Work Text:
O décimo quinto andar do Elias Clark Building era onde se localizava a base central do mundo da moda; a localização da toca do dragão branco cuja aparência não era tão cavernosa quanto esperada pelos leitores da categoria fantasia e nela a tão (mal e bem) falada Miranda Priestly estava passando sua não planejada manhã de sábado. Na sexta-feira, há exatas nove horas e cinquenta minutos, Stephen disse que não aguentava mais sua postura frígida após admitir ter tido um caso com a secretária (clichê, na opinião da editora-chefe que tinha seus próprios pensamentos sobre sua segunda assistente) em uma explosão pós anúncio de divórcio. Pelo mal planejamento de Emily, eles estavam no apartamento dele no centro ao invés do restaurante — o quê provocou uma inicial tentativa de sexo pela parte do pobre e patético ex-marido, cuja qual Miranda estava tentada antes de se lembrar o que a levou a pedir o divórcio —, então quando ela, segundo ele mesmo, o humilhou, foi expulsa do lugar.
Seu cotovelo ainda doía, uma marca roxa de seus dedos grossos e calejados que haviam apertado sua carne na hora de puxá-la para fora. Ela ainda podia ver o rosto chocado do segurança que presenciou toda cena, um homem careca e alto com ombros largos e rosto pequeno, contorcido em uma careta de pena antes do choque de ter os reconhecido se fizesse presente em seu olhar, lhe causando uma vergonha de si mesma e da situação tão intensa que não foi para casa. Ao invés disso, decidiu ir para o trabalho — para fugir de um segurança careca que lhe causou constrangimento, evitar problemas vindo do CEO ou "Ewvring" também careca que tentava sabotar sua carreira e do seu ex indignado também careca. Miranda jurou a si mesma que compraria uma peruca para Nigel, pois estava ficando traumatizada com carecas.
Sorrindo para si mesma, ela deslizou dois dedos pelo tablet no suporte de mesa pela vasta gama de opções de perucas enquanto aproveitava a quietude das quatro da manhã.
Isto até o barulho do elevador apitar, perturbando sua paz; Miranda se inclinou de lado para ver, pegando apenas uma fração de cabelos longos e castanhos antes de voltar para sua cadeira com os olhos levemente arregalados. "O que essa garota boba estava fazendo aqui?!", perguntou a si mesma, atordoada e conferiu o relógio. 04:07, ele dizia. Por ouvir conversas entre suas assistentes, sabia que a jovem aspirante a jornalista não acordava cedo em fins de semana. Estava em partes iguais intrigada e irritada, não precisava dos olhos maravilhosos de Bambi da garota quando estava com as guardas tão baixas, então decidiu se levantar com uma máscara fina da rainha de neve colocada para a assustar.
— Andréah — parou com a mão na maçaneta da porta grossa de vidro fosco que estava entreaberta, encarando a jovem como se tivesse crescido duas cabeças nela que estava debruçada contra sua mesa com uma garrafa quase caindo de uma das suas mãos — Andréah…? — agora chamou, com as bochechas esquentando com a visão da assistente naquela posição que fazia sua saia subir um pouco e exibir partes da sua coxa, se aproximando e lentamente ficando com a postura menos intimidadora que queria.
— Oláááááááááá — Andy cantarola com as pálpebras caídas, seu hálito deixando claro que bebeu muito. Quando ela se vira na mesa, sua camisa está com os botões abertos e exibindo parte do seu top que parecia esportivo. A atração da mais velha foi embora (não realmente, ela ainda achava a mais nova bonita, mas não conseguia pensar nisso com ela estando neste nível de embriaguez) e ela começou a fechar os botões para protegê-la do constrangimento — Ei!
— Quem posso ligar para buscá-la, Andréah?
Andrea sorriu para a chefe de forma boba e cativante, respondendo em uma voz baixa: — Mi-rannn-da, você está tão bonita hoje, nã- não liga para ninguém — quase se joga na direção da prateada que acaba sendo forçada a segurá-la — Quero ficar com você! Para sempre! — e ergue a cabeça com os olhos brilhantes e seus lábios formando um bico.
Miranda suspira e, em uma força surpreendente que faz até a assistente arregalar os olhos, a pega no colo com uma mão na parte de trás de sua cabeça. Não resiste a acariciar seus cabelos antes de descer a mão até suas costas e usar a outra para mandar uma mensagem para o Roy pelo computador. Quando recebe a resposta e confirmação de que o homem estava esperando, coloca os óculos que estavam no topo de sua cabeça, pega sua bolsa — colocando no colo da aspirante a jornalista que a abraça — e entra no elevador.
A viagem do elevador não demorou muito e felizmente não havia ninguém além do segurança que, igual o do apartamento, arregalou os olhos ao ver a cena e seu motorista devia ter feito o mesmo ao invés de sorrir de forma conhecedora e abrir a porta para elas.
— Nem ouse — Miranda alerta com os olhos semicerrados, não perdendo seu sorriso se alargando antes de ligar a aba de privacidade.
Mesmo assim, ela mesma abriu um sorriso e apoiou a cabeça contra a de Andrea que decidiu sussurrar: — Eu amo você, Miranda… — para o choque da editora-chefe.
— Andréah… eu… — quando ia responder, percebeu que sua amada havia dormido com a mão sobre a sua — Eu também amo você, meu amor — sussurrou como uma promessa e deixou um beijo demorado em sua testa. Sua cabeça estava a mil e relaxada ao mesmo tempo, aproveitando a confissão e planejando pedir ajuda de seus amigos e irmãs para criar um encontro perfeito para as duas.
Ah, céus, ela realmente era uma lésbica emocionada.
E bastante clichê, não podia julgar tanto Stephen (mas ainda iria o destruir judicialmente durante o divórcio).
