entre a recepção, o elevador, e o andar deles. Olívia já tinha trabalhado junto ao FBI algumas vezes, mas nunca lá de dentro dessa forma. Viu que haviam algumas mesas espalhadas pelo saguão grande, num canto do ambiente um espaço reservado que parecia abrigar uma copa pequena, e na extremidade oposta ao hall do elevador tinha uma elevação e algumas salas individuais e reservadas.
“Ali ficam as salas dos chefes. A do Hotch, a do Rossi e a da JJ. Jennifer Jareau, além de uma excelente agente ela é meio que nossa assessora de comunicação. A da Erin fica bem aqui fora, num extremo do corredor. E a da nossa analista técnica fica do outro lado.”
“Oh, entendi. Vocês têm uma estrutura absurda aqui. Eu queria que nós tivéssemos um orçamento parecido e algo mais perto disso.”
“Os nossos chefes discutem com frequência por muitas coisas, mas um orçamento decente é algo com que o Hotch e a Erin conseguem concordar sempre.”
“No meu caso a discussão é entre mim e as instâncias superiores. Às vezes eu tenho paz, às vezes não.”
Olivia riu, e quando balançou os ombros levemente. Os dois ainda estavam parados no saguão, Morgan finalizando a apresentação do local e de algumas pessoas a ela, quando foram interpelados por Garcia. A analista sabia que Morgan estava chegando, só não imaginava que ele estaria chegando acompanhado.
“Olá, olá. Você veio acompanhado hoje?”
“Olívia Benson, essa é Penélope Garcia, nossa analista técnica. Baby Girl, essa Olivia Benson, a policial de Nova York que a Erin avisou que viria para trabalharmos juntos.”
“Oh, a prima da Emily? É um prazer conhecer você!”
Garcia se adiantou para o abraço, ligeiramente mais tranquila depois de ouvir isso, e Olivia ficou surpresa com a recepção calorosa e com as informações pessoais que eles já tinham, mas simplesmente foi na dela. Os três estavam por ali falando um pouco das considerações da investigação da delegacia dela até o momento, quando a porta de uma das salas reservadas se abriu e Derek avistou Erin e Rossi descendo as escadas pequenas juntos.
“Eu conheço ele…”
Olivia murmurou baixinho, e somente Morgan ouviu o que ela disse. Não tiveram tempo de prolongar o assunto pois logo os dois já estavam junto deles ali embaixo.
“Você deve ser a Olívia, certo? O chefe Dodds me falou muito bem de você. Seja bem vinda.”
“Essa é Erin Strauss, nossa chefe de seção. E eu sou David…”
“Rossi. O autor. Desculpa!”
Rossi foi quem apresentou Erin a Olívia, depois que a chefe mencionou a ligação de William. Quando foi a vez dele se apresentar, a reação de Benson foi automática e mais rápida do que ela gostaria, motivo pelo qual ela pediu desculpas por interrompê-lo. Mas era impossível para ela não reconhecer o homem, o autor de alguns livros que ela gostava de ler, tanto os romances policiais quanto os que falavam de trabalho e de alguns casos específicos com que ele lidou ao longo da carreira. David simplesmente sorriu. Jennifer e Reid chegaram juntos naquele instante e logo estavam ao lado do grupinho, que só crescia ali embaixo.
“Eu tive um primeiro retorno do chefe da polícia aqui em Washington. Ele me prometeu que até meio dia, uma da tarde no máximo, ele vai ter os arquivos do nosso caso aqui e me envia. Eu já fiz o pedido ontem muito tarde, ele não teve tempo de começar a organizar tudo.”
“Tudo bem. Eu trouxe o que nós conseguimos reunir lá em casa, será que posso mostrar a vocês?”
“Pode. Nós podemos esperar a Emily chegar também se você preferir, até lá eu posso te oferecer um café na minha sala?”
Erin convidou, no que Olívia agradeceu. Ela cumprimentou novamente os outros agentes antes de David e Erin se destacarem do grupo com ela, deixando JJ e Garcia de olho em Morgan, e Reid meio perdido com a reação delas.
“Você quer um guardanapo, Derek?”
“Do que você tá falando?”
“Antes que você babe.”
“Eu não tô te entendendo JJ…”
“Ah, você está sim. Eu vi como você ficou olhando pra ela enquanto o David e a Erin se afastavam.”
“O que? Eu achei ela parecida com a Emily, só isso.”
“Mas nem no branco do olho, Morgan. Deixa de ser mentiroso.”
As duas seguiram perturbando o juízo dele, que saiu resmungando e dizendo que tinha um relatório para terminar de corrigir antes da reunião deles, e Reid deixou os três e foi para a própria mesa se concentrar na sua leitura do momento. Não muito longe dali, na sala de exames depois da conversa inicial com a médica, Emily e Hotch esperavam o início do exame de imagem. Apesar do mal estar da noite anterior, com base na conversa delas e no que ela tinha observado inicialmente, não deveria ser nada além de um mal estar pontual. Nada extraordinário para o estado dela, Carina garantiu.
“Mas por via das dúvidas, fique de olho no restante desta semana. Se puder evitar de viajar, as cenas de crime…”
“Ah não, agora é que o Hotch não vai me deixar trabalhar mais. Se ele pudesse eu já estava de licença até essa criança nascer.”
“Não precisa tanto. Você pode continuar trabalhando.”
“Viu? Eu te disse, querido.”
“Claro que com atenção redobrada ao estresse, precaução antes de ir a uma cena de crime dependendo do que você possa encontrar ao chegar lá, e vai chegar o tempo que eu vou te pedir pra não viajar mais. Mas antes disso você pode seguir a sua vida quase normalmente.”
Emily não estava 100% satisfeita com o pequeno discurso, mas pelo menos a médica disse que ela podia continuar trabalhando quase que normalmente. Quase. Era a esse porém que ela sabia que Hotch ia se apegar, e na maioria das vezes ela sabia que era só preocupação dele com ela e a criança, mas vez por outra a irritação tomava conta e ela reclamava de ele querer super protegê-la pelos próximos meses. A obstetra fez alguns registros de imagens, as anotações necessárias, e por alguns minutos os três ficaram em silêncio ali. Quando Carina finalmente resolveu falar, ela tinha um sorriso tão grande no rosto que deixou Emily curiosa.
“Parece que essa criança já quer nos deixar saber o sexo dela hoje. Vocês querem que eu conte, ou vão esperar até o nascimento?”
“Eu quero saber. Hotch?”
“Eu também. Pode falar.”
“Ok, nesse caso eu posso dizer com quase 100% de certeza de que é uma menina que vocês vão ter. Vou adicionar um teste aos exames de sangue que eu te pedi, mas é só pra confirmar mesmo. Parabéns!”
Os dois não estavam preparados para a surpresa, de modo que a emoção tomou conta deles. A médica imprimiu uma foto pequena, que Emily entregou a Hotch para guardar com cuidado no bolso interno do blazer, antes de ela ir se trocar. Saíram de lá com a receita de uma medicação caso o enjoo persistisse, a foto guardada e a informação de que era uma menina que estava a caminho! Emily queria muito conversar com a mãe dela, ao mesmo tempo em que Hotch queria contar a Jack e Declan das novidades. Combinaram de não dizer nada ao time por enquanto, pois Emily queria encontrar um momento especial para a revelação. Quando chegaram ao departamento, os dois viram os colegas concentrados no trabalho, e assim que se separaram e Hotch foi até a sala dele, Emily soube por Reid que Olivia estava na sala de Erin. Prentiss foi direto até lá, e quando chegou a secretária disse que Erin estava esperando por ela e liberou a entrada.
“Com licença. A Jane disse que eu podia entrar!”
“Eu tinha avisado a ela que liberasse. Está tudo bem?”
“Sim, a médica disse que não era nada demais a me preocupar.”
“Que bom! Nós estávamos aqui conversando com a Olivia, ela me forneceu informações bem concretas sobre o ataque ocorrido lá em NY e sobre o que a vítima conseguiu dizer sobre o suspeito deles.”
“Ela me disse que era um homem branco, que parecia ter entre vinte e cinco, trinta anos no máximo. Ele era familiarizado com a estrutura da Universidade mas ao mesmo tempo não tinha mais a idade dos jovens que ingressaram recentemente."
“Ele pode estar fazendo mestrado, uma segunda graduação, ou ainda ser só um estudante tardio.”
“A gente não acha que seja um novato. Ele conhecia bem demais a estrutura do campus, sabia onde poderia abordar a Professora sem que as câmeras flagrassem nada. Ele sabia por onde conduzi-la até… finalizar o ataque, tudo isso sem ser pego pelas câmeras nem por ninguém.”
Primeiro Erin perguntou de imediato sobre o estado de saúde de Emily, ainda genuinamente preocupada acerca da chegada dela de viagem no dia anterior, no que a agente respondeu garantindo que estava tudo sob controle. Mais tranquilas sobre isso, elas duas e Olivia começaram a falar sobre o caso. Precisavam dos relatórios da polícia, que Erin estava aguardando, e quem sabe de uma conversa com a vítima local para ter a certeza se era o mesmo homem ou não.
“Vocês acham que a gente consegue conversar com a Professora daqui? Para ver se algo na história das duas bate?”
“Nós podemos arranjar isso.”
“Eu posso ir com a Olivia. Ela tem as informações de fora e eu acompanho a conversa, já para a gente ir desenhando o perfil do caso.”
Emily se prontificou a fazer companhia à prima e tenente na excursão pela cidade atrás de informações, e Erin sabia que isso seria necessário. Mas ao mesmo tempo não queria deixar as duas irem sozinhas, por mais que ela tivesse a certeza absoluta de que as duas seriam capazes de se cuidar e de se protegerem. Ela teve a ideia de pedir a David para acompanhá-las, mas então se lembrou de que ele comentou mais cedo antes de saírem de casa que teria uma reunião com a sua agente antes da hora do almoço.
“Tudo bem. Porque você não chama mais alguém, e vão os três juntos?”
“Mais alguém? O que o Hotch pediu a você pra fazer?”
“Nada, Emily. Eu juro. Eu sugeri apenas alguém pra acompanhar vocês. Porque a sua prima não está acostumada a dirigir pela cidade, e porque você estava meio tonta e enjoada ainda ontem. Eu sei como isso às vezes pode não ser legal junto com a direção…”
Emily queria protestar, mas lá no fundo sabia que Erin não estava completamente errada. E Olivia olhava de uma para a outra, confusa com essa dinâmica tão… peculiar entre Emily e aquela que ela achava que era somente a chefe deles no departamento de análise comportamental. Mas Erin estava instintivamente apenas tentando cuidar um pouco dela, e Emily apenas acenou com a cabeça, já sabendo quem ela convocaria para ser o motorista das duas. Depois disso ela e Olívia se levantaram para sair.
“Derek, você hoje é nosso motorista. Quando tiver livre pra sair avisa.”
“Que? Do que você está falando?”
“Eu e a Olivia vamos até a casa da Professora da Georgetown, para ver se ela nos recebe para uma conversa. E a Erin sugeriu que alguém nos acompanhasse. Eu escolhi você.”
“A Strauss não te deixou sair daqui sozinha, pra algo tão simples? E você só aceitou?”
“Não enche, Derek.”
“Tudo bem, tudo bem. Me dá dez, quinze minutos no máximo.”
Emily acenou com a cabeça pra ele, e foi com Olivia até a sala de Hotch para que ela guardasse a bagagem de viagem se assim quisesse, para não ter que ficar para cima e para baixo carregando coisas demais. Saíram depois de menos de meia hora conforme Morgan os prometeu, e no carro os três conversavam animados sobre as músicas que iam tocando e mais toda a sorte de coisas aleatórias. Derek sorriu de lado, vendo que Emily estava bem, porque era exatamente isso o que ele queria.
“Então, você disse que essa música tocou bastante quando você era adolescente. A Prentiss disse a mesma coisa. Vocês não se conheciam nessa época?”
“Não. A gente se encontrou há relativamente pouco tempo, depois que a minha mãe morreu. A avó da Emily e a Serena eram irmãs, só que a avó dela.. como era o nome da sua avó, Emily?”
“Olivia.”
“Verdade, minha mãe sempre disse que meu nome era uma homenagem à irmã mais velha com quem ela perdeu contato depois do que aconteceu com ela antes de eu nascer. Mas enfim, o pai da Emily nos procurou depois que a minha mãe morreu, uma coisa levou à outra, e hoje nós estamos aqui.”
“Eu não tô dizendo que estou feliz com a forma, mas eu digo que tô feliz de vocês estarem aqui hoje.”
O comentário de Derek foi tão automático, e ao mesmo tempo aparentemente tão cuidadosamente pensado, que Emily virou de lado no banco do carona para encarar o amigo. Por algumas vezes ela olhou dele para Olivia no banco de trás, depois para ele de novo, e então começou a rir. Olivia ergueu uma sobrancelha na direção dela, e queria muito saber o que estava se passando na cabeça de Emily naquele exato momento. A conversa com a professora, que não se opôs a recebê-los em casa, foi acompanhada pelo marido dela. Maria relatou passo a passo como tinha sido aquela noite para ela, desde a abordagem até os pormenores que tinha ouvido do agressor. Não era exatamente a mesma coisa, mas tinha algo nos fragmentos de comentários ditos pelo homem que deixou Olivia encucada. Elas agradeceram a disposição da mulher em conversar com eles, no que Maria respondeu apenas que queria que o cara fosse pego e levado à justiça. Na saída, eles viram que já estava perto da hora do almoço, e antes de os outros dois terem a chance de comentar qualquer coisa veio de Emily o convite.
“Aqui perto tem um restaurante italiano maravilhoso, tão maravilhoso que até o Rossi gosta de comer lá.”
“Eu estava pensando nisso.. eu posso levar vocês, garotas, para almoçar fora hoje? Tenho certeza de que seu marido não iria se incomodar Prentiss.”
“Eu já disse que ele só vai ser meu marido mesmo no dia que a gente casar, Derek.”
“Pois então casem. Os dois padrinhos você já tem aqui, não é Olivia?”
“Exato. Marque logo esse casamento, porque eu e o Derek queremos ser os seus padrinhos.”
Olivia, percebendo o jogo do amigo de Emily, resolveu entrar na dele e dar corda às brincadeiras. E Emily, de onde estava, deixou uma gargalhada escapar quando percebeu isso. Ela e Hotch tinham se mudado juntos assim que ela voltou do exílio, e ela tinha adotado Declan quase que de imediato também, e hoje os três e Jack viviam felizes como uma família. Já era como se os dois fossem casados embora faltasse assinar o famigerado pedaço de papel. Ela passou todo o almoço pensando nesse assunto, e os outros dois chegaram a perceber que ela estava levemente distante. Na saída, depois de uma discussão sobre isso, Derek acabou vencendo as duas mulheres pela insistência. “Que tipo de cavalheiro chama duas garotas pra almoçar e deixa elas pagarem a conta?” Ele argumentou no fim, fazendo Emily revirar os olhos e Olivia sorrir com o gesto. Estava quase acostumada a gestos como esses, em praticamente todas as vezes em que ela e William resolviam fazer algo fora de casa. Quando o manobrista do restaurante veio trazer o carro, Derek abriu a porta de trás para Olivia enquanto o rapaz já tinha aberto a do passageiro para Emily, e logo os três puderam ir embora dali. Já tinham sido avisados de que Strauss os aguardava no departamento com os relatórios forenses completos do ataque de Maria dias atrás.
“Estão entregues, senhoras.”
“Foi um prazer, Derek. Obrigada.”
“Tem mais uma série de restaurantes incríveis que eu acho que você vai gostar também. Nós podemos combinar algo antes de você ir embora?”
Os três estavam chegando à sala de reuniões depois da excursão e do almoço fora, e o final do comentário de Derek foi ouvido pelos colegas quando eles entraram na sala. Rossi estreitou o olhar na direção da dupla, Garcia alternava o olhar entre os três recém chegados, e depois ela e JJ trocaram um sorrisinho discreto quando os olhares das duas se cruzaram. Não tiveram mais tempo de encher o saco de Morgan sobre isso porque Erin veio com as informações que precisavam analisar. Enquanto ela falava do caso local, Olivia ia apontando cada semelhança na abordagem do suspeito de Nova York.
“A Maria disse que ele reclamou de alguma coisa sobre a direção da universidade, não disse?”
“Disse. Que aqui eles também priorizavam gente intelectualmente inferior só porque eram mulheres, e que os diretores queriam esse
lacre
do quadro majoritariamente feminino.”
“A nossa vítima de NY disse que ouviu uma reclamação parecida. Que ela não devia estar ocupando o cargo que ela ocupa dentro dos quadros da Columbia.”
“Garcia, pega as duas descrições que a Maria e a vítima de NY deram do suspeito. Vê as áreas de trabalho delas, se tem alguma coincidência.”
“Seria bom ver os possíveis pedidos de emprego recusados? Quem sabe não é alguém que foi recusado em ambas as universidades e é ressentido com isso?”
“Bem lembrado, Olivia. Adiciona isso à sua pesquisa Garcia.”
“Agora mesmo, chefe. Vou deixar a busca inicial rodando e depois vou até lá embaixo bem rápido só buscar meu almoço.”
Erin e Emily conversaram primeiro, sobre a conversa que Prentiss e companhia tiveram com a vítima local algumas horas antes. Depois disso, quando ela pontuou algo importante, Hotch agradeceu a Olivia pela informação adicional dela e repassou a pesquisa à analista. Levaria algumas horas, mas Garcia voltaria com resultados mais concretos para eles assim que os tivesse. Penélope disse ao final da conversa, dirigindo-se a Hotch, que era o chefe do BAU, antes de pedir licença a eles para deixar a sala. Ela tinha pelo menos duas buscas distintas e extensas a fazer: alguma coincidência entre os campos de atuação das duas professoras, e depois a lista de recusas de emprego em Georgetown. Começaram com uma janela de cinco anos para trás, que seria expandida caso nada de concreto retornasse. Erin prometeu ligar para William e ver se ele conseguia junto à Columbia uma lista semelhante de recusas de lá, e conforme estivessem com tudo isso reunido fechariam o perfil do agressor. A tarde se estendeu sem grandes incidentes inicialmente, com a equipe dividida entre os relatórios do caso recém-encerrado e entre acompanhar a pesquisa de Garcia sobre aquele caso novo.
“Eu vou te deixar aí na sua reunião, e vou até a sala da Erin buscar um chá pra mim. Trago um café pra você.”
“Tem café ali na Copa, o Derek já me apresentou a tudo.”
“O Derek está te apresentando muita coisa desde que você chegou, não é?”
“Você também notou?”
“Só porque eu o conheço bem. Ele é como um irmão, e ele não faria nada pra te deixar desconfortável ou se já soubesse que você tem alguém.”
“Ele não tinha como saber. Ele é bonitão, a namorada dele é uma mulher de sorte.”
“Derek é o tipo solteirão convicto, que se envolve com algumas garotas de vez em quando mas nada sério ou que dure por muito tempo.”
“Oh, entendi. Quem sabe um dia ele não encontra alguém que faz ele entender que se envolver de verdade finalmente valha a pena?”
“Experiência própria, Olivia Benson?”
“Vai buscar seu chá, vai. Me deixa em paz.”
Olivia atirou uma bolinha de papel na direção de Emily, que estava parada na porta da sala de reuniões onde Olivia tinha pedido para se instalar para acompanhar a videoconferência com a sua delegacia. Fin tinha dito a ela que precisavam conversar e ela estava organizando tudo ali quando Emily veio. Logo Fin, Amanda, Carisi e Mike apareceram na tela dela perguntando sobre como estava indo o trabalho com o FBI. Eles se estenderam por um longo tempo conversando sobre os pormenores de algumas investigações onde Olivia precisava orientá-los, e num determinado momento Emily veio com as duas xícaras em mãos, e no instante em que provou do cappuccino Olivia entendeu o porquê de a prima ter ido até lá para servi-la. Eles tinham café lá fora, e não era ruim, mas não era nada comparado à máquina importada que Erin tinha na sala dela para seu uso pessoal e exclusivo. Ok, agora era para seu uso pessoal e de Emily, que estava determinada a abusar da boa vontade da chefe dela de vez em quando depois de provar do chá que ela lhe ofereceu na noite anterior. No fim do dia, uma vez que a segunda das pesquisas de Garcia ainda levaria um tempo para ser concluída, Hotch levou Emily e Olivia para casa e eles prometeram se encontrar ali no departamento na manhã seguinte no horário normal de trabalho deles. A não ser que tivessem alguma emergência durante a noite. Ela já tinha sido instalada no quarto dos hóspedes, Hotch e Emily estavam ocupados na suíte deles tomando banho e se preparando para voltar pro jantar, quando Olivia desceu devagar procurando a cozinha atrás de água. Encontrou os dois garotos colocando a mesa, e sabia que Declan era o mais velho e que Jack era o filho de Hotch do primeiro casamento.
“Você quer alguma coisa, tia? A tia Emm e o meu pai foram tomar banho, mas daqui a pouco eles vêm aí pra gente jantar.”
“Eu queria uma água. E ajudar vocês aí a organizar tudo.”
Olivia sorriu quando Jack a chamou de ‘tia’ tão naturalmente, assumindo que ela era família simplesmente por ser família de Emily, a quem ele adorava demais. Logo os três estavam ocupados entre conversas sobre a escola dos dois, dentro do possível sem entrar em maiores detalhes sobre o que ela estava fazendo na cidade, e entre organizar a mesa para eles cinco jantarem. Era bom estar entre pessoas que a acolhiam também e faziam ela se sentir como se estivesse em casa, Olivia pensou. Era bom saber que essas crianças e que a família de sua prima a reconhecia como família também. Tiveram um jantar tranquilo, e depois de supervisionar os dois menores recolhendo tudo, Olivia insistiu em pelo menos deixar a cozinha limpa antes de irem todos dormir. Ela ficou lendo por um tempo antes de se deitar, e no dia seguinte o retorno da pesquisa de Garcia era bastante promissor. Quando William retornou com a lista da Columbia que Erin tinha pedido, o cruzamento das informações entre as duas cidades lhes deu três possíveis nomes. O time estava esperançoso que um deles fosse o suspeito, e que eles pudessem prendê-lo para que mais nenhuma mulher fosse atacada. E de fato, depois da terceira excursão pela cidade para conversar com um dos nomes da lista, acabaram conseguindo tirar dele a confissão dos dois casos. Nos últimos seis meses ele havia sido recusado porque as duas universidades alegaram que as vagas estavam preenchidas, e Maria e a vítima de NY eram as contratações mais recentes dos respectivos quadros. Era como se ele projetasse nelas a frustração de perder as oportunidades de emprego. A polícia local o levou sob custódia, e a chuva de agradecimentos à ajuda de Erin, do departamento e da polícia de Nova York foi feita por parte do Chefe local. Eles estavam voltando ao BAU no final da tarde daquele segundo dia de Olivia na cidade, quando Emily fez com que eles parassem todos ali no meio do saguão chamando a atenção deles.
“Eu e o Hotch temos algumas novidades pra contar a vocês.”
“Vocês estão juntos? Você está grávida? Não, espera, nada disso é novidade mais.”
“Ha ha ha, você é tão engraçado David. Só por causa disso eu vou te dar um castigo.”
“Castigo? Do que você tá falando? Não deixe a minha mulher te escutar.”
“Você sabe que eu estou bem aqui, não sabe querido?”
Emily, Rossi e depois Erin iniciaram a conversa, fazendo com que o restante deles caíssem na gargalhada. Até Garcia estava ali rindo junto, porque ela tinha saído da sala dela e vindo ao encontro deles para saber dos detalhes do encerramento do caso. Logo Emily pode continuar.
“Eu queria convidar vocês pra gente jantar fora e compartilhar as novidades. Mas eu acabei de decidir que a gente vai fazer isso na sua casa, e que você vai cozinhar pra nós.”
“Você não deveria me perguntar antes se eu estou disposto a isso?”
“Você vai me dizer que não tá?”
Emily o desafiou, e foi a vez de Erin deixar uma risada escapar, sozinha dessa vez. Ela sabia que poucos desafiavam Rossi como Emily fazia, e que menos gente ainda tinha dele uma rendição assim sem luta como a colega estava tendo. Rossi prometeu preparar o jantar desde que pudesse sair mais cedo, e nesse ponto da conversa todos eles se voltaram à Erin. Que ergueu uma sobrancelha pra ele antes de retrucar.
“Tá vendo o que você me arrumou? Agora, se eu disser que você não pode ir, a culpa vai ser minha. Eles vão me detestar ainda mais.”
“Eu já carrego a cota de drama nessa relação, querida. Você sabe que vocês já passaram desse estágio faz muito tempo. Eu espero todos vocês lá em casa!”
Rossi puxou os dois braços cruzados da mulher para perto dele, deu um beijo no bico que ela formou, antes de sair na direção da sala dele para se organizar e ir embora antes dos amigos. Horas mais tarde e depois de muito insistirem com ela a fim de convencê-la que ela seria bem vinda também, Hotch e Emily chegaram com Olivia à casa de Rossi. A tenente ficou surpresa ao ver a entrada da casa imensa, e ao mesmo tempo não estava acreditando que ia mesmo jantar na casa de um dos autores de quem ela gostava tanto. Carisi também gostava dele, e o rapaz não ia acreditar quando ela lhe contasse tudo o que viu e viveu ali nesses dias enquanto trabalhou junto com o FBI. Derek saltou do carro dele junto com Garcia, e Reid e JJ chegaram juntos pouco depois. Viram na garagem que já tinha mais um carro além do de David, e deduziram que Erin tinha chegado antes deles.
“Como ela chegou aqui antes da gente? Quando eu saí do departamento ela ainda estava lá trancada na sala dela. Eu mal passei em casa com o Derek, e a gente veio logo pra cá.”
“Ela certamente veio direto, Penélope. Esses dois podiam parar de fingir que não querem isso e se casarem logo de uma vez.”
“Eles dois, Emily? Será que são só eles dois que estão nessa situação?”
“Olha, você não me enche também hein.”
Garcia estava comentando, bastante curiosa, quando eles se encontraram ali fora. Depois de Emily responder a ela, que logo retrucou, Olivia se adiantou antes que sua prima voltasse a falar. Eles estavam rindo quando Erin veio abrir a porta pra eles dizendo que David estava na cozinha. Ela parecia ter saído do banho há pouco tempo, o ar de frescor e a roupa casual presentes em torno dela. Logo estavam bastante à vontade e o assunto da surpresa de Emily e Hotch veio à tona.
“Nós temos duas novidades pra vocês, como eu disse. A primeira delas é que a gente soube ontem de manhã que essa criança que vem aí é uma menina.”
Depois disso vieram a chuva de parabéns, de abraços, de perguntas se já tinham decidido o nome, dentre um monte de outras coisas. Emily disse que Elizabeth ficou tão emocionada que por muito pouco não começou a chorar ao telefone quando eles ligaram para dar a notícia. Jack e Declan também ficaram igualmente animados de saber que teriam uma irmãzinha para cuidar e proteger dali a alguns meses.
“E a segunda é que a gente resolveu casar.”
“O que? Quando?”
“Quando a criança nascer. E a gente quer uma cerimônia simples, provavelmente no jardim de casa. Apenas pra formalizar algo que já existe.”
“A gente vai poder te chamar de agente Hotchner também?”
“Vai, Garcia. Você pode me chamar do que você quiser que eu não ligo.”
Emily abraçou a amiga, que ela viu que estava emocionada. Prentiss sabia que Garcia tinha um cuidado absurdo sobre eles e um desejo de que os seus queridos fossem plenamente felizes e tivessem da vida tudo o que eles mais queriam. E Penelope Garcia sabia que tudo o que Emily e Hotch mais queriam era viverem esse amor deles juntos, com os filhos, e mais essa menininha que estava pra chegar. A garota nem tinha nascido ainda e os pais dela sabiam que Penélope já tinha uma lista de presentes imensa dentro da cabeça dela.
“Hey, você nos prometeu de sermos seus padrinhos. Não se esqueça disso.”
“Eu não esqueci, Derek. Não acho que o William vá se importar com isso, ele vai Liv?”
“De jeito nenhum. E ele vai ficar muito feliz de a gente vir junto ao seu casamento para ele te conhecer e conhecer a sua família, Emm.”
“Oh. Oh. Eu não… fazia ideia. Me desculpa o mau jeito, Olivia!”
Derek se deu conta depois de uns segundos, especialmente quando ele viu o olhar trocado entre as duas primas, de qual era a natureza do relacionamento que ela tinha com William. Rossi e Erin estavam concentrados no fogão, a mulher o ajudava com o molho para a massa deles, no que eles ouviram a risada abafada de Emily pela mão dela cobrindo o rosto.
“Sem problemas, Derek. Você não tinha como saber.”
“Isso é verdade. Se por acaso eu te deixei desconfortável ou se algum elogio soou como falta de respeito, me perdoa.”
“Serio, você não tem com que se preocupar. Tá tudo bem. Nós vamos ser padrinhos juntos exatamente como a gente fez a Emily prometer ontem!”
“O que eu posso fazer? Eu sei reconhecer uma mulher bonita quando eu vejo uma.
Com todo respeito.
”
Derek ainda estava sem graça das inúmeras tentativas de flerte, onde algumas delas chegaram a ser correspondidas por Olivia por puro deleite com a situação, agora que ele sabia que ela era comprometida. Mas a tenente e Emily se esforçaram ao longo da noite para que ele visse que tudo não tinha passado de uma confusão de informações, e que sinceramente estava tudo bem. Enquanto Rossi e Erin terminavam o preparo do jantar, e enquanto eles iam conversando sobre toda sorte de bobagens para distrair a noite e deixa-la mais leve, Olivia olhou em volta para cada uma daquelas pessoas. A sua prima tem muita sorte, ela pensou. Sorte de ter encontrado naquelas pessoas uma família, um apoio, de ter encontrado tanta gente boa que se preocupa com ela e que certamente vai estar ali pra cuidar da filha dela quando a menina nascer. E ela estava feliz, particularmente feliz, de ter tido essa chance - ainda que muito rápida - de participar dessa convivência com eles e experimentar um pouquinho disso tudo também. (TBC)
