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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2022-09-11
Words:
3,164
Chapters:
1/1
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1
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4
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92

Caronas e dias quentes em Roma

Summary:

“ — Carona, moça bonita?”
Onde Reyyán oferece carona ao músico gostoso no meio da estrada.

(...)

Damiano não sabia ao certo em que momento de seu dia as coisas começaram a dar errado. Ele havia acordado normalmente, fumado seu cigarro matinal e então saído para dar uma volta, apenas com o intuito de preencher a maioria do tempo livre que tinha antes de encontrar Ethan, Thomas e Victoria na casa de gravações, para que continuassem a escrever o novo álbum da banda. No entanto, no momento ele se encontrava ao lado de uma desconhecida, num carro velho a duas horas e meia de Roma.

Notes:

Oii gente! Essa é uma one que eu escrevi de bobeira um dia desses, e com toda essa euforia dos shows no brasil, rock in rio e etc... resolvi compartilhar aqui. Essa é meio que a primeira vez que eu publico alguma coisa, então por favor sejam bons comigo kkkkkkcrying. Eu basicamente fui escrevendo as cenas soltas, e depois não tive muito saco para ir conectando tudo direitinho, por isso pode parecer meio solto. Talvez eu edite depois, mas sei lá. Se eu tiver saco. Enfim, espero que gostem (nem que seja só um pouquinho!!).
Eu também espero que exista alguma praia paradisíaca que os turistas frequentem a duas horas e meia de Roma, porque eu nunca fui pra Europa então segui meu coração (e as vozes da minha cabeça) pra escrever. O google disse que tinha, então... vamos confiar.

Work Text:

Fazia calor. Na verdade, era o dia mais quente do ano, para a sorte de Damiano, e o cantor queria apenas relaxar e tomar um pouco de sorvete, apreciando o clima e a cidade histórica onde morava. Obviamente, paz e Damiano não combinam. As fãs vieram, então os paparazzi… Eram muitas pessoas e perguntas as quais ele não queria responder; tudo sobre a situação o sufocava. Por esse motivo, ele se despediu educadamente de todos que o rodeavam e fez o que qualquer um faria em sua posição: se enfiou no ônibus mais próximo.

Ele havia sentido a vibe estranha do automóvel, mas presumiu ser apenas um dos tantos que faziam tour por Roma; a próxima parada prontamente chegaria e então Damiano poderia sair e retornar calmamente a casa, assim pensou. Claro, o homem não levou o ódio do destino para consigo em questão. O motorista esperou que todos os passeiros embarcassem, então partiram para o próximo destino.

Damiano descobriu que o ônibus fazia um tour por praias nos arredores de Roma após ver a paisagem se transformar: os gloriosos prédios da cidade deram lugar a estrada que parecia ter sido tirada de um filme faroeste americano. Mais estúpida que a ideia de subir no maldito ônibus foi apenas seu pedido para que o motorista o deixasse ali mesmo, no meio do nada. Burro. E assim Damiano se encontrava, com nenhuma bateria no telefone e a pele queimando, à beira da estrada num sol castigante.

Após alguns minutos ponderando o que fazer, Damiano optou pelo óbvio: pediria carona a qualquer alma boa que passasse, e então ligaria para alguém da banda no primeiro posto de gasolina. Teria de responder várias perguntas desconfortáveis sobre como conseguiu se meter em uma situação dessas, mas melhor isto que torrar no sol com seu orgulho.

Estendendo a mão, ele fez o famoso sinal com o dedo conforme os carros passavam voando rente a si, quase tendo o braço arrancado no processo. Após diversos minutos (que para ele pareceram uma eternidade), havia apenas conseguido diversas buzinas e algumas cantadas baratas, mas ninguém se ofereceu para ajudar; tampouco o reconheceram.

Essa era a parte boa de tudo. Conseguiu ficar sozinho, afinal.

(…)

“Ah, vão se foder!” Ele sentou no chão de barro, soltando um suspiro frustrado. Ficaria na estrada, queimando até ano que vem se dependesse da boa vontade alheia.

Damiano já havia desistido quando avistou um carro velho, de tintura verde-água se aproximar do acostamento. Freiando com um solavanco, a menina sentada no banco do motorista parecia uma miragem, ao abaixar manualmente o vidro do automóvel para falar com ele.

“Buonasera, moço bonito. Precisa de carona?” Ofereceu, com um sorriso largo e cheio de si. Ele quase não conseguiu acreditar, rindo consigo pela situação. Sua falta de reação não pareceu espantá-la, visto que prontamente continuou. “Então, desconhecido… Nosso trato é o seguinte: eu te levo para onde quer que queira ir.” A menina olha ao redor, tentando parecer amistosa. “Se você trocar meu pneu. Já tá murcho, tadinho. Uma desgraça.”

Damiano encarou a garota, incrédulo, com a mente a mil. Seu sotaque entregava que não era italiana. Se arrastava em sua boca, prolongando as palavras como se tivesse preguiça de manter uma conversa com ele. Victoria dizia que ele era a pessoa mais doida da Itália, mas a comprovação do contrário tinha olhos de boneca e o encarava nesse momento, em expectativa.

“É só isso?” Ele pergunta, levantando e se aproximando com um ar desconfiado, para olhar mais atentamente ao cenário. A menina tinha as mãos no volante com uma força excessiva, e ele constatou que ela estava sozinha no carro. “Eu troco seu pneu, e você me deixa onde eu quiser ir?”

Ela torceu o nariz, e respondeu impaciente:
“Sim, ué. Não foi isso que eu disse? Vamos fazer uma troca de favores.” O carro era velho, e ela tirou a chave da ignição para estender a ele. “Você pode começar agora! Quanto mais rápido me ajudar, mais cedo irá chegar ao destino, signore.” Disse com um sorriso, como se o conhecesse a anos.

Damiano riu consigo e tomou a chave da mesma, dando a volta para abrir a parte de trás do carro. Suas mãos pararam por um instante antes de abrir a mala, e ele falou, apenas para ter certeza:
“Espero que ninguém salte dessa mala com um facão para me matar, _belezza_. Não tenho um euro sequer no bolso.” Seu tom brincalhão arrancou risadas da motorista, contudo ela abaixou totalmente a janela e colocou metade do corpo para fora, antes de ralhar com ele.

“Para hoje, se puder. Signore.” Seus olhos se estreitaram pelo sol forte da estrada vazia, e Damiano negou com a cabeça, pegando o macaco do porta-malas e dando a volta até o pneu traseiro, para começar o trabalho.

Victoria não poderia falar uma porra sobre seu atraso quando soubesse o que ele estava passando.

(…)

Após trocar o pneu devidamente, Damiano sentou no banco passageiro e não pode deixar de suspirar em alívio; pelo menos estava na sombra, e isso já ajudava muito.
“Jesus Cristo, desconhecido. Você está bem? Parece que um caminhão te atropelou. Sem ofensas.” Ela constatou, olhando para o músico com uma careta antes de abrir o porta luvas e pegar uma garrafa térmica, a qual ele prontamente aceitou.

Já estava no carro dela, que se fodam protocolos de segurança.

Ela observou Damiano drenar a última gota de água da garrafinha e estender a ela, que prontamente a arremessou no banco de trás, sem muita cerimônia.
“Desculpe, belezza. Digamos… que estou tendo um dia ruim, e vim acabar aqui em circunstâncias duvidáveis.” Ele se explicou, rindo da própria desgraça.

“Contanto que seus motivos não envolvam, sei lá, crack ou alguma outra coisa que possa me fazer ser presa por fazer uma boa ação, então estou de boa.” Ela tamborilou os dedos no volante, virando-se totalmente para ele com um sorriso. “Para onde precisa ir, Peter Pan?” Damiano arqueou uma sobrancelha ao ouvir o apelido, e a garota revirou os olhos, suspirando frustrada. “Não entendeu? Porque você está perdido, e Peter Pan é um menino perdido… Ah, deixa ‘pra lá. Quer ficar parado nesse calor do cão pra sempre, por acaso? Se você falasse, seria bom.”

“Vou para onde quiser me levar, belezza. Moro um pouco longe de onde estamos.” Ele gesticulou, tentando amenizar a fala. “Mas quero voltar para onde vim. Roma.” A menina arregalou os olhos de boneca para ele.

“Roma??? São quase duas horas e meia de onde estamos agora! Como veio parar aqui, ‘tá fugindo da polícia por acaso?”

“Dormi no ônibus.” Ele resmungou, afundando em seu assento. “Pode me deixar em qualquer posto de gasolina, gracinha. Arranjarei um jeito de voltar.” ele esperou que a menina concordasse, mas ela apenas riu para si mesma como se ele fosse a pessoa mais engraçada do mundo.

“Bom, senhor desconhecido, parece que hoje é seu dia de sorte!” Ela disse, ligando a ignição. “Adivinha quem já estava a caminho de Roma?”

O destino realmente poderia ajudar Damiano das cagadas que fazia, às vezes. Mesmo que estivesse aliviado, ele continuou irredutante.

“É sério.” Seu tom era sério, e ele pode ver a postura dela ficar mais atenta. Como deveria. Eram estranhos, afinal. “Não quero atrapalhar. E já tenho quem me busque. Você pode me emprestar seu celular? Avisarei meus amigos e eles me buscarão lá.”

Ela assoviou, dando de ombros e passando seu telefone para ele, enquanto o carro voltava a andar. Claramente não precisava unicamente de um pneu novo, pelos barulhos de metal estalando que fazia. A menina parecia alheia aos pedidos do automóvel, no entanto. Nem sequer piscou com os sons estranhos, acostumada.

Deus o ajude a chegar inteiro de volta para casa.

“Como queira, desconhecido. Posto de gasolina, então.”

(…)

Mas é claro, que nenhum dos três atenderiam a porra do telefone. Claro.

Filhos da puta.

“Então, eles estão vindo?” Ela perguntou, a voz cheia de ironia e um quê brincalhão. Ele sabia, porque usava sempre o mesmo tom para caçoar os outros.

Tinha um gosto amargo na sua boca, no entanto. Talvez esse karma servisse para que ele aprendesse a realmente ser menos cretino.

“Você não ia abastecer?” Ele respondeu, num tom ácido. Ela deu uma risada, não se importando com sua falta de educação e abriu a porta do carro, saltando para fora e pegando a mangueira, para encher o tanque.

“Sim, sim. Irei. Ainda bem que já consertamos o pneu, vai ser rápido. Talvez eu saia antes mesmo dos seus amigos chegarem.”

Ela era feliz demais para esse dia do caralho. Diferente dele, não parecia se incomodar com o calor que os impregnava de suor, ou com o fato de estar com um desconhecido no carro, mesmo sem ter a menor ideia de quem ele seja.

Estranha, no mínimo.

“Não tem sinal direito, de qualquer maneira.” Ele a observou do lado de dentro do vidro, suspirando irritado pela milésima vez, no dia. “Terei que ir com você até Roma, suponho.” Damiano notou a falta de delicadeza e adicionou, esperando que ela não se importasse. “Se der, claro. Eu ajudo a pagar a gasolina.”

Ela aceitou o dinheiro com mãos abertas, quando ele o estendeu, e não pareceu se abalar com a insensibilidade do músico mal-humorado, visto que voltou para o carro com o mesmo sorriso de antes, dando de ombros.

“Claro, _signore_. Farei esse favor para você.” Ele continuou encarando-a como se fosse uma alienígena, então adicionou, para se explicar. “Estou empenhada em ser uma pessoa boa e menos miserável nessa merda de vida, ok? É minha nova fase, e nem mesmo um desconhecido mal-educado vai me desalinhar. Meu mantra. Vamos, então.”

A risada que ele deu foi sincera, dessa vez.

(…)

“Onde você ia? Para acabar dando carona a um estranho no meio da estrada, no dia mais quente do ano?” Damiano perguntou, segurando-se firme na porta desgastada do carro. Ele viu a cara torcida que a desconhecida fez com a pergunta, e complementou: “Desculpe se fui invasivo, esquece.”

Ela já estava fazendo muito ao levá-lo até Roma. Melhor não testar a sorte.

“NÃO!” Ela gritou, pisando no acelerador como instinto. Ambos se recolheram ao ver o carro alavancar e se retratar um pouco, antes de voltar a velocidade normal. (Que já era alta, diga-se de passagem. A moça corria em níveis preocupantes, levando Damiano a suspeitar que: a) ela havia tirado sua carteira a pouco tempo ou b) ela estava nervosa com sua presença.) “Desculpa, não tenho a carteira a muito tempo.” Ela tirou os olhos da estrada para lhe dar um sorriso sem jeito. “Eu ia à praia com minhas amigas, mas elas decidiram se adiantar e não esperar por mim, então tive que encontrá-las sozinha.” Ela revirou os olhos, claramente descontente com a situação. “Depois vi que esqueci minha bolsa, e tive que voltar. Aí meu pneu furou e… bom, deve ser um sinal. Então, não vou mais.” Terminou, num só fôlego.

Damiano ficou feliz em encontrar alguém com a sorte igual à sua, mas franziu o cenho com o desfecho.

“Não me parecem boas amigas estas suas, belezza.”

“Elas não são as melhores, mesmo. Mas são o que tenho, no momento” Ela o respondeu, com um suspiro frustrado.

Ele notou em como a estranha passou a segurar o volante mais forte, até os nós dos dedos ficarem brancos. Claramente, não era uma situação sobre a qual gostava de falar. Ela foi excessivamente amigável durante o total de uma hora em que se conheciam, até agora. Por isso, Damiano resolveu mudar o assunto, como sua primeira boa ação do dia.

“Eu poderia ser psicopata, sabe. Você não teve medo ao me oferecer carona?” Isso a fez rir, e ele se sentiu um pouco melhor, apesar das circunstâncias.

“Bom, tive. Mas o pneu tava ruim mesmo e eu pensei ser melhor tentar as chances com você que com qualquer velho do próximo posto. Além disso, você é bonito! Pessoas bonitas são inofensivas.”

“Isso não é verdade.” Porque não era, mesmo. Talvez fosse um jeito muito inocente de se pensar.
“Ok, não é.” Ela deu de ombros. “Mas ainda foi uma opção melhor que os velhos pervertidos que ficam em postos de gasolina e lojas de conveniência.”

Ele teve que concordar, dessa vez.

“Qual seu nome?” Damiano perguntou, depois de alguns minutos de silêncio. Apenas porque não poderia a chamar de desconhecida para sempre.

Ela se virou para encará-lo, parecendo surpresa por ter iniciado a conversa. A carranca dele deveria estar realmente ruim.

“Reyyán, e o seu?”

“Reyyán? Nome legal. Tipo Ryan?”

“Não, seu cabeça oca.” Ela revirou os olhos, batucando os dedos no volante. Estavam na estrada havia mais de uma hora, se o rádio antigo do carro ainda funcionasse direito. Apenas mais um pouco e estariam de volta a Roma. “Tipo Reyyán. Eu sei, é estranho. Minha mãe assistiu novelas turcas demais antes que eu nascesse. É o nome de uma protagonista.”

“É muito bonito, na verdade. Nunca tinha ouvido.”

Ela não muita atenção ao seu elogio, com a mesma expressão entediada de quando estavam em silêncio.

“Sua vez.”

“Damiano.”

“Sério?” Perguntou, parecendo impressionada. Será se o havia reconhecido? A última coisa que ele precisa no momento é uma fã gritando em seu ouvido. Normalmente, ele não se importaria. É algo que gosta, até, atender fãs. Era grato por ter pessoas que o amavam e o apoiavam, mesmo sem nunca ter o conhecido.

Mas hoje tinha acordado sem ânimo nenhum para conversar com qualquer pessoa, na verdade. Desde cedo, estava irritado. Com o ar, o calor, a vida.

Que mórbido.

“Sim?” Ele respondeu, virando o corpo para encarar Reyyán. Se ela sabia quem era, não o disse.
O que o deixou aliviado, até. Pelo menos um pouco de paz, por enquanto.

“É bem bonito, também. Já conheci uns 50 Damianos desde que me mudei, mas continua sendo um nome legal. Nenhum feio, pelo menos.” Foi tudo que ela disse, felizmente. Nenhum surto ou comentário sobre a banda. “Nome de príncipe. Italianos são bonitos, no geral.”

De novo, ela não devia conhecer nenhum dos 4.

“Você não é italiana, certo?”

Ela negou com a cabeça, sorrindo como se lembrasse de algo.

“Nascida e criada no Brasil. Meu mais novo padrasto é italiano, e minha mãe se mudou para cá faz uns três meses. O carro é do pai dele, na verdade. Ele me deu de presente atrasado quando cheguei, umas semanas atrás. Muito legal né? Mas não era dessa cor. Mandei pintar de verde-água, minha cor favorita. Doeu um pouco no bolso, mas valeu a pena.”

Ele concordou.

“Na próxima vez, poderia pedir por um carro que não parecesse que vai desmoronar a cada quilômetro andado.” Ela o encarou com uma cara feia, o que o fez abrir o mesmo sorriso debochado que ela o havia dado, mais cedo. Como era bom, ser a pessoa debochando.

“Você ainda pode ficar pela estrada, se quiser.” Damiano se ajeitou no assento, mostrando que estava confortável. “Ótimo. Não vamos deixar a Juju irritada, então.” Disse, fazendo carinho no volante, com um tom brincalhão. “E vê se cala a boca. Ou me dê um carro melhor, também tem essa opção.”

“Nunca reclamei.”


(…)

“… Aí ele quis trazê-la para cá, pra conhecer família dele e fazer uma cerimônia italiana mesmo, já que fizeram tudo no Brasil. Eu vim só pra ajudar com a mudança, porque já moro em outra cidade por causa da faculdade. Eles querem que eu transfira para uma aqui, mas não sei se quero. Minha universidade é bem concorrida lá no Brasil, e eu ralei um tantão pra passar, sabe? Fora que me adaptei e finalmente fiz amigos, e tudo isso demorou um pouco. Então não sei, estou pensando ainda. Acho que no final tentarei pegar um programa de intercâmbio, mas isso seria só daqui pelo menos 2 anos, e eu vou sentir saudades demais por esse tempo todo. Sou um pouquinho indecisa, se não notou.”

Não demorou muito para que ela começasse a tagarelar. Ela não gostava do silêncio, ele percebeu. E também não tinha problemas em compartilhar da própria vida. Tampouco se importava com as respostas que ele dava acerca da sua própria, sem dizer sobre o que fazia ou com quem trabalhava. Ele tentou ser sincero ao máximo, mesmo assim. E era o suficiente, para a desconhecida.

“ Quase não percebo.” Ela riu com o tom irônico de Damiano, e deu um soco nele de brincadeira.
“Idiota.”

Assim, Damiano fez algo o qual não estava acostumado por muito tempo: ouviu. Ouviu as reclamações, os dramas e as histórias de Reyyán, dando palpites e rindo das situações sob as quais a garota se metia. Estranhamente, foi agradável não falar de si mesmo por uma vez, manter o foco em outra pessoa. Quer dizer, mesmo quando faziam entrevistas em grupo, Vic e ele acabavam com o maior foco, quase sempre. Ele gostava de tudo isso, de ser o centro das atenções. Mas… escutar Reyyán tagarelar era quase terapêutico. Ele gostou do sentimento.

E pela forma entusiasmada que a menina se expressava, tinha certeza que tudo se aplicava ao contrário, para ela. Não que ele estivesse reclamando.

(…)

“Então… nos separamos aqui.” Damiano constatou, quando Reyyán parou o carro na frente de sua casa. A menina levou as mãos até o colo, assentindo com um sorriso fraco.

“ Foi uma tarde e tanto, desconhecido.” Ela levantou os olhos para que encontrassem os dele. “Uma tarde inesperada, mas agradável. Me diverti muito. Seu senso de humor não é tão ruim, até.”

“Mais que se tivesse ido à praia?” Ele soltou, fazendo-a dar um riso debochado.

“Bem mais que se eu tivesse ido à praia.” Assegurou, passando o braço pelo corpo dele, em direção a porta. Ele pensou que ela lhe tocaria, mas a menina apenas levantou o pino da porta, para que ele pudesse sair. “Podemos nos ver novamente algum dia? Vou embora logo, mas vai ser legal ter um amigo para sair por aqui.”

Damiano planejava, ele de verdade planejava contar a verdade a ela no momento em que chegasse em casa. Após saber tanto sobre a vida da menina, não queria soar como se a tivesse enganando. Mas agora, olhando em seus olhos grandes… Ele não teve coragem. Um covarde, ele era. Por isso, beijou a bochecha dela e prometeu:

“Qual seu Instagram? Posso te mandar uma mensagem depois. Você vai adorar meus amigos. São doidos, como você.” O sorriso dela se alargou, e isso o fez sentir bem como não se sentia em tempos. Ele queria embarcar em outras aventuras com Reyyán, onde ele não era ninguém e tampouco tinha obrigações. Entretanto, abriu a porta do carro verde-água e permitiu observá-la indo embora, feliz com o dia que tivera.

Ele esperava que ela o perdoasse, quando descobrisse tudo. Com esse pensamento, Damiano entrou em casa e foi direto ao estúdio, para ser bombardeado de perguntas enquanto sua mente pensava apenas numa coisa: certa estrangeira que voltaria para casa em poucos dias.

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