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i'm (not) over you.

Summary:

Aquele onde Minho e Chan são amigos e ex-namorados que já superaram o término. Até Jisung, o aniversariante bêbado, propôr uma brincadeira.

Será que, afinal, Minho realmente tinha superado o término?

Notes:

Oi rs.
Primeira coisa ever que eu posto aqui nesse site, espero que esteja tudo certinho.
Então, é um plot bem simples, com aquela pitada de angst (senão não seria eu), bonitinho e e engraçadinho (eu espero). Escrevi essa belezura em dois dias, tipo ??? n sei o que rolou comigo mas algo rolou.
Não tem nenhum outro aviso além das tags, eu acho??? Me avisem se eu estiver esquecendo de algo, pfvr.

Espero que vocês gostem e, por favor, não se esqueçam do feedback <3

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:


O término tinha sido tranquilo. 

Quer dizer, um término é um término, não importa o quão civilizado ele tenha sido ou o quanto as partes envolvidas estivessem de acordo com ele, um término ainda é… bem, o encerramento de um ciclo. E, assim como qualquer mudança, encerrar algo é tão assustador quanto começar. Ainda mais se a coisa citada tinha sido algo bom, difícil de pôr um ponto final.

Um término ainda é doloroso e agoniante por mais que os dois lados continuem se falando normalmente depois, mesmo que as duas pessoas continuem amigas. Ainda mais quando esse término é de um relacionamento de mais de dois anos, de duas pessoas que se conhecem há tempos. 

Então, reformulando: o término tinha sido aceitável. Amigável. Doloroso? Demais! Assustador e como se tivesse deixado Chan e Minho totalmente no escuro sem saber o que fazer por dias e, talvez, semanas a fio? Para caralho. Mas não teve xingamentos, gritaria, humilhação. Acabou. Simplesmente se encerrou. 

Por quê? Por desencontros e comodismo, por falta de tato, talvez. Não foi por falta de amor, somente falta de fagulhas ou de fogo para incendiar e alimentar a labareda. Há quem diga que foi um erro, mas para eles já tava na hora. Deu o que tinha que dar. E tá tudo bem! 

Acontece. 

Coisas se iniciam e coisas se encerram o tempo todo.  Tudo que se começa acaba de uma forma ou de outra, e essa tinha sido somente mais uma conversa definitiva. 

A amizade ainda estava de pé, talvez com algumas diferenças desde que tinham terminado o relacionamento. Se falavam com menos frequência. Nas primeiras semanas que sucederam a ruptura do namoro deles, Minho sentia que cada vez que trocava uma mensagem com Chan, ele estava pisando em ovos, porque ele tinha que filtrar cada coisa que falava. 

A relação deles, desde quando ainda eram apenas amigos, sempre foi banhada em flertes mascarados ou totalmente explícitos, uma mão na coxa, uma piscada de olho, um sorriso ladino, um comentário maldoso sobre o corpo de Chan; era difícil para Minho acostumar que ele não deveria mais falar essas coisas, pelo menos não enquanto estivesse tão recente para evitar que as coisas ficassem realmente (ou mais) estranhas. 

O pior de tudo era saber que esses pensamentos, essas brincadeiras, apareciam na cabeça dele com uma facilidade imensa, como se a mente de Minho ainda não tivesse registrado que ele não deveria mais pensar sobre Chan desse jeito, ou o quão adorável ele ficava com vergonha a cada comentário mal intencionado que Minho fazia de propósito, só para ver as pontinhas das orelhas dele vermelhas e ele tropeçando nas palavras, tentando arrumar uma resposta que fosse à altura. Eles só… apareciam, da mesma forma que a realização de estar com fome ou com sede simplesmente brotavam em Minho, natural e condescendente. 

Obviamente, tiveram dias em que Minho teve vontade de sair correndo e implorar para que Chan voltasse com ele, que ele não aguentava mais pensar no mais velho, na boca dele, no jeito carinhoso dele, no jeito que o corpo de Chan era sempre quentinho e confortável quando ele abraçava Minho antes de dormir, no jeito que os corpos deles se encaixavam quase perfeitamente à noite. Porém, eles tinham tomado essa decisão em conjunto, e, por mais que Minho estivesse sofrendo e na merda total , ele sabia que eles tinham feito a escolha certa. 

Eventualmente, essa sensação e saudade esmagadora saiu do corpo dele e passou a ser algo que vivia no subconsciente de Minho, algo tão pequeno e insignificante que ele nem se dignava a pôr energias e pensar sobre. Não valia a pena. Não tinha o porquê trazer certas coisas à tona se elas já estavam resolvidas e definidas. 

Ele tinha superado. 

Assim como ele sabia que Chan também tinha. 

Se eles tinham voltado a conversar por meio de flertes e mãos um pouco mais corajosas e exploradoras, ninguém tinha percebido ou se importado o suficiente para pontuar, ou talvez essa realmente seja a dinâmica da amizade deles, como sempre foi. Era o que eles estavam acostumados, sendo amigos ou um casal. Era como uma necessidade, mas, ao mesmo tempo, trivial, tão trivial que passava despercebido toda vez que a mão de Chan descansava na coxa de Minho, leve e delicada, sem pressionar. E se Chan arrastava a mão suavemente, as pontas dos dedos encostando na parte interior da perna do mais novo, Minho não notava, ou simplesmente não pensava sobre. Era costume. 

Assim como Jeongin costumava falar tocando o braço das pessoas, ou assim como Felix tinha o costume de jogar as pernas no colo de Jisung. Era algo que ninguém comentava. 

Era normal. Mundano. Regular. 

 

Jisung sempre tinha as piores ideias do mundo, mas era aniversário dele e em algumas horas seria o de Felix também, então todo mundo aceitava e sorria, fazia quase tudo que ele pedia com um sorriso amarelo no rosto, mesmo que essa coisa fosse um absurdo, como o que eles estavam prestes a fazer agora. 

"Gente, é só um jogo de desafio," Jisung pontuou, fazendo biquinho já com uma quantidade razoável de álcool no corpo. " Por favor?" Ele pediu com a voz adocicada, piscando os olhos lentamente. 

Todo mundo se encarou ao mesmo tempo, já sabendo que estavam derrotados e fadados a fazer qualquer coisa que Jisung (e Felix) pedisse. 

E era por isso que eles estavam como estavam. 

Há quem diga que eles eram maduros e tinham crescido, passado da fase da adolescência rebelde deles. Oras, Chan e Minho já estavam no último período da faculdade. Eles eram adultos, com contas a pagar, responsabilidades… mas eles duvidavam disso. Ainda mais quando chegava o aniversário de um deles ou quando álcool estava envolvido na jogada e eles se viam fazendo esse tipo de coisa.

Sentados à mesa do pequeno dormitório que Jisung dividia com Jeongin, metade deles já estavam sem, ao menos, duas peças de roupa ou acessórios. Era a brincadeira: ou faz o desafio proposto ou tira uma peça de roupa. Vez ou outra eles permitiam uma pergunta para que o jogo ficasse um pouco mais leve e durasse por mais tempo, mas era raro, eles não simpatizavam um com outro nessa circunstância. 

Já tinham feito coisas quase absurdas, como: Changbin tinha ido à rua usando somente a cueca boxer (branca) dele e um par de meias diferentes (uma azul clara com uns desenhos de nuvens brancas enquanto a outra era preta com a cara do Homer Simpson), para comprar um quilo de açúcar na vendinha que ficava aberta vinte e quatro horas, duas esquinas de distância do dormitório. Claro, Hyunjin tinha ido junto e filmado tudo. Eles queriam o açúcar para fazer algo? Claro que não, eles só queriam mesmo a humilhação de Changbin; Jeongin também não tinha escapado das maluquices, tendo que postar um stories nas redes sociais dele falando sobre a data que o novo filme pornô dele ia estrear - vinte e um de setembro, inclusive. 

Os menos corajosos, como Hyunjin e Felix, estavam com menos peças no corpo. Mas quem ganhava (ou perdia, depende do ponto de vista) essa brincadeira, era Minho. Que se recusou a fazer quase tudo. Ele agora só tinha a cueca para tirar. Nenhum acessório, meia, cinto, anel, chinelo. Nada. 

Por isso, quando Jisung apontou para ele, os olhos brilhando e um pouco avermelhados, Minho suspirou, já esperando o pior. 

E, ah, óbvio! Cada vez que eles se recusavam a fazer algo, eles tinham que beber. Na verdade, a regra do jogo era: bebe se faz, bebe se não faz. Todo mundo já estava para lá de Bagdá, as cabeças girando, a fala um pouco enrolada, o riso frouxo. Se arrependeriam pela manhã, por enquanto, eles só queriam rir às custas dos amigos.  

"Minho," Jisung quase balbuciou, a voz saindo embargada, o sorriso meio torto, mas completamente maldoso, "eu te desafio a beijar o Hyunjin." 

Surpreso, Minho olhou para Hyunjin, que estava com uma sobrancelha arqueada para Jisung, a boca entreaberta. 

"Você tá maluco?" Hyunjin quase gritou, mas todo mundo conseguia ouvir o sorriso na voz dele, "meu namorado tá sentado literalmente do seu lado." 

Ele apontou para Changbin, que parecia bem inabalável com a cena que se desenrolava na frente dele. Ele deu de ombros, "é só o Minho." 

"Obrigado?" Minho perguntou, sem saber se ficava ofendido ou não. 

"Jisung, eu não vou fazer isso." Hyunjin se ajeitou na cara, pegando a mão de Changbin e sorrindo para ele. Jisung revirou os olhos. 

"O desafio nem era para você, mocreia." 

"Então escolhe outra pessoa pra beijar o Minho." 

"Dá licença?" Minho se sentia como se ele nem estivesse ali naquele momento. "Eu tô aqui? Talvez você pudesse me desafiar a fazer alguma coisa que não envolvesse beijar alguém?" 

"Claro, porque com certeza ele vai fazer isso agora que você falou," Jeongin falou irônico, rindo fraco. 

"Bom, se o problema é o Hyunjin…" Jisung coçou o queixo pensativo e olhou para cada pessoa que estava sentada à mesa, com uma pessoa a menos. 

"Por que vocês estão tão quietos?" Chan falou quando apareceu na sala, ainda terminando de abotoar a calça jeans escura que ele estava usando. Ele olhava para a mesa com os olhos semicerrados, suspeitando que eles estivessem tramando algo. Eles não, mas Jisung decididamente estava.  

Os olhos de Minho saíram de Chan e foram imediatamente para os de Jisung, enxergando e lendo os pensamentos dele como mais ninguém era capaz. 

"Jisung, não!" Minho pediu entredentes, deixando Chan confuso ainda em pé, a cadeira do lado de Minho vazia, somente esperando para que ele voltasse a se sentar nela. 

"Jisung, sim!" O próprio Jisung falou, juntando as mãos e esfregando-as, rindo quase maleficamente. 

"'Jisung, não' o quê?" Chan perguntou, se sentando na cadeira vaga, os olhos intercalando entre Jisung e Minho.

"É a vez dele desafiar o Minho, e acho que todo mundo tem uma noção do que ele vai falar," Seungmin falou totalmente desinteressado enquanto mexia no telefone, nem levantando os olhos para ver a cena. 

"O que ele vai falar?" Chan perguntou curioso, alheio à batalha que Minho e Jisung travavam silenciosamente com o olhar, "o pior é que dessa vez o Min vai ser obrigado a fazer, né, olha o estado dele." Ele riu fraco, ingênuo. Minho teve vontade de rir da inocência dele.

"Sim, Channie, ele vai ter que fazer." De certa forma, o sorriso de Jisung somente aumentou ao falar isso, deixando Minho com os cabelos da nuca arrepiados de raiva. 

"E será que dá logo para vocês andarem com isso?" Hyunjin apressou, tomando um gole da cerveja que provavelmente já estava quente, ainda mais se fosse levado em consideração a careta que ele fez. 

"Minho, eu te desafio a-" 

"Jisung, não!" Minho estava praticamente sibilando, os olhos presos em Jisung, que sorria desafiador. Minho conseguia saber exatamente quais eram as palavras que Jisung queria falar: eu não tenho medo de você e eu quero ver você me parar. 

Só que Minho não podia pará-lo. 

"Minho, eu te desafio a beijar o Chan Hyung." 

Minho automaticamente desviou a atenção de Jisung para focar em Chan, vendo e entendendo cada expressão que passou pelo rosto dele. Primeiro foi a confusão, as sobrancelhas franzidas e a cabeça levemente inclinada para o lado, encarando Jisung como se ele estivesse vendo um monstro nunca visto por nenhum ser humano. Depois foi a surpresa, a boca se abrindo em um formato quase perfeito de “o”, os olhos encontrando os de Minho. E, por último, foi a negação.

“Jisung?” Foi tudo que ele falou, a voz uma oitava mais alta do que normalmente, saindo mais aguda do que de costume. Ele estava explicitamente escandalizado. 

Minho suspirou, olhando para Jisung e dando o dedo do meio para ele, vendo como o sorriso dele só parecia aumentar e como era possível que o sorriso dele só aumentasse? 

Ele olhou para Chan e se surpreendeu ao ver que ele já estava encarando de volta. Pela primeira vez em muitos anos, Minho não conseguiu ler a expressão dele. Chan era consideravelmente expressivo e transparente, todo mundo - inclusive e principalmente Minho -, conseguia lê-lo com muita facilidade. Mas esse não era o caso. Ele olhou atentamente, as pontinhas das orelhas dele estavam em um tom rosado, assim como as bochechas dele. Mas Chan ficava vermelho com muita facilidade, principalmente quando ele estava bebendo. Isso podia não significar nada. 

Sinceramente, Minho achava que não era grandes coisas. Quer dizer, óbvio, eles tinham um histórico grande e um pouco doloroso. Mas era só um beijo. Eles já tinham feito isso muitas e incontáveis vezes. Já tinham feito coisas mil vezes piores do que um beijinho inocente de uma noite de bebedeira.

Mas ele não podia fazer isso com Chan. Sabia que o mais velho pensava diferente dele e em como as coisas tinham significados distintos para ele e Minho não queria forçar Chan a fazer isso, por mais que “fosse só um beijinho” .

Minho ficou encarando Chan por alguns segundos enquanto pensava no que poderia fazer. Talvez ele jogasse Jisung da sacada, talvez envenenar a bebida dele seria uma opção menos trabalhosa e mais eficaz. 

“Primeiramente,” Minho começou eloquentemente, a voz cheia de seriedade, chamando a atenção de todos que estavam sentados, até mesmo a de Seungmin. “Jisung, vai tomar no cu.” Ele sorriu, relaxando na cadeira, “segundamente, você tem certeza que é esse o seu desafio para mim?” 

Minho ia tentar uma abordagem diferente: o medo. 

“Se eu não tinha, agora eu tenho.” Jisung confirmou enquanto pegava uma batata e mastigava-a lentamente, o sorriso em momento algum saindo dos lábios dele, até mesmo enquanto ele comia. Droga. 

“Tudo que vai, volta,” Minho ameaçou, colocando toda a energia nele para fazer a voz sair de forma mais ameaçadora possível. “Eu não vou ter pena quando for a sua vez.” 

“Blá, blá, blá,” Jisung revirou os olhos e todos na mesa pareciam que tinham prendido a respiração enquanto observava os três personagens principais dessa história. “Ou você beija o Chan Hyung, ou a gente vai te ver no modelo de fábrica. Se bem que eu já vi a sua bunda, é uma bunda bonita, não me importaria de ver de novo.” 

Alguns discordaram, outros riram. 

Jisung.” A voz de Chan tinha saído baixa e realmente ameaçadora, como Minho tinha falhado em fazer, como se fosse um último aviso e Minho viu que Jisung quase colocou os rabinhos entre as pernas, deu para trás, pediu desculpa e falou algum outro desafio para Minho. Mas ele não fez isso. Depois que ele se recuperou do choque, voltou a sorrir aquele sorriso sinistro

Minho suspirou mais uma vez e se virou sorrindo para Chan, que olhou com a cabeça inclinada, como se estivesse apenas esperando o veredito de Minho. 

Ele simplesmente não podia fazer isso. Conhecia Chan bem demais para saber que, se Minho topasse fazer o desafio, Chan também toparia, mesmo que ele não quisesse fazê-lo. Minho sorriu para Chan, afirmando que estava tudo bem enquanto se levantava. Uma mão no cós da cueca azul-marinho dele. 

“O que você tá fazendo?” Chan perguntou. Todos da mesa olhavam para eles com muito interesse. 

“Tirando a cueca?” Ele respondeu como se fosse óbvio, começando a forçar a peça de roupa para baixo, deixando o osso do quadril dele à mostra. Minho conseguiu ver o exato momento que os olhos de Chan foram para a mão dele e quando ele engoliu seco, o pomo de Adão mexendo de forma exagerada. 

Até ele segurar o pulso de Minho, impedindo que ele baixasse ainda mais o pano. 

“Hm-hm,” Chan murmurou negativamente, balançando a cabeça de um lado para o outro, “você não vai fazer isso.” 

“Chan, você-” Minho começou a falar, querendo explicar para Chan que estava tudo bem e que ele não devia se preocupar. 

“Não tem problema, de verdade.” Chan disse e alguém atrás de Minho assobiou e ele não conseguiu decifrar quem era e o porquê a pessoa tinha feito isso, mas soava como eita, porra.  

É, Minho conseguia se identificar muito bem com isso. 

Chan encarou Jisung, que olhava para eles com um brilho nos olhos, “ você, seu merdinha!” , ele apontou o dedo na direção do mais novo, que se mostrava totalmente inabalado, “vai pagar por isso.” 

Minho sentiu a mão de Chan deslizando do pulso dele para o cotovelo enquanto o mais velho se levantava, bebendo o último gole da bebida quente e estranha que ele bebeu a noite toda. Minho sentiu uma pressão pequena no local que Chan agora segurava e sabia que ele estava guiando-o para outro lugar. 

“Ei, aonde vocês pensam que vão?” Jisung perguntou quando viu que eles estavam pensando em ir para outro cômodo ou talvez fora da visão deles.

“Pra outro lugar? Não sabia que você era afim de um voyeurismo, Sung.” Foi Chan quem respondeu, o tom condescendente e leve, como se ele estivesse falando sobre uma trivialidade ou como se a mão que estava no braço de Minho não estivesse quase pegando fogo, ou como se não fosse possível quase sentir a ira saindo dele. 

Há! Até parece,” Jisung se levantou também, “vocês querem ir pra outro lugar só pra fingir que vão fazer o desafio. Ou fazem aqui, ou o Minho fica do jeito que ele veio ao mundo.” 

“Seu… urgh, bostinha,"   Minho quem xingou dessa vez. querendo voar no pescoço de Jisung. “Agora você quer que todo mundo veja a gente se beijando?” 

“Não é como se vocês se importassem com isso quando estavam juntos, né…” Hyunjin falou apressado e todo mundo concordou com a cabeça. Jisung tinha se sentado novamente, as mãos entrelaçadas no colo dele, como se ele estivesse em uma sala de espera em um consultório aguardando para ser chamado pelo médico. 

“Urgh, tá bom. Vocês são um bando de pau no cu, sabiam?.” Minho revirou os olhos e se virou para Chan com um sorriso pequeno nos lábios, rezando para que ele entendesse-o como um pedido de desculpas. 

“Tá tudo bem, é só um beijo,” Chan  sussurrou enquanto se aproximava lentamente, um sorriso pequeno nos lábios, o suficiente para mostrar a covinha adorável dele, “a gente fez isso antes várias vezes.” 

Por algum motivo, Minho sentiu um calafrio passando por todo o corpo dele ao ouvir o que Chan falou. Ou talvez tenha sentido o calafrio porque Chan tinha acabado de colocar a mão quente dele contra a pele gelada das costas de Minho. 

“Acelera aê, povo, a gente tem mais o que fazer.” Changbin falou com a voz desinteressada, mas Minho conseguia ver pelo canto dos olhos que ele estava vidrado e prestando atenção em cada movimento dos dois que estavam em pé. 

“Ok, é só um beijo,” Chan sussurrou de novo, mas Minho sentia que ele estava mais falando com ele próprio do que com Minho. Ele se aproximou mais um pouco até que as testas estivessem se encostando. 

Novamente, por algum motivo, os olhos de Minho não conseguiam sair dos lábios de Chan. Talvez fosse pela proximidade ou talvez Minho realmente só precisasse transar com alguém. Tinha quase seis meses que eles tinham terminado e quase seis meses que Minho não saía, beijava ou transava com mais ninguém. Não por falta de oportunidade, só ainda não parecia certo. Parte dele ainda achava que seria como uma traição. Como se estivesse muito cedo. A outra parte só não achava ninguém interessante o suficiente para que ele gastasse energia, tempo e dinheiro dele. 

Ele se forçou a encarar os olhos de Chan e se surpreendeu ao ver que ele também estava encarando os lábios de Minho, que sentiu certa urgência em molhá-los com a ponta da língua, subitamente sentindo-os secos. 

Então, rápido como um relâmpago, Chan beijou Minho. Foi um selinho, suave, ligeiro. Quando Minho percebeu, ele já tinha começado e acabado. Assim, simples, Minho mal tinha percebido. 

“Quê? Só isso?" Jisung gritou, recebendo de Jeongin um tapa no braço para lembrá-lo que já era quase meia noite e que ele não deveria fazer tanto barulho. “Qual é, isso não é um beijo, isso eu fazia quando tinha cinco anos de idade.” 

Minho revirou os olhos e se afastou de Chan, estranhando quando ele simplesmente sentiu falta da proximidade. “Você não explicou como queria o beijo.” 

“Mas claramente eu não queria isso. Isso não é nem um beijo.” Ele se virou para os outros cinco, direcionando a próxima pergunta para eles. “Qual é, vocês acham que valeu?” 

Hyunjin e Changbin se entreolharam antes de responder negativamente com a cabeça, Seungmin e Jeongin rapidamente se juntaram a eles, menos interessados com a brincadeira do que os outros. Felix resolveu não se meter, inclinando e descansando a cabeça no ombro de Jisung. 

“Hyun, Bin, mostra pra eles como se faz, por favor.” Jisung pediu e foi prontamente atendido. 

Minho achava que eles eram dois nojentos com os barulhos que eles claramente estavam fazendo exageradamente, o show de línguas se encontrando fora da boca, mas ele entendeu o ponto de Jisung. 

“A gente não se beijava assim nem quando a gente namorava.” Chan falou apontando para o casal, o rosto contorcido em desgosto. Minho sentia que devia estar da mesma forma. 

“Vocês são nojentos”, ele falou torcendo o nariz quando eles encerraram o beijo com um selinho muito mais fofo e inocente do que o beijo anterior. 

“Isso é inveja.” Hyunjin sorriu, deixando um beijinho casto na bochecha de Changbin que encarava o namorado como se estivesse sido atropelado, hipnotizado por Hyunjin.

“É isso que eu quero de vocês, talvez um pouco menos nojento, por favor.” Jisung também estava torcendo o nariz, “mas vocês entenderam o meu ponto.” 

Minho se virou para Chan, estalando os dedos na frente dele para tirá-lo da transe que ele provavelmente tinha entrado depois dessa cena ridícula, se Minho fosse se deixar guiar pelos olhos vagos dele encarando a parede. “Tudo bem?” Ele sussurrou, vendo chan confirmando com a cabeça. 

Querendo acabar logo com isso para se vingar de Jisung o mais rápido possível, em um movimento, ele puxou Chan pela nuca e beijou-o. A princípio, talvez pela surpresa, o beijo tinha sido só um selinho, só um lábio no outro, até Chan entender o que estava acontecendo e reagir, colocando as duas mão no quadril de Minho, ao mesmo tempo que partiu os lábios e deixou a língua deslizar para a boca de Minho. 

Minho inclinou a cabeça para encaixar melhor o beijo e puxou Chan para mais perto com a mão que estava na nuca dele, a outra se agarrando nos braços nus do mais velho. De repente, ele se viu segurando um suspiro quando a língua de Chan roçou na dele e a mão dele segurou-o mais forte pelo quadril, fazendo um arrepio subir pelas costas de Minho, até uma delas deslizar lentamente pela lateral do corpo de Minho, fazendo uma pressão tão incrível que Minho quase derreteu. 

Repentinamente, Minho sentiu como se precisasse de mais, estavam muito longe ainda, então ele entrelaçou os dedos nos fios curtos da nuca de Chan, forte o suficiente para que a cabeça dele se inclinasse para trás e ele abrisse levemente a boca, e Minho aproveitou para raspar os dentes pelo lábio cheio de Chan, que afundou os dedos na cintura de Minho, talvez forte o suficiente para que ficasse a marca dos dedos dele na pele de Minho depois.

Se sentiu surpreso ao perceber o quanto ele queria que Chan fosse mais bruto, beijasse-o com mais vontade. Ele também se sentiu surpreso ao perceber o quanto ele queria isso, o quanto ele queria que isso continuasse, o quanto ele tinha sentido falta de beijar o ex-namorado, mas ele sentiu Chan desacelerando o beijo, a mão descendo e encontrando o caminho de volta para o quadril dele. Honestamente, Minho se sentia frustrado pela parada abrupta. Não queria que tivesse acabado.

Quando Chan se afastou o suficiente para que Minho conseguisse enxergar o rosto dele todo e não somente os cílios, a intuição de Minho berrava para que ele voltasse a beijar Chan, arranhasse os braços e as costas dele, bagunçasse completamente os cachos dele, enquanto a mente dele gritava PERIGO! PERIGO! CORRA E SE ESCONDA! PERIGO EXTREMO!

Tudo que ele fez, no entanto, foi respirar fundo e encarar os lábios cheios e vermelhos e brilhantes de Chan, se surpreendendo quando percebeu que Chan fazia exatamente a mesma coisa. Eles se encararam, olho no olho e o tempo pareceu parar. Era como se um ímã conectasse o corpo de Minho ao de Chan, como se eles estivessem sendo atraídos para perto um do outro, para a boca um do outro. Era avassalador . Minho sentia que a qualquer momento ia agarrar os braços de Chan e beijá-lo novamente. O ambiente estava em um silêncio completo (ou era o que pelo menos Minho achava), até que Jeongin estourou a bolha deles. 

“Arrumem um quarto.” Ele falou com a voz banhada em nojo e Minho piscou algumas vezes antes de tentar sorrir e desviar o olhar de Chan, se afastando o mais rápido possível e indo para o mais longe que ele conseguia. Ele viu o ex-namorado sair da transe também e rir de alguma coisa que os outros tinham falado, mas Minho não tinha entendido a piada. Ou ouvido. Ou prestado atenção. Ou se importado. Se ele fosse sincero, no exato momento, Minho duvidava que se importaria com qualquer coisa que não fosse Chan. 

“Era isso que eu queria,” Jisung falou e Minho jurava que ia cortá-lo em pedacinhos e dar para aquele cachorro feio de Hyunjin comer.

Algumas doses de álcool depois e o corpo de Minho não formigava mais onde os dedos de Chan tinham tocado e ele não sentia mais o gosto de Chan, mas talvez ele só estivesse realmente muito bêbado e incapaz de sentir qualquer coisa a não ser enjoo e a puta dor de cabeça que ele teria ao amanhecer.

 

 

Como era de se esperar, a dor estava insuportável, parecia que a cabeça dele pesava três toneladas e que a visão dele era hipersensível quando acordou pela claridade que a cortina barata e fina falhava em esconder, naquele sofá duro e velho do dormitório de Jisung e Jeongin. Quando ele abriu os olhos encarando o teto, sentiu tudo girando e, por um momento, jurou que ia botar para fora até os órgãos dele. Sentia as pontas dos dedos formigando e, ao mesmo tempo que sentia fome, sentia como se tivesse acabado de comer, sozinho, um banquete para dez pessoas. 

No entanto, nada disso se comparava à realização do que tinha acontecido na noite anterior, por causa do bostinha do Jisung e das brincadeiras estúpidas dele. 

Tentou se virar para voltar a dormir sem que a luz vinda da sacada atrapalhasse ele e só então percebeu que tinha alguém dormindo no sofá com ele. Minho fechou os olhos e se virou lentamente, com medo de que fosse acordar a outra pessoa, rezando para que essa pessoa não fosse Chan. Não queria dar de cara com ele tão cedo e muito menos ter que lidar com o que tinha acontecido. 

Bom, o dia tinha acabado de começar mas Minho já tinha certeza que o universo odiava ele. Bastante, de verdade. 

Claramente aqueles cachinhos amassados e castanhos eram de Chan. Por que eles tinham dormido juntos? Depois do beijo, as coisas estavam meio borradas e indefinidas na memória dele, ele conseguia detectar vislumbres do que tinha acontecido, mas eram coisas soltas e desconexas. Pelo menos Chan tinha dormido para o outro lado (ou pelo menos era isso que Minho queria pensar)

E isso significava que ele não voltaria a dormir, pelo menos não com os raios de Sol indo diretamente para os olhos dele, machucando-os e fazendo com que a cabeça dele latejasse ainda mais forte e com mais frequência. 

Resolveu procurar por algum remédio dentro do dormitório pequeno e bagunçado, já sabendo que não encontraria nada, mas, sinceramente, ele precisava fazer alguma coisa e ocupar a cabeça para não surtar pensando no que aconteceu. 

Decidiu que ia tomar um banho e escovar os dentes antes de fazer qualquer coisa, torcendo para que isso amenizasse a ressaca dele. O que, óbvio, não aconteceu, porque o universo odiava Minho. A água gelada e fraca do banheiro comunitário dos dormitórios também não fez muita coisa para ajudar que Minho colocasse os pensamentos em ordem e não levou a memória dele ralo a baixo. 

Quando ele voltou para o dormitório, viu Chan deitado exatamente do mesmo jeito que estava quando Minho saiu, as costas nua iluminada pelos feixes de luz amarelada, contornando e sobressaltando os músculos do ex-namorado. Era uma cena muito bonita que Minho se deixou observar por alguns segundos antes de começar a coçar em vontade de se juntar a ele novamente, jogar os braços em cima dele, sentir a maciez da pele dele e se beneficiar da temperatura do corpo dele. 

Sacudiu a cabeça e começou a organizar silenciosamente a bagunça que eles tinham deixado na noite anterior. Não era o suficiente, era uma ação passiva demais para impedir que ele pensasse, ele precisava fazer outra coisa, algo que não deixasse ele se concentrar em mais nada, que tirasse ele dos pensamentos estranhos e antigos dele. 

Talvez fazer um café da manhã? 

Foi para a cozinha ainda menor e ainda mais bagunçada, a pia cheia de louça. Suspirou e deu meia volta, pegou as chaves do carro e foi comprar comida. 

Talvez dirigir pegasse toda a atenção dele. 

Não funcionou. 

Minho pensou no maldito beijo durante a ida, enquanto estava comprando pão e frios na padaria, durante a volta, até o momento que ele colocou os pés dentro daquela imundice bagunçada fedendo a cachaça e cerveja barata que eles chamavam de dormitório. 

O tempo todo. Não saía da cabeça dele. Como se fosse uma maldição. Ele sentia a boca de Chan contra a dele. Por Deus, a cintura de Minho estava com o contorno dos dedos de Chan, provavelmente pela forma que ele tinha praticamente se agarrado a Minho. 

Se sentia fodidamente, estranhamente, extraordinariamente, exageradamente patético. Com todas as hipérboles e pleonasmos possíveis. Ridículo. Estúpido. 

O cérebro dele, não satisfeito em apenas relembrar o beijo que o corpo de Minho resolveu categorizar como espetacular e digno de frio na barriga, como também resolveu relembrar o fodendo relacionamento deles. Qual é? 

Que porra é essa? Tá de sacanagem? 

Minho não queria lembrar como era divertido sair com Chan, fosse para ver um filme ou jogar paintball. Minho não queria lembrar como era confortável e acolhedor deitar com Chan, como o ex-namorado era mestre em fazer Minho se sentir melhor com algumas palavras e uma massagem gostosa nas costas. Minho não queria mesmo, sob nenhuma circunstância, lembrar como Chan fodia-o bem. 

Passou tanto tempo se forçando a apagar toda essa merda da memória dele, a colocar essas memórias em uma caixinha, trancá-las a vinte e uma chaves e esconder esses sentimentos e essa saudade no fundo do cérebro dele, para tudo vir à tona novamente por causa da porra de um desafio? 

Minho ia esganar, triturar, matar, esmagar, torturar Jisung e depois mandá-lo com uma passagem VIP só de ida para o inferno. Mas só quando ele conseguisse convencer o cérebro dele de que nada tinha acontecido, de que estava tudo bem e que ele não devia estar pensando em Chan, principalmente desse jeito. 

Tanto esforço, tempo e energia colocado para superar Chan, para no final, não ter superado ele? Não! Minho não ia permitir que isso acontecesse, Minho não ia permitir que esses pensamentos e sentimentos desabrochassem e florescessem novamente. Eles já tinham tido a oportunidade deles e tinha dado errado, por que ele iria querer passar por tudo isso de novo? Só para eles começarem a namorar novamente e, dois anos depois, eles descobrirem que não eram assim tão compatíveis quanto pensavam? 

Não, não, não e não! 

Isso ele não ia permitir. Não permitiria que os dois se magoassem novamente, que os dois criassem expectativas com essa situação toda, só para no final tudo acabar mais uma vez e deixá-los aos pedacinhos, em frangalhos, magoados e estranhos um com o outro. 

Logo agora que estavam voltando a ser amigos de verdade. 

O pior de tudo, quanto mais Minho tentava pensar no porquê eles terminaram, menos ele conseguia lembrar dos motivos. Ele sabia que tinha algo a ver com… tempo e distância? Ele não tinha certeza. 

Talvez, quem sabe, Minho só realmente precisasse relaxar e ficar com outra pessoa. Chan foi a única pessoa que Minho esteve por um pouco mais de três anos, era normal que o corpo dele ainda reagisse ao mais velho, certo? 

Não tem porque surtar. Não é nada. É só tesão e carência, você reagiria assim se tivesse beijado Hyunjin. 

Minho começou a repetir essas palavras mentalmente enquanto limpava a mesa para colocar o café da manhã sobre ela, de repente com muita fome e ainda com muita dor de cabeça. Pelo menos ele tinha passado na farmácia para comprar remédio. 

 

 

Depois de arrumar a mesa, fazer o café, lavar a louça e organizar um pouco da bagunça, Minho sentou no chão da sacada, só então pegando o telefone para conferir que horas eram. Não passava das dez da manhã ainda. Levando em conta a hora que eles provavelmente tinham ido dormir, ainda ia demorar para que todo mundo acordasse. 

Minho sentia o estômago se revirar de fome e pensava em fazer pelo menos um pão para comer com uma xícara de café, mas ele queria esperar ao menos por Felix, o aniversariante do dia. 

Pelo visto, o universo estava começando a ter pena de Minho, porque alguns minutos depois de Minho passando preguiçosamente pela timeline das redes sociais, ele viu o rosto inchado e sonolento de Felix aparecendo pela sala. 

Comeram em silêncio, prometendo que eles comeriam de novo quando os outros acordassem. 

"Ontem foi intenso, né?!" Felix sussurrou enquanto Minho colocava o último pedaço de pão na boca. Arqueou uma sobrancelha, esperando que ele desenvolvesse. "Você e o Chan." Ele aumentou um pouco o tom de voz, parecendo chocado por ter que dar uma explicação. 

"Shiu!" Minho silenciou-o, não querendo mesmo que o mais velho acordasse. "Não foi nada demais." 

"Não foi nada demais?" Felix repetiu, desta vez cuidando para que a voz permanecesse o mais silenciosa possível. "Minho, eu nem tava no beijo e fiquei abalado." 

Minho riu soprado, bebendo um gole de café só para esconder a vergonha que começava a sentir. 

"Eu tô falando sério, Min," Felix parecia sério agora, o que era fofo, porque o cabelo loiro dele estava bagunçado e a bochecha dele ainda estava levemente marcada e amassada, e tinha uma remela pequena no canto interior do olho direito dele. Fofo. "O que você vai fazer?" 

"Sobre?" Minho perguntou apenas meio confuso, virando para Chan para ter certeza que ele ainda estava dormindo. Ele sequer tinha se mexido. 

"Sobre o mercado financeiro e a bolsa despencando," Felix ironizou, revirando os olhos. "Sobre vocês dois, né, idiota." 

"Não tem nada para fazer." Minho afirmou, talvez mais para ele próprio do que para Felix. O aniversariante apenas encarava-o com a expressão mais desgostosa que Minho já tinha visto no rosto dele. "O que foi?" 

"Vocês são dois burros," ele deixou a frase interminada, resolvendo por fazer outro pão mesmo que eles tivessem combinado que comeriam com os outros meninos depois. 

Minho suspirou e jogou o braço na mesa, deitando a cabeça sobre ele. "Foi só um desafio, Lix, um beijo qualquer, assim como seria só um beijo qualquer se o Hyunjin não tivesse amarelado e eu tivesse feito o desafio com ele ao invés do Chan." 

Quando o mais novo nada respondeu, Minho levantou a cabeça apenas o suficiente para entender o porquê. 

Desgosto. Esse era o motivo. O desagrado de Felix era tão grande que deixou-o incrédulo, sem palavras. 

"Meu Deus, você é realmente mais burrinho do que parece, né?!" Ele falou, cutucando a bochecha de Minho que não estava sendo amassada pelo braço dele. "Claro que não é só um beijo qualquer e é óbvio que não seria a mesma coisa se fosse com o Hyunjin. Minho, é o Chan." 

"Exato, Felix, é o Chan." Minho concordou, sem saber exatamente porque estava concordando. Era só o Chan. O ex-namorado e amigo de anos dele. O cara por quem Minho já foi perdidamente apaixonado. Só o Chan. Ninguém demais. Pffft , Chan era quase uma pessoa qualquer. 

"Minho?" Felix realmente estava ultrapassando todos os limites com a cara de desgosto e desprezo dele, Minho estava começando a achar que era pessoal. Ele conseguia ver o ponto de interrogação que Felix estava impondo. Minho sabia que se eles estivessem tendo essa conversa por mensagem de texto, Felix mandaria algo do tipo “??????????????” . "Todo mundo viu o jeito que vocês dois ficaram quando vocês pararam de se beijar," ele bebeu um gole do café, quase queimando a boca ao fazê-lo, "você ficou com uma cara de idiota por uns bons minutos e não parava de encarar ele, e o Chan parecia que nem tava mais no mesmo lugar que a gente." 

"O nome disso é bebida, Felix, você que tá enxergando coisas onde não deve enxergar," Minho assegurou, tendo certeza que Felix estava exagerando. Não tinha sido assim. 

"Não fui só eu que percebi." 

"Tava todo mundo muito bêbado já." 

"Minho, por que você tá negando com tanta veemência?" Felix perguntou parecendo exausto e chateado, esquecendo de abaixar o tom, a voz grave reverberando e ecoando pela sala silenciosa. 

Eles ficaram imóveis por uns segundos enquanto viam se tinha alguma reação de alguém, Minho com a xícara de café parada a centímetros da boca dele. Ouviram um resmungo vindo de Chan e Minho se levantou silenciosamente, pegando Felix pulso e arrastando-o até a cozinha. 

"Porque, Felix, é o Chan." Ele explicou exasperado, gesticulando exageradamente, torcendo para que ele conseguisse se expressar dessa forma, sem que precisasse usar palavras. "A gente namorou por dois anos e não deu certo. Eu fiquei na merda, ele ficou na merda."

"Mas Minh-" 

"Calma aí, Felix," Minho interrompeu Felix, que levantou as mãos rendido, ele voltou a falar como se não tivesse tido uma pausa. "Eu fiquei muito na merda, eu fiquei devastado, você sabe disso, a gente divide o dormitório, você estava lá. Ele ficou na merda também e nós dois sabemos disso. Eu não posso pensar mais a fundo sobre isso e criar esperanças de que alguma coisa vai acontecer para no final não dar certo de novo, ou para no final, porra nenhuma acontecer. Foi só um beijo estúpido num desafio ainda mais estúpido de um Jisung quatro vezes mais estúpido que tudo isso." 

Ele praticamente cuspiu as palavras, arregalando os olhos ao perceber o que tinha admitido, ao perceber que, sem querer, tinha praticamente admitido que o beijo tinha mexido com ele. E ele não queria perceber isso, não queria saber quanto o beijo tinha feito alguma coisa com ele. Não podia dar a mínima. Na verdade, ele preferia ficar totalmente alienado e por fora dos sentimentos dele. Queria se fazer de burro e denso e não perceber coisa alguma. E ele estava meio falhando e meio conquistando essa vontade dele. 

"O Jisung é bem estúpido mesmo," Felix comentou com um riso, pegando na mão de Minho. "Acho que vocês têm que conversar sobre isso. Se a reação de ontem for alguma coisa, talvez o Chan se sinta da mesma forma." 

"Mas eu não quero conversar, não tem nada para resolver, Felix, não tem 'se sentir da mesma forma', porque eu não tô me sentindo de forma nenhuma. Eu não quero voltar com ele." Minho deixou o peso do corpo cair na parede, encarando o teto e bufou, bagunçando o cabelo.

"Mas quem falou alguma coisa de voltar, apressadinho?" Felix sorriu de novo, entrelaçando os dedos aos de Minho. "Só conversa com ele, põe os pingos nos is." 

"E falar o que exatamente, Felix?" Minho estava genuinamente pedindo por uma resposta, uma luz. 

"Não sei, talvez comece falando sobre como o beijo abalou você." Felix sorriu maldoso, mas a expressão voltou a ficar séria quando ele retornou a falar, "eu não tô falando para vocês voltarem ou se beijarem de novo, só que claramente tem muita coisa em aberto entre vocês."

Minho suspirou e esfregou as duas mãos no rosto, se sentido frustrado e sem saber o que fazer. 

"Eu vou matar o Jisung," Minho comentou entredentes. 

"O que eu fiz?" A voz do próprio merdinha soou do batente da cozinha e Minho quase gritou de susto. 

Se não fosse por Felix segurando o braço de Minho, Jisung ia aprender a voar ou a se regenerar. Porque Minho tinha certeza que, ou ia pegar uma faca naquela gaveta velha ou ia jogar Jisung do quinto andar. 

 

Uma vez que Jisung estava acordado, mais ninguém conseguia continuar dormindo. Por isso, um por um, eles foram acordando, todos reclamando de dor de cabeça e da voz esganiçada de Jisung, acabando com o remédio e com o pão que Minho tinha comprado. 

Minho evitava encarar Chan e evitava até mesmo olhar na direção dele, ou de falar com ele diretamente. Ele sabia que estava sendo infantil e devia fingir que nada tinha acontecido, mas não conseguia. Sempre que ele olhava para Chan ele se sentia nervoso, como se Chan fosse desvendá-lo se olhasse Minho nos olhos. E Minho não achava que isso era assim tão impossível. 

Da mesma forma que Chan era fácil de ler, Minho era um livro aberto para o mais velho. A verdade era que Minho era um idioma no qual Chan era fluente. Tão fluente que podia dar aula de "como falar o idioma Lee Minho.”

Ou era isso que Minho acreditava na maior parte do tempo. 

Por isso, Minho se sentia apavorado de Chan entender a bagunça de pensamentos que se entrelaçavam e rondavam pela cabeça dele, mesmo que ele próprio não entendesse direito. O melhor que ele podia fazer era ignorar Chan. Fingir que ele não estava ali e que a existência dele era algo irreal. 

Óbvio que isso ficava muito difícil quando todo mundo queria falar sobre ele. Ou melhor, sobre eles. 

"Foi maldade o que o Minho fez com o Jisung," foi Felix quem falou e Minho se sentiu traído, atacado nas costas pelo seu próprio aliado. 

"Maldade? Eu fiz foi pouco." Minho argumentou, fechando a cara. 

"O que ele fez? Eu não lembro, acho que já tava dormindo," Hyunjin perguntou. Realmente, ele já estava dormindo no ombro de Changbin quando Minho teve um pedaço da vingança que ele tanto queria. 

"Ele fez eu ir nadar pelado naquele chafariz sujo e frio que tem no meio do campus." Jisung relembrou e todo mundo riu dele. Tinha sido engraçado, talvez um pouco irresponsável quando todo mundo viu ele batendo o queixo e tremendo de frio, mas tinha sido engraçado. 

"Como eu falei, não foi nada demais. O que é seu tá guardado." Minho prometeu e todo mundo acreditou na palavra dele. Ele nunca pegava leve nesse tipo de coisa. 

"Tudo isso só porque eu fiz você beijar seu ex?" Jisung, sendo o sem noção e literalmente o contrário da expressão 'quem tem cu tem medo', teve a coragem de provocar Minho. "Grandes coisas, é só um beijo, não é como se isso fosse fazer vocês dois voltarem ou algo do tipo." 

A esse ponto, Minho não sabia se ele era só um grande de um filho da puta ou se ele realmente não tinha tato e noção do que estava falando. Pela forma que ele deu de ombros e que Felix enfiou o cotovelo na costela dele, Minho acreditava mais na última opção. 

A sala ficou em um silêncio desconfortável por alguns segundos, apenas o som de Changbin e Seungmin mastigando e de alguns passarinhos cantando dava para ser ouvido. Minho, cauteloso, ousou olhar para Chan e não se surpreendeu quando viu que já estava sendo observado. Era exatamente isso que Minho não queria que acontecesse. 

Alguém pigarreou e começou a falar alguma coisa, mas Minho perdeu quem e o que tinha sido, porque ele estava se levantando e saindo daquela sala que de repente parecia ainda menor do que era e mais abafada. 

No quarto de Jisung, ele encostou a porta e abriu a cortina e a janela, esperando que isso fosse ajudá-lo a respirar um pouco mais tranquilamente. Se sentou na beira da cama, encarando o teto enquanto não pensava em nada em específico, apenas focando no vento gostoso e fresco que vinha de fora. Ele se inclinou para trás, apoiando-se nos cotovelos e pensou seriamente em tirar uma sonequinha rápida, até que ele ouviu o barulho da porta rangendo ao ser aberta. 

Se endireitou rapidamente na cama e não se surpreendeu ao ver que era Chan que estava parado no batente, um pé para dentro do quarto e o outro para fora, apenas esperando o sinal de Minho para que ele entrasse de vez ou fosse logo embora. 

Minho suspirou e maneou com a cabeça, deixando que ele entrasse no quarto. Chan fez exatamente isso, fechando a porta completamente ao entrar e encostando nela, os braços parados estranhamente ao lado do corpo dele e um pé apoiado na madeira escura. 

"Você tá bem?" Ele quebrou o silêncio, olhando Minho de longe enquanto ele tentava não encarar o ex-namorado. 

"Sim? Tô com sono, só." Mentiu, deitando apenas a parte superior do corpo na cama, o pé ainda encostado no chão. 

"Quer que eu saia pra você dormir?" Chan perguntou sincero e, por algum motivo, Minho teve vontade de rir. Mas conseguiu se controlar. 

"Não precisa, Chan. Eu não ia dormir de qualquer jeito," ele ouviu o som do chinelo de Chan batendo no chão e os passos dele se aproximando cada vez mais, até a sombra dele chegar no rosto de Minho. O mais novo levantou a cabeça da cama para ver que Chan estava parado praticamente entre as pernas dele, encarando-o com as sobrancelhas franzidas. 

"O que aconteceu?" Mais uma vez, ele perguntou sincero, a preocupação nítida e transparente nele como água corrente. 

Minho respirou fundo e ponderou por um momento, na dúvida entre o ser sincero, ser meio sincero e não ser nada sincero. Resolveu que ficaria com o do meio. 

"Acho que hoje não estou com paciência para as brincadeiras do Jisung." Não era uma mentira, mas também não era a verdade completa. 

"E quando você tá?" Ele perguntou rindo e Minho sentiu a cama afundar onde Chan sentou, ao lado do mais novo. 

"Você tem um bom ponto." Minho riu também, sentindo um pouco do estresse e tensão indo embora. Mas só um pouco, uma quantidade bem pequena. Quase nada, na verdade. 

"Tem alguma coisa a ver com o que aconteceu ontem?" Chan estava sendo extremamente cauteloso e Minho apreciava isso. Apreciava como Chan sabia dar o espaço que Minho precisava e ao mesmo tempo sabia mostrar que estava ali caso ele precisasse. 

Minho sentia tanta falta disso. Sentia tanta falta que chegava a doer, que chegava a apertar o peito dele. 

"Talvez." Mais uma vez, Minho optou por ser vago. 

"Foi uma ideia bem merda dele fazer a gente se beijar." Minho queria saber exatamente qual era o tipo de expressão que Chan estava fazendo agora, para conseguir interpretar o que ele estava sentindo com isso tudo, mas a posição que eles estavam não ajudava. 

"Bem merda, talvez a pior ideia que ele teve nos últimos anos," Minho falou com o tom brincalhão, mas não deixou de fora o suspiro no final, só para Chan entender que não era tão brincadeira assim, "incluindo aquela vez que ele postou nude nos stories ao vez de mandar no privado do garoto que ele tava ficando." 

"O Jisung é realmente uma pérola." Os dois riram, mas, no final, Minho sentiu um gosto amargo na boca, uma sensação estranha no estômago. Ele se sentou direito, ajeitando a postura e subindo as pernas para a cama, ficando em posição de lótus e evitando encarar Chan . "Mas foi tão ruim assim?" 

A pergunta tinha pegado Minho desprevenido. Não imaginava que Chan ia fazer uma pergunta desse calibre do nada. "Oi?" Antes que ele pudesse perceber, o rosto dele já tinha virado automaticamente para o de Chan, encontrando-o olhando as próprias mãos que estavam espalmadas no colo dele. 

"O beijo. Foi tão ruim assim?" Ele repetiu, olhando ainda muito interessado para as costas das mãos dele. 

Minho abriu e fechou a boca várias vezes, tentando formular uma resposta inteligente, uma resposta que não fosse mostrar o quão confuso ele tava. Queria deixar nítido que ele estava de boa, mesmo que ele claramente estivesse uma bagunça. 

No entanto, Chan deve ter entendido o silêncio dele de forma errada porque ele começou a levantar, "entendi, Min, tá tudo bem, não tem problema," ele balbuciou, mal falando corretamente as palavras, embolando uma na outra. 

"Chan, o quê?" Minho demorou a entender o que Chan estava insinuando e, quando percebeu, Chan já tinha levantado e estava se preparando para se distanciar e sair do quarto. Ele se inclinou para frente a tempo de pegar a traseira da blusa solta e preta que Chan usava, impedindo-o de continuar andando. 

Chan olhou para Minho com uma sobrancelha arqueada, esperando que ele falasse alguma coisa ou que ele soltasse-o. Minho não fez nenhum dos dois por um tempo. Ele não conseguia ler Chan nenhum pouco.

Minho não sabia se ele estava arrependido, se ele queria que isso significasse algo, se ele queria que isso não significasse nada, se ele estava uma bagunça igual Minho estava. 

"É complicado, Chan. Acho que foi um erro." Foi tudo que Minho conseguiu falar antes de soltar a blusa do mais velho, que olhou-o sorrindo fraco, o suficiente para mostrar uma covinha dele. Ele concordou com a cabeça, a ação sendo tão sútil que passaria facilmente despercebida. Apesar do sorriso pequeno, ele não parecia feliz. Não do jeito que ele tinha virado o rosto e saído andando com a cabeça baixa, não da forma que ele não olhou para trás ao fechar a porta depois de sair do quarto, deixando Minho sozinho com os pensamentos e arrependimentos deles. 

Seu burro, estúpido. 

Subitamente, o quarto parecia mais quente e abafado e apertado e pequeno do que a sala, mas ele decidiu que ficaria por ali mais um pouco. Talvez ele realmente terminasse tirando um cochilo na cama bagunçada de Jisung. 

Estava frio. Estranhamente frio. 

Por mais que ele fechasse o casaco no corpo dele, as pernas dele não paravam de tremer e o queixo dele não parava de bater. Estranhou o lugar que estava, era escuro e ventava demais, o cabelo fazia cócegas no rosto dele, mas a mão dele parecia não chegar até a testa dele para que ele pudesse colocar os fios no lugar. 

Abruptamente, ele sentiu um arrepio e uma luz esbranquiçada ardendo os olhos dele, e ele se sentiu com medo e sozinho. Queria que alguém estivesse ali com ele, queria que Chan estivesse ali com ele. Alguma coisa estava tocando no braço dele e ele queria gritar, mas dá boca não saia som, a garganta parecia seca. Ele não conseguia enxergar um palmo à frente dele. O toque no braço dele era tão sutil, balançava o corpo dele quase que delicadamente. 

Minho?” Ele ouviu uma voz conhecida chamando, mas ele não conseguia distinguir a quem ela pertencia e, ao mesmo tempo que ela estava longe, ela estava perto, como se a pessoa estivesse sussurrando no ouvido dele. Antes que ele pudesse perceber, ele gritou por Chan, a voz finalmente saindo da boca dele, fina e frágil, arranhando a garganta e quase machucando. Ele gritou por Chan de novo, dessa vez ouvindo a própria voz fraca ecoando dentro da cabeça dele. “ Minho?” 

O toque agora era mais forte, agarrava o bíceps dele, era mais urgente, balançava ainda mais o corpo de Minho e fazia os cabelos caírem ainda mais no rosto dele, pinicando os olhos dele. 

Minho, acorda.” Mais uma balançada no corpo dele, “ eu vou jogar água fria em você.” 

Quando finalmente abriu os olhos, viu Jisung encarando-o com as sobrancelhas franzidas, prendendo o riso enquanto mordia a boca e a mão ainda no braço de Minho. 

Ele sentia que estava mergulhado em suor, o que era estranho, porque ele lembrava claramente de ter sentido muito frio, mas ele também estava todo coberto. A luz branca da lâmpada incomodava os olhos dele e fazia a cabeça dele doer novamente. 

“Sonho pesado esse, né?” Jisung falou, se sentando na beira da cama e tirando o cabelo de Minho do rosto dele. 

Minho piscou algumas vezes, tentando se acostumar à claridade e tentando acordar por completo e entender o sonho estranho que ele teve. Ele estava… gritando por Chan? 

“Tava sonhando com o Chan?” Jisung perguntou. 

Minho resolveu não responder e se sentou na cama, alongando os braços sobre a cabeça e bocejando. “Que horas são?” 

“São quase quatro horas,” Jisung tinha se deitado no lugar de Minho e estava mexendo preguiçosamente no telefone dele. 

“Droga, dormi demais,” estalou o pescoço e passou a mão na testa, retirando o suor que tinha acumulado ali. “O pessoal foi embora?” 

“Todo mundo, até o Jeongin tá na rua,” ele ainda mexia no telefone e nem olhava para Minho. “Inclusive o Chan.” 

“Mas eu não perguntei por ele,” Minho franziu as sobrancelhas ao se levantar, passando a mão na blusa para ajustá-la ao corpo. 

“E nem precisa, ainda mais do jeito que você tava gritando por ele,” ele finalmente bloqueou o telefone e jogou-o pela cama, olhando Minho de cima a baixo e suspirou, “ele saiu daqui bem chateado.” 

“Que horas ele foi embora?” Minho deixou que a curiosidade falasse mais alto dessa vez, querendo saber mais de Chan. 

“Logo que ele saiu daqui do quarto,” Jisung mordeu o interior das bochechas e torceu o nariz, “não sei o que você falou para ele, mas pelo visto ele não gostou de ouvir.” 

“Mas eu não falei nada.” Minho se defendeu. Ele tinha falado alguma coisa para machucar Chan? Ele só tinha falado que tinha sido um erro, o que ele realmente achava ser verdade.

“Te conhecendo, você deve ter falado alguma coisa errada sem saber que estava falando alguma coisa errada.” Bom, pelo visto ele realmente conhecia Minho, já que, pelo visto, foi exatamente isso que aconteceu. “Eu não queria forçar vocês a fazer alguma coisa que fosse deixar vocês mal. Só pensei que fosse ser engraçado, uma brincadeira que todo mundo iria rir de vocês depois. Se eu soubesse que vocês ainda se gostavam eu não tinha feito isso, mas pelo visto deixou vocês desconfortáveis.” 

“Oi?” Minho perguntou franzindo as sobrancelhas. Ele estava procurando pelo chinelo dele pelo quarto de Jisung, mas quando ele ouviu o que o mais novo falou, ele virou a cabeça para o amigo tão rapidamente que ele sentiu medo que fosse deixá-lo com torcicolo. “Repete.”

“Pelo visto deixou vocês desconfortáveis,” ele repetiu, interpretando Minho erradamente. 

“Não essa parte, a outra.” 

“Se eu soubesse que vocês ainda se gostavam eu não tinha feito isso?” Ele falou de novo, “se você tá esperando um pedido de desculpas, Minho, sinto muito, não vai rolar.” 

“De onde você tirou a ideia que a gente ainda se gosta?” 

“De vocês?” Ele respondeu de forma óbvia, como se isso não deixasse Minho ainda mais confuso. “Quer dizer, vocês meio que deixaram na cara ontem com aquela cena ridícula e nojenta.” 

Minho viu a forma que Jisung torceu o nariz e apontou para o canto do quarto, mostrando onde estava o pé do chinelo que Minho tanto procurava. Minho calçou-o e foi para a sala sem falar nada, dessa vez procurando o telefone dele em silêncio. A cabeça rodando e lembrando mais uma vez do maldito beijo. 

Ok, beleza. Talvez ele realmente ainda sentisse coisas por Chan, mas e daí? Talvez fosse carência e tesão, talvez fosse saudade de ter algo com alguém, e não com Chan especificamente. Talvez ele ainda esteja apaixonado por Chan, talvez ele esteja morrendo de vontade de achar a droga do telefone e ligar para o mais velho e implorar para que eles voltem. Talvez. 

Só talvez. 

Mas e se ele estiver errado? Esse erro podia custar muitas coisas. 

Quando ele achou o telefone (que, milagrosamente, ainda estava com trinta por cento de bateria), em cima do sofá, quase perdido no meio de duas almofadas, ele viu que tinham duas mensagens não lidas. 

 

Channie -`♡´-  

Minho

A gente pode conversar? (2h37)

                                     

Minho abriu um sorriso pequeno e involuntário quando percebeu que o contato de Chan estava da mesma forma de seis meses atrás, quando eles ainda eram um casal. Ele nunca mudou. Não tinha um motivo, pelo menos não aparentemente, ele simplesmente achava fofo e bonitinho. Combinava com Chan. 

Minho sentou no sofá e jogou a cabeça para trás, bufando. Respondeu um “sim” para Chan e esperou que o mais velho se auto-convidasse para a casa de Minho. 

Era dia de fazer a matrícula na faculdade. Pela segunda vez. Na primeira, ele tinha esquecido de tirar cópia de algum documento importante e não pôde prosseguir com a inscrição. Um saco. Tudo que Minho mais odiava na vida era burocracia. Odiava lidar com papelada e ficar sentado em uma sala de espera por horas, para, no final, resolver tudo em dez minutos. 

A música tocava alta no fone de ouvido dele, alguma coisa em inglês que Minho ouvia só pelo ritmo agitado, porque ele realmente não entendia nada do que aquela cantora estava cantando. Sinceramente? Ele já estava de saco cheio e… fazia somente quarenta e três minutos que ele estava ali? Céus, parecia uma eternidade. 

O telefone estava sem sinal, então ele nem podia dar uma olhada nas redes sociais ou assistir algum vídeo enquanto esperava. Tudo que ele tinha para fazer era esperar. Sentado e entediado, aguardando que a vez dele chegasse logo. 

Ele passou os olhos despretensiosamente pela sala climatizada e, honestamente, meio sem graça e cinzenta… umas cores pela parede, uns quadros coloridos não fariam mal para a decoração, até um menino (homem?) passar pela porta, deixando uma cadeira vaga entre ele e Minho ao se sentar. 

Ele era… bonitinho, por mais que não desse para ver muita coisa por causa da roupa que ele estava usando: um moletom preto, uma calça jeans preta, uma touca (adivinhem só) preta e uma máscara branca. Tudo que Minho podia enxergar dele eram os olhos. 

Sem graça. 

Não serviu para matar o tédio de Minho já que não tinha nada para Minho tirar dele. Não tinha nada nele para que Minho pudesse fazer graça mentalmente e sair desse tédio gigante que ele estava. 

Isso até o menino (de novo, homem?) mexer na pasta também preta - pois é, chocante -, e todos os papéis caírem no chão. 

Em um reflexo, Minho tirou o fone do ouvido e se abaixou para ajudá-lo a catar os papéis, um panfleto em específico chamando a atenção de Minho. E ela era de um rosa quase choque, extremamente chamativo, com algumas fotos que Minho ainda não conseguia decifrar porque os outros papéis (brancos e normais) estavam na frente. 

Como qualquer ser humano normal, no tédio e curioso, ele empurrou as folhas brancas para o lado e pegou o rosa nos dedos, instantaneamente entendendo sobre o que era o panfleto. 

Bom, era difícil não entender quando tinha letras garrafais e enormes no topo dele, escrevendo “ 4pleasure " , fotos de algumas algemas de vários modelos diferentes, uma com  pelos pretos em volta do acessório, outra prateada, bem parecida com o modelo usado pela polícia, outra de oncinha; um chicote também de várias cores (se Minho tivesse que adivinhar, ele chutaria que ele era de couro), uns vibradores de várias formas e tamanhos bem coloridos e chamativos espalhados estranhamente pela folha, umas bolinhas de pompoarismo… era realmente muita informação para um página só.

Então era de um sexshop. Interessante. Minho tinha achado um pote de ouro, uma mina de petróleo em algo que ele achava ser sem futuro. Não conseguiu conter o sorriso malicioso que brotou nos lábios dele ao se virar para o dono do papel, que olhava-o com os olhos arregalados, a mão parada no meio do caminho entre o papel e Minho, como se ele tivesse tentado pegar o folheto primeiro que Minho.

“Acho que você deixou cair,” Minho falou enquanto estendia o papel para o menino à frente dele. Se ele pudesse apostar nesse exato momento, ele apostaria muito dinheiro que aquele menino estava envergonhado. Bastante envergonhado. Ele olhava do panfleto para Minho e para a secretaria silenciosa e vazia na frente dos dois. Minho viu o exato momento que ele engoliu seco e estendeu a mão para pegar o papel. 

“Eu, hm, me entregaram isso na rua quando eu tava entrando no prédio,” ele se defendeu e Minho riu, riu de verdade. Ele não precisava se explicar para Minho. De verdade, por mais engraçado que fosse, mas, como foi estabelecido, Minho estava sem o que fazer. 

“Ei, não tem nada de errado em se interessar por esse tipo de coisa,” Minho piscou, provocando o menino que provavelmente estava entrando em combustão. Minho não podia evitar, era engraçado e ele estava entediado para caralho. 

“Eu só não queria jogar no chão,” ele amassou o papel e mirou na cesta de lixo que tinha no canto da sala, acertando em cheio. Minho começou a juntar os outros papéis, que se mostraram ser somente um monte de papel mesmo, sem nada de interessante. 

“Bom, Chris,” Minho leu o nome da certidão de nascimento dele antes de entregar o amontoado de folhas para ele, “você podia ter mantido o panfleto, vai que você tá perdendo uma promoção importante, hm? Parecia ter coisa muito legal naquele lugar” 

Chris parecia escandalizado, a um passo de se esconder atrás da cadeira, mas deu de ombros e guardou os papéis de volta na pasta. Minho se ajeitou na cadeira e estava pronto para cair novamente naquele limbo enorme de tédio, até que Chris voltou a falar. 

“Meus amigos me chamam de Chan,” ele estendeu uma mão para Minho. Talvez essa fosse a oportunidade perfeita de matar aquela monotonia insuportável e de passar o tempo. 

“Eu sou Minho.” 

Por incrível que pareça, eles conversaram durante toda a espera deles. Depois que Minho foi atendido, ele até esperou a vez de Chan com ele, fazendo companhia e sentado naquele banco desconfortável e rindo com o mais velho. 

Minho descobriu que ele estava se matriculando para direito (chato) e que tinha a mesma idade de Minho, quase um mês mais velho. Descobriu que ele ia ficar pelos dormitórios, assim como Minho e que também não era a primeira vez que ele estava esperando nessa sala sem graça para concluir a inscrição no curso. Droga de burocracia. 

Quando eles saíram juntos do prédio administrativo, cada um foi para um lado, sem trocar telefone, sem trocar grandes informações e nem nada do tipo. Tinha sido algo para passar o tempo e matar o tédio de ambos. 

Mas encontrar Chan pelo campus quando as aulas começaram passou a virar rotina, até eles terem o mesmo círculo de amizade, até Minho e Chan se tornarem, de fato, algo além de conhecidos de corredor e virarem amigos. 

Já fazia um ano e alguns meses desde que Minho e Chan tinham criado mais intimidade e virado aquele tipo de amigos que frequentam o dormitório um do outro, que sabem da vida e do passado um do outro, dos gostos mais peculiares um do outro, da vida amorosa um do outro, que conhecem um ao outro. 

Talvez fosse cedo para eles terem criado esse tipo de conexão, mas aconteceu tudo tão rápido. Chan era tão receptivo e amistoso e aberto que era difícil não se deixar levar e pela amizade dele, principalmente na faculdade, onde tudo era tão intenso e tudo era motivo para chorar de desespero e encher a cara. Minho tinha contado coisas verdadeiramente embaraçosas para o amigo e ele não se arrependia, até porque Chan também tinha feito o mesmo.

“Lembra do dia que a gente se conheceu?” Chan perguntou. Eles estavam sozinhos no dormitório de Minho, Felix tinha saído para fazer alguma coisa com alguém que Minho não conseguia mais lembrar. Algumas (muitas) latinhas de cerveja vazias estavam sobre a mesinha de centro, a televisão ligada em algum clipe de alguma banda meio emo que Chan tinha colocado para eles assistirem, mas bom, eles não estavam mais vendo o clipe que Chan tinha botado. Muitos vídeos já tinham vindo depois daquele e eles nem ao menos perceberam que tinham entrado em uma parte muito estranha e duvidosa de músicas emo no YouTube. 

“Claro, como esquecer daquele fatídico panfleto?” Minho riu ao lembrar, “queria ter visto a cara que você estava fazendo por baixo da máscara.” 

“Acredite, não queria,” cada um estava em uma ponta do sofá, sentados de lado para que pudessem conversar se olhando sem que ficassem em uma posição desconfortável, “enfim, alguns dias depois, eu visitei o sexshop.” 

“Mentira?” Minho perguntou, chocado, a mão sobre a boca. Chan estava com as bochechas pintadas com um tom mais forte de vermelho. 

“É, eu fui,” ele admitiu, bebendo um gole de cerveja, “aquilo ficou na minha mente, cara.” 

“Qual dos objetos?” Minho se inclinou para frente, passando a mão pelo joelho de Chan, e deixando ela descansar ali, “você tem tanta cara de básico, Chan.” 

“Agora só por causa disso eu não vou te falar,” ele sentou direito, botando os dois pés para o chão e encarando a televisão. Minho conseguia ver como até o pescoço dele estava um pouco avermelhado. Fofo. 

“Channie, me fala,” Minho pediu manhoso, a mão que estava no joelho de Chan subindo lentamente pela perna do mais velho. “Foi a algema? Acho que você ia ficar uma graça com aquela algema com os pelos rosa.” Minho provocou ainda mais, sem saber de onde aquilo tinha saído. Mas sempre acontecia e ele nunca sabia como eles tinham começado. 

Chan voltou o rosto para o mais novo, os olhos escuros pareciam brilhar quando se prenderam aos de Minho. 

Minho não sabia explicar o porquê, mas Chan mexia demais com ele, de uma forma diferente, intensa. Ele estava cansado de se pegar olhando para a boca de Chan, ou para o corpo dele, ou pelo jeito que, em momentos tipo esse, o ar entre eles parecia rarefeito e denso. Era estranho como o clima e o rumo da conversa entre eles mudava drasticamente. 

Como agora, por exemplo. 

Há alguns minutos eles estavam falando sobre as provas que estavam se aproximando, logo depois falando sobre como eles achavam que Changbin era afim de um amigo deles, o Hyunjin, rindo juntos das caras que Changbin fazia quando Hyunjin chegava, ou fazia, literalmente, qualquer coisa. O clima era leve e divertido. Assim como era quase cem por cento do tempo.   

No entanto, umas histórias depois, tudo que Minho conseguia pensar é que ele estava muito longe de Chan e como isso não parecia certo e, oh meu deus, ele estava se inclinando e Chan também. Será que era uma boa ideia? Será que eles estavam bêbados o suficiente para fazer algo desse tipo e depois colocar a culpa na bebida caso algo desse errado? 

Mas, sinceramente, Minho estava cansado de fingir para os outros e para ele mesmo que não queria isso. Eles podiam ser amigos que se beijam de vez em quando, não podiam? O famoso “amigos coloridos”. E, de alguma forma, agora eles já estavam próximos um dos outro, os dois se encontrando no meio do sofá. Minho não fazia a mínima ideia de como ele tinha chegado ao assento do meio. Talvez estivesse hipnotizado pelo jeito que Chan umedecia a boca com a ponta da língua.

“A gente vai mesmo fazer isso?” Chan sussurrou, próximos o suficiente para que a respiração dele fosse diretamente para o rosto de Minho, e bom, Minho temia que se ele não beijasse Chan nesse exato momento, o mundo iria acabar ou ele iria explodir. 

“Acho que a gente já devia ter feito isso antes,” foi a única coisa que ele se permitiu falar antes de, finalmente, beijar Chan. Nem se permitiu sentir vergonha pela frase ridícula, a cabeça dele já não formava nenhum pensamento que não fosse beijar Chan e sentir Chan e as mãos de Chan no pescoço e na cintura dele. Ou seja, resumidamente, a mente dele só pensava em Chan. 

A sensação que Minho teve quando os lábios se encostaram pela primeira vez era que ele já estava esperando isso por meses. Chan parecia sentir a mesma coisa se Minho fosse se deixar levar pela maneira quase faminta que Chan beijava ele. Era tão bom, bom demais para eles ficarem no sofá, bom demais para eles serem interrompidos caso Felix chegasse do nada. 

Meu deus, eles realmente estavam fazendo isso e o pior era que Minho não estava nenhum pouco preocupado acabasse estragando a amizade deles. 

Depois daquele dia, algumas coisas pareceram mudar. 

Quer dizer, óbvio, eles tinham virado amigos que se beijavam e transavam algumas vezes (quase o tempo todo, na verdade), mas tiveram algumas mudanças em relação ao relacionamento deles e da forma que Minho se sentia quando estava com Chan, ou quando ele não estava com Chan. 

A verdade era que Minho estava fodido e ele sabia disso. Ele não sabia onde estava com a cabeça quando achou que ele poderia ter algo casual com o fodendo Christopher Bang e não criar sentimentos por ele. Ele era um idiota e ele estava bem ciente disso. 

Mas ele não conseguia evitar, Chan era romântico de um jeito que não incomodava Minho, ele sabia respeitar o espaço do mais novo e eles se entendiam tão bem, tão bem que parecia errado. Seria impossível não se apaixonar por Chan, ele só foi tolo demais para conseguir perceber isso antes de pular fora do barco. Agora já era tarde demais, o barquinho já estava afundando e Minho tinha certeza que ia se afogar e ele nem sabia nadar. 

Ele não queria que as coisas terminassem. Apesar de tudo, Chan era um dos melhores amigos dele e ele não conseguia mais se ver sem ele. 

Porém, era difícil deitar com Chan depois de um banho tomado, sendo a conchinha maior e não esperar algo diferente. Ele queria que Chan entrelaçasse os dedos no dele, levasse-o a encontros e toda essa baboseira de um relacionamento. Céus, ele queria namorar Chan. Queria todos os clichês de um namoro. Queria ter tudo isso que ele nunca teve a oportunidade de viver com os idiotas que ele namorou no passado. 

E, além do mais, ele sabia que Chan não seria um daqueles idiotas do passado dele. 

Minho se remexeu na cama, se sentindo incomodado de repente, tentando não fazer movimentos bruscos para não acordar Chan que dormia ao lado dele, um braço embaixo da cabeça de Minho. Ele queria levantar e ir para sala, colocar algo para assistir e não prestar atenção em nenhuma palavra do que os personagens estavam falando enquanto ele fantasiava sobre um namoro e sobre um homem que ele sabia que não teria. 

E foi exatamente isso que ele fez. Até o motivo dos surtos diários dele aparecer descalço, sem camisa, com o rosto amassado e inchado na sala, assustando Minho. 

“Por que você não tá dormindo?” Ele perguntou sonolento, se jogando no sofá ao lado de Minho e bocejando logo em seguida. 

“Não tava conseguindo dormir,” Minho admitiu, tombando a cabeça para trás e inspirando audivelmente. É isso, ele faria isso. Arrancaria logo o band-aid de uma vez por todas, por mais que doesse. Não podia se encher de expectativas. Quanto mais cedo ele levasse um fora, menos ele se iludiria. Mas talvez ele já tenha se iludido bastante, talvez já tenha passado tempo demais. Minho sabia que ia doer mais do que ele estava esperando, e olha que ele estava esperando uma quantidade bem alta de dor. 

“Algum motivo específico?” A mão de Chan foi para o topo da cabeça de Minho, fazendo um carinho suave que quase fez o mais novo se derreter e ronronar. Ficava difícil pensar em qualquer coisa desse jeito. 

“Eu gosto de você.” Ele falou, sentindo a mão na cabeça dele parando o carinho abruptamente. Minho já estava esperando o pior, se preparando para o ‘não’ que Chan daria para ele, “tipo, gosto de verdade.” 

Quando ele se virou para encarar Chan, viu que o mais velho sorria abertamente. “Eu também,” ele confessou e Minho jurava que tinha entendido errado e que o tempo tinha parado, “e eu meio que desconfiava.” 

Ótimo! Então, além de tudo, Minho era ridiculamente óbvio. 

“Como?” 

“Você é meio difícil de entender no começo, mas depois fica mais fácil,” ele desceu a mão que estava na cabeça de Minho para a lateral do rosto dele, contornando o maxilar dele com a ponta dos dedos, “eu não falei antes porque eu não queria te assustar.” 

“Então você também gosta de mim?” Minho perguntou esperançoso, falhando ao esconder o sorriso que insistia em aparecer no rosto dele. Chan deixou um beijo rápido e estalado na boca de Minho, depois na pontinha do nariz dele, na bochecha, na testa. 

“Gosto de verdade,” ele espelhou a fala de Minho, sorrindo quando o mais novo revirou os olhos, “o suficiente para ser seu namorado se você quiser.” 

“É assim que você pretende me pedir em namoro?” Minho parecia ofendido, mas Chan sabia que ele estava brincando, e, além do mais, o sorriso dele estava consideravelmente maior agora. Quase de orelha a orelha. 

“Éhr…”, ele deu de ombros, fingindo não se importar, “acho simbólico.” Ele riu e beijou Minho novamente, desta vez deixando que o beijo durasse mais, beijando-o de verdade, até que ambos ficassem sem fôlego. 

“É, acho que posso namorar com você.” Minho deixou mais um beijinho na boca do (uau!) namorado e se levantou, pegando a mão dele e levando-o de volta para o quarto. Minho estava cansado, o dia tinha sido longo e ele estava com sono e morrendo de vontade de dormir com o namorado dele. 

Minho não se assustou quando acordou de madrugada para ir ao banheiro e ver que Chan tinha voltado para a sala apenas para desligar a televisão. Parecia bobo, mas ele foi dormir sorrindo pela segunda vez na noite.

Não sabia porque estava pensando nessas coisas. Talvez fosse a circunstância, talvez o momento só fosse meio nostálgico mesmo. 

Minho já estava de banho tomado e preparado para levar um pé na bunda pela segunda vez pela mesma pessoa. Na verdade, ele não tinha a mínima ideia do que Chan queria falar com ele, sobre qual rumo a conversa teria. Então, ele estava fazendo o que costumava fazer quando se deparava com uma situação do tipo: estava esperando pelo pior. 

Não que ele achasse que voltar com Chan fosse algo melhor, ele só estava confuso. E nervoso. Bastante nervoso. 

Tinha limpado a pia da cozinha, no mínimo, umas três vezes, arrumado as almofadas no sofá umas cinco, perdido uns bons minutos tentando arrumar o cabelo no espelho até ele perceber que estava sendo um grande de um idiota. 

Chan não estava indo para casa de Minho para sair com ele, ou se apaixonar de novo. Oras, Minho nem ao menos sabia se ele queria algo do tipo. Ele só não conseguia evitar. Quando ele percebeu, estava na frente do guarda-roupa caçando alguma roupa que deixasse ele bonito mas que fosse casual o suficiente para mostrar que ele não se importava com a aparência dele. Quando ele percebeu, estava na bancada da pia do banheiro lendo os rótulos do perfume dele e escolhendo qual que ele iria passar. 

Patético. 

No final, ele decidiu vestir um moletom e passou somente um hidrante nos braços e cotovelos. O normal. Nada demais .  

Ele não queria ultrapassar nenhum limite e nem pensar demais sobre algo que não tinha sobre o que pensar. 

Chan iria simplesmente falar que foi um erro (mesmo que tenha sido uma brincadeira), Minho iria pedir desculpas por ter colocado-o nesta situação, brincaria mais uma vez que iria arrancar o pau de Jisung do corpo dele, assegurar que ele não colocaria o ex-namorado em uma situação dessas novamente, e então eles iam se despedir e Chan iria embora. Talvez Minho fosse chorar na cama no momento que Chan passasse pela porta da sala. 

Não porque ele queria voltar com Chan. 

Na verdade, ele não sabia porque essa situação faria-o chorar na cama depois que Chan fosse embora. Ele só sabia que pensar dessa forma deixava-o com vontade de chorar e de se esconder e não abrir a porta para Chan. 

Mas, ops! A campainha já estava tocando, tirando Minho dos devaneios dele (provavelmente para o melhor, já que ele estava claramente exagerando e iria começar a surtar a qualquer momento se ele não parasse). 

Ele passou a mão pelo cabelo e bagunçou-o, respirando fundo antes de colocar um sorriso falso no rosto e abrir a porta. 

O barulho da porta abrindo foi estranhamente alto e desconfortável, provavelmente porque Minho estava nervoso e qualquer coisa somente ajudaria para que ele se sentisse ainda mais fora do lugar. 

Chan estava parada no batente da porta, com as mãos dentro do bolso do moletom preto e desgastado dele, parecendo incrivelmente nervoso. Uma touca (também preta), escondia os cachinhos dele e parava no limite da sobrancelha, as pintinhas e sardazinhas visíveis até sob a luz fraca e amarelada do corredor. 

O cheiro dele embalou Minho de uma forma que ele se sentiu quase abraçado, à beira de dar um passo para frente e enfiar o nariz na curva do pescoço de Chan. Era quase devastador. 

Alguma chave deve ter virado na cabeça de Minho porque, no exato momento que ele colocou os olhos no rosto de Chan novamente, ele percebeu que não tinha superado porra nenhuma. Ele enxergou que tudo que ele mais queria realmente era se inebriar do cheiro do mais velho, de afundar os dedos nos fios ralos e macios dele, ouvir os sons que Chan fazia quando ele recebia o cafuné que ele tanto gostava, ou ver como ele ficava feliz sempre que ele comia alguma comida realmente deliciosa. 

Ele percebeu com um choque o quanto ele queria chamar Chan de namorado outra vez, o prefixo “ex” soava estranho, como se não pertencesse a Chan. Não deveria pertencer. Minho não queria que Chan ficasse no passado, Minho queria que Chan fosse o presente e o futuro dele. 

“Eu posso entrar ou a gente vai conversar no corredor?” Chan tentou brincar, provavelmente sentindo o clima um pouco estranho e denso. 

Minho piscou lentamente, voltando para o momento e parando de sonhar acordado com o cara que estava literalmente na frente dele.

“Claro, pode entrar.” Minho deu passagem para o mais velho, que tirou o tênis e deixou no canto da parede. “Fica à vontade.” 

Chan se sentou no braço do sofá, vasculhando com os olhos a sala que ele tanto conhecia. Quando ele se virou para Minho, que ainda estava parado na porta, ele inclinou a cabeça para o lado, parecendo confuso. 

“Já to indo sentar, você, hm, quer alguma coisa da cozinha?” Ele disfarçou, abrindo a geladeira e servindo um copo de água para ele. 

“Água?” 

“Água será.” Ele bebeu o copo de água dele e serviu mais um para Chan, colocando na mesinha de centro ao invés de entregar diretamente para o mais velho. Ele esperou Chan beber a água dele por alguns segundos que pareciam tortura, enquanto se sentava na ponta contrária à de Chan no sofá, coçando a palma da mão tentando se alcamar. Quando Chan devolveu o copo para a mesinha, “então…?” 

“Então…” Chan repetiu, provavelmente pensando em como conversar a conversa. Ele se jogou para o lado, deixando o peso cair e desmoronando no sofá, saindo do braço dele e sentando no assento, meio desengonçado. “Acho que a gente precisa conversar.” 

“Gênio,” Minho ironizou, observando o sorriso fraco que Chan deu. Ele parecia deslocado, resignado. Minho não queria, mas ele estava começando a ter esperanças. 

“Eu acho que foi um erro, Minho,” Chan começou e Minho sentiu uma gota de suor descendo pela espinha dele, fazendo-o arrepiar. Ele conseguia ouvir, dentro da cabeça dele, o barulho de vidros se estilhaçando. Droga, ele sabia que não deveria estar criando esperanças, já sentindo o estômago gelar e se engrunhar. Ele mataria Jisung por tê-los colocado nessa situação de novo. 

Se não fosse pela brincadeira estúpida dele, Minho não iria perceber que ainda era apaixonado pelo ex- namorado, ele não teria que se magoar novamente, não teria que ouvir Chan falando novamente as mesmas palavras que assombram Minho há seis meses. 

“Você não precisava ter vindo aqui só para falar que ontem foi um erro, Chan, você podia ter poupado saliva e me poupado,” Minho admitiu, abaixando a cabeça e enfiando as mãos no bolso do moletom vermelho, brincando com uma linha solta da peça de roupa. Minho sentia que iria começar a chorar a qualquer momento. Ele levantou do sofá, pronto para expulsar Chan e ir fazer exatamente o que ele tanto queria, no calor da coberta dele. 

Viu? Exatamente o que Minho estava esperando e, mesmo assim, ele conseguiu se magoar novamente. 

“Eu não estava falando de ontem, Min.” A voz de Chan parou as ações de Minho e interrompeu qualquer pensamento que ele começava a formular. 

“Não?” Minho inclinou a cabeça e coçou o braço, apenas para ter alguma coisa para fazer com a mão. O coração acelerado, ameaçando explodir e se soltar do peito de Minho. Quando Chan encarou-o, Minho viu. Viu refletido nos olhos dele a mesma coisa que estava se passando pela cabeça do mais novo. E ele quis rir. Quis rir de Chan, dele próprio, da situação, deles. Queria rir da burrice dos dois. 

“Não.” Chan se levantou, hesitante ao dar alguns passos para mais perto de Minho, parado a um braço de distância dele. Minho achava que ainda era muito longe. “Acho que foi um erro o que a gente fez há seis meses.” 

“Cha-” 

“Eu entendo que você não queira mais,” Chan interrompeu Minho. Parecia que ele estava segurando isso há muito tempo e simplesmente estava no limite dele. Minho admirava a coragem dele. Ele ficou parado, sem saber como reagir enquanto ouvia atentamente as palavras que Chan dizia, “mas eu realmente só precisava te dizer isso, principalmente depois de ontem.” 

Chan encarava entre Minho e a porta da sala, talvez esperando algo de Minho antes de ir embora. Mas ele realmente não conseguia proferir as palavras que queria. Ele nem sabia quais palavras ele queria proferir. Mais uma vez, Chan abaixou a cabeça e balançou-a, mostrando que ele tinha entendido o silêncio de Minho. Pelo visto, tinha entendido errado (mais uma vez). 

Talvez Chan não fosse assim tão fluente no idioma Lee Minho. Mas eles podiam dar um jeito nisso. 

“Chan, não é que eu não queria mais,” Minho balbuciou, aterrorizado ao pensar que Chan estava indo embora de novo. Precisava falar alguma coisa. “E se der errado de novo? E se não der certo mais uma vez e eu te perder de novo e de verdade dessa vez?”

“Do que você tá falando, Min? Você nunca vai me perder, de verdade ou de mentira.” Chan se aproximou de Minho, esfregando o braço do mais novo, tentando passar conforto. “Eu entendo se você não quiser dar uma chance para a gente, você não vai me perder por isso.” 

“Eu quero, Chan, eu quero tanto,” Minho se aproximou ainda mais do mais velho, ansiando mais dele do que apenas aquele toque impessoal, “mas e se não der certo?” 

“E se der?” 

Minho encarou-o com a boca aberta, estupefato com a fala de Chan, como se essa fosse a coisa mais inteligente que Minho já tinha ouvido em toda a vida dele. 

Realmente, e se desse certo? 

Minho costumava achar que ele era uma pessoa realista. Agora, no entanto, ele estava começando a achar que era extremamente pessimista. 

“Você tá disposto a tentar de novo, Min?” Chan perguntou, dedilhando a bochecha de Minho com o dedão, fazendo um carinho fraco. Minho quase derreteu com a demonstração de afeto, fechando os olhos e deixando o peso da cabeça cair na mão do mais velho. “Você quer tentar de novo?” 

Minho abriu os olhos e encarou Chan, o rosto dele, os olhos sempre tão brilhantes dele, a bochecha e as pintas que adornavam a face dele, a boca cheia e desenhada dele. 

Se Minho queria tentar de novo? Nem se ele estivesse fora da casinha para negar isso. Para negar Chan

“Sim, Chan, eu quero.” 

O sorriso do mais velho foi o suficiente para Minho saber que tinha feito a escolha certa, a covinha aparecendo dos dois lados do rosto dele e os olhos quase se fechando. 

Fechou os olhos quando sentiu a testa de Chan na dele e Minho conseguia sentir a respiração do mais velho na própria bochecha cada vez que ele expirava. Estava sorrindo também, Minho percebeu isso quando a bochecha começou a doer de repente. 

Era gostoso estar assim com Chan novamente, mas não era o suficiente. Queria beijá-lo e, pelo visto, Chan tinha a mesma vontade. 

A quantidade de sensações que Minho sentiu no exato momento que Chan beijou-o era quase sufocante, como se elas fossem transbordar de Minho a qualquer momento. Não sabia o quanto ele sentia falta disso até beijá-lo no dia anterior, mas simplesmente parecia que eles não faziam isso há anos, sentia como se tivessem sido décadas desde a última vez que eles se beijaram. 

A boca dele era tão macia e se mexia em sincronia com a de Minho, afinal, elas eram grandes conhecidas. 

Não queria pensar no que ele tinha perdido nesses últimos meses sem Chan, só queria aproveitar ao máximo e torcer para que dessa vez desse certo. 

Talvez não desse, talvez desse. Ele aprenderia a não colocar a carroça nas frentes dos bois e aproveitar o momento, aproveitar o beijo delicioso de Chan, aproveitar a mão quente dele que agora tocava diretamente a pele de Minho por debaixo do moletom vermelho que o mais novo usava. 

Talvez não desse certo, mas eles fariam valer a pena enquanto durasse.

Eles sempre faziam. 

 

Notes:

Parabéns se você sobreviveu a isso tudo.
Espero que vocês tenham curtido esse bebezinho

Se vocês não vieram pelo meu twitter, meu @ é glowskz (não sei como faz pra linkar ele aqui ainda :D)