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Tanto barulho

Summary:

"Com Jon, o silêncio é insuportável. O barulho é indispensável. A música e o brilho dele trazem isso, essa batida rítmica que não é Damian que controla, mas sim Jon.

Até porque, Damian nunca tinha visto ninguém fazer tanto barulho num só coração."

Notes:

Oiê! Então, essa é uma possível série de one-shots, seja JonDami ou não, inspiradas em músicas (a maioria vai ser brasileira mesmo, porque eu amo). Ia ser só de músicas do duo (sensacional, amo, lindas) Anavitoria, mas decidi aumentar minha liberdade criativa, por que não? Isso também significa que nem sempre será uma fic focada em romance. Então é isso.

Eu sou completamente apaixonada por JonDami, então aqui está uma fic deles! :)
Que eu já estava planejando escrever a muuuuuiuuuuuuuito tempo kkkkk
Espero que gostem❤️❤️✨

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

"Quando vi, já veio sim

Tomou parte de mim

Levou embora o meu pesar

Teu ver me encanta, enfim

Canta perto de mim

Tua voz amansa o teu olhar"

Desde que Damian se lembra, ele está sozinho. Em completo silêncio imutável e estável na solidão dos corredores da Liga. Ele cresceu solitário, como um assassino deveria ser. Sem laços, sem apego. Sem elogios bobos e conversas fiadas. Completamente alheio e atento ao mesmo tempo a tudo e a todos. 

O vazio interno em seu peito era bom; reconhecível. Algo com o qual ele já estava acostumado, o controle de cada batida, de cada respiração. E mesmo na adrenalina de cruzar espadas e desviar de flechas, sua respiração sempre esteve sob seu controle. Seu corpo e mente eram dele — e do vovô, claro — e ele os controlava.

Até quando ele matou sua primeira pessoa aos quatros anos. Cada batida de adrenalina era dele, pertencia a ele. A situação era sua, estava sob seu controle, ele queria sentir isso.

Seu coração estava em completo silêncio. Cada batida rítmica. Sem descontrole, sem erro. 

Sem risco de dor.

~×~

O primeiro passo em falso foi na mansão. Para ser mais exato, quando todos achavam que seu pai estava morto, ele estava morando com Dick e Alfred na torre Wayne.

Estava chovendo muito e ainda eram três e meia da tarde. Dick estava sentado na cadeira do balcão da cozinha e Damian estava na sala desenhando. Estava quieto como ele gostava, Grayson por incrível que pareça naquele dia, estava quieto. 

E foi bom, a paz, o silêncio. Mas Damian refletiu em como era diferente. Na Liga, o silêncio era perigoso e necessário. Prestar atenção poderia salvar sua vida, o desatento resultava em punição.

Entretanto aqui, na cobertura, onde a chuva batia do lado de fora e a corrupção de Gotham espreitava as ruas como uma névoa, Damian contemplou o silêncio confortável. A companhia de Dick e Alfred era boa, agradável e enchia o ambiente. Não que ele fosse admitir, não naquela época pelo menos.

O silêncio era bom, quase cantado em seus ouvidos. Seu coração aqueceu e ele não soube lidar com a sensação. Era estranho e bom. 

Vovô não estava por perto e nem mamãe, o complexo da liga estava a milhares e milhares de quilômetros e o pensamento o deixou tão… feliz. Longe, ele estava longe do silêncio ruim. 

Aquele silêncio era bom. Era um onde ele podia controlar sem medo, sem exigência, apenas… pedir, conversar ou apenas trocar um olhar besta com Dick e vê-lo rir de absolutamente nada. Apenas porque lembrou de uma cena boba de um filme qualquer. Onde podia sentar na cozinha e ver Alfred fazer uma comida sempre ideal para qualquer ocasião, onde sua mágica culinária acontecia.

Onde ele podia deitar no quarto e olhar para o teto por horas e horas, ou fechar os olhos e imaginar um enorme oceano. A brisa fresca, a areia nos pés. Sem medo de levar um golpe por isso, por descansar e relaxar.

Sim, era um silêncio bom.

~×~

Jonathan Kent quebrou seu silêncio. A suave brisa se tornava um furacão, e o mar calmo era revolto. Barulhento

Damian o conheceu tendo treze anos, Jon tinha onze — perto de doze — com comportamento de cinco. Imaturo, infantil e idiota, ele o definiria assim. Um paspalho que era alegre demais e alheio demais.

Jon era como um maldito arco íris. Tão brilhante que chegava a ofuscar seus olhos. Damian era uma criatura noturna, nascida nas sombras e criada na penumbra.

Um morcego. 

Ele gostava do silêncio, sempre gostou. O silêncio da Liga, embora ameaçador, estava sob seu controle. O silêncio na coberta Wayne era gostoso, apreciativo e bom. E Dick podia ser barulhento às vezes, mas ele sabia os limites de Damian e respeitava isso.

Jon não.

Ele chegou com tudo! Invadiu sua mente com suas piadas sem graça, sua risada borbulhante e exagerada, seus palavrões mal censurados e aquele sorriso bobo sempre presente. Vibrante e destemido… Jon apenas chegou e… ficou.

E foi tudo tão rápido, ou tão devagar. Damian não sabe e não ousa tentar descobrir. Mas em algum momento o barulho se tornou bom . Convidativo.

Reconhecível.

Era como seu, um som que ele gostava de ouvir. Seu coração palpitou e ele não queria, ele não estava esperando. Não estava sob seu controle.

Naquele dia pós missão, Damian com dezesseis e Jon com quinze. Seus cabelos molhados de chuva grudados na testa, os olhos azuis brilhantes e o sorriso idiota.

Jon era bem mais alto que ele agora. Às vezes, o imbecil apoiava seu queixo em sua cabeça. E Damian odiava tanto que o xingava, apenas para receber uma risada borbulhante em troca.

Seu coração bateu forte. O tum tum tum inesperado sempre o fazia recuar. Era estranho, não inesperado, mas estranho. Por que ele fazia isso? De tantas situações, tantas coisas com as quais ele já passou.

Como Jonathan Kent podia fazer seu coração fazer tanto barulho?

— Você é meu apoiador de cabeça mais confortável do mundo, Dami! — Jon disse rindo tanto que Damian acompanhou, bem mais baixo que o kryptoniano. 

E seu coração palpitou tão forte. Caramba, por que isso estava acontecendo!? 

E minha nossa, Damian levou mais dois anos inteiros para reparar na maneira como seu coração sempre rítmico a ele palpitava descompensado perto de Jon. Ou como sua mente vagueava para seu sorriso quando estava longe, ou como seus olhos às vezes encaravam demais os lábios dele em dias mais calmos.

Como o barulho em seu peito só alastrava cada vez mais. De saudade, de almejo, de desejo .

 Como as patrulhas com ele eram divertidas e emocionantes. Se conheciam tão bem, se completavam tão bem. Um sabia como ler o outro, tornou-se automático. 

Jon sabia quando Damian estava inseguro, assim como ele sabia quando Jon estava chateado.

Como um outro eu.

E meu Deus, Damian. Como você se deixou levar assim? Baixar a guarda nesse nível. Deixar que se aproximasse assim de você? Sua mãe diria. Como você pôde ser fraco assim? Inútil, fraco e infantil. Desprezível e repugnante, diria seu avô.

Mas, sinceramente? Como Jason diria: foda-se!

Porque quando Damian tinha dezoito anos e estava patrulhando com Jon em Metrópolis eles foram atacados por agentes da liga. O que eles queriam? Talvez dar um susto por ordem de Ra's, ou levar Damian de volta. Não importa e nunca importou realmente. Porque Jon foi ferido por uma adaga de kriptonita e Damian ficou tão preocupado.

Foi quando toda a ficha caiu. A probabilidade de viver sem Jon, sem sua risada borbulhante, sem seu sorriso brilhante. Seus olhos, sua voz, suas piadas, sem ele.

Sem o barulho absurdamente bom que ele causava em seu peito

— Eu acho que gosto do seu barulho… — Damian falou baixinho quando terminou de enfaixar o corte profundo. 

Já no aconchego da base secreta deles, Jon olhou para ele de maneira confusa.

— O quê? 

Damian não repetiu, no entanto. Não, ele apenas deixou o barulho em seu coração estalar. 

Tum tum tum .

E ele não parou quando juntou os lábios aos de Jon calmamente. E nem quando Jon retribuiu. Quando ele pôs as mãos no rosto dele e o sentiu enlaçar seus quadris.

Tum tum tum

De novo, de novo e de novo. A noite inteira. Cada toque, cada beijo trocado naquela primeira noite maravilhosa. Almejado pelos dois por tanto tempo. Guardado por tanto tempo por Damian, o som finalmente saiu. A música boa que sintonizou entre os dois. De sorrisos apaixonados e toque carinhosos e quentes. A todo momento seu coração palpitou, sem seu controle, sem sua aprovação. Jon fez isso. Caramba, ele conseguiu fazer isso: quebrar seu maldito silêncio.

Na liga, o silêncio era ameaçador.

Em casa, o silêncio era agradável.

Com Jon, o silêncio é insuportável. O barulho é indispensável. A música e o brilho dele trazem isso, essa batida rítmica que não é Damian que controla, mas sim Jon.

Até porque, Damian nunca tinha visto ninguém fazer tanto barulho num só coração.

"Eu nunca vi ninguém

Fazer tanto barulho no meu coração

Teu cuidado é sem grade

É zona, senhora

O entrave que eu passo que eu beijo

E o quanto me leva pro chão

É por isso que eu canto outrória

Outroria - Anavitoria"

Notes:

Link da música ao vivo (porque eu amo o show a vibe): https://youtu.be/JsQqCRPcO-M

Vídeo da música normal: https://youtu.be/DpRIomLBQZA

É isso, e espero que tenham gostado!❤️❤️

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