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The Dog's Bite

Summary:

Você era apenas um capanga genérico, fazendo um péssimo trabalho de capanga genérico, até um cachorro de um metro e oitenta e um coelho ou seja lá o que for aquilo arruinarem seu emprego.
Apenas seguindo ordens, você sequestra aquele coelho, porém sua noite de pesadelos começa quando o cão vem em sua direção com ódio nos olhos. Ele vai te achar, ele vai te pegar e o melhor a fazer é escolher um deus e começar a rezar.

Notes:

Então, eu tinha terminado de jogar 303 na época e estava no hype de Sam & Max, nisso eu vi uma comic do Sam fazendo um interrogatório com o oc de alguém e a idéia absurda só saiu.
Então é basicamente fanservice de noir sam te batendo. Aproveitem, comentem, compartilhem, etc...

 

(Qualquer erro ignorem, ainda não sei mexer nesse site)

Work Text:

Nova York, quase meia noite. As ruas estavam completamente desertas e nem um pouco seguras. Um leve sereno cobria o local por causa da chuva que ameaçava a cair e as luzes dos postes piscavam... Sua mente focava em xingar o fato que você não trouxe um casaco melhor, também procurava sinal no seu telefone, precisava de contato com seu chefe, claro, você não se orgulhava de trabalhar pro crime, mas era a única coisa que poderia fazer pra se manter. De repente o telefone tocou e isso te deu um alívio de segurança. Só queria voltar logo pra “casa”.   

— Alô, Chefe? Quê? Sim, claro, eu dei cabo do cachorro... A gente só não deveria ter que usar o coelho lá... Qual era o nome de mesmo- Alô? Não consigo ouvir, quando vocês vem me buscar... Alô? Chefe? Tá cortando aqui e-  

As luzes do local caíram assim como as grossas gotas de chuva no chão. Ao longe você avistou uma figura de grande porte... Era uma sombra se aproximando lentamente. Os olhos da criatura brilhavam no escuro e você conseguia escutar algo semelhante a um rosnado amedrontador. Imediatamente  caiu um clarão de relâmpago, mostrando a figura do cão de 1.80 de altura com uma face séria pronto pra te caçar e com alguns curativos improvisados por causa dos tiros de balas e algum sangue nas roupas, nenhum realmente grave Apenas marcas de balas de raspão. Você se odeia por ter uma mira tão ruim, mas agora nunca sentiu tanto na vida que iria morrer como agora.  

Seu corpo apenas se move involuntariamente correndo o mais rápido que seus pulmões aguentam, tentar atirar não ia adiantar pois a munição acabou e atrás de você passos tão pesados se aproximando cada vez mais velozes. Os olhos brilhantes e os rosnados eram a última coisa que conseguia ouvir, mais e mais perto.  

—Arf... Distrair ele?! Pra onde?! — Um homem ainda te passava informações pelo celular. — Arf, não vai dar, ele vai me matar agora, eu tô sem nada! CHEFE, POR FAVOR, NÃO ME DEIXA AGORA! — A ligação parou por mais interferência.  

Antes de qualquer coisa, não sabendo mais onde estava, apenas sentindo a chuva, respirou em alívio e guardou o telefone no bolso do sobre tudo, deve ter sido só uma alucinação na sua cabeça, mas , ao se virar o cachorro estava a sua frente. Com uma expressão de ódio na cara ainda rosnando baixo e mostrando os dentes enormes dele. A última coisa você que sentiu foi uma coronhada com a arma dele na sua cabeça antes de você apagar.  

 

 

Seus olhos se abrem lentamente com a irritação de uma pequena luminária na sua cara. Sua cabeça ainda está doendo e logo sua visão fica normal, mas você nota que seus pulsos estão presos, amarrados atrás de suas costas em uma pequena carteira infantil tem mantém com as penas suspensas na pequena mesa escolar e sua boca está presa a uma fita adesiva barata.   

— Finalmente você acordou... Me fala, cadê ele, CADÊ O MAX?!   

 Ele exigiu olhando no seu rosto que estava numa expressão de deboche de: “Vou responder como?”, o cachorro de 1.80 fica embaraçado por esquecer do pequeno detalhe da fita cobrindo sua boca.  

— Oh, perdoe me... — Ele arranca ela de uma vez, te fazendo internalizar um grito. — CADÊ O MAX?! FALA AGORA SE NÃO QUISER VOLTAR PRA CASA IGUAL UM QUEIJO SUÍÇO.  

— Eu... Não conheço nenhum “Max”-   

O policial ficou impaciente tirando sua arma e apontando bem no meio da sua cara.   

— MENTIRA! GrrrRRRRR! — FALA O QUE VOCÊ SABE!  

Você estava perdendo o controle da situação, estava tremendo, talvez porque suas roupas ainda estavam molhadas por causa da chuva ou pelo cano gelado da arma do cachorro contra sua pele que se arrepiou. Mesmo suando frio você selou os lábios e o confrontou.  

— Olha, eu não sei de nada! Só tava fazendo meu trabalho, tá legal?   

— “Fazendo meu trabalho”?! Que tipo de trabalho requer dar cinco tiros às cegas num policial em pleno expediente?!  

— M-mas... Nenhum pegou, né? Haha...   

 Você tentou cortar o clima tentando rir, mas isso só fez o policial te levantar pelo colarinho do seu casaco, te fazendo não sentir mais o chão, aproximando o rosto dele ao seu fazendo sentir o hálito quente  que ele exalava e os dentes afiados completamente à mostra. O detetive vendo o terror através do reflexo dos seus olhos tentou manter a sanidade e te jogou com força na cadeira, quase a quebrando. Quase te quebrou os ossos dos fundilhos.  

O policial tentou manter a calma, não queria partir pra agressividade, mas também, não poderia mais perder tempo. Cada segundo era precioso para a segurança do seu parceiro e lá estava ele encarando a pessoa que era a única pista. Se não fosse o grande auto controle que ele adquiriu por anos, ele já teria te destroçado por completo. Ele puxou um bloco de notas do bolso olhando pro seu rosto que claramente tentava mascarar toda a dor de ter seu corpo jogado tão bruscamente. O detetive notou seu rosto completamente vermelho, como quem estava prestes a explodir, talvez essa criança fosse mais dura que ele pensava.  

— Às nove da noite Max e eu recebemos um chamado, fomos aquela fábrica abandonada, descobrimos o plano de vocês de contrabando de “açúcar”, através de bebidas gaseificadas energéticas. Pelas onze horas vocês atiraram no meu parceiro, mas por alguma razão o levaram, até eu te achar e você disparar contra mim até acabar suas balas. São doze e meia e nos encontramos aqui. Me fala o que aconteceu com o Max.  

— Eu só tô ali de segurança e vocês invadiram o local, destruíram propriedade privada, machucaram pessoas trabalhando e ainda por cima me sequestraram e vocês acham que não teriam nenhuma consequência? Me poupe. — Você respondeu a ele com um ar de superioridade enquanto revirava os olhos.  

—MENTIRA! — O cachorro bate com as mãos na mesinha com força o suficiente pra te fazer saltar. — Você fala que estava de segurança, mas eu te vi entrando e saindo de várias salas com acesso restrito e falando com seus superiores pelo telefone!  

Sua reação foi engolir seco, mas ainda não ia se abalar. Suas mãos amarradas atrás de suas costas tentavam alcançar o celular, talvez buscar ajuda ou qualquer coisa assim, mas o canino alto notou que você estava aprontando alguma coisa enquanto arqueava a “sobrancelha”. Era isso, ele teria que procurar pistas de uma forma mais brusca.  

— Com licença... — O cachorro se inclinou até ficar de joelhos na sua frente, as mãos dele apalpando certas partes do seu corpo como se estivesse buscando por algo.  

Você serra os lábios e respira fundo. O toque dele revirando cada bolso do seu casaco te dava sentimentos mistos, mas o olhar dele era focado em procurar algo e você temia que ele achasse. Você tentou protestar, ou se remexer, mas era difícil manter contato visual com ele.  

— Ei... Vai com calma, grandão... Pelo menos me paga um jantar romântico antes.~ — Colocando muito charme na voz quando o “homem” começou a tocar os seus bolsos de trás, a cara de frustração dele te fez segurar um riso.  

Ele rosna baixo mas finalmente conseguiu o que queria. Um celular antigo de flip. Isso fez ele abrir um sorriso, era só oque precisava, apenas rediscar a última chamada e tentar pegar alguma informação com algum palerma ali. Ele estava tão nervoso e estressado que de certo modo mal sabia como manusear o aparelho, os dedos muito grandes tornavam o incapaz de mexer no aparelho, parecia um idoso que nunca pegou em tecnologia na vida.  

— Desculpa, eu não posso te ajudar, estou com a mãos atadas. — O policial olha seu sorriso convencido porém estranha sua calma...  

— O QUÊ?!— Ele exclamou alto o suficiente pra ter sido ouvido por alguém não muito longe dali.  

O celular... Estava quebrado. Sim, quando ele te jogou com tudo na cadeira... A única pista dele agora tinha se ido e ele não sabia o paradeiro de seu amiguinho. Ele simplesmente vira de costas e esmaga o aparelho na mão como se fosse manteiga e o larga no chão, seu sorriso lentamente se desmancha.   

“ Max... Amiguinho... É tão difícil sem você... Se você estivesse aqui, nós já teríamos as respostas.”  

Mais uma vez ele se vira a você, seu rosto estava desviado do olhar já sem paciência dele. Até você sentir algo gelado levantando seu queixo lentamente... O cano da arma guiando seu queixo pra encontrar os olhos dele. Por não cooperar o suficiente ele te puxa pelo cabelo e aproxima o rosto dele do seu.  

— ONDE. ESTÁ. O. MAX!  

— Chega mais perto... Eu te conto... — O canino obedece aproximando o seu rosto do dele. — VOCÊS DOIS VÃO ESTAR MORTOS!  

 Você imediatamente cuspiu na cara dele que respondeu em seguida com um tapa tão forte te fazendo voar da cadeira e indo pro chão. Você só questionava o sentido da vida no chão gelado. Agradeceu pelas patas do vira lata caramelo gigante serem tão macias, ou no mínimo teriam voado alguns dentes. Parando o círculo de pensamentos, tentou se remexer, apesar de estar com tontura por causa do tapa na cabeça. Você sente uma enorme pressão no seu pescoço. Ele estava pisando em você COM OS PÉ! Aquilo era tão degradante e humilhante, mas você gritou por reflexo quando ele aperta o peso do pé no seu pescoço.  

— Eu já perdi a droga da minha paciência... Seja homem agora e fale onde ele está ou eu quebro seu pescoço...  

Você ia questionar sobre essa frase clichê de filme antigo sobre “ser homem”, mas não ia contestar o cachorro ali no momento e também o ar não circulando no seu cérebro te impossibilitava de manter uma linha de raciocínio.  

— Eu vou contar até três pra você me der alguma informação sobre o que você sabe sobre isso. — Ele pisa mais forte, te fazendo serrar forte os dentes não cedendo.— Um... Dois...  

Ok, seu limite, chegou... Seu rosto estava completamente vermelho. Já estava ficando com a visão escura, mas finalmente soltou alguma coisa relevante.  

— Eles... Não... Vão matar... O coelho-  

O policial rapidamente tira o pé do seu pescoço, você começou a tossir, mas recuperar sua cor normal. A expressão do cachorro à sua frente passou de ódio extremo a preocupação quando você citou sobre o bendito coelho. Ele gentilmente sentou você na cadeira, dessa vez te olhando com maia atenção.  

— Me explica tudo do começo, cara... Quer alguma coisa? Água? Um café? Um pedaço de pizza que o Max deixou no chão por 2 meses e que esse ponto tem mais fungos que pizza? — Ele se inclina até você, porém sem toque de ameaça, oque faz questionar quem é esse cara de agora, mas relaxar mais perto dele e cooperar.  

— Eu não posso falar nada, tenho uma carreira pra seguir, não como um tipo de capanga genérico, mas eu quero ser alguém e também não quero acabar morrendo de forma estúpida por vacilar assim com eles, você entende?  

O mais velho olha pra figura jovem que interrogava, perecia apenas uma criança aos seus olhos, mesmo alguns podendo dizer que sua idade seria na casa dos vinte.  

— Jovem... Olha, eu vivi nesse mundo, vasculhei cada canto dos sujos covis das baratas da sociedade de grupos e máfias do contra bando e desde de vilões e seus minions muito antes de você pensar de existir. A questão é que... — Ele coloca a mão no seu ombro. — Eles literalmente te deixaram pra morrer, literalmente te abandonaram naquela situação deplorável e isolada, só no abandono dos perigos da juventude, como uma bituca de cigarro que acabou sua utilidade e pisada, com a ilusão de falsas promessas. Já vi muitos, vários jovens como você perderem suas vidas assim.   

A voz do homem à sua frente era baixa, reconfortante, parecia que ele mesmo se perdeu no próprio monólogo, mas ele tinha razão, pelo menos no que você conseguiu entender. Eles te descartaram e já estavam nos planos de fazerem isso a muito tempo. A raiva deles no momento, a vontade de vingança por tudo que você passou com esses malditos era muito maior que esse episódio de violência desnecessária com este policial esquisito, pelo menos. Pensar nisso, tentar segurar a raiva por tanto tempo estava acabando com você.  

— Isso é apenas o que eu sei... O negócio daquele maldito era envenenar a cabeça das pessoas com o açúcar, fazendo elas zumbis sem miolos e manipuláveis. O produto vai ser exportado pro mundo todo daqui a uma semana.  

— É, isso eu já sei, mas onde entra o Max nessa história? — Ele responde frustrado achando que talvez essa pessoa na frente dele não seria de grande ajuda.  

— Deixa eu terminar. Seu amigo acidentalmente consumiu grandes quantidades de açúcar e teve resistência. Pelo visto o coelho foi usado pra pesquisas, eu acredito que ele vai ser usado pra ser o rosto do energético como um tipo de marca ou talvez ser um de nós por algum tipo de controle mental que foi ejetado nele. Eles vão enviar o coelho nas docas depois das 7 am.  

— SANTA MÃE SENHORA DAS BEBIDAS A BASE DE MILHO GASEIFICADA COM ALTO TEOR DE FRUCTOSE E OUTRAS SUBSTÂNCIAS CANCERIGINAS!   

O Policial exclama enquanto levanta e olha no relógio. De acordo com o horário somado o tempo da viagem de carro, ainda daria tempo de salvar o lagomorfo. Ele se levanta, veste seu casaco que tinha colocado pra secar e sai pela porta. Não se passou dois minutos de volta ele abre a porta novamente, vindo em sua direção, te desamarrando enquanto você encara ele com plena confusão.  

— Você exatamente dizer qual o píer e talvez o barco que o Max vai sair? — Ele te encara com uma voz envergonhada quase como um filhote choramingando enquanto arruma suas roupas.  

Você não tem exatamente tempo de resposta quando ele puxa seu braço pra fora do prédio, desviando de pilhas de malfeitores vindo do prédio vizinho até chegar ao velho e fiel DeSoto. O carro da polícia freelance: “Sam & Max”. Você abre a porta e senta ao lado de Sam e coloca seu cinto, enquanto ele liga o carro e sorri confiante.  

— Max, amiguinho, aguenta firma... Estamos indo... Ei jovem... Talvez seja meio repentino, mas você tem espírito pra coisa. Depois disso tudo você quer pensar em se juntar a polícia freelance?  

Seus olhos encaram o velho policial, sério que depois de tudo aquilo mesmo ele ainda solta uma dessas? Sua resposta foi abafada com o som alto do carro dando partida.  

 

 

Fim.