Chapter Text
My dearest.
Subaru suspira. Já era, provavelmente, a sexta vez que ele suspirava. O quarto clareia pouco a pouco, com os raios solares de manhã cedo. Ele não dormiu e não está cansado, mas ele suspeita que ficaria exausto no fim do dia. Minutos atrás, ele saiu para comprar donuts para Kamui comer assim que ele acordasse. Não era o ideal para o café da manhã, mas o plano é dar a ele cinco donuts, Subaru comeu um e pela primeira vez em muito tempo luta contra a vontade de comer os outros, tendo em mente agora porque Kamui é tão viciado naqueles doces.
Kamui vira o corpo, ficando de frente a Subaru, que deita de lado para observar a face adormecida. Ele sabe que proteger Kamui durante o sono ainda é adequado.
Segundos depois, os olhos âmbares, lentamente, se abrem e são visíveis e isto faz Subaru sorrir. Kamui junta as sobrancelhas em uma expressão emburrada e fecha os olhos, abrindo-os novamente e piscando várias vezes, até estar completamente acordado, olhando para o homem ao seu lado, com um rosto inocente.
"Hey." Subaru alarga o sorriso e acaricia os fios de cabelo dele.
"Isso pode ser um pouco estranho..." Kamui diz com a voz rouca de sono. "Olhar pessoas enquanto elas dormem. Você não se importa?"
Subaru ri, sem responder por um tempo, continuando a apenas olhar para o rosto dele a sua frente. O rosto com pequenas marcas de expressão abaixo dos olhos, a boca, o cabelo bagunçado que deixa sua aparência mais charmosa do que já é, e os belos olhos que Subaru poderia passar horas admirando. Céus, ele é tão viciado por ele. "Eu conversei mais um pouco com Yuzuriha-chan, depois vim me despedir mas você dormiu logo. Já era de manhã quando voltei do trabalho até aqui, então encontrei algo mais interessante pra fazer."
"E o que seria?"
"Ficar olhando pro seu rosto adormecido, sonhando como se nada mais te preocupasse no mundo."
Kamui balança a cabeça em negação e afunda o rosto no travesseiro para esconder as bochechas vermelhas. Subaru daria tudo no momento para ser permitido beija-las.
"Eu tinha... quer dizer, eu tenho donuts."
"Não estou com fome."
"Não, Kamui. Você vai ter que comer, nem que eu mesmo coloque na sua boca."
"Subaru... você sempre foi tão mandão?"
Subaru pega a sacola com os donuts que está entre eles e de lá tira um com cobertura de chocolate, entrega para Kamui, observando ele comer com vontade, rapidamente pegando o outro donut e devorando o doce no mesmo minuto. "Você não estava com fome." Subaru zomba, carinhosamente. "Era para ser cinco donuts, mas alguém comeu."
"Quem?" Pergunta inocentemente, dando a entender que está mesmo falando sério.
"Hm..."
"O que são essas manchas?" Kamui indica ao reparar nos braços dele.
Subaru desvia o olhar por alguns segundos. "Às vezes eu me machuco. E às vezes elas simplesmente aparecem em mim." Ele dá uma pausa e respira fundo. Fazia parte do seu trabalho. "Eu tenho que te contar uma coisa..." Ele começa, mas não consegue continuar. O olhar de Kamui sobre si, prestando atenção em tudo o que ele fala. Subaru abre a boca, porém ele acaba fechando-a em seguida.
"...Quer sair comigo para algum lugar?" Quando Kamui não responde de imediato, ele se limita a dizer: "Claro, nós podemos ficar o dia inteiro assim, se você quiser aproveitar a sua folga. Eu tenho o dia livre."
"Era isso o que você iria me contar?" Ele sorri.
"... Isso também."
"Podemos sair."
"Você tem certeza? Quero dizer..."
Kamui balança a cabeça. "Faz tempo que não fazemos isso, tenho que sair e.... Encontrar alguém. E... Eu quero passar um tempo... com você." É incrivelmente raro, mas desta vez Kamui consegue fazer Subaru com sucesso corar. "Por que você está vermelho?"
"Não diga isso." Ele pede em tom de clemência, sorrindo em seguida. "Não se faz essa pergunta." Subaru levanta da cama e pega Kamui pela mão, o puxando de súbito tentando esconder a vermelhidão do seu próprio rosto.
Após esperar do lado de fora Kamui arrumar-se – sempre tão casual e charmoso – eles saem do dormitório, sem encontrar ninguém por ser cedo demais. Na rua, algumas pessoas olham para eles enquanto passam pela mesma calçada. Alheios a beleza deles, Subaru é atraente demais, e o charme e a beleza de Kamui o faz ganhar muitos olhares.
"E o seu trabalho? Soube que você esteve muito ocupado ultimamente"
"Oh, sim..." Subaru solta um murmúrio forçado. "Está tudo bem."
"Oh, ok."
Até que de repente... Subaru olha para um loja de pelúcias. "Oh. Uma loja de brinquedos. Vou comprar algo para você."
"Você quer me comprar um brinquedo?"
Subaru não responde, apenas entra na loja com ele na direção da variedade de coisas nas estantes. Kamui para para olhar alguns ursinhos e Subaru permanece um pouco mais para o lado, encarando os gatos de pelúcia. O primeiro que ele vê é um Grumpy Cat e ele imediatamente imagina o rosto de Kamui na pelúcia, rindo internamente, Subaru segura o bicho e o olha melhor, até que sem querer escuta a conversa de duas mulheres atrás dele.
"Será que ele está escolhendo algum pra dar a namorada?" E elas encaram Kamui, que sem saber de nada se concentra na parte de ursinhos com mensagens de namorados.
"Eu gostaria de saber quem é a sortuda!"
Subaru sorri com a conversa - logo, as duas moças olham para ele como um alvo também e elas suspiram, sendo ignoradas imediatamente pelo mesmo.
Ele volta para Kamui. O jovem agora segura uma abelha infantil do tamanho de um capacete. O cabelo perfeito penteado em uma parte para trás e o modo em como ele mexe as mãos para observar a pelúcia, totalmente alheio a tudo, é fofo demais.
Segurando o gatinho, Subaru se aproxima e rouba um olhar acalorado de Kamui. Ele dá a ele um afago rápido, carinhoso e quente na bochecha rosada do garoto. Quando se afastam, Kamui já está vermelho e dando a Subaru um olhar confuso. "O que-o que houve?"
"O que?" Subaru se faz de desentendido. Kamui se remexe desconcertado, sorrindo alegre e fingindo mexer no brinquedo em mãos. "Por acaso eu encontrei você por ali." Ele mostra o grumpy cat, sem tirar os olhos dele para ver a reação do adolescente. "Comprando um uniforme da escola, fica igual."
"Isso é um gato..."
"Exatamente, um gatinho."
Kamui faz um biquinho, o rosa enfeitando o rosto dele de forma bela.
"E por que você estava olhando uma abelha?"
"Eu gosto de abelhas."
"Abelhas..." Pelo olhar que Kamui recebeu dele, ele entendeu que o onmyōji não era muito fã de abelhas.
"Você não gosta delas?"
"Não."
É muito raro Subaru declarar o que ele odeia ou não, pelo menos tão abertamente, mas na medida que o tempo passa, muito raramente, Kamui o escuta com atenção. E assim o jovem o encara, rindo. "Uh uh. Entendi..."
"Sim... Graças a agitação de algumas pessoas, essas coisas me picaram uma vez, minha coxa e meu pé doeram por uma semana." Kamui começa a rir, ainda que pouco, para não fazer pouco da experiência de Subaru. E fingindo estar emburrado, Subaru revira os olhos. Ele adora o som do riso de Kamui e acha injusto que eram raros os momentos em que consegue ouvi-lo. Ele tira o dinheiro do bolso e paga o gato de pelúcia, até a abelhinha fofa, saindo em seguida da loja até passar para o outro lado da rua, onde tem uma confeitaria.
Kamui agradece várias vezes e sorri, encantado pelo presente de Subaru, sentindo-se aquecido quando o homem mais velho o toca na cintura para guiar ele assim que atravessam a faixa de pedestres.
"Então, o seu amigo... O nome dele..."
"Fala do Keiichi?"
"Sim. Keiichi-kun dá de entender que eu e você estamos namorando." Kamui, em pânico total sorri incrédulo e evita olhar para ele. "Então..."
"Estou com fome."
"Muito esperto."
"Você precisa ir pra casa hoje?" Antes que Subaru possa responder, Kamui o surpreende ao acrescentar: "Eu pensei em talvez... Assistirmos a um filme. Se você quiser, obviamente... Ou algum outro dia."
Oh, aos poucos ele parece estar se tornando mais sociável..... Subaru pensa, sem se ligar de que ele também está passando por um processo de mudança graças a Kamui.
…
Depois de almoçarem em um pequeno restaurante, os dois ficam de bobeira pelas ruas por mais algumas horas. Parando aqui e ali em algum banco afastado para conversar e falar sobre coisas banais mais um pouco, sem envolver dores passadas ou os trabalhos pendentes um do outro. Kamui está mais alegre do que nunca, é como se o último mês tivesse sido apagado. Embora transbordando de sentimentos bons, ele já está quase grogue de sono, o que faz Subaru querer voltar, mesmo que ainda seja cedo.
Subaru se pergunta porquê ele parece tão exausto, embora possa imaginar, já que Kamii se esforça para os estudos e pro clube, isso ainda o preocupa e Kamui quase não diz uma palavra nada sobre o assunto.
Os dois voltam para o dormitório - escondidos - e no quarto sentam na cama para terminarem de comer a torta que Subaru comprou. Enquanto Subaru tira o casaco Kamui dá total atenção a torta a frente dele, sentado com as pernas cruzadas. Porque, bem, ele não quer encarar demais e parecer um pervertido...
"Hey..." Kamui se amaldiçoa pela voz dele sair tão fraca. Ele pigarrea e continua, agora obtendo a atenção. "Nós, é...Erh..."
Kamui suspira, e sorri fraco.
"Eu pensei melhor. Deveríamos chamar os outros pra uma noite de cinema. Pode ser aqui mesmo. Eu gostaria o quanto antes."
"Hm... Isso seria ótimo."
Kamui suspira em alívio diante do sorriso dele.
O aparelho - um presente de Arashi e Sorata - ressoa a música, cada fone para um deles, compartilhando o som da melodia. Eles se deitam de lado, um em frente ao outro, os olhos focados no rosto de cada um, com sorrisos que surgem a cada minuto. Naturalmente, Kamui fecha os olhos e cai no sono primeiro. Subaru não quer fazer qualquer movimento para acordá-lo, então ele escolhe permanecer parado, o observando, percebendo que Kamui avança passos importantes para sua recuperação - ele está comendo e dormindo normalmente, e por mais que Subaru sinta que tudo é como caminhar sob gelo fino, ele vai fazer de tudo para continuar lá e ajudar Kamui, como prometeu a si mesmo tempos atrás.
Não sei explicar... Sinto que isso deveria acontecer... Que você e eu estamos conectados. Ele lembra-se daquelas palavras jogadas ao vento.
Subaru estuda as marcas abaixo de seus olhos, lembrando do tempo em que um lindo dourado adornava os olhos de Kamui quando estavam abertos, mais deslumbrantes que o pôr-do-sol, ou uma noite estrelada. O canto do lábio de Kamui levanta minimamente, demonstrando sinais de que ele está sonhando, mergulhado em um mundo imaginário.
Com um meio sorriso ao perceber esse detalhe adorável, Subaru ri suavemente e, com calma, envolve um braço em torno de Kamui, cobrindo seus corpos com o calor do cobertor. Kamui surpreende Subaru inconscientemente entrelaçando os dedos de ambos juntos em um gentil aperto. O toque transmite uma sensação reconfortante de calor e conexão, fazendo Subaru se sentir acolhido.
Ele, então, junta a testa com a de Kamui. Eles dormem juntos daquela distância, tão próximos, mas tão confortáveis, como se os corações deles estivessem entrelaçados em um elo caloroso que fizessem bem para ambas as partes. Nenhum deles quer quebrar o contato, pois a presença um do outro é tudo o que precisam.
"Boa noite, Kamui..."
...
Um pouco tempo depois Subaru desperta do sono. Os dois abraçados, não foi difícil perceber que Kamui está tremendo. Ele respira com um pouco de dificuldade, suando frio, apertando a mão de Subaru com força. Provavelmente... É um pesadelo. Mas o estado de Kamui começa a afetar o ambiente ao redor deles.
"Não... por favor...", ele murmura. Subaru pode sentir a agitação do corpo perto dele, ele nota que alguma coisa pode estar acontecendo dentro da psique de Kamui para perturbar o sono dele daquela maneira. Preocupado, Sumeragi decide usar seu próprio poder. Não custava tentar, graças aos seus dons.
Com extremo cuidado, Subaru pressiona delicadamente a mão dele no centro do peito de Kamui. Ele não pretende saber o que perturba a consciência adormecida de Kamui, então ele escolhe uma abordagem menos dolorosa, uma forma de amenizar o estado dele assim que tenta acessar o núcleo do poder dele, do qual se encontra descontrolado. Assim que a mão entrou em contato com a pele dele, Subaru sente como os próprios poderes reagem imediatamente, mesclando-se com os de Kamui, criando rapidamente uma conexão entre eles. O núcleo de poder de Kamui está acessível agora, contudo parece um caos, tão cheio de dor, enfrentando uma tempestade de emoções lá dentro.
Com determinação, Subaru usa sua própria essência de poder para tentar acalmar ele, vendo o quão exausto e sobrecarregado Kamui está por dentro. Serenamente ele envia ondas de tranquilidade através do toque gentil, envolvendo Kamui em uma sensação reconfortante e segura. Quase semelhante ao ato de Sumeragi compartilhar um pouco de sua própria força para ajudar o outro a encontrar equilíbrio.
Gradualmente, o corpo trêmulo de Kamui volta ao normal aos poucos, e uma calmaria profunda se instala nele. Os poderes de Subaru trabalham em harmonia com os dele, aliviando-o naquele estado vulnerável.
A sensação do poder espiritual de Subaru, em um só com o de Kamui o leva ao sono, dentro de um alívio quando ele viu que Kamui agora respira com mais facilidade...
...
Assim que amanhece, o problema volta a acontecer. Entretanto Subaru agora tem a solução canalizando quantidade exorbitante do poder dele, sentindo inclusive uma conexão única e intensa com Kamui.
Inconscientemente, mais de uma vez Kamui dá para ele uma chance para que Subaru acesse com mais facilidade uma outra vez aquela parte obscura dele. Os poderes dos dois se entrelaçam de maneira surpreendente, criando uma harmonia perfeita, como se fossem feitos para se complementar. A energia fluindo, mesclando-se e formando uma sinfonia de cores brilhantes ao redor dos dois. Violeta e verde se misturam juntos.
Subaru nunca havia experimentado nada parecido antes, nem mesmo quando ele entrou na mente e na alma de Kamui. Os sentimentos e as auras que fluem entre eles eram tão intensos....Intensos demais.
A conexão se aprofunda e Kamui se aconchega a Subaru, buscando mais daquela sensação e poder reconfortante que emanavam dele. É como se Kamui também tivesse sido atraído para aquela troca especial. O sentimento é tão caloroso que Subaru sente seu coração bater mais rápido, e uma emoção desconhecida o invade.
No momento único em que ele adquire mais confiança graças ao poder dele ser uma boa influência para Kamui, Subaru faz com que muito mais flua de bom grado ao adolescente. Se a atitude que ele escolheu tomar ajudou com a dor de Kamui, ótimo. Subaru entende que provavelmente é uma das razões porque o adolescente provavelmente sente tanto cansaço. O ōnmyouji se surpreendeu com o fato de Kamui ter aguentado tanto sozinho. A ponto de se tornar um perigo para ele mesmo. Com o tempo talvez Subaru possa ajudá-lo melhor assim que Kamui acordar.
A energia os envolve como uma auréola de luz e calor, criando um laço indissolúvel entre as duas almas. E então de repente o sono de Kamui é muito quieto e pacífico.
Praticamente eles se tornam um só, em uma sintonia perfeita e completa, e tudo o que importa agora é o presente, e que resultados trariam a união final com Kamui.
Pensando nisso, é Subaru quem consegue dormir melhor agora.
Quando a manhã finalmente se estabelece por completo, filtrando feixes de luz dourada pelas frestas da cortina, o quarto parece flutuar em uma calmaria que nenhum dos dois experimentava há anos.
Kamui é o primeiro a abrir os olhos. Diferente das manhãs anteriores, onde despertar era sinônimo de arrastar um corpo pesado e uma mente exausta para fora da cama, hoje ele se sente incrivelmente leve. O aperto constante em seu peito, aquele zumbido caótico de poder reprimido e pesadelos, desapareceu. Em seu lugar, há apenas um calor brando, uma sensação de segurança que o preenche de dentro para fora.
Ele pisca, ajustando a visão, e percebe que ainda está completamente emaranhado a Subaru. O braço do onmyōji repousa de forma protetora sobre sua cintura, e seus rostos estão a centímetros de distância. A respiração de Subaru é lenta e ritmada. Ele parece tão pacífico que Kamui prende a própria respiração por um segundo, com medo de que qualquer movimento brusco possa estilhaçar a quietude do momento.
Uma memória fragmentada da noite anterior cruza a mente de Kamui: o frio cortante do pesadelo, o pânico sufocante e, então... uma luz violeta e verde. Um toque gentil que derreteu o gelo de sua alma.
Ele ergue uma das mãos, hesitando por um instante, antes de afastar uma mecha escura que caía sobre os olhos de Subaru. O toque sutil é o suficiente para trazer o homem mais velho de volta à consciência. Subaru franze a testa levemente, os cílios tremendo antes de revelar os olhos que logo encontram os de Kamui.
"Bom dia..." a voz de Subaru sai rouca, carregada de sono, mas seus lábios se curvam em um sorriso imediato ao ver quem está à sua frente.
"Bom dia," Kamui responde, a voz igualmente baixa. Ele estuda o rosto de Subaru com uma intensidade nova. "Você dormiu bastante."
"Acho que nós dois precisávamos disso," Subaru murmura, movendo-se apenas o suficiente para alongar os ombros, mas sem quebrar o contato entre eles. Ele observa Kamui com olhos analíticos, mas cheios de ternura. "Como você se sente?"
Kamui abaixa o olhar por um momento, encarando o cobertor entre eles. "Eu tive um pesadelo."
"Eu sei."
"Mas..." Kamui levanta os olhos novamente, dourado encontrando verde. "Não durou muito. Eu lembro de sentir muito medo, e de repente... era como se você estivesse lá dentro comigo. Na minha mente. O que você fez, Subaru?"
Subaru suspira baixinho, um som tranquilo. Ele não recua. Em vez disso, desliza a mão que estava na cintura de Kamui para cima, descansando a palma contra o peito do garoto, exatamente onde havia tocado na noite anterior.
"Sua energia estava em conflito, Kamui. Você tem carregado um peso gigantesco sozinho, segurando tudo para não transbordar. Isso estava te esgotando de dentro para fora," Subaru explica, a voz mansa, escolhendo as palavras com o cuidado de quem pisa em solo sagrado. "Eu apenas usei o meu poder para alcançar o seu. Compartilhei um pouco da minha estabilidade para ajudar a acalmar a tempestade que estava aí dentro."
Kamui arregala os olhos levemente, o choque transparecendo em suas feições. Ele sabe o quão íntimo e perigoso é para duas pessoas com poderes espirituais tão vastos misturarem suas essências dessa forma.
"Isso... isso não te machucou? Não exigiu demais de você?" Kamui pergunta, a preocupação fazendo com que ele se erga um pouco sobre o cotovelo. "Subaru, você não precisava—"
"Shh," Subaru o interrompe suavemente, acariciando a bochecha dele com o polegar. "Eu fiz porque quis. E, honestamente? Não me esgotou. Foi... lindo. Nossas energias ressoaram de um jeito que eu nunca vi antes. Me trouxe paz também."
O rubor familiar volta a tomar conta do rosto de Kamui. Ele desvia o olhar, incapaz de sustentar a intensidade e a sinceridade crua de Subaru. Para disfarçar o nervosismo, ele tateia a lateral da cama até encontrar o gato de pelúcia emburrado que ganhara no dia anterior, puxando-o para o peito como um escudo fofo.
"Você é idiota," Kamui resmunga, a voz abafada pela pelúcia, embora o pequeno sorriso em seus lábios o denuncie. "Podia ter dado errado."
"Mas deu certo," Subaru retruca, divertido. Ele se senta devagar, apoiando as costas na cabeceira da cama, e estende a mão para afagar os fios bagunçados de Kamui. "E já que você parece ter recuperado sua energia... acho que temos planos para hoje, não é?"
Kamui abaixa a pelúcia, os olhos brilhando com uma animação silenciosa. "A noite de cinema."
"Exatamente. Precisamos escolher os filmes, organizar a sala antes que Keiichi e os outros apareçam, e talvez comprar mais comida, porque duvido que eles venham sem fome."
Kamui concorda com a cabeça, sentando-se também. Ele olha para Subaru, e pela primeira vez em meses, a sombra da tragédia passada parece não estar ditando cada movimento seu. Há uma luz genuína ali.
"Obrigado," Kamui diz, de repente. Não é apenas pelo pesadelo, e ambos sabem disso. É pelo gato de pelúcia, pelos donuts, por ficar ao seu lado e por não desistir dele.
Subaru sente o coração aquecer. Ele se inclina, depositando um beijo casto e demorado na testa de Kamui, sentindo o garoto suspirar contra o toque.
"Sempre," Subaru sussurra. "Agora, vá se arrumar. Temos um longo dia pela frente."
