Chapter Text
Neteyam observa atentamente os pequenos seres luminescentes dançado ao redor de suas pernas conforme ele mexia preguiçosamente seus pés pela água.
Ele havia dado uma desculpa para seu irmão de que tentaria pescar alguns peixes em uma área mais afastada do litoral, mas a rede abandonada ao lado do adolescente no rochedo só mostrava que, na realidade, o ele havia ido lá para esclarecer a mente.
Neteyam não sabia ao certo o que estava acontecendo consigo. Á mais ou menos 4 eclipses, ele vem sentindo um certo tipo de ansiedade, como uma coceira embaixo de sua pele. No início ele pensou ser saudades de casa ou então apenas preocupação pela situação na qual sua família se encontrava, mas não.
O garoto beta entendeu que era outra coisa que fazia seus pelos da nuca se arrepiarem e que acelerava seu batimento cardíaco em descargas rápidas de adrenalina, só não sabia o que era, ou o porquê de quase sempre isso acontecer na presença de um ou mais alfas desconhecidos.
É esperado dos machos Na’vi se apresentarem como alfas aos 13 anos, mais ou menos quando o treinamento de guerreiro começa para os jovens meninos Omaticayas. Como filho primogênito de Olo'eyktan Jake Sully, o próprio Toruk Makto, toda a aldeia esperava que Neteyam se apresentasse a qualquer momento quando o menino completou seu décimo terceiro aniversário. Para a surpresa de muitos, tal fato nunca aconteceu.
Ele lembra se de seus pais o levando para ser consultado por sua avó depois da data esperada de sua apresentação chegar e Neteyam não sentir nenhum dos sintomas do cio. A Tsahik realizou minuciosos procedimentos que o menino não entendia, sempre acompanhados de um semblante preocupado no rosto de sua vó que deixara Neteyam ainda mais nervoso durante todo o processo.
Sinto muito querido . Sua vó lhe disse enquanto acariciava seu rosto ao fim de todos os rituais. A reação de seus pais foi um tanto mais dura para Neteyam, a decepção nos olhos de seu pai e a tristeza no rosto de sua mãe foram duros golpes no coração do adolescente.
Mais tarde, os exames realizados por Norm e sua equipe no menino afirmaram de modo mais técnico a verdade: Neteyam não tinha nem a estrutura física nem os hormônios necessários para que ele fosse classificado como um alfa.
O adolescente carregou consigo essa amarga notícia que ele não se encaixava na denominação ideal para ser um guerreiro ou um futuro Olo'eyktan.
Neteyam era um beta, tal qual qualquer outro simples membro da sua aldeia.
Quando chegou ao conhecimento dos aldeões que o primogênito de Toruk Makto não era um alfa, muitos, principalmente os anciãos – os quais tinham opiniões mais conservadoras a respeito dos papeis de cada denominação -, questionaram se Neteyam deveria seguir na linha de sucessão direta para ser líder dos Omaticaya.
Ele teve que trabalhar muito duro para acabar com essas dúvidas, dedicar o triplo do esforço para ser o melhor em funções que os outros guerreiros alfas eram naturalmente constituídos para executar.
Incontáveis dias treinando com seu arco até que seus dedos estivessem sangrando, desenvolvendo a habilidade de caça desde a tenra idade, permanecendo com uma conduta impecável mesmo diante de intrigas fizeram com que o menino reconquistasse o respeito de seu clã.
Apenas para que, no fim, Neteyam ver tudo isso ser em vão depois de sua família ter que abandonar sua casa para manter-se segura.
A adaptação em um lugar totalmente diferente tinha sido tão difícil nas primeiras semanas, justamente agora que Neteyam estava adquirindo familiaridade e alguma sensação de pertencimento, ele se ver sendo inundado por essa agonia que ele não entende.
Ele não havia compartilhado suas dores com ninguém, de início porque não parecia nada sério, mas depois, quando esses sintomas começaram a escalonar para algo pior principalmente nos últimos dias, Neteyam continuou a esconder sua dor, escolhendo ignorá-la na esperança que sumisse.
O adolescente tinha descoberto há muito tempo que sua saúde física coisas banais como essa não eram prioridade na situação em que sua família se encontrava.
Porém, para a infelicidade do menino beta, nem sempre fingir que algo não existe faz esse algo sumir. Na realidade, essa dor a qual ele tentou esconder a todo custo estava incrivelmente pior naquele fim de tarde.
Era a primeira vez que ele e Lo’ak iriam caçar com outros jovens Metkayinas, a oportunidade perfeita de demonstrar tudo o que aprenderam nas seções de treinamento e que eles podiam ser úteis para o clã.
O que Neteyam não previu foi que, assim que ele e seu irmão se encontraram com os Na’vis do litoral, o cheiro desses Metkayinas, os quais eram de grande maioria alfa, fosse desestabilizar seus sentidos quase de imediato.
“Tá tudo bem?” Lo’ak perguntou se aproximando de Neteyam em seu ilu, provavelmente percebendo que algo estava incomodando seu irmão.
“Sim,” Neteyam respondeu com um sorriso forçado enquanto segurava fortemente seu próprio ilu, esperando que o aperto o ajudasse a estabilizar sua mente. “Se concentre em não se afogar maninho.”
“Skxawng” Seu irmão riu da provocação, empurrando levemente ombro de Neteyam em retaliação a brincadeira.
Lo’ak ainda parecia preocupado, mas resolveu aceitar a resposta de Neteyam e se afastou do beta para juntar-se aos garotos Metkayinas, os quais discutiam como se daria a caçada.
Neteyam tentou permanecer perto do grupo o máximo que pôde, mas a agonia que o menino sentia piorou até tornar-se física, obrigando o adolescente a dar uma desculpa para Lo’ak e isolar-se em uma parte diferente do litoral de Awa’atlu.
Neteyam pensou que, afastando-se dos feromônios alfa, o que ele estava sentindo desaparecia, ou pelo menos amenizaria, mas suas dores pareceram só piorar com o passar dos minutos.
A pele ao redor de seus pulsos e pescoço sentia-se quente ao toque, havia uma dor estranha na parte inferior de seu abdômen e uma sensação avassaladora de querer se esconder de tudo e de todos.
É como se eu tivesse sido envenenado. Neteyam pensa conforme o seu coração acelerava e o suor frio começava a escorrer de sua pele.
A última coisa que ele queria era preocupar sua família com seu estado de saúde, seus pais e irmãos já tinham tanto para lidar. Porém, morrer sozinho num rochedo em um lugar aleatório no litoral parecia pior do que qualquer outra coisa no momento.
Então, percebendo seus sentidos cada vez mais distorcidos, rapidamente o menino beta chamou seu ilu, agora estando quase desesperado para encontrar ajuda enquanto os últimos raios de luz desapareciam no horizonte.
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Tonowari naquela manhã chamou Jake para praticarem com o tsurak junto com outros jovens Metkayinas que estavam sendo treinados. Após muitas seções falhas de treinamento, ele havia finalmente dominado a fera marinha, apenas precisando de alguns ajustes na montaria para que Jake fosse considerado oficialmente parte guerreiros Metkayina.
A adaptação não foi fácil, sair do posto de líder para aspirante á guerreiro foi algo amargo de engolir, mas pelo bem da sua família, Jake aceitou de bom grado a sua posição. A situação toda o lembrava de muitos anos atrás, de quando ele pisou pela primeira vez em Pandora, o que parecia ter sido a vidas inteiras no passado se você o perguntasse.
"Tudo bem, terminamos por hoje,” Afirmou Tonowari para o grupo em treinamento. "Vamos voltar, já está anoitecendo." O líder dos Metkayina disse por fim direcionando os demais, passando por Jake dando um aceno positivo para que ele o seguisse.
O antigo Olo’eyktan dos Omaticaya tinha um leve sorriso ao direcionar seu tsurak para o litoral juntamente aos outros guerreiros.
Tonowari era um líder compassivo, Jake agradeceria infinitamente ao alfa Metkayina quantas vezes fossem necessárias por, além de permitir que sua família se abrigasse junto ao seu clã, Tonowari ser mais do que receptivo e compreensivo durante esse processo de adaptação. Sua esposa Ronal por outro lado... Jake pedia a Eywa todos os dias para que os gênios fortes dela e de Neytiri não acabassem em tragédia.
O trajeto durante a volta foi tranquilo, com a montaria de Jake mais bem ajustada e o entrosamento com o grupo Metkayina melhorando cada vez mais, o alfa não podia deixar de sentir uma sensação de tranquilidade crescer eu seu peito, algo que poucas vezes ele havia experienciado desde que aquelas naves pousaram em Pandora anunciando a volta dos humanos ao planeta.
Mas, como toda a sensação de tranquilidade que Jake tem tido desde aquela fatídica noite, logo esse sentimento foi substituído por um estado de alerta quando ele e os outros Metkayinas se depararam com uma pequena multidão de aldeões amontoados em um círculo quando chegaram à Awa'atlu.
Tonowari foi o primeiro a se desvencilhar de seu animal ao perceber o aglomerado, indo em direção aos aldeões, pronto para resolver qualquer possível confusão que estivesse se formando no local.
Jake rapidamente revisou onde sua família deveria estar naquele momento, seus filhos mais velhos foram caçar e provavelmente só voltariam mais ao anoitecer, Kiri e Tuk estavam com Neytiri preparando o jantar no Marui da família, todos deveriam estar seguros e longe daquele local.
Mesmo sabendo da pouca probabilidade de seus filhos ou esposa estarem envolvidos no incidente formado ali, Jake escolheu verificar o que se desenrolava na praia, apenas por precaução.
Assim que ele tivesse certeza de que nenhum ente seu estava em perigo, ele retornaria silenciosamente para o seu Marui, Jake sabia que o melhor enquanto seu estado de novo membro no clã era não se envolver diretamente em qualquer tipo de conflito.
Saindo de seu tsurak, Jake caminhou lentamente entre os Metkayinas aglomerados, a sensação de alerta crescendo em seu peito enquanto ele se aproximava em direção ao centro do amontoado.
Ele podia sentir os olhos dos aldeões se voltando para encará-lo com certo temor conforme ele andava e a mistura dos feromônios, majoritariamente alfas, expressando a tensão dos Metkayinas ao vê-lo em meio ao glomerado, fato que impulsionou ainda mais os níveis de ansiedade de Jake.
Mas foi só quando o alfa Omaticaya avistou um tom de azul mais escuro em meio aos de turquesa que todos os sinais de alerta foram ativados em sua mente.
Ele se ver agora avançando rapidamente entre a multidão, ultrapassando Tonowari quando finalmente chega ao centro no que pareceram ser os segundos mais lentos de sua vida.
"Neteyam!" Gritou Jake ao reconhecer seu filho caído na areia.
Jake se ajoelha ao lado do garoto inconsciente, puxando-o para si a procura de qualquer ferimento.
Seus olhos varrem o corpo de seu filho em busca de qualquer vestígio de cortes ou contusões. Após virar o menino em seus braços para avaliar o estado de suas costas, ele não encontra nenhuma ferida aparente em sua rápida inspeção, porém o menino permanece inerte em seus braços, com sua pele atipicamente quente ao toque.
Jake apoia o corpo de seu filho com um braço enquanto usa o outro para segurar o rosto do adolescente em busca de qualquer sinal de consciência.
"Neteyam!" Ele repete agora sacudindo levemente seu filho na tentativa de acordá-lo, se desesperando quando o adolescente não reage a ele praticamente berrando perto de seu rosto.
O menino não tem cortes, não poderia ter desmaiado por falta de sangue, Jake não viu nenhum machucado em sua cabeça para ser desmaio por concussão.
Talvez seja por fraqueza? Será que Jake tem se mantido tão ocupado que não percebeu que seu filho estava doente? Neteyam parecia bem aquela manhã, talvez um pouco mais inquieto, mas nada que indicasse que o garoto beta estava doente, muito menos que iria ter uma queda de consciência.
Se ao menos Jake soubesse o que acontecera com seu filho entre a última vez que ele viu o menino pela manhã e o momento que ele encontrou Neteyam caído na praia com aquela multidão seu redor...
A multidão, claro! Só agora ele raciocinou que provavelmente um dos Metkayinas deve ter alguma informação relevante sobre o estado de seu filho. O antigo Olo’eyktan sente vontade de se dá um tapa, seu filho está precisando dele e a mente do alfa parecia estar voando.
Jake tira os olhos de seu filho, olhando ao redor quando percebe que os aldeões ainda parados lá, praticamente no mesmo canto, observando ele e seu sem oferecer nenhuma ajuda.
Os mesmo que assistiram seu filho caído na areia, ele entende, por sabe Eywa quanto tempo sem prestar nenhum tipo de socorro, apenas assistindo como se seu filho inconsciente fosse algum tipo de espetáculo para ser visto.
Como se o tivessem machucado e agora estivessem admirando o resultado. O pensamento foi sussurrado no fundo da mente de Jake, juntamente a imagens de Neteyam sendo ferido pelos aldeões até desmaiar.
De repente, uma onda de raiva súbita emerge no corpo do alfa.
"O que aconteceu, o que vocês fizeram com ele?!" Jake grita e rosna para os Metkayinas, começando a exalar feromônios que berram agressividade e à alfa furioso, mostrando as presas para qualquer que que tenha ousado machucar o seu menino.
Os aldeões assustados recuam alguns passos, se afastando dele e de seu filho, nenhum dos Na'vi do litoral se arriscando a dizer ou a fazer nada que aumentasse a ira do alfa, o qual procurava com ódio nos olhos os culpados pelo estado que Neteyam se encontrava.
O ato tem feito contrário, Jake se ira ainda mais com a covardia dos aldeões, que com certeza tiveram coragem para ferir o adolescente, mas que agora se amedrontavam com a possibilidade de vingança do alfa.
"Jake Sully," Tonowari finalmente diz, surpreendentemente calmo, em meio aos rosnados incessantes "Eu peço que você se acalme."
Jake olhou para o Olo'eyktan do clã, o qual permanecia em uma distância segura e com as mãos em sinal de rendição, como se estivesse lidando com algum tipo de fera selvagem.
Ele quase poderia rir daquele pedido, Jake se certificou de respirar fundo para não proferir ofensas ao outro alfa, mesmo seus instintos o instigando para fazer o contrário.
"Alguém fez mal ao meu filho, você quer realmente que eu me acalme?" Respondeu Jake, agora com um tão mais baixo, mas ainda carregado de furor, cerrando os dentes para engolir os rosnados presos em sua garganta.
"Ninguém fez nada contra seu filho Toruk Makto." Tonowari afirma, ainda em estado de rendição, mas agora andando lentamente em direção a pai e filho na areia.
"Como não?!" Jake volta a se exaltar e aperta Neteyam em seus braços, sentindo uma onda aguda de possessividade ao ver o outro alfa se aproximando dos dois. " Olhe para el-"
"Eu preciso que você se acalme,” O líder Metkayina repete o pedido o interrompendo, agora a poucos metros de onde Jake estava com seu primogênito nos braços. "Porque seu filho não está machucado Jake Sully, ele está se apresentando."
Dessa vez, Jake não consegue segurar o riso irônico.
"Meu filho é um beta," Ele afirma voltando a seriedade, sem paciência com tamanha tolice que lhe foi dita. "Neteyam passou da idade de se apresentar como alfa a anos atrás."
"Eu sei que seu filho não é um alfa." Tonowari responde ainda em tom apaziguador. Não me diga. É preciso muito de seu autocontrole restante para Jake não verbalizar o pensamento. "Seu filho, Toruk Makto, está se apresentando como ômega."
“Basta!" Jake exclama, convencido de que o outro Na’vi estava a caçoar da condição em que seu filho se encontra. "Pare de me falar essas besteiras."
Jake decidiu que estava farto daquela situação, que o melhor a seguir era tratar Neteyam, já que ninguém parecia querer lhe informar o que aconteceu ou quem fizera isso com o menino.
Mais tarde o alfa se certificaria de encontrar o responsável pela condição de Neteyam. O mantra de manter-se longe de problemas parecia muito distante perto da vontade de Jake de punir com suas próprias mãos qualquer um que tivesse encostado um dedo no seu menino.
Ignorando Tonowari que continuava a falar maluquices sem razão alguma, Jake ergueu seu filho, passando um braço por de baixo de seus joelhos e apoiando as costas do adolescente com o outro, e se direcionou para sair do local, virando as costas para o Na'vi do litoral.
Porém, o líder Metkayina pareceu não entender que o outro alfa não queria mais conversar e logo agarrou o ombro de Jake, recebendo um rosnado do Omaticaya em resposta que claramente dizia "Afaste-se!" com todas as letras.
Jake sabia que o que ele estava fazendo era um ato de afronta para com um Olo'eyktan, mas os instintos em sua mente falavam mais alto do que qualquer razão remanescente e o ordenavam para impedir qualquer um, especialmente outro alfa, de se aproximar de Neteyam, mesmo que esse alfa fosse líder do clã.
“Olhe para o seu filho Jake Sully,” Diz Tonowari, permanecendo com sua postura pacífica mesmo diante do desrespeito. “Não consegue sentir o cheiro que ele está produzindo?"
Jake virou-se em direção ao outro alfa Metkayina, o qual parecia ter perdido completamente o juízo.
O antigo líder Omaticaya tinha certa ideia do que ele deveria parecer, ele sabia que estava mostrando os dentes como um louco, produzindo feromônios cada vez mais agressivos direcionados ao alfa a sua frente.
Naquele momento, Jake não queria mais nada do que tirar seu filho de lá e levá-lo em segurança para o Marui da família, onde ele poderia protegê-lo e escondê-lo de qualquer um que tentasse machucá-lo.
Mas como Tonowari continuava o importunando, Jake não hesitaria mais em deixar seus instintos o comandarem para defender a si e ao seu filho.
Então, em uma rápida descarga de adrenalina, Jake avançou rapidamente em direção ao outro alfa com os dentes a mostra, pronto para deixar o resto de controle que ele tinha sob si.
O que lhe impediu foi o súbito cheiro o qual os seus sentidos captaram.
Oh.
Doce. Muito leve, ainda com resquícios do cheiro leitoso dos Na’vi filhotes, típico de ômegas imaturos que não chegaram à maioridade.
O aroma teve efeito súbito, todo aquele furor no corpo de Jake foi afogado e as palavras de ódio foram tiradas de sua boca sem nenhum precedente pelo cheiro calmante.
Mas o que de fato faz Jake quase vacilar com seu filho nos braços foi perceber que quem estava produzindo aqueles feromônios ômegas não era uma Metkayina tentando apaziguar a situação, mas sim Neteyam.
Jake estava tão absorto na discussão que não percebeu que Neteyam havia acordado e se movido em seus braços.
Ele, depois de recuperar-se do choque inicial, inclinou a cabeça em total descrença para olhar o filhote em seus braços
Seu primogênito beta, que agora o encarava com os olhos parcialmente abertos com parte do rosto escondido no pescoço do alfa, quando o viu, exalou mais feromônios ômega que demonstravam contentamento, deu um leve sorriso e logo voltou à inconsciência, alheio ao estado de completa confusão que deixara seu pai.
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Neteyam sente seu corpo pesado e sua mente muito lenta, como se estivesse na liminar entre a inconsciência e o despertar.
Ele está envolto por algo, Neteyam percebe. Não, alguém. Calor e um batimento cardíaco em seu ouvido o fazem entender que ele está sendo segurado por uma pessoa.
Isso está certo? Ele deveria permitir ser segurado assim como uma criança? Neteyam não era criança! Não senhor, ele não poderia ser, ele já tem 15 anos, o que seus irmãos pensariam? O que o seu pai pensaria? Sem dúvida ele diria que Neteyam é velho demais para ser embalado como um bebê...
Qual foi a última vez que alguém o segurou assim? Ele não se lembrava.
Além do calor e do batimento, Neteyam conseguiu distinguir duas vozes falando. Quer dizer, uma estava falando enquanto a outra deferia gritos e rosnados, fazendo com que sua cabeça latejasse e ele sibilasse de dor como um filhote.
Juntamente a isso, um cheiro subiu ao seu nariz, feromônios de alfa que Neteyam conhece bem.
Pai? Ele questionou. Era seu pai que o estava segurando? Por que ele estava tão furioso? Neteyam não gostava quando o seu pai ficava com raiva, algo que tão frequente desde a invasão do Povo do Céu.
Ele não se lembra de seu pai sorrindo para ele desde então, o mais comum eram gritos e olhares de decepção, mais como um general do que qualquer outra coisa.
Ele quer tanto que seu pai fique bem, o que ele pode fazer para acalmá-lo? Neteyam não sabe. Ele quer fazer algo mesmo assim, mas parece tão difícil pensar ou se mover.
Instintivamente, ele vira sua face próxima ao pescoço de seu pai, onde ele sente os feromônios alfa mais forte, e, de forma delicada, Neteyam afaga seu rosto contra a pele de seu pai, esperando que a carícia ajude o alfa a se acalmar.
Neteyam fica feliz ao fazer isso. Os rosnados e gritos param, só resta o calor e os batimentos, agora mais calmos e lentos. O cheiro que ele sente agora não exala agressividade, mas sim proteção e conforto. Ele olha para cima e, com os olhos pesados, consegue ter um deslumbre do rosto de seu pai.
Neteyam sorri antes de sentir-se cansado, seu corpo praticamente o implorando para que ele adormecesse novamente.
O menino não se lembra da última vez que seu pai direcionou esse tipo de carinho a ele, então, decidindo absorver cada grama de conforto que ele poderia conseguir antes de adormecer, o menino fecha os olhos e se aconchega impossivelmente mais perto de Jake, respirando o cheiro calmante com o sono dando-lhe boas vidas.
